O Insurgente

Julho 22, 2011

A redução necessária

Filed under: Economia,Humor — Carlos Guimarães Pinto @ 11:06

Penile Length Leads to Little Economic Growth
The opening question to most undergraduate macroeconomics courses usually is, “Why are some countries rich and others poor?” The lecturer will then probably dive into all of the usual suspects behind economic growth–natural resources, technological innovation, savings rate–without mention of perhaps the most primal of measurements: penis size. (…) Every centimeter increase in penis size accounted for a 5 to 7 percent reduction in economic growth.

Não me vou alongar muito sobre a penetrante relação estabelecida no estudo porque me parece que merece uma análise muito mais profunda, que não cabe no exíguo espaço de um blog. No entanto, a teoria parece-me explicar muitíssimo bem as diferenças no crescimento económico nos países do sul e norte da Europa desde a segunda metade da década de 90 (coincidência ou não, a mesma altura em que atingi a adolescência). A teoria parece também bater certo com o pujante crescimento económico chinês e as diferenças de crescimento entre a Ásia e a África no período pós-descolonização.
Fica no entanto uma preocupação sobre a forma como o novo governo irá reagir ao estudo. Certas reduções são bem mais complicadas, e dolorosas, de implementar do que outras…

a burla democrática

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 10:54

“Resumidamente, os líderes europeus acordaram baixar os juros que cobram a Portugal, Irlanda e Grécia pagam para receber o dinheiro do resgate financeiro e aumentar a maturidade desse empréstimo, de 7,5 para 15 anos. No final, estes três países vão gastar mais dinheiro com o serviço da dívida, mas pelo menos conseguem empurrar o problema para 2027. A cimeira também aprovou um novo pacote de ajuda para os gregos, com a módica quantia de 109 mil milhões. Mas a Grécia vai ter de dar garantias reais como colateral para este novo empréstimo. O Corriere della Será dizia ontem que os nossos amigos finlandeses queria que a Grécia desse o Partenón como colateral. A continuar como está, um destes dias o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém ainda vão parar a Helsínquia ou a Berlim (…) Para Portugal, o resultado da cimeira é positivo, já que apanha a boleia da Grécia para ter um pacote de resgate com juros mais baixos e uma maturidade mais longa. Mas para isso, Passos Coelho teve de dar garantias aos restantes líderes europeus que Portugal não vai, em circunstância alguma, reestruturar a sua dívida. Triste fado o nosso que já nem temos direito a declarar a nossa própria insolvência.”, Pedro Sousa Carvalho, hoje no Diário Económico (contra capa).

A cimeira de ontem foi mais uma fuga para a frente e o plano que dela emergiu é revelador da armadilha de dívida na qual os países da periferia europeia, começando pela Grécia, entraram. Estamos amarrados a uma zona euro demasiado forte para as nossas debilidades estruturais que, por sua vez, a prazo, contribuirão para afundar o próprio projecto da moeda única. E há um aspecto que, cada vez mais, me assusta: a falta de legitimidade democrática de todos estes “bailouts”. Esqueçamo-nos por um momento de que somos portugueses e façamos as perguntas que importam fazer: em que manifesto eleitoral se baseia Merkel para pegar em dinheiro nacional com o propósito de resolver problemas transnacionais? Mais, quem autorizou Papandreou a hipotecar património público sem dar cavaco? Enfim, como diria o Medina Carreira num daqueles seus geniais “soundbytes”: isto é tudo uma grandessíssima burla.

Mas não obstante a burla democrática, ontem, deu-se um passo importante que merece ser realçado: começou o processo de reestruturação da dívida na Grécia, na Irlanda e em Portugal. É evidente que não se trata de uma pílula mágica, mas permite aliviar o fardo financeiro que a nossa irresponsabilidade pública e falta de competitividade privada gerou. É um processo que contém um pau e uma cenoura. Por um lado, começamos a penhorar os anéis. Por outro lado, ganhamos uma garrafinha de oxigénio, para nos despacharmos com as, até aqui etéreas, reformas estruturais. Quanto ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira e à ideia, ontem anunciada por Sarkozy num típico assomo de “grandeur”, de que este se transformará num Fundo Monetário Europeu, estou céptico e por uma simples razão: quebrado o compromisso de honra por parte dos gregos, é de esperar que também outros, a bem ou a mal, o quebrem. Logo, colocar o FEEF a garantir a dívida grega, como forma de convencer “voluntariamente” os credores a refinanciarem aquela mesma dívida, sem querer fazer disso uma regra – quando se sabe que a partir de 2013 cai formalmente a regra do “no default” na zona euro – é cair numa ingenuidade que, a um certo nível da política, não se admite. E, portanto, quando também a Irlanda e Portugal solicitarem o mesmo tratamento, ou forem forçados a isso pelos seus credores privados, o FEEF terá de reforçar as suas garantias e recursos próprios, pedindo mais dinheiro aos mesmos de sempre, e assim progrediremos até um dia alguém dizer “basta”! Nesse dia, os mais fortes do euro saltarão fora e o euro passará a ser uma espécie de escudo dos mais frágeis.

Mas enfim, regressando ao presente, a cimeira de ontem resolve a crise de hoje? Para já, acho que sim. E isso também é positivo. Fartos de notícias negativas estamos nós todos!

Ps: Ontem, o Banco Central Europeu sofreu a primeira derrota, de muitas que ainda há-de sofrer, na luta pela sua independência face ao poder político.

Passos para o lado

Filed under: Educação,Política — Carlos Guimarães Pinto @ 10:27

Governo aprova reforço da aprendizagem de Português e Matemática

Em vez de permitir a liberdade de escolha às escolas em relação ao currículo e dos pais em relação às escolas, Nuno Crato vem impôr a sua visão de ensino a todos, tal como os restantes ministros da educação antes dele. Independentemente de concordarmos ou não com essa visão (pessoalmente concordo), a questão fundamental da liberdade de escolha – de currículos para as escolas e de escolas para os alunos – continua a faltar. Até agora, Nuno Crato tem-se comportado como um bom director de liceu. Agora só lhe falta ser um bom ministro da educação.

