O novo embuste socialista, por Adolfo Mesquita Nunes no semanário Sol (sem link directo).
O PS tem ensaiado a tese de que o Governo se preocupa com a consolidação orçamental (chamam-lhe austeridade) e descura o crescimento. Para os socialistas, a obsessão do Governo com essa austeridade está a conduzir o país a um beco sem saída.Esta tese não passa de um embuste, e é bom que se perceba porquê.Em primeiro lugar, o país chegou a um beco sem saída pelas mãos do PS, que ignorou todos quantos alertaram para o disparate das políticas despesistas e de endividamento de José Sócrates. A austeridade que nos é imposta pelo memorando que o PS negociou e subscreveu tem o rosto dos socialistas. Todos os sacrifícios que estão a ser impostos aos portugueses têm uma origem: a obstinação socialista de gastar o dobro do que produzimos.Em segundo lugar, é importante perceber de que fala o PS quando fala em crescimento. Os governos PS, no poder quase ininterruptamente desde 1995, multiplicaram-se em planos de crescimento económico. Experimentem pesquisar no Google com “plano+nome de qualquer ministro PS” e descobrirão dezenas de planos em que o nosso dinheiro foi investido.Chegados a 2011, o resultado está à vista. Se os planos socialistas funcionassem, Portugal estaria na linha da frente. Mas não funcionam. Se o Estado tivesse a capacidade de gerar crescimento, Portugal seria um exemplo de crescimento. Mas não tem.Em terceiro lugar, o modelo socialista gera inevitavelmente um Estado tentacular. Um modelo de crescimento centrado nas mãos do Estado implica sempre aumento de despesa pública. É por isso que o PS se especializou no aumento da despesa. Mas se a despesa pública trouxesse, por si, crescimento, Portugal seria um dos países mais robustos da Europa.Assim, e este é o último ponto, a consolidação orçamental não é um capricho. É uma inevitabilidade. Porquê? Porque o PS gastou mais, muito mais, mas mesmo muito mais, do que aquilo que podia. E o dinheiro acabou, realidade escancarada, mas não gerada, pela crise internacional.O que fazemos nós quando o dinheiro acaba? Adaptamos as nossas despesas à nossa capacidade económica. O Estado não funciona de forma diferente. Se o dinheiro acaba (e é preciso recordar que o dinheiro do Estado sai dos bolsos dos contribuintes), é preciso reduzir as suas despesas.
Precisamos de crescer? Claro que sim. Mas o crescimento, que aliás nos permitirá sustentar as funções essenciais do Estado, não passa pela ilusão de que este se decreta por despacho ou se alcança com investimento público. Se assim fosse, e essa foi a resposta imediata de José Sócrates, Portugal teria sido o primeiro país a sair da crise, como aliás o então Primeiro-Ministro chegou a prometer.
O crescimento não passa por criar ilusões de que é possível gastar sem onerar o futuro, porque a conta terá sempre de ser paga. Vejam-se as SCUT ou as PPP que os socialistas tanto apreciaram: diziam que a coisa não se pagava ou que não ia custar quase nada, mas a factura, como alguns em tempo alertaram, acabou de chegar.
Não. Este Governo não está obcecado com a consolidação orçamental e a ignorar o crescimento. Está apenas ciente de que não há crescimento sem consolidação nem há robustez económica com um Estado gigante. E sabe, até porque a pesada herança a isso obriga, onde nos leva a alegria socialista de gastar agora e pagar depois.Por todos estes motivos, e ainda por alguns outros, a tese que António José Seguro tem protagonizado é um embuste que se traduz, na prática, em dizer aos portugueses: “fizemos tudo mal desde 1995 e a nossa receita para sair desta crise é… fazer mais do mesmo”.
Concordo com tudo, mas não ter metido aquele senhor que gosta dos sorrisos das vacas nessa crónica é pura hipocrisia politico-partidária…
Comentário por Manuel Costa Guimarães — Outubro 14, 2011 @ 13:27
o link n é para o artigo, é para a home page do jornal. tem o link directo para o artigo!? obrigado
Comentário por pedro — Outubro 14, 2011 @ 13:47
Caro pedro,
como assinalei, não existe o link para o artigo do Adolfo.
