Setembro 4, 2011
pior a emenda que o soneto
Esta entrevista à RTP-N. Ricardo Carvalho: um magnífico jogador, mas francamente…
Setembro 3, 2011
A pobreza mais difícil de combater
Pobreza intelectual. Por Samuel de Paiva Pires.
Sem esquecer os aventais
Para o bem e para o mal, o verdadeiro pai da social-democracia portuguesa é Mário Soares – e não Cavaco Silva – pelo que a aclamação faz, também por isso, todo o sentido.
Desentendimento entre Ricardo Carvalho e Mourinho
Face aos últimos desenvolvimentos, vale a pena recordar esta notícia de 2005: Say sorry properly, Mourinho tells Carvalho
Ricardo Carvalho, already publicly humiliated by Jose Mourinho, has been told to apologise again for branding the Chelsea manager’s selection policy ‘totally incomprehensible’.
Hard-liner Mourinho is not satisfied with the conciliatory statement Carvalho issued on Friday, taking offence at its formal tone and failure to mention the manager by name.
He expected more from a player he has worked with for four years and banished Carvalho to the Stamford Bridge stands for Sunday’s 1-0 victory over Arsenal. The Portugal centre-back will remain there until Mourinho declares him properly penitent.
Chelsea captain John Terry yesterday supported his manager’s handling of an increasingly fractious squad, saying: “You can’t go away from the game if you are not involved thinking ‘I am fed up with it’. We did not have that last year and, thankfully, we have not got that this year.”
Terry tried to intervene on Carvalho’s behalf on Friday, asking that his team-mate’s £85,000 fine be reconsidered, a move that pleased Mourinho but did not change his mind about a player he felt was “in need of an IQ test”.
Carvalho enraged Mourinho when he complained in an interview with a Portuguese newspaper about his omission from the Chelsea line-up.
Leitura complementar: Direitos adquiridos ?
O liberalismo na gaveta
Portela ou Sá Carneiro? Por João Pereira Coutinho.
O economista brasileiro Roberto Campos costumava dizer, nos anos 80, que só existiam três saídas para o Brasil: o aeroporto do Galeão, o de Cumbica e o liberalismo. Hoje, em Portugal, só nos restam duas: a Portela e Sá Carneiro.
Isto porque o dr. Passos, depois de um namoro febril com o liberalismo, resolveu metê-lo na gaveta. Ele diz que não: haverá cortes ‘históricos’, de fazer corar a sra. Lorena Bobbitt. Mas de que servem cortes ‘históricos’ quando se destrói, por via fiscal, a riqueza e o consumo?
Pensava que já tinha visto muito no PSD
Mas ver Mário Soares convidado para falar na “universidade de Verão” do partido e a sair aclamado aos gritos de “Soares é fixe!” (por mais reserva mental que houvesse nos seus protagonistas) é coisa para deixar uma pessoa de boca aberta.
Mais um prenúncio da “morte do cavaquismo”?
Nem todos pelo aumento da carga fiscal (2)
Enquanto António José Seguro, infelizmente, dá sinais de pretender uma carga fiscal ainda maior e o actual Ministro das Finanças apresenta um preocupante défice de dúvidas, é de louvar a tomada de posição lúcida, oportuna e corajosa de Manuela Ferreira Leite: Ferreira Leite critica medidas do Governo para combater o défice.
Leitura complementar: Nem todos pelo aumento da carga fiscal.
Top posts da semana
Aqui fica o ranking dos posts d’O Insurgente mais votados dos últimos 7 dias. A lista foi obtida multiplicando o número total de votos de cada post pela respectiva classificação média:
1 – Etiam ruinae periere
2 – socialismo
3 – Demagogia e realidade (4)
4 – se a estupidez pagasse imposto…
5 – No Fio da Navalha
A impopularidade de Obama e a comunicação social portuguesa
A imprensa “esquecida”. Por Nuno Gouveia.
