O Insurgente

Junho 21, 2011

em falta

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 11:20

Organismos com execução orçamental em falta:

2010

Instituto Camões; Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e a Inovação; Instituto Nacional de Recursos Biológicos; Autoridade Metropolitana de Transportes do Porto; Autoridade Nacional das Comunicações; Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos; Laboratório Nacional de Engenharia Civil; Instituto Nacional de Emergência Medica; Editorial do Ministério da Educação; Escola Portuguesa de Dili; Fundação para a Ciência e Tecnologia; Universidade do Algarve; UNL – Escola Nacional de Saúde Publica; Fundo de Salvaguarda do Património Cultural; Instituto do Cinema e do Audiovisual; Instituto dos Museus e da Conservação.

2011

Centro Hospitalar de Cascais, UMIC – Agência para a Sociedade do Conhecimento e Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico.

Fonte: Síntese de Execução Orçamental, boletim de Junho, da Direcção Geral do Orçamento (rodapé do slide 42).

Execução orçamental: boletim de Junho

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 11:16

Foi ontem divulgado o boletim de Junho da Execução Orçamental, publicado pela Direcção Geral do Orçamento, relativo ao período de Janeiro a Maio deste ano. Ora, dos números apresentados há uma primeira grande conclusão: o défice global no final do ano não excederá o saldo negativo definido no documento da troika (aspecto positivo), mas o défice primário persistirá, em prejuízo do saldo nulo que estava definido no Orçamento de Estado para 2011 (aspecto negativo), mediante o qual continuaremos a apresentar necessidades líquidas de financiamento que deviam ser eliminadas. Mais, como tenho vindo a referir nas minhas análises mensais a este boletim, a extraordinária evolução da receita fiscal (face ao previsto) deduzida dos anteriores boletins é insustentável, pelo que, será por via da redução da despesa que se atingirão as metas ambicionadas em matéria de consolidação orçamental.

Assim, neste documento de Junho, o risco de deterioração do crescimento das receitas, enunciado anteriormente, foi já perceptível: apesar de se manter ligeiramente acima do orçamentado (6,0% versus 4,6%), o ritmo de crescimento das receitas encolheu para cerca de um terço do ritmo registado nos primeiros quatro meses do ano (6,0% versus 16,8%). E, sem surpresas, os impostos directos, que até aqui tinham sido os principais responsáveis pela elevada intensidade da progressão, já cresceram abaixo do crescimento global de todos os impostos (5,4% versus 6,0%). Assim, os impostos indirectos regressaram à sua posição natural de líderes (+6,3% versus 6,0%), nomeadamente o IVA que, tendo crescido 13% face ao período homólogo, representa hoje 43% de toda a receita fiscal. Ainda neste domínio, importa referir o seguinte: entre os principais impostos indirectos, apenas o IVA cresce; em todos os restantes (ISP, Imposto sobre veículos, Imposto sobre tabaco e Imposto de selo) o montante arrecadado diminuiu, ou seja, sinal de que apenas com muita engenharia fiscal se conseguirá manter a pujança do próprio IVA…Uma última nota para avisar os automobilistas de que na rubrica “Multas ao Código da Estrada”, onde se inclui a escabrosa caça à multa registada a expensas da irregularidade documental, registou-se um aumento de 1853% (por extenso, mil oitocentos e cinquenta e três por cento)!