Resta-lhe comprar o jornal.
Comentário por ruicarmo — Outubro 14, 2011 @ 14:01
Peço desculpa pelo lapso. É o que dá ler na diagonal.
Comentário por pedro — Outubro 14, 2011 @ 14:03
Nada há a desculpar. Convém é ler com atenção o que o AMN escreveu.
Comentário por ruicarmo — Outubro 14, 2011 @ 14:05
Done.
Comentário por pedro — Outubro 14, 2011 @ 14:07
AMN : “O crescimento não passa por criar ilusões de que é possível gastar sem onerar o futuro, porque a conta terá sempre de ser paga.”
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Além de que, mesmo que tivéssemos ainda essas ilusões, já ninguém nos empresta o dinheiro para gastar agora com o hipotético “crescimento”.
No limite apenas há quem (troika) aceite emprestar para organizarmos a inevitável recessão.
Nas condições actuais a recessão é infelizmente uma passagem obrigatoria para talvez voltar um dia a ter condições para crescer de modo sustentável e virtuoso.
Comentário por Fernando S — Outubro 14, 2011 @ 15:22
[...] do costume 2 – Estou indignadíssimo 3 – Quero agradecer mas não sei como 4 – Sair do logro 5 – É preciso paciência, muita paciência… Classificar isto: Share [...]
Pingback por Top posts da semana « O Insurgente — Outubro 17, 2011 @ 00:26
Esquecemo-nos que foi um governo presidido pelo actual Presidente da Republica que começou com a destruição da agricultura, assim hoje importamos 75% de trigo, já para não falar em outros produtos, destruiu as pescas, assim hoje vamos ao mercado mais de 50% do pescado importado, destruiu a indústria, a marinha mercante, e começou com o encerramento das linhas férreas, investiu no betão, em vez de investir por exemplo no turismo uma vez que o nosso País é dos poucos na Europa que tem das melhores condições climatéricas para o turismo. Já todos ou a maior parte dos portugueses se esqueceram disso tudo só me leva a crer que realmente sofremos de Alzheimer. Só quem por má fé ou desconhecimento podia acreditar que nós mais tarde ou mais cedo não iríamos pagar essa factura bem paga, a factura apareceu no Sr. Sócrates mas ela ia aparecer estivesse quem estivesse no governo, mas o PS não está livre de culpas também, pois também ele continuou o que o PPD chefiado pelo Sr. Cavaco Silva tinha iniciado, tanto com o governo do Eng. Guterres como do Sr. Sócrates. E que dizer do celebre TGV? Já também todos se esqueceram que quem lançou o TGV foi o PPD pela mão do Sr. Barroso foi ele que na Figueira da Foz com o Sr. Aznar lançaram o TGV com 4 Quatro travessias era ministra das finanças a Sr.ª Manuela Ferreira Leite, a mesma que depois de sair do governo criticou o Sr. Sócrates sobre o TGV, foi também no governo do PPD que iniciou o estudo do novo aeroporto, em que o Sr. Carmona Rodrigues deu ordem de não poderem fazer qualquer tipo de construção na área reservada ao novo aeroporto na Ota. E a honestidade tanto dos políticos como dos economistas, e jornalistas onde esta ela? Toda esta gente alimentou a ideia que foi tudo do Sr. Sócrates quando sabem perfeitamente que não foi, ele como eu disse atrás continuou o que já vinha de trás, tivéssemos os órgãos de informação independentes como tanto apregoam e o povo não se teria esquecido. Estou muito á vontade porque nunca comi da mão de nenhum partido político, não devo favores a qualquer cor partidária, não uso palas nos olhos para ver só o que querem e como querem que eu veja eu veja.
Comentário por pensoalto — Outubro 17, 2011 @ 06:18