Conta a lenda que Dylan Thomas, dois dias antes de entrar em coma no Chelsea Hotel e ser levado para o hospital de St. Vicent, onde viria a morrer, estabeleceu ali um recorde que ainda hoje continua imaculado nos livros da casa: dezoito uísques. Desde então, o White Horse Tavern, na altura já com mais de setenta anos no lombo, conquistou definitivamente um lugar na História de Nova Iorque.
Tropecei por acaso no White Horse na última minha passagem por Nova Iorque. Dormia em West Village (o bar está na esquina da rua Hudson com a 11), passei por ali quando dava um primeiro passeio logo após chegar do La Guardia, e tinha sede. Com a luz do dia e o calor de Junho, a esplanada é um pouso privilegiado para a gente elegante do Village, mas lá dentro, no balcão, alinham-se todas as tardes uns dignos sucessores dos estivadores do Hudson, a clientela pré-Thomas. De noite, entramos num quadro de Hopper, e juntamo-nos aos outros falcões que ali desembocam em busca de uns minutos de conversa com o companheiro que lhe calhar em sorte na lotaria da barra. Alguns, sabem ao que vão: “so, what’s the story about this place?”. Então, o empregado faz uma pausa nas limpezas, atira o pano para cima do ombro, põe um pé em cima do lava-louça, e conta-lhes a história dos dezoito uísques de Dylan Thomas. Nessa altura, mesmo sabendo que a palestra não dura mais de dois minutos, temos uma desculpa para pedir outra Anchor Steam.



Como “O Insurgente” já tinha