Outubro 19, 2011
Errado e imoral
Cortar salários e pensões para aumentar a subsidio-dependência: Corte em salários e pensões compensa forte revisão em alta de outros gastos
OE 2012 prevê mais 3 mil milhões de euros em subsídios, bens e serviços e investimentos do que foi acordado com o FMI. O “rombo” é eliminado com o corte na Função Pública.
Da Facilidade
Escreve Pacheco Pereira que as medidas orçamentais anunciadas que afectam os funcionários públicos são um caminho «mais fácil», e que são «lançar o odioso sobre os funcionários públicos». Está equivocado. Fácil seria fazer o que o governo começou por fazer, que foi aumentar os impostos sobre os mesmos do costume, alegando que isso é uma repartição justa dos sacrifícios. Sendo a fatia de leão do orçamento do estado a massa salarial dos funcionários, é impossível reduzir a despesa do estado sem mexer significativamente nestas alíneas.
Esta massa salarial pode ser reduzida de duas formas: Despedimentos ou redução no nível salarial. Qualquer das duas será sempre contestada. No curto prazo necessário para as medidas terem impacto, a via dos despedimentos é inviável. Quem está em condições de poder rapidamente identificar os postos de trabalho que devem ser extintos? A redução do nível salarial é a única alternativa viável.
«Fácil» é adjectivo que não se aplica à medida. Logo porque surgem figuras como o próprio Pacheco Pereira que, sabendo da necessidade de reduzir o estado, arranjam sempre razões para criticar medidas específicas. Existirão sempre argumentos contra uma determinada medida. Isso não quer dizer que, no contexto da alternativas possíveis, essa medida não deva ser tomada. Também não é «fácil» porque, numa prova clara de que o exercício da presidência de república reduz a acuidade mental, logo surge o PR a falar de equidade fiscal quando o que está em causa é uma redução da despesa.
Boaventura Sousa Santos, o regime e o rap
O André Azevedo Alves destaca o post no qual Alexandre Homem Cristo apresenta as duas razões pelas quais a história será obrigada a mencionar Boaventura Sousa Santos numa nota de rodapé.
Isto em Portugal.
No Brasil, a nota de rodapé explicará que o professor cruzava o Atlântico para cantar rap.
Boaventura Sousa Santos e o regime
Boaventura, ou O suicídio do regime. Por Alexandre Homem Cristo.
Um dia, quando se escrever a História destes anos turbulentos, o rigor obrigará a mencionar Boaventura Sousa Santos numa nota de rodapé, por duas razões.
A primeira é explicar aos portugueses do futuro como, ainda em 2011, o absurdo reinava na política do país, onde Boaventura Sousa Santos, o maior moralista de que havia memória desde Afonso Costa, acusava o governo de “pilhagens ilegais”, “imoralismo” e defendia uma “democracia real”, embora fosse um guardião institucional do regime, no Observatório Permanente da Justiça. Permitindo-lhe envenenar duplamente o carácter institucional do regime, já de si frágil, Boaventura será elevado a símbolo do suicídio do regime.
Ele há coisas e coincidências (3)
Parece que o ministro das finanças Vítor Gaspar se prepara para emendar a mão no que toca à questão das subvenções vitalícias. Está feita a promessa de que a situação será corrigida por intermédio de uma proposta de alteração ao Orçamento de Estado. É ficar atento.
Contudo, faltaram as justificações para por que razão (e por iniciativa de quem) é que a alínea do artigo da proposta de lei de Orçamento de Estado lá estaria em primeiro lugar. Assim, sem quaisquer justificações, sobra uma sensação de que tal alteração só vai ser feita porque o subterfúgio foi descoberto e a manigância apanhada.
Redistribuição de riqueza em Nova Iorque
Os indignados de Nova Iorque queixam-se de que lhes roubam os portáteis, os telemóveis, o dinheiro e até a comida!? Não percebo qual é o problema. Em gíria indignado-marxista isso chama-se “redistribuição de riqueza”.
Do TGV à «alta prestação»: a importância de satisfazer as necessidades desenvolvimentistas do Bloco Central
é um comboio? é um tgv? é um «alta velocidade»? não: é um «alta prestação»! Por Rui A.