Passos certos

Filed under: Educação,Política,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 10:15

Ministro esvazia direcções regionais
O Governo vai retirar das direcções regionais de educação centenas de professores destacados, fazendo-os regressar às escolas.
“Cerca de 900 professores voltam às escolas já no próximo ano lectivo”, disse ao CM Carlos Chagas, do Sindicato Nacional e Democrático dos Professores (FENEI/SINDEP), após reunião com o ministro Nuno Crato, mostrando-se de acordo com a medida.

(Fonte: Correio da Manhã)

Agora só falta fazer regressar as outras centenas de professoras a trabalhar para os sindicatos em full-time pagos pelo erário público. E, já agora, fazer o mesmo com os restantes funcionários públicos.

O Contexto é o Rei, mas os Princípios são a Rainha

Em resposta ao meu texto que apresentava 10 razões pelas quais Portugal estaria melhor fora do euro, o Miguel Botelho Moniz, em absoluta discórdia, escreveu um texto em forma de resposta para tentar “refutar” todos os meus pontos (1 por 1). Visto que ele considerou os meus argumentos importantes o suficiente para lhes responder, eu irei retribuir o gesto analisando os seus contra-argumentos que considero que não ficaram já respondidos no meu texto original.

Os argumentos do Miguel não são novos, aliás, arrisco mesmo dizer que são até bastante comuns na blogosfera liberal portuguesa. A ideia subjacente é relativamente simples: a permanência no euro é o que garante a redução de despesa do Estado agora que este último deixou de conseguir pedir emprestado nos mercados. Sair do euro seria então aceitar a saída fácil da desvalorização monetária e default adjacente que impediria as reformas liberais tão desejadas.

Consequentemente, se a ideia é assim tão simples e lógica, defender a saída do euro é ser socialista por querer a perpetuação do socialismo actual. Eu teria então de me confessar socialista por defender a saída do euro. Porém, tendo pouco jeito para ser socialista, tal como eu mostrei no meu texto, esta lógica está longe de ser evidente. Essas massivas reformas liberais são uma ilusão e se ninguém as vê a acontecer é por uma razão simples: a salvação redentora da União Europeia e o projecto socialista em que ela se quer tornar são mais apetecíveis aos nossos políticos do que fazer essas reformas. A “União de Transferência” (transfer union) é a única forma de salvar o euro e os nossos políticos sabem disso, como tal, vão esperar pelo federalismo para poderem colocar o país como receptor de benefícios vindos dos países europeus mais produtivos.

O Miguel alega que, quando referi que o euro foi o principal responsável pelo nosso endividamento, eu estava a desresponsabilizar os nossos políticos pela situação em que nos encontramos agora. Isto não podia estar mais longe da verdade. Eu culpo os nossos políticos por nos terem endividado endemicamente, mas sei que só o fizeram porque puderam. Sem o crédito barato do euro nunca o teriam conseguido fazer. Aqui tenho de confessar que a minha fé em políticos é muito baixa e considero que quando os mecanismos institucionais permitem que os políticos façam asneiras eles geralmente fazem-nas. Desta forma, o dever dos indivíduos é de pressionar no sentido de que eles tenham os maiores limites possíveis à sua acção (o que normalmente passa por limites constitucionais e descentralização fiscal e monetária massiva).

Contudo, a meu ver, a principal objecção do Miguel surge quando eu defendi que sair do euro seria a melhor (quiçá a única) forma de parar o projecto federalista da União socialista de transferências (também conhecida por União Europeia ou Estados Unidos da Europa). Esta é a resposta dele:

“Os fins não justificam os meios. Prejudicar os portugueses que pouparam e foram responsáveis, para safar os que andaram a viver acima das suas possibilidades, não é um preço aceitável para conseguir uma jogada política para placar os federalistas. (…) o problema de transferência de países produtivos para improdutivos deve ser uma preocupação dos primeiros. Isto é, se eu fosse alemão, se calhar achava óptimo que Portugal saísse do euro e, à falta dessa saída, estava a pensar em medidas para garantir que isto não se repete.”

(mais…)

Julho 21, 2011

Governação, Competitividade e Políticas Públicas

Filed under: Economia,Educação,Política,Portugal,Teoria — André Azevedo Alves @ 21:16

A 2ª fase de candidaturas ao Mestrado em Governação, Competitividade e Políticas Públicas na UA está aberta até 30 de Julho. Mais informações sobre os procedimentos para formalizar uma candidatura aqui.

O impressionante caso do suicida que deixou um longo ensaio filosófico

Filed under: Diversos — Bruno Garschagen @ 16:10
No dia 2 de junho, publiquei no meu blog a assustadora história, contada por Theodore Darlymple no City Journal, de Stephen Griffiths, estudante de PhD na University of Bradford, na Inglaterra, que nas horas vagas era um assassino em série.
Hoje recebo por email de um amigo brasileiro, Felipe Ortiz, outra história impressionante. Em 18 de setembro do ano passado, Mitchell L. Heisman, de 35 anos, se suicidou com um tiro na cabeça nas escadarias do Memorial Church Saturday, da Universidade de Harvard, em frente a um grupo de 20 turistas.
Nada de novo, você deve estar a pensar. Pois. À diferença dos outros suicidas, Heisman, formado em psicologia, criou o site Suicide Note para lá publicar o que supostamente seria um impressionante tratado filosófico niilista, ou, talvez numa perspectiva mais adequada, uma justificativa filosófica para o seu suicídio, com 1.905 páginas. Eis o sumário:

Exordia:

Freedom of Speech on Trial

How the Very Act of Repressing this Work Can Verify Its Freedom of Speech Hypothesis

An Experiment in Nihilism

What the hell happened to reason?

