A qualquer momento Barack Obama vai lamentar-se da não existência de uma agência de rating de “raíz europeia”.
Agosto 7, 2011
preso por ter cão e preso por não ter
” (…) the central role of free-enterprise capitalism in a modern democracy has always been how to balance the role of the government and that of the market. While much intellectual energy has been focused on defining the appropriate activities of each, it is the interaction between the two that is a central source of fragility. In a democracy, the government (or central bank) simply cannot allow ordinary people to suffer collateral damage as the harsh logic of the market is allowed to play out. A modern, sophisticated financial sector understands this and therefore seeks ways to exploit government decency, whether it is the government’s concern about inequality, unemployment or the stability of the country’s banks. The problem stems from the fundamental incompatibility between the goals of capitalism and those of democracy. And yet the two go together, because each of these systems softens the deficiencies of the other.”, Raghuram Rajan, em “The Fault Lines” (página 18).
A citação anterior, que consta da introdução de um bom livro que acabei agora de ler, vem a propósito de uma provocação que hoje me lançaram: “veja bem dr., o capitalismo deu nisto”! Ora, o problema que hoje vivemos não tem nada a ver com uma suposta falência do capitalismo. Tem a ver, sim, com a democratização da finança, cujo esplendor máximo resultou nos empréstimos “subprime”. Agora, como é que tudo isto se reforma e se corrige? É difícil dizer…pois as reformas necessárias para restaurar a solidez institucional da banca colidem com os interesses da Democracia…e com os poderosos “lobbies” que a manietam!
Agosto 6, 2011
“É inevitável Portugal sair do euro e o euro tem os dias contados”
“É inevitável Portugal sair do euro e o euro tem os dias contados” afirma Desmond Lachman, antigo director adjunto do Fundo Monetário Internacional (FMI), numa entrevista exclusiva ao Expresso.
“Porque é que Portugal deve abandonar o euro?
É inevitável. Portugal não vai conseguir aguentar a políticas do FMI sem grandes cortes da despesa e sem deixar o euro. Esse será o fim. A minha pergunta é: se este será o fim, porquê esperar dois anos, que se avizinham de recessão, quando já sabemos que a saída do euro é fatal? Não sugiro que o default (incumprimento do pagamento da dívida) ou a saída do euro seja uma opção fácil ou que não vai provocar dor, mas apesar de tudo é preferível fazê-lo agora do que perder dois anos.
O Nobel da economia Milton Friedman disse em 1999 que o euro não resistiria à primeira recessão. Acha que ele estava certo?
Nem alguém tão pessimista como Friedman acharia um dia que os desequilíbrios orçamentais chegassem a este ponto, muito além do que se esperava. Para os corrigir só saindo do euro, caso contrário podem ficar mas aí terão um futuro estilo Letónia onde os programas de austeridade sucessivos levaram a quedas de produtividade de 26% e a um aumento do desemprego até aos 26%. Se é isso que querem….”
Agosto 5, 2011
Direito à associação e negociação colectiva
O que é que pode haver a opor a que indivíduos, constatando que têm interesses comuns em uma negociação, apresentem uma frente comum de negociação? À partida e em tese, nada.
Mesmo na perspectiva da contraparte negocial este movimento pode ter um impacto líquido positivo devido à redução dos custos directos e indirectos de negociação e contratação.
O conflito e consequentes problemas podem surgir com a desvirtuação do conceito de direito à associação e dos objectivos das negociações colectivas.
O direito à associação pode ser desvirtuado se implicar limitações ao direito inverso, o de não associação ou forçar acções de terceiros. Quando um trabalhador é forçado a associar-se, deixamos de falar direito e passamos a falar de obrigação. É uma violência pelo menos tão grande quanto a proibição de associação. Quando uma empresa é obrigada a pagar o trabalho dedicado a esta associação passamos a falar de expropriação de terceiros.
Quando os objectivos de negociação colectiva de um sindicato deixam de ser a defesa dos trabalhadores que pertencem a esse sindicato e passam a ser objectivos de terceiros com os quais podem inclusivé ser incompatíveis, estamos a falar claramente de desvirtuação de objectivos de negociação. Quando representantes sindicais entram em negociações com posições inaceitáveis e irredutíveis podem estar a cumprir com a agenda do partido político a que respondem mas dificilmente não estarão a desvirtuar os objectivos da negociação colectiva.
Entende-se que dado o desvirtuar sistemático dos objectivos da negociação colectiva pelos grandes sindicatos em Portugal apenas exista uma proporção significativa de sindicalizados em sectores em que existe uma grande limitação à não associação, nomeadamente no sector público.
