Sondagem Magellan Strategies:
Mitt Romney: 29%
Newt Gingrich: 27%
Ron Paul: 16%
Herman Cain: 10%
John Huntsman: 8%
Sondagem Magellan Strategies:
Mitt Romney: 29%
Newt Gingrich: 27%
Ron Paul: 16%
Herman Cain: 10%
John Huntsman: 8%
Does socialism work? A classroom experiment, por Daniel J. Mitchell.
(…)
There are five morals to this story:
1. You cannot legislate the poor into prosperity by legislating the wealthy out of prosperity.
2. What one person receives without working for, another person must work for without receiving.
3. The government cannot give to anybody anything that the government does not first take from somebody else.
4. You cannot multiply wealth by dividing it.
5. When half of the people get the idea that they do not have to work because the other half is going to take care of them, and when the other half gets the idea that it does no good to work because somebody else is going to get what they work for, that is the beginning of the end of any nation.
“(…) The political parties are opting for a technocratic government because they dare not instigate the reforms they know are required. They want to rule, but not govern — and a technocratic interlude allows them to do that. Cowardice? Yes. An indictment of Italy’s politics. Yes. Undemocratic? No. What of elections? Right now in Italy, nobody seems to want elections; neither the PDL nor the DP, nor the President and the new PM. If more than 80 per cent of the legislature do not want elections and chose to install a technocratic government, how is that undemocratic? Finally, most Italians I’ve spoken with — including officials, politicians, businesspeople, journalists and analysts — seem happy to see the end of bunga bunga politics and want to be saved, not go to the polls. They may change their minds as the Monti government begins its reforms. The political parties may yank their support. Eventually, elections will happen. But, for now, the majority seem to accept the course followed as necessary and democratic. So should outsiders.”, na Spectator online.
Ao ler o artigo da Spectator, intitulado “In defense of technocrats”, ocorreu-me o seguinte: se a maioria no Parlamento não quer eleições nem quer a condução efectiva das reformas exigidas, então, por que razão deveremos supor que as eleições em Itália serão convocadas para breve?! Em Itália como na Grécia. Ou seja, estou com muita curiosidade para ver se a Grécia vai mesmo a votos em Fevereiro e se a Itália fará o mesmo na Primavera conforme previsto…começo a suspeitar que não. O que confirmaria a minha tese de que, nestes países, a democracia tem vindo a ser suspensa pelo principal órgão democraticamente eleito: o Parlamento! Por que será?
Maioria alarga crime de enriquecimento ilícito a todos os cidadãos:
«Inicialmente, PSD e CDS apresentaram um projecto que só visava os titulares de cargos políticos e altos cargos públicos, mas os comunistas insistiram que este crime deveria ser alargado a todos os cidadãos. A maioria cedeu após os projectos terem sido discutidos na especialidade. Na proposta final, apresentada em conjunto pelo PSD/CDS, cabe ao Ministério Público provar que o aumento “significativo do património ou das despesas realizadas” por um cidadão é desproporcionado relativamente aos rendimentos legítimos – como sejam os rendimentos declarados em IRS e que constam na declaração do Tribunal de Constitucional, além de doações, rendas e juros, realização de mais-valias e dinheiro ganho em jogos de fortuna e azar. Se o cidadão não refutar a acusação, dá-se por provado o crime de enriquecimento ilícito. O crime será punido com uma pena de prisão até cinco anos e o património ilícito ficará na posse do Estado.»
E assim se converte um questionável instrumento de combate à corrupção de titulares de cargos públicos numa inaceitável ferramenta de perseguição fiscal e expropriação. Os idiotas bem intencionados (ou não) que aprovam estes abortos legislativos nem sequer têm noção da caixa de Pandora que estão a abrir (ou talvez tenham). Junte-se esta possibilidade de ameaça de prisão e confisco com outras medidas geniais como a obrigatoriedade de declaração de presentes em dinheiro superiores a 500 euros, mesmo entre familiares, passível de contra-ordenação com coima de 200 euros (ou mesmo 250, não tenho a certeza), por cada instância, bem como levantamento automático de sigilo bancário para quem reclamar de uma decisão do fisco, e vê-se bem o leque de poderes arbitrários que permitem ao estado (neste caso na figura de inspectores das finanças ou de magistrados do Ministério Público) transtornar durante anos a vida de qualquer cidadão (mesmo que depois de anos de calvário os tribunais acabem por lhe dar razão).
