Outubro 17, 2011
99% (2)
Eleições em Espanha, 20 de Novembro:
Leitura recomendada a “revolucionários”
No cinco dias, Francisco Furtado percebeu que as escolhas feitas via processo democrático (ainda em Junho passado houve eleições!) não agradam a todos. Mas em vez de defender um Estado com mínima interferência nas nossas vidas (os liberais!), o “revolucionário” Francisco Furtado tenciona sobrepor as suas preferências à dos eleitores (meus destaques):
Os inimigos do povo, os arrogantes fariseus e as nossas elites ignorantes bem podem espernear, daqui prá frente a resistência popular só irá crescer (em média, a tendência, claro que haverá períodos de acalmia e algum retrocesso, mas a tendência de fundo será de crescimento), aliás até já há alguns “arrependidos”. A existência de luta e resistência por si só não será garantia de que se irá derrubar o governo ou anular as medidas no imediato, mas pelo menos significa que se vai a jogo. Este protesto prova que há o potencial, de se travar uma luta com potencial de vitória.
A Esquerda parlamentar e sobretudo os sindicatos desempenharão um papel destacado. Mas não tenha a mínima dúvida que por si só serão incapazes de produzir uma vitória.
Talvez a estes “indignados revolucionários” ajude ler Fernando Pessoa (via Samuel de Paiva Pires) [meus destaques]:
“O Preconceito Revolucionário”:
O estado mental do homem que crê na eficácia social directa das revoluções é exactamente o mesmo do do homem que crê na realidade dos milagres. A crença na eficácia das revoluções pressupõe a crença na intervenção antinatural da vontade humana no curso natural das coisas sociais. Não é mais absurdo supor que determinado taumaturgo inverte, por o uso de qualidades inanalisáveis, as leis físicas e naturais [?], do que supor que um grupo de homens nascido no mesmo meio que outro grupo, educado da mesma maneira, sofrendo as mesmas influências, e com hereditariedade social idêntica, pode, substituindo-se a esse outro grupo e por o simples facto de ter ideias diferentes, agir diferentemente na vida social. Isto é tão simples!
O estado social permanece o mesmo agravado com a anarquia que resulta da substituição violenta de uma situação administrativa por outra. Os antigos detentores do poder, por imorais e corruptos que fossem, tinham, ao menos, pelo uso do poder, certa noção inevitável de como usá-lo, conheciam, pelo menos, como administrar. Os recém-vindos, iguais moralmente a eles por serem produto do mesmo meio, levam para o poder a falta de prática do poder; são fatalmente piores — intelectualmente piores. Assim, os governos revolucionários, sendo tão imorais como os governos anteriores, são intelectualmente mais incompetentes. (…)
Que alguma alma caridosa me explique (2)
Porque é que a venda do BPN ainda não foi consumada?
A última vez que o assunto foi abordado de forma pública, aquando da corrida contra o tempo para fazer a venda dentro do prazo acordado com a trika, havia alegadamente um acordo fechado com um dos concorrentes à sua compra que definia preço e condições de venda. De que é que está o governo à espera para concretizar essa venda?
Não se vá pensar que assistimos a uma gigantesca manobra de diversão para troika ver, enquanto se continuam a diluir prejuízos novos em conluio com o comprador à custa dos contribuintes.
privilégio revogado
“A proposta de Orçamento do Estado para 2012 que hoje é entregue na Assembleia da República revoga a isenção de IRC de que o Montepio beneficia há várias décadas, sabe o Negócios. Caso a proposta do Executivo sobreviva à votação parlamentar, a Caixa Económica do Montepio, onde estão agregadas as participações do sector bancário, passará a ter o mesmo tratamento fiscal que a restante banca comercial a operar em Portugal.”, hoje no Jornal de Negócios.
Extraordinário é que o Montepio Geral, que (não tenhamos dúvidas) é hoje um banco como qualquer outro, tenha beneficiado de tamanha excepção durante tanto tempo!