Só se entende que partidos políticos que são responsáveis pela destruição da associação livre de trabalhadores e pelo desinteresse na negociação colectiva se apresentem como os seus grandes defensores porque vêm trabalhadores como um meio e não como um fim.
Segue forte o combate implacável do governo à despesa pública
Numa cerimónia na Amadora, o ministro da Solidariedade e da Segurança Social anunciou hoje cerca de 50 medidas que fazem parte do Programa de Emergência Social (PES). [...] O PES vai custar 400 milhões de euros no primeiro ano [...]
Adenda: Utilizando a excelente métrica que este governo já nos proporcionou, podemos portanto avaliar este Programa de Emergência Social (para já) em 0,4 cortes de 50% de subsídio de Natal, nos moldes já definidos e aprovados.
a escolha do mix
“O euro podia ter nesta crise a oportunidade para se afirmar como uma potência no mundo. Mas não consegue. Quem o dirige ainda não percebeu que a mudança exige abertura de espírito. Quando o mundo muda, as regras impedem a flexibilidade necessária à adaptação ao novo regime. O combate sem tréguas à inflação e ao défice público deixa de ser racional e transforma-se em preconceito e incompetência. E é uma sentença para o declínio.”, Helena Garrido, hoje no Jornal de Negócios.
Pois, concordando eu com a Helena no fim a atingir – o euro, de facto, tinha aqui uma extraordinária oportunidade para se afirmar como reserva de valor -, não concordo com a combinação de meios sugeridos. Aumentar os défices públicos, dada a abertura ao exterior das economias ocidentais, de nada adiantará; pelo contrário, servirá apenas para agravar o pilha de dívida e os respectivos custos de financiamento dos países já muito endividados. Quanto à inflação e à adopção de uma política monetária mais acomodatícia, aqui sim, já estou de acordo. É que na impossibilidade política e social de resolver os problemas de endividamento apenas pelo lado da austeridade orçamental, a inflação, resultante de um programa de “Quantitative Easing” a la americana, é uma arma fundamental. Em suma, a combinação certa para resolver o problema actual é a adopção de uma política monetária acomodatícia em conjunto com uma política orçamental restritiva.
strike 2
Depois de António Palocci, Nelson Jobim também vai borda fora. Entretanto, desde a eleição de Dilma, como Presidenta do Brasil, a Bovespa já perdeu um quarto do seu valor…
Mundo novo
Com pais tão maus como aqueles que tivemos, não sei como alguns de nós conseguiram sobreviver sem mazelas crónicas. É um mistério que tenhamos chegado aqui, como civilização, num mundo de pais “ausentes”. Mas agora sim, com tantos homens doutrinados na igualdade e especializados em “afectos”, o progresso é imparável. Só é pena que continuem a existir pescadores, militares, e outros homens menos caseiros, por obrigação ou por vocação, mas isso resolve-se ilegalizando a pesca ou proibindo a paternidade àqueles que se ausentem de casa por mais de três dias. Em nome do progresso e em defesa dos pais que nunca foram tão bons como agora. Sem autoridade, mas bons.
Keynesian FAIL
Stimulus Optimists vs. Economic Reality por Kevin Hasset:
Every stimulus effort has not two but three stages.
- When the stimulus is imposed, there is some positive short-run increase in GDP.
- When the stimulus is removed, there is an approximately equal and opposite reduction in GDP.
- But after that, the stimulus must be paid for with higher taxes or ongoing borrowing—causing a further reduction in GDP.
Thus the total impact of the Keynesian policy is negative over its life.
in the lengthy, slow‐slog out of a financial crisis, the stimulus hangover arrives before the recovery has taken off. Temporary stimulus therefore hurts the economy when it is removed and again when it is paid for. The hangover is virtually guaranteed to arrive at a moment when it can push us back into recession.
Worse, aggressive stimulus sets off a kind of Keynesian death spiral in which nervous politicians adopt repeated stimulus packages in order to avert near-term distress, the cumulative effect of which can be ruinous.
Keynesians might dispute this logic, saying that their policy prescription helps avert “catastrophic panic” in the economy. But there is no established connection between higher government spending and the mental health of consumers and investors, and there likely never will be. A policy that reduces long-run output should, if anything, increase the likelihood of panic.
Outra acha para a fogueira: “Keynesian Death Spiral” de Jerry O’Driscoll:
The more powerful one believes fiscal stimulus to be, the more adept the Keynesian policymaker must be .. An economist would ask from whence the knowledge to do this would come.
