O Insurgente

Julho 31, 2011

O Sócrates Espanhol: Zapatero a destruir a Economia Espanhola

Zapatero a la Sócrates:

  • “España está totalmente a salvo de la crisis financiera”, Agosto de 2007
  • “En esta crisis, como ustedes quieren que diga, hay gente que no va a pasar ninguna dificultad” (Julho de 2008)
  • “La próxima legislatura lograremos el pleno empleo en España. No lo quiero con carácter coyuntural, lo quiero definitivo” (Julho de 2007)

Fonte: O Insurgente

Espanha, terra da bolha do imobiliário, gerida por mais um Socialista “promissor”.

Vejamos o que correu mal:

Numa economia pode-se usar os Recursos para Investir ou Consumir. O conjunto das possibilidades desta combinação, à medida que aumentamos uma e diminuímos outra, pode ser representada pela linha azul acima: a curva de possibilidades de produção.

Segundo Keynes, se baixarmos muito a taxa de juro e portanto aumentarmos o crédito, podemos fugir desta prisão e produzir mais e consumir mais ainda (ponto R).

Segundo Mises, ao baixarmos artificialmente a taxa de juro e aumentarmos o crédito, consumimos a quantidade de recursos disponível até um ponto em que teremos de cortar no consumo e no investimento, passando um tempo no interior da curva para repôr esses recursos (ponto Q).

Segundo Hayek, os sectores em que isto se vai notar mais são os de bens duráveis, mais utilizadores de crédito (como o habitacional, de que Espanha é um caso paradigmático).

Ou seja, Espanha aproveitou juros baixos e construiu demais. Agora, vai ter de consumir menos e produzir mais (de bens que tenham procura efectiva) para recuperar.

Na questão do desemprego:

(S = Supply, D=Demand – ou seja, são normalíssimas rectas de Oferta e Procura)

Espanha há muito que tem um salário mínimo muito elevado. Em muitas funções, o salário mínimo é superior ao que geralmente vigoraria no mercado. Se o Salário de acordo com a produtividade fosse A e o salário mínimo é B, naturalmente há menos contratados e daqui resulta necessariamente desemprego. Logo, salários mínimos à Espanhola causam desemprego (e os sindicatos em 2010 ainda o queriam aumentar 8%!)

Naturalmente, causam ainda mais quando eliminam profissões que, por 630 Euros, mais vale não ter. Falo de enchedores de sacos nos supermercados, de atestadores de depósitos nas bombas de gasolina, dos que indicavam os lugares nos cinemas, dos ascensoristas, de policias sinaleiros e de muitas outras profissões hoje desaparecidas de Espanha e de grande parte da Europa (no Brasil eu vi dezenas de profissões que não existem na Europa!).

Resultado: os que trabalham pagam a essas pessoas na mesma: mas pagam mais e não têm nenhum serviço em retorno. E para os que pensam que ao menos os que recebem o subsídio de desemprego estão melhor: a estes foram roubadas profissões de entrada que lhes permitiriam ganhar conhecimentos e hábitos que os colocariam em trajectórias de carreira que lhes permitiriam construir uma vida plena, com amor próprio, respeitabilidade e um salário bem superior. Assim, são ociosos, inseguros de si, e causadores de fricções sociais. Sem o primeiro degrau, é mais difícil subir a escada social!

Espanha viveu anos com um desemprego de 10%. À luz dos salários e produtividades espanholas, este valor tem de ser visto como muito baixo e só possível numa economia sobreaquecida pelo crédito fácil. Quando aquele passou, o desemprego voltou aos valores normais, pouco abaixo do 20%. Está agora a passar os 20 porque… quem esteve no ponto R, tem de passar uma temporada no Q. É a vida.

Deixo-vos com uma citação de Mises para pensarem: “There is no means of avoiding the final collapse of a boom brought about by credit expansion. The alternative is only whether the crisis should come sooner as the result of a voluntary abandonment of further credit expansion, or later as a final and total catastrophe of the currency system involved.”

11 Comentários »

  1. Afinal, ele era o melhor amigo do Pinto de Sousa…

    Comentário por Carlos Alberto — Julho 31, 2011 @ 12:45

  2. “Segundo Keynes, se baixarmos muito a taxa de juro e portanto aumentarmos o crédito, podemos fugir desta prisão e produzir mais e consumir mais ainda (ponto R).”