Mas interessava saber as razões para a imprensa portuguesa estar a “esquecer-se” de relatar esta queda abrupta de Obama nas sondagens. Até porque me recordo como foram lestos em referir a subida acentuada depois da morte de Bin Laden, um dos poucos sucessos que esta administração se pode gabar. Isto para não falar das imensas peças jornalísticas que se escreviam sobre a impopularidade de George W. Bush nos últimos dois anos do seu mandato. Será que imprensa portuguesa não tem lido a congénere americana?
Leitura complementar: A impopularidade de Obama.
Gato de Cheshire
Terminou o Gato de Cheshire. Os artigos do Luciano Amaral na imprensa continuarão a estar disponíveis aqui.
Misericórdia governamental
Uma nomeação perfeitamente normal num país em que quase tudo depende – directa ou indirectamente – do Estado: Santana Lopes será provedor da Misericórdia de Lisboa mas mantém cargo de vereador
O social-democrata Pedro Santana Lopes sucederá ao socialista Rui Cunha, antigo secretário de Estado da Inserção Social e que se encontrava a ocupar o lugar de provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa desde 2005.
Stand Up Economist
Yoram Bauman é um Economista de Stand Up, i.e., faz piadas com economia à mistura para audiências que conheçam as manhas da arte económica. Professor de Economia Doutorado, faz isto como “hobbie”, mas já vai dando entrevistas, lançando livros e cobrando umas boas comissões pelo seu show.
Eu sei, ele é de esquerda, tem pelo menos tendências Keynesianas e por vezes parece estar a querer fazer lavagem cerebral à audiência, mas ainda assim creio que vale a pena partilhar.
Deixo aqui links para os que mais gosto, mas no Youtube e no site dele podem ver tudo!
Sobre a crise financeira:
Sobre o espectro político:
Como fazer ovos mexidos, receita para economista perceber:
Enjoy the Weekend…
Setembro 2, 2011
Perry 44%; Obama 41%
Perry 44% Obama 41%; President Leads Other GOP Hopefuls
For the first time this year, Texas Governor Rick Perry leads President Obama in a national Election 2012 survey. Other Republican candidates trail the president by single digits.
A impopularidade de Obama
Se não for uma notícia em exclusivo nacional Insurgente deve andar lá perto: Obama Weekly Average Approval Holds at Term-Low 40%
President Obama’s approval rating has leveled off at the low point of his presidency, averaging 40% for the third straight week. Notably, his approval rating among several groups that previously gave him strong majority support — postgraduates, Hispanics, 18- to 29-year-olds, and lower-income Americans — is now below the 50% threshold.
Soares, o neoliberal
Mesmo trantando-se de uma conversão tardia (e porventura apenas temporária), é de saudar esta demonstração de conservadorismo fiscal de Mário Soares: Mário Soares não esperava tantos aumentos de impostos e diz-se preocupado
“As pessoas todas estão a ficar muito preocupadas [com o aumento de impostos]”, disse o antigo Presidente da República aos jornalistas, à chegada à Universidade de Verão do PSD, que decorre até domingo em Castelo de Vide.
Mário Soares recusou dizer se recorreria a outras soluções, que não o aumento de impostos: “Eu não sou ministro. Eles é que estão no Governo.”
Questionado se se está a chegar perigosamente ao limite daquilo que a classe média pode aguentar em termos de carga fiscal, Mario Soares respondeu: “Acho que sim, estamos para lá a caminhar.”
Jaula Fiscal: A Vida na “União de Transferências”
Independente de serem keynesianos, monetaristas, neoclássicos ou austríacos, há algo neste momento une praticamente todos os economistas fora do sistema político: a constatação de que zona euro não vai conseguir sobreviver na actual arquitectura institucional.
As elites políticas europeias tentam convencer as populações de que os resgates (bailouts) são fenómenos provisórios e que assim que os países colocarem as contas em ordem através da austeridade o problema fica resolvido. No entanto, eles sabem igualmente que o que apregoam é uma ilusão e que, dados níveis de dívida pública em causa, chegando a um determinado ponto de austeridade, algo irá ceder. Pode ser um default que contagiará todos os outros países, uma perda de confiança dos investidores na zona euro, o tribunal constitucional alemão a ilegalizar a acção do banco central europeu por este comprar dívida de outros países, uma revolta popular; enfim, as variáveis são imensas e, a prazo, esta arquitectura ditará o fim da zona euro.