Agosto 4, 2011
O legislador isento
Abuso e simulação de sinais de perigo
Quem utilizar abusivamente sinal ou chamada de alarme ou de socorro, ou simuladamente fizer crer que é necessário auxílio alheio em virtude de desastre, perigo ou situação de necessidade colectiva, é punido com pena de prisão até l ano ou com pena de multa até 120 dias.
Os deputados, mesmo no exercício da sua competência de fiscalização do governo, estão isentos do cumprimento da lei?
Podem, por exemplo, simular um assalto para ver qual o tempo de resposta da polícia?
O mito do bom antropólogo
Excerto de uma entrevista do Carlos Vaz Marques com a antropóloga Joana Roque de Pinho, que viveu dois anos entre os Maasai, no Quénia:
“Carlos Vaz Marques: Houve alguma coisa que a transtornasse, apesar dessa objectividade e dessa necessidade de não julgar o comportamento de uma cultura, de uma sociedade?
Joana Roque de Pinho: Sim, houve coisas que aí já julgava.
Carlos Vaz Marques: Nomeadamente?
Joana Roque de Pinho: A corrupção. A corrupção que é uma característica muito queniana, a todos os níveis, económicos e políticos [...] e aí houve episódios que me revoltaram.
Carlos Vaz Marques: Mais do que a excisão? Mais do que o chicotear de mulheres?
Joana Roque de Pinho: Sim. Sim porque, lá está o meu idealismo, eu vejo um bocado essa corrupção e o desvio de dinheiros [...], vejo um bocado como uma consequência da introdução da economia de mercado e portanto esses Maasai já não são tão puros. [...] De facto revoltava-me mais.”
Já não sei quem é que disse que um antropólogo é alguém que respeita os valores de todas as culturas menos os da sua. Realmente é difícil perceber quem é que é o selvagem no meio de tudo isto.
Depois sou eu que sou impaciente e não dou o benefício da dúvida e tal
Cada minuto passado nestas tretas de tentar sacar mais receitas é um minuto que não é passado no que realmente importa.
incumprimento e despejos
“A crise económica e financeira fez disparar o número de empresários, comerciantes e industriais que deixaram de pagar a renda dos espaços que tinha arrendados para exercer o seu negócio. Entre 2008 e 2010, segundo as mais recentes estatísticas do Ministério da Justiça, a que o Diário Económico teve acesso, o número de acções de despejo que deram entrada nos tribunais contra estes empresários ou industriais aumentou 30,2%. O motivo foi sempre o mesmo: falta de pagamento das rendas. O aumento deste tipo de processos judiciais deu-se também no que toca aos prédios arrendados para habitação, em que o morador deixou de pagar a renda, mas neste caso subiu 9,7%, entre 2008 e 2010 (…) a demora destes processos em tribunal continua a ser uma das maiores dores de cabeça e queixas dos proprietários. Depois de colocada a acção em tribunal contra os empresários, os proprietários dos prédios urbanos só viram a situação resolvida mais de um ano depois. Os dados do Ministério da Justiça mostram que as acções demoram 13 meses em tribunal neste caso concreto. Romão Lavadinho [presidente da Associação de Inquilinos Lisbonenses] reconhece que o tempo é exagerado (…) mas pede que seja criado um tribunal arbitral e que tidas em conta as situações em que o arrendatário vive numa situação social grave e motivada pela crise.”, Diário Económico de hoje, página 10.
O tema do arrendamento é um tema que sempre me interessou, nomeadamente no segmento familiar. Primeiro, porque nem sempre entendi os motivos que conduziam as pessoas à compra de habitação própria em detrimento do arrendamento, sobretudo quando invocados por jovens em início de vida sem quaisquer reservas patrimoniais. Enfim, aquela ideia de que “ao pagar uma prestação ao banco estou a pagar para uma coisa que um dia será minha, enquanto que se pagar uma renda isso já não é assim” sempre me pareceu “short sighted, to say the least”… É que, no caso dos jovens, a flexibilidade conferida pela inexistência de amarras físicas e financeiras é um activo intangível de difícil quantificação, mas, parece-me, de enorme valor. Segundo, porque nos próximos anos, com a inflação que antecipo estar a caminho, o investimento imobiliário voltará a ser uma aposta forte de investidores, em especial de investidores particulares. E, terceiro, porque estando eu próprio em vias de me tornar senhorio também terei interesses a defender.
