O Insurgente

Novembro 14, 2011

A apropriação indébita da tradução portuguesa de A República, de Platão

Filed under: Brasil,Livros,Portugal — Bruno Garschagen @ 16:37
Antes mesmo de ir morar em Portugal, em 2007, já conhecia a qualidade das traduções e edições da Fundação Calouste Gulbenkian. Já vivendo em Lisboa, tive a grata oportunidade de comprar vários volumes num período de saldo. Um dos livros era A República, de Platão, na conhecida tradução de Maria Helena da Rocha Pereira, obra que recomendo vivamente. Para meu espanto e horror, leio o seguinte post no blog do poeta brasileiro Érico Nogueira:

Platão plagiado
Caros,
A editora Martin Claret, plagiadora notória, aprontou mais uma das suas: apropriou-se indevidamente da conceituada tradução da República de Platão, assinada por ninguém menos que Maria Helena da Rocha Pereira e publicada pela Fundação Gulbenkian. Na edição da torpe Martin Claret, a tradução é creditada a um certo Pietro Nassetti — que decerto não existe. Por favor, divulguem, indignem-se, façam alarde e barulho. É simplesmente inacreditável que não fechem a Martin Claret, figurinha carimbada nos tribunais, vira e mexe acusada de plágio e apropriação indébita. É uma vergonha.

E um escândalo editorial.

Entrevista de Passos Coelho no Brasil

Filed under: Brasil,Portugal — Bruno Garschagen @ 16:35

Em entrevista a uma TV brasileira, Passos Coelho comenta a crise na Europa e o seu projeto de governo para Portugal.

Temos Manuel Pinho

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 15:20

O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, afirmou hoje que 2012 é o ano que irá certamente marcar o fim da crise, iniciando o caminho da retoma dos anos seguintes.

O ministro da Economia, Manuel Pinho, anunciou hoje o fim da crise em Portugal e disse que a questão agora é a de saber “quanto é que a economia portuguesa vai crescer”.

Descubra as diferenças.

Criatividade

Filed under: Comentário,Diversos,Media,Portugal,Videos — João Luís Pinto @ 12:40

Não sei por quê, mas tenho a impressão que alguém anda a querer passar a perna à Optimus:

(mais…)

Combate de Blogs

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Internacional,Política,Portugal,União Europeia — André Abrantes Amaral @ 10:06

A minha participação no Combate de Blogs (TVI24), deste sábado com Rodrigo Moita de Deus, Rui Pedro Esteves e José Castro Caldas, sobre o orçamento de estado e a demissão de Berlusconi.

Clarificando os mitos sobre a crise

Filed under: Economia,Internacional,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 09:40

A actual crise das dívidas soberanas deu origem ao aparecimento de diversos mitos pouco fundamentados, mas que mil vezes contados acabam por serem assumidos como verdadeiros. Eis um resumo desses mitos:

Mito: A origem da dívida pública está no salvamento dos depósitos do BPN, nas ajudas aos restantes bancos e em gastos com a Defesa Nacional como a compra dos submarinos
Realidade: Os gastos com a defesa constituem menos de 2% do total do orçamento para 2012. Mesmo assumindo que todos os custos incorridos com o BPN e a compra dos submarinos foram financiados por dívida, o custo dos submarinos corresponde a 0.5% do total de dívida pública e do salvamento dos depósitos do BPN de cerca de 3% do total da dívida. A maioria esmagadora dos gastos do estado, e consequentemente as fontes da dívida pública, são com Segurança Social, Educação e Saúde. Esta é a realidade em Portugal e na Grécia. Apenas no caso da Irlanda se pode dizer que foi o salvamento aos bancos locais que despoletou a crise

Mito: A austeridade é uma forma de defender os bancos, punindo a população em geral
Realidade: Os bancos de países como a Grécia e Portugal estão já absolutamente descapitalizados. Como resultado desse processo, os principais bancos portugueses valem neste momento um décimo do que valiam há 2 anos atrás, ou seja, os accionistas desses bancos perderam 90% das suas poupanças. Foram eles quem até hoje mais perdeu com a crise da dívida soberana. O dinheiro que hoje vai para os bancos, embora não seja esse o objectivo assumido, é basicamente para garantir o dinheiro dos depositantes. Esse dinheiro é aplicado maioritariamente em dívida pública, e se essa dívida não for paga, os depositantes correm o risco de perderem o seu dinheiro. Qualquer default do estado irá também fazer com que o estado não seja capaz de obter empréstimos por muitos anos. Se a austeridade exigida para atingir défices de 5% é penosa, mais penosa será a austeridade necessária para ter défice zero.

Mito: Os bancos orquestaram a crise para poderem emprestar dinheiro a juros altos enquanto obtêm financiamento do BCE a 1%
Realidade: Os empréstimos do BCE aos bancos são por um dia, renováveis e mediante colateral. Os empréstimos dos bancos ao estado são feitos por prazos prolongados (1, 2, 5 e 10 anos) e sem colateral, pelo que o risco é muito superior. Como prova desse risco, os bancos que emprestaram dinheiro à Grécia perderam metade do montante emprestado.

Mito: A crise da dívida só se resolve se os estados lançarem políticas expansionistas que façam crescer a economia
Realidade: Foram as políticas expansionistas e os défices constantes que trouxeram países como a Grécia e Portugal à actual situação. Se políticas Keynesianas de expansão do investimento e défice das contas públicas funcionassem, nem a Grécia, nem Portugal estariam na actual situação. Ambos os países apresentarem défices públicos de forma permanente nos últimos 10 anos e nem por isso cresceram mais que os seus pares que mantiveram contas equilibradas. Investimentos públicos como o Euro2004 em Portugal e os Jogos Olímpicos na Grécia apenas deram um empurrão temporário à economia, de imediato invertido nos anos seguintes. Pelo contrário, a Irlanda que lançou um plano de austeridade mais cedo e mais agressivo que o Português, já está hoje novamente a crescer e a equilibrar as suas contas. A única forma de relançar a economia é voltar a ter contas equilibradas para que se possam baixar impostos e incentivar o investimento privado.

