Foi ontem divulgado o boletim de execução orçamental referente ao período de Janeiro a Agosto deste ano. Assim, temos que, no conjunto das administrações públicas, o saldo negativo acumulado é de 5.037 milhões de euros o que, tudo o resto constante, indica que, incluindo os buracos orçamentais (uns tantos salários, a Madeira e o BPN), chegaremos ao final do ano com um défice ligeiramente inferior aos 10.000 milhões fixados no Memorando de Entendimento como tecto máximo para 2011. Ou seja, mantenho o que já aqui escrevi diversas vezes: a sobretaxa de IRS representa uma prudência excessiva (e eleitoralmente indevida) do Governo pois, da análise dos números, não é necessária. Enfim, aguardo, esperançosamente, quiçá demasiado esperançosamente, a retirada da medida lá para o final do ano, no que seria uma jogada política de mestre do Primeiro-Ministro!
Quanto aos pequenos destaques, saliento o aumento das remunerações certas e permanentes no Ministério da Administração Interna, por causa das promoções e aumentos que se concederam às Polícias, e também no antigo Ministério da Presidência, por motivos que infelizmente se desconhecem (e que ninguém ainda se lembrou de pedir ao antigo titular da pasta, o Dr. Pedro Silva Pereira). Quanto ao outro, e principal, destaque: confirma-se que é nas transferências de capital que está neste momento o grande problema, pois um aumento de 416% (em euros, 650 milhões) na sempre enigmática “Outras transferências de capital”, que por sua vez representam mais de 30% de toda a rubrica “Despesas de capital”, indicia que o Tesouro anda a socorrer muitos aflitos, nomeadamente aqueles que no chamado Estado paralelo não se conseguem financiar sem ajuda. Por fim, ainda neste domínio do Estado paralelo, observa-se que o Ministro da Saúde, que na minha opinião tem sido um dos ministros com melhor desempenho governativo, tem ainda muito trabalho pela frente, nomeadamente naquele que é porventura um dos maiores cancros do País: as despesas com Parcerias Público Privadas no Sistema Nacional de Saúde aumentaram 46,1%…
[...] semana, quando me entretive a analisar os últimos dados da execução orçamental, não pude deixar de dar por mim a pensar no antigo Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos. O [...]
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