Quanto à despesa, parece que, finalmente, o Ministério das Finanças meteu mãos à obra. Assim, na despesa que interessa, a primária – aquela que mede melhor a dimensão do Monstro – registou-se uma redução superior àquela prevista no Orçamento de Estado para 2011 (-5,7% versus -4,0%). Enfim, é a primeira vez que tal sucede este ano, o que, dada a tragédia das nossas contas públicas, é de louvar. Contudo, tal como escrevi no primeiro parágrafo, continuamos com um saldo primário negativo que, dificilmente, será invertido ou neutralizado como o Governo se propunha fazer este ano. Esta dificuldade, diria até impossibilidade, deve-se a vários factores. Primeiro, o lastro que vem de trás, isto é, do primeiro quadrimestre de 2011. Segundo, porque continuo a detectar diversas inconsistências nos gastos dos ministérios. Por exemplo, na Administração Interna e na Presidência do Conselho de Ministros as remunerações certas e permanentes mantiveram-se inalteradas, no primeiro caso, e exponencialmente em alta, no segundo caso (nota: apesar da sua natureza simbólica, convinha que o ministro Pedro Silva Pereira pudesse esclarecer o porquê de uma variação de +58,1% nas remunerações certas e permanentes do seu antigo ministério…). Outro exemplo: a aquisição de bens e serviços correntes, onde a diferença face ao previsto é de 49%, sendo que, ironicamente, foi o Ministério das Finanças aquele que se revelou mais gastador…Ou ainda, o derradeiro exemplo, as transferências correntes, onde se observa uma redução inferior à média nas transferências correntes para a administração pública central (-4,7% versus -7,2%). Por fim, terceiro factor, em resultado da política de transparência das despesas do Estado preconizado no acordo com as autoridades internacionais, há uma série de despesas que cairão que nem uma bomba na execução orçamental dos próximos meses. O que me leva a passar ao último capítulo deste post…

É nos Serviços e Fundos Autónomos que reside a grande incógnita da execução orçamental até ao final do ano. As brechas estão a aparecer por todo o lado. Reparem só: na rubrica de Despesas com Pessoal, a DGO indica-nos um acréscimo (sim, um acréscimo) de 25,2%, acrescentando de seguida que a mesma rubrica “está sobre estimada pela ausência de informação em 2010 de alguns estabelecimentos de saúde; considerando o universo comparável, a diminuição das despesas com pessoal seria de 4,1%” (página 17). O que a DGO não nos diz é se esses estabelecimentos de saúde continuam abertos ou não. Presume-se que sim, daí a consistência na manutenção da relevação contabilística associada aos 25,2%. Passemos para outra situação: na rubrica “Transferências correntes”, que responde por quase metade de todas as despesas nos Serviços e Fundos Autónomos, observa-se um crescimento de 3,7%, sendo que de um total de 3.651 milhões de euros registados entre Janeiro e Maio se incluíram 3.397 milhões desse total na enigmática sub rubrica “Outras transferências”…Por fim, e porque isto já vai longo, de acordo com os técnicos que elaboraram o boletim de Junho, num minúsculo rodapé da página 42, escreve-se que há 19 (dezanove) entidades públicas em falta na prestação de informação, a maioria das quais desde 2010. Ora, estamos em Junho de 2011…Em suma, são estes gatos escondidos com o rabo de fora, para não falar de todos os outros que não estando no perímetro de consolidação orçamental também se alimentam de fundos públicos, que vão complicar a vida ao ministro das Finanças e que podem deitar a perder os sacrifícios que, de um modo generalizado, se tem pedido aos Portugueses. Enfim, sem saber onde se gasta, não se poderá decidir entre aquilo que se gasta.

Fernando Nobre e os abrantes

Filed under: Blogosfera,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 00:52

Dentro do estilo Câmara Corporativa, até nem está mal, mas se o Rodrigo Moita de Deus se esforçar aposto que consegue melhor que isto.

Um problema que foi criado inutilmente acabou por se resolver de forma feliz. Sigamos em frente.

O Medo de Sair do Euro

Filed under: Comentário,Política Fiscal,Política Monetária,União Europeia — Filipe Faria @ 00:05

Agora que se torna evidente que a saída do euro é uma solução real e que nem sequer depende tanto da vontade dos que desejam manter a moeda única, há cada vez mais vozes em Portugal a advogar esta saída como a única aceitável dadas as condições. A reacção contra estas vozes já se fez sentir, e vem de todos os quadrantes, inclusivamente de quadrantes liberais, especialmente por aqueles, como o João Mendes, que se denominam liberais (sociais) mas querem um Estado federal centralizado em Bruxelas que afasta o poder político dos indivíduos. Porém, outros liberais simplesmente estão, por princípio, contra desvalorizações monetárias e as suas consequências, como parece ser o caso deste texto do Miguel.

