O Insurgente

Outubro 19, 2011

Da Facilidade

Filed under: Blogosfera,Política,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 13:46

Escreve Pacheco Pereira que as medidas orçamentais anunciadas que afectam os funcionários públicos são um caminho «mais fácil», e que são «lançar o odioso sobre os funcionários públicos». Está equivocado. Fácil seria fazer o que o governo começou por fazer, que foi aumentar os impostos sobre os mesmos do costume, alegando que isso é uma repartição justa dos sacrifícios. Sendo a fatia de leão do orçamento do estado a massa salarial dos funcionários, é impossível reduzir a despesa do estado sem mexer significativamente nestas alíneas.

Esta massa salarial pode ser reduzida de duas formas: Despedimentos ou redução no nível salarial. Qualquer das duas será sempre contestada. No curto prazo necessário para as medidas terem impacto, a via dos despedimentos é inviável. Quem está em condições de poder rapidamente identificar os postos de trabalho que devem ser extintos? A redução do nível salarial é a única alternativa viável.

«Fácil» é adjectivo que não se aplica à medida. Logo porque surgem figuras como o próprio Pacheco Pereira que, sabendo da necessidade de reduzir o estado, arranjam sempre razões para criticar medidas específicas. Existirão sempre argumentos contra uma determinada medida. Isso não quer dizer que, no contexto da alternativas possíveis, essa medida não deva ser tomada. Também não é «fácil» porque, numa prova clara de que o exercício da presidência de república reduz a acuidade mental, logo surge o PR a falar de equidade fiscal quando o que está em causa é uma redução da despesa.

9 Comentários »

  1. Há mais uma opção, não seguida. É a do Estado reduzir mesmo a sua dimensão. Aquilo que faz e aquilo que apoio.
    Mas, aqui, nada feito…
    O que não inibiria a necessidade de despedimentos (de quem faz hoje o que o estado deixaria de fazer, amanhã).
    E da mesmíssima contestação daqueles que querem cortes na despesa mas estranham quando estes se fazem…

    Comentário por Gonçalo — Outubro 19, 2011 @ 13:50

  2. “Escreve Pacheco Pereira que as medidas orçamentais anunciadas que afectam os funcionários públicos são um caminho «mais fácil», e que são «lançar o odioso sobre os funcionários públicos». ”

    e tem razão, não é que as medidas não sejam necessárias, mas é revoltante que não ataquem tambem as parcerias publico privadas…aliás, este Governo não tem senso, estrangula a ecónomia interna, o que um crime!! o IVA para produtos chineses e espanhois devia ter atingido uns módicos 500%…não ter existido uma diferenciação no IVA dos produtos portugueses em relação à estranjeirada é quase uma loucura no actual contexto económico!!! Portugal está a cometer um erro monumental, acabar com linhas ferreas nacionais e para ir gastar dinheiro com linhas ferreas internacionais!! Portugal, não deve apostar nas exportações, Portugal o que tem a fazer é potencializar ao máximo a ecónomia interna e a sua dinamica…agora, como exemplo, permitir que os chineses entrem em Portugal e levem à falência de muitas empresas nacionais, só porque a EFACEC e outras, tem interesse naquele mercado, isso é um crime!!

    Comentário por tric — Outubro 19, 2011 @ 14:31

  3. E onde estão aquelas listas de “gorduras” que estavam prontinhas para extinguir?Alterar a Lei da Nacionalidade que irresponsavelmente acrescenta 25000 pobres por ano que com reuniões familiares vão dar nos 100000?Onde está a redução do nº de eleitos?
    E não tratem os funcionários públicos por igual que a maioria são parentes de quem nos tem desgovernado.Ou acabam com o desfgoverno ou são defenestrados e não deve tardar muito porque de mentirosos está o meu povo farto.E não falo daquele que “come” a papinha da propaganda.Estou a falar de patriotas fartos da traição, corrupção e roubo!Cuidem-se que qualquer dia salta a tampa…

    Comentário por Lusitânea — Outubro 19, 2011 @ 14:46

  4. Como se vê pelos não protestos e por Pacheco Pereira ter estado calado o que é mais fácil é aumentar impostos.
    Não me lembro de ouvir nenhum cavaquista a dizer algo contra aumento de impostos.

    Aliás é curioso vindo de alguém que está sempre a acusar e bem das traficancias que existem nos partidos pelos cargos não critique as traficâncias só se fazem com a cumplicidade da Função Publica e o seu crescimento desmesurado.
    Caso não tenha notado é só olhar o aumentos de impostos desde os anos 90 até hoje.
    Com os ordenados da Função Publica, Pensões e no geral gastos do estado a aumentarem muito mais que o crescimento da economia.