Podem dizer os anjinhos: «Ah e tal, não é esse o espírito da lei. Nenhum agente do estado usará esses poderes contra pessoas de bem, só contra prevaricadores, etc.»
Ah sim? Esperem para ver. Num país onde os tribunais funcionam tão bem e há a tradição de acusar pessoas de múltiplos crimes para ver se pelo menos um deles cola, vamos ver se este poder arbitrário adicional não se vai tornar numa alavanca negocial do estado em processos fiscais ordinários.
A Poupança em Portugal. Por Fernando Alexandre, Luís Aguiar-Conraria, Pedro Bação e Miguel Portela.
A forte e contínua redução da taxa de poupança da economia portuguesa nas últimas décadas foi, até à crise financeira internacional, um facto largamente ignorado por especialistas e decisores de política. Esta diminuição acentuada da taxa de poupança teve como reflexo o aumento exponencial do défice e da dívida externas, o que deveria ter feito soar os sinais de alarme. No entanto, apesar de estarem ainda bem presentes as duas intervenções do Fundo Monetário Internacional nas décadas de 1970 e 1980, em resultado de crises de pagamentos, instalou-se na sociedade portuguesa, depois da adesão ao euro, o sentimento de que desta vez seria diferente.
A queda da taxa de poupança contribuiu para os desequilíbrios económicos que se avolumaram nos últimos anos e que resultaram na crise da dívida soberana. De facto, em geral, os países com crises da dívida soberana partilharam tendências decrescentes da taxa de poupança. A saída da crise da dívida soberana, que limitou as possibilidades de financiamento externo da economia portuguesa, ameaçando estrangulá-la, terá de passar pela recuperação da importância da poupança no discurso e na prática dos portugueses.
O Paradoxo dos Indignados. Por Samuel de Paiva Pires.
A solução dos indignados para um problema que é reflexo da expansão do aparelho estatal é mais estado, o que é perfeitamente ilógico: é o paradoxo dos indignados.
(…)
Torna-se, por tudo isto, perigoso que no debate público as ideias erradas dos indignados, subscritas por muitos intelectuais, criem raízes duradouras. Indignações fundamentadas em ideias erradas reflectem-se em soluções erradas, apenas agravando o problema. E é por isso que intelectuais, académicos e políticos com especial responsabilidade na criação e difusão de ideias devem esforçar-se para que o debate público não se torne, como em outras épocas, propício a que ideias potencialmente totalitárias se tornem dominantes.
Sondagem Bloomberg News:
Mitt Romney: 40%
Ron Paul: 17%
Newt Gingrich: 11%
Herman Cain: 8%
John Huntsman: 7%
The ECB cannot hold back the tide of euro credit and banknotes. Por G. R. Steele.
Full eurosystem claims combine clearing balances and the net flow of euro banknotes between NCBs. In June 2011, those aggregated totals saw Germany (€174bn) and France (€56bn) as the biggest providers, with Ireland (€144bn), Greece (€112bn) Spain (€25bn) and Portugal (€38bn) the largest debtors.
As a proportion of GDP, the value of banknotes issued in the eurozone (9.0%) exceeds that of the USA (6.7%) and the UK (3.7%); and the high proportion of high values – 57% are €100, €200 and €500 notes – suggests uses beyond that of an ordinary medium of exchange. Also surprising is that Luxembourg’s banknote issue (98% in high denominations) was 8% of the eurozone total.
(…)
The tight financial integration of the eurozone, together with the essentially political decision to cement all domestic claims into a foreign currency (the euro) was deliberate: thereafter no sovereign could expect to regain independence. A razor-wire fence was erected to prevent members from leaving the enclosure. Now that some inmates are proving excessively troublesome, that same razor wire is a formidable barrier to getting them out.
