Com o Outono a despertar, constato que os africanos (subsaharianos) não entraram em Primaveras (as proto-manifestações de Luanda não chegam para fazer regressar uma andorinha). Entretanto as eleições livres no Egipto estão marcadas pela junta militar e foram prontamente boicotadas por boa parte dos partidos e movimentos que a elas podem concorrer. Provavelmente movido pela paixão ao Egipto, o actor e realizador Sean Penn, juntou a sua voz à de alguns egípcios que exigem na praça Tahrir o regresso da revolução. Na vizinha Líbia, a Primavera varre o deserto e varreu do mapa o regime de Kadhafi. Fontes bem posicionadas, relatam que o Mohammed Saeed al-Sahhaf líbio foi preso, vestido de mulher. Mais grave é o facto de se assistir na Líbia “libertada”, sem grandes problemas éticos, a uma espécie de “pogroms”contra os negros, por estes terem servido o coronel Kadhafi como escravos ou mercenários. Movidos pelo realismo cínico que a História e a política internacional são pródigas, apenas 20 dos 53 estados africanos reconhecem institucionalmente as novas autoridades líbias como tal. Os resultados do controlo e expansionismo árabe em África são conhecidos.
Setembro 30, 2011
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