O Insurgente

Novembro 2, 2011

Pequeno contributo para a dúvida

Filed under: Ambiente,Blogosfera,Economia,Política,União Europeia — ruicarmo @ 12:40

As coisas nunca estão tão mal que não possam ainda piorar.

O governo grego decidiu realizar um referendo vinculativo sobre o segundo plano de resgate, quatro dias antes considerado por Papandreou «um novo dia para a Grécia». Como é evidente, a simples decisão de realizar o referendo tem, está já a ter, consequências funestas que se agravarão com a incerteza durante os próximos 2 meses. E a provável rejeição do plano de resgate implicará muito provavelmente a saída da Zona Euro e a consequente falência da Grécia, sem crédito, com uma desvalorização brutal e uma recessão mais profunda e prolongada do que a resultante de quaisquer medidas de austeridade.

Independentemente do resultado e independentemente da bondade do plano de resgate, está em causa o sentido político numa democracia representativa de referendar opções complexas com consequências igualmente complexas e difíceis de antecipar, com sentido contrário no curto e no longo prazo. No caso de um plano de resgate com consequências penosas de austeridade durante alguns anos e de reformas difíceis como condição, admitamos, para a longo prazo retomar o crescimento e a prosperidade. O que está à escolha dos eleitores é entre um sim e um não aos sacrifícios? Ou é entre as suas consequências de os aceitar ou não?

É claro que se pode responder sempre com a lengalenga de o povo é soberano, mas faria sentido, por exemplo, referendar uma declaração de guerra à Turquia se esta ocupasse a ilha de Rodes, mesmo ali à mão de semear, a 10 milhas da costa turca?

Também se pode olhar para o problema numa perspectiva pragmática e defender o referendo como a saída para a falta de apoio político do governo e a resposta à revolta da rua, onde uma pequena minoria tenta impor a vontade à maioria. Mas, nesse caso, porque diabo o governo não se demite obrigando a eleições antecipadas, caso a moção de confiança seja rejeitada na próxima sexta-feira em vez de inventar um referendo como sucedâneo?

Occupy Wall Street Protesters Are World’s Richest One Percent

Filed under: Diversos — António Costa Amaral (AA) @ 12:23

Attention Media: Occupy Wall Street Protesters Are World’s Richest One Percent:

In America, the top 1% earn more than $380,000 per year. We are, however, among the richest nations on Earth. How much do you need to earn to be among the top 1% of the world?

$34,000.

In short, most of those protesting in the Occupy Wall Street movement would be considered wealthy — perhaps extraordinarily wealthy — by much of the world. Many of those protesting the 1% are, ironically, the 1%.

4 Razões pelas quais os “Estímulos” não funcionam

Bom artigo de Dan Mitchell.

Se todos os leitores d’O Insurgente tivessem lido isto antes…

Surpresa: A Grécia Ainda é um País Soberano

Filed under: União Europeia — Filipe Faria @ 02:56

Confesso que não esperava esta opção do primeiro ministro grego de pedir um referendo sobre a ajuda financeira da UE, perguntando à população se querem aceitar as condições do resgate ou não. Há bastante tempo que vislumbro o fim do euro, embora não há tanto tempo como Milton Friedman, que o vislumbrou logo desde a sua criação, alegando que o projecto da moeda única não iria sobreviver à primeira crise económica. Porém, apesar eu de não contar com este passo, este projecto falhado de base, produto de construção artificial e não de ordem natural, economicamente inviável, teria de partir por algum lado. Não esperava que fosse a democracia directa a parti-lo, mas é possível que seja precisamente por aí que tal irá acontecer.

As elites eurocratas e demais comentadores eurófilos estão indignados: “como é possível que o PM grego tenha colocado um assunto tão importante à mercê da população?” dizem eles. Esta pergunta sustenta-se pela sua crença de que a Grécia já não é um país soberano em que os seus cidadãos tomam as decisões que quiserem, mas sim que a Grécia é já um protectorado da UE e que se tem de comportar como tal para não colocar em perigo o projecto de Jean Monnet e companhia.

Para disfarçarem esta ideia subjacente, tentam convencer o mundo de que a ajuda financeira é de facto uma ajuda que irá evitar uma catástrofe. Contudo, já não conseguem enganar os próprios gregos. Desde que a troika entrou na Grécia a dívida pública grega não pára de subir, para o próximo ano espera-se que atinja os 180% do PIB. Não deixa de ser irónico que a ajuda da UE para combater o excesso de dívida se traduza em ainda mais dívida. Contudo, o novo pacote da UE promete um perdão que irá reduzir a dívida pública dos gregos para o valor igualmente insustentável de 120% em 2020. Isto claro, depois de 9 anos de depressão económica, impostos punitivos e desemprego em potência, e obviamente, se tudo correr conforme o plano eurocrata. Em troca deste plano tão promissor de “perdão”, Bruxelas pede total controlo sobre o país por um tempo tão indeterminado que pode ir de 9 anos até ad aeternum. Isto não é uma ajuda, é uma ostensiva ocupação política de um país.

