O Insurgente

Dezembro 7, 2011

PS e o “Estímulo”

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política,Política Fiscal,Portugal,Teoria — Ricardo Campelo de Magalhães @ 00:40

Seguro representou uma correcção do estilo de Sócrates. Mas a correcção de forma não trouxe consigo uma também desejável correcção de conteúdo, que mantém os tiques socialistas.

Senão vejamos: Seguro veio a público defender Sanções para os países com excedente orçamental. Sim, não é erro: é mesmo excedente. Ou seja, quem não consome avidamente deve ser reprovado pois não está a “estimular a economia”. Isto é tão ridículo que até o Inimigo Público pegou no tema e trouxe para a sua capa que Seguro defende a eliminação da Liga dos Campeões do vencedor do jogo FC Porto – Zenit.

Vamos 1º ao argumento prático, no caso Português: Se os estímulos funcionassem, então Portugal teria tido uma década a crescer a 10% ao ano e não a uns míseros 0,5% – crescendo assim menos que a UE, numa inversão do cenário da década anterior – depois de Sócrates ter estimulado o país de inúmeras formas:

1. Plano Tecnológico (já agora…)
2. Investimento nas Renováveis
3. Plano Estratégico do Sector Textil para 2007-2013
4. PIO – Programa de Intervenção em Oftalmologia
5. Plano Tecnológico da Educação
6. Programa de grandes investimentos em infra-estruturas 2005-2009
7. PENT – Plano Estratégico Nacional de Turismo
8. Plano Estratégico para a Indústria de Moldes e Ferramentas Especiais
9. Plano para o Oeste.
10. Um Mail para cada Português (Ok, apenas 2,5M…)
Outros Planos:
Plano para Financiamento e Gestão das SCUT (versão 2006)
Programas de Manuel Pinho - desculpem a preguiça de não os enumerar
Plano para salvar a Qimonda
Plano para salvar a Bombardier.
Estado deu “Ajudas políticas a empresas inviáveis” - Caso Geral
Outros Estímulos:
Plataforma Logística Lisboa-Norte (Pois…)
Parque de Energia das Ondas da Aguçadoura (Pois…)
Plataforma Logística do Poceirão
Aeroporto de Beja (164? Mais do que eu esperava!) (Em liquidação!) (Sem ter facturado!)

Obviamente podia estar aqui a colocar muitos mais exemplos: afinal todas as dívidas contraídas por empresas públicas – na ordem dos biliões – e todo o dinheiro “investido” (investimento implica retorno…) na construção de estradas via PPP no fundo podem ser consideradas como estímulo.

O resultado? O estímulo parece não ter resultado.

Mas porquê? Má execução? Ou nunca seria possível que desse certo?

Bem, é claro que também houve má execução. Mas era impossível que desse certo!

1. A Equivalência Ricardiana afirma que défices públicos levarão a poupança privada equivalente por os segundos perceberem que os primeiros não têm outra opção senão taxá-los mais tarde, e portanto constituem provisões para o efeito;

2. Conforme disse Bastiat, o Estado entrega a algumas empresas dinheiro na troca de alguns bens, “estimulando a economia”… levando a que das duas uma: ou pede emprestado à banca, que assim não tem dinheiro para financiar a Economia, nem mesmo em projectos economicamente viáveis (o efeito “crowding out” que o João Galamba conheceu recentemente), ou então simplesmente taxa a umas para dar a outras (ver a este propósito este excelente vídeo em inglês sobre o assunto)

3. De acordo com as suas próprias premissas, o objectivo do PS é estimular a actividade económica. Portanto, aquilo a que ele se propõe é retirar financiamento à economia, para impedir investimento, para levar a uma diminuição de produção (e, portanto, de emprego), enquanto aumenta o consumo agregado, que como não pode ser de bens produzidos em Portugal (a diminuir, neste cenário), têm de ser comprados no exterior, fomentando assim a Economia… Chinesa?

Meus caros, creio que que só mesmo um socialista sem noção da realidade pode perceber tudo isto (ouçam aqui como se formam este tipo de Socialistas). E portanto a única imagem adequada que me ocorre é esta:

Afinal, até Freitas do Amaral já vê o disparate em que esteve envolvido!

15 Comentários »

  1. Well… tanto disparate junto, como é possível?
    O Sócrates fez muitos disparates como por exemplo o ter desperdiçado a Presidência Portuguesa da UE transformando-a na continuação da presidência alemã e reduzindo-a praticamente a mascarar a Constituição europeia com o nome de Tratado de Lisboa.
    Ou ir a reboque da Comissão Europeia e apostar disparatadamente nas renováveis.
    É que o Seguro tem razão, foi mas foi desastrado e dizer o que disse da maneira que disse era óbvio que iria dar azo a artigos como este, sem sentido mas parecendo fazer apelo a alguma lógica.
    É que é impossível todos os países serem exportadores (a não ser que se exportasse para Marte!). Isto é, para cada país com uma balança comercial positiva tem de haver outros com balanças comerciais negativas.
    O ideal seria que todas as balanças tivessem saldo zero.
    Como isto não é possível tem de haver mecanismos que equilibrem as balanças.
    Mas o que mostra a incoerência deste artigo é tentar analisar a situação portuguesa ignorando totalmente o efeito negativo do Euro.
    quanto ao Freitas do Amaral, não passa de um catavento, pulando de partido em partido. Por mim ainda não desisti de o ver no Bloco de esquerda…

    Comentário por O Raio — Dezembro 7, 2011 @ 02:04

  2. Falta ai o ‘Plano para a promoção da bicicleta e outro modos de transporte suaves’. O grupo de trabalho foi criado…

    Comentário por Levy — Dezembro 7, 2011 @ 02:22

  3. Graças a Seguro estamos finalmente a descobrir em Portugal que o Socialismo defende que se sancione os melhores a favor dos piores.