O Mito do Livre Mercado
Sei que há muitas pessoas que simpatizam com as ideias iniciais da União Europeia que se prendiam com livre movimento de capitais, bens e pessoas; em suma, de livre mercado. Esta visão não está naturalmente correcta, visto que a UE é um bloco proteccionista, mas de facto a ideia de que a UE começou bem e depois perdeu-se é comum. Porém, se olharmos ao objectivo da UE (“ever closer union”), o que está em causa é a transferência de competências dos Estados para o Estado centralizado de Bruxelas. A UE apoiou de início boas ideias como a do livre mercado para retirar instrumentos políticos aos Estados nacionais, mas nunca disse que não sempre que havia a possibilidade de adquirir mais umas competências (intervencionistas). Agora finalmente mostra as suas garras de forma agressiva porque vê o seu projecto de centralização ameaçado pelos “mercados”. Isto para dizer que ter apenas livre mercado nunca foi a intenção do projecto europeu, e provavelmente nunca será.
Haja alguém que não está à rasca…
SÃO OBSERVADOR BOAVENTURA. Por João Gonçalves.
São Boaventura (Sousa Santos) – ainda estará no quentinho do seu “observatório” da justiça onde, desde 1996, a “observa” com o sucesso estrondoso que se conhece? – apareceu na RTP Informação a debitar as suas habituais inanidades “progressistas” em manifesto aproveitamento “ideológico” do folclore vário que teve lugar, ontem, um pouco por muitas cidades europeias. A RTP Informação tem-se esforçado. Mas São Boaventura? Por amor de Deus.
99%
SIC e TVi promovem fim de semana antidemocrático. Por José Mendonça da Cruz.
Leitura complementar: Eles é que são o 1%.
As diferenças de remuneração entre público e privado e os cortes salariais
Passos Coelho está certo, mas… Por Pedro Pita Barros.
Preços administrativos versus preços de mercado. Por João Miranda.
Leitura complementar: Notícia: Sem transferências sociais, funcionários públicos ganhariam menos 38%, um post que conta também com vários comentários interessantes.
Top posts da semana
Aqui fica o ranking dos posts d’O Insurgente mais votados dos últimos 7 dias. A lista foi obtida multiplicando o número total de votos de cada post pela respectiva classificação média:
1 – Os culpados do costume
2 – Estou indignadíssimo
3 – Quero agradecer mas não sei como
4 – Sair do logro
5 – É preciso paciência, muita paciência…
Outubro 16, 2011
“Indignados” chumbaram a matemática
Nunca fiz grande caso do facto dos alunos portugueses terem insucesso na disciplina de matemática. Afinal a maioria de nós não necessita saber aplicar senos e co-senos para efectivamente executar o trabalho do dia-a-dia. Mas, não saber contas de soma e subtracção já considero um preocupante fenómeno de extrema ignorância.
Ouvir “indignados” explicarem as razões porque estão contra as medidas de austeridade tem sido, para mim, um acto de profundo pesar pela falta da mais básica educação matemática daqueles.
Vamos então tentar aqui fornecer alguns conceitos (simplificados) sobre como funciona a política fiscal de qualquer Estado.
- o Estado cobrou 91 de impostos no ano X.
- no ano X, o Estado gastou 96 em salários de funcionários públicos, subsídios, “investimentos”, etc.
- Saldo orçamental é a diferença entre receitas de impostos e despesas: 91 – 96 = -5
- quando o saldo orçamental é negativo este designa-se de défice (superavit se for positivo!).
- para poder pagar esse excesso de despesa (défice), o Estado tem de recorrer ao crédito, ou seja, o que se designa como dívida pública (5).
- os credores emprestam dinheiro ao Estado porque têm confiança que, no futuro, essa dívida será paga.
- no ano X+1, o Estado cobrou 95 de impostos mas teve despesas de 105; logo o saldo neste ano foi de 95 – 105 = -10 (défice)
- assim, no ano X+1 a dívida pública aumentou para 15 = 5 (ano X) + 10 (ano X+1)
- se, durante vários anos (ou até mesmo décadas), o Estado acumular défices, a dívida pública continuará a crescer para níveis eventualmente insuportáveis.
- quando os credores começam a ter dúvidas sobre a capacidade do Estado pagar a dívida, aqueles passam a exigir cada vez maiores taxas de juro.
- maiores taxas de juro tornam o recurso ao crédito menos atractivo para o Estado.
- o Estado, para reduzir acesso ao crédito, tem de diminuir o défice, através do aumento dos impostos e/ou redução das despesas.