Consequentemente, por saberem que a austeridade tem limites, até porque a austeridade significa, como se tem visto, a imposição de cargas fiscais economicamente (e moralmente) destruidoras, estas elites tentam assegurar desde já o futuro da zona euro. O futuro terá necessariamente de passar pela oficialização da União de Transferências (i.e. socialismo intergovernamental), apesar de os seus proponentes preferirem o termo “aprofundamento da integração europeia” ou, imponentemente, “Estados Unidos da Europa”.
Para isto contribuirá a institucionalização das obrigações europeias (eurobonds) que está em lista de espera até que todos os países imponham limites de endividamento nas suas constituições. Porém, tal como alega o economista alemão Prof. Dr. Kai A. Konrad do Instituto Max Planck: há demasiadas razões para se acreditar que estes limites não vão funcionar e que tal irá levar directamente ou indirectamente para a expansão do sistema de transferências monetárias actual; isto é, para a arquitectura institucional da União de Transferências.
Mas como será o futuro nessa União? No gráfico seguinte, Kai A. Konrad simulou o processo de transferências intergovernamentais nesse cenário hipotético de união fiscal para aferir o nível médio de redistribuição de recursos (de países com maiores receitas fiscais per capita para os que têm receitas menores).

Mesmo que os números mudem em relação à estimativa, a conclusão é muito clara: estamos a falar de redistribuição em alta escala de rendimentos dos contribuintes europeus; o suficiente para manter países inteiros em permanente subsidiação em detrimento de produtividade.
Perante este cenário, os países com maiores receitas fiscais (e.g. do norte da Europa) teriam incentivos para baixar impostos, pois dessa forma os recursos poderiam ficar nos seus cidadãos em vez de serem redistribuídos para Portugal, Espanha ou Grécia. Consequentemente, para impedir a existência destes incentivos, a união fiscal e federal só poderá existir com harmonização fiscal imposta por Bruxelas, tal como as elites da Europa central pedem consistentemente. Só com impostos iguais e altos em todos os países poderá a União de Transferências sobreviver.
O futuro nesta União seria um cenário onde qualquer proposta de redução de impostos em Portugal ou em qualquer país estaria à partida vedada por lei; e se estes baixassem em toda a União, tal significaria o fim da mesma. Por outras palavras, viver-se-ia dentro de uma jaula fiscal que manteria o projecto federalista europeu vivo.
Felizmente, o mercado dá cada vez mais sinais de que não confia na sustentabilidade deste projecto e as discórdias entre países e dentro dos países começam a fazer-se sentir. O fim da zona euro é mesmo o cenário mais provável; porém, se e quando este cenário vier, que venha preferencialmente antes da oficialização da União de Transferências; ou seja, antes de Bruxelas fechar a jaula fiscal para onde estamos agora a entrar.
Leitura complementar: Limite Constitucional ao Endividamento Público: A Prenda Envenenada
Por que é difícil perder peso
A wide spread problem: The difficulty of losing weight is captured in a new model
Gaining weight is easy. A surprisingly small imbalance, just ten extra calories a day, has driven the 9kg jump in the average American’s weight over the past 30 years. The reason reversing such gains is hard is that servicing this extra flesh means a person’s maintenance diet (the food required to keep his body ticking over) creeps up with his weight—and so does his appetite. That 9kg increase implies a daily maintenance diet that has 220 more calories in it than three decades ago. Returning to the average of the past means reversing every one of those 220 calories. Half-measures will result in a new equilibrium, but one that is still too heavy.