Mito: Roosevelt resolveu a depressão de 1929 com políticas expansionistas, impondo grandes défices nas contas públicas, e é essa a estratégia que os países europeus devem seguir
Realidade: Muitos académicos contestam que as políticas levadas a cabo por Roosevelt tenham de facto resolvido a Grande Depressão. Alguns estudos apontam para que apenas a tenha prolongado. Mas mesmo assumindo que tal seja verdade, convém notar que o maior défice público incorrido por Roosevelt durante o New Deal foi de 5.5% em 1936. Por comparação, em 2010 Portugal teve um défice de 10.1% e a Grécia de 15.8%. É errado chamar expansão a um défice de 5.5% mas depois reclamar de austeridade quando são impostos défices superiores na Grécia e em Portugal.

Mito: Os mercados são uma entidade bem definida, dominado por poucos agentes com um plano maquiavélico para destruir a Democracia e tomar conta do Mundo
Realidade: Os “mercados” são constítuidos por todos os aforradores e seus representantes que escolhem a melhor forma de aplicar as suas poupanças. A taxa de juro das dívidas soberanas sobe se esses aforradores duvidarem da capacidade de pagamento desses países e por isso se recusem a emprestar-lhes dinheiro. A recusa de muitos investidores em emprestar dinheiro à Grécia que nos últimos dois anos fez aumentar a taxa de juro exigida, acabou por revelar-se certeira, uma vez que a Grécia acabou por acordar não pagar metade dessa dívida.

Mito: Os mercados têm uma intervenção malévola na democracia, sendo as recentes situações na Grécia e Itália um bom exemplo disso
Realidade: O processo democrático levou a uma situação de insustentabilidade financeira para alguns países. Terá que ser o mesmo processo democrático a resolver essa situação. A mudança de líderes na Grécia e na Itália, que foram aprovadas pelos parlamentos eleitos democraticamente, visa atingir esse objectivo. Dizer que os mercados são inimigos da democracia porque os investidores não emprestam dinheiro a líderes que não confiam é o mesmo que dizer que a Física é inimiga da democracia porque não permite que seja revogada a lei da gravidade.

Mito: As agências de rating são culpadas pela crise da dívida soberana por terem baixado os ratings de dívida soberana dos países e dessa forma aumentado os juros da dívida
Realidade: Se alguma culpa pode ser atribuida às agências de rating foi não terem feito downgrade da dívida soberana de países como Portugal e a Grécia mais cedo. Quando os downgrades foram feitos a países como Portugal e a Grécia, já os aforradores e os seus representantes se recusavam a emprestar dinheiro a esses países. Em segundo lugar, nada impede os investidores de continuar a comprar dívida soberana depois de um downgrade se acharem que realmente o país tem capacidade de pagar. Um bom exemplo disso são os EUA que depois de um downgrade de uma agência de rating conseguiram obter empréstimos a uma taxa de juro ainda mais baixa que antes do downgrade.

Lixo radioactivo imperial e outros casos de genialidade injustamente não reconhecida

Filed under: Blogosfera,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 08:00

Portugal Pirata
Isto não é a Fonte de Duchamp
O CHILENO AUGUSTO PINOCHET, O AMERICANO MILTON FRIEDMAN E O PORTUGUÊS VITOR GASPAR (Ou: porque é que Otelo Saraiva de Carvalho não pode falar num golpe militar progressista que reponha a democracia em Portugal e o ministro das Finanças pode mostrar-se admirador sem escrúpulos do conselheiro económico de Augusto Pinochet??)
Gastar cera com ruins defuntos

Novembro 13, 2011

E quando menos se espera, temos direito a gerontofilia

Filed under: Política,Portugal — Tomás Belchior @ 23:51

Confesso que sinto alguns remorsos por, aparentemente, ter abalado a fé do João José Cardoso nos “estudos” do economista da CGTP Eugénio Rosa, a propósito das diferenças salariais entre a função pública e o sector privado. Sinto remorsos especialmente porque agora vejo que, ao fazê-lo, o empurrei para os braços da Manuela Ferreira Leite, também conhecida nas hostes esquerdistas pelo epíteto carinhoso “a velha”. Ver a erecção colectiva que as palavras da senhora provocaram no socialismo pátrio é algo embaraçoso, até para uma pessoa como eu, que é relativamente tolerante para com estilos de vida, digamos, alternativos.

De resto, confesso que, como já estou algo cansado de repisar os mesmos argumentos, desta vez vou apenas sugerir a leitura de um texto perfeitamente razoável que o José Manuel Fernandes publicou este fim de semana no Público, sobre esta mesma questão. Isto enquanto espero que a esquerda recupere deste pequeno AVC e volte à programação habitual.

Ricardo Rodrigues e o Conselho Geral do CEJ

Filed under: Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:00

Petição para a renúncia do Exmo. Sr. Deputado Ricardo Rodrigues ao Cargo para que foi designado no Conselho Geral do CEJ

Dilma Rousseff vs José Mourinho

Filed under: Brasil,Desporto — BZ @ 21:53

No Marca (via LvMI):

El Santos no estaba en condiciones económicas de igualar el sueldo que el [Real] Madrid ofrecía a Neymar, pero Dilma Rousseff ha hecho de intermediario entre el club paulista y el Banco do Brasil para que el presidente del Santos obtuviera un crédito de casi 40 millones de euros. Así las cosas, Neymar percibirá 7,2 millones de euros al año. Un 15% menos de lo que le ofrecía el Real Madrid, pero una cifra neta casi idéntica tras los impuestos brasileños, donde la tasa a pagar es del 27,5%.

Perdeu a Dilma (fica o Brasil com o “gallo”). Ganha Mourinho. ;)

As delirantes teorias conspirativas de São José Almeida

Filed under: Economia,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 19:27

Em mais um extraordinário texto – no Público, como não podia deixar de ser – São José Almeida revelou toda a verdade sobre o hediondo objectivo oculto da estratégia governamental para o sector dos transportes: A Fé não vai a pé. Por José Meireles Graça.

Leitura complementar: O Público e o Bloco de Esquerda; O legado de José Manuel Fernandes e o futuro do Público; Quando os donos dos jornais cavam a sua própria sepultura; Humanismo Caviar (II); Que capacidade para fabricar fantasmas…; A análise ética e sociológica de Schumpeter e o futuro do capitalismo.