Repare-se como são profundamente distintos os projectos do «alta velocidade» do Eng.º Sócrates e do ministro Vieira da Silva e o «alta prestação» do Dr. Passos Coelho e do ministro Álvaro Santos Pereira. (…) o primeiro seria construído com umas migalhas de Bruxelas e o resto com o dinheiro do contribuinte português, enquanto que o segundo aproveitará uns voluptuosos 1.300 milhões de fundos comunitários e nada nos custará; e, é claro, a grande e substancial diferença que explica a distinção onomástica: o «alta velocidade» chegaria aos 320 km/h, se os vagões circulassem em «lignes à grande vitesse», enquanto que o «alta prestação» não ultrapassa uns miseráveis 250 km/h. Tudo diferenças profundas que honram, simultaneamente, os compromissos eleitorais do PSD, a palavra recentemente dada pelo ministro da economia, os sacrifícios que estão a ser «pedidos» aos portugueses e as necessidades desenvolvimentistas da pátria. Fica apenas por esclarecer quanto nos custará isto em subsídios de férias e de Natal, mas nada que, mais tarde ou mais cedo, se não venha a saber.
120 dias e muitos impostos depois…
pedido de esclarecimento. Por Rui A.
Alguém saberá informar quantas fundações já foram encerradas? Quantas empresas públicas foram já privatizadas ou qual é o calendário das privatizações? Quais os organismos do estado e da sua administração que já efectivamente desapareceram? Se a RTP vai ser ou não vendida, e quando haverá uma decisão palpável sobre essa empresa? Se a TAP vai pelo mesmo caminho e quando? E o que irá suceder com a Caixa Geral de Depósitos, alguém poderá dizer-nos? Quando? 120 dias após a entrada em funções do governo e muitos impostos entretanto já criados, aumentados e cobrados, será cedo ainda para termos respostas que ultrapassem as simples declarações de intenções?
Outubro 18, 2011
Cortes salariais no Banco de Portugal
É compreensível – e desejável – que o Governo respeite a independência do Banco de Portugal, mas seria incompreensível qualquer outra decisão que não a de adoptar voluntariamente para os quadros do BdP uma redução equivalente à que vai ser aplicada aos restantes funcionários públicos.
Carlos Costa: disciplina financeira tem de continuar após 2014
O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, alertou hoje que o programa de ajustamento não é o fim do caminho que Portugal tem de fazer rumo à sustentabilidade, pelo que a «disciplina financeira» tem de continuar após 2014.
Governo não vai impor cortes nos subsídios no Banco de Portugal
O Governo não vai impor ao Banco de Portugal que volte em 2012 a cortar salários e agora também os subsídios de férias e de Natal, respeitando a autonomia da instituição. Tal como aconteceu com o corte salarial decretado para este ano, só o governador do Banco de Portugal poderá tomar essa decisão.
Bloco central contra Lesa Pátrias
“O deputado socialista Basílio Horta questionou esta tarde o ministro da Economia sobre a renegociação dos custos de manutenção do equilíbrio contratual (CMEC) com a EDP (…) “O senhor ministro concorda com isto? Por que não revisitar os contratos da cogeração? Não se diga que é impossível renegociar estes contratos porque são direitos adquiridos.”, Basílio Horta, hoje na Assembleia da República.
Ora, tem toda a razão, deputado Basílio Horta. A renegociação das PPP’s lesa Pátrias é urgente e qual blindado qual carapuça! E se os contratos estão blindados, como afirmou o secretário de Estado da Energia em resposta ao nosso caríssimo Horta, então, e já que o PS está tão determinado em revisitá-los, chamem-se os ministros, quadros e técnicos do PS que os assinaram para os desblindarem! Para a frente, camaradas: junte-se a fome à vontade de comer (e estou mesmo a falar a sério).
Ninguém fica para trás II
The infernal Choice, por Melanie Phillips.
Leitura complementar: Ninguém fica para trás.