Part I:

God is Technology

How the Singularity of Monotheism Transcended Biology and Primed the Technological Genesis of God

The Seditious Genius of the Spiritual Penis of Jesus

How Christianity’s Subversion of Kin Selective Altruism Evolved into the Modern Idea of Social Progress

Absolute Purity

The Secularization of Hell within the Desecration Machine of Auschwitz

Part II:

A Vendetta Called Revolution

How Ethnic Hostility between Anglo-Saxons and the Normans Who Conquered Them Evolved into Liberal Democracy

Converse Cognates

Why the Norman Conquest was the World-Historical Ass-Kicking that Deflected the English-speaking World from the German Path to Nazism

Creating God and the Evolution of Genetic Suicide

Why Liberal Democracy Leads to the Rational Biological Self-Destruction of Humans and the Rational Technological Creation of God

Terminus:

The Punchline

Background Research for an Experimental Elimination of Self-Preservation and other Biasing Biological Factors

Selected Bibliography

(What suicide note would be complete without a bibliography?)

Para deixar essa história ainda mais cinematográfica foi criada uma página no Facebook em homenagem a Heisman e que atraiu admiradores.
O sumário levanta questões que me interessam, mas meu interesse em ler esse texto, confesso, foi realmente despertado pela afirmação de Alex Klein, do blog Ivygate, de que o Suicide Note é um texto bem-humorado. O que dizer de um sujeito que escreve um longo e bem-humorado ensaio para justificar o seu suicídio e efetivamente se mata nas escadarias de uma igreja? Uma tragédia, concordo. Mas haveria uma forma mais desgraçadamente bem-humorada de fazê-lo?

Transportes mais caros e com menor oferta

Filed under: Economia,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 14:21

Transportes públicos aumentam em média 15% a partir de Agosto

Acresce a esta actualização dos preços, em que se transfere para o cidadão uma parte dos custos deste sector, a supressão de carreiras e viagens por parte de algumas das transportadoras, sejam elas rodoviárias, ferroviárias ou fluviais.

Na mesma medida vão estar incluídas as extinções da NAER (Novo Aeroporto), EDAB (Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja) e também a famosa RAVE (Rede Ferroviária de Alta Velocidade).

Uma boa medida da Troika. Por João Miranda.

4. O Estado reduz o subsídio à suburbanização dos grandes centros urbanos.

5. Empresas públicas de transportes deixam de destruir tanto valor.

6. Aquele mundo esquizofrénico em que se subsídia a mobilidade e o combate à desertificação dos centros históricos começa a acabar.

Tiago

Filed under: Blogosfera,Insurgentologia — André Azevedo Alves @ 13:29

Parabéns ao pai, ao avô e, já agora, também à mãe.

O delay de Cravinho

Onde estiveste nos últimos seis anos?

Teimosia de Sócrates foi altamente lesiva para o país.

Madrid, 2011

Filed under: Cultura,Internacional,Videos — Carlos M. Fernandes @ 11:31

Final de temporada em Madrid, com a Tosca de Puccini no Teatro Real (produção do Teatro de 2004, agora em reposição), Eugène Atget na Fundação Mapfre, Arte e Arquitectura da Rússia no CaixaForum, e os últimos dias do PhotoEspaña, um pouco por toda a cidade. Apesar da crise, Madrid mantém-se na primeira divisão. Vamos ver o que acontece no próximo ano, com o prolongamento da agonia espanhola (Zapatero, já se percebeu, não larga o osso), e o Teatro Real sob o controlo total do infame Gerard Mortier. Entretanto, há que aproveitar este último fim-de-semana antes da chegada do marasmo estival, e tomar notas das ocorrências, entre umas gambas da Garrucha no Mercado de San Miguel e uma torta del casar na Casa Gonzaléz.

Público Mais e a imprensa escrita em Portugal

Filed under: Comentário,Media — André Abrantes Amaral @ 11:04

O lançamento do Público Mais, hoje noticiado naquele jornal parece ir ao encontro do que comentei há mais de um ano.

Os jornais generalistas passarão tendencialmente para a área online e, em papel, resistirão as publicações que tratem de temas mais específicos e com textos mais longos, de difícil leitura através de um monitor. Se calhar, estamos a assistir ao primeiro passo nesse sentido por parte da imprensa escrita em Portugal. Vamos ver no que dá.

Quantos subsídios de Natal irão custar estes senhores?

Filed under: Política,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 09:46

O homem que não queria ser ministro, tinha boas razões para tal. Parabéns então pela nomeação. Suponho que esteja lá para ajudar no processo de privatização.
Mas a notícia acaba com a indicação interessante de que no banco público, “o conselho, que hoje integra apenas gestores executivos, passará a ter também administradores não executivos“. A máquina já está a todo o vapor.

Context is king

Toda a escolha depende do contexto. A política não é diferente. Pelo contrário, a complexidade da realidade comunitária torna ainda mais importante o entendimento do contexto para acordar a acção colectiva. Por este facto, não concordo de todo com a análise feita mais abaixo pelo Filipe Faria, que apresenta razões pelas quais Portugal deveria sair da zona euro. Até podem existir outros paises na Europa cujo contexto próprio lhes traria vantagens numa saída da moeda única. Portugal não é um deles.

O Filipe apresenta 10 pontos, a que tentarei dar resposta na mesma ordem, agrupando pontos relacionados.

1) A moeda única foi a principal responsável pelo endividamento actual.

Dizer isto é desresponsabilizar os políticos cujas decisões agravaram irreversivelmente a situação financeira do estado português, particularmente, embora não apenas, José Sócrates. O aumento dos spreads entre a dívida pública portuguesa e a alemã deveriam ter sinalizado aos governantes nacionais que o caminho que estavam a seguir era insustentável. A insustentabilidade a médio e longo prazo das finanças públicas no contexto do envelhecimento da população é conhecida há muito tempo. A subida dos spreads deveria ter tornado clara a insustentabilidade a curto prazo.