O argumento de ambos consiste nos perigos de entregar o controlo monetário ao governo português. O principal argumento que liga estas vozes críticas da saída do euro é que ao se sair do euro resolve-se a curto prazo o problema da competitividade em relação ao exterior mas desaparecem os incentivos para se liberalizar a economia, que é, suponho eu, o principal problema da economia portuguesa. Eu quero aqui desafiar este argumento.

O euro foi um dos grandes responsáveis pelo estado de endividamento a que chegamos. Só nos endividamos desta forma porque o Banco Central Europeu indirectamente injectou crédito barato no Estado português ao aceitar títulos de dívida pública como colateral para empréstimos a bancos comerciais. Isto sim, impediu que qualquer reforma liberal fosse feita internamente, fazendo com que o Estado pudesse subsidiar a improdutividade de inúmeras formas: empregos inúteis na função pública, distribuição de obras públicas para os “rent seekers”, etc… Com o euro (e antes disso com os fundos estruturais europeus) os empresários portugueses passaram a dedicar mais tempo ao “rent seeking” do que a investirem na produtividade. Retirar uma “renda” do Estado proveniente da impressão monetária do BCE passou a ser desporto nacional. Mesmo que Portugal entre em default (e vai entrar), não sair do euro significa apenas a perpetuação deste processo onde o crédito barato torna mais apetecível contrair dívida pública do que liberalizar (tal como até então). Isto só não aconteceria se os Estados decidissem impor limites ao endividamento, mas isto é tão improvável como o Woody Allen continuar a escrever um filme por ano até aos 200 anos. (mais…)

Junho 20, 2011

A solution to the euro crisis

Filed under: Economia,Política,Teoria,União Europeia — André Azevedo Alves @ 23:58

A solution to the euro crisis. Por Alberto Mingardi.

O cantinho do telespectador (XVIII)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 23:50

No Prós & Prós, versão pós-jugular, pós-socrática, de repente descobrimos que Portugal até pode ser empreendedor. Um gajo porreiro de Braga, Miguel Gonçalves, pura e simplesmente derrubou todos os Muros de Berlim da comichosa socialista RTP: tratou o pessoal todo por tu, e disse ao país, olhos nos olhos, que não há emprego para quem não cria valor. E que quem nem sequer sabe qual é o seu “produto” – , ou seja, quem não tem uma missão para si próprio, nem sabe para que é que serve – nunca na vida vai poder sair do sofá. E que a vida custa, e só lá se chega com muita vontade e persistência. À Isabel Vaz caiu-lhe o queixo, tipo, estamos mesmo em Portugal? o Adalberto quase – mas ficou pelo quase – desapertava o botão de cima da camisa e amarrotava-se um bocadito, e o Carvalho da Silva acho que teve de tomar uma pastilha para lhe baixar o ritmo cardíaco. Um grande momento de televisão, que aqui o cantinho não podia deixar de destacar!

PS: Se os gajos da empresa que quer utilizar a energia do movimento e das ondas, forem capazes de aproveitar toda a vivacidade do Miguel Gonçalves, ficam ricos num instante.

PS2: Se a Fátima Campos Ferreira tratasse o people por tu, não cometia a gaffe de chamar “doutora” à Isabel Vaz, que por acaso até é Engenheira.

Oito anos de vida em baixa acentuada

Para alguns intelectuais, apenas um momento cultural.

Somos todos “falcões liberais”

Filed under: Economia,Política,Portugal,Teoria — André Azevedo Alves @ 23:36

O homem do saco. Por Sérgio dos Santos.

Qualquer dia, alguém que defenda a existência de propriedade privada já é um capitalista selvagem.

O cantinho do telespectador (XVII)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 22:32

Nunca percebi esta ideia do “preso por ter cão e preso por não ter”. Uma opinadora profissional, de cabelo curto e com uns óculos que lhe dão de facto um ar credível, na SIC-N, desenvolve uma teoria contra os “independentes” e ministros “técnicos”, apelando aos “políticos com P grande”. Está assustada também com os lobis, e o medo da contestação do status quo contra um ministro que percebe de economia, com vasta obra publicada. Aqui do meu sofá, diria que é bom ter num governo e na vida pública tanto políticos experimentados como pessoas com perfis mais técnicos. Haja verdadeiras ideias, um bom programa de governo e uma correcta coordenação, não vejo como cidadão onde está o problema de ter gente – imagine-se – capaz num governo. Cá para mim, a senhora do cabelo curto está com medo que lhe faltem “políticos” com “P” grande…