O PM Papandreou pediu um referendo que no fundo é um referendo à soberania grega. Não acredito nem por um momento que fosse essa a sua real vontade, mas qualquer um de nós na sua posição, a sofrer a pressão da oposição política e de uma população enraivecida com a austeridade imposta, sentir-se-ia com a corda no pescoço ao ponto de ceder. Contudo, o seu “coração” estará com os eurocratas. Por outro lado, as sondagens reveladas mostram que apenas 12.6% da população considera que as “ajudas” da UE são positivas, o que indica que, salvo uma manobra de propaganda gigante, a rejeição das “ajudas” financeiras será uma realidade. Ao rejeitarem as ajudas, os gregos entram em default e certamente sairão do euro para poderem emitir moeda que lhes permita pagar as despesas correntes.

A propaganda eurófila para convencer os gregos a aceitar o pacote de ajuda irá passar pela ideia de que sendo ambas as opções desagradáveis (default/austeridade vs default/saída do euro) a primeira é mais simpática pois terá todo o apoio da UE. Isto apenas mostra a natureza da UE, pois se fosse uma instituição realmente “solidária” e não apenas preocupada em centralizar o seu poder, perceberia que os gregos não podem continuar nesta situação até ao infinito e apoiaria ambas as soluções mediante a vontade grega resultante do referendo. Isto implica apoiar igualmente a saída da Grécia do euro (e segundo os tratados também da UE) dando-lhes condições que minorassem os custos de transição, nomeadamente a manutenção de acordos de livre comércio na UE e apoio negocial para que o default não fosse desordenado.

O caso da Islândia em 2008 também teve os seus catastrofistas que queriam a todo o custo que se salvasse os bancos e se cumprisse o pagamento da dívida ameaçando com um possível apocalipse caso o país não o fizesse. Não convencida pelas ameaças, a população votou a favor do default e sofreu na transição: o PIB caiu 40% e a sua moeda desvalorizou consideravelmente. Porém, recuperaram rapidamente: voltaram ao crescimento económico de 2% ao ano; têm agora um desemprego que ronda os 5% (contra a Grécia com 16%) e, surpresa das surpresas para um país acabado de sair de um default, o custo das obrigações islandesas a longo prazo é de 8%, ou seja, abaixo de países que teoricamente ainda são cumpridores como Portugal ou Grécia.

Não há saída indolor deste processo de dívida indomável; os custos do processo são incalculáveis. Dizer que esta ou aquela solução terá maiores ou menores custos é sempre um exercício especulativo (que normalmente revela o grau de eurofilia do especulador). Contudo, o que não é especulativo é que ao dizerem que não neste referendo os gregos podem recuperar a liberdade para organizarem (ou desorganizarem) a sua casa como querem, sem imposição externa e sem depender de fundos de contribuintes de países terceiros. Se os gregos querem contrair dívida, fugir aos impostos ou comprar carros de luxo a rodos é algo que a eles lhes diz respeito, desde que internalizem as consequências. É esse o preço da responsabilidade que é indissociável da liberdade.

Com o anúncio do referendo, o euro caiu a pique contra o dólar, as taxas de juro das obrigações italianas subiram e o preço do ouro disparou. Este cenário irá piorar à medida que os investidores perceberem que não é possível salvar tantos países em dificuldades e que os países afinal podem de facto sair do euro.

David Hume escreveu que tudo o que os políticos têm para governar é o poder de convencimento sobre o público. A UE nunca o teve, o actual governo grego já o perdeu, e, ou muito me engano, ou este sentimento popular grego espalhar-se-á em breve aos restantes povos europeus. É uma questão de tempo…

Grécia não quer dinheiro Europeu?!?

Filed under: Economia,Internacional,Política — Ricardo Campelo de Magalhães @ 02:07
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De acordo com esta notícia, a Grécia parece preferir o sistema SBA (sistema de betão armado) ao ABS? Passo a explicar:

O 1º Ministro Grego, cansado de impor as medidas de austeridade aos seus concidadãos, pede agora que eles escolham entre estas e a alternativa, para os co-responsabilizar pela decisão. Ou seja, os Gregos vão ser chamados para votar nas 2 alternativas:

- Medidas de Austeridade: vão ter de travar a fundo com as despesas, aumentar a carga fiscal e tentar conter o défice enquanto existe um balão de ar disponibilizado pelos restantes países Europeus.