2) Ficar no euro sem limites constitucionais ao endividamento significa a perpetuação do processo que caracterizou o “período euro” em Portugal.

Este ponto é contraditório com o resto do post. Eu concordo com limites constitucionais ao endividamento por uma questão de princípio, haja ou não euro. Não se pode é argumentar que no euro o estado vai falir e a economia definhar, e ao mesmo tempo dizer que ficar no euro vai perpetuar o modelo baseado no crescimento do endividamento.

3) As supostas reformas liberais que se esperavam não vão acontecer nas actuais circunstâncias.

4) O crescimento económico necessário para pagar a nossa dívida pública não é possível de atingir dentro do euro.

5) (…) A opção em cima da mesa é entre ficar no euro sem crescimento económico e com uma inflação (em teoria) menor e entre ficar no escudo com maior inflação mas com a possibilidade de crescer economicamente devido à desvalorização da moeda (…) .

Há alguma circularidade nesta argumentação. É assumido um cenário ceteris paribus de permanência no euro, que acarreta estagnação e incapacidade de pagar a dívida, factores que pelo seu lado justificam a inexistência de reformas, que a existir, fariam que o cenário deixasse de ser ceteris paribus.

Mas creio que o ponto essencial aqui é, mais uma vez, o contexto. A introdução de uma nova moeda, desvalorizada, resolveria uma parte da equação da competitividade, o factor trabalho (e mesmo assim apenas no curto prazo). Por outro lado, entre fuga de capitais, destruição de capital acumulado, perda de credibilidade dado o default da dívida denominada em euros e aumento de custos energéticos e outros factores de produção importados, o resto da referida equação sofreria substancialmente.

6) (…) propostas para introduzir o ouro ou prata como moeda paralela ao escudo poderiam ser levadas para o parlamento português à semelhança do que está a acontecer na Suíça. Estas alterações, apesar de difícil implementação, são mais fáceis de lançar localmente do que num monstro burocrático como a UE.

7) Mesmo no paradigma do papel moeda e dos bancos centrais como “impressoras monetárias”, a competição entre estes últimos  por uma moeda credível é a melhor forma de travar a desvalorização de moeda ilimitada.

Contexto, contexto, contexto. Estamos a falar de Portugal, não da Suiça. Se Portugal saísse do euro, era para imprimir notas para pagar as despesas do estado. O único caminho que tomaríamos no caminho de um padrão-ouro seria o do Zimbábue; algo que preferia evitar a todo o custo. Apesar da facilidade com que o BCE e a UE estão a rasgar as regras que presidiram à criação do euro, a alternativa de ter a política monetária nacional a ser definida pela mesma classe política que conduziu ao crescimento exponêncial da nossa dívida pública inspira ainda menos confiança.

Além disso, a concorrência monetária pode ser introduzida sem o processo quase impossível de sair do euro.

8 ) A permanência no euro continua a alimentar o desejo federalista de transformar os almejados Estado Unidos da Europa num sonho socialista a uma escala europeia onde se transfere fundos dos países produtivos para os improdutivos.

9) A saída do euro frustraria o plano latente dos federalistas.

Os fins não justificam os meios. Prejudicar os portugueses que pouparam e foram responsáveis, para safar os que andaram a viver acima das suas possibilidades, não é um preço aceitável para conseguir uma jogada política para placar os federalistas. Além disso, e voltando mais uma vez ao sempre presente contexto, o problema de transferência de países produtivos para improdutivos deve ser uma preocupação dos primeiros. Isto é, se eu fosse alemão, se calhar achava óptimo que Portugal saísse do euro e, à falta dessa saída, estava a pensar em medidas para garantir que isto não se repete.

10) (…) negociar a saída da moeda única de forma coordenada é a melhor forma de impedir que Portugal se transforme num novo Utah ou Michigan.

Desconfio que pelo menos os cidadãos do Utah vivem bastante melhor que os cidadãos de Portugal. No Michigan a coisa é capaz de estar difícil, com o declínio dos automóveis americanos…

O outro erro de Rupert Murdoch

“I think there is an answer to it, and we ought to look at them as open and clear as a society in the world, which is Singapore — where every minister gets at least a million dollars a year and the prime minister a lot more and there is no temptation and it is as clean a society as you find anywhere.”

Rupert Murdoch.

Singapura terá uma economia vibrante (como penso que Portugal nunca terá durante a minha presença terrena), pode ser a Suiça dos Tigres asiáticos, limpa e atractiva em muitos aspectos mas aberta? Eu, que saio muito pouco e não sou consultor do senhor Murdoch, teria passado os olhos por aqui:

(…) Over the next three years, Lee continued to pursue his economic agenda while using the legal system and other tools to keep the opposition in check. The government also maintained that racial sensitivities and the threat of Islamist terrorism justified draconian restrictions on freedoms of speech and assembly. Such rules were repeatedly used to silence criticism of the authorities. (…)  The prime minister retains control over the Elections Department, and the country lacks a structurally independent election authority. Opposition campaigns are hamstrung by a ban on political films and television programs, the threat of libel suits, strict regulations on political associations, and the PAP’s influence on the media and the courts. (…)

Singapore’s media market remains tightly constrained. All domestic newspapers, radio stations, and television channels are owned by government-linked companies. Although editorials and news coverage generally support state policies, newspapers occasionally publish critical pieces. Self-censorship is common among journalists. The Sedition Act, in effect since the colonial period, outlaws seditious speech, the distribution of seditious materials, and acts with “seditious tendency.” Media including videos, music, and books are sometimes censored, typically for sex, violence, or drug references. Foreign broadcasters and periodicals can be restricted for engaging in domestic politics, and regulations in place since 2006 require all foreign publications to appoint legal representatives and provide significant financial deposits. The leadership’s practice of using defamation suits and license revocations to silence critical media is often applied to foreign-owned outlets.

Julho 20, 2011

Causas e consequências em 10 pontos

Big Government Means Small People, por Dennis Prager.