- se no ano X+2 as receitas subirem de 95 para 100 e as despesas descerem de 105 para 100, o saldo orçamental é nulo (100 – 100 = 0), ou seja, não há necessidade de pedir empréstimos para pagar o excesso de despesa (o tal “défice”) e o valor da dívida mantém-se.
- quando um cidadão se “indigna” com o aumento dos impostos e, ao mesmo tempo, com o corte nas despesas, está a mostrar pouco discernimento matemático.
- um cidadão responsável (que faça as contas!) pode discordar dos governantes sobre quais impostos aumentar ou quais despesas reduzir, mas, face à difícil situação financeira do Estado, nunca do objectivo de eliminar o défice orçamental.
- cidadãos “indignados” mas irresponsavelmente ignorantes de medidas alternativas de austeridade a implementar nunca conseguirão resolver o problema de dívida do Estado.
Se alguém não percebeu o exercício acima… as minhas desculpas! Não consigo ser mais sucinto.
Piada de mau gosto
Emanuel dos Santos tenta sacudir a água do capote:
Alguns comentários breves:
1 – Ele não usou um minuto. Este senhor nem a falar consegue evitar derrapar
2 – Ele fala o que quer onde quer. Vitimizações baratas quando se está a falar na televisão? Please…
3 – É público que durante a negociação com a Troika o PSD escreveu cartas à Troika a pedir dados. Falha de memória?
4 – Havia números ocultos. Por exemplo os da Madeira. Por exemplo as facturas do Desporto. Por exemplo despesas não orçamentadas em diversos sectores. …
5 – Adoro a frase “nós não temos um problema… de finanças públicas… tão grave quanto o problema de falta de financiamento”. Muito bom…
6 – Desmentir o chefe en passant e sem fundamentar… é mauzinho…
7 – Receitas Fiscais em IRS e IRC pagam salários do Estado Central? Wow, já só falta tudo o resto… Demagogia barata!
8 – Sim, a dívida do Estado não é nada grave. Que tenha subido de 60% para 100% em poucos anos? Detalhes, detalhes, …
9 – Dizer que vamos pagar toda a dívida em 2 ou 3 anos quando o que está em causa é apenas parar de nos endividarmos tão depressa (sim, porque défices de 3% não é superavit e muito menos um superavit de 33% do PIB para pagarmos a dívida em 3 anos). Será que ele sabe do que fala?
Demagogia barata de quem quer protagonismo.
Obrigado por fumar (4)
Não, não se trata das declarações irónicas (mas verdadeiras!) do bastonário da Ordem dos Médicos…
Também não estou a referir-me ao filme produzido em 2005 (trailer).
Foi, sim, o que pensei quando li na edição de hoje do jornal Público (pág. 19, meu destaque.):
Portugal tem dois milhões de fumadores. O imposto sobre o tabaco rendeu ao Estado 1350 mil milhões de euros em 2010.
Ora, como a Dívida portuguesa é de “apenas” 170 mil milhões de euros (pdf) a solução para a crise das finanças públicas parece estar mesmo nos fumadores…
Ok, foi erro do jornalista, aliás bastante frequente. Continuo, por isso, a defender que Portugal devia seguir o exemplo do Reino Unido em 1974 para evitar estes “erros de palmatória”. Quem sabe, um dia!
Resposta? Trabalhem seus malandros
Os sindicatos ainda não entenderam.
O socialismo só funciona enquanto há o dinheiro dos outros. Mas não só a Europa (i.e., os Estados Europeus) já não tem reservas, como está carregada de dívidas. Acabou. Acabou o dinheiro para suportar centenas de pessoas que só sabem gritar e exigir. Acabou o espaço para os “direitos adquiridos” e os seus advogados.
Os sindicatos têm de se adaptar aos tempos modernos: diminuir os efectivos, prestar uma multiplicidade de serviços úteis (formação, serviços jurídicos, … algo que valha a pena pagar!) e aprender um pouco de economia (essa de ainda acreditarem no Keynesianismo e nos seus “estímulos”…).
Ou isso, ou tornar-se-ão progressivamente em relíquias risíveis do passado.