“Carta aberta ao Bastonário da Ordem dos Médicos”, por Johnny.
E, já agora, já que regresso a este assunto, pergunto: a classe médica revê-se neste Bastonário?
Michael Seufert – Intervenção no debate do Orçamento de Estado – Juventude – 15.11.2011
Na passada sexta-feira acordei numa Paris calma e silenciosa. A república descansava, em homenagem ao armistício de Compiègne: 11 de Novembro de 1918, o dia da paz, ou o dia que marca o principio da pausa entre os dois capítulos de uma Grande Guerra, ou o dia da humilhação germânica. É como preferirem. A data pode assinalar também o início de um século XX que ainda não percebemos se termina agora ou se está prestes a repetir-se. Quase cem anos depois, a notícia do momento, desse 11 de Novembro de 2011, era a iminente demissão de Berlusconi e a substituição do seu governo por uma trupe da confiança do Império. Primeiro a Grécia, agora a Itália. Adiante. Despachados o jornal, o café e o croissant, desci para o 2er Arr. e para as Grands Boulevards.
Cercado por um frio implacável e, paradoxalmente, acolhedor, atravessei a Poissoniére e segui pela rua de Montmartre no sentido do Sena. Passei pelo famoso número 146, onde uma placa de mármore com letras douradas nos avisa: ici le 31 Juillet 1914 Jean Jaurés fut assassiné. Jaurés, socialista, foi assassinado pelo nacionalista Raoul Villain, o qual foi morto pelos republicanos espanhóis em 1936. A intolerância europeia resumida em tragédias individuais.
Continuei até Les Halles, e aí virei para o Marais. Atravessei o bairro, descansei na tranquilidade e nos bancos do pátio da Bibliothèque Historique de la Ville de Paris (os livros parecem afugentar as multidões), continuei até à Praça da Bastilha e desci a Bvd. Henri IV. Cruzei as ilhas e cheguei finalmente ao meu destino: a Igreja de St. Julián, o Pobre, assentada, discreta e solidamente, na praça René Viviani.
No dia em que também a Espanha teve de pagar juros de 7% a 10 anos, deixo-vos este video, com mais de um ano, mas que continua actual. O problema não são os mercados nem os tecnocratas; o problema está mesmo na política…e nos burocratas.
Síria: Se a Rússia diz, não se duvide. E Irmandade Muçulmana convida Turquia a intervir.
Bahrain: E o expansionismo iraniano.
Líbano: A Suíça do Médio Oriente tem uma forma peculiar de expressar mensagens políticas claras. O estado da arte da política local.
Kuwait: Indignados contra parlamento e primeiro-ministro.
Num primeiro momento, achei estranho que Vladimir Putin tivesse recebido um prémio de engenharia civil, relacionado com terraplenagem. Depois, percebi que se trata de um prémio chinês para as áreas da política internacional e do direito à paz.
Por esta altura muitos dos leitores já conhecem o caso da grave doença do filho do futebolista Carlos Martins, que sofre de aplasia medular e necessita urgentemente de um transplante de medula óssea. Os pais do Gustavo já criaram uma página no Facebook para mobilizar e organizar os dadores interessados (em apenas um dia já tem mais de metade dos fãs da página da Associação Portuguesa Contra a Leucemia).
A mediatização deste caso ajudará, certamente, a aumentar o número de dadores de medula óssea. E não se trata apenas de beneficiar o filho de Carlos Martins. Muitos outros doentes podem ser salvos através desta campanha. Mas é suficiente? Será que os já mais de 75 mil “apoiantes” na página do Facebook são (ou vão passar a ser) dadores? Clicar num botão “gosto”/”like” é fácil. Infelizmente duvido que, para muitos, a solidariedade na rede social passe à verdadeira acção.
Este é, também, um problema económico (não confundam com “financeiro”). Ou seja, qualquer indivíduo age apenas quando espera obter lucro. Mesmo que esse lucro seja exclusivamente “psicológico”, o que acontece em acções de voluntariado ou de consumo (exemplo: não se espera obter da compra de um bilhete de cinema lucro financeiro mas, sim, lucro psicológico = económico). Acontece é que este “lucro” varia entre cada indivíduo.