    AI QUE DISPARATE. O RCM NÃO FAZ A MÍNIMA IDEIA DO QUE ESTÁ A FALAR, POIS NÃO?

    (Agora sem CAPS) O que o Keynes diz não é que com juros baixos podemos ultrapassar a fronteira e ir para o ponto R; o que diz é que estivermos no ponto Q (abaixo da fronteira) é possivel (baixando os juros) aumementar a produção, o investmento e o consumo até chegarmos à fronteira, mas só até aí.

    Comentário por Miguel Madeira — Julho 31, 2011 @ 13:04

  3. Mas, tirando a confusão acerca do Keynes, eu até nem discordo muito do que o RCM escreve aqui – mas será que isso foi culpa do Zapatero? No salário mínimo talvez, mas os juros não é ele que os determinou.

    Comentário por Miguel Madeira — Julho 31, 2011 @ 13:11

  4. Este blog transforma Economia numa espécie de pseudo-retórica de baixo nível. Mas alguém acredita nestas patranhas só porque se colocam gráficos e se atribuem letras a setinhas para cima e para baixo?
    Nao havera um professor de Economia (do 1° ano) que venha aqui desmentir esta treta? Ao que chegou esta ciencia…!

    Comentário por Stuart Mill — Julho 31, 2011 @ 14:12

  5. Acresce ao erro de avaliação o facto de, nas últimas décadas, a globalização ter criado uma curva de oferta agregada cada vez mais elástica, pelo que o aumento da procura não provocou o aumento de preços esperado.
    Este facto enganou os Bancos Centrais e os decisores da política económica, que na ausência de inflação pensaram que podiam manter os juros baixos e os estímulos da procura sem consequências.
    A má utilização dos recursos e os desequilíbrios acumulados fizeram o resto.

    Comentário por ricardo saramago — Julho 31, 2011 @ 14:27

  6. De qualuer modo: You’re gonna pay.

    Comentário por lucklucky — Julho 31, 2011 @ 17:46

  7. Brasil, esse modelo de desenvolvimento, essa Utopia…
    Toda essa variedade de serviçais é típica de escravocracias de Terceiro Mundo, e é visto como absurdo em qualquer país da Europa. Na Holanda, por exemplo, existe uma rígida cultura DIY onde as pessoas se orgulham em poder fazer todo o tipo de trabalhos por elas próprias, desde arranjar a bicicleta a consertar o telhado da sua casa, até mesmo trabalhos difíceis como encontrar o seu próprio lugar no cinema. Só mesmo fidalgotes latinos desejam uma sociedade onde se paga um salário miserável a alguém para carregar no botão do elevador.

    Comentário por PedroB — Julho 31, 2011 @ 17:53

  8. O pior é que só parece exisitir uma opçao: o PPSOE. Azar do carago… NO LES VOTES :)

    Comentário por ... — Julho 31, 2011 @ 18:08

  9. O MIGUEL TEM DE LER KEYNES!

    Sim, é isso que ele diz. Como não tenho tempo para escrever a refutação, deixo aqui um excelente vídeo com essa refutação. Veja-o e depois comente.

    Link: http://www.youtube.com/watch?v=jFqtTj7TeO0

    Comentário por Ricardo Campelo de Magalhães — Agosto 2, 2011 @ 00:26

  10. Stuart Mill,
    Se tivesse criticado algo, poderia responder. Assim, fico-me por isto: em blogs, escrevem-se resumos. Se quiser lições completas, diga-me e eu aconselho-o locais onde as poderá ter com pessoas mais qualificadas do que eu e que fazem disso a sua vida.

    Qua as curvas da oferta e da procura e as implicações implícitas são patranhas: talvez até tenha razão, mas é o melhor que temos não é? Esteja à vontade para escrever o texto como se fosse escrito por si e eu prometo lê-lo no dia seguinte à publicação.
    Obrigado, RCM.

    Comentário por Ricardo Campelo de Magalhães — Agosto 2, 2011 @ 00:31

  11. “Sim, é isso que ele diz. Como não tenho tempo para escrever a refutação, deixo aqui um excelente vídeo com essa refutação. Veja-o e depois comente.”

    Eu vi uns bons 25 minutos do vídeo e em ponto algum o tipo refere o gráfico que o Ricardo mostrou. Pode indicar o momento preciso?

    Comentário por PR — Agosto 3, 2011 @ 00:08


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