O Insurgente

Novembro 8, 2011

Alegrem-se os comunistas, portugueses incluídos

2011 é um ano memorável. Não porque  o capitalismo foi derrotado pela enésima vez mas porque os camaradas cubanos já têm o seu líder eterno como um dos mais ricos do mundo e ainda podem comprar um carro ou mesmo uma casa. Não podem é apanhar o mesmo barco que os turistas.

We arrived at the dock half an hour early. The sun-burnt tourists began to board the boat. Rei and I reached the spectacular corner from where we took photos of that bay as big as an ocean. The dream lasted barely five minutes. When the captain heard us talking he asked if we were Cubans. He shortly informed us that we had to go ashore, “boat rides are prohibited for nationals at every marina in the country.” Rage, anger, the shame of carrying a blue passport makes us guilty — in advance — in the eyes of the law of our own nation. A feeling of deception on comparing the official discourse of a supposed opening with the reality of exclusion and stigma. We wanted to cause a scene and cling to the railing, to compel them to remove us by force, but what would it have served? My husband dusted off his French and told the group of Europeans what was happening. They looked surprised, whispered among themselves. None of them disembarked — in solidarity with the excluded — from that coastal tour of our island; none of them found it intolerable to enjoy something that is forbidden to us, its natives.

Liberdade de expressão?

Que treta é essa e para que serve?

Leitura complementar: França 2011: as consequências da “Charia”.

Mais um revolucionário profissional

Mais um palestiniano famoso pelo terror por serviços prestados à pátria revolucionária.

Cara de pau

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 18:37

O estado está falido. O dinheiro não chega para todas as obrigações. O governo decide implementar uma redução de despesa que incide sobre os vencimentos pagos aos funcionários do estado, a sua maior alínea de gastos. António José Seguro e Rui Rio sugerem um aumento de impostos sobre os trabalhadores do sector privado para a redução de despesa não ter de ser tão grande. Conclusão: Não sabem a diferença entre despesas e receitas, não percebem que o estado está falido e têm um sentido de justiça tão pervertido que acham que se pode continuar ad infinitum a colocar o ónus de financiar um estado falido na minoria de 15% que paga 85% de todos o IRS.

Rui Rio vai mais longe que o próprio Seguro na sua demagogia, ao dizer [negritos meus]:

«Imagine alguém que ganha 10 mil, 20 mil euros mensais, que só por não trabalhar na função pública não paga nada

Existem cerca de 45000 agregados familiares em Portugal que têm rendimentos desta ordem. São cerca de 1% de todos os agregados. No entanto, estes agregados pagam cerca de 20% de todo o IRS. Em cada cinco euros de receita de IRS do estado, 1 euro vem destas 45000 famílias. Dizer que “não pagam nada” é de uma falta de respeito atroz.

bárbaro

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 16:55

“Os resultados do relatório do inquérito à literacia financeira da população elaborado pelo Banco de Portugal mostra que 80% dos inquiridos não sabe qual é o conceito da taxa Euribor e uma elevada percentagem não entende o que é o ‘spread’. Isto apesar de serem dois conceitos que estão intimamente ligados ao crédito à habitação – um produto financeiro bem conhecido junto dos portugueses. “Apenas 9% dos entrevistados sabe que se trata de uma “taxa que resulta dos empréstimos realizados entre um conjunto de bancos europeus”, refere o Banco de Portugal a propósito da Euribor (…) Também quando se fala de spread, as dificuldades em entender o conceito são notórias: apenas 17% sabe o que é o spread e apenas 39% sabe qual é o valor do spread do seu crédito à habitação.”, no Diário Económico online.

O relatório do Banco de Portugal, reforçando o que já se sabia acerca da iliteracia financeira dos portugueses, não deixa de ser chocante. Num país em que 80% dos agregados familiares vivem em habitação própria, na esmagadora maioria dos casos comprada a crédito, é incrível como é que mais de metade dos inquiridos não fazem ideia de nada, nem sequer sabem do “spread” contratado. Enfim, é por estas e por outras que, mais cedo ou mais tarde, também as dívidas hipotecárias poderão ter de ser perdoadas…

Ora, da mesma forma que o Ministério da Educação decidiu reforçar o ensino do Português e da Matemática, exige-se também a introdução de disciplinas sobre temáticas financeiras no âmbito da educação básica. De resto, felizmente, já há quem o faça (algumas autarquias), embora de forma ainda incipiente e desestruturada. É, portanto, necessário reforçar essa aposta, a fim de ajudar a prevenir situações de endividamento, verdadeiramente dramáticas, que vamos vendo por esse país fora. Não se pede aos cidadãos que sejam génios em matemática financeira. Mas, caramba, saber o que é um “spread”, uma “Euribor”, uma TAE, um juro composto, uma inflação, um rendimento nominal ou um rendimento real representa meio caminho andado para não se cometerem erros primários de julgamento que, infelizmente e uma vez cometidos, destroem vidas, tornando-se muito difíceis de remediar.

