O Insurgente

Julho 9, 2011

Leituras Recomendadas (Economia)

Filed under: Economia,Educação,Livros,Ludwig von Mises,Teoria — Ricardo Campelo de Magalhães @ 16:36
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O Instituto Mises continua a publicar clássicos liberais e trouxe agora a público mais um título Indispensável para refutar o disparate Keynesiano: Theory of Idle Resources, escrito em 1939 por William H. Hutt.

W.H. Hutt’s Theory of Idle Resources was first published in 1939, surely one of the earliest responses to Keynes’s General Theory.

Hutt goes for the heart of Keynes’s prescription for recovery, which was to get idle resources moving, whether that is money, capital, or labor. If something isn’t being employed right now, it is being wasted.

Hutt responded at length that there is nothing uneconomic or necessarily inefficient about an idle resource. It is the decision of the owner to hold back when faced with a long-term plan, a judgment call concerning risk, a high reservation wage, or a demand for larger cash balances.

In addition, there might be legal restrictions that are causing workers to withhold labor and capitalists to curb production. It makes for fascinating reading. Both the Keynesian proposition and the response are still very much in play today.

Hunter Lewis writes the new introduction.

The economic environment is plagued with enormous unemployment – the ultimate idle resource. What is the problem? Is it a macroeconomic problem of aggregate demand? Or is it is a simple labor pricing problem alongside legal restrictions? Hutt takes the latter position, and utterly crushes the Keynesian view.

Keynes was refuted in 1939! The re-discovery of this fact is bracing indeed.

Keynes diz: os recursos são infinitos, estimulem-se as necessidades. Hutt contrapõe: os recursos são finitos, controlem-se as necessidades e usem-se bem os recursos existentes.

Leiam e fortaleçam os vossos argumentários com um mestre intemporal.

Cavaco e as agências de rating

Filed under: Double standards,Economia,Media,Política,Política Fiscal,Portugal — André Azevedo Alves @ 15:52

Presidente da República rejeita ter mudado de opinião – Cavaco: UE deve libertar-se da influência das agências de rating


(via Da Literatura)

The Soviet Story

Filed under: Videos — António Costa Amaral (AA) @ 15:02

Altamente recomendado, um filme que explora as semelhanças ideológicas e operacionais entre as máquinas de matança soviética e nacional-socialista alemã.


“The Soviet Story” movie trailer

Filme completo aqui.

Importa-se de repetir ?

Filed under: Humor,Política,Portugal,Videos — André Azevedo Alves @ 12:47

Fernando Nobre: “Os que pensavam que estava à procura de um tacho enganaram-se”

Nigel Farage sobre o euro e a UE

Filed under: Economia,Política,Política Monetária,União Europeia,Videos — André Azevedo Alves @ 12:38

A guerra euro-dólar

Filed under: Economia,Política,Portugal,União Europeia — André Azevedo Alves @ 12:27

Euro forte. Por João Miranda.

Note-se que a guerra euro-dólar tem dias. Nuns dias os americanos são acusados de desvalorizarem o dólar para ficarem mais competitivos que nós. Noutro dias são acusados de atacarem os países periféricos do euro para valorizar o dólar em relação ao euro.

PJ Harvey – On Battleship Hill

Filed under: Videos — André Azevedo Alves @ 01:00

Julho 8, 2011

Diogo Vasconcelos (1968-2011)

Filed under: Portugal — André Azevedo Alves @ 17:56

Foi com profunda tristeza que tomei conhecimento hoje de madrugada da morte do Diogo Vasconcelos. Como refere o LR, o Diogo “não era elitista, mas fazia parte daquela restrita Elite que sabe inovar, que não receia a mudança, que acredita que pode ser melhor que os melhores”. O Diogo gostava genuinamente de pessoas e adorava discutir ideias. Por exemplo, sempre me impressionou como, apesar de não ser economista, o Diogo percebia e aplicava o essencial do pensamento de Schumpeter sobre empreendedorismo melhor do que a esmagadora maioria dos economistas.

O Diogo era também um líder e um pensador genuinamente criativo. Ainda muito recentemente, no âmbito de um conselho consultivo de que ambos fazíamos parte, pude constatar mais uma vez os efeitos do pensamento out of the box do Diogo: a forma como era capaz de revolucionar uma reunião levantando questões cuja importância parecia evidente depois de referidas, mas nas quais ninguém pensara antes.

O país cedo se revelou pequeno demais para o Diogo e para a sua capacidade empreendedora, mas o Diogo nunca desistiu do país e tinha quase sempre algo de construtivo para dizer e propor a respeito de Portugal, nunca perdendo a esperança nem o optimismo sóbrio e ponderado que o caracterizava.