(…)Against all this destructiveness, they will respond not with arguments to refute these consequences of the liberal welfare state, but by citing the terms “social justice” and “compassion,” and by labeling their opponents “selfish” and worse.

If you want to feel good, liberalism is awesome. If you want to do good, it is largely awful.

10 Razões Para Portugal Abandonar o Euro

1)   A moeda única foi a principal responsável pelo endividamento actual. Permitiu durante mais de 10 anos o acesso por parte dos nossos políticos a crédito barato produzido pelo Banco Central Europeu e suportado pela crença dos investidores de que nenhum país iria abandonar o euro, tal como estava previsto nos tratados europeus.  Sem o euro, nunca os investidores teriam emprestado tanto dinheiro a Portugal a tão baixos juros.

2)   Ficar no euro sem limites constitucionais ao endividamento significa a perpetuação do processo que caracterizou o “período euro” em Portugal: o crédito contraído pelo Estado é usado para financiar a falta de produtividade, aumentando os sectores não produtivos do “Estado Social” e evitando as reformas liberalizantes. Como nenhum Estado soberano europeu se quer auto-limitar, depois de um default assistido pela UE, regressaríamos (a seu tempo) ao business as usual.

3)   As supostas reformas liberais que se esperavam não vão acontecer nas actuais circunstâncias ou irão acontecer de forma ténue e com consequências práticas irrisórias.  Isto é uma realidade não apenas porque os nossos políticos esperam as “resoluções europeias” para poderem continuar a viver das transferências directas ou indirectas (eurobonds e monetização da dívida) vindas do centro da Europa, mas principalmente porque, com o crescimento económico de estagnação trazido pelo euro nos últimos 10 anos,  não existe um sector privado dinâmico para absorver todos os que hoje vivem dependentes do Estado.

4)   O crescimento económico necessário para pagar a nossa dívida pública não é possível de atingir dentro do euro. Os cortes na despesa pública para atingir esse crescimento teriam de ser de tal ordem que nenhum governo estaria disposto a enfrentar uma horda de grupos de interesse e de cidadãos dependentes do Estado (que rondam os 50%) para atingir esse efeito, mesmo que tal seja desejável. O Estado português nunca terminou um ano com superavit em democracia pós-1974, não seria agora que o faria. O default é certo.

5)   A desvalorização do escudo em relação ao euro é real e a transição terá um impacto doloroso nos portugueses. Porém, ficar no euro não é uma solução melhor. A opção em cima da mesa é entre ficar no euro sem crescimento económico e com uma inflação (em teoria) menor e entre ficar no escudo com maior inflação mas com a possibilidade de crescer economicamente devido à desvalorização da moeda e à respectiva vantagem competitiva que se ganha. A escolha não é entre mais ou menos inflação, mas entre o melhor rácio inflação/crescimento económico. A opção da saída do euro é a única que viabiliza a possibilidade desse crescimento e de uma transferências dos que “vivem do Estado” para o sector privado.

6)   Ao reaver a sua autonomia monetária, e sabendo-se que este problema é um problema mais amplo que diz respeito ao papel moeda (fiat money), propostas para introduzir o ouro ou prata como moeda paralela ao escudo poderiam ser levadas para o parlamento português à semelhança do que está a acontecer na Suíça. Estas alterações, apesar de difícil implementação, são mais fáceis de lançar localmente do que num monstro burocrático como a UE.

7)   Mesmo no paradigma do papel moeda e dos bancos centrais como “impressoras monetárias”, a competição entre estes últimos  por uma moeda credível é a melhor forma de travar a desvalorização de moeda ilimitada. Esta competição desaparece no caso do monopolista monetário que é o Banco Central Europeu.

8)   A permanência no euro continua a alimentar o desejo federalista de transformar os almejados Estado Unidos da Europa num sonho socialista a uma escala europeia onde se transfere fundos dos países produtivos para os improdutivos (eurobonds, dívida europeia, transferências estruturais, monetização da dívida, subsidiação da produção de sectores chave, resgates de países, etc).

9)   A saída do euro frustraria o plano latente dos federalistas de usar esta crise económica para centralizar o poder em Bruxelas e retirar a independência soberana aos Estados nação sem a permissão dos cidadãos, aproveitando o facto de estes estarem dobrados perante as dívidas públicas.

10)   Como acredito que o poder deve estar o mais próximo possível do indivíduo, considero que, salvaguardando os acordos de livre comércio, negociar a saída da moeda única de forma coordenada é a melhor forma de impedir que Portugal se transforme num novo Utah ou Michigan.

prémios de risco

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 13:14

O processo de aversão ao risco que Grécia, Irlanda e Portugal viveram nos últimos meses começa a alastrar-se à Espanha e à Itália. Assim, importa analisar os três períodos que habitualmente são tidos como períodos de referência (2, 5 e 10 anos), a fim de detectar sinais amarelos (ou vermelhos). Há essencialmente duas formas de o fazer: a) através da curva de rendimentos associada a cada um dos países ou b) através dos prémios de risco, isto é, dos juros adicionalmente exigidos à Espanha e à Itália, em cada prazo, face aos juros cobrados à Alemanha (o soberano que na zona euro paga juros mais baixos).

Ora, dado que a teoria financeira assume que quanto maior for o prazo, maior será a remuneração exigida – relação que corresponde à chamada curva normal de rendimentos – será preocupante se encontrarmos algum sinal de uma inversão daquela curva, seja no seu formato tradicional ou no seu formato derivado que em cima também descrevi. Assim, após esta introdução, aqui vão os números (ao fecho de ontem):

Alemanha:

  • 2 anos: 1,229%
  • 5 anos: 1,837%
  • 10 anos: 2,676%

Espanha:

  • 2 anos: 4,225% (prémio de risco: 2,996 pontos percentuais)
  • 5 anos: 5,389% (3,552 pts pcts)
  • 10 anos: 6,080% (3,404 pts pcts)

Itália:

  • 2 anos: 4,223% (2,994 pts pcts)
  • 5 anos: 5,000% (3,163 pts pcts)
  • 10 anos: 5,600% (2,924 pts pcts)

Fonte: WSJ online.