For example, a 23-year-old man who is 170cm tall (5’8″) should weigh 70kg, and be eating 2,294 calories a day. If he actually weighs 110kg he will be eating 3,080 calories to maintain his extra flesh and he thus needs to make a permanent cut of 786 calories from his daily diet if he is to get back to the 70kg desideratum. If he cuts less than this he will lose some weight, but eventually his intake will match the maintenance level for what he now weighs, and without further cuts his weight will stabilise. Someone who weighs 90kg, by contrast, need cut only 435 calories a day to get to his target—a far more manageable proposition.
In principle, the heavier person could make the necessary cuts in stages—reducing his daily intake again and again as he lost weight. In practice, that would take a will of iron, and the few people who have such willpower rarely get fat in the first place. The lesson, then, is to stay, rather than become, slim.
Nem todos pelo aumento da carga fiscal
Protestos no CDS contra novo aumento de impostos
A principal razão prende-se com o facto de este agravamento das cargas fiscais ser «completamente contraditório» com tudo aquilo que o partido – e até o parceiro de coligação – andou a defender durante a campanha para as eleições de 5 de Junho.
«Estas medidas não vão ao encontro do que defendemos na campanha. Bem pelo contrário», lamentou ao SOL um deputado centrista, que não esconde a sua preocupação, bem como a de outros colegas de bancada, com as contradições do Governo.
Ainda assim, os deputados do CDS mantêm a expectativa de que estas medidas mais duras marquem apenas uma primeira fase e que dentro de pouco tempo a carga fiscal possa ser aliviada.
Intenções e realidade
São notícias positivas. Resta aguardar que não se fique por aqui e que a realidade daqui por uns meses corresponda às intenções agora anunciadas: Governo anunciou hoje extinção das direcções regionais de Educação
O Ministério da Educação e Ciência anunciou a extinção das Direcções Regionais de Educação (DRE) e sua substituição por estruturas simplificadas. Não se trata apenas de mais uma medida para cortar a despesa mas, sobretudo, pretende-se uma simplificação administrativa, dar mais autonomia às escolas e melhorar a comunicação directa entre escolas e tutela, avisa o MEC.
Os novos dirigentes interinos que vão preparar a transição das direcções regionais de Educação para estruturas mais simples e com menos funcionários vão tomar posse hoje e deverão terminar as suas funções até ao fim de 2012.
Governo quer cortar 1500 milhões de euros nos ministérios sociais
O documento-base, a que o PÚBLICO teve acesso, é explícito: a fatia de leão dos cortes incide sobre as pastas sociais – Saúde, Educação e Segurança Social. São 1521,9 milhões de euros, o equivalente a 0,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), num total de 1,3 por cento que o Governo terá de poupar no próximo ano, de acordo com o compromisso internacional assumido com a troika.
Passos com “grande abertura” para limites constitucionais à dívida
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, manifestou hoje “grande abertura” para colocar na Constituição limites ao endividamento e disse que apenas aguarda pelo congresso do PS para “abrir esse debate constitucional” em Portugal.
Fundações e subsídios
Então? Vocês acham que a vossa fundação é viável? Por João Miranda.
Não é preciso pergundar às fundações se são viáveis. Basta cortar-lhes os subsídios.
Perguntas à “direita da receita” (2)
A iniciativa apresentada pelo governo de eliminar os descontos em sede de IRS relativos à saúde e à educação (medida que ainda não é claro que seja “temporária” e limitada a um horizonte de dois anos, como prometido em relação ao aumento do último escalão) aos contribuintes cujos rendimentos caiam nos dois últimos escalões, casos sintomáticos dos contribuintes que são forçados a pagar proporcionalmente a maior factura de um serviço que não desejam e que não utilizam (ou que pura e simplesmente querem escolher não o fazer), fazem parte do roteiro para a “liberdade de escolha” e para o “cheque-ensino” que nos foram anunciadas e defendidas por PSD e CDS desde há anos?