Mudança

Filed under: Portugal — Carlos M. Fernandes @ 19:30

Bem visto. Ando há anos a dizer, em conversas de café, que os portugueses africanos nunca aparecem em posições relevantes de governação. E sempre defendi que esta mudança, trazida agora pelo novo governo no momento mais crítico da desastrada III República, era fundamental, pois a “metrópole” era e é um lugar cinzento, fechado, provinciano, sem mundo, ao contrário do Portugal e dos portugueses que estavam espalhados pelo planeta. Não resolve tudo mas é, sem dúvida, um bom augúrio.

Triste fim

Filed under: Legislativas 2011,Política,Portugal — Tiago Loureiro @ 19:16

Prevejo que, na melhor das hipóteses, a manter-se como deputado, Fernando Nobre vai acabar a presidir a uma comissão parlamentar, provavelmente a de saúde. O cargo é prestigiante. Mas, para quem se candidatou, com poucos meses de intervalo, a ocupar os dois lugares mais altos da hierarquia do estado, não é mais do que uma consolação embaraçosa. Triste fim.

Problema resolvido

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 18:46

Tudo está bem quando acaba bem. Passos e Portas não perdem a face e Nobre fica com um potencial para causar danos francamente limitado: Fernando Nobre desiste de ser presidente da AR, mas fica como deputado

Fernando Nobre recebeu, na primeira volta, 106 votos, 101 deputados votaram em branco e registaram-se 21 votos nulos. Dos 230 deputados, votaram 228. Na segunda volta volta recebeu 105 votos, menos um que na primeira. Recebeu ainda os mesmos em branco (101) e mais um nulo (21). Não votaram dois deputados, ambos do PS.

O candidato do PSD não conseguiu sequer o pleno da bancada que o propôs nas duas votações.

com uma só cajadada. Por Rui A.

A legislatura que aí vem não vai de romantismos, nem de amadorismo político, e carecerá de uma liderança política forte, que Nobre estava longe de assegurar. Passos fica, apesar de tudo, bem na fotografia por ter feito os possíveis para honrar a sua palavra (dada imprudentemente muito antes do tempo, é certo), e teve também a sorte de, com a sua honrada insistência, se ver livre de um possível ministro de qualquer coisa que se ligasse ao “social”, que inevitavelmente lhe traria sarilhos a curto prazo.

Eis senão quando…

Filed under: Comentário,Justiça,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 18:04

… durante a limpeza de Primavera na Procuradoria (sim, porque o timing é tudo), eles aparecem num jarro guardado em local remoto, esquecido e seguro.

Problema em vias de resolução (2)

Filed under: Política,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 17:45

Problema em vias de resolução

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:39

O novo Governo está no bom caminho para ficar desde já com um problema resolvido: Nobre falha eleição para presidente da AR na primeira volta

Fernando Nobre recebeu 106 votos, 101 deputados votaram em branco e registaram-se 21 votos nulos. Dos 230 deputados, votaram 228.

O candidato do PSD não conseguiu sequer o pleno da bancada que o propôs.

O efeito

Da falta de liberdade.

 

O novo ministro da educação e o combate ao facilitismo

Filed under: Educação,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 14:38

«hey! teacher! leave them kids alone!» Por Rui A.

Nivelar classificando por baixo, ou nem sequer classificar coisa alguma, é o paradigma da nossa escola, onde reprovar é palavra proíbida e obrigar a aprender quem ainda não aprendeu pode ser um trauma socialmente insuportável. O esforço de transformar décadas e décadas de facilitismo, entretanto convertido em cultura estabelecida, não é para um ministro, nem para um governo, nem sequer para uma legislatura. Ainda assim, boa sorte a Nuno Crato e a Passos Coelho. Por algum lado é preciso começar e esperemos que eles não deixem de o fazer.

Leitura complementar: O novo ministro da educação; O novo ministro da educação (2); Educação.

O regresso da inflação

Filed under: Economia,Política,Portugal,Teoria,União Europeia — André Azevedo Alves @ 14:32

A solução final. Por Miguel Noronha.

