O Insurgente

Setembro 16, 2011

Madeira: a nossa Grécia? (2)

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 15:13

“Na sequência de um relatório publicado em Abril pelo Tribunal de Contas sobre os encargos assumidos e não pagos pela Madeira, o INE e o BdP avaliaram as contas da região e detectaram que as dívidas contraídas desde 2004 e objecto de Acordos de Regularização de Dívidas (ADR) em 2008 e 2009 não foram registadas como encargos assumidos e não pagos, não tendo sido igualmente comunicadas às autoridades estatísticas. No total, foram 1113,3 milhões de euros que escaparam às contas públicas e que obrigarão, agora, à revisão dos défices de 2008, 2009 e 2010.”, no Público online.

Em face destas notícias, hoje divulgadas, creio que o ponto de interrogação do título desta posta, a sequela de uma outra posta, deixou de fazer sentido – o título justifica um ponto final, mais nada. A Madeira é mesmo a nossa Grécia e Alberto João foi longe de mais, tendo o seu Governo Regional ocultado informação que era de registo obrigatório. Com estes novos dados, a pressão política que nos próximos dias se intensificará sobre o Primeiro-Ministro e também sobre o Presidente da República (Cavaco Silva, na minha opinião, é o principal responsável pelo comportamento negligente da República face à Madeira…) fará com que o PSD tenha, de algum modo, de se distanciar do candidato Alberto João, tirando-lhe o tapete eleitoral. É que, agora sim, meus senhores, está em causa o regular funcionamento das instituições democráticas. Entretanto, parece que ainda esta manhã o Presidente do Governo Regional falava em continuar a fazer obra…Raios, é mesmo obra!

17 Comentários »

  1. Ricardo Arroja,

    Vejo-me obrigado a fazer-lhe a vénia duas vezes no mesmo dia, é obra!…

    Quanto a A.J.Jardim, deveria neste momento estar já com os braços atrás das costas à espera das algemas.

    Se a UE vier a deixar cair a Grécia (e outros países em dificuldades), na Assembleia da República deveria ser discutido um referendo nacional (Continente, Açores e Madeira) sobre a possibilidade de conceder (forçar) a independência à Madeira…

    Comentário por Dervich — Setembro 16, 2011 @ 15:23

  2. Qual independência? A Madeira foi descoberta e povoada pelos nossos antepassados! Que se honre a sua bravura e a sua memória! Entregar a ZEE da ilha a interesses estrangeiros? Deixai de escrever asneiras que ferem o interesse Portugal! Não basta o que já estamos a sofrer pelos crimes cometidos contra a nação e contra os portugueses desde o dia 25 de Abril de 1974! A Madeira tem sim de ser posta na linha, nem que isso implique o fim do Governo Regional e a nomeação de um governador pela Assembleia da República e pelo Presidente da República. Se eles não se sabem governar em democracia, terão de ser governados de outra forma. Acrescento: esse argumento também se poderia aplicar a alguns concelhos do país, com dívidas exorbitantes. Gondomar, Aveiro, Valongo ou Faro são exemplos paradigmáticos…

    Comentário por Luis — Setembro 16, 2011 @ 15:31

  3. “Se eles não se sabem governar em democracia, terão de ser governados de outra forma. Acrescento: esse argumento também se poderia aplicar a alguns concelhos do país, com dívidas exorbitantes. Gondomar, Aveiro, Valongo ou Faro são exemplos paradigmáticos…”

    Também é verdade. No entanto, apesar deste descalabro recente na Madeira (a República esqueceu-se de impor regras e os Madeirenses também não quiseram saber dos abusos de poder na Ilha…), continuo a acreditar na bondade da Regionalização. O problema não está no modelo, está na forma como se o aplica. E a prova é que, por essa Europa fora, quer o modelo federalista como o modelo regionalista (o autónomo, em Espanha, em alguns aspectos aproxima-se infelizmente do exemplo madeirense) têm funcionado com proveito para as populações e respectivos países.

    Comentário por Ricardo Arroja — Setembro 16, 2011 @ 15:40

  4. “E a prova é que, por essa Europa fora, quer o modelo federalista como o modelo regionalista (o autónomo, em Espanha, em alguns aspectos aproxima-se infelizmente do exemplo madeirense) têm funcionado com proveito para as populações e respectivos países.”

    E o objectivo não será esse mesmo?

    Comentário por Dionisio — Setembro 16, 2011 @ 15:42

  5. Os berbicachos que o PS encontra quando convém já conhecidos por todos em vésperas eleitorais.

    Independência da Madeira? Os Espanhóis gostaram de saber… até porque não se debateram apenas por Olivença mas também pelas Ilhas Selvagens…

    Mas tudo isso não passa de um enorme disparate…

    Se AJJ tem dívida que a resolva como por cá estão igualmente a fazer… e dizer que os portugueses (continentais) é que pagam não passa de mais uma anedota, pois ambas as regiões autónomas cresceram em grande parte graças à FEDER e dinheiros europeus, tal como o fundo de resgate e etc’s não vem do bolso que tanto alegam…

    Ah e tal, têm o IVA mais baixo, têm regalias em voos, têm isto e aquilo… todos sabemos que existem razões justificativas para o mesmo. Ou um açoriano gastar 300 euros no mínimo para ir à capital equipara-se aos 30 euros do transmontano ou do algarvio?

