O Insurgente

Dezembro 17, 2011

“The dream is collapsing”

Filed under: Comentário,Política,Portugal — Bruno Alves @ 22:48

Amanhã, o Governo vai reunir-se “informalmente” e, segundo consta, anunciar uma série de medidas a serem tomadas no próximo ano. António José Seguro, por sua vez, prosseguiu hoje o seu esforço hercúleo de não passar um singelo dia sem dizer uma barbaridade. Resolveu o líder do PS deixar um “pedido” a Passos Coelho: que ponha “fim à austeridade”. Diz Seguro que amanhã o Governo terá a “oportunidade” de anunciar medidas que promovam o emprego e o crescimento, “oportunidade” essa que, presume-se, não deve ser desperdiçada. Infelizmente, o Governo não tem qualquer “oportunidade” para tal. Seguro, aparentemente, ainda não se apercebeu da triste realidade que este país terá de enfrentar: nos próximos (longos) tempos, Portugal não terá qualquer “oportunidade” de “crescer” ou de pôr fim à austeridade.

Durante anos (para não dizer décadas), nós portugueses quisemos ser “como os outros”: quisemos viver como se vivia “lá fora”, porque, afinal, “isto” era “o século XX” (e depois o XXI). Rapidamente nos deparámos com um pequeno problema: não éramos como os outros. Mais concretamente, não éramos tão ricos como os outros. Uma injustiça, obviamente. O problema também rapidamente foi resolvido: se não havia dinheiro, pedia-se emprestado; se não temos tanto dinheiro como “eles”, usemos o “deles”; e desde que “acreditemos” em “nós”, que até “fizemos” os Descobrimentos, um dia conseguiremos ser efectivamente ricos.

Durante anos, vivemos nesta ilusão. Até ao dia em que, como no filme do outro senhor, o sonho entrou em colapso: o endividamento era de tal ordem, que, especialmente numa conjuntura de crise financeira internacional, ninguém nos quis emprestar mais a não ser a preços proibitivos. A partir desse momento, Portugal deixou de poder viver como “os outros”, sem sermos como “eles”. A partir de agora, os portugueses vão ter de viver como realmente são. E, pelo menos por enquanto, são pobres.

A “esperança” que Seguro pede que seja dada aos portugueses é impossível, e a “austeridade” contra a qual ele constantemente se manifesta é apenas a realidade que tentámos esconder no passado. O empobrecimento dos portugueses é tudo menos uma coisa positiva, e o Governo tem como responsabilidade criar as condições para que no futuro seja possível sair dele; mas o empobrecimento é apenas a reposição da normalidade, uma correcção do estado de falsa prosperidade que julgámos ser real. Seguro pode dizer o que quiser (e infelizmente para todos nós, ele aparenta querer dizer muita coisa). Passos Coelho é que não pode dizer que a austeridade vai chegar ao fim, porque ela ainda agora começou. Com estas medidas ou com outras, com cortes na despesa ou cortes na receita, com “troika” ou sem “troika”, com euro ou sem euro, os portugueses vão empobrecer. Quem disser o que Seguro pede ao Governo que diga, ou mente ou não vive neste mundo.

8 Comentários »

  1. A este propósito, escrevi em 6 de Novembro:
    «Diz-se que a crise – ou as medidas de austeridade do Governo, conforme as opiniões – estão a causar o empobrecimento do País. Mais globalmente, acrescenta-se que a crise – ou a austeridade – a nível da Europa está a empobrecer os povos europeus.

    Não creio que seja assim. Pobres já nós éramos, só que muitos nem sabiam que o eram outros disfarçavam como podiam. Mercê de empréstimos que íamos conseguindo sacar, vivíamos como ricos ou pelo menos como remediados, mas éramos verdadeiramente pobres. Quando chega a hora de pagar as dívidas, claro que temos de passar a viver com menos dinheiro e logo com menos coisas, menos conforto, menos bem-estar. Mas isso só porque passamos a viver em conformidade com a nossa pobreza real.»