Começa a ganhar peso a corrente de opinião que defende que devemos abandonar voluntariamente o euro e regressar às “desvalorizações competitivas” para reduzirmos de forma substancial (e rapidamente) os problemas do endividamento público e externos e ganharmos competitividade nas exportações. O que (normalmente) não explicam é que esta seria a melhor forma de garantir que nenhuma das reformas essenciais seria feita perpetuando muitas das razões que nos trouxeram até aqui. Por outro lado, iríamos impor um empobrecimento substancial e generalizado que iria afectar tanto os que se endividaram de forma inconsciente como aqueles que as geriram de forma regrada.

Money talks ?

Filed under: Desporto,Economia,Media,Portugal — André Azevedo Alves @ 14:31

Caso se confirmem as notícias, é de facto caso para sentir alguma desilusão com uma saída que será prematura, mas o FC Porto está acima de qualquer jogador, treinador ou dirigente.

Descubra as Diferenças

Filed under: Comentário,Media,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 12:08

(Antonieta Lopes da Costa, Manuel Falcão, André Abrantes Amaral, Nuno Amaral Jerónimo, Alexandre Homem Cristo e Paulo Pinto Mascarenhas).

Foi para o ar, este fim de semana, o último ‘Descubra as Diferenças’ da Rádio Europa. Desde que me iniciei como moderador do programa, foram dois anos e meio, mais de 120 emissões, de análise semanal do dia-a-dia político do nosso país, no decorrer de um período, no mínimo entusiasmante, mas que ninguém nega de extrema dificuldade.

O ‘Descubra as Diferenças’ nunca escondeu a sua linha editorial: dar espaço à direita, conservadora e de preferência liberal, que pensa e escreve por aí. Dar voz a uma minoria quando a grande maioria é de esquerda e, mais ainda, socialista. É impossível ser-se neutral ou imparcial quando o país caminha para o desastre. Apenas os falsos o tentam ser, apenas os vazios, os que não existem, o são. Nunca acreditei no jornalismo que visa não ter opinião. Escrever, falar, implica opinar. Ora, quem o faz, deve fazê-lo de forma clara e esclarecedora. Nunca apreciei jornais, revistas que procuram todo o público, rendendo-se a ele, descaracterizando-se ao ponto de nada mais serem que uma mera amálgama de palavras. Qualquer debate político pressupõe uma tomada de posição, um esclarecimento prévio. Não há mal nenhum em dizer o que se pensa, se enganar e mudar de ideias. Não há mal nenhum em procurar ser-se minimamente verdadeiro, minimamente franco, minimamente leal, directo, na busca constante de um conhecimento que se quer objectivo. Apenas assim nos centramos nas políticas e esquecemos as tricas pessoais. Ganhamos nós que encetamos esse caminho e ganham todos os que nos ouvem e lêem.

Não posso deixar de agradecer à Antonieta Lopes da Costa que me recebeu, confiando cegamente em alguém que à data não tinha qualquer experiência neste ramo; ao Paulo Pinto Mascarenhas, anterior moderador do programa, que me pediu que o substituísse, quando motivos profissionais não o permitiam continuar, e a todos os convidados que aceitaram gravar e discutir o que lhes ia na alma, sem medo de exporem as suas ideias a um país que, ainda que muito lentamente, está a começar a concordar connosco.

 

(mais…)

sair do euro

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 11:31

Há mais de dez anos, ainda antes da adesão ao euro, numa peça – entretanto de museu, que seria interessante recuperar – publicada pelo Jornal de Notícias foi apresentado um painel de economistas que, à época, tinham expressão mediática, aos quais foi apresentada a seguinte questão: deve Portugal aderir ao euro ou não?