Top posts da semana

Filed under: Blogosfera,Insurgentologia — André Azevedo Alves @ 19:16

Aqui fica o ranking dos posts d’O Insurgente mais votados dos últimos 7 dias. A lista foi obtida multiplicando o número total de votos de cada post pela respectiva classificação média:

1Insulto da estação pública às vítimas das FP-25
2Comparativo elucidativo
3Ainda sobre a blogosfera de esquerda (2)
4Cara de pau
5Desmistificando os argumentos da esquerda

uma verdade inconveniente (2)

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 16:40

“As contas da época que está em curso serão as primeiras a ser analisadas pela UEFA ao abrigo das novas regras de controlo das finanças dos clubes, conhecidas como fair play financeiro. No início da temporada de 2013-14, os responsáveis da UEFA vão olhar para as contas de 2011-12 e 2012-13, podendo aplicar sanções aos emblemas com prejuízos superiores a 45 milhões de euros no conjunto destes dois exercícios. As sanções para os prevaricadores ainda não estão definidas, mas ‘cada vez mais se aponta para a retirada de pontos e proibição de inscrição de jogadores’, revelou ao PÚBLICO Luís Paulo Relógio, presidente do Órgão de Gestão de Licenciamento da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que faz parte do grupo que está a estudar as regras do fair play financeiro. ‘A ideia é evitar punições como a exclusão da competição, para não matar o doente com a cura.’ Se os critérios do fair play financeiro já estivessem em vigor, o FC Porto (que teve lucros nos últimos cinco anos) era o único dos três “grandes” livre de preocupações. O Sporting, que acumulou prejuízos de 72 milhões nas duas temporadas passadas, estaria à mercê de punições da UEFA e o Benfica (prejuízos superiores a 28ME) estaria sob vigilância., no Público (destaques meus).

uma verdade inconveniente

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 16:30

“Um recente estudo encomendado pela Liga de clubes à Universidade Católica revelou que o endividamento dos clubes portugueses da I Liga aumentou 500 milhões de euros nos últimos dez anos. E o problema agrava-se agora, por causa da crise da dívida europeia (…) Uma parte importante dos empréstimos dos clubes de futebol é de curto prazo, o que os deixa muito expostos às actuais limitações dos bancos. Reflexo disso é também a subida das taxas de juro que os clubes pagam. “No seu relatório, o FC Porto revela que a taxa média anual dos empréstimos foi de 4,39% em 2010 e de 6,78% em 2011″, aponta António Samagaio, considerando que, até mesmo nos empréstimos obrigacionistas, os “clubes estão a financiar-se a taxas proibitivas”. “O empréstimo obrigacionista do FC Porto é de 8% e do Sporting 9,5%. Eles não têm um negócio capaz de gerar rentabilidade para cobrir este custo de capital”, avisa o professor do ISEG, acrescentando que a SAD do Benfica é a mais endividada.”, no Público.

Pequenas golpadas

Filed under: Comentário,Internacional,Política,Portugal — BZ @ 12:55

Hoje, na edição impressa do jornal Público (meus destaques):

A economia [grega] está organizada de tal forma que o pagamento de impostos não é uma opção. As pessoas simplesmente não têm dinheiro para isso, portanto não se sentem obrigadas. O Estado também tem a noção de que elas não podem pagar, e não insiste. Não tem meios para as obrigar, nem autoridade moral. Primeiro porque não consegue cobrar aos mais ricos. Depois porque tem estado envolvido em tantos escândalos de corrupção, que ninguém confia.

“Há uma espécie de acordo tácito”, explica Nicolas Zerganos, jornalista que passou sete anos a investigar um escândalo de corrupção envolvendo políticos. “Todos roubam, e ninguém se acusa. Os agentes do Estado envolvem-se em grandes golpadas para ganharem milhões. E, para obterem a complacência do cidadão comum, permitem-lhe fazer também as suas pequenas golpadas.”

Dois comentários.

Primeiro, a questão da moralidade. Mesmo que os decisores políticos não recebam qualquer compensação monetária (na maioria das vezes fazem-no pelo retorno eleitoral), sempre que o Estado escolhe beneficiar uns em detrimento de outros, está a ser amoral.

Segundo, em Portugal tal como na Grécia, a resolução para a situação deficitária do Orçamento de Estado tem de passar (exclusivamente) por cortes na despesa pública. Os seus cidadãos já não suportam mais opressão fiscal, independentemente do maior ou menor grau de amoralidade dos governantes!

Leituras complementares: “Ressurgimento de uma velha «profissão»” e “Missionários do comércio livre”

Quantas Freguesias não cumprem os Critérios – Infografia Negócios

Filed under: Política,Portugal — Ricardo Campelo de Magalhães @ 12:27
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Infografia.

Em Barcelos, nem a freguesia central cumpre os critérios! Cliquem distrito a distrito e verifiquem quantas freguesias vão sofrer alterações.

Olavo Bilac pede Insolvência – Devia pensar que era funcionário público

Filed under: Cultura,Economia,Portugal — Ricardo Campelo de Magalhães @ 12:18
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Notícia.

Pois é. Os privados têm que aprender que, como não têm o dinheiro a entrar certinho como os públicos, têm de ser muito mais poupados do que aqueles, apesar de ganharem menos em média. E aprendem a bem, ou…

Leitura dominical

Filed under: Media — ruicarmo @ 11:47

Uma anedota chamada Otelo, de Alberto Gonçalves.

Antes de 1974, o capitão Otelo Saraiva de Carvalho serviu diligentemente a ditadura salazarista. Após o 25 de Abril, de que ele próprio foi operacional destacado, ajudou a impor uma ditadura comunista. Derrotada esta no 25 de Novembro de 1975, prosseguiu a defesa dos macaquinhos que lhe habitam o sótão quase sozinho e literalmente à bomba até ser preso. Hoje, seria de esperar que duas tiranias, um golpe de Estado e uma apreciável incursão pelo terrorismo, satisfizessem as ambições profissionais do major Otelo Saraiva de Carvalho, que aproveitaria o Outono da vida para contemplar o passado heróico e gozar de uma reforma pacífica. Evidentemente, não satisfazem.

Há homens que não sossegam enquanto um único dos seus semelhantes estiver privado de exercer o direito de voto. O tenente-coronel Otelo Saraiva de Carvalho não é desses. O que o aflige é justamente a possibilidade de os semelhantes escolherem os respectivos destinos em liberdade. Parafraseando As Vinhas da Ira, onde houver o vestígio de um sistema democrático, o coronel Otelo Saraiva de Carvalho lá irá tentar acabar com ele. Ou pelo menos fica no sofá de casa a pedir a outros que o façam.

