Entretanto, o Sérgio Lavos corrigiu parcialmente o post e percebeu pela primeira vez que a “activista canadiana” Naomi Klein não é propriamente uma fonte credível. Para um activista do Bloco de Esquerda, convenhamos que já não é nada mau.
Adicionalmente, divulga um video (que reproduzo mais abaixo) de Milton Friedman a falar sobre Hayek e um ensaio de Roger Garrison sobre Hayek e Friedman, o que também é de saudar.
Mas confesso que o que mais gostei na auto-correcção feita pelo Sérgio Lavos ao seu post foi a insistência (presumo que para não dar completamente o braço a torcer) no reconhecimento da “influência das ideias de Hayek na teoria económica de Friedman”. Como admirador do trabalho de Hayek e, mais genericamente, da abordagem às ciências sociais desenvolvida pela Escola Austríaca, uma das minhas principais preocupações no domínio da teoria económica é a de encontrar e explorar pontes com o que de melhor (ou, numa perspectiva austríaca mais radical: o que de menos mau) se faz no âmbito da síntese neoclássica dominante. É certo que, não obstante esse objectivo e alguns pontos de proximidade reais entre austríacos e neoclássicos, a consciência das significativas diferenças epistemológicas e metodológicas entre as duas abordagens veda-me o atrevimento de ir tão longe como o Sérgio Lavos. Mesmo assim, esta é uma batalha em que toda a ajuda – mesmo a mais inesperada – é bem vinda.
Entretanto – e a título de reciprocidade (não confundir com troca – ler Polanyi se a distinção gerar confusão) pelos bons serviços prestados pelo Sérgio Lavos à Escola Austríaca – lembrei-me de dois apontamentos que podem ajudar.
O primeiro é que o ultra-neo-liberal Vítor Gaspar não só elogia Friedman como também já citou – favoravelmente ainda por cima – Hayek (isto anda mesmo tudo ligado…).
O segundo é que Hayek não só esteve na Universidade de Chicago, como também esteve “refugiado” em Cambridge por altura da Segunda Guerra Mundial ao mesmo tempo que… Keynes, com quem aliás manteve uma relação de amizade. Keynes que escreveu o seguinte sobre The Road to Serfdom, a mais influente obra política de Hayek:
In my opinion it is a grand book…. Morally and philosophically I find myself in agreement with virtually the whole of it: and not only in agreement with it, but in deeply moved agreement.
Como se vê, infelizmente para a propaganda de extrema-esquerda, o paradigma naomikleiniano apresenta algumas limitações severas em termos do seu poder explicativo. Mas não é razão para que o Sérgio Lavos fique (muito) envergonhado: há quem tenha responsabilidades intelectuais e académicas bem maiores e engula de forma igualmente acrítica o lixo produzido pelas Naomi Kleins deste mundo.
Milton Friedman remembers Friedrich Hayek
Leitura complementar: O regresso, por Arrastão, da temível “Escola Austríaca de Chicago”.
Quer dizer que insiste na asneira. Fantástico.
Bom, pelo menos foi obrigado a ler qualquer coisita sobre Hayek e o Friedman. Já é uma grande evolução. Pode ser que vá lá com o tempo.
Comentário por Miguel — Dezembro 4, 2011 @ 23:33
Naomi Klein não é uma fonte credível porquê? Tem um livro que já foi traduzido em Portugal e tudo…
Comentário por joão — Dezembro 5, 2011 @ 00:14
André,
És mau. E portanto estás excluído da terra dos amanhã que cantam.
Comentário por Ricardo Campelo de Magalhães — Dezembro 5, 2011 @ 01:44
Recomenda-se isto
- http://www.youtube.com/watch?v=tqLAYg6pDGg
Comentário por António Costa Amaral (AA) — Dezembro 5, 2011 @ 07:16
O que nao é (a bom seguro) a Naomí Klein, uma adivinha.
Alguém vai ter que fazerlhe notar que tem que ampliar o livro e rápidamente incluir a terapia do Shock nos paises PIGS da segunda década do Século XXI.
E por tanto o livro da Klein, um libro “aberto”…
Comentário por neotonto — Dezembro 5, 2011 @ 08:58
Por si alguem ainda nao sabe do que estamos a falar com a doctrina do shock:
Comentário por neotonto — Dezembro 5, 2011 @ 09:15
O problema do Hayek é que não foi suficientemente explicito ao reconhecer que não percebeu a GT de Keynes e que as suas teses Macroeconomicas não eram formalmente consistentes.
Alias , estas questões mantém-se actuais com a actual pseudo síntese neo-neo clássica , que é uma mistura de postulados sem base cientifica.