Na altura, houve apenas dois que responderam negativamente: João Ferreira do Amaral e Pedro Arroja. Por isso, desafio os leitores d’ O Insurgente a lerem o que estes dois homens dizem – e escrevem – hoje a propósito do euro: aqui e aqui, respectivamente.

desiludido

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 11:15

Como aqueles que me são próximos sabem, na semana passada sofri uma enorme desilusão a propósito da recusa de uma determinada pessoa em fazer parte do novo Governo. Ora, se esta notícia do Negócios, que dá conta de André Villas-Boas no Chelsea a partir da próxima temporada, se concretizar, será a segunda desilusão no espaço de uma semana…

É evidente que as opções pessoais dos outros não se discutem, pois nunca ninguém sabe ao certo o que vai na cabeça – e na carteira – dos próprios. Porém, também não deixa de ser legítimo que ao admirarmos certa pessoa possamos criar certas expectativas. E no caso de Villas-Boas, este tinha todas as condições para se tornar uma espécie de Alex Ferguson do Futebol Clube do Porto. Assim, é com muita pena que leio acerca da sua provável saída.

Audiência e gozo especial dos desmiolados

Filed under: Ambiente,Cultura,Educação,Internacional,Media,Política — ruicarmo @ 10:52

A estupidez e a irresponsabilidade progressistas andam de mãos dadas. São brincadeiras de péssimo gosto e que podem acabar muito mal. Desta vez, a escolhida foi Michele Bachmann.

Educação

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 10:48

O vídeo, aqui divulgado, em que o novo Ministro da Educação, Nuno Crato, apresenta as suas ideias, fez-me recordar um conjunto de posts que eu próprio publiquei no Portugal Contemporâneo no já longínquo ano de 2008, quando estalou a polémica em redor da avaliação dos professores do ensino básico e secundário.

Na altura, indignado – aliás, excessivamente indignado – por observar aquilo que me parecia ser um protesto dos professores contra qualquer tipo de avaliação, sugeri o seguinte método de avaliação:

  • Implementação de exames nacionais, todos os anos a partir da 4ª classe, que devem ser redigidos pelos professores que, nas suas respectivas áreas de especialidade, constituam a elite da corporação, em teoria, os professores mais experientes e mais graduados;
  • A partir do 5º ano, rotação anual dos professores, ou seja, em cada disciplina, os alunos devem ter professores diferentes todos os anos;
  • Introdução de um sistema de pontos que avalia o professor em função da diferença entre o aproveitamento escolar obtido pelos seus alunos nas suas turmas e no correspondente exame nacional no final do ano. Trata-se de um sistema diferencial que a) harmoniza as diferenças nacionais existentes entre os vários estabelecimentos de ensino espalhados por esse país fora e; b) constitui um incentivo adicional para que os professores sejam rigorosos na atribuição das notas nas suas turmas, bem como na salvaguarda da qualidade do ensino nas aulas;
  • O sistema diferencial deve incluir as avaliações dos últimos três anos, representando um barómetro de qualidade assente numa perspectiva de médio prazo e permitindo esbater eventuais elementos subjectivos impossíveis de antecipar;
  • Os exames nacionais devem ser corrigidos pelos professores que, no ano anterior, se tenham classificado com as melhores pontuações do sistema de avaliação. Estes professores devem ser beneficiados através de aumentos salariais, promoções de carreira ou concessão de períodos sabáticos;
  • Os professores que piores classificações registarem, nomeadamente aqueles que se classificarem abaixo do percentil 10, devem ser demitidos a fim de se proceder à contratação de outros mais capazes.

Em suma, este seria o plano que eu proporia ao senhor Primeiro-ministro se fosse Ministro da Educação. Na minha opinião, um sistema justo, meritocrático e dinâmico.

Enfim, é curioso observar que, três anos depois, comece a ver alguns sinais de que talvez agora se caminhe no sentido que então preconizava. É bem necessário. Por duas razões. A primeira, e a mais importante, para salvaguarda dos alunos e das ilusões que lhes foram vendidas nos últimos anos. É que tenho observado – enquanto docente no ensino superior privado – que há muitos alunos que chegam à universidade e mal sabem escrever. Pior, como não sabem escrever, também não sabem estruturar ideias; desgraçadamente, não sabem pensar. E, segundo, para salvaguarda dos próprios docentes que, entretidos na luta sindical, perderam de vista que a sua classe só é tão forte quanto o seu elo mais fraco…Ora, se Nuno Crato conseguir implementar a espinha dorsal do que defendeu, antes de ministro, estou convencido de que a Educação em Portugal melhorará e muito. Por isso, haja esperança!