Leitura dominical
O inegável sucesso do terminal de Beja, a resistência nacional, o apocalipse visto por D. Manuel Martins e a tragédia anedótica de Paulo Campos, são os temas abordados em Terminal, por Alberto Gonçalves.
uma cultura de abusos (3)
“– Teme que o Novo Hospital de Loures, uma parceria público privada (PPP) com o Grupo Espírito Santo, evocando a figura de cedência de interesse público, venha ao Santa Maria e ao Pulido Valente recrutar os melhores especialistas?
– A abertura do Hospital de Loures preocupa-nos, mas não por esse motivo. Tem a ver com o facto de que vai ser inaugurado no coração da nossa área de influência.
(…)
– Mas vai deixar sair para Loures o pessoal especializado do Santa Maria?
– A lei diz que os hospitais em regime de PPP têm de captar 85% do seu corpo de profissionais nas estruturas públicas. Assim, a sociedade gestora do Hospital de Loures vai ter de recrutar os profissionais nos hospitais: especialistas hospitalares, enfermeiros hospitalares, técnicos. É óbvio que qualquer sociedade gestora, se não for completamente inábil, vai buscar os melhores.
(…)
– O Grupo Espírito Santo vai levar especialistas ao abrigo de uma cedência de interesse público. Ou seja, nunca perdem o vínculo ao Estado. A Sociedade Gestora do Hospital de Loures pode depois despedi-los sem ter de os indemnizar e Santa Maria tem de os receber de volta?
– Se quisesse falar francamente, teria que despir o boné de presidente do conselho de administração e falar na condição de cidadão ou de médico. É uma resposta que tenho dificuldade em dar, porque amanhã sou citado na praça pública como um opositor do modelo das PPP, o que não queria.”
Trechos de uma entrevista, hoje publicada no Diário de Notícias, ao Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte.
uma cultura de abusos (2)
“– Há uma ideia na sociedade portuguesa de uma certa promiscuidade entre os médicos e a indústria farmacêutica, as viagens dos congressos, o facto de rejeitarem receitar genéricos…
– O financiamento da formação pós-graduada devia ser feita pelo Estado e não é. Os médicos se vão a congressos que contribuem para a sua actualização é porque são em grande parte financiados para isso pela indústria farmacêutica. Inferir daí que há corrupção na prescrição é um abuso.
(…)
– Concorda que o Sistema Nacional de Saúde é despesista e mal gerido?
– Não temos um SNS mal gerido nem despesista, o que temos é um PIB muito baixo. O problema não é do SNS, é do País. E quando se diz que há hospitais-empresa (EPE) que estão em falência técnica, isso é absolutamente falacioso. Porque quem é o accionista? É o Estado. Se o Estado quiser, leva todos os hospitais à falência, basta deixar de pagar. Para todos darem lucro, basta aumentar aquilo que paga.
(…)
– Como é que se conseguem reduzir as listas de espera para as operações?
– Não se reduzem as listas de espera porque o Estado não quer…
– O Estado não quer?
– Claro. Reduzir as listas de espera implica mais actos médicos e mais gastos. Dou-lhe um exemplo das listas de espera das cataratas. A anterior ministra da Saúde – e bem – desenhou um programa para o combate às listas de espera nas cataratas. Só com o recurso ao sector público e sem grande despesa. Para as salas de operação funcionarem das oito da manhã às oito da noite, não são só os cirurgiões, é preciso todos os que fazem parte do staff de apoio – e o Estado não está disposto a pagar essa despesa, porque não há problema nenhum em os médicos trabalharem mais horas, desde que lhes paguem justamente…
– Horas extraordinárias?
– Não. Vamos discutir o vencimento-base dos médicos, colocá-lo num nível justo. E se for preciso que os médicos trabalhem mais horas, não lhe vamos chamar extraordinárias, vamos pagar-lhes o preço pelas horas que trabalham a mais…”
Trechos de uma entrevista, hoje publicada no Correio da Manhã, ao Bastonário da Ordem dos Médicos.
Piada ou memória selectiva?
Carlos César em entrevista à Sic-Notícias:
[...] não há duvida que o senhor professor Cavaco Silva é, entre todos os Presidentes da República eleitos desde o 25 de Abril, o Presidente mais partidário de sempre.
Confesso que não conheço o percurso de Carlos César. Não sei por onde andava aquando dos segundos mandatos de Mário “direito à indignação” Soares e de Jorge “dissolução parlamentar” Sampaio. Mas, independentemente de se achar que Cavaco Silva está a ser melhor ou pior presidente que os anteriores, parece-me falta de seriedade afirmar que está a ser mais partidário.