Public Sector: Living off Our Taxes

Filed under: Diversos — António Costa Amaral (AA) @ 12:25

Public Sector Workers: Living off Our Taxes:

There is nothing more frustrating than having to pay tax and national insurance so that public-sectors workers can earn more than you. People in the private sector face greater job insecurity and have less lavishly funded pension arrangements, .. yet they are the golden goose that has to be repeatedly slaughtered in order that state workers can have secure and higher-paid jobs with astonishingly generous pension provision.

The state and its supporters advance a number of justifications for high public spending .. “The public sector is a co-creator of wealth ..” .. This indicates that public-sector spending helps to create private-sector wealth, in a kind of symbiotic relationship.

.. public funds do not create that wealth, as, after all, those public funds are garnered in the first place from the private sector in the form of taxation, and so it is the private sector that is funding the infrastructure. It would be possible to design alternatives to publicly funded infrastructure provision. The fact is that the public sector has no money of its own that is not derived in some way from the private sector.

.. The state itself has become a pyramid scheme, justified by state programmes to boost equality. The result has become an increasingly inequitable job market .. We cannot afford to support this superstructure of hangers-on any more .. we need to axe entire programmes and/or restructure the state so that it functions in a simpler and less bureaucratic way. A nightwatchman state ought not to require such specialised employment. The shift required is as much cultural as economic. I can only hope upcoming economic difficulties force the state’s hand in terms of cutting deeper and restructuring further.

em bicos de pés

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 11:16

“(…) quem defende uma possível saída do euro não percebe minimamente de economia”, Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia (manchete de hoje do Jornal de Negócios).

O senhor Ministro, que ontem à margem de uma entrega de prémios comentava a especulação em redor da moeda única, deveria ser mais cauteloso e, sobretudo, mais elegante nas suas afirmações. Enfim, já se percebeu que Álvaro Santos Pereira, por quem eu até tenho uma particular estima intelectual, é daquelas pessoas que de improviso nem sempre reagem bem – as suas “gaffes” começam já a ser célebres – e o improviso de ontem, por mais convicto que possa ter sido, poderá gerar um perigoso efeito de ricochete, estimulando ainda mais a especulação em vez de a estancar, como era certamente o propósito do Ministro.

E, de facto, o tema gera cada vez mais interesse mediático. Hoje, o Jornal de Negócios dedica-lhe seis páginas. Nelas, inclui entrevistas com vários economistas, das quais destaco duas. A primeira, uma entrevista ao Prof. Ricardo Cabral (uma estrela em ascensão) da Universidade da Madeira, e a segunda ao Prof. Campos e Cunha da Universidade Nova. O primeiro explica a situação actual com rigor, explicando de seguida os ajustamentos macroeconómicos, que se seguiriam a uma eventual saída do euro, e rematando da seguinte forma: “A saída do euro seria catastrófica? Nada disso”. Mas, enfim, das palavras de Santos Pereira, só posso deduzir que o Prof. Ricardo Cabral nada percebe de economia. Quanto a Campos e Cunha, um macro economista do regime, afirma: “a sequência de horrores seria tal que abandonar o euro é proibitivo. Felizmente.”. Não obstante o cenário catastrofista que pinta, o Prof. Campos e Cunha admite uma coisa extraordinária: “Não tenho um modelo que quantifique a recessão”! Este economista, segundo o nosso estimado Ministro, é daqueles que sabe do que fala.

Ora, esta ideia de fazer tabu de certos assuntos é uma das principais razões pelas quais, nas horas difíceis, o mundo nos costuma cair em cima. Veja-se, por exemplo, o que já está a acontecer na Alemanha onde operadores turísticos, antevendo o que irá suceder na Grécia, já se começaram a proteger, renegociando contratos de euros para dracmas (ainda que, nesta fase, somente virtuais). Isto, sim, é pensar prospectivamente. Em Portugal, pelo contrário, o Ministro optou por desconsiderar, desprezando intelectualmente, todos aqueles que, como ele, acompanham a situação actual do ponto de vista macro económico e que, como ele, também já leram sobre a história de secessões cambiais operadas em circunstâncias muito semelhantes àquelas que hoje vivemos – certamente na Grécia.

E a verdade dos factos é uma: nos modelos que quantificam as recessões associadas a “defaults” soberanos, por exemplo em Reinhardt e Rogoff (This time is diferent”), em média, o afundanço real do PIB no ano t, o ano de incumprimento na dívida, é de 4%, sendo a taxa média de crescimento real nos três anos seguintes ao ano t de 2,9%. Ao mesmo tempo, num outro estudo apresentado este ano na Royal Economic Society em Londres, da autoria do alemão Christoph Trebesh e do argentino Juan Cruces (“Sovereign Defaults, The price of haircuts”), o período médio de exclusão dos mercados, após o incumprimento, é de 6 anos, baixando, porém, para apenas 3 anos nos casos de incumprimento até 30% do valor da dívida (nota: neste estudo, o “default” foi estimado em termos reais, incluindo, assim, “defaults” explícitos e “defaults” implícitos). Em suma, essa ideia – esta, sim, catastrofista – de que quando um País entra em incumprimento na sua dívida nunca mais na vida lhe emprestam dinheiro é falsa, sem paralelo na evidência histórica. Como, aliás, bem nota o Prof. Ricardo Cabral, o tal que “não percebe minimamente de economia”, e que conclui a sua entrevista afirmando o seguinte: “é provável que ficássemos afastados dos mercados, mas estes funcionam com base no lucro expectável: se o ‘default’ tornasse a nossa dívida mais sustentável, eles rapidamente voltariam a dar crédito”. Nem mais.