Tragédia grega

Para perceber o fenómeno, vale a pena ler o artigo do El Mundo. Queixam-se do quê os indignados-ex-acampados-solidários-com-Grécia-e-Portugal?

The Decline and Triumph of Classical Liberalism

Filed under: Teoria — António Costa Amaral (AA) @ 08:24


The Decline and Triumph of Classical Liberalism
Part 1 | Part 2

O fascismo do século XXI

Filed under: Diversos — António Costa Amaral (AA) @ 07:19

Perú: La derrota del Fascismo:

“Fascismo” es una palabra que ha sido usada con tanta ligereza por la izquierda, más como un conjuro o un insulto contra el adversario que como un concepto político preciso, que a muchos parecerá una etiqueta sin mayor significación para designar a una típica dictadura tercermundista. No lo fue, sino algo más profundo, complejo y totalizador que esos tradicionales golpes de estado en que un caudillo moviliza los cuarteles, trepa al poder, se llena los bolsillos y los de sus compinches, hasta que, repelido por un país esquilmado hasta la ruina, se da a la fuga.

Es decir, el fascismo del siglo XXI. Éste ya no se encarna en svásticas, saludo imperial, paso de ganso y un caudillo histérico vomitando injurias racistas en lo alto de una tribuna. Sino, exactamente, en lo que representó en el Perú, de 1990 a 2000, el gobierno de Fujimori. Una pandilla de desalmados voraces que, aliados con empresarios sin moral, periodistas canallas, pistoleros y sicarios, y la ignorancia de amplios sectores de la sociedad, instala un régimen de intimidación, brutalidad, demagogia, soborno y corrupción, que, simulando garantizar la paz social, se eterniza en el poder.

Giancarlo Ibárgüen e o futuro da liberdade

Filed under: Economia,Educação,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 00:15

Entrevista a Giancarlo Ibárgüen: “El futuro de la libertad está en las ciudades como Hong Kong”

(mais…)

Junho 19, 2011

O novo ministro da educação (2)

Filed under: Educação,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 18:10

Comentário do leitor tiago ao post O novo ministro da educação:

Afirmar que os alunos devem saber “isto” ou devem aprender “assim”, é uma forma de planeamento centralizado. O estado está tão entranhado na educação que até “liberais” ficam contentes quando alguém afirma o que os alunos do 9ºano TÊM que saber? O Nuno Crato está sujeito ao fracasso, mais cedo ou mais tarde, quer as suas ideias vão para a frente ou não. O rumo da educação tem que passar inevitavelmente pela sua descentralização e pela sua diversidade… Só quando alguém afirmar REALMENTE isto, é que um liberal pode ficar contente. Até lá é só mais uma pessoa a dizer como os filhos das outras pessoas devem ser educadas e quais os melhores regulamentos. Discutir qual a melhor forma de uniformização do ensino é ridículo. Mais ridículo é quando um “liberal” fica contente com isso.

Quatro milhões de visitas

Filed under: Blogosfera,Insurgentologia,Media — André Azevedo Alves @ 16:55

Segundo os dados do Sitemeter, O Insurgente ultrapassou a marca dos 4.000.000 de visitas.

Entretanto, e evidenciando a expansão do blogue para outros canais, a Comunidade Insurgente no Facebook aproxima-se a bom ritmo dos 1000 membros.

Obrigado a todos pela preferência.

O que faz falta ao Bloco de Esquerda

Filed under: Cultura,Double standards,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:43

Em dia de Marcha do “Orgulho Gay”, vale a pena ler este texto publicado no site do Bloco de Esquerda (via PPM): O que falta fazer!

Falta um ministro gay assumido. Falta uma procuradora-geral da república lésbica assumida. Falta um governador do banco de Portugal transsexual. Falta um guarda-redes do porto casado com um lateral do Sporting.

Falta tudo isto e ainda mais aquilo que ainda não sabemos que falta!

Sobre o tema, vale a pena ler também a Helena Matos: Primeiro era o Zé

O que fazia mesmo falta a muita gente do BE era sair daquele clube de betos prosélitos constituído pela esquerda das causas. E já agora que tal uma drag queen negra para dirigente do BE? Afinal o economista branco, de olhos azuis e que sabe o que é ser pai já lá está há um ror de anos, não é?