    Comentário por elisabetejoaquim — Dezembro 7, 2011 @ 02:53

  4. é xuxas e Passistas, salvem a Banca!!! Tudo para a Banca, nada fora da Banca…Portugal é mesmo uma Judearia…já não bastava Socrates que era só negociatas com a Banca…de seguida sai um Passos, há que honrar os compromissos que O Socretinos fizeram com a Banca…Portugal é mesmo uma Judearia!!! é corta aqui, corta acolá, corta em não sem mais onde…só não se corta nas parcerias Publica-Privadas…este Governo, tal como o de Socrates, pensam com a cabeça da Banca…num país Judaico, Le Etad Cést la Banca…

    Comentário por tric — Dezembro 7, 2011 @ 02:55

  5. O sr.Raio – e não só – talvez deva explicar que “raio” têm as exportações que ver com superavites…

    Comentário por lucklucky — Dezembro 7, 2011 @ 03:54

  6. [...] «Se os estímulos funcionassem, então Portugal teria tido uma década a crescer a 10% ao ano e não …» Ainda se lembram de tanto estímulo? [...]

    Pingback por Os estímulos « BLASFÉMIAS — Dezembro 7, 2011 @ 09:34

  7. Os tipos para além de tarados são incompetentes (ou impotentes?): com tanto
    estímulo, nunca conseguiram chegar ao orgasmo…

    Comentário por LR — Dezembro 7, 2011 @ 10:32

  8. [...] saudades da altura em que haviam políticas e planos para tudo e mais alguma coisa. Não davam em nada mas pelo menos garantiam uns empregos para a malta amiga. Share this:Gostar [...]

    Pingback por Lamento de um ex-assessor « O Intermitente (reconstruido) — Dezembro 7, 2011 @ 10:52

  9. Não chegaram ao orgasmo? E a falência foi o quê?
    Criaturas que dividem para multiplicar, a nivelar por baixo, devem sentir um prazeiroso orgasmo com o empobrecimento consumado de toda uma nação…

    Comentário por André Miguel — Dezembro 7, 2011 @ 11:47

  10. Os socialistas vêm a economia como um jogo de soma nula e não entendem o processo de criação de riqueza pela economia livre.
    Para um socialista trata-se de repartir um bolo existente, e depressa, nem que para isso não haja nada para repartir amanhã.
    Não entendem que a riqueza é gerada na interação complexa entre agentes económicos, e que quando deixada funcionar, produz algo que não existia com somatório positivo.
    É uma forma de cegueira(ou de estupidez) que lhes tolhe o discernimento.

    Comentário por ricardo saramago — Dezembro 7, 2011 @ 14:37

  11. Caro O Raio,

    Realmente, é muito disparate junto. Mas eu fiz o que pude para o tirar de lá e, honra me seja feita, ele saiu mesmo de lá e os meus companheiros estão lá agora. A fazer senão bem pelo menos melhor que o anterior.
    Sócrates fez muitos disparates, mas esse que refere até é dos menores…

    Quanto ao Seguro… o senhor não sabe o que diz. Mas está com sorte, pois eu tenho o contacto dos meus professores de Introdução à Economia do secundário e eles (por um preço) podem dizer-lhe o que está de errado com a proposta do Seguro (se o texto do Carlos Guimarães Pinto sobre o crowding out não o elucidar). Peço desde já desculpa por não dar detalhes, mas como também rotulou sem argumentar minimamente, não sei o ponto de partida em que o senhor Raio está e portanto não seria eficiente entrar por aí.

    Essa confusão entre excedente exportador e excedente orçamental do Estado denota alguma confusão.
    A parte de Marte teve piada. Pense só na base do que escreve antes de ir buscar uma piada, porque senão acontece como agora, e é chato.

    Repare-se que todas as balanças terem saldo 0 não é o ideal, pelo menos a nível anual.
    Mas isso não tem NADA a haver com a conversa e não vamos entrar por aí.

    Essa parte da Incoerência creio que estava relacionada cm a conversa das balanças, certo?

    Quanto ao Freitas, já me desiludiu muito por isso já pouco espero dele. Mas achei piada a tomada de posição dele.
    Aquele homem ou acaba no BE, ou no PNR, ou num qualquer outro partido estatista. Vamos ver para onde aponta o vento…

    Comentário por Ricardo Campelo de Magalhães — Dezembro 7, 2011 @ 16:31

  12. O Maddorf e economia de socialismo tem funcionamento igual. Enquanto houver crédulos a investir…

    Pagar dívidas com mais dívidas e um negócio de vida limitada.

    Comentário por insideportugalblog (@inside_portugal) — Dezembro 7, 2011 @ 16:33

  13. Ainda um dia o vão ver de novo na Câmara Corporativa…

    Comentário por cobracascavelLusitânea — Dezembro 7, 2011 @ 17:04

  14. A teoria da “equivalência ricardiana” e a do “crowding out” não são contraditórias?

    Comentário por miguelmadeira — Dezembro 7, 2011 @ 19:19

  15. [...] é ultraliberal e culpado pelo estado de Portugal) – Ascensão meteórica em 1 semana! 6. PS e o “Estímulo” – Um clássico, que só foi possível com a ajuda dos colegas de blog, a quem desde já [...]

    Pingback por 1 Ano « O Insurgente — Fevereiro 6, 2012 @ 09:16


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