Comentário por Paulo Pereira — Dezembro 5, 2011 @ 10:10
Que baboseira Paulo Pereira, não fale do que não sabe.
Comentário por António Costa Amaral (AA) — Dezembro 5, 2011 @ 10:19
O que é que eu não sei AA?
Não sei que em economia as teses têm de ser logicamente e contabilisticamente consistentes ?
Principalmente acreditar nos divinos mercados eficientes que conhecem o futuro longínquo como num filme ou livro de ficção cientifica ?
Comentário por Paulo Pereira — Dezembro 5, 2011 @ 11:15
“Principalmente acreditar nos divinos mercados eficientes que conhecem o futuro longínquo como num filme ou livro de ficção cientifica ”
Onde é que o PP leu essa? Se não for pedir muito pedia-lhe algumas referências bibliográgicas. Por estranho que pareça nunca li nada nesse sentido em autores austriacos.
Comentário por miguel — Dezembro 5, 2011 @ 11:42
“Como admirador do trabalho de Hayek e, mais genericamente, da abordagem às ciências sociais desenvolvida pela Escola Austríaca, uma das minhas principais preocupações no domínio da teoria económica é a de encontrar e explorar pontes com o que de melhor (ou, numa perspectiva austríaca mais radical: o que de menos mau) se faz no âmbito da síntese neoclássica dominante.”
A sintese neoclassica macroeconomica (pseudo macroeconomia) tem como base fundamental os postulados das expectactivas racionais e dos mercados eficientes, uma treta completa sem pés nem cabeça, quais são então essas “pontes” ?
O facto dessa sintese não tem em conta os efeitos monetários e do crédito na economia ? Ou o facto de nem sequer ter em conta que o sistema monetário moderno não é moeda-ouro ?
Comentário por Paulo Pereira — Dezembro 5, 2011 @ 12:37
Os mercados serem eficientes não quer dizer que conheçam o futuro. Mas sim que incorporam a informação histórica e pública conhecida. Os estudos empíricos até agora demonstram que existe de facto eficiência nesse sentido. Nada disto quer dizer que os mercados conhecem o futuro.
Comentário por lapizarro — Dezembro 5, 2011 @ 12:49
acreditar nos divinos mercados eficientes que conhecem o futuro longínquo como num filme ou livro de ficção cientifica
está por explicar…
Comentário por António Costa Amaral (AA) — Dezembro 5, 2011 @ 12:58
Aliás, se há coisa que a teoria financeira defende é que ninguém consegue prever ou dizer para onde vão os preços dos activos. O pressupostos é que estes seguem um processo estocástico.
Comentário por lapizarro — Dezembro 5, 2011 @ 13:13
Se os mercados não conhecem o futuro por ele ser indeterminado ( como pderia ser de outro modo à luz da fisica quantica ?), então a sintese macroeconómica neo-neo-clássica é uma treta completa e a GT de Keynes é a única teoria coerente .
Comentário por Paulo Pereira — Dezembro 5, 2011 @ 13:52
A única coisa que o conceito de mercado eficiente prova é que o Paulo Pereira, que se apresenta aqui como cientista económico, nem sabe do que fala quando falava de mercados eficientes, conceito que deveria ser básico para qualquer estudioso.
Comentário por lapizarro — Dezembro 5, 2011 @ 14:30
Pois. Também já tinha percebido que você não sabia do que estava a falar. Estamos coversados.
Comentário por Miguel Noronha — Dezembro 5, 2011 @ 14:31
#16, 17 ,
Então expliquem lá o que são os tais mercados eficientes e expectativas racionais , se é tão básico deve ser fácil explicarem.
Comentário por Paulo Pereira — Dezembro 5, 2011 @ 15:13
“Principalmente acreditar nos divinos mercados eficientes que conhecem o futuro longínquo como num filme ou livro de ficção cientifica ?”
Caro Paulo, é interessante como você sabe debitar o nome de teorias e logo a seguir demonstra que não as percebeu minimamente. Independentemente, de concordar com a hipótese dos mercados eficientes, vale a pena notar que a implicação dessa hipótese é precisamente a oposta. Se o mercados são, de facto eficientes, então a teoria o que prevê é que o futuro seja imprevisível. E nem é o futuro mais longínquo é já amanhã.
Comentário por LA-C — Dezembro 5, 2011 @ 15:14
PAulo Pereira, através da física quântica podemos prever acontecimentos futuros. A economia não pode ser comparada à física quântica, mas sim a um problema de complexidade organizada.