Mulheres ajudam a manter a dita dura na Rússia

Filed under: Internacional,Política — Carlos Guimarães Pinto @ 09:47

Russas incentivadas a tirar a roupa por Putin
Site “Exército de Putin” lançou uma campanha de incentivo ao eleitorado feminino para votar no atual primeiro-ministro, com o lema “rasgue a roupa por Putin”.

Julho 19, 2011

Se faz favor, quando é que vem a parte do liberalismo?

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Portugal — Maria João Marques @ 23:38

Eu estou entusiasmadíssima por, finalmente, termos um governo liberal e que vai governar de forma diferente e vai fazer mudanças e reformar o Estado e essas coisas todas.

É certo que a primeira coisa que fez não foi lá muito diferente dos dois ciclos governativos anteriores: aumentar impostos, desta vez substituindo aumento do IVA por saque ao subsídio de Natal. Mas, claro, foi só porque o governo foi obrigado (não havia nenhuma, nenhuma outra opção) devido às más contas do governo anterior (o que pensando bem também foi a desculpa de Durão e Sócrates).

E é certo que ainda não pararam as notícias de aumentos de impostos. Quem comprar algo de mais de 100.000€ (se for uma casa de 102.000€ é, como se sabe, um casarão) vai ser taxado se não explicar direitinho de onde lhe veio o dinheiro - sim, porque nisto de impostos parece que o ónus da prova já está invertido; não, não é o fisco ou o ministério público que têm a obrigação de provar que o dinheiro foi adquirido de forma ilícita e também fica por explicar se é um tribunal que decide se um contribuinte justifica bem de onde lhe veio o dinheiro ou se isso vai ser um poder discricionário do fisco com a garantia de que o contribuinte poderá reclamar – depois, claro está, de a administração fiscal lhe ir à conta bancária buscar o imposto que decidiu que tem direito. Isto a mim parece-me totalitarismo fiscal, mas não, não cedo perante a tentação e repito o mantra ‘o governo é liberal, o governo é liberal’ até, finalmente ver a luz.

Continua sendo certo que além de impostos o governo – com a ajuda dispensável do PR – se prepara para aumentar as taxas moderadoras no SNS, esperando assim espantar ainda mais utentes para as seguradoras de saúde, tudo porque não consegue poupar noutro lado para transferir recursos financeiros para pagar as despesas de saúde que, previsivelmente com o envelhecimento da população, aumentarão mesmo com boa gestão. Isto à primeira vista dá a entender que este governo, tal como os anteriores, resolve todos os problemas transferindo coercivamente recursos individuais para a posse do Estado, o que é a antítese do liberalismo, mas depois o mantra acima mencionado ajuda a recentrar-me.

É ainda certo que as medidas enfaticamente anunciadas para o lado da receita não foram acompanhadas de nada parecido do lado da despesa. Tirando a poupança no ar condicionado de Assunção Cristas, as luzes e os computadores desligados à noite no ministério de Álvaro Santos Pereira e os cartões de crédito e carros de serviço ao fim-de-semana que tiraram aos ministros – tudo coisas obrigatórias neste período mas, enfim, peanuts - nada se vê de relevante na diminuição da despesa. A reorganização do mapa municipal novecentista, essencial, já foi – muuuuito corajosamente – recusada.

Mas estes pensamentos são obras do tentador, porque o governo é muito liberal, e tem a cabeça e o coração nos sítios certos, quando aumenta impostos pretende tornar o estado mais pequeno e mais sustentável. Isto é tudo por culpa do sócrates. Os coitadinhos que lá estão agora não têm mesmo outras opções.

Mistério da fé.

Quem se mete com o PS, leva

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 22:47

Em ambiente de crise, sucedem-se as falências: Alegre falido. PS e BE não pagam prejuízo de milhares de euros das presidenciais

Destruir alguns lugares comuns tradicionais

No se robó Palestina; se compró Israel, por Daniel Pipes.

Se houvesse justiça…(3)

Filed under: Economia,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 19:56

Para ser lido apenas por quem concorda com todos os pontos seguintes:

- Que concorda que o problema de excesso de endividamento deve (também) ser pago com carga fiscal adicional

- Que concorda com impostos directos em geral

- Que concorda com impostos sobre o rendimento

- Que concorda com impostos proporcionais sobre o rendimento

- Que concorda com impostos progressivos com o volume do rendimento

 

(mais…)

Descubra as diferenças

News of the World vs. WikiLeaks, por Bret Stephens.

It’s probably inevitable that this column will be read in some quarters as shilling for Rupert Murdoch. Not at all: I have nothing but contempt for the hack journalism practiced by some of the Murdoch titles. But my contempt goes double for the self-appointed media paragons who saw little amiss with Mr. Assange and those who made common cause with him, and who now hypocritically talk about decency and standards. Their day of reckoning is yet to come.

Proporcional

Filed under: Internacional,Médio Oriente — Carlos Guimarães Pinto @ 18:22

Apesar de poderem tentar fazer o mesmo pela fronteira terrestre com Egipto (país que, ao que se sabe, não está em guerra com a Palestina), os activistas resolveram tentar furar o bloqueio marítimo a Gaza. Independentemente das razóes de cada lado, o objectivo da missão não foi o de levar mantimentos à população de Gaza, mas apenas provocar um país em guerra, com todos os riscos que isso acarreta. Teve a resposta merecida de Israel que, desta vez, soube ser proporcional à ameaça.