Não concordávamos em tudo – e ainda bem, porque as discordâncias eram tema de conversa mais interessante do que as concordâncias – mas partilhávamos várias causas e projectos comuns. A energia do Diogo parecia por vezes inesgotável e este final abrupto e súbito serve também para nos lembrar a todos que estamos apenas de passagem por aqui.

Até sempre, Diogo.

back to basics

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 17:21

“It is a mathematical fact that as long as nominal GDP growth remains below the average cost of debt (when measured as a percentage of GDP), a country’s debt-to-GDP ratio will rise even if the primary budget deficit1 has been eliminated through austerity. In plain English this means that Greece would have to grow its nominal GDP by almost 6% per year going forward for debt-to-GDP not to rise further, assuming its average cost of debt remains stable (see chart 2). Ireland and Italy would have to grow by almost 5% and Portugal by almost 4%. With inflation hovering well below those levels in all the countries mentioned, that is a very tall order even during the best of times. And with austerity being forced upon all of these countries it is simply not going to happen.”, Niels Jensen, “The Absolute Return Letter, July 2011” (nota: quem nunca leu o Niels, não tem noção do que perde…)

(…)

“Já não vai bastar sair da Moeda Única. Vai ser também necessário sair do Mercado Único. Em termos económicos, e para todos os efeitos práticos, vai ser necessário sair da União Europeia. O Bento – a nova moeda nacional – deprecia cerca de 30%, ao mesmo tempo que são restauradas barreiras alfandegárias às importações e estímulos às exportações. Acaba-se com o défice da Balança de Transacções Correntes (BTC) que é a fonte da hemorragia de dinheiro de Portugal para o Estrangeiro, que está a estrangular o país. Com uma economia agora produzindo a todo o vapor para a Exportação criam-se empregos no sector privado. E pela primeira vez vai ser possível começar a despedir em massa o pessoal excedentário do sector público, porque essas pessoas encontrarão empregos no sector privado.”, Pedro Arroja no Portugal Contemporâneo.

Aqueles que, ao longo dos dois últimos anos, têm acompanhado os meus escritos e as minhas intervenções públicas conhecem razoavelmente a minha receita para Portugal: 1) equilíbrio orçamental, nomeadamente o equilíbrio do saldo primário das contas do Estado; 2) reestruturação da dívida pública, idealmente de uma só vez e coordenado com a Grécia, Irlanda e, porventura, até a Espanha e; 3) a rendição – o termo não é utilizado por acaso – à via federal, liderada pelos países do norte da Europa.

Ora, é naquele último e terceiro ponto que eu, apesar de tudo, mais tenho oscilado. Inicialmente, quando eclodiu a crise, e que no caso português não foi um simples contágio do “subprime” (como tantas vezes o socialismo nos tenta fazer crer), pensei que fôssemos capazes de dar a volta ao texto sozinhos. Depois, no auge do descalabro “Sócrates / Teixeira dos Santos”, pensei: venham os alemães, ou até mesmo os franceses (!!), e tomem conta disto. Mas hoje, observando o jogo de cintura dessa diletante Europa, já dou por mim a falar de políticas “federalizadas” em vez de, open and outright, federalismo europeu. Ou seja, concedo o óbvio: o federalismo na Europa, de facto ou de direito, é uma utopia e não há volta a dar-lhe.

Deste modo, na impossibilidade de se chegar à utopia que, do ponto de vista macro económico, seria o único cenário do qual, creio eu, poderíamos beneficiar, e depois de lidas as convincentes – cristalinamente convincentes – análises de pessoas cuja opinião muito prezo – em português e em estrangeiro –, começo a inclinar-me para uma – mais outra – triste conclusão: infelizmente, não merecemos nem temos lugar no euro. E assim sendo, em linha com o que também tenho expressado publicamente, a nossa saída da moeda única começa a tornar-se inevitável. É, assim, cada vez mais provável. A pergunta a fazer, então, é simplesmente uma: até quando suportaremos a actual agonia? É que entre a agonia desta morte lenta – boa, Moody’s! –, sem qualquer réstia de esperança, e os eventuais benefícios que, em teoria, podem estar associados à saída do euro, eu prefiro a segunda opção! Com uma ressalva: não estou nada certo – e é aqui que reside a minha dúvida existencial – de que, aos benefícios de um Bento fraco, não soçobremos à mercê de um euro forte…Raios me partam, uma pistola por favor.