A última do brigadeiro Otelo Saraiva de Carvalho é aquela espécie de entrevista na qual explica que “os militares têm a tendência para estabelecer um determinado limite à actuação da classe política”, que o poder político “está próximo de exceder os limites aceitáveis”, que, “ultrapassados os limites”, os militares devem “fazer uma operação militar e derrubar o Governo”, e que “bastam 800 homens”.

Em troca, alguém de bom senso deveria explicar ao general Otelo Saraiva de Carvalho que, grosso modo, a coisa funciona ao contrário. Os limites da política são decididos pela Constituição e pela lei. O poder militar está submetido ao político. O poder político, tontinho que seja, está submetido ao voto dos cidadãos e não aos apetites de 800 hipotéticos valentes. As sugestões em causa configuram o crime de incitação à violência. Etc.

Pensando melhor, não vale a pena. Há muito, provavelmente desde sempre, que o marechal Otelo Saraiva de Carvalho se encontra além da racionalidade, da imputabilidade e da paciência. Evangelizá-lo na exacta democracia que lhe permite ostentar os delírios seria tão inútil quanto pregar o feminismo aos aiatolas. Mais do que um déspota falhado e arcaico, o sr. Otelo é uma anedota, só perigosa na medida em que alguns ainda a ouvem sem se rir.

A impaciência dos alternadeiros democráticos

Filed under: Blogosfera,Política,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 10:09

Neste post dirigido ao Fernando Martins (à esquerda na imagem) refiro-me aos “parasitas da máquina do Estado”. Num lapso interpretativo que só Freud poderia explicar, o Carlos Botelho (à direita) conseguiu equivaler essa expressão a “funcionários públicos”. Convém esclarecer o dueto da imagem que parasitas da máquina do estado é um grupo em que se incluem todas as pessoas que alimentam e se alimentam do estado. Incluem-se aqueles que lutam por um estado grande, apenas para beneficiarem da sua dimensão, o que inclui não só funcionários públicos e nem todos os funcionários públicos. É aliás absurdo, num país em que o estado absorve metade da riqueza criada e cria quase o mesmo montante de emprego, acusar os funcionários públicos como um todo do que quer que seja. O tipo de perfil e a atitude perante o seu empregador é de tal maneira diferente que qualquer tipo de categorização ou atribuição de culpa colectiva faz pouco sentido.

Partindo de uma premissa errada, o resto de post é um conjunto de insultos, começando pelo habitual “fássista” que a esquerda utiliza sempre que lhes faltam os argumentos. Mas estes insultos são acima de tudo um bom sinal. São o sinal do desespero de um tipo específico de socialistas, os socialistas que se dizem de direita. São aqueles que falsificam a democracia ao se identificarem como oposição, mas que apenas esperam pela sua vez para aplicarem exactamente as mesma políticas e delas beneficiarem. São os(as) alternadeiros(as) democráticos(as). Quando surge uma real alternativa a políticas socialistas (embora de forma muito leve e mais por necessidade do que por ideologia), os alternadeiros democráticos enervam-se ao mínimo sinal de crítica. É bom sinal que estejam nervosos, é um indicador de que, embora num cenário mais dramático que o desejável, o seu final está próximo.

Um desenho sobre os 99%

Anarchy, por Frank Miller.

(…)The “Occupy” movement, whether displaying itself on Wall Street or in the streets of Oakland (which has, with unspeakable cowardice, embraced it) is anything but an exercise of our blessed First Amendment. “Occupy” is nothing but a pack of louts, thieves, and rapists, an unruly mob, fed by Woodstock-era nostalgia and putrid false righteousness. These clowns can do nothing but harm America. (…)

In the name of decency, go home to your parents, you losers. Go back to your mommas’ basements and play with your Lords Of Warcraft. (…)

brincar às avaliações

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 00:38

“Instalações do BPP no Porto à venda em leilão por preço base de 394.611 euros”, no Negócios.

Recorde-se que à data do aval público de 450 milhões de euros, concedido pelo Estado ao consórcio de bancos que permitiram ao BPP reembolsar uma meia dúzia de credores privilegiados, o património do BPP foi avaliado pelo Estado em 600 milhões…Ou seja, tomando como referência o preço base que 3ª feira se pedirá por um dos dois únicos palacetes do banco, este no Porto e um outro em Lisboa, estaríamos a falar de 1520 palacetes semelhantes. Mas que rica avaliação!

Novembro 12, 2011

sem critério

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 21:29

“(…) o argumento de que a redução de salários na administração pública é um mal menor quando comparado com a possibilidade de despedimento, ou a de que os vencimentos da função pública são, em média, superiores aos do sector privado – o que não é verdade (…)”, Manuela Ferreira Leite, no Expresso (página 3), numa artigo intitulado “Importância dos argumentos”. Destaque meu.

Considero extraordinário que a dita senhora, que em Portugal foi das primeiras pessoas a apadrinhar o termo “inverdade” – que na língua portuguesa não existe – incorra agora numa flagrante, porquanto factual, mentira. É que se há coisa acerca da qual não resta mesmo dúvida é que os salários no sector público, em média, são bem superiores àqueles praticados no privado (€1500 vs €850, segundo o BdP). Mas mesmo que se tratasse de um lapsus linguae, coisa habitual na Dra. Ferreira Leite, que nos quisesse levar para a comparação dos salários ajustados pelo nível de escolaridade e qualificação dos respectivos universos em análise, em que existe um prémio injustificado de 17% favorável ao público, gostava de acrescentar o seguinte: à medida que o universo amostral aumenta, a Estatística, nomeadamente o Teorema Central do Limite, diz-nos que a distribuição estatística em causa seguirá a distribuição normal na qual a média coincide com a moda e com a mediana…

nem quero imaginar o critério!

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 20:56

“Quando se fala em salários de luxo nas empresas públicas de transportes é sempre dado o exemplo do Metropolitano de Lisboa (…) Um dos casos mais notórios é o de seis secretárias de administração, que no final de 2009 auferiam remunerações totais anuais de €52 mil – embora duas secretárias ganhassem mais de €63 mil anuais.”, no Expresso (página 13)

qual é o critério?

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 20:40

“Quando se fala em salários de luxo nas empresas públicas de transportes é sempre dado o exemplo do Metropolitano de Lisboa (…) Comparativamente com outras empresas públicas de transportes, o Metropolitano praticava ordenados médios mensais de €3883 para os maquinistas, enquanto a média dos maquinistas da CP rondava os €2228.”, no Expresso (página 13).