Julgo que, para muitos, o benefício em ajudar alguém desconhecido com a doação de medula óssea é inferior aos custos inerentes (como custos de deslocação, perda de tempo livre ou de trabalho, lutar contra aversão a agulhas, etc). Por outras palavras, não esperam “lucrar” com esta acção e, consequentemente, nunca vão doar. No caso do filho de Carlos Martins a ligação emocional poderá ser maior (logo, maior será o benefício psicológico obtido) mas, mesmo assim, não é suficiente para alguns levantarem o rabo da frente da televisão ou computador. A solução passa, portanto, pelo mercado!
Para se aumentar os benefícios de uma doação é, então, necessário que exista compensação monetária complementar (simbólica, ou não, os “preços” de mercado decidiriam). Para Carlos Martins é relativamente mais fácil pagar por um considerável incentivo financeiro. Mas podem existir soluções alternativas para os mais pobres: uma Fundação que distribuiria anualmente, pelos dadores de medula, os donativos angariados junto de todos nós.
Nota: independentemente da vossa opinião sobre o post acima, faço aqui apelo à doação de medula óssea. Mais informações no site da Associação Portuguesa Contra a Leucemia.
PS: Hoje é dia do terceiro aniversário de Gustavo Martins. E até já sabem qual seria o melhor presente
Enquanto por cá o negócio relativo à venda do BPN parece ter empancado, no Reino Unido foi hoje anunciada a venda do Northern Rock à Virgin de Richard Branson por cerca de 750 milhões de libras, sensivelmente metade do custo associado à nacionalização. Infelizmente, para os contribuintes britânicos, a perda no Northern Rock poderá ser muito maior, pois na sequência da reestruturação do banco nacionalizado foi criado um “bad bank” para onde transitaram os activos tóxicos e que, por sua vez, deve ao Tesouro britânico mais de vinte mil milhões de libras. E se acrescentarmos a estes valores, os mais de sessenta mil milhões que o Reino Unido meteu no RBOS e no Lloyd’s, chegaremos à bonita quantia de 85 mil milhões. Ou seja, quase 6% do PIB britânico, equivalente aos cerca de 6% do PIB português que o BPN/BPP e as necessidades de recapitalização dos outros bancos nacionais vão exigir aos contribuintes portugueses. O problema é que, agora com bancos americanos ao barulho, isto ainda pode ficar pior…
O progresso segundo o presidente da Bolívia é consubstanciado no herói, na moça que se deixou engravidar, no soldado e no sacrossanto quartel.
Ontem à tarde, em Madrid, os espanhóis que passavam pelo CaixaForum contemplavam o magnífico La Grèce sur les Ruines de Missolonghi, de Eugène Delacroix, aparentemente alheados da sua própria derrocada. As eleições do próximo domingo chegam demasiado tarde. E o projecto totalitarista da União Europeia, que já saiu da toca, pouco se importa com estes trâmites das suas províncias.
Eugène Delacroix, La Grèce sur les Ruines de Missolonghi, 1826
“O grupo de trabalho para o serviço público de televisão nasceu torto e está a morrer sem glória (…) a declaração de ontem do seu presidente, João Duque, no “Fórum TSF”, é não só um monumento ao nonsense jornalístico, como uma deliciosa contradição com o documento que, enquanto presidente, assinou. O que disse ontem João Duque? Basicamente, que a informação da RTP-Internacional deveria ser editada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros “a bem da nação”. Quando o pivot lhe pergunta se afinal a informação continuaria informação ou passaria a propaganda, Duque não tem dúvidas. A ideia é ser mesmo propaganda. Para Duque, “seja qual for o governo e a sua orientação, ele tem o direito de fazer a sua diplomacia” porque “foi sufragado em votos”. Pelos vistos, a informação, as suas regras e deontologia são um mundo estranho ao mesmo Duque que ataca violentamente a suposta “governamentalização” da RTP e da RDP nacionais. Afinal, para consumo externo, “se o governo quiser manipular mais ou manipular menos, opinar, modificar, é da sua inteira responsabilidade”. “Estamos convencidos que o faz a bem da nação porque foi sufragado para isso.” O delírio do economista João Duque foi tão grande que conseguiu a proeza de defender precisamente o contrário do que escreveu (?) no papel”, Ana Sá Lopes no jornal i (“A bem da nação, esqueça o papel”). Destaques meus.