No texto “the use of knowledge in society”, Hayek faz um bom resumo da teoria ligada à problemática da complexidade, no caso em particular, à economia. Aliás, na minha opinião esse texto seria suficiente para refutar qualquer sistema de planeamento centralizado. Mas isso sou eu…
Comentário por tiago — Dezembro 5, 2011 @ 15:15
Então a tal explicação dos mercados eficientes e expectativas racionais , não vem ?
Comentário por Paulo Pereira — Dezembro 5, 2011 @ 15:51
Google is your friend:
http://en.wikipedia.org/wiki/Efficient-market_hypothesis
http://moneyterms.co.uk/efficient-markets/
Paulo, se não se dá sequer ao trabalho de fazer uma busca no Google, como pode esperar ser considerado um participante de boa-fé em qualquer debate?
PS: Debate significa dar razões para um determinado raciocínio. Não significa “dizer que eu estou certo e os outros são uns ignorantes que julgam que estamos no padrão-ouro e vivemos em economia de subsistência”.
Comentário por PedroS — Dezembro 5, 2011 @ 17:13
Boa, não conhecia a Wikipedia ! (estou a brincar …)
A questão é que não existe nenhuma prova da existencia da EMH nem das expectativas racionais, são lenlagalengas tautalogicas sem qualquer base cientifica.
Num sistema tão complexo como a economia , ou os mercados financeiros essas lengalengas são crenças ideológicas.
E como a sintese neo-neo-classica se baseia nelas então é treta pura.
Comentário por Paulo Pereira — Dezembro 5, 2011 @ 17:50
“E como a sintese neo-neo-classica se baseia nelas então é treta pura.”
Meu caro, vá com calma. A síntese neoclássica é de 1936 (a interpretação que Hicks faz da Teoria Geral de Keynes) as expectativas racionais são de 1961 (Muth) e começam a ser aplicadas a modelos macroeconómicos nos anos 70 (Lucas, Wallace, Sargent, entre outros pioneiros). Penso que concordará que é difícil que uma teoria dos anos 30 se baseie de forma tão importante numa teoria que seria desecolvida nos anos 60, ou seja cerca de 30 depois. A não ser, claro, que os economistas dos anos 30 padecessem do síndroma das “Expectativas Racionais” com as quais conseguissem prever o “futuro longínquo como num filme ou livro de ficção cientifica “.
Comentário por la-c — Dezembro 5, 2011 @ 18:09
Só para terminar, caro Paulo Pereira.
Independentemente da hipótese das expectativas racionais ser uma simplificação útil ou não, não deve partir do principio que uma hipótese defendida como útil por tanta gente inteligente não passa de uma mera parvoíce que qualquer parvo conseguiria entender. Numa situação dessas, o mais provável é você não estar a perceber bem todas as implicações da teoria em causa.
A mesma atitude de humildade deveria também aplicar-se, por exemplo, à síntese neoclássica. Com certeza que se essa síntese fosse uma perfeita parvoíce, como o Paulo parece pensar, , pessoas inteligente e estudiosas como Paul Krugman não lhe dariam tanto destaque nas suas análises. Só para lhe dar outro exemplo de um economista de que tanta gente gosta.
Esta atitude de humildade, diga-se de passagem, deve-se aplicar não só à síntese neoclássica, como também a várias outras correntes, heterodoxas ou não. Da forma como o Paulo escreve, parece ser, e não estou a dizer que o seja, um bom aluno de licenciatura que acha piada ser irreverente no meio dos seus professores. Volto a dizer que não sei se é esse o caso ou não, apenas estou a dizer que é isso que o seu estilo de escrita deixa transparecer.
Forte abraço,
LA-C
PS Desculpe o paternalismo.
Comentário por la-c — Dezembro 5, 2011 @ 18:24
la-c,
Estou a falar na sintese neo-neo classica, essa lengalenga dos DSGE e outras tretas.
No método cientifico , que a sintese neo-neo-classica desdenha, uma hipotese tem de ser universal senão deve ser descartada.
Como é que se pode defender um pseudo-modelo macroeconómico que não explica nada , não prevê nada , que se baseia em postulados completamente improváveis, como espectativas racionais e mercados eficientes em sistemas biológicos/culturais de extrema complexidade.
É ideologia pura, a base do Neotontismo.
A GT de Keynes é de extrema simplicidade, explica a economia, baseia-se em consumidores que gastam e poupam, empresas que produzem e investem e no sistema de preços de mercado, não admite excepções continuadas, nem informação a vir do futuro.
Veja lá que essa gente não percebe como funcionam os bancos nem o que é a moeda-fiat e acham que o dinheiro não conta !!
Só por teimosia é que se continua a ensinar essas lengalengas.