Novembro 11, 2011

Quanto a ser uma óptima companhia para uma festa é que tenho as minhas dúvidas; os egos insuflados nem em festas são boa companhia

Filed under: Media,Política,Portugal — Maria João Marques @ 16:35

«Esta citação de Mário Soares é um retrato mais ou menos perfeito da táctica de Soares: ele que com a sua falta de preparação e sobretudo muita leviandade foi um dos responsáveis por aquilo que após o 25 de Abril sucedeu em Timor ( e também em Moçambique e Angola)  vem agora apresentar-se como um paladino da luta pelos direitos dos timorenses. Mas não só. Mário Soares continua a não perdoar a Cavaco que este seja PR e por isso quando diz que não quer citar nomes quer na verdade chegar a Cavaco. Mas agora com a arca de Pandora dos anos 70 aberta e com o fim do anátema do reaccionarismo que caía sobre todo aquele que questionasse a “descolonização exemplar” se se começam a citar nomes o de Soares virá inevitavelmente à baila. E não por boas razões. Em primeiro lugar porque teve nesse processo uma das mais medíocres prestações de um político português desde a fundação da nacionalidade – o que espanta não é o que Soares fez mas sim precisamente o que ele não foi capaz de fazer – e sobretudo porque o Soares “animal político” revela-se com uma animal tenaz na hora de se salvar a si mesmo e de uma irresponsabilidade total quando se trata dos outros. »

Helena Matos

Eu sei que Mário Soares é o portador do mandato celeste para muita gente por cá, mas é outro caso em que não entendo o interesse pelas palavras que profere. O senhor pode ter tido o seu papel há trintae tal  anos, mas desde que me recordo – e já me recordo de meados da década de oitenta – o senhor só teve prestações lastimáveis, cujo interesse último foram reforçar o seu ego e a sua vaidade. O que tem escrito e dito nos últimos anos é confrangedoramente medíocre. É deixar o senhor fazer figuras tristes só no seio da família, meus caros senhores dos media.

11/11

Filed under: Internacional — André Abrantes Amaral @ 15:34

Não consegui ‘postar’ às 11 horas. Mas fica a intenção.

Insulto da estação pública às vítimas das FP-25

Filed under: Media,Portugal — Maria João Marques @ 14:10

Está muita gente chocada com as declarações de Otelo Saraiva de Carvalho. Não entendo por que razão. De um indivíduo que colaborou no fim de uma ditadura não por amor à democracia ou à liberdade mas por apego à violência (que, como se verifica, não se esbateu com a idade) e a outro tipo de ditadura, e que depois disso liderou uma organização terrorista que matou gente inocente (incluindo um bebé), o que se pode esperar? De uma criatura deste calibre apelos ao ódio e à violência não chocam.

O que me choca é uma questão prévia às palavras desta pessoa. O que me choca é que esta criatura, apesar de indultada e amnistiada em decisões vergonhosas de Mário Soares e da esquerda parlamentar, haja sido promovida e aumentada pelos governos sócrates e ainda tenha meios de comunicação social que o entrevistam – o mesmo é dizer que têm curiosidade em conhecer (e pressupõem que o público a partilha) as opiniões de um membro de uma organização que matou gente inocente. Pior: foi a televisão pública, usando o dinheiro dos contribuintes, incluindo dos familiares dos que morreram, que entrevistou a criatura. O que, de resto, parece ser um hábito nas estações públicas. O que me choca, enfim, é vivermos numa sociedade que premeia e promove otelos, bem como os insultos repetidos e orgulhosos à memória das vítimas.

Correcção: a entrevista não foi feita inicialmente pela RTP mas pela Lusa. O que vai dar ao mesmo.

Linerdade de expressão e separação de poderes: a Unesco, o cartoon e o governo

Habituados que estão a lidar com os governos (!) e os media da Palestina, a UNESCO critica o governo de Israel por causa de um cartoon publicado no Haaretz.

Porreiro, pá

Filed under: Ambiente,Cultura,Economia,Energia,Política,Portugal — ruicarmo @ 13:52

O multiplicador socrático.

Companhias aéreas vão receber 23 milhões de euros até 2015

Integrado no programa iniciativa.pt, criado durante o Governo de José Sócrates, as companhias aéreas, nomeadamente as low-cost, vão receber um apoio de 23 milhões de euros.

Novembro 10, 2011

Fenómeno

Filed under: Ambiente,Cultura,Educação,Energia,Internacional,Justiça,Media — ruicarmo @ 21:03

Setenta e três anos depois da sua morte, continua a enviar pessoas para a prisão.

O serviço público em formato de pequeno léxico

Filed under: Ambiente,Blogosfera,Cultura,Internacional,Media — ruicarmo @ 16:25

Guide for the Perplexed (via Miguel Noronha). De A a Z.

Apartheid:  The political/social system of the one and only country in the Middle East that integrates Jews, Beduins, Arabs, whites, blacks, Muslems, Ethiopians, Russians, Christians, Greek Orthodox, Russian Orthodox, Bahai, et al. (…)

Arab Emir: Military dictator.

Arab King: Military dictator.

Arab President: Military dictator.

Arab Prime Minister: Military dictator.

Arab Spring: Replacement of one dictatorship with another, with the help of Western money and media cheerleading.

Arab Street: Enraged mobs chanting and screaming their hatred, determined to annihilate Israel and the Jews. They can often be seen burning American and Israeli flags, passing out candies and firing guns into the air in response to successful murders of Westerners (closely related to):

Arab Humiliation: The pervasive feeling on the Arab street generated by their failure to annihilate Israel and the Jews in several wars. Many opinion-makers, Middle East experts and op-ed writers argue that Arab humiliation is at the root of the Middle East conflict; i.e., “If only the Jews would let themselves be destroyed, the Arab street would feel better about themselves, and then there would be peace.”

 

Desmistificando os argumentos da esquerda

Filed under: Blogosfera,Política — Carlos Guimarães Pinto @ 10:26

Bem sei que é uma actividade cansativa e para a maior parte dos leitores dO Insurgente repetitiva, mas é relevante ir desmontando os argumentos falaciosos e inconsistências da esquerda em relação à crise da dívida soberana. Pego agora neste artigo do Sérgio Lavos, mas podia pegar em qualquer outro post do Arrastão nos últimos meses:

Não serão antes, lá como cá, os investimentos dos sucessivos governos (sobretudo a direita que esteve no poder antes de Papandreu) em material bélico em obras públicas desnecessárias, em projectos megalómanos alimentados pelo dinheiro dos créditos generosamente concedidos pela Goldman Sachs e outras instituições financeiras alemãs e francesas?