O Estado que os carregue
O querido e santo Estado que os carregue por António Ribeiro Ferreira:
Chegados a este beco sem saída, vem a tese querida dos amigos do monstro: seria muito mais justo aumentar o IRS ou aplicar um novo imposto a todos os trabalhadores públicos e privados. Pagavam os justos e os pecadores, não se punham portugueses contra portugueses, verdadeiro horror, e o Estado ficava exactamente como está, sorridente por extorquir mais uns valentes milhões ao mexilhão que lhe sustenta as gorduras e os vícios. Embrulhados nos seus próprios argumentos, fogem do labirinto com a ausência de estímulos à economia e a ineficácia do ministro que tem a pasta da dita.Para estas cabecinhas pensadoras, que estiveram sempre de acordo com o modelo económico ruinoso dos últimos 30 anos, é o Estado o motor de tudo. Do emprego e da economia. O Estado que os carregue. Mas não à custa de quem trabalha e cria riqueza.
Orgulho Nacional
Num País tão fustigado pelas más notícias, só mesmo o desporto para nos levantar a moral. Desta feita, ganhámos no ténis de mesa.
Parabéns ao meu primo madeirense, Marcos Freitas.
Ele há coisas e coincidências (2)
Como bem refere o Carlos, reza assim o art.º 19, alínea 3 da proposta de lei do Orçamento de Estado para 2012, sobre “Suspensão de subsídios de férias e de Natal ou equivalentes de aposentados e reformados”:
No caso dos beneficiários de subvenções mensais vitalícias pagas por quaisquer dos
serviços ou entidades referidos no n.º 1 o disposto nos números anteriores abrange as
prestações que excedam 12 mensalidades.
Qual a intenção da inclusão explícita desta alínea neste artigo e da criação desta excepção?
Quem é que são os seus destinatários e o que pretende acautelar?
Será que o CDS, a julgar pelas declarações do seu porta-voz, foi ouvido na elaboração da proposta de orçamento e/ou teve conhecimento da sua redacção final? Só assim se poderá compreender que ainda ache que “seria outra a intenção do orçamento” ou que possam “subsistir dúvidas”.
Ajoelhe, e reze, faxavor, mas longe daqui
A democracia tem, entre outras, uma vantagem: há liberdade de expressão. Em democracia, o JPC pode escrever com ar cátedro disparates como este aqui, e ainda ficar a achar-se, qual narciso, um génio da economia. O facto de vivermos em democracia permite-me que eu, em alternativa, o convide a transferir-se para França, para se dedicar ao estudo da filosofia, pois claramente economia não é o seu mundo. Já agora, aproveite, e continue a dedicar-se às rezas, na religião que praticou durante os longos anos de Socratismo, estou certo que há por Paris quem aprecie a forma como V. Exa se ajoelha. Nós por cá, tudo o que permita que V. Exa. fique com a boca calada, vemos com bons olhos, embora com algum nojo, é certo.
Sobre os “estudos” salariais do economista Eugénio Rosa
A esquerda resolveu responder ao (agora) mediático estudo do Banco de Portugal em que aparentemente o Primeiro Ministro se baseou para dizer que os funcionários públicos ganhariam mais 10% a 15% do que os funcionários do sector privado com dois “estudos” de um economista da CGTP e da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública, intitulados ”A Mentira Como Instrumento de Manipulação da Opinião Pública (2009)” e “Ataque às Funções Sociais do Estado e Aos Trabalhadores da Função Pública (2011)”. Gostaria de fazer alguns comentários, não exaustivos, a esses “estudos”:
- Parece-me algo falacioso dizer, como dizem os sindicatos e o seu economista amestrado, que estes estudos são errados porque “a maioria dos funcionários da administração pública tinha mais habilitações”. Que parte de “verifica-se que a disparidade salarial bruta entre os dois sectores apresentada na última secção é largamente explicada pelas diferenças nas características da mão-de-obra. Este facto não é surpreendente, tendo em conta a magnitude dessas mesmas diferenças. No entanto, controlando para este factor observa-se um prémio, indicando que os salários são mais elevados no sector público, para os mesmos atributos. Este resultado está em linha com as conclusões de Portugal e Centeno (2001). Adicionalmente, o prémio aumentou ao longo do período 1996-2005. Em termos do salário mensal, este passou de quase 10 por cento em 1996 para 15 por cento ou um pouco mais no final da década que se seguiu. Os resultados baseados nos salários horários são coerentes com estes valores, sendo que neste caso o maior diferencial bruto é acomodado essencialmente por um prémio mais elevado. Com os salários definidos desta forma, os valores do prémio aumentam aproximadamente em 10 p.p. em cada um dos anos, situando-se este em cerca de 25 por cento em 2005″ (p. 68) é que não percebem?