Dois jornais

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 16:28

Bill Brandt, Morning in Belsize Avenue, 1936

Um degrau, dois jornais e quatro garrafas de leite. A manhã é o fim da noite. Assim termina A Night in London, um dos lendários livros de fotografia de Bill Brandt. Publicado em 1938, cinco anos pós Brandt ter ido definitivamente para Inglaterra, deixando para trás a Alemanha e a biografia, A Night in London descreve uma noite londrina encenada, estática e misteriosa. Fortemente influenciado pelo expressionismo alemão (vai-se a biografia, mas fica a cultura) e pelo Paris de Nuit de Brassai, Brandt mostra-nos, neste livro, um trabalho minucioso, próprio de um realizador de cinema, reconstruindo lugares-comuns da noite, entre o luxo e as camadas mais miseráveis da cidade. Nada é deixado ao acaso (ou quase nada, como mostra o inesperado polícia de Alley off East India Road), e são os familiares e amigos que emprestam o corpo às figuras que se sucedem nas imagens fortemente contrastadas de Brandt. As personagens de Brassai roubavam-lhe muitas vezes a carteira; as de Brandt partilhavam cama, casa ou mesa com o fotógrafo.

Bill Brandt movia-se entre os dois extremos da sociedade, e, ainda que pudesse frequentar um e outro, nunca se sentiu confortável no papel do artista boémio ou do menino rico que se vestia uma vez por semana a rigor para ir à ópera. Talvez por isso se note, em A Night in London, um certo distanciamento do fotógrafo em relação ao assunto, uma frieza que não é mais do que a total ausência de juízo de valor sobre os temas do livro. Brandt mostrava mais uma vez que não era Lewis Hine e que não seguia as linhas mestras do fotojornalismo dominante. Até chegar à última imagem.

Estamos em Outubro de 1936, a Guerra Civil de Espanha havia começado há poucos meses, e o News Chronicle, o mais fervoroso apoiante da República de toda a imprensa inglesa, diz: Heavy Losses in Rebel Fight for Madrid. Ao lado está o Daily Telegraph, um jornal conservador que apela à neutralidade inglesa em relação ao conflito espanhol. Os dois, lado a lado, parecem querer representar uma dos mais importantes debates que decorriam na sociedade inglesa da época: apoiar ou não os republicanos na luta contra os falangistas. Seria esta fotografia uma declaração política de Brandt? Talvez. Nessa altura, o fotógrafo, futuro aderente à causa de Margaret Tatcher, não escondia a simpatia pelas ideologias de esquerda. Mas o seu esquerdismo sempre se manteve num registo pouco activo, pouco empenhado. Brandt era moderado nos gestos e no pensamento. Coisas de uma educação aristocrata. Mas voltemos à questão: estaria Brandt a compensar o défice de crítica social do livro, e da sua obra anterior, com uma imagem de cunho marcadamente político?

O título da fotografia dá-nos a pista crucial: Morning in Belsize Avenue. Rolf Brandt, irmão do fotógrafo, vivia nessa altura em Belsize Avenue. Rolf e a sua mulher Ester eram membros do partido comunista e apoiantes da causa republicana. O News Chronicle é de Rolf e Ester e o Daily Telegraph será provavelmente de um dos seus vizinhos conservadores. Bill Brand diz ao irmão, e a quem esteja interessado na mensagem, que ali, na Inglaterra dos anos 1930s, podem conviver diferentes sensibilidades políticas, em paz e em diálogo; em Espanha, ganhe quem ganhar, isso não vai ser possível durante muito tempo. Sim, Morning in Belsize Avenue é uma declaração política, mas não no sentido que muitos lhe quiseram dar. É um recado. É um recado para Rolf, e um recado para nós, europeus do século XXI. Quando batermos mesmo no fundo (ainda não bateu, não) e os velhos ismos começarem a forjar outra vez o Homem Novo (nunca deixaram de rondar, sedentos de miséria), lembrem-se que há sempre outra opção, há sempre uma Belsize Avenue onde podemos refugiar-nos quando tudo arde. Mas não sei se serve de muito, o aviso. Desde o meu pessimismo, já vejo a Europa a marchar outra vez ao som da Internacional ou de uma qualquer Giovinezza. Ao mesmo tempo ou em sucessivas etapas sombrias.

tristes

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 15:28

Costuma-se dizer que um azar nunca vem só. Pois assim parece ser: com o País mergulhado numa enorme crise, vamos também perdendo alguns ilustres Portugueses. Hoje, foi anunciada a morte de Diogo Vasconcelos. Há dias, a de Maria José Nogueira Pinto. E se há aspecto que, em ambos os casos, merece ser sublinhado é a unanimidade que se gerou em redor dos dois na hora da morte.