The second crisis of socialism
The second crisis of socialism:
When this crisis started in 2007 and intensified throughout 2008, it was often labelled a “crisis of capitalism”. You don’t hear that so often anymore .. the longer the crisis goes on .. the more it dawns on the public just how much the present financial architecture is evidently defined not by the “invisible hand” of the market but the controlling hand of the state.
This is not a crisis of capitalism .. This is the second crisis of socialism. We are witnessing the demise of the paper money standard .. money everywhere became simply an unchecked territorial monopoly of the state ..
There are two ways in which a monetary system can be organized: either the market chooses what is money, or the state does.
.. Money printing is the privilege of the state and its central bank .. it is political money and closely linked to political authority .. All the efficiency of today’s .. foreign exchange market .. is nothing but the market’s attempt to cope as best as possible with the inefficiency of monetary nationalism and monetary segregation that is the result of every national government wanting its own paper money under its own territorial political control.
To call this system capitalist means depriving the word capitalism of any meaning.
For decades this system has benefitted the state, the banks, the wider financial industry .. The costs of this system have been spread across the broader public via inflation and the occasional taxpayer bailout. This has been socialism for the rich.
.. Like the first crisis of socialism, this crisis, too, will affect the lives of many people, it will cause upheaval and it will dispossess an elite of its entrenched position of power and privilege. Like the first crisis of socialism, it is an opportunity for liberty.
Eles é que são o 1%
Apesar do generoso empurrãozinho dado por São Pedro (o do clima e o outro que falou dois dias antes), a manifestação de indignados portugueses foi um rotundo falhanço, com uma afluência comparável ao eleitorado do Partido dos Animais nas últimas legislativas. Claro que sem sandes de torresmo, autocarros à borla e reformados dispostos a dar um passeio a Lisboa é mais complicado, mas mesmo assim a capacidade de mobilização do Bloco de Esquerda é muito fraca. Depois da afluência às manifestações de ontem, o lema dos indignados deveria passar a ser “Nós é que somos o 1%”
Outubro 15, 2011
uma cultura de abusos
“Uma auditoria do Tribunal de Contas detectou vários médicos com remunerações muito acima do ordenado base. O médico que recebeu mais dinheiro em 2009 trabalhava no Algarve, conta a TSF. O caso de um médico do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio que teve uma remuneração de 796 mil euros em 2008 e 745 mil euros em 2009, ou seja, mais de 60 mil euros por mês, foi detectado por uma auditoria do Tribunal de Contas, a que a TSF teve acesso (…) Para além do médico do Algarve, citado pelos juízes, existem um total de dez médicos que em 2009 receberam uma remuneração total que ficou entre os 250 mil e os 750 mil euros. Ou seja, muito acima dos respectivos ordenados base, nomeadamente devido a horas extraordinárias e a produção adicional.”, fonte: RCM Pharma
Estou indignadíssimo
Com quem ajudou a que o resultado do esforço de quem trabalha, investe, poupa e paga impostos tenha sido malbaratado durante décadas. Estou indignado com muitos dos que hoje, esta semana, este ano, descobriram este adjectivo. Tivessem memória e estariam indignados com as escolhas que fizeram, quando puderam optar e votaram nas utopias e falácias que lhes ofereciam sem etiqueta de preço. Tivessem memória e lembrar-se-iam dos muitos que sempre avisaram que chegaríamos a este estado de penúria se não se tentasse atalhar caminho noutra direcção. Faço, por isso, minhas as palavras que ouvi há pouco a um exaltado manifestante: “tenham vergonha, pá!”.
Indignados ou não, serão os mesmos de sempre a pagar a factura deixada pelos incompetentes que saciaram a ambição de poder e as suas clientelas penhorando o dinheiro dos contribuintes.
Quem pode, foge das escolas estatais
Nos vinte primeiros lugares só aparecem escolas privadas e a interpretação do Público é que tal se deve… à dificuldade dos exames: No ensino básico e secundário nenhuma figura entre os 20 primeiros lugares: Exames difíceis afastaram escolas públicas do topo dos rankings
As escolas públicas não resistiram a exames mais difíceis. No ensino básico e secundário nenhuma figura entre os 20 primeiros lugares das tabelas feitas com base nos resultados dos exames nacionais, os chamados rankings. No ano passado ainda existiam quatro neste primeiro pelotão, duas por cada nível de ensino.
