O Insurgente

Novembro 14, 2011

Temos Manuel Pinho

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 15:20

O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, afirmou hoje que 2012 é o ano que irá certamente marcar o fim da crise, iniciando o caminho da retoma dos anos seguintes.

O ministro da Economia, Manuel Pinho, anunciou hoje o fim da crise em Portugal e disse que a questão agora é a de saber “quanto é que a economia portuguesa vai crescer”.

Descubra as diferenças.

4 Comentários »

  1. Bom, o homem errou sobretudo no “certamente” …. neste tipo de previsões não há “certamentes”, ainda menos nos tempos que correm …
    Mas o que ele disse não é técnicamente disparatado.
    Não disse, naturalmente, que o ano de 2012 vai ter um crescimento positivo (como alguma comunicação social e algumas vozes da oposição chegaram a dizer). Ele sabe melhor do que ninguém que a previsão para 2012 é de uma recessão perto dos 3%.
    Disse sim que em 2012 começaria a retoma do crescimento. Parece que algumas das previsões, pelo menos a do governo, admitem que a inversão de tendencia possa acontecer ainda antes do final do ano de 2012 e que o 3° trimestre possa ter já um crescimento positivo. Que continuaria e se acentuaria em 2013 e 2014.
    Para além do “certamente”, a afirmação do ministro, sem mais explicações, foi ainda inoportuna em termos de comunicação politica.
    O que o cidadão comum (e não apenas) vê, e verá “certamente” ainda mais em 2012, são os efeitos da crise e das medidas de austeridade do governo. Austeridade essa que vai prosseguir ainda durante algum tempo depois de 2012.
    Por isso, neste tipo de exercicio, é preferivel utilizar o termo “crise” na sua acepção mais corrente, a de uma situação economica dificil, e não no sentido mais técnico, mais restrito, de uma taxa de crescimento positiva.

    Já agora, fugindo à tendência geral de “bater no céguinho” (ainda por cima com “corninhos” !…), o que Manuel Pinho disse em 2006 também não foi um disparate tão grande como isso.
    Em 2006 existiam efectivamente sinais de um aumento da taxa de crescimento do PIB relativamente a 2005, seguindo a tendência geral na Europa. O que acabou efectivamente por acontecer (0,4% em 2005 ; 1,3% em 2006). Em 2007 a taxa foi inclusivamente melhor, de 1,8%. Nem Manuel Pinho nem a maior parte dos observadores imaginavam então a crise que acabaria por rebentar em 2008.
    Naturalmente que tudo isto não anula as críticas que se possam fazer noutro plano às políticas que eram na altura geralmente seguidas, tanto em Portugal como noutros países, que estiveram na origem da crise e que explicam a ineficiencia dos diferentes governos na tentativa de a evitar e de a combater.

    Comentário por Fernando S — Novembro 14, 2011 @ 22:24

  2. Outra diferença notável, além da do comentário anterior de Fernando S, é a de que o Ministro Álvaro Santos Pereira, segundo a comunicação social, corrigiu à tarde a sua afirmação para prever para 2012 o princípio do fim da crise. Talvez se engane, creio mesmo que é muito provável que se engane, pode mesmo acontecer que a crise se prolongue por longos anos, mas por enquanto não se pode saber se a afirmação é ou não disparatada.

    Comentário por Freire de Andrade — Novembro 15, 2011 @ 00:54

  3. Para Fernando S: são previsões que qualquer pessoa com responsabilidades não pode nem deve fazer, por, à mínima contrariedade, ficar abalada a confiança que deve existir, quanto à verdade e fiabilidade nas previsões do estado.
    Pelo contrário, o que ele disse, com uns mas e ses nos lugares certos, podia ter alguma vantagem.
    Pagamos o preço do amadorismo.

    Comentário por BST — Novembro 15, 2011 @ 15:29

  4. BST,

    “Pelo contrário, o que ele disse, com uns mas e ses nos lugares certos, podia ter alguma vantagem.
    Pagamos o preço do amadorismo.”

    Julgo que, por outras palavras, eu disse algo que vai neste sentido. A minha critica tem sobretudo a ver com a utilização da palavra “certamente”. Mas admito que seja mais um estilo retorico da pessoa (de resto muito difuso no nosso meio).

    Dito isto, estamos aqui numa situação tipica do “preso por ter cão, preso por não ter”.
    Se o governante cuida da comunicação e, por prudência ou calculismo político, não diz tudo o que sabe, ou esconde uma parte da verdade, ou diz o contrário,… é porque mente e engana as pessoas. Um pouco “à Socrates”, para nos entendermos.
    Se o governante não se preocupa com a comunicação e tem a coragem de dizer exactamente o que pensa e o que sabe,.. é porque é amador e irresponsavel.
    A verdade é que todos esperamos que os especialistas e os governantes, em principio com mais informação e preparação técnica para tal, nos digam quais são as previsões que fazem de maneira a tentarmos perceber melhor o que estão a fazer e o que vão fazer para de seguida melhor nos posicionarmos em função dessas previsões e dessas acções.
    Ora, fazer previsões relativamente ao futuro é, por definição, um exercicio que é sempre algo de incerto, falivel. Não há previsões 100% “verdadeiras” ou 100% “fiáveis”.
    De resto, naturalmente que ninguém neste momento está em condições de dizer se o que o Ministro disse está certo ou está errado. Houvi uma certa comunicação social comentar estas declarações no pressuposto de que toda a gente já sabe que o Ministro está enganado. O que, no mínimo, mostra alguma ignorância sobre os detalhes técnicos das previsões deste tipo.

    Penso que nesta história das declarações do actual Ministro da Economia, à semelhança de outras “gaffes” de comunicação que ele terá cometido desde que está em funções, se está um pouco a “ir ao jogador em vez de jogar a bola”.
    A mim interessa-me menos o “amadorismo” comunicacional ou politico do neo-Ministro do que a questão de fundo que é a de perceber melhor como é que o governo perspectiva os próximos tempos e quais são as medidas que está a tomar e vai tomar para fazer face à situação.

    Comentário por Fernando S — Novembro 15, 2011 @ 16:47


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