A apropriação indébita da tradução portuguesa de A República, de Platão

Antes mesmo de ir morar em Portugal, em 2007, já conhecia a qualidade das traduções e edições da Fundação Calouste Gulbenkian. Já vivendo em Lisboa, tive a grata oportunidade de comprar vários volumes num período de saldo. Um dos livros era A República, de Platão, na conhecida tradução de Maria Helena da Rocha Pereira, obra que recomendo vivamente. Para meu espanto e horror, leio o seguinte post no blog do poeta brasileiro Érico Nogueira:

Platão plagiado
Caros,
A editora Martin Claret, plagiadora notória, aprontou mais uma das suas: apropriou-se indevidamente da conceituada tradução da República de Platão, assinada por ninguém menos que Maria Helena da Rocha Pereira e publicada pela Fundação Gulbenkian. Na edição da torpe Martin Claret, a tradução é creditada a um certo Pietro Nassetti — que decerto não existe. Por favor, divulguem, indignem-se, façam alarde e barulho. É simplesmente inacreditável que não fechem a Martin Claret, figurinha carimbada nos tribunais, vira e mexe acusada de plágio e apropriação indébita. É uma vergonha.

E um escândalo editorial.

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11 thoughts on “A apropriação indébita da tradução portuguesa de A República, de Platão

  1. Mas penso que é neste blogue que tenho visto postas contra a defesa legal dos direitos de autor. das patentes e de outra propriedade intelectual.

  2. Recomendo a leitura do post. Se não resultar, uma releitura. Segundo o post, a editora publicou a tradução de Maria Helena da Rocha Pereira como se fosse de outro autor. Você já leu algum post neste blog a defender tal expediente? Francamente.

  3. Caros, trabalho em edição há mais de dez anos e a editora citada é useira e vezeira neste expediente. Para (mais um) exemplo, cito apenas «Os Sonâmbulos», de H. Broch. No Brasil, aliás, há um ou mais blogues criados com o intuito expresso de denunciar situações do género, sendo recorrente o nome desta editora.

    Pedro Bernardo

  4. Um blogue liberal a defender direitos de autor. Provavelmente sem se aprecebem da inconcistencia da sua pocisao. Ja agora, nao se esquecam tambem de santificar outras “liberdades fundamentais” e sistemas institucionais correntes como propriedade intelectual ou o sistema de patentes internacional.

  5. a editora publicou a tradução de Maria Helena da Rocha Pereira como se fosse de outro autor

    Se o outro tradutor, como é aventado no post, nem sequer existir, qual é o problema?

    A editora está obrigada, por uma lei do Estado, a colocar no livro o nome do tradutor. Para fugir a essa lei, pôs no livro o nome de uma pessoa que não existe. É tudo consequência de leis perversas do Estado. Não é?

  6. Luís Lavoura, desculpe, mas deixe-ve ver se percebi o seu comentário (pode haver nele alguma ironia que me escapa). Acha normal que se pilhe trabalho alheio – que, como é pilhado, também não é publicamente reconhecido, ainda que usado por terceiros – e que se leve a ficção a ponto de inventar um tradutor? Presumo que seja apologista da corrente que acha que os direitos de autor são uma chatice. Aquela tradução deu trabalho, alguém a pagou, imagino, e o seu autor e a entidade que o contratou devem ser defendidos.
    Atirar tudo para as «leis do Estado» é desresponsabilizar as pessoas e as empresas, que são geridas por pessoas. Nem tudo o que é legal é ético.
    Cumprimentos

    Pedro Bernardo

  7. Pedro Bernardo, eu não acho nada normal nem justificável nem aceitável. Estou apenas a fazer o papel de “advogado do diabo”, nomeadamente defendendo o tipo de posições que tenho visto defendidas nalguns post neste blogue. Neste blogue vejo sistematicamente posts contra regulamentações impostas pelo Estado. Nesta linha, parece-me que deveria ser inaceitável, para as pessoas deste blogue, que o Estado obrigue uma editora a colocar num livro o nome de quem o traduziu. Vejo além disso, neste blogue, posts contra a “propriedade intelectual” protegida e regulamentada pelo Estado. Nessa linha, a tradutora do livro não tem nenhum direito sobre a sua tradução, a qual poderá ser livremente utilizada por qualquer outra editora, no futuro, sem que essa outra editora tenha que pagar um chavo à tradutora. Não é?
    Isto sou eu a defender o tipo de posições que tenho vistas expressas neste blogue. Não estou a dizer que sejam estes os meus pontos de vista.

  8. “Nesta linha, parece-me que deveria ser inaceitável, para as pessoas deste blogue, que o Estado obrigue uma editora a colocar num livro o nome de quem o traduziu. Vejo além disso, neste blogue, posts contra a “propriedade intelectual” protegida e regulamentada pelo Estado. Nessa linha, a tradutora do livro não tem nenhum direito sobre a sua tradução, a qual poderá ser livremente utilizada por qualquer outra editora, no futuro, sem que essa outra editora tenha que pagar um chavo à tradutora. Não é?”

    “Nessa linha”, mesmo defendendo que tal não deve ser considerado ilegal, continua a poder criticar a atitude da editora (do ponto de vista ético).

  9. Rui Carlos,

    no post diz-se que se deveria fechar a editora Claret. Ou seja, que o Estado deveria intervir.

  10. Ok, não tinha visto essa parte.
    Mas tendo em conta que essa parte está no texto citado, também não sei se o autor deste post partilha da mesma opinião (aliás, nem sei qual a opinião sobre a propriedade intelectual).

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