Infelizmente, muito bem apanhado. Mas, vá lá, escreve a jornalista e (também) muito bem, “como todos os membros trabalharam pro bono, ninguém se pode queixar de despesismo do Estado. Ao menos isso.”
Mais de 90% dos membros dos Partidos Portugueses dedicam-se à Política Autárquica. Assim, o Documento Verde assume-se como a peça mais importante da actual reforma em Portugal e, consequentemente, como um importante tópico para este blog.
Segundo o Governo, os Princípios orientadores da reforma da administração local autárquica são: a) Maior proximidade e descentralização administrativa; b) Reforço do municipalismo e da intervenção das freguesias como estratégia de desenvolvimento; c) Eficiência na gestão e afectação dos recursos públicos, potenciando economias de escala; d) Reforço de sustentabilidade da estrutura autárquica, numa perspectiva de dimensão e de escala; e) Valorização da prestação de serviço público; f) Especial consideração pelas especificidades locais; g) Reforço da coesão e competitividade territorial.Esta reforma está assente em 4 Pilares. A saber:
(mais…)
Esta proposta teria a vantagem de colocar nas mãos de cada um, e não dos políticos, a escolha dos feriados. A diversidade de opiniões estaria defendida e muito provavelmente, a maior parte dos serviços acabariam por estar disponíveis em quase todos os dias actualmente feriados (a minha aposta seria que não funcionariam apenas no dia de Natal, Ano Novo, Sexta Feira Santa e Dia de todos os Santos). Seria, portanto garantida a liberdade de escolha (necessariamente individual) e eficiência.
Lew Rockwell a criticar a Administração Obama, o Governo e o Cartel Bancário Americanos.
Há muito que deixei de assistir ao “Prós e Contras”. Na minha opinião, trata-se, infelizmente, de um programa que, com tantos recursos à sua disposição, tinha obrigação de fazer bem melhor (como, por exemplo, o Sociedade Civil da RTP2 faz e com bem menos recursos). Mas, ontem, chamaram-me a atenção para o debate desta 2ª feira (14/11), acerca da prescrição de medicamentos, por isso, fui ao site da RTP e lá me entretive a rever o programa. Lamentavelmente, a emissão foi reveladora da pobreza do debate intelectualizado no nosso País. Pior ainda, foi revelador de uma certa impossibilidade de conduzir um debate sério e credível.