Suponho que por projectos megalómanos, o Sérgio Lavos se refira a todas aquelas obras que a esquerda tende a defender, como o novo aeroporto de Atenas. São as obras que criam empregos e de onde se origina, através do miraculoso multiplicador Keynesiano, o crescimento económico. Saúdo a mudança de opinião. Aguardo por consistência nos próximos posts.

O cidadão comum, mesmo o que se serve da falta de vigilância do Estado, pouco deve ter contribuídio para o crescimento da dívida.

Mais uma vez, errado. As despesas com segurança social, educação e saúde constituem 60% do orçamento de Estado Grego. Despesas com a defesa são apenas 7% (excluindo pagamento de juros; fonte).

Vejamos: 20% da população vive abaixo do limiar da pobreza

Ou, para ser mais exacto, 20% da população Grega declaram rendimentos que os colocam estatisticamente abaixo do limiar da pobreza.

Quanto mais pobre é um país mais economia paralela existe. Tão simples como isso.

Não, não é tão simples quanto isso. A relação não é directa. A dimensão da economia paralela depende de três factores principais: carga fiscal, a burocracia e o poder da regulação. Quanto maiores estes três factores mais pobre será a economia em termos reais (declarada mais paralela). A isto, acrescenta-se o facto de quando maior for a economia paralela, mais pobre o país parecerá estatisticamente.

Sobreviver, muitas vezes, implica passar a perna a um Estado que está mais preocupado em agradar aos “mercados” ou a não irritar o poder económico e, sobretudo, financeiro.

Interessante a primeira parte da frase, digna de um bom anarco-capitalista. Quanto à segunda parte, um estado que mantenha contas equilibradas não precisa dos mercados e do poder financeiro para nada. A necessidade de agradar aos mercados acontece porque o estado depende do dinheiro das poupanças dos investidores.

A riqueza da Alemanha depende tanto do rigor e da competitividade das suas empresas e trabalhadores como das exportações que fazem para países como a Grécia e Portugal

Não, não depende. Esta é uma das grande falácias do discurso da esquerda. Grécia, Portugal e Irlanda juntos representam 3% do total de exportações da Alemanha.

Áreas Monetárias Óptimas: Euro e Atlante

Filed under: Economia,Política Monetária,Portugal,Teoria,União Europeia — Ricardo Campelo de Magalhães @ 09:39
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Para quem estudou Áreas Monetárias Óptimas*, estes são tempos históricos.

Só hoje, o Negócios fala no Euro só para os ricos, nas discussões Franco-Alemãs para uma Zona Euro mais pequena, num Comissário Europeu a prometer “problemas” para Portugal se não cumprir as metas acordadas com Bruxelas e no desejo de Bruxelas de “inspeccionar as contas da CP, Parque Expo e ANAM.

Se querem perceber o assunto, Mundell explica. Leiam as condições para as OCAs:

The four often cited criteria for a successful currency union are:[5]

  • Labor mobility across the region. This includes physical ability to travel (visas, workers’ rights, etc.), lack of cultural barriers to free movement (such as different languages) and institutional arrangements (such as the ability to have superannuation transferred throughout the region) (Robert A. Mundell). In the case of the Eurozone, while capital is quite mobile, labour mobility is relatively low, especially when compared to the U.S. and Japan.
  • Openness with capital mobility and price and wage flexibility across the region. This is so that the market forces of supply and demandautomatically distribute money and goods to where they are needed. In practice this does not work perfectly as there is no true wage flexibility. (Ronald McKinnon). The Eurozone members trade heavily with each other (intra-European trade is greater than international trade), and most recent empirical analyses of the ‘euro effect’ suggest that the single currency has increased trade by 5 to 15 percent in the euro-zone when compared to trade between non-euro countries.[6]
  • A risk sharing system such as an automatic fiscal transfer mechanism to redistribute money to areas/sectors which have been adversely affected by the first two characteristics. This usually takes the form of taxation redistribution to less developed areas of a country/region. This policy, though theoretically accepted, is politically difficult to implement as the better-off regions rarely give up their revenue easily. Theoretically, Europe has a no-bailout clause in the Stability and Growth Pact, meaning that fiscal transfers are not allowed, but it is impossible to know what will happen in practice. Of course, during the 2010 European sovereign debt crisis, the no-bailout clause was de facto abandoned in April 2010.[7]
  • Participant countries have similar business cycles. When one country experiences a boom or recession, other countries in the union are likely to follow. This allows the shared central bank to promote growth in downturns and to contain inflation in booms. Should countries in a currency union have idiosyncratic business cycles, then optimal monetary policy may diverge and union participants may be made worse off under a joint central bank.
Agora pensem comigo: Quantas OCAs há na Europa?
Bem, na minha opinião, 2:
- A Zona Euro, com a Alemanha, Holanda, Luxemburgo, Áustria, Finlândia, Estónia, Dinamarca e talvez a Irlanda e a Suécia.
- Chamemos à 2ª a Zona Atlante: Portugal, Espanha, França, Bélgica, Itália, Malta, Grécia e talvez Eslováquia, Eslovénia e Chipre.
A 1ª zona beneficiaria de uma moeda forte, que permitiria à população pagar importações a preços baixos e fazer turismo a bons preços.
A 2ª zona beneficiaria de desvalorizações competitivas, permitindo à indústria sobreviver apesar dos hábitos da população.
As balanças comerciais estariam em equilíbrio, mas na 1ª isso seria feito sem esforço, enquanto que na 2ª o Banco Central de Roma (ou Paris…) estaria sempre a intervir. E claro que uma moeda estaria permanentemente a desvalorizar-se face à outra (o que deriva logicamente de tudo o que foi dito antes).
Obviamente o que os divide é uma questão cultural: empenho Vs facilitismo, fortaleza Vs fraqueza, objectividade Vs desculpabilização, meritocracia Vs desresponsabilização.
A moeda é um reflexo do povo. E os Portugueses pertencem ao 2º grupo: melhores amantes, mas fracos trabalhadores.
Ficam com uma imagem do Atlante.
* Esteve para ser a minha Tese de Mestrado, em vez de “Como Lucrar por Ser Liberal”

Falência da RTP

Filed under: Media,Portugal — BZ @ 03:21

A Rádio e Televisão de Portugal (RTP) é uma instituição sem valor! Considerem o que oferece aos consumidores, o respectivo custo para os contribuintes (no próximo ano, 591 milhões de euros) e as alternativas – exponencialmente mais baratas – disponíveis no mercado.