- Ou seja, à crítica “não se podem comparar valores médios” os autores do estudo do Banco de Portugal respondem, vejam bem, não comparando valores médios.
- Mas o economista da CGTP também tem respostas para esta resposta, no seu “estudo” de 2009. Como a econometria é uma coisa que não lhe assiste, ele prefere, por exemplo, recorrer a médias ponderadas (p.2-3) para “explicar” os efeitos das diferenças de qualificações entre público e privado. Como o resultado a que chega lhe agrada, isso é o suficiente para acusar o estudo do Banco de Portugal de ser “erróneo, sob o ponto de vista técnico”. Presumo que neste caso erróneo não queira dizer “contrário à verdade” mas sim “um método diferente do método erróneo que eu usei e que não serve para provar que estes números são preconceituosos”.
- Nesse mesmo “estudo” de 2009, depois de destruir o estudo do Banco de Portugal com todo este rigor científico, o economista da CGTP ainda teve tempo de acusar os autores do estudo de falta de transparência, sacando depois de um estudo secreto da Cap Gemini de 2006 (um estudo tão secreto que o economista da CGTP e os sindicatos reconhecem não o terem lido) para “provar”, por exemplo, que os trabalhadores da Administração Pública que estão na categoria profissional “Grupo Técnico” ganhavam menos 188% do que no sector privado (p.1 e p. 4). Ou seja, não chegava ao Estado ter escravos no “Grupo Técnico”. Os escravos do “Grupo Técnico”, não se percebe bem como, pagavam para serem escravos quase o mesmo que os seus colegas do sector privado levavam para casa. Nada que faça grande confusão ao economista da CGTP.
- Mas o economista da CGTP não se ficou por aqui. Depois de expor a mentira como instrumento de manipulação de opinião pública no seu “estudo” de 2009, no “estudo” de 2011, fez umas contas e chegou à conclusão que entre 2000 e 2011 o poder de compra no sector público desceu entre 8% e 15,5% enquanto no privado subiu 8%, logo, prova-se que o tal prémio, mesmo que tivesse existido, já teria desaparecido. Certo? Errado.
- Ao fazer as contas desta forma, comparando variações médias do poder de compra no sector público e no sector privado, sem “ter em conta as diferenças de habilitações”, o economista da CGTP está ele próprio a cair na esparrela que pensava ter descoberto no estudo do Banco de Portugal. Pelos vistos devíamos reformular a sua crítica do ponto 1 para “não se podem comparar valores médios, excepto quando nos dá jeito”.
- Mas se quiserem também podemos ignorar esta aparente incongruência argumentativa do economista da CGTP e comparar os ditos valores médios. O problema é que, se o fizermos, vamos ter de rever os valores dos prémios no sector público num sentido que talvez não agrade ao economista da CGTP, correndo o risco de tornar a análise “errónea”. Se compararmos remunerações médias, ignorando as tais diferenças nas características dos funcionários que só são relevantes em anos bissextos, então o valor dos prémios na função pública não vão de “10% a 15%” mas sim de 73% a 91% (Quadro A1, p. 83, do estudo do Banco de Portugal). Vou deixar o economista da CGTP fazer as contas para ver se a descida do poder de compra que ele detectou chega para anular estas diferenças.
Eu percebo que as pessoas que acham “justo” que o Estado tire dinheiro aos que ganham mais apenas porque estes ganham mais agora tenham alguma dificuldade em não acharem “justo” que o Primeiro Ministro diga que o Estado vai tirar dinheiro aos funcionários públicos porque estes ganham mais do que os funcionários do sector privado. Mais, aceito perfeitamente que estas contas não sejam pacíficas, que haja aqui diversos outros factores a considerar e que deviam ser feitos mais estudos sobre o tema mas, caramba, não conseguem melhor do que desencantar um economista da CGTP? Isto só pode ser um plano desenvolvido pela legião de “empregados” e “intelectuais” do Comité Central do PCP.