Comentário por Paulo Pereira — Dezembro 5, 2011 @ 18:53
“A GT de Keynes é de extrema simplicidade, explica a economia, baseia-se em consumidores que gastam e poupam, empresas que produzem e investem e no sistema de preços de mercado, não admite excepções continuadas, nem informação a vir do futuro.”
A GT de Keynes parte de um pressuposto: O estado é melhor a gerir o dinheiro das pessoas que elas próprias. Penso que em termos de teorias baseadas em postulados completamente improváveis estamos conversados.
Ou o Paulo Pereira acha que o estado Português (ou qualquer outro) são melhores a gerir o seu dinheiro que você? Se sim então entregue-lho todo.
Comentário por Ricardo Batista — Dezembro 5, 2011 @ 19:40
“A GT de Keynes parte de um pressuposto: O estado é melhor a gerir o dinheiro das pessoas que elas próprias.”
A sério? Tenho aqui a edição portuguesa da Teoria Geral de Keynes, é capaz de me dizer onde está tal pressuposto?
Comentário por la-c — Dezembro 5, 2011 @ 19:55
Caros,
Leiam a GT em inglês , o original, a tradução não li e pode conter erros .
A GT so diz que o investimento em bens de
Capital é pro-cíclico e que o rendimento é igual as vendas finais, = consumo + investimento .
a partir dessa lógica elementar surgem as conclusões de que só uma força exterior ao sector privado pode manter o investimento no nível necessário ao equilíbrio .
Comentário por Paulo Pereira — Dezembro 5, 2011 @ 22:37
Quanto muito seria qualquer coisa como isto:
Rendimento nominal = C + I + criação de moeda + variação saldos monetários
Comentário por Carlos Novais — Dezembro 6, 2011 @ 08:39
Não percebo como é que a criação de moeda + saldos monetários vai parar ao Rendimento ?
Comentário por Paulo Pereira — Dezembro 6, 2011 @ 11:15
Não é uma equação, é uma identidade.
Comentário por António Costa Amaral (AA) — Dezembro 6, 2011 @ 11:20
dependendo do que queremos, ou interpretarmos, como real ou nominal, mas de facto ficará melhor assim
Rendimento nominal + criação de moeda = C + I + variação saldos monetários
Comentário por Carlos Novais — Dezembro 6, 2011 @ 13:43
Então o que é que distingue Keynes de Hayek no que respeita ao funcionamento da macroeconomia ?
Comentário por Paulo Pereira — Dezembro 6, 2011 @ 15:59
Hayek não dava grande coisa por algo a que se possa chamar de “funcionamento da macroeconomia”, A ideia de “funcionamento” em que se mexe em C e/ou em I para melhorar o “funcionamento” foi um vírus intelectual introduzido por Keynes que não tirou um curso de economia e só teve um ano pós-licenciatura com Marshall. Keynes limitou-se a repetir as falácias antigas de mercantilistas. Claro que foi uma visão que justificou o economista como o “melhorador” da economia, profissão que está em risco, mas que deu e ainda dá muitas carreiras.
Mas o que distingue os “austríacos” em geral de todas as outras escolas é a teoria do capital (estrutura) e do juro (preferência temporal), da moeda (ex: procura de moeda não é procura por crédito).
Comentário por Carlos Novais — Dezembro 6, 2011 @ 17:18
“34.Então o que é que distingue Keynes de Hayek no que respeita ao funcionamento da macroeconomia ?”
A macroeconomia de Keynes é de curto prazo. O que lhe importa não é tanto saber como é que a sociedade aumenta os seus recursos e a capacidade de criação de riqueza mas antes saber como é que em cada momento se consegue que os recursos disponíveis sejam plenamente utilizados.
Esta preocupação exclusiva com a plena utilização dos recursos existentes leva-o a propor políticas públicas que acabam por ser desfavoráveis ao crescimento e ao aumento da eficiência na utilização dos próprios recursos ao longo do tempo.
Por exemplo, as políticas que incentivam o consumo imediato reduzem naturalmente a proporção de meios de produção aplicados na produção de novos e mais eficientes meios de produção, pelo que, prejudicam o potencial de crescimento da produção a mais longo prazo. A existencia de uma moeda fiduciaria e de um crédito elastico não impedem este resultado porque os novos meios de produção teriam de ser produzidos por meios de produção materialmente existentes mas que são desviados para a produção directa e indirecta de bens de consumo imediato (não nos esqueçamos que, mesmo na TG de Keynes, os recursos são dados a curto prazo).