Ora, eu não conhecia pessoalmente Maria José Nogueira Pinto; apenas a conhecia da imprensa e da sua participação política. Já Diogo Vasconcelos, conheci-o pontualmente num seminário sobre novas tecnologias no qual, sendo ele o orador, tive oportunidade de participar e de me maravilhar. E depois, sem nunca termos privado, a verdade é que frequentávamos os mesmos restaurantes, sobretudo as marisqueiras de Matosinhos por alturas da época das sardinhas. Mas, enfim, objectivamente, não conhecia nenhum dos dois…

De resto, o meu ponto nem é esse. É outro: por que é que duas pessoas, tão louvadas pelo seu País depois da morte, foram de certo modo eclipsadas por este mesmo País? Deixem-me explicar…No caso de Maria José Nogueira Pinto, lembremo-nos só da forma como foi tão criticada, denegrida até, pelos seus excessos verbais. Ou como, noutras ocasiões, como naquele célebre “Você sabe que eu sei que você sabe que eu sei”, foi tão ridicularizada…os encómios de hoje contrastam com o tom de então. E Diogo Vasconcelos? Porventura mais consensual que Nogueira Pinto e reconhecido – justamente reconhecido – como pioneiro em Portugal na promoção da Sociedade do Conhecimento e do Empreendedorismo, o facto é que nos últimos anos estava radicado no estrangeiro, como acontece com tantos outros dos nossos melhores, sinal de que este pequeno rectângulo se havia tornado pequeno de mais para a sua grandeza.

Enfim, um país, que não valoriza nem segura os seus melhores em seu devido tempo e como deve ser – não com meras insígnias –, é um triste País. Infelizmente, nos tempos que correm, Portugal é também um País triste.

Hoje, às 18:30, em Lisboa

Filed under: Agenda,Livros,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 15:02

OUTUBRO: A REVOLUÇÃO REPUBLICANA EM PORTUGAL (1010-1926), Org. de Luciano Amaral

A I República foi uma espécie de regime da ala esquerda da monarquia constitucional. Assumindo a quebra com o símbolo monárquico, pouco trouxe de novo ao programa progressista da monarquia.

A grande diferença consistiu no facto de os mecanismos eleitorais (dominados pela fraude nos dois casos) terem sido capturados por um só partido, impossibilitando um pluralismo eficaz.

A República foi, por isso, um regime estranho, simultaneamente “avançado” e “retrógrado”: uma república no mar das monarquias europeias, nunca conseguiu incorporar as mais “avançadas” tendências da época, como o sufrágio universal. No final, dela sobraram sobretudo os símbolos da soberania nacional: a forma republicana de todos os regimes desde 1910, o hino e a bandeira, para além da moeda, o escudo, cujo desaparecimento em 1999 marcou, precisamente, o fim da soberania monetária do país. A sobrevivência destes símbolos revela a corrente republicana que percorre o conjunto da experiência política contemporânea portuguesa.

Galiza, Galiza, Galiza…

Filed under: Economia,Internacional,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 15:00

Comboios Porto-Vigo vão manter-se

A CP vai manter o serviço internacional Porto-Vigo, cuja supressão estava anunciada para este domingo, depois de a sua congénere Renfe ter aceitado pagar os custos da circulação das automotoras portuguesas no troço espanhol.

filhas da p…olítica

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 14:11

“(…) Desesperadas, as elites responsáveis por  décadas de despesismo irresponsável, recusam-se a reconhecer a bancarrota. E culpam as agências de rating. E mais, exigem imediata regulação da sua actividade (…) Mas são as autoridades públicas que dão crédito às opiniões e avaliações que agora tanto criticam. Exigem mesmo o seu parecer para a concessão de crédito. Evidentemente, se as autoridades públicas não estão satisfeitas, podem sempre mudar de fornecedores. Mas creio mesmo que o problema é a mensagem que não agrada ao cliente.”, Gabriel Silva no Blasfémias.

Vem aí pancada da séria

Filed under: Diversos — António Costa Amaral (AA) @ 12:17

Muito estômago para levar muitos murros por António Ribeiro Ferreira:

O desabafo do primeiro-ministro à decisão da Moody’s de atirar a dívida portuguesa para o lixo é um sinal dos tempos presentes e dos próximos anos da vida portuguesa. É bom que os cidadãos se habituem a ouvir Pedro Passos Coelho revelar os murros no estômago que vai levar enquanto estiver à frente do governo. Com uma certeza: o da agência de rating não será por certo o mais violento.