Eu cá acho que o governo está a fazer muito bem
Em menos de três meses o Governo arranjou maneira de pôr toda a gente, da esquerda à direita, a gritar desesperadamente por cortes na despesa. Quando (se?) aparecerem as tais medidas que vão representar um ajustamento orçamental de 7% do PIB até 2015, com uma redução de despesa primária de 9% já em 2012 (e no seguimento da redução de despesa de 4,8% até Julho deste ano), suponho que nem a uma manifzinha para animar as hostes vamos ter direito.
se a estupidez pagasse imposto…
“ (…) Mas, para além de ‘estúpida’, a inexistência de um imposto sucessório é a maior das injustiças fiscais. A razão é a seguinte: ao contrário do que acontece quando alguém constrói uma fortuna, ninguém tem qualquer mérito por ter nascido numa família rica. As circunstâncias sociais do nosso nascimento são, como se costuma dizer, ‘moralmente arbitrárias’. Por isso, os herdeiros não merecem a sua herança e, quando essa herança vai para além de um património razoável que é lícito que os pais queiram deixar aos filhos – por exemplo 500.000 euros, ou mesmo um milhão de euros –, então é da elementar justiça que esse património seja taxado (…) Estamos a taxar herdeiros que não têm moralmente direito àquilo que herdaram e que, na maior parte dos casos, irão desbaratá-lo.”, João Cardoso Rosas, hoje no Diário Económico (página 4)
Socialismo puro e duro: o Estado esmaga o Indivíduo. Ora, chegou o momento de fazer como na América: em vez de inscrevermos na Constituição um limite à dívida, deveríamos pensar em introduzir uma emenda constitucional consagrando “the right to bear arms”. Enfim, ao ponto que isto começa a chegar…
Setembro 1, 2011
A importância da consistência e da previsibilidade
A cultura de um país democrático é importante no momento em que uma empresa analisa a opção de investir em um determinado território. Em democracia representativa se uma maioria da população se revê em ideais igualitários é previsível que eleja Governos que implementem políticas igualitárias. Se uma maioria da população acredita na luta de classes então é natural que eleja Governos anti-capitalistas.
Em Portugal, a cultura e as idiossincrasia da maioria da nossa população leva a que nossa governação seja previsível e consistente. O orientação previsível e consistente da nossa governação é o principal desincentivo para o investimento externo em Portugal. Seria o equivalente a convidar um cleptomaníaco confesso a entrar em casa. Uma ideia que apenas passará na cabeça do cleptomaníaco.
Fuga de cérebros
A receita rápida para a redução do déficit público continua a passar por aumento de impostos. O argumento é que os efeitos são mais rápidos do que medidas que afectem a despesa.
A verdade é que um governo, com apoio de uma maioria parlamentar, pode implementar reduções de custo com efeitos imediatos. Pode fazer alterações mais estruturais aos orçamentos do próprio ano e de gestão corrente ao nível da gestão dos ministérios. Pode mas não faz. Não o faz não por razões de eficácia mas sim por razões políticas. Preferem aumentar os impostos a alguns porque custa menos votos.
As consequências que não aparecem nos modelos econométricos são devastadoras. Quantos é que tinham aguentado para ver o que trazia este governo para decidir se emigravam ou pelo menos mudavam a residência para outro país que não trata quem trabalha e tem valor como escravos de primeira? Quantos é que já terão tomado a sua decisão?
As consequências devastadoras não são os impostos que se perdem. São a produção intelectual materializada em produção e inovação que se perdem. Que se perdem em prejuízo dos mais desfavorecidos, os que não se vão embora porque não podem e que apenas gostariam de ter mais e melhor oferta de trabalho no país em que nasceram ou que escolheram viver.
Faz bem este Governo em preocupar-se com a fuga de capitais e em não introduzir mais impostos ao património. Faz mal este Governo em não preocupar-se com a fuga de cérebros que continuará a acentuar-se na medida que se acentua a fiscalidade sobre quem tem a capacidade de trabalhar bem o suficiente para ter rendimentos de “rico”.