- Caso contrário: no sistema betão armado, a economia bate contra uma parede e pára de brusco. Sem dinheiro dos mercados ou dos parceiros Europeus, o Estado colapsa, deixa de ter dinheiro para pagar salários, pensões e subsídios vários. Provavelmente sai do Euro e quiçá da União Europeia. Pode demorar mais algum tempo a recuperar do que a Argentina, mas eventualmente os Gregos sairão do fosso, mas agora com pensões e salários adequados à sua (baixa) produtividade e transportes adequados às suas posses.

O 1º Ministro grego, cansado das greves e do conflito social joga tudo. Vamos ver como corre, pois Portugal ainda está na zona de perigo e um derrape grego pode afundar a confiança dos credores em emprestar a países que ainda estão longe de equilibrar os orçamentos estatais…

A “melhor” lista de sempre

The 99%: Official list of Occupy Wall Street’s supporters, sponsors and sympathizers. Ou um representativo conjunto de pessoas e instituições de tendência social-democrata que apenas querem mais direitos sociais e pequenos aumentos de impostos.

Novembro 1, 2011

Amarelo sobre azul

Filed under: Ambiente,Cultura,Desporto,Energia — ruicarmo @ 22:45

 FCPorto tenta a todo o custo repetir a vitória na Liga Europa. Bem se esforçaram com o poderoso Apoel de Nicósia.

Demagogia e Karma

Filed under: Brasil — Carlos Guimarães Pinto @ 08:19

Neste vídeo, Lula da Silva inaugura um novo hospital público e a certo ponto no seu discurso afirma que o hospital é tão bom que até apetece ficar doente. Quando ficou doente, Lula, claro está, resolveu tratar-se num dos melhores hospitais privados de São Paulo. A demagogia socialista tem destas coisas.

O referendo e a rua Grega

Filed under: Internacional,Política,Portugal,União Europeia — Carlos Guimarães Pinto @ 07:21

Papandreou decidiu colocar o acordo sobre a dívida Grega a referendo, num aparente gesto tresloucado que poderá vir a colocar em causa o acordo atingido na última semana. Os mercados reagiram em baixa. Mas esta decisão pode ser fundamental para tirar força à “rua” Grega e dessa forma reestruturar o país num clima de menor conflitualidade.

Para entender porquê, é preciso definir o que é a “rua”. Qualquer manifestação de rua é tida como um sucesso se tiver uma participação de 25 mil pessoas (ou traduzido em números de organizadores: 100 mil). Portanto, ao contrário dos actos eleitorais, na “rua” uma pequena parte da população pode capturar toda a atenção e força mediática. Mas a “rua” não representa a vontade democrática. Se representasse, o PCP andava a ganhar eleições desde 1974 . Não anda a ganhá-las porque a rua não é representativa da vontade da maioria. Aqueles que trabalham, produzem e pagam impostos tendem a estar sub-representados na “rua” em favor daqueles que têm tempo disponível para passar uma tarde inteira a desfilar ou a noites seguidas em acampadas: estudantes, sindicalistas, políticos profissionais e funcionários públicos não fundamentais.

Durante o PREC os portugueses já se aperceberam do quanto a rua pode ser enganadora. Nessa altura, também ficámos a saber que a melhor forma de provar que a rua está errada é através de eleições. Os leitores que não se equivoquem: como liberal desejo acima de tudo que se reduzam as funções do estado, mesmo que se sujeitem à vontade democrática. Como liberal entendo que o resultado de actos eleitorais muitas vezes contrariam princípios básicos de liberdade. Mas como liberal e português, também sei que foram as eleições que nos últimos 30 ano esvaziaram o poder da rua e colocaram a extrema esquerda no seu lugar. Foram os actos eleitorais que provaram que a rua não é representativa da vontade de todos. Foi através de eleições que aqueles que trabalham e acrescentam valor puderam fazer ouvir a sua voz. Concerteza que foram tomadas muitas decisões que contrariam princípios básicos de liberdade, mas os resultados dos actos eleitorais foram sempre menos maus do que a vontade expressa nas acções de rua.

Por isso, faz sentido a decisão de Papandreou de colocar a referendo o acordo sobre a dívida Grega. Há uma impressão generalizada de que os Gregos estão contra as medidas de austeridade impostas e que preferem as consequências de entrar em default, apenas porque é essa a vontade expressa na “rua”. Eu tenho as minhas dúvidas que, lá como cá, a maioria da população esteja com a “rua”. Se o voto no referendo Grego for favorável ao acordo, a “rua” Grega será silenciada, porque jamais os líderes da “rua” se poderão reclamar representantes da vontade do povo. Se o voto for desfavorável, então a maioria que votar dessa forma merecerá o que virá depois, e os líderes da rua serão finalmente responsabilizados pelas consequências daquilo que defenderam.

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