Debate anual. Por João Miranda.
Os rankings continuam a mostram que os filhos das elites fogem do ensino público. A esquerda continua a argumentar que as escolas públicas só não aparecem melhor classificadas porque não conseguem atrair os filhos das elites. Ou seja, quem tem autonomia financeira para escolher a escola para os filhos prefere as escolas privadas.
Rankings das escolas secundárias
No Ranking PÚBLICO das escolas secundárias, as 20 primeiras escolas são privadas, 9 de Lisboa, 4 do Porto, 2 de Coimbra, 1 de Loulé, 1 de Braga, 1 de Gondomar, 1 de Paredes e 1 de Cascais. Em 21º lugar aparece a primeira escola estatal, a Escola Secundária Infanta D. Maria em Coimbra, e seguem-se mais 11 escolas privadas até à 32ª posição.
Rankings das escolas do ensino básico
No Ranking PÚBLICO das escolas básicas, as 28 primeiras escolas são privadas, 6 do Porto, 5 de Cascais, 4 de Lisboa, 2 de Braga, 1 de Sintra, 1 de Coimbra, 1 de Paredes, 1 da Feira, 1 de Palmela, 1 de Guimarães, 1 da Maia, 1 do Barreiro, 1 de Lamego, 1 de Leiria e 1 de Viseu.
Os “indignados” e a democracia (2)
Indignem-se. Mas longe destes “indignados” e outros “ocupas”. Por José Manuel Fernandes.
Tenho pena que os organizadores das manifestações de amanhã, 15 de Outubro, não tenham convocado também uma concentração para o Funchal. Convocaram para Angra do Heroísmo, mas não para a ilha de Jardim. Uma lástima. Tinha real curiosidade de ver quem apareceria. Talvez aparecessem os 1,7 por cento que votaram domingo no Bloco de Esquerda (menos do que os que votaram no Partido da Terra ou naquele que defende os animais), por certo com cartazes a dizerem que representam 99 por cento do povo. Ou talvez não. Talvez aparecesse o próprio Alberto João Jardim, garantidamente mais eloquente do que os “indignados” a defender “o povo” (desde que da Madeira) contra os banqueiros e contra Wall Street, contra a troika e contra a austeridade de Passos Coelho.
Os “indignados” e a democracia
Da luta à indignação. Por Helena Matos.
O que se entende por reivindicar “autêntica democracia” em países como Portugal, Espanha, Bélgica ou EUA? Quer isso dizer que a democracia que aqui existe é falsa? Com todos os seus defeitos e falhas, não vejo regime melhor do que este e temo muito que a “autêntica democracia” de que falam estes manifestantes seja, tal como no passado, uma forma de designar processos revolucionários em que umas minorias ruidosas e agressivas impõem a sua vontade às maiorias. Portugal tem, aliás, na sua história recente exemplos abundantes dos extremos demagógicos a que podem chegar os defensores da “autêntica democracia”: depois de, em Abril de 1974, terem sido prometidas eleições livres aos portugueses, e muito provavelmente porque o resultado das eleições em Portugal nem em sonhos se aproximava daquele que o PCP e a extrema-esquerda esperavam, rapidamente o Parlamento eleito passou a ser apresentado como o símbolo de uma falsa democracia, uma assembleia burguesa e um regime ao serviço de uns quantos, até que, de deslegitimação em deslegitimação, um dia, em nome da democracia autêntica e da dinâmica da rua, a Assembleia Constituinte foi cercada e os deputados sequestrados.