Moral da história, o Ministro da Economia quis passar uma mensagem política. Está no seu direito. Mas escusava de ter ofendido a integridade intelectual daqueles que, também por aqui, andam a estudar os mesmos assuntos e que, sobretudo, não estão politicamente condicionados, como ele infelizmente está.

O que faria um keynesiano?

Filed under: Economia,Teoria — BZ @ 01:00

Público: “Crise na construção ameaça levar desemprego para os 20%”

Um keynesiano defenderá a intervenção estatal neste sector, numa linha de pensamento semelhante à seguinte:

“As medidas anti-cíclicas numa economia em recessão aproveitam o facto do desemprego ser alto e a capacidade industrial estar [subaproveitada] para repor a economia mais perto [do] seu potencial.”

Sem, no entanto, perguntar-se se existe mesmo esse potencial…

É que a alta taxa de desemprego não é indicativo de “capacidade industrial subaproveitada” mas, pelo contrário, aponta para uma má alocação de recursos. Considerem um simples exemplo: quando, muitas décadas atrás, o desemprego cresceu nas profissões ligadas à construção de carros-de-bois, qualquer defesa de “medidas anti-cíclicas” neste sector não seriam levadas a sério!

Por outras palavras, só existe “potencial” se houver procura no mercado que ainda não está a ser servida. A acontecer, certamente que, mais cedo ou mais tarde, haverá empresas privadas a fornecer esses potenciais consumidores. Ora, no sector da construção, tal como em muitos outros sectores, a procura foi, durante as últimas décadas, artificialmente empolada pelo Estado português (inúmeros “investimentos” públicos) e pelo Banco Central Europeu (baixas taxas de juro). Agora, não havendo suficiente procura neste sector, os recursos alocados a este (trabalhadores e empresas) terão de reconverter-se a novos mercados, processo que levará algum tempo. Este é, afinal, o propósito de uma recessão.

No artigo acima, o presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário, Reis Campos, “alerta” para que projectos de reabilitação urbana têm de arrancar brevemente para evitar o crescimento do desemprego no sector. Claro que a cada vez menor procura por imóveis não é facto que lhe interessa referir…

Novembro 7, 2011

de cabo de esquadra

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 22:42

“Tem sentido que se peça a reformados e pensionistas que ganham por exemplo mil euros que abdiquem do subsídio de férias e de Natal, e que não se peça absolutamente nenhum sacrifício a um trabalhador de uma empresa privada que ganhe 1.500 ou 2.000 ou 2.500 euros?”, questionou o secretário-geral do PS, em Odivelas. Seguro indica desta forma que está disposto a um aumento dos impostos sobre os privados de forma a evitar o corte dos dois subsídios.”, no Jornal de Negócios.

Por momentos – santa ingenuidade! – ainda pensei que o líder do PS, apoiado em alguma proposta definida por aqueles jovens turcos que em matérias de Orçamento de Estado têm feito marcação cerrada ao Ministro das Finanças, pudesse propor outras formas de reduzir a despesa em alternativa a um dos dois subsídios. Uma forma de o conseguir seria cortar nos 15 mil milhões de euros que esse infindável universo de serviços e fundos autónomos gastam e consomem por ano ao Orçamento de Estado. Isso, sim, seria uma negociação pró-activa, de convergência político-partidária e em prol do superior interesse da Nação que, recorde-se, estando insolvente tem é de reduzir na sua despesa. Mas não, Seguro e os seus jovens turcos, num País em que a receita corrente do Estado para 2012 está projectada em 41% do PIB, ou 70 mil milhões de euros (em média, 7.000 euros por português), sugerem mais um aumento de impostos. Que cabecinhas pensadoras!

Ps: Parece que Rui Rio, economista de formação, se terá lembrado do mesmo. Enfim, sem comentários.

Aviso à atenção das feminazis portuguesas

Filed under: Religião — Carlos M. Fernandes @ 19:54

Aunque resulte inconcebible, un 28% de los universitarios españoles sigue recurriendo a conductas sexualmente coercitivas, como la de ‘invitar a unas copas’, para conseguir mantener relaciones sexuales con sus compañeras, según desvela un nuevo estudio. (…)

(…) los investigadores (…) “señalan la necesidad urgente de trabajar desde etapas evolutivas tempranas la educación afectivo-sexual, que erradique creencias estereotipadas vinculadas con la ideología machista”.