Leitura complementar: As diferenças de remuneração entre público e privado e os cortes salariais
Ele sabe lá o que é a realidade

Fulano padece de uma doença terminal. Ainda se vai mexendo, mas tem, literalmente, os dias contados. Um dia, enquanto circula inadvertidamente na rua, tropeça e parte uma perna. Não morre, mas fica decididamente pior. No hospital, só ligado à máquina permanece vivo.
Moral da estória para o João Pinto e Castro: Os médicos não se devem preocupar com a doença terminal. Tratem da perna do homem e tudo será como dantes.
Sócrates rules
Os cordelinhos e o novelo – o caso da admissão de Sócrates na SciencesPo, por António Balbino Caldeira.
the politics of hate
Pitting Us Against Each Other por Walter E. Williams:
When you recognize that celebrities earn salaries that are some multiples of CEO salaries, you have to ask: Why is it that rich CEOs are demonized and not celebrities? A clue might be found if you asked: Who’s doing the demonizing? It turns out that the demonizing is led by politicians and leftists with the help of the news media, and like sheep, the public often goes along. Why demonize CEOs? .. If all CEOs worked for nothing, it would mean absolutely little or nothing to the average American’s bottom line.For politicians, it’s another story: Demonize people whose power you want to usurp. That’s the typical way totalitarians gain power. They give the masses someone to hate ..
.. promoting jealousy, fear and hate is an effective strategy for politicians and their liberal followers to control and micromanage businesses.
It’s not about the amount of money people earn. If it were, politicians and leftists would be promoting jealousy, fear and hate toward multimillionaire Hollywood and celebrities and sports stars, such as LeBron James ($48 million), Tiger Woods ($75 million) and Peyton Manning ($38 million). But there is no way that politicians could take over the roles of Oprah Winfrey, Lady Gaga and LeBron James. That means celebrities can make any amount of money they want and it matters not one iota politically.
The Occupy Wall Street crowd shouldn’t focus its anger at wealthy CEOs. A far more appropriate target would be the U.S. Congress.
Ele há coisas e coincidências
Então não é que o super-competente-rigoroso-hirto-e-firme ministro das finanças Vítor Gaspar se esqueceu que há pensionistas com reformas do estado que recebem a reforma em doze pagamentos e que não recebem subsídio de Natal e de férias, como tal não estando abrangido pelos cortes?
Para alguns, foi mesmo uma sorte o modelo ter passado do corte de uma percentagem do pagamento mensal das reformas para o corte específico do subsídio de férias e de Natal.
Quem é que terão sido os afortunados?
Ninguém fica para trás.
A libertação de Gilad Shalit, conseguida com a troca de mais de mil prisioneiros e após cinco anos de esforços imensos, mostra para que serve o Estado de Israel. Os seus críticos podem não concordar mas, depois do que sucedeu na II Grande Guerra, ninguém fica para trás. A história, ali, não se repete.
OE2012: um bom OE (2)
“(…) Algumas das críticas às medidas de austeridade agora anunciadas são, no fundo, a rejeição do essencial que urge fazer quer quanto ao tempo (período de reajuste) quer quanto ao modo (corte na Função Pública versus sector privado) e ao âmbito (envolvente europeia). O período de austeridade foi o negociado e é o adequado aos hábitos domésticos. A acção rápida e concentrada – um choque forte – é a mais adaptada à passividade portuguesa, que sempre procura adiar e arranjar desculpas para esticar no tempo o que, na verdade, se quer recusar a fazer. A nossa tradição é só mudar por choque e não por acção lenta e continuada. Alargar o prazo é não fazer (…) Quanto ao modo, temos de que nos concentrar no Estado, abandonando veleidades de orientar o privado. Nesse sentido, a solução encontrada de limitar os cortes salariais ao sector público é a adequada. Encaminhar parte do pessoal do sector público para o privado é essencial (…) O crescimento exige desvio de recursos para o privado, activismo empreendedor de amplos sectores incluindo a regeneração de vários grupos actualmente parasitários do Estado. Na ausência de meios financeiros para emitir incentivos económicos, a política económica dita de crescimento terá que recorrer a instrumentos constrangedores, procurando reverter a austeridade em instrumento de impulso do crescimento. A concentração da austeridade num período curto e no aparelho do Estado é o caminho a seguir. As informações até agora disponíveis indicam que o OE2012 aponta nessa correcta direcção.”, Avelino de Jesus, hoje no Jornal de Negócios (página 45). Destaques meus.