E isto porque há imensos esqueletos nos armários. Do Estado, obviamente; das empresas públicas nacionais, regionais e locais, um autêntico cemitério; dos bancos, com certeza; e de muitas empresas importantes do sector privado que ainda andam por aí a fazer figura de ricos e importantes. Até agora foi possível maquilhar a realidade, apresentar resultados positivos e até aliciantes, esconder muito crédito malparado e manter de pé muitos mortos-vivos do tecido económico e financeiro português. Quando a criatividade se confrontar com a dura realidade da fiscalização internacional, os murros no estômago vão acontecer a um ritmo alucinante.

Pequenos, médios e grandes monstros vão falir, milhares de pessoas ficarão sem emprego e o Estado terá enormes dificuldades em garantir os apoios sociais a milhares e milhares de desempregados que irão juntar-se ao enorme exército de pessoas que já não trabalham há muito tempo e não têm qualquer perspectiva de encontrar uma ocupação nos anos mais próximos. O murro da Moody’s vai ser, a curto prazo, uma pancadinha amigável no estômago do primeiro-ministro.

O governo bem pode anunciar com pompa e circunstância planos de emergência social. Falta explicar como é que vai arranjar dinheiro para ajudar os milhões sem rendimentos, sem casa, sem comida e que vão ficar completamente dependentes das ajudas ou da caridade alheia. A prioridade é reduzir o défice, a dívida e cortar nas rubricas mais pesadas do Orçamento. Bem podem andar com uma lupa à procura de estruturas inúteis e gastos supérfluos. O grande volume da despesa concentra-se nos salários e nos apoios sociais. O resto é conversa para entreter uma população assustada que ainda não sabe que o Estado social já entregou a alma ao criador. Descanse em paz.

Fez escola

Filed under: Portugal — Carlos M. Fernandes @ 10:42

Da histeria à volta da Moody’s

Filed under: Diversos,Economia,Política,Política Fiscal,Política Monetária — Carlos Guimarães Pinto @ 06:03

Numa altura em que a imprensa vai alimentando a histeria anti-Moody’s, no nosso típico comportamento de arranjar bodes expiatórios para os erros do passado, convém lembrar algumas coisas básicas:

1. Portugal está falido. Sem ajuda externa, teríamos entrado em incumprimento em Junho. Entre os outros dois países da zona euro que pediram ajuda externa, um já tem plano de reestruturação da dívida.

2. Para a maioria dos leitores deste blog a frase seguinte é uma evidência mas para quem ler a imprensa portuguesa não é: a Moody’s não classificou Portugal (o país) de “lixo”, mas sim colocou a dívida soberana de Portugal como tendo classificação “Ba”, o que no jargão dos investidores é chamado de lixo. A definição da Moody’s é que dívida classificada como “Ba” tem um risco substancial de não ser paga, o que não se afasta muito da realidade.

3. Não há oligopólio nas agências de rating. Existem dezenas de agências de rating, incluindo uma portuguesa. Se a Moodys não é credível, qualquer entidade pode pedir rating a uma outra agência.

4. As companhias de rating apenas emitem opiniões que podem, ou não, estar certas e podem, ou não, ser seguidas. O motivo pelo qual se dá maior importância à Moody’s do que às outras dezenas de agências é pura e simplesmente porque a Moody’s tende a prestar informações mais certeiras do que as outras. Tendo estado errada no passado (por exemplo, no caso do subprime), a Moody’s tem um historial de estar mais vezes certa do que errada.

5. O impacto legal das notações das agências de rating foi decidido pelos reguladores, contra a vontade das próprias. Em 2001, aquando da discussão dos acordos de Basileia II, a Moody’s mostrou-se contra a utilização dos seus ratings na definição dos rácios de capital dos bancos.

6. Quem achar que a Moody’s não tem razão, tem uma boa oportunidade de negócio. Pode ir ao banco e pedir para investir as suas poupanças em dívida Portuguesa a 3 anos. Neste momento a taxa de juro está à volta dos 20% o que é um excelente negócio para quem, ao contrário da Moody’s, não achar que Portugal pode deixar de pagar a dívida.

Sistema de oligopólio não é óptimo

Filed under: Economia,Política — Carlos Guimarães Pinto @ 04:19

Diz o monopolista.

Mate-se o mensageiro (4)

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 01:15

Continuando-se, agora em versão comunitária:

Zé Aníbal, ciente dos estragos causados pelas confissões do Tó Sovina, e das portas consequentemente cada vez mais fechadas do comércio que desde aí tem tido que enfrentar, decide partir para o contra-ataque.