Aqui.

Se faltarem ideias “fracturantes”, aqui está uma: ilegalizar os convites para beber um copo.

O osso

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 16:52

As reacções às opiniões de deputados e ministro sobre o estado da Educação só vêm confirmar o que já se suspeitava: o país é refém de uma cultura que não suporta a mudança, muito menos quando lhe cheira a perda de protagonismo e poder, a emagrecimento do Estado ou a reestruturação de recursos. É uma cultura corporativista, dominada por cobardes acomodados aos direitos adquiridos, por homens e mulheres de cativeiro que, quando ameaçados com o mundo real, se agarram com unhas e dentes aos cantos da jaula. Com a via da privatização massiva totalmente interdita (o maior sacrilégio num país latino), só há uma solução para este marasmo, na Educação e noutros serviços: varrer tudo e começar de novo, dando, desta vez, liberdade às escolas para escolher os professores (e aos alunos para escolher as escolas, já agora). Esta medida teria ainda a vantagem de distinguir, sem avaliações internas ou externas, os bons dos maus professores. Os maus seriam identificados pelo elevado grau de histerismo. Porque o medo é a condição natural dos ineptos.

stalling

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 11:54

A Grécia entrou numa trajectória descontrolada. À crise económica e financeira junta-se agora uma grave crise política. E enquanto se percebe que os políticos gregos, desesperadamente, vão tentando assegurar as tranches de financiamento da União Europeia e do FMI, também já se percebeu que, seja qual for o novo governo que saia da confusão que hoje reina em Atenas, a população continuará a rejeitar veementemente a austeridade imposta.

Assim, fazendo uso de uma imagem, a Grécia é como um avião que, em pleno voo, perdeu a sustentação e entrou em “stalling”. Ora, quando um avião entra em “stalling”, a única forma de evitar a queda descontrolada e irreversível da aeronave é fazer mergulhar o avião, a fim de que este possa ganhar velocidade e sustentação debaixo das asas. É uma manobra de risco, mas nessas dramáticas circunstâncias é isso que os comandantes são ensinados e obrigados a fazer. A Grécia está na mesma posição. E sair do euro representa o mergulho sem o qual não terá salvação possível.

democracia suspensa

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 11:12

“What started as a financial crisis is now a full-blown political crisis in two euro-zone states. If the euro zone is to survive, it is now clear it will only do so by increasing its democratic deficit. The economic policies of Southern Europe will in future be dictated by a Brussels-based technocratic elite, which voters will be asked to rubber-stamp on pain of economic ruin. What is also clear is that the one thing that has always seemed vital to any lasting solution to the crisis—large-scale fiscal transfers from Germany to the periphery and a willingness to underwrite future debt—looks less likely than ever. The euro will outlive its six-week deadline, but it’s long-term survival remains in serious doubt.”, hoje no Wall Street Journal (destaque meu).

O primeiro passo parece ter sido a suspensão da democracia na Grécia…ao voltar atrás na decisão de referendar a ajuda financeira, associada à qual vem a austeridade tão ferozmente rejeitada pela população, foi o próprio Governo grego, um órgão democraticamente eleito, a suspender a democracia no seu país!

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Internacional,Livros,União Europeia — André Abrantes Amaral @ 11:04

O meu artigo para o jornal i deste fim de semana.

A Vitória dos Buddenbrooks

A Alemanha que venceu a Europa não foi a das armas, mas a dos comerciantes que Thomas Mann descreveu no seu livro Os Buddenbrooks.

Se ainda não o fez, o leitor devia ler Anna Karenina de Lev Tolstoi (Relógio d’Água), e Os Buddenbrooks de Thomas Mann (D. Quixote). Os dois romances retratam bem a vida, em pleno século XIX, de duas realidades europeias distintas. A Rússia e a cidade livre de Lubeck, esta antes e após a sua integração no Império Alemão em 1871. O que encontramos nestes romances, a vida das personagens neles descritas, os seus sonhos, ambições, desejos, frustrações e sucessos, medos, angustias, derrotas e vitórias, as casas onde vivem, o modo como lidam com os seus iguais, com os criados e os camponeses, dizem muito do que foram uns e outros. Bastante do que é, hoje ainda, um país como a Rússia e outro, como a Alemanha.