O que é certo é que, a certa altura, passada a ilusão inicial, os agentes económicos percebem o carácter artificial e temporario do aumento da actividade e procuram precaver-se revendo para baixo os seus planos de consumo e investimento. É a crise. A crise acaba normalmente por restabelecer um novo “equilibrio”, mais cedo ou mais tarde. Mas entretanto perdeu-se tempo e, sobretudo, ficaram inutilizados e foram destruidos volumes consideráveis de recursos que, de outro modo, poderiam ter servido para aumentar a capacidade de criação de riqueza da economia.
Comentário por Fernando S — Dezembro 6, 2011 @ 18:41
Caro la-c. A GT não precisa de explicitar este princípio tal como não precisamos de ler num livro de astronomia que a Terra anda à volta do Sol. Todavia constrói uma teoria económica com esse alicerce. Para Keynes não era importante como era gasto o dinheiro (dinheiro aqui significando riqueza), era apenas importante que fosse gasto e depressa porque depois ele passava por um processo de divisão celular e multiplica-se matematicamente.
A Economia trata da aplicação dos recursos, escassos, a necessidades blá blá blá. Para Keynes a forma como eram aplicados os recursos pouco importava. Para Hayek era a única coisa que importava. Para Keynes o mercado via matemática multiplicava a riqueza mesmo que aplicada em trabalhos inúteis e por isso bastava ligar o motor e acelerar ou desacelerar conforme o andamento. Para Hayek não havia motor, havia um rio em que podíamos estudar o seu curso, mas não devíamos muda-lo porque a natureza (mercado) já se havia encarregue de encontrar o melhor curso para ele.
Comentário por Ricardo Batista — Dezembro 6, 2011 @ 20:39
Ricardo, nada do que diz, e percebo que num comentário não pode desenvolver adequadamente as suas ideias, lhe permite sustentar o pressuposto que em cima enunciou.
Comentário por La-c — Dezembro 7, 2011 @ 05:53
Se virmos assim, logo vemos que o C e/ou I à custa da criação de moeda não acrescenta nada
Rendimento = C + I + variação saldos monetários – criação de moeda
Na verdade o que se pode intuir é que numa fase de expansão de crédito à custa de criação de moeda, que permite aumentar o I (típico das bolhas) durante certo tempo, é que embora as medidas clássicas de Produto pareçam indica crescimento, esse crescimento é ilusório. O que se passa, e que as medidas de PIB não medem, é que se está a destruir capital.
Comentário por Carlos Novais — Dezembro 7, 2011 @ 08:23
Acrescentando, pegando no “C e/ou I à custa da criação de moeda”
- como o consumo é imediato, origina sinais à estrutura económica que é preciso investir para satisfazer necessidades imediatas (de natureza de retorno mais cedo);
- por outro aumentando a massa monetária, cai o custo do dinheiro, deslocando time-preference para mais tarde – originando investimento em capital de retorno mais tardio;
Mais cedo ou mais tarde
- os “consumidores” descobrem que tudo está mais caro, e é preciso restringir o consumo. Todos os recursos consumidos a mais foram extinguidos; parte do investimento que apoia tal consumo também foi destruído sem retorno.
- os “investidores” descobrem que a procura não estava lá, e que os factores de produção ficaram mais caros, e abandonam os seus projectos – fazendo o writeoff dos investimentos, porque os retornos esperados nunca virão.
Comentário por António Costa Amaral (AA) — Dezembro 7, 2011 @ 08:38
Paulo Pereira,
A teoria dos mercados eficientes diz que o preço de um activo financeiro (pelo menos a teoria foi desenvolvida nesse campo, embora se calhar possa aplicar-se a todos os bens) reflecte toda a informação disponível no momento (o pressuposto é de que qualquer “bom negócio” é imediatamente reconhecido pelos investidores, deixando logo de o ser – se uma empresa descobre uma mina de ouro, segundos depois após a noticia ser divulgada o preço das acções sobe, significando que em poucos instantes essas acções deixam de ser um bon negócio).
O corolário disso é que, se toda a informação disponível já está integrada no preço actual de uma acção, as vbariações futuras de preços só podem ocorrer com base em informação não disponível actualmente. Mas, se essa informação ainda não é conhecida, por definição é impervisivel, logo o movimento do valor futuro das acções (ou lá o que for) é imprevisivel.
Há uma maneira de testar isso – se a valorização das acções é aleatória, é indiferente que a gestão de uma carteira de investimentos seja feita por um génio da bolsa ou por uma gata siamesa escolhenda ao acaso titulos de uma lista com as patas (no segundo caso ainda será mais rentável, já que não haverá comissões de gestão a pagar).
E, há uns anos, eu fiz a experiência e realmente a minha Kika teve melhores resultados a gerir uma carteira de investimentos do que um fundo de investimentos de um banco.