Mesmo depois de ter cortado lá por casa uma refeição à mulher e aos filhos, um preço desgraçado a pagar pelo infortunado Zé Aníbal para poder continuar a beber o seu copito básico e essencial de single malt nos serões difíceis cada vez mais frequentes, a vida parece cada vez mais insuportável, e uma reacção impõe-se.
(mais…)

Julho 7, 2011

Municipalismo ou centralização ?

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:59

Extinção dos governos civis: duas justificações. Por Filipe Teles.

Todos os mecanismos de afastamento dos processos de decisão e avaliação de políticas públicas dos cidadãos tendem a reforçar o papel centralizador e paternalista do Estado.

Assim, mais do que uma “despartidarização” do Estado, presente no preâmbulo justificativo desta resolução do Conselho de Ministros, com uma limitação séria e definitiva do envolvimento promíscuo dos partidos políticos nas múltiplas oportunidades geradas, importa reforçar este movimento de “devolução localista”, de significativa abertura à Sociedade Civil e a modelos de governação realmente descentralizados.

Pérolas a PIGS

Filed under: Blogosfera,Comentário,Insurgentologia,Política,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 23:41

Luis Naves não apreciou aquilo a que apelidou como as minhas pérolas. Estou desolado. Poderia simplesmente ir afogar as minhas mágoas na garrafa de vodka que habita o meu congelador; contudo, como as críticas que me são feitas presumem algumas coisas a meu respeito que não fazem sentido, aqui ficam alguns esclarecimentos:

Não sei onde Naves foi buscar a ideia de aquilo que escrevi está num qualquer “contexto”  de um “conflito antigo” relativo a Passos Coelho. E ainda menos onde foi buscar a ideia que existe alguma “polémica” entre mim e o Nuno Gouveia. (BTW, gostei do exercício retórico de categorizar o post do Nuno de “lúcido”, contrastando comigo que devo ser, sei lá, “delirante”. Boa!) Não me recordo de alguma vez ter escrito, ou sequer dito, algo de pessoalmente negativo acerca de Passos Coelho, muito menos referido subúrbios, classe social, corte de cabelo, gravatas ou o que seja. Na verdade até tenho razoável impressão dele; embora não tenha seguido a sua ascenção à liderança com o mesmo interesse que teria se fosse do PSD. Como habitual votante do CDS/PP, olho para as disputas internas do PSD, muitas vezes fratricidas demais para o meu gosto, com o interesse at arm’s length de quem olha para o seu parceiro natural de coligação. Se Naves não aprecia as minhas pérolas, eu aprecio ainda menos que me atribuam intenções ou preconceitos que não tenho.

Posso também não ser uma das “pessoas bem informadas” (Outro underhanded insult. Estou impressionado!) que Naves refere saberem a duração oficial do “estado de graça” ou quanto tempo um governo demora a “controlar o país”. Parece-me no entanto que tomar uma medida fiscal gravosa mal se tomou posse e que só surte efeito daí a seis meses é algo que merece escrutínio imediato; mas, pronto, isso sou eu a dizer, que não sou uma “pessoa bem informada”.

Uma nota adicional relativamente a esta questão do imposto extraordinário: Não usei as expressões “facilitismo” e “conveniência política” em vão. As palavras têm significados muito específicos e antes de presumir que o que escrevo é apenas um exercício vazio, Naves devia pensar antes de responder. A medida é facilitista porque é mais fácil distribuir (aparentemente) o “mal pelas aldeias” do que atacar onde dói e onde há resistência organizada. Um imposto extraordinário sobre todos, sendo que todos não significa exactamente todos, não provoca a mesma resistência que um imposto extraordinário sobre os beneficiários do estado, cujo número é tão grande que só por si explica a maior parte dos problemas das finanças públicas. É politicamente conveniente porque é tomada numa altura em que podem ser atiradas as culpas da mesma para o governo anterior, expediente já conhecido de todos e usado anteirormente por Barroso e Sócrates.

Por fim, não me passaria pela cabeça, um instante sequer, insinuar que o Nuno Gouveia seria de algum modo um “corporativo laranja”. Não deixa de ser curiosa contudo a rapidez com que Luis Naves assumiu as dores e enfiou a carapuça; e é especialmente irónica a forma como termina o seu post excomungando-me da congregação dos apoiantes “oficiais” do governo. (Terceiro truque retórico: Dramatizar excessivamente. The man is on fire.)