Antes de mais, o que é que, em meu entender, reflecte um debate intelectualizado? Primeiro, uma discussão factual ou científica. Segundo, uma discussão em perspectiva e prospectiva. Terceiro, uma discussão independente de eventuais interesses. Assim, começando pelo fim, o que se viu no “Prós e Contras” desta semana foi uma disputa corporativa entre a Ordem dos Médicos e a Ordem dos Farmacêuticos, motivada por interesses exclusivamente económicos. O doente – ou o leigo, como os manuais de Medicina continuam a rotular os que não são médicos –, esse, pobre coitado, levou uma cotovelada e está fora do jogo. Ora, no dito programa estiveram em discussão três conceitos: a prescrição de medicamentos por princípio activo (por DCI); a bioequivalência entre medicamentos de marca e genéricos e entre genéricos bioequivalentes ao mesmo medicamento de marca e; a biodisponibilidade desses genéricos. Deste modo, segundo entendi, em Portugal os alunos de Medicina aprendem a prescrever por DCI, que é a prática corrente em toda a Europa, mas depois, na prática, além da prescrição do princípio activo prescrevem também a marca que pretendem ministrar ao leigo, perdão, ao doente. Agora, o que a nova lei, cuja entrada em vigor está prevista para Janeiro, quer é introduzir a possibilidade de o farmacêutico dar a escolher ao doente entre vários medicamentos e genéricos que partilhem o mesmo princípio activo e que sejam bioequivalentes entre si, a fim de que as pessoas possam optar pela alternativa mais económica entre as alternativas clinicamente testadas e válidas. É aqui que começa a guerra corporativa…
No programa, o Bastonário da Ordem dos Médicos apresentou um gráfico (esqueceu-se, no entanto, de indicar a fonte…) a partir do qual concluiu o seguinte: sendo dois genéricos bioequivalentes ao mesmo medicamento de marca, esses dois genéricos não são necessariamente bioequivalentes entre si. Ora, esta alegação foi de imediato refutada, aliás, cientificamente refutada, pelo Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, pelo Presidente do Infarmed (entidade reguladora dos medicamentos) e pelo Director de Farmácia da Universidade de Lisboa (especialista do Infarmed e, sublinhe-se, co-autor das “guidelines” europeias). Desta refutação colectiva resultou um novo facto: o Bastonário da Ordem dos Médicos, exibindo “outliers” cuja probabilidade de ocorrência é tão improvável quanto a queda de um avião, lançou para o debate uma mera atoarda. Uma fantasia, própria de quem nunca conduziu um ensaio clínico – sentenciou o Prof. José Morais. Enfim, que o senhor Bastonário da Ordem dos Médicos entenda que é ao Estado que cabe o financiamento da formação pós-graduada da classe médica e que, na ausência do Estado, esse lugar seja preenchido pela indústria farmacêutica, eu entendo. Mas já não entendo nem aceito que queira fazer dos leigos estúpidos. Mais, quanto à alegada falta de qualidade dos genéricos, aqueles mesmos peritos explicaram também, em detalhe, o processo de certificação e licenciamento dos medicamentos, ao nível nacional e ao nível europeu, sem o qual nem medicamentos de marca nem, sublinhe-se, os genéricos são admitidos ao mercado. Eu, pela minha parte, fiquei (bem) esclarecido.
Na realidade, vi da parte dos farmacêuticos, não obstante as suas motivações económicas (é evidente que desejam estar mais próximos da indústria…), uma maior predisposição ao método científico, tal como o observei nos reguladores. Nesse sentido, apreciei a clareza e o rigor académico revelado na utilização dos conceitos químicos e, sobretudo, dos conceitos probabilísticos – nota: todos os portugueses deveriam aprender na escola secundária a saber o que é um intervalo de confiança – sem os quais estes debates não são possíveis nem inteligíveis. É evidente que falamos de pessoas e não apenas de números, mas um determinado medicamento ou genérico não deve ser questionado sumariamente só porque em cada mil pessoas que o tomaram houve uma que se sentiu indisposta – a tal evidência anedótica a partir da qual nada se pode concluir porquanto estatisticamente não significativo. Ou seja, a biodisponibilidade de um medicamento – a quantidade da substância activa que é absorvida pelo organismo do doente que o toma – não pode ser confundida com a sua bioequivalência. Essa biodisponibilidade, nomeadamente os efeitos produzidos nos doentes, tem de ser enquadrada na informação que, à partida, é disponibilizada pelos reguladores aos médicos e que estes têm a obrigação profissional de conhecer. Sem prejuízo de, existindo reacções anormalmente intensas, reveladoras de incompatibilidade entre os estudos e a prática, os médicos denunciarem os tais efeitos negativos ao Infarmed, coisa que, infelizmente, no “Prós e Contras” desta semana, muitos médicos assumiram não fazer. Agora, não podemos é permitir que, num debate que se pretende sério e informativo, se acabe a falar na substituição de medicamentos de marca por genéricos como, conforme fez uma doutora de Santarém (ver minuto 59 da primeira parte), se de Bacalhau à Brás se tratasse. Enfim, talvez não fizesse mal à tal doutora, que tão abertamente desprezou os ensinamentos teóricos e a cooperação institucional com a indústria e o sector farmacêuticos, ler um livro de vez em quando, a fim de evitar intervenções e analogias como aquelas, absolutamente patéticas e estupidificantes.