Ora, um país como o nosso, que precisa urgentemente de atrair investimento, seja este interno ou externo, é um país que tem de aprender a respeitar a propriedade, seja esta pública ou privada. E esse respeito pela propriedade tem de se ser salvaguardado e protegido pela Justiça. Assim, por mais duro e inflexível que possa parecer, a verdade é que a única forma de verdadeiramente se proteger a propriedade, em especial a privada, é eliminar todo e qualquer argumento “social” que possa protelar uma acção de despejo resultante da falta de pagamento da renda. Porque não é aceitável que um proprietário não possa aceder ao seu próprio imóvel, pago do seu próprio bolso, de forma incondicional em caso de violação contratual do inquilino. E menos aceitável é que a habitação privada seja transformada em habitação social.
Portanto, para além da alteração das disposições legais que dão cobertura a regimes de “compreensão”, bastaria que todas as rendas previstas nos contratos de arrendamento fossem pagas através de transferência bancária, datada contratualmente, para que resultasse muito claro o momento exacto do incumprimento e para que, assim, se procedesse automaticamente à acção de despejo após dois meses sem pagar (que, por sua vez, seriam suportados pela caução). Sem mais conversa. Só assim se matariam pela raiz os abusos, “because you always find reasons to drink”…Quanto às situações socialmente dramáticas, bom, estes casos poderiam ser encaminhados para a habitação social, como já se faz, sendo que, se subitamente se registasse um afluxo significativo de novos inquilinos, até seria um bom incentivo a um maior escrutínio por parte da administração e da opinião pública no sentido de apurar a verdadeira natureza dramática de cada situação. Além disso, a beleza do arrendamento é que se um imóvel não serve, entre outros motivos, porque a renda é muito alta, existirá certamente um outro qualquer que acabará por servir. Enfim, de uma coisa estou certo: posicionar Portugal como um país onde os “ocupas” são tolerados e bem-vindos não atrairá investimento nem investidores, a começar pelos próprios portugueses.
Ps: Como não estamos em época de vender seja lá o que for e como também não quero desfazer-me do meu antigo apartamento, resolvi dar um salto de fé (acreditando na troika!) e alugar o espaço….espero não me arrepender!
Escassez de sangue e o mercado
Sanguessugas. Por João Rodrigo, estudante de medicina que escreve um texto onde propõe soluções de mercado livre para o problema da escassez de sangue disponível nos serviços médicos.
Agosto 3, 2011
Para quem tem nojo do lucro dos bancos…
Dá gosto ver o PCP e o BE a ensinar gestão bancária ao país, à boleia da nacionalização do BPN. A patuscada que seria se pudéssemos nacionalizar o resto da banca. Estamos a perder uma grande oportunidade de vermos os bancos portugueses administrados por pessoas verdadeiramente “competentes e independentes”.
uma cultura enraizada
O ministro da Economia Álvaro Santos Pereira denunciou, e fez muitíssimo bem, a existência de um ambiente de ostentação nos ministérios que agora chefia, classificando-o de insultuoso face à crise que Portugal vive. E foi interessante ver as caras contraídas dos deputados do PS perante as afirmações do novo ministro. Mas, curiosamente, creio que a denúncia de Santos Pereira nem sequer tinha em vista pôr em causa as pessoas do PS. Pelo contrário, creio que o ministro acabou por sublinhar uma certa cultura instalada, pela qual as pessoas – do PS ou do PSD/CDS –, naturalmente, se deixam seduzir.
Vou dar um exemplo: há tempos fui convidado para um programa de televisão em Lisboa, no qual se debateu a questão dos transportes públicos. Um dos outros convidados era o chefe de gabinete do então secretário de Estado. À saída, enquanto eu me dirigia para o meu carro, pude observar o referido senhor – uma simpatia de pessoa, sublinhe-se – a dirigir-se para uma viatura de alta cilindrada do Estado, aparentemente novinha em folha e acompanhada do respectivo motorista fardado a rigor. Perguntei-me: não poderia o senhor chefe de gabinete do secretário de Estado ter ido de táxi? É que já nem digo de transportes públicos – seria, apesar de tudo, um bom exemplo, sobretudo tendo o programa versado aquela matéria –, mas não bastava chamar um simples táxi? Pelos vistos não, é mesmo preciso um Audi A8…para transportar um indivíduo que, por mais consideração que me mereça, ocupa uma posição subalterna na hierarquia governamental. Enfim, como disse antes, não estão em causa as pessoas que, porventura, até dispensam estas benesses; está em causa uma cultura instalada que faz parecer mal quem das benesses não beneficia.