Perguntas à “direita da receita”
Vai demorar muito para terminar a prestação de abortos pelo SNS, e desse modo poupar aproximadamente 5 milhões de euros por ano aos contribuintes portugueses (valor de ordem de grandeza semelhante à iniciativa que foi apresentada com pompa e circunstância pelo Ministro da Solidariedade e Segurança Social de reduzir chefias)?
Vejam lá se não é muito incómodo.
Economia, Política e Escolha Pública
A Metade, réplica a Pedro Lains. Por Miguel Noronha.
Qualquer decisão, mesmo as que resultam de escolhas maioritárias, é passível de ser contestada. Ainda mais num estado de direito democrático que reconhece os direitos (e a necessidade) de existência de opiniões concorrentes e mesmo antagónicas. O modelo democrático não exige ex-ante a definição da dimensão e das funções do estado. Outro ponto importante é que a natureza democrática dos processos de decisão não implica que os resultados obtidos respeitem os direitos individuais ou que sejam economicamente sustentáveis. A Teoria da Escolha Pública explica muito bem como processo legislativo pode ser desvirtuado.
O post original de Pedro Lains pode ser lido aqui.
Por um prato de lentilhas
O «Acordo…» para a entrega aos EUA dos dados pessoais dos cidadãos portugueses foi ontem ratificado pelo Parlamento. Os dados constantes do seu BI, caro leitor, podem agora ser entregues aos EUA por um «ponto de contacto» português que não tem de ser um juiz e nem sequer um polícia (até pode ser um agente do SIS ou do SIED, gente «impoluta», como os mais atentos às notícias já perceberam). E nem é necessário que o leitor tenha cometido uma infracção ao código da estrada: basta que o tal «ponto de contacto» ache que o leitor «irá cometer» uma infracção penal. O ADN de alguém que tenha sido acusado de um crime também vai direitinho para os EUA. Basta pedirem do lado de lá. Se a sua inocência for provada, os dados serão destruídos cá. Mas não lá.
[...]
Registe-se que, apesar do parecer contrário da Comissão Nacional de Protecção de Dados, o acordo foi ratificado com os votos favoráveis de PSD, PS e CDS. Contra, o PCP, o BE e o PEV.
A ler, o bem ilustrado artigo A CIA sonhou, o PS quis, o PSD e o CDS ratificaram, no Esquerda Republicana.
O país pindérico tem o governo que merece

Um dos homens mais ricos do mundo escreve que os bilionários como ele deviam pagar mais impostos. Em Portugal, os governantes concordam e criam uma taxa especial de imposto para famílias que ganham mais de 153 mil euros e eliminam deduções fiscais para famílias que ganham mais de 66 mil euros. A receita obtida com esta medida não deve chegar ao montante de imposto pago anualmente por Buffett.
AJJ à rasca (4)
“É insustentável. Foi com esta expressão que o Ministro das Finanças caracterizou ontem a situação financeira na Madeira, onde Bruxelas diz, agora, que o buraco é de 500 milhões de euros e não de 277 milhões (…) Alberto João Jardim, que se encontra de férias em Porto Santo, desvalorizou a declaração de Bruxelas, dando a entender que em período de campanha pré-eleitoral e até que se realizem as eleições regionais na Madeira (a 9 de Outubro) vão ser dados ‘números às pinguinhas’. E apontou alvos: ‘O que se está a passar foi aquilo que já avisei o povo madeirense: é mobilizar-se a comunicação social do continente, mobilizar-se agora os sectores da UE que estão afectos à Internacional Socialista e que estão a trabalhar neste grupo da troika, a Maçonaria mobilizou tudo quanto podia em termos de utilizar este período para atacar a Madeira.“, hoje no Diário Económico (página 23).
E, acrescentaria eu, mobilizar-se os extra terrestres, mobilizar-se os Planetas, mobilizar-se o Sol…raios, mobilizar-se todo o Sistema Solar!
Ps: E o Ministro das Finanças ainda tem a coolness para nos vir dizer que tem “indicações seguras de que a Madeira está inteiramente disponível para participar nesse esforço [de ajustamento orçamental]“…