Regras de vestuário Vs. regras de jornalismo

Filed under: Media,Portugal,Religião — jtcb @ 16:05

 No Público de hoje vem uma notícia sobre a Universidade Católica, intitulada: “Católica cria regras de vestuário para alunos e professores”. Pelos vistos a notícia é de grande impacto para a vida deste país, já que o Público lhe dedica uma página inteira (a página 4) e dá-lhe uma chamada na primeira página do jornal. Muito bem. Como não há nada de muito importante a passar-se no mundo nestes últimos tempos, se calhar compreende-se…  

A notícia, em si, será relevante para o universo da Católica (onde me incluo, e por isso mesmo para mim tem algum interesse), mas duvido que tenha alguma relevância extra-muros. Aliás, como a própria notícia indica: “nesta matéria a UCP não é pioneira. Ainda há um ano, o Ministério da Educação aconselhava os professores a não usar havaianas, calções de praia, decotes e sapatos de salto alto durante os exames nacionais.”

Por outro lado, o texto da notícia não me merece grandes reparos — para além da opção editorial pelo destaque que lhe é dado. E aqui é que as coisas, a meu ver, se complicam. Ao lado da notícia aparece um “Comentário” de um jornalista do Público, sob o título: “Cristo entraria na Católica?” E, claro está, vêm logo as comparações subreptícias com os talibans ou com o laicismo do Estado francês. Tudo a propósito, claro…, num crescendo que prepara a estocada final de António Marujo — que, é bom que se perceba, nada tem que ver com o tema tratado pela notícia:

“O Conselho Académico de uma universidade católica poderia concentrar-se, por exemplo, na importância de criar alternativas à ditadura financeira dominante. E em que nela se ensinassem mais valores de acordo, por exemplo, com os apelos do Papa à “refundação do sistema financeiro” e menos com a formação de elites que reproduzem o desejo de lucro dos “mercados”.”

 Pois bem, já agora,também me apetece recomendar ao Conselho de Redacção do Público que se concentre um pouco mais nas opções editoriais que faz, e que, se possível, ocupe o seus redactores mais com o trabalho informativo e menos com a produção de comentários. Sobretudo comentários que, como este, não dizem respeito à notícia tratada mas apenas à agenda pessoal do jornalista que os escreve.

Dignidade e bom senso

Filed under: Cultura,Educação,Media,Portugal — André Azevedo Alves @ 15:32

Não obstante o mal-estar gerado na redacção do Público (sobre isso, vale a pena ler o que escreveu a Eugénia Gamboa), está de parabéns a Universidade Católica pela orientação tomada pelo respectivo Conselho Académico.

Um estranho plano de redução de despesa

Filed under: Double standards,Economia,Política,Política Fiscal,Portugal — André Azevedo Alves @ 15:23

Mais impostos, mais despesa. Por João Miranda.

O ministro da educação já anunciou que afinal não fecham tantas escolas com as que estava previsto fecharem. Já disse que acabam algumas disciplinas, como estava previsto, mas que afinal os tempos lectivos serão atribuídos a matemática e a português. O Ministro da Segurança Social anunciou uma poupança de 1 milhão (contas aldrabadas por excesso) nos adjuntos da segurança social mas agora prepara-se para lançar um novo programa de emergência social que custará milhões de euros. Até o supostamente liberal ministro da economia parece ter planos para subsidiar o credito às PME durante 1 ano. Todas estas despesas acrescem ao que estava previsto pelo PS.

Eurobonds: o subprime da União Europeia

Duas notas. Por Miguel Noronha.

Parece que se estar a formar um consenso acerca da oportunidade da emissão das eurobonds. Espanta-me ver tanta e tão boa gente a concordar com esta irresponsabilidade (já nem falo de socialistas e comunistas que apenas pretendem uma forma de continuar a saga despesista). Já não se recordam das origens desta crise? Eu dou uma ajuda. Lembram-se do subprime? Dos títulos de alto risco que eram vendidos no meio de outros com risco reduzido e recebiam ratings AAA e ajudaram a disseminar a crise? Para os mais esquecidos este artigo do WSJ compara-os às eurobonds e avisa-se que isto pode criar uma crise ainda maior que a actual. Depois não se queixem.

O ovo da serpente

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 13:13

Aqui têm, meus senhores, a Espanha que José Luís Zapatero deixa ao mundo. Amparados pela intolerância militante do presidente do governo e das suas pajíns e aídos, os novos torquemadas perderam toda a vergonha e já nem escondem o programa totalitário. Só falta a fogueira na Plaza Mayor, mas lá chegaremos.

Grupos laicistas exigen que la Fiscalía vigile las declaraciones del Papa en Madrid:

Europa Laica pide que se rechace cualquier crítica del Papa contra formas de convivencia de la sociedad española, leyes aprobadas democráticamente o debates legislativos, “elevando la correspondiente queja a la institución Iglesia católica e, incluso, si se considera, tomen otras medidas jurídicas”.

Propriedade Intelectual para tótós

Filed under: Economia,Portugal,União Europeia — Tomás Belchior @ 11:38

Numa altura em que anda toda a gente à procura do Santo Graal do crescimento, pareceu-me apropriado deixar-vos o link para um pequeno e esclarecedor texto escrito pelo fundador do Partido Pirata sueco a explicar os efeitos que as patentes e os direitos de autor têm na produção e disseminação de novas ideias.

Já que estamos a falar deste tema, podem (voltar a?) ouvir o podcast do Econtalk com o Michele Boldrin sobre o mesmo tema, ou ler o seu livro intitulado “Against Intellectual Monopoly” (disponível gratuitamente online aqui). Para ficarem com uma ideia do tom do livro, fiquem com uma pequena passagem:

“Intellectual monopoly is not a cause of innovation, but it is rather an unwelcome consequence of it. In a young dynamic industry full of ideas and creativity, intellectual monopoly does not play a useful role. It is when ideas run out and new competitors come in with fresher ideas, that those bereft of them turn to government intervention – and intellectual “property” – to protect their lucrative old ways of doing business.”