(…)
O que sempre me espanta, apesar de saber que sempre se chega lá no final do texto, é este “nós, o povo”. Do início do manifesto até agora, deu-se um passo de gigante: “as pessoas” tornaram-se “o povo” e o povo é representado por quem faz este manifesto. Mas qual povo? Onde é que estava o povo nos acampamentos da Porta do Sol? Só se fosse nas brigadas de limpeza que, nos dias seguintes ao levantamento dos barracos, passaram horas a lavar o chão. Ou ao balcão dos estabelecimentos comerciais que não só viram as suas vendas cair a pique como ainda tiveram de suportar a praga de pulgas e o cheiro que emanava das tendas dos indignados. Mas o que para o caso conta é que esta multidão que ideologicamente tem uma concepção de afrontamento do poder herdeira das manifestações esquerdistas dos anos 70 se auto-denomina povo e que, enquanto tal, se propõe “pôr em marcha a mudança global que queremos. Vamos manifestar-nos pacificamente e vamos organizar-nos até atingirmos o nosso objectivo. Chegou a hora de nos unirmos. Chegou a hora de nos ouvirem.” Não deixa de ser irónico que esta gente que não diz um ai sem que lhe ponham um microfone diante termine este manifesto com a frase “Chegou a hora de nos ouvirem.” Eu diria que chegou a hora não de os ouvir, porque não se tem feito outra coisa, mas sobretudo de lhes perguntar o que querem. Qual é esse objectivo pelo qual se propõem organizar-se até o atingir? O que é essa “mudança global” que defendem? E se os outros não estiverem de acordo?
Creio que é mais do que tempo de, em termos de informação, se deixar de tratar este movimento como um acampamento de Verão ou um festival de excêntricos alternativos. Esta gente tem propostas políticas. Por sinal muito perigosas.
Mais sobre o modelo sueco
Free Market Sweden, Social Democratic America:
.. Sweden has been quietly turning social democracy into a museum-piece.No one will be surprised to learn that Sweden was among the first European countries to create a modern welfare state .. This included expanding welfare programs, nationalizing many industries, expanding and deepening regulation, and — of course — increasing taxation to punitive levels to pay for it all.
Over the next twenty years, the Swedish dream turned decidedly nightmarish .. “In 1970, Sweden had the world’s fourth-highest GDP per capita. By 1990, it had fallen 13 positions. In those 20 years, real wages in Sweden increased by only one percentage point.” So much for helping “the workers.”
Facing severe economic stagnation, Sweden began implementing several rather un-social democratic measures in the early 1990s. This included curtaining its public sector deficit and reducing marginal tax-rates and levels of state ownership. Another change involved allowing private retirement schemes, a development that was accompanied by the state contributing less to pensions.
.. liberalization wasn’t limited to taxation. Sweden’s new government accelerated privatizations of once-state owned businesses. It also permitted private providers to enter the healthcare market, thereby introducing competition into what had been one of the world’s most socialized medical systems. Industries such as taxis and trains were deregulated. State education and electricity monopolies were ended by the introduction of private competition. Even Swedish agricultural prices are now determined by the market. Finally, unemployment benefits were reformed so that the longer most people stayed on benefits, the less they received.
So what were the effects of all these changes? The story is to be found in the numbers. Unemployment levels fell dramatically from the 10 percent figure of the mid-1990s. Budget-wise, Sweden started running surpluses instead of deficits. The country’s gross public debt declined from a 1994 figure of 78 percent to 35 percent in 2010. Sweden also weathered the Great Recession far better than most other EU states. Sweden’s 2010 growth-rate was 5.5 percent. By comparison, America’s was 2.7 percent.
Outubro 14, 2011
Bem bom, pá
Nos bons tempos, por Francisco Mendes da Silva.
Antigamente, pá, é que a vida era boa, pá. Aeroporto em Beja, pá, promessas de cheques-bébé, pá, postos de abastecimento para carros a electricidade, pá, alcatrão à borla, pá, a malta a gastar o dinheiro dos outros, pá, gente séria como o Paulo Campos, pá, governantes a dizer que a situação era tão brilhante que até tínhamos de usar óculos de sol, pá.
Passos Coelho e o corte no subsídio de férias: um disparate que deixou de o ser
Há situações nas quais o silêncio é de ouro…
Passos Coelho disse em de Abril que cortar subsídios era um disparate
tolerância zero (2)
“As “gorduras” enquanto matéria substantiva só existiam na cabeça do Passos Coelho candidato, não existem mais na cabeça do Passos Coelho primeiro-ministro.”, Pedro Santos Guerreiro hoje no Jornal de Negócios.
