O Insurgente

Outubro 13, 2011

O fenómeno dos relógios parados

Filed under: Economia,Política — Carlos Guimarães Pinto @ 07:40

Nouriel Roubini está a tentar vender a sua empresa de consultoria económica. Provavelmente, porque se tornou redundante numa altura em que todos, independentemente da ideologia, afirmam vêr o fim do mundo ao virar da esquina. Apesar da pertinência das suas análises, Roubini faz parte de um movimento de opinadores, na sua maioria jornalistas e economistas, que adoptou a estratégia do relógio parado. Esta estratégia consiste em ter sempre a mesma opinião sobre o futuro da economia, dos mercados ou de outro assunto qualquer e esperar pelo momento em que eventualmente terão razão. Nesse momento tirarão créditos pela sua fantástica capacidade de previsão. Quanto mais extremo e raro for o cenário que prevêem, maior será o crédito que retirarão da sua previsão (mas também mais têm que esperar para que ela se concretize)

Um bom analista será sempre aquele que consegue fazer as melhores previsões em diferentes contextos. É aquele que sabe ser optimista e pessimista, dependendo do tempo e do lugar. É aquele que erra por pouco muitas vezes, não aquele que acerta em cheio poucas vezes. Afinal, é melhor guiar-se por um relógio permanentemente atrasado 5 minutos do que por um relógio parado, ainda que o segundo esteja certo mais vezes.

8 Comentários »

  1. “Esta estratégia consiste em ter sempre a mesma opinião sobre o futuro da economia, dos mercados ou de outro assunto qualquer e esperar pelo momento em que eventualmente terão razão.”

    Que nem uns austríacos…

    Comentário por Alexandre — Outubro 13, 2011 @ 08:27

  2. Caro CGP

    Vou-me limitar a apontar e criticar “ferozmente” as imagens que usou.
    Um relógio analógico parado acerta mais vezes, mas só 2 vezes por dia.
    O que é aconselhável é usar um relógio permanentemente adiantado 5 minutos.
    Por uma questão de respeito por terceiros e porque dá para ir até ao WC limpar o suor, ajeitar a gravata, escolher a mesa, pôr mais perfume, etc.
    Sobre esses assuntos de comentários e previsões económicas não digo nada, porque não só não percebo nada disso e porque me parece que esse “pessoal” que faz essas coisas é muito similar a astrólogos e videntes.
    Especialmente daquele tipo, dos que previam sempre, que naquele ano o Papa morria.
    Houve um ano em que acertaram todos…
    .

    Comentário por Mentat — Outubro 13, 2011 @ 10:21

  3. Eu por outro lado sou da opiniao de que nao há nada mais valioso do que um analista que se engana 100% das vezes.

    Comentário por Ricardo Dias de Sousa — Outubro 13, 2011 @ 10:33

  4. “Um relógio analógico parado acerta mais vezes, mas só 2 vezes por dia.
    O que é aconselhável é usar um relógio permanentemente adiantado 5 minutos.”

    Acho que estamos de acordo

    Comentário por Carlos Guimarães Pinto — Outubro 13, 2011 @ 11:09

  5. “… É aquele que erra por pouco muitas vezes, não aquele que acerta em cheio poucas vezes.”
    Concordo. Por exemplo, permitam-me este vaticínio:

    União Europeia, Estados Unidos da América e, em parte, Japão têm 3 formas de readquirir a prosperidade perdida:

    Cenário A – Esperar que na China as convulsões laborais obriguem o Partido Comunista a nivelar, elevar, as condições sociais do seu operariado. Óbice: vai demorar uns tempinhos. Entretanto…

    Cenário B – Baixar, para o nível do trabalhador chinês, as condições laborais nestes Países do Ocidente. Óbice: obviamente um programa eleitoral sem hipótese de (con)vencer. Entretanto…

    Cenário C – Legislar no sentido de separar os laços comerciais entre economias óbviamente não afins. Óbice: a Finança, que está a ganhar com este sistema, é que rege o exercício dos políticos. Entretanto …
    Resumindo: Catch 22 a nível global. :-)

    Comentário por JS — Outubro 13, 2011 @ 12:22

  6. Fenômeno, cara? Putzgrila!

    Comentário por Migas — Outubro 13, 2011 @ 13:03

  7. Fenômeno???? Será do calor?

    Comentário por BST — Outubro 13, 2011 @ 15:12

  8. É muito fácil ao EUA, Japao e U.E. aumentarem o crescimento económico e a sua competitividade :

    – baixarem os impostos pagos pelas empresas para valores baixos, da ordem dos 10% , tal como na Irlanda.

    – reduzirem a TSU ou equivalente para 10% ou menos.

    Comentário por Paulo Pereira — Outubro 13, 2011 @ 15:32


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