Afastado da realidade nacional dos últimos dias, decidi hoje ir ler as últimas, sobretudo, depois de me ter chegado aos ouvidos que o Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, iria finalmente apresentar esses tão famigerados cortes na despesa pública. Mas não…afinal, a conferência de imprensa acabou por servir apenas para anunciar mais um aumento de impostos – o IVA na electricidade e no gás – à qual ninguém, como é evidente, escapará. Ora, senhor ministro, assim não é preciso nenhum PhD! Assim, é fácil!
Disse o Professor Vítor Gaspar que o IVA na electricidade e no gás natural aumentará para a taxa normal, a exemplo do que sucede na maioria dos países membros da União Europeia. Isso não impedirá, contudo, de elevar Portugal à liderança dos países da União Europeia onde os preços da electricidade, ajustados pelo poder de compra, são mais altos. Partindo dos dados recentemente divulgados pelo Eurostat, e assumindo tudo o resto igual, o preço por 100 kWH de electricidade residencial em Portugal (incluindo todas as taxas e ajustado pelo poder de compra) deverá aumentar de 20,14 euros para 23,56, o que no espaço da zona euro apenas é excedido pelos preços observados na Eslováquia – na Grécia e na Irlanda, a título de curiosidade, 100 kWH de electricidade custam 12,75 e 16,68 euros, respectivamente.
Enfim, se Portugal é reconhecidamente – de Vítor Bento a Francisco Louçã – um país onde os preços dos bens não transaccionáveis mais evoluíram, e de forma injustificada face à evolução registada nos preços dos bens transaccionáveis, e ao mesmo tempo é também um país onde, no domínio da energia, menos concorrência efectiva existe, esta medida, sobretudo quando ela não foi (proporcionalmente) exigida à Grécia e à Irlanda, não faz sentido e apenas serve para afundar a competitividade internacional de Portugal, precisamente o oposto do que supostamente se pretendia. Portanto, este aumento de impostos é um erro crasso, como serão todos aqueles que tiverem como única missão substituir os difíceis, mas essenciais, cortes na despesa pública, a tal frugalidade pública, que este Governo prometeu, mas que, cobardemente, teima em não concretizar. Uma grande decepção.
UMA PESSIMA FOTOCOPIA DE SOCRATES RETOCADA COM UM CAVACO !!!
Comentário por decepcionado — Agosto 12, 2011 @ 11:41
[...] o Ricardo muito bem salientou, o agravamento dos impostos sobre a energia é uma medida muitíssimo decepcionante: Previa-se [...]
Pingback por Quase 300% de aumento « O Insurgente — Agosto 12, 2011 @ 12:27
A ILUSÃO DEMOCRÁTICA e a leucemia social
Apenas com um “Ditador” (v.g. Salazar…) é possível diminuir a Despesa do Estado , contrariando a Lei de Wagner (aumento irreversivel da
democrática Despesa do Estado) .
O “socialismo de gaveta”
e esta “democracia socialista cavaquiana” , não diminuem a
Despesa do Estado , “enquanto houver o dinheiro dos outros” (Margaret Thatcher) incluidos os tradicionais contribuintes .
“Pedir dinheiro emprestado”
é já sinónimo de aumento da Despesa do Estado…e impostos…
Só de Dezembro a Junho , a
Divida do Estado aumentou “ 4 mil milhões de contos” !!! …
E os Juros ? Quem os vai
pagar ??? Quantas gerações ? Quantos crimes financeiros
já foram praticados ? Onde está este famigerado “cego PGR” ?
Continuamos na senda de Sócrates … a caça ao voto para sobrevivência da parasitária “oligarquia politica” com a sua clientela , apoiadas por mais
“230 iluminados” … e assim fomos transformados num já mal
cheiroso “bolo” confeccionado com um PM(CS)+PR(CS) ,
recheado com Sócrates , e vendido por PPC+CS …
E esta irracional democracia (Teorema de Arrow ? … ) apenas nos conduz a um irracional e crónico deficit publico , um crescendo na Divida do Estado
e a final um doloroso aumento da inflação e um continuo e tragico subdesenvolvimento “lato sensu” … O combate à inflação e ao deficit publico há já muito tempo que deixou de ser racional para se transformar em preconceito e revelar muita incompetência …
Comentário por economista — Agosto 13, 2011 @ 23:33
[...] complementar: muitíssimo decepcionante; muitíssimo decepcionante (2). Classificar isto: Share [...]
Pingback por Fraqueza e indecisão « O Insurgente — Agosto 16, 2011 @ 00:58