Entrepreneurship With Fiat Property and Fiat Money por Hans-Hermann Hoppe:
In this environment, it is imperative for every businessman to pay constant and close attention to politics. In order to stay alive and possibly prosper, he must spend time and effort to concern himself with matters that have nothing to do with satisfying consumers, but with power politics. And based on his understanding of the nature of the state and of politics, then, he must make a choice: a moral choice.He can either join in and become a part of the vast criminal enterprise that is the State. He can bribe politicians, political parties or public officials, whether with cash or in-kind (including promises of future employment in the “private” sector as “board-members,” “advisors” or “consultants”), in order to gain for himself economic advantages at the expense of other businesses. That is, he can pay bribes to secure state contracts or subsidies for himself and at the exclusion of others. Or he can pay bribes for the passing or maintenance of legislation that secures him and his business legal privileges and monopoly profits (and capital gains) while partially expropriating and thus screwing his competitors. – Needless to say, countless businessmen have chosen this path. In particular big banking and big industry have thus become intricately involved in the state, and many a wealthy businessman has made his fortune more on account of his political skills than his abilities as a consumer-serving economic entrepreneur.
Or else: a businessman can choose the honorable but at the same time also the most difficult path. This businessman is aware of the nature of the state. He knows that the state and its operators are out to get him and bully him, to confiscate his property and money and, even worse, that they are arrogant, self-righteous, haughty, and full of themselves. Based on such understanding, this very different breed of businessman then tries his best to anticipate and adjust to the state’s every evil move. But he does not join the gang. He does not pay bribes to secure contracts or privileges from the state. Instead, he tries as well as he can to defend whatever is still left of his property and property rights and make as large profits as possible in doing so.
Primeiro na Grécia e agora em Itália, a figura do ‘Salvador da Pátria’ volta a estar na moda. E quem, decididamente, está fora de moda são os políticos. Sim, generalizadamente, os políticos, de quem aqueles “Salvadores da Pátria” tanto se distanciam.
Ora, há dias, num dos Grandes Debates do Regime, promovidos pela Câmara Municipal do Porto, onde, para além de Rui Rio, estiveram António Barreto, Carvalho da Silva e Vítor Bento, pude testemunhar o asco que a população começa a verbalizar e a dirigir ostensivamente à classe política. É certo que se trata da mesma população que elegeu essa classe política, mas em todo o caso é revelador de que o circo político, simbolicamente observado no Parlamento, atingiu o seu apogeu. E, provavelmente, o seu zénite também (pelo menos durante alguns anos).
Naquela conferência, eu próprio, no final da sessão, tive oportunidade de intervir, citando Lord Acton (“o pode corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente”), a propósito do monopólio da política que a população concedeu aos políticos, e perguntando se a via a seguir não seria antes a participação directa da população na política (a mesma tese que aqui tenho exposto). Em resposta, um encrispado Dr. Rio respondeu-me que não havia monopólio algum e que nunca como hoje tinham existido tantas formas de o cidadão comum intervir politicamente. Enfim, tendo eu o Dr. Rio, do ponto de vista ético, em muito boa conta, isso não me impede de constatar o óbvio e de discordar do seu contraditório. E pela amostra que tenho vindo a observar, a realidade é apenas uma: as pessoas começam a dar sinais veementes de estarem fartas de políticos. E estes, por mais bem intencionados que alguns possam ser, começam a sentir-se encurralados.
Os Salvadores da Pátria estão aí para subir ao poder. Resta saber se o farão “com” ou “sem” apoio popular. Ora, eu aposto no “com”.
A 1.ª Conferência do Liberalismo Clássico é uma organização conjunta do Instituto Mises Portugal e da Causa Liberal e vai ter lugar no próximo dia 26 de Novembro em Coimbra. Entre os conferencistas, vão estar os Professores José Manuel Moreira e José Adelino Maltez e também vários insurgentes. Mais informações e inscrições aqui. Página do evento no Facebook aqui.
