“É inevitável Portugal sair do euro e o euro tem os dias contados” afirma Desmond Lachman, antigo director adjunto do Fundo Monetário Internacional (FMI), numa entrevista exclusiva ao Expresso.
“Porque é que Portugal deve abandonar o euro?
É inevitável. Portugal não vai conseguir aguentar a políticas do FMI sem grandes cortes da despesa e sem deixar o euro. Esse será o fim. A minha pergunta é: se este será o fim, porquê esperar dois anos, que se avizinham de recessão, quando já sabemos que a saída do euro é fatal? Não sugiro que o default (incumprimento do pagamento da dívida) ou a saída do euro seja uma opção fácil ou que não vai provocar dor, mas apesar de tudo é preferível fazê-lo agora do que perder dois anos.
O Nobel da economia Milton Friedman disse em 1999 que o euro não resistiria à primeira recessão. Acha que ele estava certo?
Nem alguém tão pessimista como Friedman acharia um dia que os desequilíbrios orçamentais chegassem a este ponto, muito além do que se esperava. Para os corrigir só saindo do euro, caso contrário podem ficar mas aí terão um futuro estilo Letónia onde os programas de austeridade sucessivos levaram a quedas de produtividade de 26% e a um aumento do desemprego até aos 26%. Se é isso que querem….”
Como é que medidas de austeridade levam a perdas de produtividade de 26%?
Comentário por lucklucky — Agosto 6, 2011 @ 20:46
Continuando… É mais um Soci@lista monetário a dizer que quem poupou deve pagar a conta.
Comentário por lucklucky — Agosto 6, 2011 @ 21:07
O próximo orçamento já deve ser feito na nova moeda nacional, caso contrario, este governo é uma autentica perda de tempo…um crime!
Comentário por tric — Agosto 6, 2011 @ 22:36
1. Numa sociedade livre, o mérito corresponde ao valor, ao rendimento. O valor é a utilidade de cada um em acto. O seu mérito. O mérito de Ronaldo reside no facto de muitos gostarem de futebol e ele obedecer às expectativas que cada apreciador vê na forma como Ronaldo cumpre esse jogo. O mérito de um médico é o facto de a saúde ser um bem necessariamente primário sendo de procura cada vez mais acentuada, sendo a expectativa de cada um viver o melhor possível no estar-presente aos outros. E isto aplica-se à segurança, à educação, à justiça.
2. Cada um recebe de acordo com as expectativas que existem sobre o seu fazer ou de acordo com o que dá e se torna consensualizada a sua importância. É sua propriedade. E contribui por esse reconhecimento para satisfação de outras necessidades que se desresponsabiliza, seja a saúde seja a reforma, com impostos.
(assim, é ilegítimo numa economia livre “cortes” de salários, pois é expropriar uma parte do que a polis reconhece como valor, mérito, é próprio, é propriedade; quando um funcionário público seja professor seja enfermeiro recebe o seu salário, e que não o discute, não é um direito do Estado que recebe…, é a contrapartida do seu valor como pessoa-função …a que acresce que tal valor vem das contribuições de todos que tal o reconhecem, porque não conseguiriam desempenhar a sua tarefa, seja por seu conforto (não lhe deu para aquilo, faz outra coisa, etc.) ou por sua inabilidade técnica ou pessoal).
3. O problema é que todos queremos mais. Estradas, escolas, esquadras, hospitais, …
4. E querendo mais, temos a barreira do tempo. Logo, crédito.
5. O crédito é algo de útil porque permite a aceleração do tempo, do tempo de cumprimento da necessidade. O Estado socorre-se do crédito para antecipar uma satisfação da necessidade colectiva com vantagens na conservação do poder dos que são eleitos…mas é a nossa vontade excessiva de tudo ter ( o pessoal do centrão ) que faz com que as mesmas siglas sejam eleitas (sociais-democratas/socialistas democratas).
6. Eis pois uma optimização a ser feita. Essa optimização é “mudar de vida”.
7. Mesmo a prazo (o mesmo que dizer com recurso a crédito), podemos pagar a saúde, a educação, a defesa nacional, a justiça, a diplomacia, os mecanismos de salutismo (subsídios sociais, reformas)?
8. E esse prazo é de quanto? E por fim, o que entregamos de impostos, dá só para quê?
9. Para já uma certeza, a geração seguinte e a vindoura não receberão metade dos direitos adquiridos actualmente. Não vale a pena lutar por isso. É matemático.
10. A crise actual, sendo uma crise no crédito, tem por fundo a nossa sede da satisfação da necessidade. É o vício. É a futilidade do viver. Sem esforço.
11. Rapidamente, vão ser questionados ao nível do seu cumprimento “público” todos os “rebuçados” seja a saúde, seja a educação, seja a segurança. O envelhecimento populacional pode baralhar contas. O envelhecimento vem do egoísmo natural de uma civilização que legitima a morte assistida (seja por aborto, seja por eutanásia), de uma civilização que assume o prazer público (sendo parte dos cinco maiores negócios do mundo: seja o “espectáculo”, seja a “alimentação”), de uma civilização que procura legitimar identidades próprias na Identidade Humana (seja “mulher”, “jovem”, “homossexual”, “pai”, “padrinho civil”), de uma civilização que se endivida cedo e estuda até tarde.” As matérias-primas, seja alimentar, seja industrial, baralharão as contas. A água. Basta olhar para preços do arroz, do milho, do trigo, do petróleo, ou do cobre. Basta olhar para os lençois freáticos ao nível mundial.
12. Portugal vai ter que optar entre ter estradas (IP e A) a pagar ou dívida. Ter escolas para tudo e todos ou dívida. Ter serviço nacional de saúde nos actuais termos ou dívida. Ter reformas e subsídios de inserção ou dívida.
13. O Ocidente vai ter de escolher entre manter este Estado-tarefeiro-bombeiro ou o seu fim. O que não pode ter é mais dívida, o resto do mundo não quer.
Comentário por às direitas — Agosto 7, 2011 @ 00:23
O homem tem toda a razão no que diz. E o tempo irá dar-lhe razão.
Comentário por TLD — Agosto 7, 2011 @ 01:50
Pois, mas não tenho a certeza que a saída do euro não levasse exatamente ao mesmo resultado que o da Letónia – uma queda de 26% no PIB e a subida do desemprego para os 23%.
É que não se conquista mercados de exportação de um dia para o outro nem apenas com base numa desvalorização cambial.
Como Pedro Arroja afirma, provavelmente não bastará sair do euro – será preciso sair da União Europeia, para se poder passar a ter uma política protecionista.
Comentário por Luís Lavoura — Agosto 7, 2011 @ 11:59
Luis, saír do euro é saír da UE forçosamente.
Comentário por Salústio — Agosto 7, 2011 @ 12:13
Resumindo, querem que os competitivos paguem pelas asneiras dos não competitivos. E supostamente isso vai tornar o país melhor.
Comentário por lucklucky — Agosto 7, 2011 @ 15:41
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