Enquanto no romance de Mann os Buddenbrooks detinham um negócio de importação e exportação que procuravam passar aos seus descendentes, permitindo-lhes a continuação de uma fonte de rendimento que os sustentasse e os fizesse ser uma mais valia na cidade onde viviam, na obra de Tolstoi a realidade é outra. Neste, ou são altos funcionários do Estado, ou nobres de antiga linhagem, os que constituem a elite política e intelectual. Apenas um, Koysta Levin, representa a falta que Tolstói tanto lamentava entre as elites russas: o gosto pelo trabalho com vista a ajudar os mais desfavorecidos, fazendo o que é justo. O que faltou em Tolstoi, como aliás em Dostoiévski, foi nunca ter conseguido juntar o gosto pelo lucro e pela realização pessoal, à solidariedade. Reconhecer a necessidade de ajudar os outros como sendo o resultado inato do sucesso, fruto desse mesmo trabalho. Para Tolstoi, um benemérito tinha de ser um santo. Um místico. Um homem sem falhas. Talvez por isso, o homem bom que era Levin fosse agricultor, mas nunca um comerciante. Já os Buddenbrooks são demasiado homens para serem santos. Veja-se o exemplo de Johann Buddenbrook que apenas porque quer levar o sogro para casa, conversa com os revoltosos de 1848 e os convence a desmobilizar. Ajuda-os. Resolve o problema que afecta a cidade, não por ser um super-homem, mas como homem simples que é e que procura o bem estar da sua família.

O tempo foi aumentando esta confusão entre benemérito e santo. Só quem se supera, consegue visar o lucro ao mesmo tempo que  procura o bem. Por termos caído nessa crença do homem perfeito, grandioso e inexistente, substituímos os homens normais por instituições longínquas. A crise de hoje, é também de confiança. De suspeita perante Merkel e Sarkozy que não se portam como esperamos se comportem os líderes: de modo magnânimo e capazes de resolver, de um dia para o outro, todos os problemas, quanto mais não seja pela sua simples presença. E também porque deixámos de acreditar que com esforço, pessoas normais conseguem grande feitos, fomos vivendo numa sociedade como a descrita por Tolstoi, na qual as elites nada produzem, vivendo tranquilo quem alinha com o Estado e se encosta a ele. Tal qual os endinheirados em Anna Karenina que pouco mais fazem que não seja preencher papelada e gerir comissões. Elites que discriminam os fracos pelas suas origens, ao contrário dos comerciantes de Lubeck que apenas desprezam quem não trabalha. São elites como as descritas por Tolstoi, que alinharam com os erros que nos conduziram até aqui, as que estão hoje a ser postas em causa.

A linhagem dos Buddenbrooks acaba por desaparecer, mas a sua ética, o seu espírito, que era o espírito capitalista daquelas cidades livres e mercantis, que Max Weber tão bem explicou, continuou noutras famílias. Continua hoje, por muito que nos doa admiti-lo, nas economias nórdicas e holandesa que pouco sofrem com a crise mundial que vivemos. O trabalho e o esforço compensam. O lema dos Buddenbrooks, “Nunca fazer negócios durante o dia que te tirem o sono durante a noite”, retrata como o valor dado ao trabalho, obriga à honestidade e como dessa honestidade, surge a consciência social. Como vamos ter de mudar e estar mais atentos aos Buddenbrooks.

Novembro 6, 2011

Ordem Pública sem Interferência Estatal

Filed under: Economia,Internacional,Justiça,Ludwig von Mises,Nanny State Watch,Política — Ricardo Campelo de Magalhães @ 22:30

Como funcionaria a produção de leis e a imposição da ordem sobre o caos sem a intervenção estatal que actualmente permeia todo o sector?

Law without the State, by Robert Murphy

Mises em Espanhol

Filed under: Economia,Ludwig von Mises — Ricardo Campelo de Magalhães @ 22:19
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Para os leitores que apreciam a língua de Cervantes: Mises Hispano

Comparativo elucidativo

Tea Party versus Occupy.

Eleições em Espanha

Filed under: Internacional — Carlos M. Fernandes @ 14:48
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Faltam duas semanas para as eleições e tudo aponta para uma derrocada inédita do PSOE e para uma maioria absoluta do PP. Não são novidades. Os socialistas espanhóis preparam-se para este cenário há meses. Com Rubalcaba na liderança, esperava-se, e espera-se, uma mistura de manobras sujas e trapalhadas na pré-campanha e campanha eleitorais do PSOE. E é isso mesmo que estamos a ter.

Primeiro, foi o infame comunicado da ETA, que tresanda a arranjinho e embuste: declaramos a trégua definitiva, mas não tiramos os barretes ao estilo Klu Klux Klan nem entregamos as armas. (As lágrimas no comício do PSOE, derramadas pelo comunicado da ETA e pelo “fim” do terrorismo, foram confrangedoras e insultantes). Agora, desesperado, Rubalcaba recorre às velhas glórias do partido, com Felipe González à cabeça do pelotão. Isso mesmo, González, o pai da crise económica dos 1990s, do terrorismo de Estado e de uma mancheia de escândalos e casos de corrupção. Manobras sujas e trapalhadas, como fora “prometido”. É Rubalcaba, senhoras e senhores, também conhecido como o Rasputín da Moncloa. Um patético e desajeitado Rasputín que teve um papel central nos governos que deixaram Espanha de joelhos, e que agora, também de joelhos e com as mãos enlaçadas em posição de súplica, pede o perdão e o voto dos eleitores, com uma ladainha que oscila entre a canção do bandido e o tango do arrependido. Pouco sucesso terá, num país finalmente cansado da trágica gestão socialista.