Circo de Outono
Más tarde, en París, puse la televisión por pura casualidad. Allí estaba Olof Palme asegurando en perfecto francés que la historia de los impuestos se había exagerado demasiado, que no era un efecto de la política fiscal de la socialdemocracia, y que era amigo mío. En ese instante lo desprecié.
Ingmar Bergman, Linterna Magica
Na sua juventude e princípio da idade adulta, Ingmar Bergman foi um admirador do nazismo e seguiu as proezas militares de Hitler com especial carinho. Quando, no final da guerra, enfrentou os testemunhos dos sobreviventes e as fotografias de Bergen-Belsen, Bergman ainda se defendeu, conjecturando propaganda nas palavras e montagem nas fotos, antes de render-se à realidade: havia sido cúmplice de uma ideologia criminosa.
Mais tarde, converteu-se à social-democracia, e foi um fiel súbdito do Estado Social e da doutrina da elevada taxação do contribuinte durante três décadas. Mas em 1976, após ser injustamente perseguido e humilhado pelo governo sueco devido a um problema tributário, Bergman exilou-se na Alemanha e disse do regime o que Maomé não disse do porco. Não sabemos se o cineasta se transformou então num “perigoso neoliberal”, mas é certo que deu mais um passo no sentido da desconfiança crónica de sistemas políticos que, mais ou menos perversos, não hesitam em submeter o indivíduo aos interesses de uma abstracção chamada “colectivo”. (Em contacto com o teatro alemão, passou também a referir-se com sarcasmo aos actores suecos e à sua pouca vontade de ensaiar, escondida sob a cobertura dos “direitos”, da defesa da vida familiar e do perigo para o acto artístico que pode resultar do excesso de trabalho).
Os Bergman nazi e socialista talvez estivessem hoje ao lado dos indignaditos. O Bergman do exílio era bem capaz de lhes dar uns açoites. São só hipóteses mas uma coisa é segura: não estamos presos a uma doutrina e os acidentes de percurso ou o discernimento podem sempre levar-nos no bom caminho da liberdade.
Jornalistas Okupas criam os factos
Onde pára a deontologia dos jornalistas de causas?
Journolist 2.0 includes well known names such as MSNBC’s Dylan Ratigan, Rolling Stone’s Matt Taibbi who both are actively participating; involvement from other listers such as Bill Moyers and Glenn Greenwald plus well-known radicals like Noam Chomsky, remains unclear. The list also includes a number of radical organizers, such as Kevin Zeese. In these emails we see MSNBC’s Ratigan, hawking his book in the footnotes, instructing occupiers on how properly to present their demands and messages while simultaneously appearing on television reporting “objectively” on the story (when he’s not taking part in the protests himself as content.)
(Obrigado,lucklucky).
Adenda: Informação complementar.
Outubro 17, 2011
Leitura recomendada
Massacre in Cairo, por Yasmine El Rashidi na New York Review of Books .
“Indignados” atacam igreja e destroem estátua da Virgem Maria em Roma
Virgin Mary smashed in Rome during protest
Vaticano condena ataque a igreja durante protesto em Roma
Trata-se da Igreja Santos Marcelino e Pedro, localizada perto da explanada da Basílica de São João de Latrão, onde ocorreram os incidentes mais violentos.
“A estátua da Virgem Maria que estava na entrada foi arrancada e lançada na rua, onde foi danificada. Na sacristia, a porta foi destruída. O grande crucifixo da entrada também ficou danificado”, completou.
Centenas de manifestantes quebraram as vitrines dos bancos, incendiaram veículos e lançaram bombas contra as forças de ordem no sábado em meio ao protesto dos “indignados” que reuniu dezenas de milhares de pessoas em Roma.