Assim, se Álvaro Santos Pereira quer mesmo dar o exemplo, acabando com aquilo que acaba de denunciar, então, que alargue o exemplo do seu ministério a todos os institutos públicos que por aí existem e que, de si dependendo, praticam abusos ainda piores.
Ps: A propósito de transportes públicos e da recente alteração tarifária, entendo a insatisfação dos utentes pela subida dos preços. Mas não entendo a intrujice – lamento, mas não há outra palavra – que as associações de utentes veicularam na comunicação social, a fim de envenenar a opinião pública contra uma medida absolutamente imperiosa e infelizmente ainda insuficiente. Em Democracia, não pode valer tudo…
Definir a crise para sair da crise
Vale a pena ler este artigo do Kenneth Rogoff, um dos autores de um enciclopédico estudo sobre crises financeiras do passado intitulado “This Time It’s Different: Eight Centuries of Financial Folly” que devia ser leitura obrigatória por estes dias. Fiquem com uns excertos:
“Too many policymakers have relied on the belief that, at the end of the day, this is just a deep recession that can be subdued by a generous helping of conventional policy tools, whether fiscal policy or massive bailouts. But the real problem is that the global economy is badly overleveraged, and there is no quick escape without a scheme to transfer wealth from creditors to debtors, either through defaults, financial repression, or inflation.“
“The aftermath of a typical deep financial crisis is something completely different. [...] It typically takes an economy more than four years just to reach the same per capita income level that it had attained at its pre-crisis peak.”
“Many commentators have argued that fiscal stimulus has largely failed not because it was misguided, but because it was not large enough to fight a “Great Recession.” But, in a “Great Contraction,” problem number one is too much debt. If governments that retain strong credit ratings are to spend scarce resources effectively, the most effective approach is to catalyze debt workouts and reductions.”
(Via Virginia Postrel)
meritocracia
“Os estudantes do ensino superior vão conhecer ‘nos próximos dias’ o novo regulamento de bolsas de estudo. A garantia foi dada pelo ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, durante a sua primeira audição parlamentar na Comissão da Educação (…) Apesar de não querer entrar em muitos pormenores sobre os cerca de 40 mil candidatos, o ministro deixa desde já o aviso de que ‘o novo regulamento introduz algum agravamento na bolsa e na sua exigência’. Um alerta para os estudantes universitários a quem Nuno Crato vai exigir mais do que os 50% de sucesso escolar, como condição para ser bolseiro (…) ‘As bolsas são para quem estuda e 50% de sucesso escolar parece-me ser muito pouco.’ ”, Diário Económico de hoje (contracapa).
Apoiado! Tratando-se de uma medida que, do ponto de vista orçamental, é simbólica, não deixa de ser um passo no sentido certo. Já agora, já que ainda estamos no domínio das pequenas medidas – aguardo novidades acerca do novo modelo de avaliação dos professores e aguardo, sobretudo, a reacção do meu clube de fãs! –, gostaria de sugerir ao ministro que actuasse também numa área que me parece particularmente chocante no regime de admissão à Universidade: refiro-me aos alunos que, entrando nos mais variados cursos (incluindo Medicina) com estatuto de alta competição, nunca mais voltam a fazer uma flexão ou um abdominal na vida. Querem entrar nos cursos com médias mais altas: têm de estudar e deixarem-se de esquemas. Ou, então, têm de estudar e honrar Portugal nos Olímpicos!
winners and losers
“Há pelo menos dois anos e meio que se sabia que a venda do BPN só seria possível se o Estado pagasse para o vender. Agora, concluída a operação, meio mundo age como se o BPN fosse ‘A Jóia da Coroa’ da banca portuguesa (…) P.S. – O Governo devia perguntar aos grupos que foram ao BPN se pode divulgar as propostas…”, Camilo Lourenço, hoje, no Jornal de Negócios.