“My commitment is aimed at making sure that politics can transform this difficult moment in a real opportunity for the nation,” Monti told a news conference in Rome yesterday. “The key thing is” to have the support of the parties, “without which I wouldn’t even take on this task, regardless of the physical presence” of politicians in the Cabinet, he said.”, na Bloomberg.
Parece que Mario Monti está a ter alguns problemas na formação do novo executivo italiano…curiosamente, ao contrário do que poderão pensar os parlamentares italianos, os quais Monti desdenha, este não está refém da classe política; esta é que , pelo contrário, está refém de Monti 0u de alguém com o seu perfil tecnocrata. Mas mais importante ainda: estão todos reféns da vontade popular que ninguém parece querer auscultar!
“(…) Esse valor [26 mil milhões de euros em responsabilidades assumidas para o horizonte conhecido das PPP] deve ter um grau de confiança de 75% a 80%, porque é baseado nos cenários base dos contratos. Isto é, se o tráfego for o previsto, é esse o valor, se for diferente, pode ser mais ou menos. Há pressupostos que não podemos controlar, como por exemplo o volume de tráfego, mas também há pressupostos que controlamos mal, como as renegociações. Há projectos que já foram renegociados 3, 4, 5 ou mais vezes, e cada vez com mais encargos para o Estado. Há contratos que eram muito bons no momento da adjudicação, mas que passados sete anos, o contrato tornou-se irreconhecível (…) O recente relatório da Direcção Geral do Tesouro tem um capítulo sobre avaliação de riscos, que nunca tinha sido apresentado. Mas falta um sobre a análise das renegociações (…) há 20 pessoas no Estado que poderiam fazer essa análise, não sei porque precisam de uma consultora internacional quando muitas têm conflitos de interesse pelo seu envolvimento no aconselhamento dos promotores e dos bancos nestes negócios (…) O objectivo primeiro tem de ser defender o valor do serviço público para o utilizador e minimizar os encargos para o contribuinte (…) Na Austrália, por exemplo, fizeram vários túneis e estradas em que o tráfego foi muito inferior ao previsto: as empresas foram à bancarrota”, Mariana Abrantes de Sousa, especialista em PPP, numa magnífica entrevista hoje concedida ao Jornal de Negócios (páginas 32 a 34). Destaque meus.
…por 3,5 milhões de euros (equivalente a 3.436 euros por metro quadrado de área bruta de construção). Foi assim que, hoje, alguém arrematou o palacete do Banco Privado Português no Porto. Ainda assim, para satisfazer a avaliação (600 milhões) que outro alguém fez dos activos do BPP, à data do polémico empréstimo com aval do Estado que permitiu socorrer credores politicamente bem relacionados, seriam necessários mais de 170 palacetes afins…
Via Aventar, dou-me conta que O Insurgente atingiu um Google Pagerank de 6/10, classificação partilhada actualmente por (muito) poucos outros blogues portugueses.
Entretanto, a página d’O Insurgente no Facebook tem continuado a crescer a um ritmo impressionante e agrega já mais de 1200 pessoas.
Além do renovado agradecimento aos leitores pela preferência justifica-se neste caso também uma referência ao WordPress, a excelente plataforma de alojamento utilizada também pelo Aventar e pelo Blasfémias, dois outros blogues portugueses que atingem neste momento a mesma classificação 6 no Google Pagerank.
Farto dos churrascos assaltou porque queria sushi em vez de entremeada. Por Helena Matos.
Em Portugal só se pode falar de assaltos se estes forem apresentados como uma consequência da crise (Veja-se por exemplo este título da edição de hoje do PÚBLICO “Crimes violentos alastram pelo país à medida da crise financeira” ). Esta ideia de que os desempregados e os pobres se tornam em ladrões de caçadeira em punho parece-me profundamente ofensiva para os desempregados e para os pobres pois é não apenas uma ideia preconceituosa mas também falsa. Do que não se pode falar é da influência da legislação e do desfecho de vários julgamentos na proliferação do crime.
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