Já agora, a dicotomia que o Paulo Pereira faz entre a hipoteses dos mercados eficientes vs. a teoria keynesiana não me parece fazer grande lógica – a primeira é uma teoria micro-económica, a segunda macro-económica.
Comentário por Miguel Madeira — Dezembro 7, 2011 @ 11:13
Miguel Madeira,
Eu sou um investidor/especulador diário em mercados financeiros, essencialmente acções e alguma coisa de obrigações.
É claro que hoje já ninguém acredita na ideia inicial dos mercados eficientes.
Alías só a postura anti-cientifica das correntes neo-neo clássicas poderia algum dia aceitar esses postulados, quando já existiam provas que os mercados financeiros obedeciam a distribuições de probabilidade diferentes da normal.
No entanto os mercados financeiros seguem algumas tendencias “psicológicas”, onde a principal caracteristica é o chamado “concurso de beleza Keynesiano”.
Isto é só para ilustrar que umas das correntes principais em economia é falsa e levou a muitas decisões politicas erradas, como a desregulação exagerada do crédito à especulação.
Caros restantes comentadores,
O que é espantoso é que a GT de Keynes, que explica o funcionamento macroeconomico de uma forma simples, arrasta tantas reações emotivas negativas, preferindo uma grande parte dos economistas professionais seguir postulados e hipóteses altamente improvaveis e modelos completamente fantasistas, só por teimosia.
O mais cómico continua a ser a treta da equivalência Ricardia, que o próprio Ricardo desdisse.
Comentário por Paulo Pereira — Dezembro 7, 2011 @ 12:32
“quando já existiam provas que os mercados financeiros obedeciam a distribuições de probabilidade diferentes da normal.”
E em que é que isso refuta a “hipotese dos mercados eficientes”? – recordo que o fundamento da HME é que “toda a informação não disponível já está incorporada no preços dos títulos, e a variação futura desses preços depende de factores imprevisiveis e aleatórios (se fossem previsiveis já tinham sido incorporados no preço actual)”; basta que a probabilidade de ocorrencia desses acontecementos imprevisiveis não siga uma distribuição normal para os mercados financeiros não siguirem uma distribuição normal.
é verdade que o nome “hipotese dos mercados eficientes” é um bocado enganador – o “eficiente” aqui refere-se a “eficiente a aproveitar todas as oportunidades de lucro e a utilizar toda a informação disponível”, mas o nome pode dar a ideia de “eficiente” no sentido de “eficiente a contribuir para o bem-estar geral”, o que NÃO é o significado de “eficiente” neste contexto
Comentário por Miguel Madeira — Dezembro 7, 2011 @ 14:31
O Paulo Pereira continua a não perceber o conceito de mercado eficiente e que este nada tem a ver com o facto de o VALOR ESPERADO das RENDIBILIDADES (e não dos preços) seguir ou não uma distribuição normal. Aliás, já há muito tempo que as Finanças contemplam a questão das “caudas grossas”. A verdade é que os estudos empíricos têm vindo a demonstrar que existe de facto eficiência fraca e semi-forte nos mercados, com execepções, como é óbvio, explicadas por alguns factores como custos de transacção superiores em determinados títulos, que fazem com que não possa haver oportunidades de arbitragem e por isso um drift no ajustamento das cotações.
Comentário por lapizarro — Dezembro 7, 2011 @ 15:46
O que está mais que demonstrado é que os mercados financeiros são muito imperfeitos e ineficientes, não seguem distribuições normais, e que seguem comportamentos “psicológicos” do tipo “rebanho” .
Ou seja os mercados financeiros têm uma “vida” própria e não dão indicações nenhumas para “fora”, e assim não podem ser usados para determinação de politicas económicas, quer micro, quer macroeconómicas.
No entanto os crentes no Neotontismo insistem em usar a ideia de “mercados eficientes” como razão para privatizar monopólios ou serviços públicos que não estão sujeitos á concorrência do mercado real.
Comentário por Paulo Pereira — Dezembro 7, 2011 @ 15:58
Estava a pensar em dar uma de Carlos Costa, mas acho que fico por aqui…
Comentário por lapizarro — Dezembro 7, 2011 @ 16:05
Paulo Pereira,
a chamada “hipotese dos mercados eficientes” não tem NADA, repito, NADA, a ver com “privatizar monopólios ou serviços públicos que não estão sujeitos á concorrência do mercado real”.
A teoria diz, repito, que o valor de um activo financeiro reflecte toda a informação disponível, porque, com tantos potenciais investidores, se um activo valer menos do que seria de esperar face aos seus rendimentos e risco esperado, pelo menos alguns investidores vão comprá-lo, fazendo subir o seu preço (logo reduzindo a sua rentabilidade).
