O Insurgente

Agosto 7, 2011

preso por ter cão e preso por não ter

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 00:46

” (…) the central role of free-enterprise capitalism in a modern democracy has always been how to balance the role of the government and that of the market. While much intellectual energy has been focused on defining the appropriate activities of each, it is the interaction between the two that is a central source of fragility. In a democracy, the government (or central bank) simply cannot allow ordinary people to suffer collateral damage as the harsh logic of the market is allowed to play out. A modern, sophisticated financial sector understands this and therefore seeks ways to exploit government decency, whether it is the government’s concern about inequality, unemployment or the stability of the country’s banks. The problem stems from the fundamental incompatibility between the goals of capitalism and those of democracy. And yet the two go together, because each of these systems softens the deficiencies of the other.”, Raghuram Rajan, em “The Fault Lines” (página 18).

A citação anterior, que consta da introdução de um bom livro que acabei agora de ler, vem a propósito de uma provocação que hoje me lançaram: “veja bem dr., o capitalismo deu nisto”! Ora, o problema que hoje vivemos não tem nada a ver com uma suposta falência do capitalismo. Tem a ver, sim, com a democratização da finança, cujo esplendor máximo resultou nos empréstimos “subprime”. Agora, como é que tudo isto se reforma e se corrige? É difícil dizer…pois as reformas necessárias para restaurar a solidez institucional da banca colidem com os interesses da Democracia…e com os poderosos “lobbies” que a manietam!

8 Comentários »

  1. (1) um bom livro que acabei agora de lera é o de Ha-Joon Chang, “23 coisas que nunca lhe contam sobre a economia”. Recomendo ao Ricardo.

    (2) Em vez de a democratização da finança eu escreveria “a liberalização da finança”. É preciso ver que o argumento (correto) que os liberais utilizam a favor do mercado, o de que este se autorregula e autoequilibra, só é verdadeiro para mercados de bens. No caso dos mercados financeiros esse argumento é grosseiramente falso – os mercados financeiros são inerentemente instáveis porque apresentam realimentações (feed-backs) positivas. Portanto, embora seja correto (nalguns casos) liberalizar os mercados de bens materiais, os mercados financeiros, pelo contrário, têm que ser sempre regulados.

    Comentário por Luís Lavoura — Agosto 7, 2011 @ 11:54

  2. Luís Lavoura,

    Regulados sim; regulamentados não.

    Comentário por Ricardo Arroja — Agosto 7, 2011 @ 12:13

  3. Permita-me a minha discordância, Caro Luís Lavoura.
    Liberalização de mercados de bens materiais, tal qual temos vindo a assistir, deu numa ‘coisa’ chamada República Popular da China (tal qual a contemplamos hoje, Verão de 2011) — a mais perfeita antítese de tudo quanto nos é caro : estado de Direito Democrático, estado social, economia industrializada (i.e. outra[s] que não apenas a R.P.C.), participação popular nos grandes movimentos decisórios (leia-se democracia em sentido lato), liberdade de expressão, liberdade de iniciativa económica, liberdade de associação, liberdade sindical, futuro para todos. Quiseram fazer as coisas como as fizeram, agora não se queixem. Pequim sorri de contente.

    Luís F. Afonso, Japão

    Comentário por Luís F. Afonso — Agosto 7, 2011 @ 15:08

  4. Expliquem-me qual o drama de regressar ao ano 2000?

    Qual o drama de gastar o que se produz?

    Não há vários países que o fazem? Suíça, Chile etc?

    O Ricardo Arroja tem mais um truque para permitir gastar mais do que se produz?

    E depois temos a aberração de os políticos terem feito e continuarem a fazer asneiras, mas, veja-se o texto de L.Lavoura, não querer ficar com os custos.
    Será tudo exportado para os limbos da “desvalorizações”, “saídas do Euro” “Eurobonds” etc etc
    Onde todos pagam pelas asneiras de alguns.

    Gastar o que se produz: horror é “Austeridade”! isto são palavras de social democrata ou à esquerda dele. Como o Défice é de 7%(14% defioce do estado) e estamos em “austeridade” só se pode explicar como um grito de horror Maddoffiano. De vigarista.

    Ou seja anda tudo á procura de outra varinha mágica – outra vigarice- onde as asneiras do passado podem continuar a ser feitas.

    O hilariante trágico está espelhado no que L.Lavoura diz: quer os políticos que se dedicam a fazer coisas que fariam Maddoff orgulhoso a regular…

    Comentário por lucklucky — Agosto 7, 2011 @ 15:38

  5. “O Ricardo Arroja tem mais um truque para permitir gastar mais do que se produz?”

    Ó homem, vc anda para aí numa sanha persecutória danada…alguma vez eu sugeri políticas orçamentais expansionistas? Desafio-o a ler tudo o que tenho escrito nos últimos três anos, para ver se descobre alguma lebre…não, eu tenho defendido austeridade orçamental. Porém, recentemente, em face da impossibilidade de um modelo federal na Europa, a única forma de evitar o colapso do euro é por o BCE a compra dívida pública a fim de a monetizar e assim compensar os custos sociais de uma política exclusivamente ancorada na austeridade orçamental.

    Quanto a este post, quando eu digo que as reformas necessárias na banca são contrárias aos interesses da democracia, refiro-me à necessidade de aumentar os rácios de capital dos bancos reduzindo também a sua capacidade de concessão de crédito. E, novidade, começo também a achar que a eliminação dos Fundos de Garantia também não seria má ideia….reduzia-se a probabilidade de algum banco ficar “too big to fail” e aumentava a responsabilização de todos…mas, agora, pergunto-lhe eu: será isto possível em democracia?!

    Comentário por Ricardo Arroja — Agosto 7, 2011 @ 15:46

  6. “alguma vez eu sugeri políticas orçamentais expansionistas?”

    Obviamente que sim. Não aceita o défice? O que é o défice senão expansionismo?

    “Austeridade Orçamental”

    Então 3-5-7% de défice é austeridade. E tais valores provocam “custos sociais” impossíveis de aceitar em Democracia.

    Depois de uma dessas não há muito a dizer.

    Ou seja, se for verdade, a Democracia vai acabar. E mais coisas também vão acabar.

    Comentário por lucklucky — Agosto 7, 2011 @ 22:27

  7. “Obviamente que sim. Não aceita o défice?”

    Não, não aceito. Ando a defender o ajustamento orçamental há anos. E se tem dúvidas, pode consultar o arquivo do PC, da VE e tb aqui no Insurgente.

    Comentário por Ricardo Arroja — Agosto 8, 2011 @ 11:56

  8. Como é que não aceita se diz que é “austeridade” – está a dizer que a austeridade é para sempre?

    Comentário por lucklucky — Agosto 9, 2011 @ 00:18


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