Livrarmo-nos de “old ways of doing business” é precisamente do que estamos a precisar…

boçal

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 09:51

“Jaime Ramos dirigiu-se aos jornalistas, onde nos encontrávamos, e distribuiu umas folhas e um folheto, deixando de fora o DN”, relata o jornalista visado. “Anunciou também que devido à nossa presença, já não haveria conferência de imprensa”, acrescenta Passos. Quando este interpelou o dirigente social-democrata a solicitar os documentos distribuídos, Ramos “disse que não convivia com ´paneleiros´ (…) não são inéditas as expressões usadas por Ramos que no parlamento já chamou “filho da p…” ao deputado Bernardo Martins (PS), “cabra” a Rita Pestana (PS), “chulo” e “vadio” a Edgar Silva (PCP) a quem ameaçou de “um tiro nos cornos”, “gatuno” e “burro” a Jacinto Serrão (PS). Também “mimoseou” Violante Matos (BE) com um “vai à merda” e até ao presidente do parlamento “convidou” a que fosse “para o c…”, hoje, no Público online.

Bem, aqui há tempos um colunista da revista inglesa “The Spectator”, citado no Portugal Contemporâneo, afirmava o seguinte: “(…) my real reason for objecting to our membership of the euro was, and still is, I’m afraid, straightforwardly racist. I didn’t want to have the same currency (or government, effectively) as people in the south of Europe, who I thought were, in the main, lazy, hot-tempered and uncivilised. It occurred to me that we have very little culturally or socially in common with the Greeks (except Taki, of course), the Spanish, the southern Italians, the Portuguese (ancient alliances notwithstanding) and that while it is sometimes nice to meet these people briefly while holidaying in their interesting countries, one would not wish to go into business with them” (destaques meus). Ora, lendo o parágrafo inicial e regressando ao artigo do Ron Liddle há que reconhecer that, indeed, he has a point

Enfim, já sabíamos que a inimputabilidade dos políticos era um principais obstáculos a uma efectiva implementação da Democracia em Portugal. Mas infelizmente, a essa inimputabilidade, ou desresponsabilização, soma-se um outro defeito: a nossa boçalidade. Fosse este tal de Ramos responsável político num desses países da Europa do norte e há muito que já tinha sido encostado. Aqui não! Pelo contrário, o dito Ramos é até um alto dirigente do partido que agora é o mais representativo do povo português: daquele que está no Governo!

vão ligar as rotativas

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 09:26

“A melhor maneira de o Estado ajudar as empresas e os bancos seria pagar o que lhes deve. Seria cumprir a lei. Câmaras e hospitais devem milhares de milhões de euros fora do prazo. Se as dívidas fossem saldadas, injectariam liquidez na economia como óleo numa engrenagem. No caso da banca, há dívida de curto prazo de 15 mil milhões de euros, que sobem para 40 mil milhões considerando empresas e regiões autónomas.”, Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios.

O parágrafo anterior quer dizer simplesmente uma coisa: os 12 mil milhões de euros reservados pela troika para recapitalizar a banca nacional podem não ser suficientes. E, segunda conclusão, que a banca já se está a movimentar no sentido de promover a necessidade de alterar o plano de resgate. Infelizmente, vejo com muita dificuldade que assim possa suceder; é preciso incorporar a ideia de que o plano foi concebido por nórdicos e norte-americanos que, em geral, têm uma mentalidade mais rígida que a nossa. Portanto, das duas uma: a) ou o BCE entra com a massa ou b) a banca portuguesa é nacionalizada. E se a banca for nacionalizada: a) ou o BCE entra com a massa ou b) há uma cessação de pagamentos por parte do Estado português.

Either way…tudo se encaminha para um cenário de inflação e para uma (mais discutível) saída da Alemanha do euro. Quanto ao euro, vai tornar-se numa espécie de escudo!

Ps: Imaginem só a ironia do destino…a partir de Novembro, o Banco Central Europeu, uma entidade que se queria à imagem do Bundesbank, estará representado por um italiano e por um português naquelas sorumbáticas conferências de imprensa que se seguem às descidas e subidas das taxas de juro…Uma coisa é certa: serão conferências de imprensa bem mais animadas do que aquelas que o taciturno do Trichet nos impinge!

Positive Rights Vs. Negative Rights

Filed under: Diversos — António Costa Amaral (AA) @ 08:40

Positive Rights Vs. Negative Rights

Da nacionalização da banca

Filed under: Política Fiscal,Política Monetária — Carlos Guimarães Pinto @ 07:48

Há uns dias na mercearia como não tinham troco deram-me 2 rebuçados e 1 acção do BCP.

Ideias geniais

Filed under: Diversos — Carlos Guimarães Pinto @ 07:45

Taxar as mais-valias resultantes da eliminação das golden shares.

 

Julho 18, 2011

O enredo adensa-se

Filed under: Política Fiscal,Política Monetária,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 16:03

Seguindo a recomendação da Moody’s, o Instituto de Gestão dos Fundos da Segurança Social quer deixar de comprar dívida portuguesa. O enredo adensa-se: quem mais estará envolvido nesta conspiração americana contra o Euro?

Rumo a uma sociedade perfeita, comunista

The rule of law is dead. Killed by the “harmonious society”.

Imposing resolutions outside the jurisdiction of the courts in the name of harmony has reduced the courts of justice to simple rooms where the talk about law but don’t apply it. And the Party has transformed the judges into police aides, unable to tell the truth and to respect the law. The analysis of one of the most distinguished scholars of contemporary China.

A Primavera persa

Teve início em 2009, com a revolução verde. Apesar da informação sobre as vítimas ainda não estar totalmente disponível, o artigo é de leitura obrigatória.

bairrismo

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 11:19

“The events of recent days are a watershed for Britain, for the United States, and for Rupert Murdoch. Tabloid journalism – and our tabloid culture – may never be the same”, em “Murdoch’s Watergate” na Newsweek desta semana. Por Carl Bernstein.

Enquanto na imprensa internacional se questiona a tabloidização do jornalismo, por cá, o Expresso entretém-se com o caso “Bairrão”…

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