Leitura dominical

Filed under: Media — ruicarmo @ 12:30

O tão natural como esclerosado anti-semitismo do Messias  imprenso no Avante!, a verdade que pode matar e a tragédia que emoldura a comédia grega são os assuntos abordados por Alberto Gonçalves na crónica O PCP contra Lenine.

Novembro 5, 2011

Lembrem-se

Filed under: Videos — BZ @ 19:00

Missionários do comércio livre

Filed under: Economia — BZ @ 18:53

Como complemento a meu anterior post “Ressurgimento de uma velha «profissão»”, recomendo as seguintes leituras:

 

Uma boa notícia

Filed under: Ambiente,Cultura,Internacional,Justiça,Política,Religião,Saúde — ruicarmo @ 15:50

Por certo, recebida com pesar pelos comunistas.

Alfonso Cano, chefe e líder ideológico das FARC, morto em combate na Colombia.

Novembro 4, 2011

Quando a geração “Easy Rider” está no poder…

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 18:09

La Dirección General de Tráfico (DGT) ha impuesto una multa de 30.000 euros a la productora Tripictures, que sacó en el cartel publicitario de la película ‘Larry Crowne’ a sus protagonistas, Tom Hanks y Julia Roberts conduciendo una moto sin casco, por “promocionar conductas temerarias”, según han confirmado a Europa Press fuentes de la DGT.

Cada geração e cada regime tem os seus tabus. Na Espanha franquista de 69 era a pele, na Espanha zapaterista de 2011 é o cabelo.

Mistrust of Government Is a Beautiful Thing

Filed under: Diversos — António Costa Amaral (AA) @ 14:09

Penn Jillette: Mistrust of Government Is a Beautiful Thing

A natureza da ocupação

The Occupy movement is inherently violent.

The Occupy movement is predicated on the idea of protesters (the 99%) asserting control over something that does not belong to them (Zuccotti Park, McPherson Square, Frank Ogawa/Oscar Grant Plaza etc.). When you assert control over something that someone else owns (Brookfield Properties, the taxpayers, etc), there is eventually going to be a physical confrontation when that owner tries to reassert control. That is what we are seeing in police/occupier clashes across the country.

Egipto: back to basics VI

Espécie de referendo, dois em um.

Mohammad Amer, a Salafi Sheikh in Damanhur, Egypt, issued a fatwa prohibiting votes for any Christian, secular or liberal candidate, as well as any Muslim candidate who does not pray daily or call for the implementation of Shariah law.

The fatwa also prohibited voting for any former member of the dissolved National Democratic Party (NDP), associated with the regime of deposed President Hosni Mubarak, with the exception of a few “honorable” candidates.

Lew Rockwell on Russia Today talking about the Euro

Filed under: Ludwig von Mises,União Europeia,Videos — Filipe Faria @ 01:40

Novembro 3, 2011

Ressurgimento de uma velha “profissão”

Filed under: Comentário,Economia — BZ @ 23:03

Em Portugal, durante a vigência do Estado Novo, muitos habitantes junto à fronteira com Espanha arriscaram a sua liberdade (e até a vida), não em nome de uma luta ideológica contra a ditadura, mas sim para providenciar à restante população produtos que, de outro modo, eram demasiado caros de adquirir ou até inexistentes no mercado “oficial”.

Hoje, ao recordar essa época, julgo que a maioria dos portugueses olha para esses homens e mulheres contrabandistas com alguma admiração. Recusar pagar impostos a um Estado antidemocrático foi, portanto, um acto heróico!

Ora, mesmo em democracia, a eficácia de qualquer sistema tributário depende sempre da garantia de opressão dos eleitos sobre quem potencialmente recusa o confisco. A isto, alguns caracterizariam, de certa forma, como “consentimento tácito inerente às democracias”. Mas esse consentimento tem limites, dependendo do grau de condescendência de cada um. ;)

Da Grécia ouvem-se relatos de (ainda) maior fuga aos impostos. Para resolver a situação orçamental deficitária do Estado, os gregos estão a dizer, por via dos seus actos, que a solução do aumento da carga fiscal será uma medida de austeridade contraproducente.

Os portugueses terão idêntica reacção!  O Governo de Pedro Passos Coelho receia que tal aconteça e ameaça multar os consumidores que não peçam factura. A eficácia desta medida está, penso, condenada ao fracasso. Só a acção “contrabandista” de alguns heróicos portugueses poderá garantir a sobrevivência financeira de muitos dos seus concidadãos, especialmente nas aldeias mais pobres junto à fronteira espanhola.

Um aviso ao Governo: concentrem-se em reduzir a despesa pública, pois quanto maiores os impostos mais “contrabando” vão incentivar. Chamar-lhe-ão economia paralela, mercado negro, evasão fiscal, etc. Eu classifico-o como um mercado de sobrevivência. É que há limites e, para muitos portugueses, eles já há muito foram ultrapassados…

Sair do euro (2)

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 22:05

“Should Greece leave the euro zone and return to the drachma?”, uma sondagem da Economist.