A teoria pode ser expressa pelo lema “não há notas de 500 euros na calçada; se houvessem já alguém as tinha apanhado”
O que é que isto tem (ou deixa de ter) a ver com a questão se dado serviço é melhor prestado por uma empresa privada ou estatal? Nada. Suspeito que o Paulo Pereira está, simplesmente, a ser enganado pelo nome da teoria (mas volte a ler o último parágrafo do comentário 43)
Comentário por Miguel Madeira — Dezembro 7, 2011 @ 16:43
concordo que a EMH não tem qualquer utilização prática em termos de politicas económicas, é uma mera tautologia sem interesse.
Comentário por Paulo Pereira — Dezembro 7, 2011 @ 16:47
“O que é espantoso é que a GT de Keynes, que explica o funcionamento macroeconomico de uma forma simples, arrasta tantas reações emotivas negativas, preferindo uma grande parte dos economistas professionais seguir postulados e hipóteses altamente improvaveis e modelos completamente fantasistas, só por teimosia.”
Todo o Keynesianismo é de uma infantilidade atroz. Não explica nada, só baralha. Mesmo nessas simplificação tinha de incorporar a criação de moeda e a procura por moeda.
Rendimento + criação de moeda = C + I + variação saldos monetários
De resto,o problema dos modelos neoclássicos é que em equilíbrio é que em equilíbrio a moeda não existe. A modelização de procura/oferta de moeda com impacto nos preços e não na taxa de juro não é modelizavel de resto. Mas é real.
Comentário por Carlos Novais — Dezembro 7, 2011 @ 16:55
“concordo que a EMH não tem qualquer utilização prática em termos de politicas económicas.”
Tem sim – p.ex., a EMH implicaria que se poderia cobrar impostos mais altos aos gestores de fundos de investimento sem prejuizo para a economia (como ter super-génios ou apenas pessoas medianamente inteligentes a trabalhar na área é praticamente igual, não há problema em que algumas pessoas – por causa dos altos impostos – abandonassem a carreira para irem trabalhar noutros ramos; na verdade, a EMH até é capaz de implicar que tal é positivo para a economia – será mais útil ter um génio matemático a trabalhar em [qualquer outra coisa em que os génios matemáticos possam trabalhar] do que numa empresa da bolsa, onde o seu contributo, de acordo com a EMH, não faz realmente diferença nenhuma).
Ok, é verdade que provavelmente ninguém defendeu esta proposta usando como fundamento a EMH, mas poderiam perfeitamente fazer
Comentário por Miguel Madeira — Dezembro 7, 2011 @ 17:28
“Todo o Keynesianismo é de uma infantilidade atroz. Não explica nada, só baralha. Mesmo nessas simplificação tinha de incorporar a criação de moeda e a procura por moeda.”
Pois , na verdade é muito complicado aceitar que na economia existem empresas e consumidores , é muito infantil mesmo .
Essa de que Keynes não explica a criação de moeda deve ser para rir, mesmo.
Comentário por Paulo Pereira — Dezembro 7, 2011 @ 17:33
A “política económica” na sua forma corrente (ou Keinesianeira) não tem sido mais do que uma tentativa de manipular os mercados, enviesando a informação sobre a escassez de recursos e distorcendo os preços relativos.
Os praticantes desta política de aprendiz de feiticeiro atribuem a culpa do seu falhanço à “ineficiencia” dos mercados.
Deviam procurar mais do lado das ideologias pseudo científicas que professam.
Comentário por ricardo saramago — Dezembro 7, 2011 @ 18:36
Qual foi o falhanço ?
Comentário por Paulo Pereira — Dezembro 7, 2011 @ 18:47
“Acrescentando, pegando no “C e/ou I à custa da criação de moeda”
- como o consumo é imediato, origina sinais à estrutura económica que é preciso investir para satisfazer necessidades imediatas (de natureza de retorno mais cedo);
- por outro aumentando a massa monetária, cai o custo do dinheiro, deslocando time-preference para mais tarde – originando investimento em capital de retorno mais tardio;
Mais cedo ou mais tarde
- os “consumidores” descobrem que tudo está mais caro, e é preciso restringir o consumo. Todos os recursos consumidos a mais foram extinguidos; parte do investimento que apoia tal consumo também foi destruído sem retorno.
- os “investidores” descobrem que a procura não estava lá, e que os factores de produção ficaram mais caros, e abandonam os seus projectos – fazendo o writeoff dos investimentos, porque os retornos esperados nunca virão.”