    Portugal consegue tanto resolver o seu problema de dívida como a Madeira, respectivamente… e os números não são favoráveis a Portugal (continental)…

    Comentário por Dionisio — Setembro 16, 2011 @ 15:53

  6. Caro Ricardo Arroja, não gosto da importação de modelos europeus. Devemos sim desenvolver o nosso próprio modelo adaptado à nossa realidade histórica, cultural e económica. Por exemplo, a importação da social-democracia e do socialismo para a sociedade portuguesa foi um desastre. O crescimento económico tem vindo a cair a pique desde 1974, o endividamento não parou de subir, e a corrupção e o tráfico de influências estão incontroláveis. Os portugueses são diferentes dos espanhóis, e muitíssimo diferentes dos holandeses ou dos suecos. Portanto, por cá, o modelo terá de ser adaptado à nossa identidade cultural.

    Comentário por Luis — Setembro 16, 2011 @ 15:59

  7. “Portanto, por cá, o modelo terá de ser adaptado à nossa identidade cultural.”

    Caro Luís, disso também estou cada vez mais convencido. Num país onde não há ética na Esfera Pública e onde não há Opinião Pública que discipline as opções e o uso que se fazem dessa mesma Esfera Pública, os modelos importados da Europa do Norte estão condenados, como se vê e como o Luís descreve e muito bem, ao fracasso.

    Comentário por Ricardo Arroja — Setembro 16, 2011 @ 16:06

  8. Já que a Madeira é a “Grécia”…e o continente são os “Alemães”, eu defendo a criação de Tugabonds…

    Comentário por tric — Setembro 16, 2011 @ 16:18

  9. Falsificação de contabilidade, informação falsa, despesa sem cabimento orçamental, contracção de dívida sem autorização legal… tudo crimes que num país normal levariam a processos crime, processos administrativos, despedimentos e cadeia.
    Mas em Portugal os políticos têm imunidade.
    O povo gosta e paga.

    Comentário por ricardo saramago — Setembro 16, 2011 @ 16:20

  10. “Se a UE vier a deixar cair a Grécia (e outros países em dificuldades), na Assembleia da República deveria ser discutido um referendo nacional (Continente, Açores e Madeira) sobre a possibilidade de conceder (forçar) a independência à Madeira…”

    quando é que a Grécia cai…não esquecer, que Madeira tem direito a 100 toneladas de ouro do Salazar…a parte de Ouro que correspondia aos Continentais, já foi vendido por esse ecónomista muito venerado no Continente, Vitor Constãncio!!

    Comentário por tric — Setembro 16, 2011 @ 16:33

  11. E eu quero a minha parte do ouro do D.João V e da pimenta da Índia.

    Comentário por ricardo saramago — Setembro 16, 2011 @ 16:48

  12. “a nossa Grécia?”

    Não. O nosso Portugal Continental.

    Comentário por lucklucky — Setembro 16, 2011 @ 17:00

  13. “A Madeira tem sim de ser posta na linha, nem que isso implique o fim do Governo Regional e a nomeação de um governador pela Assembleia da República e pelo Presidente da República.”

    Quando Portugal é governado por uma troika…que tem o poder executivo ( Governo ) e de fiscalização ( Assembleia da Republica ) e do continente saem proposta deste alcance…tá tudo dito!

    Comentário por tric — Setembro 16, 2011 @ 17:28

  14. Mil milhões na Madeira…
    Sem prejuízo das consequências para os madeirenses pois serão eles que pagarão a dívida que serviu para construir aquilo que usufruem, o que fazer com estes?
    «Prejuízo das empresas do Estado passa de sete para 900 milhões em 2010».
    Passivo das empresas públicas aumentou 11,5% para 57 mil milhões de euros, o equivalente ao montante da ajuda financeira europeia a Portugal.
    Com a diferença que este passivo esfumou-se em subsídios a serviços que nada deixam para trás…

    Comentário por Gonçalo — Setembro 16, 2011 @ 20:01

  15. Então mas já foram fiscalizar os Açores?Pá sempre ouvi dizer “quando mija um Português, mijam dois ou três”…

    Comentário por Lusitânea — Setembro 17, 2011 @ 13:43

  16. Estou em crer que a situação das autarquias trará ainda mais supresas desagradáveis que a Região Autónoma da Madeira. É que tudo somado de Caminha a Vila Real de Santo António…

    Comentário por Luis — Setembro 17, 2011 @ 14:56

  17. Ora bem Luís. Ainda há muitas surpresas à nossa espera.

    Comentário por lucklucky — Setembro 17, 2011 @ 17:50


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