Referendar o uso do referendo

A história do referendo grego está para a democracia como aqueles valentes que gritam “agarrem-me, que me vou a eles” e no momento seguinte já se evaporaram da cena. Com uma ligeira diferença: o valente PM grego parece ter vontade de continuar a exercer o seu mandato.

Leituras recomendadas: O irresponsável, por Miguel Noronha e Incendiários de todo o mundo, uni-vos de Maria João Marques.

Walker Evans, 108 anos

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 21:13

I guess I’m deeply in love with America.

Walker Evans

Há fotografia A.E. e fotografia D.E. Antes e depois de Evans. E há também a história do desconforto do fotógrafo com a propaganda do New Deal de Roosevelt e da Farm Security Administration de Roy Striker. Mas essa história não é para hoje.

Portuguese House, Truro, Massachusetts, 1930

 

 

Ineptocracy

Filed under: Política,Teoria — BZ @ 20:34

Definição:

“A system of government where the least capable to lead are elected by the least capable of producing, and where the members of society least likely to sustain themselves or succeed, are rewarded with goods and services paid for by the confiscated wealth of a diminishing number of producers.”

Ouvido na CNBC, retirado do The Online Slang Dictionary.

Incendiários de todo o mundo, uni-vos

Filed under: Economia,Internacional,União Europeia,Política Monetária — Maria João Marques @ 14:58

Evidentemente que os gregos devem poder decidir o seu próprio destino e, no caso, decidir se a austeridade será feita de uma forma apesar de tudo mais suave ao longo de muitos anos (e aceitam as imposições da UE) ou se preferem uma quebra abrupta seguida de um período de crescimento que proporcionará, também durante muitos anos, um nível de vida muito abaixo do actual e até do que trará a austeridade patrocinada pela UE (saem do Euro, portanto). Os gregos decidem o que querem sobre o seu destino; se assim o entenderem, podem até tentar abolir de todo a moeda e basear a sua economia na troca directa. E eu até entendo que os gregos se queiram livrar de um primeiro-ministro como Papandreus, sentimento que eu, de resto, partilhava há bem poucos meses quando tínhamos também um incendiário a liderar o nosso governo (lembram-se da quantidade de vezes que Sócrates ameaçou demitir-se?).

No entanto, tal como de um indivíduo que deliberadamente falha a sua parte num contrato onde livremente entrou não se pode dizer que esteja a exercer a sua liberdade, mas sim que tem falta de carácter e de respeito pela palavra dada, também de um país (ou de um pm) que numa semana assina livremente um acordo com os seus aliados (políticos, económicos,…) e na semana seguinte anuncia que afinal não sabe se o acordo é para cumprir, que logo se vê como calha o referendo, não se pode dizer que seja um exercício de soberania, antes sim um ‘acto de deslealdade’, um acto de má-fé, um acto de um jogador desesperado e sem escrúpulos que não teme ameaçar fazer colapsar os restantes membros da UE – sobre os quais os gregos já não têm nada que decidir – para evitar perecer politicamente (às mãos dos militares, da oposição, do PASOK, tanto se me dá). Sendo que, provavelmente e porque o jogo não vingou e a UE marcou bem que não seria refém da chantagem grega, de facto perecerá.

A falta de vergonha de Papandreus (acompanhado por uma percentagem indefinida de ministros) deveria dar uma lição àqueles que durante meses clamaram pela culpa dos mercados e dos especuladores nestas crises das dívidas soberanas. Talvez (mas duvido) consigam perceber que as dívidas públicas pagam (ou prometem pagar) juros insustentáveis porque o pagamento dos juros e dos títulos da dívida está nas mãos de gente irresponsável e leviana e pouco confiável como Papandreus.

Uma nota final. Por cá, tal como na Grécia, há quem tudo faça para gerar contestação nas ruas e lançar a confusão política: PCP, BE e franjas do PS. Convém não esquecermos que, fora países conquistados, o comunismo impôs-se apenas em épocas de caos. E se pensam que as ambições de poder (totalitário) do PCP e do BE são idiossincrasias destes partidos que não há necessidade de levar a sério, aconselham-se umas leituras ao Avante e ao site do BE para se avaliar o grau de alienação que ainda persiste por aqueles lados. Assim, eu não sou propensa a dar conselhos, mas estamos no fio da navalha e recomendo a quem seja mais moderado que não se entusiasme com o fim do euro, pelo menos agora, mesmo que venha guerra e pestilência, só porque o euro foi, de facto, uma construção anti-democrática de iluminados que se deveriam ter dedicado, para bem dos europeus, a cultivar abóboras (e para consumo restrito das suas famílias).

El Laberinto Griego

Filed under: União Europeia — Carlos M. Fernandes @ 13:15

Pepe Carvalho é contratado por Claire para encontrar o seu marido desaparecido. Com o decorrer da investigação, Carvalho sucumbe perante a beleza inalcançável da francesa e perde o rumo, perde a sua identidade, cínica, mas também simples, pragmática e eficaz. Terminado o trabalho, o detective volta a sentir o fardo da realidade, e regressa a uma existência singela e algo sórdida. Fim de festa. Fim da ilusão.