Ora, nem mais! O Camilo é que tem razão. E é por isso que, nos termos do Memorando de Entendimento com a troika, a solução encontrada foi a solução possível. Mais, segundo é hoje noticiado, o chamado Núcleo Estratégico de Investidores (NEI), que alegadamente propôs 100 milhões pela aquisição do BPN, queria pagar apenas 5% “upfront”, pagando os restantes 95% durante os próximos seis anos através de linhas de crédito que, segundo sugeriu a secretária de Estado do Tesouro, ainda não estariam negociadas (Diário Económico de hoje, ler na página 26) …
Portanto, as perguntas que se devem colocar não se devem centrar nos supostos 100 milhões do NEI e se estes são melhores que os 40 milhões do BIC. Não. As perguntas que devemos colocar ao Governo são outras, nomeadamente:
a) Excluindo a insuficiência de capital, qual é a avaliação patrimonial actual do BPN (activos imobiliários, em particular a rede de balcões + carteira de depósitos e investimentos + carteira de créditos cobráveis – custos indemnizatórios associados ao pessoal)? E compará-la com os 40 milhões do BIC…
b) Adicionando, à insuficiência de capital, as garantias dadas pela CGD, que viabilizaram o financiamento do BPN desde que este foi nacionalizado, qual seria o custo total de uma eventual liquidação do banco? E compará-lo com um terceiro cenário alternativo, a negociar com a troika, de integrar o BPN na CGD como, de facto mas não de direito, tem sucedido desde 2008…
Uma última nota quanto ao chamado NEI: em vez de se fazerem representar por um senhor que parece saído de um daqueles concursos de bigodes exóticos, seria melhor que se fizessem representar de forma profissional e transparente, falando e gesticulando a linguagem de um banqueiro, pois só assim se tornarão credíveis…se é que ainda vão a tempo.
Ps: Neste processo BPN, para além do putativo comprador (o BIC), houve um outro grande vencedor: chama-se Grupo Galilei, outrora, também conhecido por SLN …
Agosto 2, 2011
Top Gear – Electrical cars: Nissan Leaf and Peugeot iOn
Top Gear (2011.07.31) – Season 17 Episode 6 3/5
(via EcoTretas: Top Gear e veículos eléctricos)
O Estado não somos todos nós
No meio da discussão na caixa de comentários deste artigo do Carlos M. Fernandes aparece o velho argumento “o Estado somos todos nós”, evocado pelo comentador Joaquim Amado Lopes. Se o Estado “não somos todos nós” então o que é o Estado, pergunta o Joaquim.
Existem várias teorias, ou “opiniões”, sobre o que é o Estado. Há nesta casa quem possa escrever livros sobre o assunto, sendo que eu não sou um deles. Uma delas, e simplificada, faz do Estado um conjunto de instituições a quem é delegada constitucionalmente uma série de poderes e responsabilidades. Quem são os agentes que exercem esses poderes e com que legitimidade? Em Portugal elegemos os agentes, os governantes, por voto universal e secreto e dizemos que estes têm legitimidade democrática.
Desta forma o Estado não somos nós. O Estado existe para nos servir e tem os poderes e recursos que nós lhe damos.
As grandes discussões políticas advém destas definições. Que poderes e recursos é que damos ao Estado? Quais são as bases morais e éticas que os justificam? Como é conferida a legitimidade dos agentes do Estado?
A falácia de que o Estado somos todos nós é apenas um argumento usado por quem defende o aumento, muitas vezes sem limite, dos poderes e recursos do Estado. Não deixa de ser apenas isso, uma falácia.
Um problema de escolha pública
No Jornal de Negócios, Pedro Santos Guerreiro queixa-se de que «o Estado somos nós, mas é deles». Uma frase espelha todo o problema. O povo elege representantes e depois indigna-se com as escolhas destes. Quando as chefias da função pública são nomeadas pelo executivo eleito, isso levanta críticas; mas a alternativa, ter chefias não eleitas, seria igualmente criticável pela sua falta de mandato democrático. Catch-22. Pedro Santos Guerreiro gostava de ter uma função pública escolhida com base na competência. Eu também; a diferença é que eu sei que isso nunca vai acontecer, pela própria natureza da coisa. Querem menos jobs for the boys, menos oportunidades de sequestro da coisa pública pelos partidos? Só diminuindo o número de jobs e reduzindo o tamanho e áreas de actuação do estado. Qualquer outro caminho é equivalente a ficar à espera de um milagre.
Acredite se quiser (Versão original)…
Benfica compra Roberto ao Atlético de Madrid por 8,5 Milhões.
Só quem acreditou no valor da aquisição é que acredita no valor da venda.
E que tal um Lagarto verde em vez de um Leão branco…
Imitação por imitação…conseguiam fazer ainda mais gente rir.
Mais argumentos para a privatização da CGD
Boas e más notícias do Governo de Portugal. Por José Manuel Fernandes.