Cain’s 9-9-9 tax plan and Sim City
Video game maker revels in similarities to Cain’s tax plan
Cain has proposed scrapping the federal tax system and instituting a 9 percent national sales tax, 9 percent income tax and 9 percent tax on business profits.
The video game plan sets a 9 percent housing tax, 9 percent commercial tax and 9 percent tax on factories.
Mocked at last week’s Republican debate by rival Jon Huntsman as the price of a pizza and compared by Rep. Michele Bachmann to an upside-down version of the numerology representing Satan, the origin and ramifications of 9-9-9 plan have been the matter of debate.
(…)
Electronic Arts, which has sold more than 100 million units of the Sims franchise, is taking a tongue-in-cheek approach to the game’s association with Cain’s meteoric rise.
“The team here is glad that he chose to build a platform off of our tax system, but there are so many other serious issues in SimCity that I would love to see a politician construct a game around,” said Katsarelis.
“Is anyone looking at an alien invasion plan?
OE2012: um bom OE
Terminada a apresentação da proposta de Orçamento de Estado para 2012 realço o seguinte:
1) Apesar dos gigantescos buracos encontrados e publicados no mais recente relatório do INE (que, infelizmente, retrataram uma situação muitíssimo pior que aquela constante dos boletins mensais da Direcção Geral do Orçamento, o que conduziu a severos erros de análise por parte de quem, como eu, olha para estes números), não se registaram surpresas maiores no que diz respeito a mais impostos. Menos mau.
2) O cenário macro económico para 2012, tendo sido agravado face às estimativas iniciais, confere maior credibilidade ao OE, reduzindo a incerteza em redor da cobrança fiscal e, sobretudo, reduzindo a incerteza em redor do rácio Dívida Pública / PIB. Mais, a previsão de um saldo primário (receitas menos despesas, excluindo o pagamento de juros) positivo também é factor de confiança, na medida em que, ao eliminar a necessidade de financiamento para assegurar o funcionamento das Administrações Públicas, atenuará a nossa dependência financeira face ao exterior.
3) Para o final, reservo aquilo que, por irónico que pareça, na minha opinião, foi a melhor mensagem do senhor Ministro das Finanças: a ideia de que, uma vez saneadas as contas públicas, a estratégia para o crescimento económico passa…por não ter estratégia! É assim mesmo: retire-se ao Estado de uma vez por todas o papel dinamizador da economia que sucessivos governos PS lhe imprimiram, transferindo este papel para a sociedade civil em particular para o sector privado, a fim de manter as Administrações Públicas somente confinadas às funções de regulação (não confundir com regulamentação) económica e jurídica (que, como a crise evidenciou, num mundo imperfeito, também são precisas).
Em suma, este Orçamento de Estado é duro, mas bem executado poderá representar futuramente uma enorme mudança de vida, para melhor, do nosso País. É, sobretudo, uma oportunidade única de romper com o modelo socialista e estatizante que, infelizmente mas comprovadamente, nos levou à ruína.
Ps: Mais umas quantas conferências de imprensa destas e, caro senhor Ministro, estarei preparado para lhe perdoar aquela da sobretaxa de IRS! Quanto ao IVA de 23% na electricidade, tenha paciência mas essa não lhe perdoo.
Déspotas unidos na indignação
Comunistas e nazis, separados à nascença mas unidos na indignação anti-capitalista.
Adenda: O apoio do chairman do partido nazi aos progressistas do Occupy Wall Street.
boas medidas
“Fica o Governo autorizado a fazer cessar o regime de autonomia financeira e a aplicar o regime geral de autonomia administrativa aos serviços e fundos autónomos que não tenham cumprido a regra do equilíbrio orçamental”, aqui.
“O Governo da República vai suspender as transferências para o Governo Regional da Madeira, depois de no corrente ano a região ter violado os limites de endividamento a que estava obrigada.”, aqui.
Aguardemos pelo documento completo, mas os primeiros sinais são encorajadores…
O país a saque
Sugiro antes a criação de uma taxa especial que incida sobre os idiotas que estão sempre a sugerir novas taxas para extorquir o alheio.
cortar prémio injusto ou tributar tudo e todos?