Fala-se agora da privatização de um dos canais mas nenhum empresário pagaria, no seu perfeito juízo, sequer 1 euro por aquela estrutura (des)organizacional. Apenas as licenças de emissão têm valor.

A insolvência da RTP é, portanto, a única verdadeira solução para acabar com este sorvedouro das finanças públicas. E os custos desta operação? Façamos uns simples cálculos com base no artigo do Correio da Manhã e no Relatório e Contas de 2010 (pdf).

  • Indemnização compensatória para próximo ano: 91,6 milhões de euros.
  • Contribuição audiovisual (incluída na factura da electricidade): 155 milhões de euros.
  • Empregados: 2.412 (dos quais 2.241 com contrato de trabalho sem termo).
  • Gastos totais com remunerações: 78,3 milhões de euros (salário médio mensal = 2.318,86 euros).

Assumindo que, em média, cada empregado já trabalha na RTP há 20 anos e que, em caso de insolvência, receberia indemnização de 2 meses por cada ano de trabalho (mínimo exigido por lei é 1 mês), o custo total para os contribuintes seria de 223,7 milhões de euros. Ora o custo com a indemnização compensatória e contribuição audiovisual será de 246,1 milhões de euros. Isto só no próximo ano.

Claro que os contribuintes ainda teriam de, por mais uns anos, continuar a pagar a dívida da RTP, à qual o Estado deu o seu aval. Mesmo assim, a poupança futura é evidente!

Muitos acusariam o Governo de enviar para o desemprego mais de 2 mil trabalhadores. Esquecendo por momentos que, no cenário acima, cada trabalhador receberia, em média, 92.755 euros de indemnização, uma parte seria contratada pelas empresas privadas que comprassem as licenças de emissão da RTP. Os restantes teriam infelizmente de procurar novas profissões, dado que o mercado estaria a assinalar que, afinal, na actual função, não acrescentam qualquer valor.

Porém, o ponto importante para defensores da manutenção da RTP é a perda do “serviço público”, um conceito de muito difusa definição. Concordo, por exemplo, com o Carlos Guimarães Pinto quando disse que a TVTuga tem, por uma ínfima parte do custo, um papel muito mais importante na divulgação da língua portuguesa do que a RTP internacional”. Este é um tema que merece post próprio, mas por que raio deve a escolha de alguns “intelectuais” sobrepor-se às escolhas de cada um de nós? Porque são eles mais merecedores de segurar o meu “controlo remoto”?

Chegamos finalmente à questão levantada pelos privados que já actuam no mercado (SIC e TVI): não há suficientes receitas publicitárias para o mercado incluir novos concorrentes. E nós com isso? Cabe a quem quiser entrar no mercado fazer os necessários cálculos financeiros sobre a viabilidade dos seus projectos. Também, a SIC e/ou TVI só perderá receita se a nova concorrência fornecer aos telespectadores melhor programação! Ou seja, o que seria, sob qualquer perspectiva, bom para milhões de consumidores não é aceitável para alguns barões dos media. Pois…

Novembro 9, 2011

Ainda sobre a blogosfera de esquerda (2)

Filed under: Blogosfera,Política Fiscal — Carlos Guimarães Pinto @ 13:05

Os estados não são empresas, informa o renascido blogger do Cachimbo, Fernando Martins. Ainda que para os social-democratas isto possa parecer estranho, há muito que os liberais (mesmo este seu alienado) sabem disso. As empresas, ao contrário do estado, obtêm as suas receitas graças a trocas voluntárias e não recorrendo à coerção (excepto aquelas, claro está, que obtêm as suas receitas recorrendo aos favores do Estado). As empresas, ao contrário do estado, não podem passar anos a fio a prestar mau serviço e mesmo assim cobrar por ele. As empresas que são mal geridas, e não são protegidas pelo estado, vão à falência e substituidas por novas empresas que sejam melhor geridas. Ao contrário do Estado, as empresas que só existam para servir os seus funcionários, desaparecem rapidamente. Mas, por muito que esses funcionários gritem e esperneiem, há um limite para a escravidão. A fuga recente de jovens quadros é um bom indicador disso. Este governo parece já ter entendido que esse limite foi ultrapassado. Seriam bom que os parasitas da máquina do estado também o entendessem, a começar pelos mais bem informados.

pela democracia pura

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 11:26

“(…) Mr. Papandreou may have messed up his tactics, but he was right on one point. The changes needed to save the euro are so profound in nature that, sooner or later, they must have the explicit consent of the people – or they will fail.”, na Economist desta semana (coluna “Charlesmagne”, página 43).

Ontem à noite, participei num jantar debate promovido pela Associação Portuguesa de Gestão e Engenharia Industrial (APGEI), no qual o orador convidado foi Alexandre Soares dos Santos, presidente da multinacional Jerónimo Martins e mentor da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Ora, tendo passado o jantar a conversar com o vizinho do lado acerca das vantagens de uma Democracia de cariz deliberativo, ou Directa, apontando nomeadamente as virtudes do modelo suíço por oposição às inúmeras fraquezas da democracia representativa em Portugal, não pude deixar de saudar que boa parte da intervenção do orador convidado tivesse sido acerca desse mesmo tema.

Enfim, eu confesso: tenho uma profunda admiração pelo senhor Soares dos Santos, em particular pelo trabalho que a sua Fundação, superiormente dirigida por António Barreto, tem feito no nosso País. A base de dados Pordata e, sobretudo, os seus Ensaios são o resultado de uma participação cívica pela qual a Fundação Francisco Manuel dos Santos, como ontem tive oportunidade de transmitir ao seu fundador, será reconhecida como referência marcante, um dia que se escreva a História de Portugal do início do século XXI. Só posso, por isso, felicitar e encorajar os seus responsáveis.