Em política o que parece é, pelo que não julgo haver forma de concertar o desastroso processo de nomeação da nova equipa de gestão da Caixa Geral de Depósitos. Primeiro, mudou-se o modelo de governação, regressando-se à chefia bicéfala (um chairman, um CEO) que deu maus resultados no passado. Depois, nomeou-se o que parece ser uma espécie de “governo de coligação”: o chairman é próximo do Presidente da República, o novo CEO vem do Banco de Portugal e parecer ser a escolha do ministro das Finanças, o primeiro-ministro terá tido direito a um vice-presidente, e o CDS manteve um vogal. No total, os novos órgãos de gestão somam 11 elementos, mais quatro do que a antiga administração (ou apenas mais um, se se considerar que deixa de haver Conselho Fiscal). Apesar de poucos contestarem o nome escolhido para CEO, a verdade é que ao vir do Banco de Portugal, que deve regular o sector bancário, viola o princípio de que não deve haver transferências directas de cargos entre regulados e reguladores. Por fim, sobram os casos de eventuais incompatibilidades ou conflitos de interesse, algo muito temível numa empresa que desempenhará um papel central no processo de privatizações. Tudo isto pode ter uma explicação razoável, pode até haver razões para o “orgulho” manifestado publicamente pelo ministro das Finanças, mas o mal está feito: este processo pareceu mostrar que continua a haver jobs para os boys e que a contenção defendida noutras instâncias não se aplica à Caixa. É o mais desastroso passo em falso do Governo desde que tomou posse.
Marcelo Rebelo de Sousa disse que a escolha de Nogueira Leite para administração da Caixa Geral de Depósitos indicava que o Governo já não teria qualquer intenção de privatizar o banco público. Escapa-me o fio deste raciocínio, mas não me escapa outra evidência: ao fazer as escolhas que fez, e da maneira que fez, o Governo deu mais argumentos aos que defendem a privatização da CGD.
Leitura complementar: A importância “estratégica” de a CGD continuar a ser do Estado; Confusão na CGD; A privatização da Caixa Geral de Depósitos; Sinais contraditórios: os onze administradores da Caixa Geral de Depósitos.
Agosto 1, 2011
«Transparência e Integridade»: a corrupção da luta anti-corrupção
Há sinais crescentes de que o país passa por momentos extraordinários. No mesmo dia, o Luís Lavoura concordou com um post meu e eu concordo com um post do deputado Carlos Abreu Amorim: A corrupção da luta anti-corrupção
«O parlamento é o centro da corrupção», disse o meu amigo Paulo Morais, agora, infelizmente, em companhia de candidatos a novos apóstolos – uma organização que, com assinalável modéstia, se diz da «Transparência e Integridade». Vi a sua página na internet. Muitas acusações e insinuações, transbordando uma agenda política anti-mercado e que favorece o ideal anacrónico do controlo férreo dos cidadãos por um Estado que deverá sempre privilegiar os fins em detrimento dos meios. «Todas as generalizações são falsas – incluindo esta última», recordei de imediato.
Quando se desqualifica uma categoria profissional ou social (os «professores», os «médicos» ou os «políticos») imputando-lhe uma variedade de falhas que as polvilham por completo e quase sem esperança de excepção redentora, está-se a perpetrar uma generalização grosseira. Encarar um debate desse modo aligeirado, abate todo o valor argumentativo do discurso. E arruína qualquer eventual ensejo analítico que ainda possa subsistir.
Os «transparentes» asseguram que as reformas da Troika e as privatizações são um risco de corrupção: política arcaica, vinda de quem nunca se reciclou da extrema-esquerda dos meados de setenta do século passado, tristemente acompanhados pelos que não se importam de fazer de «idiotas úteis».
Dali depreende-se que todo o sucesso económico corre o sério risco de ser suspeito de corrupção. No fundo, quase tudo é corrupção – logo, essa santa sanha anula-se a si mesma facilitando muito daquilo que julga querer evitar.
O Ataque das Patentes – Parte II
No passado dia 14 de Julho, a Spotify, que presta um serviço de streaming musical supostamente revolucionário que tem feito furor na Europa desde 2006, abriu portas nos Estados Unidos. No dia 28 de Julho foram processados pela Packet Video por violarem patentes que supostamente cobrem a tecnologia que a Spotify usa para fazer streaming. Patentes que foram atribuídas a uma empresa que a Packet Video comprou em 2007 e que datam originalmente de 1995, uma altura em que, como é sabido, já estava tudo inventado nesse campo.
Nada que quem tivesse ouvido este programa, ou lido isto, não estivesse à espera.
Aguentaram-se 14 dias. Um sonho.