Keynes v Hayek @ LSE

Esta é, inequivocamente, a discussão decisiva para o futuro da economia mundial: Keynes v Hayek – LSE and BBC Radio 4 public debate

Date: Tuesday 26 July 2011
Time: 6.30-8pm
Venue: Old Theatre, Old Building
Speakers: Professor Lord Skidelsky and others tbc
Chair: Paul Mason

How do we get out of the financial mess we’re in? Two of the great economic thinkers of the 20th century had sharply contrasting views: John Maynard Keynes believed that governments could create sustainable employment and growth. His contemporary and rival Friedrich Hayek believed that investments have to be based on real savings rather than fiscal stimulus or artificially low interest rates. BBC Radio 4 will be recording a debate between modern day followers of Keynes and Hayek.

Evolução dos proveitos da RTP: taxa de audiovisual, indeminizações compensatórias e publicidade

Filed under: Economia,Media,Política,Política Fiscal,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:14

O sorvedouro que o governo pretende manter I. Por LR.

Parece que os americanos são ligeiramente incompetentes…

Filed under: Economia,Internacional,Media,Política,Política Monetária,Portugal,União Europeia — Miguel Botelho Moniz @ 21:49

…porque ando a ouvir por aí que há um ataque americano ao euro.

Psicologia de massas

Filed under: Diversos — António Costa Amaral (AA) @ 21:02

Facto: o Estado Português gastou até estourar.
Reacção da população que votou “mais Estado!” durante mais de três décadas:

Denial is a defense mechanism .. in which a person is faced with a fact that is too uncomfortable to accept and rejects it instead, insisting that it is not true despite what may be overwhelming evidence. The subject may use:
  • simple denial – deny the reality of the unpleasant fact altogether
  • minimisation – admit the fact but deny its seriousness (a combination of denial and rationalization)
  • projection – admit both the fact and seriousness but deny responsibility.

A medical definition of scapegoating is:

“Process in which the mechanisms of projection or displacement are utilised in focusing feelings of aggression, hostility, frustration, etc., upon another individual or group; the amount of blame being unwarranted.”

Unwanted thoughts and feelings can be unconsciously projected onto another .. the chosen individual, or group, becomes the scapegoat for the group’s problems. ‘Political agitation in all countries is full of such projections ..

a malta lá dentro atreveu-se a dizer que o país está moribundo

Filed under: Diversos,Humor — António Costa Amaral (AA) @ 18:14

O mundo real

Filed under: Comentário,Portugal — André Abrantes Amaral @ 15:14

Não deixa de ser sintomático, que os denominados ultra-liberais que trabalham na sua grande maioria por conta própria e nas suas empresas, sejam acusados, pelos que têm vivido encostados ao estado, de não conhecer o mundo real. Mas se calhar é isso: o mundo real não está cá fora, mas aí dentro.

A crónica de uma vida

Filed under: Portugal — ruicarmo @ 15:02

Nada me faltará, por Maria José Nogueira Pinto.

Leitura recomendada

Filed under: Ambiente,Internacional,Media,Política,Portugal — ruicarmo @ 14:57

Estado de mal-estar, por Luciano Amaral no DE.

Anedótico

Filed under: Economia,Humor,Internacional,Justiça,Política,Portugal,União Europeia — André Azevedo Alves @ 14:20

Uma investigação que não vai ser mesmo nada fácil: O PGR não dorme. Por João Miranda.

Entretanto, a investigação da Procuradoria Geral da República às agências de rating prossegue a bom ritmo. A Cândida Almeida está envolvida, o que é sempre uma garantia de qualidade. Já foram consultados especialistas e é possível que alguns procuradores já saibam o que é uma agência de rating. Já devem ter descoberto uma série de vazios legais, tornando-se cada vez mais premente a necessidade de legislar.

Face à dificuldade do caso, sugiro que a PGR recorra ao CES, uma instituição que dispõe de vastíssimos recursos públicos e que tem abundantes provas dadas neste tipo de procedimentos.

Última oportunidade para mudar de vida

Filed under: Comentário,Economia,Política,Política Fiscal,Portugal — André Azevedo Alves @ 14:13

O Orçamento de Estado de 2012 poderá muito bem ser a última oportunidade para o país mudar de vida sem entrar em ruptura. Espera-se que Pedro Passos Coelho consiga perceber o que está em causa e inverter o trágico rumo das últimas décadas.

nada fácil!

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 14:07

«”É uma investigação nada fácil”, comentou Pinto Monteiro, citado pela Lusa, sobre a acção que decorre no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), após o Ministério Público ter enviado para este departamento o inquérito que abriu no seguimento de uma queixa.», no Negócios online.

7/7

Filed under: Agenda,Media — ruicarmo @ 12:30

Não esquecer, o ataque terrorista a Londres.  Esquecida a destruição e a dor, existe um fascínio pelas causas e não pelas vítimas. Este dia deve ser relembrado e o seu significado deve ser falado.