    Comentário por Freire de Andrade — Dezembro 18, 2011 @ 00:28

  2. «O problema também rapidamente foi resolvido: se não havia dinheiro, pedia-se emprestado; se não temos tanto dinheiro como “eles”, usemos o “deles”; e desde que “acreditemos” em “nós”, que até “fizemos” os Descobrimentos, um dia conseguiremos ser efectivamente ricos.»

    “pedia-se emprestado”?! Quem pediu emprestado? Quem ficou com o grosso do empréstimo, que agora somo nós, contribuintes, a pagar? Para onde foi a massa? Façam lá a auditoriazinha sim e deixem-se de tretas.

    É fácil pedir emprestado quando são os outros (nós) a pagar. Pedir empréstimos, quando somos nós os fiadores: maravilhoso!

    É bom não perder de vista o início desta história, que começou em 2008, com a crise do imobiliário lá para os lados da Califórnia e de Miami e, pasme-se, passados alguns anos, a batata quente foi-nos passada. O sarilho em que os bancos e as financeiras se meteram foi transferido para nós. “Nós”, entenda-se, contribuintes islandeses, gregos, portugueses, irlandeses, italianos e etc. que a procissão ainda vai no adro.

    Queríamos ser ricos e somos pobres?! Então e os gregos, os irlandeses, os espanhóis, ou os ricos italianos (e outros ricos que estão na calha da austeridade – os americanos e os ingleses por exemplo). Deixemo-nos de tretas.

    O capitalismo a continuar assim acabará por cometer o harakiri. Irá afundar-se com a história do “Não há alternativa”.

    Comentário por AMCD — Dezembro 18, 2011 @ 01:20

  3. É o capitalismo que está a colapsar! Os sonhos não colapsam nunca.

    Au revoir!

    Comentário por AMCD — Dezembro 18, 2011 @ 01:24

  4. esse José Seguro, é mais um trólaró!! não admira que seja o boy do Soares…Socrates era o Boy da Mota-Engil…o Passos, é o Boy do Ângelo…o Relvas, o Boy do Mira Amaral…é só boyadas este regime politico! estão todos bons uns para os outros e funcionam em circuito fechado…Passos disse a Socrates o que Seguro diz a Passos…ipsis verbis…palhaçada total !! o Passos era TSU…depois que já iamos ao mercado em 2012…milagre das exportações…tambem é só tretas ! quando é que Portugal deixa de ser governado por boys!!!???

    Comentário por tric — Dezembro 18, 2011 @ 01:53

  5. “pedia-se emprestado”?! Quem pediu emprestado? Quem ficou com o grosso do empréstimo, que agora somo nós, contribuintes, a pagar? Para onde foi a massa? Façam lá a auditoriazinha sim e deixem-se de tretas.

    Saberia muito bem para onde foi AMCD se fosse ver ao Orçamento de Estado ao longo dos anos. Ou seja fazer uma continhas e perceber o Poder dos Políticos endividarem-no.
    Mas como é mais cómodo entrar em teorias da conspiração…mais uma demonstração da preguiça mental.

    Comentário por lucklucky — Dezembro 18, 2011 @ 10:59

  6. Ora, o lucklucky sabe muito bem que uma auditoria não se limitaria apenas a esclarecer a questão do “para onde foi”. Não nos faça a nós de “preguiçosos mentais”, por favor.

    Comentário por AMCD — Dezembro 18, 2011 @ 12:07

  7. “É o capitalismo que está a colapsar! Os sonhos não colapsam nunca.”

    Temos comediante!

    Comentário por Migas — Dezembro 18, 2011 @ 17:34

  8. Vá lá, isso é o melhor que conseguem? Chamar preguiçoso mental e comediante a quem vem aqui ler e comentar os textos. Vá lá contra-argumentem, (coisa que ainda não vi).

    Só parte para a ofensa quem não tem argumentos. Onde é que estão os vossos contra-argumentos em relação ao que escrevi? Não esperem que vos responda na mesma moeda: não vou descer tão baixo. Não me arrastarão para a lama.

    Sejam felizes.

    Comentário por AMCD — Dezembro 18, 2011 @ 18:08


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