O que não me parece fazer grande sentido nessa teoria é considerar que, ao mesmo tempo, temos a) consumo excessivo destruindo recursos e b) investimento excessivo a ser realizado (afinal, a queda do custo do dinheiro levará a que projectos de retorno mais tardio sejam realizados; mas não há nenhuma razão investimentos de retorno mais rápido deixarem de se realizar, logo no total vai-se realizar mais investimento)
Portanto, se a expansão monetária gera mais investimentos, como é que temos ao mesmo tempo destruição de recursos? Parece-me difícil conciliar as duas posições.
Sim, vão-me dizer que o juro temporariamente baixo vai fazer com que se realizem investimentos não-rentáveis; mas, em principio, nenhum investimento rentável se vai deixar de realizar (afinal, se algo é um bom negócio com juros de 10%, também o será com juros de 1%), logo a capacidade produtiva da economia não fica pior.
Comentário por miguelmadeira — Dezembro 7, 2011 @ 19:35
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Pingback por Naomi Klein and The Shock Doctrine « O Insurgente — Dezembro 7, 2011 @ 20:00
“Portanto, se a expansão monetária gera mais investimentos, como é que temos ao mesmo tempo destruição de recursos? Parece-me difícil conciliar as duas posições.”
Esses investimentos são realizados à custa de uma distorção de preços e das preferências entre consumo e poupança que dura certo tempo, quando se torna insustentável toda a liquidação que se dá numa crise, materializa essa destruição de capital.
O problema é sempre assumir que lá por investimento ter lugar isso por si só representa progresso. O investimento entra em falência e todos os salários e recursos consumidos representaram capital consumido que podia estar disponível para consumo ou outro investimento sustentável.
Comentário por Carlos Novais — Dezembro 7, 2011 @ 20:08
Portanto, se a expansão monetária gera mais investimentos, como é que temos ao mesmo tempo destruição de recursos?
Parece-me difícil conciliar as duas posições.
Miguel, nem todo o investimento (se calhar deveria ter escrito “investimento”) acaba por produzir acréscimo de recursos no futuro – sobretudo se for capital mal empatado para satisfazer uma procura que não existe (porque foi “criada” por simples impressão de moeda). Se o investimento em bens de capital não é reprodutivo, destrói valor (e recursos claro).
Foi o caso da bolha imobiliária. As casas não desaparecem, embora se degradem, e claro que há sempre gente a querer casa — mas mesmo que venham a ser habitadas no futuro, tal “investimento” não terá feito sentido – porque se empatou muito capital demasiado tempo, e se teve custos financeiros e custos operacionais demasiado altos para fechar o negócio.
nenhum investimento rentável se vai deixar de realizar (afinal, se algo é um bom negócio com juros de 10%, também o será com juros de 1%)
Não é bem assim, porque o crédito é limitado (mesmo quando se imprime à maluca).
Imaginemos que só investimentos com retorno moderado “sobrevivem” com juros de 10%. Quando os juros descem para 1% “de repente” “investimentos” com altíssimo retorno (mas inviáveis com 10%) entram no radar. Nota que algumas indústrias são mais sensíveis do que outras ao preço do dinheiro – algumas só precisam de dinheiro para financiar operações dia-a-dia, e os custos financeiros são uma pequena percentagem da sua estrutura de custos – tipicamente são aquelas que sobrevivem com juros altos; outras são mais capital-intensive e os seus resultados são muito amplificados com a variação do custo do dinheiro — estas são por natureza investimentos mais longos. É para estas indústrias que o capital é desviado, em prejuízo das demais.
Comentário por António Costa Amaral (AA) — Dezembro 8, 2011 @ 07:43
O exemplo clássico será a expansão de crédito para construir pirâmides e isso pode durante certo tempo criar a ideia de investimento e progresso, mas os recursos necessários para pagar a todos a mão-de-obra têm de ser desviados de outras linhas, assim como recursos físicos para a sua construção, mas como este “investimento” não serve para nada não produzindo um output que outros estão dispostos a trocar pelo seu próprio output, mais tarde ou mais cedo, tem de ser abandonado. Foi possível enquanto esse desvio temporariamente consumiu recursos existentes e produzidos, devido a uma ilusão ou forma de impostos.
Todos os recursos aí gastos significa consumo de capital que podia ter sido incorporado em outputs pretendidos pelas pessoas. Para reafectar as pessoas noutra produção vai demorar tempo e o capital despendido na pirâmide perdeu-se vai ter de ser acumulado novamente, quando podia desde o início ter sido aplicado em investimento sustentável a produzir produtos a preços pretendidos pelas pessoas.
Comentário por Carlos Novais — Dezembro 8, 2011 @ 11:31