Não há viagens grátis…
Uma situação a rever pelo actual Governo, desejavelmente no âmbito do processo de privatização das respectivas unidades de negócio: 150 mil funcionários públicos têm direito a descontos na CP
Por lei, há cerca de 150 mil funcionários do Estado que têm direito a descontos nas viagens em transportes públicos que podem ir até 75%. Mas estas “borlas” não deveriam ser uma perda de receita para a CP, que também por lei tem direito a ser compensada. A operadora tem protocolos com entidades públicas e privadas que regulam condições tarifárias especiais, explica fonte oficial da empresa, que não avança com o número de passageiros que beneficiam destes descontos. Segundo um levantamento feito pelo i, entre militares, agentes da PSP e GNR, funcionários da Justiça, incluindo magistrados, no activo e na reforma, haverá um universo de 150 mil pessoas que podem beneficiar dos descontos. Mas isso não quer dizer que todos o façam. Para beneficiarem, têm de apresentar documento comprovativo ou requisição.
Os trabalhadores da CP e respectiva família têm direito a viagens grátis, mas com algumas restrições de classe. Os funcionários da Refer também usufruem de descontos fixados em protocolo.
O Instituto Português da Juventude, a Movijovem e a Fundação para a Divulgação das Tecnologias de Informação?
Dizem que os vão fundir. E que tal extingui-los? Por Helena Matos.
As confusões de D. José Policarpo
Infelizmente, D. José Policarpo tem revelado com demasiada frequência a sua propensão para gerar este tipo de confusões: Patriarca chamado ao Vaticano para se explicar sobre ordenação de mulheres
No esclarecimento publicado a 6 de Julho, e que pode ser lido na íntegra no site do patriarcado, o cardeal dizia que nos primeiros tempos do Cristianismo “é notória a harmonia entre o facto de o sacerdócio apostólico ser conferido a homens e a importância e dignidade das mulheres na Igreja”. E, depois de citar a carta de João Paulo II, afirmava que seria para ele “doloroso” que as suas palavras “pudessem gerar confusão” na adesão “à Igreja e à palavra do Santo Padre”.
A RTP como teste para Passos Coelho
A pressão dos grupos de interesses que se opõem à privatização da RTP é, naturalmente, grande, mas se Passos Coelho capitular e desistir da privatização da RTP, perde boa parte da sua autoridade e da sua credibilidade política, pelo menos no que diz respeito à capacidade para concretizar reformas significativas.
Início de férias com chuva
Para muitos portugueses, as férias vão começar com chuva e e céu muito nublado: Doze distritos em aviso amarelo por causa de trovoadas e chuva
Doze distritos estão com aviso amarelo por causa das trovoadas e aguaceiros fortes previstos para hoje pelo Instituto de Meteorologia. O primeiro dia de Agosto traz ainda uma ligeira descida da temperatura.
BPN: um negócio ruinoso para os contribuintes
O mais recente episódio numa saga cujo custo total para os contribuintes portugueses ascenderá a vários milhares de milhões de euros: BIC ganha BPN e Estado paga custos dos despedimentos
BIC só assegura manutenção de 750 colaboradores e Estado paga “custos com eventual cessação dos vínculos” restantes, que podem ser mais de 50% dos efectivos.
(…)
O Estado e o BIC vão agora ultimar os pormenores do negócio, tendo já ficado acordado que caso este banco venha a conseguir um lucro acumulado superior a 60 milhões de euros nos próximos cinco anos, “será pago ao vendedor uma percentagem de 20% sobre o respectivo excedente, a título de acréscimo de preço” – ou seja, se o banco conseguir acumular 65 milhões de lucro nos próximos cinco anos, o Estado receberá mais um milhão de euros. Também ficou definido que “a recapitalização do BPN, prévia à transmissão das acções, ascenderá a cerca de 550 milhões de euros”, a serem realizados pelo Estado. Segundo as Finanças, o BPN custou aos contribuintes até agora 2,4 mil milhões de euros.
Top posts da semana
Aqui fica o ranking dos posts d’O Insurgente mais votados dos últimos 7 dias. A lista foi obtida multiplicando o número total de votos de cada post pela respectiva classificação média:
1 – Dos parasitas
2 – Anders Breivik e 5 Dias: a violência como o ponto em que os extremos se tocam
3 – Manuel Villaverde Cabral: “Para aquela coisa da esquerda, eu realmente já não dou.”
4 – Alfredo Barroso e Teresa Caeiro na SIC-N
5 – Xenofobia