Mas regressando à palestra de Soares dos Santos, esta versou essencialmente o estado da Democracia em Portugal, bem como as formas de, em conjunto, os cidadãos a tornarem melhor. Assim, Soares dos Santos mencionou que o Parlamento, o Governo e o Eleitorado têm de ser responsáveis. Ora, a isso, acrescento eu, soma-se a necessidade de serem também responsabilizados; os políticos pela sua acção governativa e os cidadãos pelas suas escolhas políticas. E nesse contexto depreendi das palavras do orador que, tal como hoje nas empresas se incentivam iniciativas “bottom-up” a fim de influenciar, melhorar e, no bom sentido, condicionar a gestão de topo, também na política se seguirá essa mesma avenida. Ou, nas palavras do orador, que cito de memória, “a existência de uma democracia representativa não nos deve isentar de formas de participação democrática de natureza deliberativa ou directa”.

Ora, eu não escondo: há algum tempo que deixei de acreditar na democracia representativa. Na minha opinião, representa, numa sociedade abúlica como a portuguesa, o caminho da desresponsabilização e, naturalmente, das más decisões políticas. Em Portugal, tem fomentado a falta de estímulo intelectual e, acima de tudo, tem fomentado a falta de interesse dos cidadãos pelo rumo do seu país. E infelizmente abriu as portas à captura do regime pelos agentes políticos que, na minha opinião, de representantes pouco têm. É, por isso, que esta mesma classe política, que nos empurrou para este estado de coisas, está agora de consciência pesada, por um lado, continuando a prometer o impossível, por outro lado, não querendo abrir mão de instrumentos democráticos, como os referendos, que permitissem à população repor a democracia na trajectória para a qual esta foi projectada há séculos – pelos gregos! –, isto é, ao serviço e no interesse da população.

Concluindo, como ainda ontem comentava, no tal jantar debate, considero que a bancarrota actual de Portugal é consequência directa da ruína institucional da democracia portuguesa (como também é na Grécia e na Itália). Mas contrariamente àqueles democratas que alegam que o povo não tem discernimento para votar certos assuntos, eu sou da opinião que nisto da democracia não há meio-termo: ou se respeita a vontade popular, democraticamente, ou não, entrando-se numa deriva autocrática sob a capa de uma outra coisa qualquer. Assim, o importante é dotar o eleitorado de informação. E, sobretudo, habituar o eleitorado à participação regular e à decisão, através de rotinas democráticas, nomeadamente de referendos como na Suíça, medindo acções e consequências. Numa só palavra, responsabilizando-se. Existindo informação e, mais importante ainda, existindo verdadeiras rotinas participativas, estou convicto de que, por maior ou menor instrução formal que a população pudesse ter, a maioria decidiria com sensatez. E, certamente, decidiria pela sua própria cabeça.

Ainda sobre a blogosfera de esquerda

Filed under: Blogosfera,Política Fiscal,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 07:42

É interessante ir relembrando de vez em quando o que a esquerda foi dizendo sobre a crise da dívida soberana. Muitos ainda se lembrarão da petição pela despesa pública, quando a Grécia começou a apresentar dificuldades. Por essa altura, o argumento mais comum era que tudo não passava de um ataque especulativo e que a Grécia tinha perfeita capacidade de cumprir as suas obrigações. Depois de este se provar errado, um outro argumento, que circulava ainda há poucos meses, era o facto de os bancos andarem a fazer dinheiro com a crise obtendo financiamento do BCE a taxas muito baixas para depois emprestarem aos estados a taxas mais elevadas. Uns comentadores mais informados e economicamente letrados lá respondiam na altura que os prazos dos empréstimos e os riscos eram diferentes. Com o default selectivo da Grécia e o mais que provável default português, esse é mais um argumento que cai por terra. Perdidas as demagogias passadas, agora há uma nova: o de que o problema português é o da dívida privada, não a pública. Não se entende como é que sendo o problema a dívida privada, seja o estado quem mais tem dificuldades em se financiar. Mais ainda, que seja o estado a recorrer aos rendimentos dos privados para cobrir as suas dívidas. Afinal, se o problema é a dívida privada porque é que muitos privados conseguem financiar a compra de carro a uma taxa de juro mais baixa do que o estado português consegue financiar as suas despesas correntes? Mas para quem este simples exemplo não basta, parece-me que infelizmente em breve teremos uma demonstração mais desastrosa. Isto acontecerá quando milhares de privados virem as suas poupanças evaporarem dos bancos, seja por simples incapacidade de os bancos corresponderem aos depósitos, seja por desvalorização cambial. Na Grécia já se preparam para esse cenário.

Entretanto, na La-La-Land da extrema esquerda consegue-se escrever um texto em que se sublinha a evidência de Portugal ter que renegociar a sua dívida e ao mesmo tempo se defende a sustentabilidade do Estado Social. De desculpa em desculpa, de falácia em falácia, até ao desastre final.

Não é trauma, é só de esquerda (ou assim espero)

Filed under: Blogosfera — Carlos Guimarães Pinto @ 07:36

São duas as categorias de potenciais origens de uma obsessão com determinada nação. Podem ser traumatizantes de carácter pessoal (um caso amoroso não correspondido ou um tio emigrado num desses países que lhe entrava no quarto a meio da noite) ou mais genérico (pura inveja dos feitos dos seus indivíduos, como a que alimentou o anti-americanismo nos anos 90 que culminou no 11 de Setembro).

Não sei o que move o Carlos Botelho, mas, sendo a sua específica aversão contra a Alemanha, é provável que seja o segundo motivo . É muito mais fácil criticar de forma permanente e irracional um país como a Alemanha e os seus nacionais (até certo ponto), sem que ninguém questione se não haverá um trauma mais pessoal. Mesmo que alguém o faça, provavelmente não encontrará nada. Decompondo bem os seus últimos ataques de Germanofobia, num caso poderá dizer-se que meramente copia o argumentário rasca da extrema esquerda e no outro está só a ser corporativista. Ainda que seja das piores e mais mesquinhas que a nossa espécie tem para oferecer, são tudo reacções muito humanas e sem espaço para especulações em relação a experiências traumatizantes. Melhor assim.

Sobre os 99%

Um excelente artigo de Melanie Phillips, The sanctification of public nuisance.

Novembro 8, 2011

No outro lado do Atlântico

Aos leitores que nos seguem do Brasil, amanhã pelas 16 horas realiza-se na Universidade do Estado do Rio de Janeiro,  o Seminário do Mestrado em Ciências Económicas. André Azevedo Alves irá abordar o tema “A crise europeia na perspectiva da Escola Austríaca de Economia”. Tirem o melhor partido.

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