“Segundo estudos do Banco de Portugal, os funcionários públicos auferem entre 10% e 20% de remuneração superior à iniciativa privada. No entanto, são os que estão nas funções de baixas qualificações que ganham mais, o que se inverte ao longo da hierarquia. Ou seja, quanto “pior” se é, mais se ganha face às empresas; quanto “melhor” se é, pior se ganha comparando com a iniciativa privada. Esta disfunção salarial é conhecida e não é resolvida, antes agravada, por este corte de salários cego. Quem mais ganha terá um corte superior a quem menos ganha, o que sendo socialmente justo, alarga o fosso face à iniciativa privada. O incentivo para sair da Função Pública (ou para baixar os braços) é agora grande e aqueles que o poderão fazer são os melhores. Há quem ache que são todos malandros e portanto é correr com eles. Essa sanha é míope: a desvalorização da Função Pública tem sido um pecado contra o Estado quase tão grande quanto foi a engorda do número dos seus quadros (…) Não havia alternativa a medidas com este alcance. Mas havia outras medidas possíveis. Teria sido melhor um imposto extraordinário sobre todos os rendimentos e sobre todo o património. É polémico, claro, mas não menos do que cortar salários à Função Pública.”, Pedro Santos Guerreiro, director do Jornal de Negócios.
Meus caros, tenho muita estima pelo Pedro Santos Guerreiro, mas hoje discordo em absoluto da sua crónica. E passo a explicar porquê.
Primeiro, segundo o Documento de Estratégia Orçamental divulgado há semanas por Vítor Gaspar, e que a proposta do Orçamento de Estado para 2012 deverá hoje confirmar, a estimativa oficial para a carga fiscal em Portugal no próximo ano aponta para 42% do PIB! Portanto, no próximo ano (e em 2013 também) estaremos mais de cinco pontos percentuais acima da média da OCDE. A introdução de mais um novo imposto seria insustentável.
Segundo, entre aqueles que reconhecem os números relevados no estudo do Banco de Portugal, há quem aponte, em alternativa a um novo imposto, a redução selectiva dos salários na Função Pública, sempre e onde se encontrarem prémios injustificados face ao sector privado. Esta, dizem-nos, é que seria a medida inteligente; um corte cego, pelo contrário, é estúpido. Ora, sendo certo que, quiçá, fosse a medida 100% justa, uma redução selectiva agravaria, infelizmente, a desigualdade social. Porquê? Porque é nos salários dos não licenciados e nos salários das funções onde quase só o Estado é que emprega que, na Administração Pública, se concedem maiores prémios salariais injustificados. Ou seja, ao reduzir-se selectivamente os vencimentos daqueles que menores probabilidades de sucesso teriam alternativamente no sector privado, aumentar-se-ia a iniquidade, incendiando, agora, a própria classe dos Funcionários Públicos.
Em suma, perante a existência de um prémio salarial injustificado a favor do Estado que, com a excepção óbvia dos sindicatos e dos fanáticos de esquerda, é reconhecido por todos, a pior coisa seria o Governo ignorá-lo ou, pior ainda, corrigi-lo através de regimes de excepção criando no processo outra iniquidade, desta feita dentro da própria classe. Mas, enfim, felizmente, no meio de toda esta discussão acerca dos Funcionários Públicos, há um aspecto que é de realçar: de uma forma ou de outra, creio que todo o País já percebeu a idiotice que é manter a proibição de despedir na Função Pública…
Ps: O estudo do Banco de Portugal (“Wages and Incentives in the Portuguese Public Sector”), que subitamente toda a gente parece ter descoberto, foi publicado em Julho de 2009. É, pois, uma pena que, dadas as suas conclusões e o facto de en su dia alguns comentadores terem alertado para a sua existência, nunca ninguém na sociedade civil nem na política (nem mesmo o PSD que agora o considera muito conveniente) o tenha referido a tempo e horas. E como o nosso povo também não quer saber destas coisas, parte desse povo está agora estupefacto.
“Indignada”???
José Manuel Fernandes comenta as declarações ao jornal Público de uma ex-médica “indignada”…