Novembro 2, 2011

A crise grega explicada

Filed under: Comentário,Economia,Humor,União Europeia,Videos — Bruno Alves @ 23:09

Sair do euro

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 22:17

“(…) Nos últimos dois anos, tenho escrito abundantemente sobre desequilíbrios macro económicos, orçamentos de estado e perdões de dívida. Mas como os números relativos ao desempenho económico e financeiro de um país são na sua essência manifestações culturais desse mesmo país, rendo-me hoje à evidência de que não se conseguem prescrever soluções técnicas que sendo boas para uma dada cultura não sejam aceites por outra. E, assim, vejo na Grécia o exemplo acabado do falhanço associado à construção europeia, representada na ideia de que a integração monetária seria o primeiro passo rumo a uma integração política e, naturalmente, cultural também (…) Enfim, dito de outro jeito, como não é possível esperar que os gregos vivam, consumam, trabalhem e gastem como alemães, nem vice-versa, o euro nos seus moldes actuais está condenado ao insucesso (…) A realidade dos factos é a seguinte: mesmo depois de toda a austeridade do último ano e meio, a Grécia continua a exibir um défice na balança de transacções correntes de quase 10% do PIB, encontrando-se o défice público num patamar idêntico. Acresce ainda uma dívida pública que em percentagem do PIB excede 150%. Ou seja, os gregos continuam a importar mais do que exportam, continuam a consumir mais do que poupam, continuam numa trajectória insustentável. Prevê-se, portanto, austeridade para muitos anos (décadas?), numa altura em que o país já não aceita – aliás, nunca aceitou – tantos cortes que, apesar de tudo, pecam ainda por (muito) escassos. Só há uma saída que politicamente seja viável, economicamente faça sentido e que voluntariamente dependa apenas dos gregos: sair do euro e através da desvalorização cambial corrigir todos os desequilíbrios que afligem a economia grega.”, no meu artigo desta semana no jornal Vida Económica (“Sair do euro”).

Indignados

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 19:10

Onde tudo se vai decidir

Filed under: Livros — André Abrantes Amaral @ 17:31

Afonso de Albuquerque tinha razão em querer este Oceano.

Um bom conselho

Filed under: Internacional,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 14:54

Alguma esquerda escandalizou-se com o discurso do Secretário de Estado da Juventude e Desporto em São Paulo no qual afirmou que os jovens devem ter a coragem de sair da sua zona de conforto e ir além das suas fronteiras para encontrar alternativas de emprego. Em primeiro lugar as críticas parecem desvalorizar o contexto do discurso, ou seja, o Secretário de Estado discursava para um grupo de emigrantes e tentou dessa forma louvar as opções da sua assistência. Porventura, alguns preferiam que o Secretário de Estado mentisse e fosse mendigar o regresso daqueles emigrantes ao país de origem. Mas esquecendo o contexto, resta sublinhar o pequeno pormenor de que o conselho é bom. E é bom não só para os jovens, mas para o país.

Para percebermos porque é que é a emigração é positiva para o país, é preciso entender o porquê deste recente fluxo migratório. O problema português é ausência de capital. Os altos impostos, um mercado de trabalho inflexível, fracos hábitos de poupança e uma profunda aversão social à acumulação de riqueza fez com que, aos poucos, o capital fugisse do país. No fundo é disto que se fala quando se diz que “existem excesso de doutores”. Portugal só tem excesso de mão-de-obra qualificada quando comparado com o volume de capital acumulado necessário para a rentabilizar. Engenheiros precisam de fábricas para dirigir e gestores de empresas para gerir. Ter muita mão-de-obra qualificada num país sem capital acumulado é como ter muita gasolina mas não ter carros onde a colocar. A única solução é a eliminação de políticas que esvaziam o stock de capital do país, entre as quais a diminuição da dívida pública, a diminuição dos impostos e a flexibilização da legislação laboral. E sim, os cortes terão de passar pela educação, ou seja, pela formação dessa mão-de-obra qualificada. Não vale a pena continuar a vender aviões para formar pilotos, quando estes não têm o que pilotar.

Um país com excesso de mão-de-obra qualificada só tem uma forma de a rentabilizar: exportando-a. Aos “enviar” essa mão-de-obra qualificada para regiões com mais capital acumulado, concerteza que alguma será perdida para sempre, mas muita será rentabilizada e o retorno virá sob a forma de remessas, know-how, turismo e espírito empreendedor. Será pouco, dirão alguns, mas neste momento é o melhor que os governantes de um país falido podem aconselhar aos seus cidadãos.

França 2011: as consequências da “Charia”

Jornal satírico francês convida um ilustre conhecido para protagonizar a sua mais recente edição. Não existem os números de venda, mas adivinha-se com alguma facilidade que os prejuízos possam ser assinaláveis. O Islão não é compatível com o humor nem com a liberdade de expressão.

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