A (ainda) reduzida redução de Despesa, promovida por este e por todos os anteriores governos, está a fazer com que se generalize a ideia de que, afinal, não há estruturas nem despesas supérfluas no seio do Estado. Na minha opinião, trata-se de uma generalização profundamente incorrecta. Mais, também se está a generalizar a ideia de que cortar na Despesa demora muito tempo e que não tem efeito imediato. A meu ver, outra enorme incorrecção.
Enfim, num post anterior, constatei que o funcionamento do Estado custa por ano cerca de 5 mil euros a cada cidadão e que destes 5 mil euros cerca de um terço (1.700 euros) são para custear os chamados Serviços e Fundos Autónomos (SFA’s). Mas, afinal, que Serviços e que Fundos são esses? De acordo com o Glossário do relatório de Execução Orçamental da Direcção Geral do Orçamento são “Organismos dotados de autonomia administrativa e financeira, regime que assume um carácter excepcional face à regra geral (autonomia administrativa). Excluindo os casos em que tal decorre de imperativo constitucional, este regime apenas pode ser atribuído a serviços que satisfaçam, cumulativamente, certos requisitos: Não tenham natureza e forma de empresa, fundação ou associação públicas; Quando se justifique para a adequada gestão (em particular a gestão de fundos comunitários); E as suas receitas próprias atinjam um mínimo de dois terços das despesas totais, com exclusão das despesas co financiadas pela União Europeia”. Ora, caros leitores, existem centenas de SFA’s. Há daqueles de que toda a gente já ouviu falar e há daqueles de que nunca se ouve falar. Vou dar alguns exemplos, nomeando aqueles que à data do último relatório da DGO (página 43, em rodapé) se encontravam em incumprimento na prestação de informação: Agência para a Modernização Administrativa, Autoridade Metropolitana de Transportes do Porto, Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, Fundo de Estabilização Aduaneira e a UMIC – Sociedade do Conhecimento. Nenhum destes organismos tem prestado contas a tempo e horas, sendo que os três primeiros não prestam contas desde 2010!
Assim, quando alguém me diz que não é possível, de forma material, cortar na Despesa para além das rubricas do chamado Estado social, eu salto da cadeira. Então não? A minha sensibilidade diz-me que não falta por onde cortar. Por exemplo, para que serve a existência do Fundo de Estabilização Aduaneira?! A gestão das entidades portuárias e aeroportuárias não podiam substituir a acção daquele fundo? Aliás, que missão tem aquele fundo? E a Agência para a Modernização Administrativa?! Não seria preferível delegar num gestor ou subcontratar alguém que, ocasionalmente, se dedicasse a dar formação ou a prestar consultoria nestes domínios na Administração Pública? E a UMIC – Sociedade do Conhecimento?! Que conhecimento pode gerar se nem sequer dá a conhecer as suas próprias contas?! Enfim, estou certo de que podíamos estar aqui horas e horas a apontar exemplos e mais exemplos e, portanto, só há um caminho razoável a prosseguir: acabar com este Estado paralelo, sendo que, sempre que possível, acabar significa exterminar e não significa transferir. Não se esqueçam: dos 5.000 euros que o funcionamento do Estado custa anualmente a cada cidadão, 1.700 euros residem neste emaranhado sem fim de Serviços e Fundos (ditos) Autónomos.
Concluindo, não há gorduras no Estado?! Não é possível cortar com impacto material e em tempo útil?! Pois pois…Bem pelo contrário, estou convicto de que é só quererem.
Os culpados do costume
Agora que a contestação social e as manifestações vão certamente aumentar, quero deixar uma sugestão para uma das próximas arruadas: o aeroporto de Beja. Arrastam as televisões e os outros meios de comunicação atrás e mostram ao país onde ficaram os 13º e 14º mês de que tanto se fala. Isto se quiserem mesmo apontar as causas das coisas, claro. Se preferirem apenas fazer barulho e culpar o neo-liberalismo e o capitalismo selvagem, como sempre, então o melhor é descerem a Av. da Liberdade. Como sempre.
Que alguma alma caridosa me explique
Se a generalidade dos horários de trabalho são definidos por via de contratos individuais ou por via de acordos de empresa ou contratos colectivos e se, ao que sei, o estado só limita legalmente o tecto máximo de horas semanais que podem ser contratualizadas, como é que o governo procura impor que esses horários de trabalho aumentem meia hora por dia? Promovendo e patrocinando a intimidação dos trabalhadores?