Notícias do mundo

Filed under: Ambiente,Internacional,Justiça,Media — ruicarmo @ 12:13

Um verdadeiro lixo, não reciclável e sem um mínimo de dignidade.

Adenda: O desejado ponto final: James Murdoch announces News of the World will close this Sunday.

Um velho sonho da esquerda

O Zé que faz falta ataca no Campo Pequeno.

A rasteira do nacionalismo

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 10:49

Já tinha escrito sobre este assunto aquando das presidenciais. O nacionalismo vai ser a bandeira da esquerda nos próximos anos. O nacionalismo com tudo o que ele tem de pior: desconfiança face ao exterior, esse local habitado por seres tenebrosos que nos querem prejudicar; favorecimento cego do que seja nacional, mesmo que pior e mais caro, desincentivando o esforço para se ser melhor e gastando recursos na compra de produtos mais caros, quando a escolha de outros mais baratos, permite que haja mais dinheiro para poupar e investir. Algo verdadeiramente indispensável para sairmos deste buraco. Ao contrário do patriotismo que é crítico, inteligente e aberto a qualquer mudança que possa favorecer o nosso país,  o nacionalismo bacoco mata. Liquida qualquer esforço e pode ser o tiro no pé de uma geração que diz querer ‘dar a volta por cima’.

quanto à nobreza estamos conversados

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 10:47

4 de Julho: “Lamento a saída de Fernando Nobre – um homem bom que poderia oferecer à política a sua experiência de vida cívica e social”

7 de Julho: “Embaraçou os poucos, como eu, que o defenderam publicamente mesmo quando minguavam as razões para tal.”

ao virar da esquina

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 10:29

“O Fisco considera que o grupo Sonae não tem idoneidade para ser fiador de uma dívida de quatro milhões de euros. O litígio prende-se com a execução dos bens da Cacetinho, empresa incorporada por fusão na Sonae MC (Modelo Continente), tendo ficado por pagar o IVA dos anos de 2006 e 2007 (…) O chefe de Finanças, Manuel Ernesto Dias, argumenta no despacho que indefere o pedido de suspensão do pagamento da dívida da Cacetinho que a Sonae ‘tem várias execuções fiscais instauradas que se encontram na fase de suspensos, por terem sido deduzidos processos judiciais e por terem sido prestadas garantias bancárias e seguros de caução’ (…) O grupo da Maia dá como garantia os valores dos activos da Sonae MC, superiores a mil milhões de euros (…) Em resposta, os serviços da Finanças de Matosinhos, agora através da chefe Rosa Maria Alves, confirmam as alegações anteriores e acrescentam ‘Face à conhecida volatilidade e insegurança do mercado de capitais e risco de uma empresa aparentemente sólida ficar em situação de insolvência ao virar da esquina (…) a tal garantia não salvaguarda os interesses da DGCI’. O Fisco voltou a argumentar que a idoneidade da garantia proposta se deve às dívidas tributárias por sociedades do grupo que se encontram em cobrança coerciva.”, ontem, no Jornal de Negócios (página 16).

A notícia, que acabo de transcrever, impressionou-me pelo excesso de zelo das Finanças de Matosinhos e, sobretudo, por ter ficado a saber que em Matosinhos, além de impostos, também se percebe de bolsa…Enfim, independentemente das ousadas tácticas de planeamento fiscal utilizadas por alguns grandes grupos económicos e que como se vê nem sempre funcionam, seria bom que o Estado aplicasse o mesmo zelo no cumprimento das suas próprias obrigações, pagando a tempo e horas aquilo que deve, antes de lançar mão de todas e quaisquer armas com o exclusivo fim de cobrar impostos.

provinciano

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 09:28

“O Procurador-Geral da República considera prioritária a investigação judicial às três principais agências de rating (…) O inquérito está a cargo da procuradora geral adjunta, Cândida Almeida, directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), que investiga os crimes de maior complexidade.”, na edição de hoje do Diário Económico (contracapa).

A notícia hoje divulgada pela comunicação social, e sem prejuízo das críticas que se podem fazer à alegada importância das agências de “rating”, só pode ser uma brincadeira. Com tantos problemas, de muito maior complexidade, para resolver em Portugal, o senhor Procurador-Geral prefere entreter-se numa caça às bruxas, que em nada resultará, e que parece dar a entender que o problema da situação a que o País chegou, afinal, não é nosso, mas sim dos estrangeiros. Enfim, faz lembrar um manifestante grego que ainda há dias protestava na praça Syntagma: “we don’t owe any money, it’s the others who stole it”… Ora, francamente!

Da produtividade do novo governo

Filed under: Política Fiscal,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 05:12

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