Numa altura em que o ouro se aproxima dos 2,000 dólares/onça e em que a promessa do FED de manter os juros baixos durante os próximos dois anos tenderá a fazer com que suba ainda mais, gostaria de apresentar este gráfico em que se apresenta a evolução do poder de compra da onça de ouro.
Esta subida do valor do ouro pode-se dever a um dos factores abaixo ou a um mix desses:
1.Uma alteração forte da preferência dos consumidores em direcção ao ouro que fez com que o seu valor relativo tenha aumentado. No curto prazo, enquanto a correcção não se completar, pode ainda haver bons retornos para quem invista. O ouro ainda está longe do seu preço máximo corrigido pela inflação e valores acima dos 4,000 dólares não seriam surpreendentes do ponto de vista histórico.
2.Um enorme potencial inflacionista no sistema em que o preço do ouro é só o primeiro indicador. Esta situação, para além de todas as restantes consequências para a economia, fará com que o valor do ouro se aproxime dos números anteriores. Neste caso, independentemente da evolução do seu preço, será de esperar uma perda de valor relativo do ouro.
3.Uma bolha causada pela injecção monetária dos bancos centrais e a desconfiança geral em relação a outras classes de activos (imobiliário, acções, etc).
4.Uma bolha causada pela injecção monetária dos bancos centrais, mas que já ultrapassou o efeito inicial e se alimenta da tendência natural dos investidores a perspectivar o futuro baseado em retornos passados. Uma bolha destas resultaria da alteração do perfil de pessoas que compram ouro. Em vez dos habituais investidores que compram ouro com o objectivo de manter o valor das poupanças no longo prazo, teríamos investidores que compram numa perspectiva de que haja alguém disposto a pagar mais no futuro, independentemente do seu valor actual. Uma espécie de esquema de ponzi que se vê regularmente noutras classes de activos.
Independentemente do motivo, investir em ouro (ou noutra qualquer classe de activos actualmente) não é para qualquer um. Claro que são investimentos que “não são para qualquer um” que tendem a dar os maiores retornos (e as maiores perdas).




Simon Heffer