    Comentário por lucklucky — Outubro 19, 2011 @ 15:15

  5. E as pseudo-fundações, institutos e essa coisa extraordinária a que chamam de empresas privadas de capitais publicos etc etc?

    E não sabem onde cortar!? Fundação Mário Soares… O saque prossegue! – https://ovigia.wordpress.com/2010/10/01/e-nao-sabem-onde-cortar-fundacao-mario-soares-o-saque-prossegue/

    Quanto ao resto estou de acordo, os funcionarios publicos semrepre tiveram mais regalias que os outros, há que equilibrar a coisa, se não estão contentes há sempre a hipotese de se demitirem e irem para o privado…mas não creio.

    Comentário por rikhard — Outubro 19, 2011 @ 15:35

  6. De facto o governo tem vindo a aplicar no curto prazo (estamos a 4 meses) o tipo de medidas “mais facil” em termos de resultados imediatos no déficit orçamental e de um impacto visivel na imagem de rigor que pretande passar para a troika e para os mercados. Primeiro aumentando impostos, agora continuando a aumentar impostos e cortando nos salarios dos funcionarios e nas pensões.
    Deste ponto de vista esta a ser realista e eficaz.
    Talvez existam algumas medidas alternativas de cortes nas despesas do Estado, na estrutura, nas “gorduras”, que pudessem ter começado a ser aplicadas ja agora. Até com valor simbolico quanto ao caminho a seguir nos proximos tempos. Somos muitos a sentir alguma impaciencia e frustração pela demora.
    Mas, manifestamente, o governo resolveu não misturar etapas e concentrar-se precisamente no “mais facil”. E se calhar até tem razão. Querer fazer tudo de uma vez não é necessariamente o mais realista e eficaz.
    A verdade é que, com poucas excepções, as medidas alternativas de cortes nas despesas do Estado são “menos faceis”, exigem mais determinação, mais estudo, mais tempo, mais preparação. As consequencias, desde logo sociais (por exemplo, vai ser preciso por de lado muitos funcionarios publicos e vai ser preciso acabar ou dificultar o acesso a muitos dos actuais serviços publicos), mas também sobre a economia (o efeito recessivo adicional sobre a procura global é inevitavel), serão grandes. As resistencias (corporativas, sindicais, institucionais, grupos de interesses economicos, etc) serão muito fortes. Para esta fase o governo vai precisar de mobilizar um maximo de recursos e energias. Para esta fase “mais dificil” o governo tem interesse em ter a situação financeira do pais ja minimamente acautelada. Neste sentido, estar agora a fazer apenas o “mais facil” pode mesmo ser o mais inteligente politicamente falando.
    Claro que não sabemos exactamente o que é que o governo vai fazer a seguir. Até pode ser que, extenuado e satisfeito por ter resolvido os problemas urgentes das finanças do pais, resolva descansar no 7° dia e não fazer mais nada. Seria uma péssima noticia. Deitaria por terra a vantagem ganha na primeira fase. Não resolveria o problema de fundo. Condenar-se-ia ao insucesso final.
    Dito isto, por enquanto, é importante que o governo continue a fazer o que esta a fazer, que não ceda nem desfaleça. O que, no fim de contas, nem é assim tão “facil” como isso. Até porque “o fogo amigo”, do proprio campo, ja começou a cair (Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Cavaco Silva, etc) !

    Comentário por Fernando S — Outubro 19, 2011 @ 15:59

  7. A prova de que a medida não é fácil é que não foi tomada por nenhum governante nos últimos anos.

    As fáceis, aumentar impostos, foram tomadas por diversos governantes, consecutivamente.

    Comentário por essagora — Outubro 19, 2011 @ 16:13

  8. Mas os funcinários públicos mais qualificados podem arranjar empregos no sector privado se acharem que ganham pouco ou então criam as suas próprias empresas.

    Não percebo onde está o problema .

    Comentário por Paulo Pereira — Outubro 19, 2011 @ 16:14

  9. “A prova de que a medida não é fácil é que não foi tomada por nenhum governante nos últimos anos.
    As fáceis, aumentar impostos, foram tomadas por diversos governantes, consecutivamente.”

    Precisamente. Mas isso para PP e restantes cavaquistas não conta.
    Talvez preferisse despedimentos.

    Comentário por lucklucky — Outubro 20, 2011 @ 00:12


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