Leitura dominical

Filed under: Media — ruicarmo @ 16:39

Mais palpites sobre o Governo, por Alberto Gonçalves. A prosa inclui os suicídios assistidos, os indignados ceguetas e a defesa de Nobre.

Há cada vez mais moscas barnabés na sopa do Bloco de Esquerda…

Filed under: Blogosfera,Comentário,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:33

No Bloco de Esquerda, depois do mau resultado eleitoral, não têm faltado oportunidades de descoberta mútua. Primeiro aconteceu com Daniel Oliveira, agora chegou a vez de Rui Tavares: Eurodeputado eleito pelo Bloco Rui Tavares exige pedido de desculpas a Francisco Louçã

Neste contexto, Rui Tavares lamenta “a aparente leviandade com que Francisco Louçã extrapola em público sobre a sua curiosidade ‘acerca da coincidência de dois enganos tão estranhos’, ligando-a a um deputado eleito em listas do seu partido, sem ter feito o mais fácil — que seria telefonar a esse deputado para procurar satisfazer essa curiosidade”.

“Mas Francisco Louçã vai mais longe, utilizando num contexto em que citou o meu nome termos e expressões como ‘falsificação’ e ‘tentativa de refazer a história’, que para um historiador como eu têm implicações tão graves que não podem simplesmente passar em claro. Eu não sou, caro Francisco Louçã, dos que refazem a história e, politicamente, não sou daqueles que apagam um camarada da fotografia para lá pôr outro”, adverte ainda Rui Tavares, dirigindo-se a Louçã.

Depois de lamentar que Louçã esteja a lançar contra si “suspeitas em filigrana”, o eurodeputado do Bloco de Esquerda deixa a terminar um aviso ao líder do Bloco de Esquerda.

“O mínimo que espero de Francisco Louçã é que esclareça a confusão que levianamente criou, peça desculpas pelo facto, e retrate o seu texto”, refere Rui Tavares na parte final da sua nota de imprensa.

Leitura complementar: Aparentemente o Xico Louçã é leviano; Há uma mosca na sopa do Bloco de Esquerda…; Quem é Daniel Oliveira?; My name is Tavares, Rui Tavares. You are very white. Can I put you some cream?; Ironia da história.

O Zé faz falta… (2)

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:19

Megapiquenique: O dia em que os burros e as ovelhas vieram à cidade

O voto é secreto… (3)

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:16

Nobre vai a votos segunda-feira, mas eleição como presidente da AR não está garantida

Leitura complementar: O voto é secreto… (2).

A arrogância de Louçã

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:12

Depois da pesada derrota eleitoral, o eterno líder bloquista continua a tentar contrariar a imagem pública de extremismo irresponsável, mas nem assim consegue disfarçar a arrogância: Francisco Louçã admite que se fosse hoje participaria nas reuniões com a troika

Foi numa entrevista ao programa “Gente que Conta” e à TSF que Louçã proferiu estas declarações acrescentando que os portugueses não souberam interpretar a posição assumida pelo Bloco de Esquerda.

Leitura complementar: Louçã, versão estadista.

Sugestões

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 13:04

…para quem estiver na Andaluzia oriental. O Festival de Música e Dança de Granada, este ano, propõe um grande programa, do qual se destacam a ópera Ainadamar, do argentino Osvaldo Golijov, inspirada na vida de Federico García Lorca, e, em especial, Solimano, a ópera de Davide Perez estreada no São Carlos em 1768, e raramente apresentada em público. (Não sei se ainda há bilhetes, mas eu já tenho os meus há várias semanas, porque perder estes dois espectáculos é pecado.) Noutro registo, recomenda-se Eva Yerbabuena que, se não é a melhor bailadora de flamenco da actualidade, anda lá perto. Já amanhã, e também em Granada, começam as celebrações do Corpus Christi, com a habitual feria, e as esperadas corridas de touros, com cartazes para todos os gostos.

O novo ministro da educação

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 12:12

Um video revelador do pensamento de Nuno Crato. Para quem não conhece a linha vale a pena ver do princípio ao fim.

Se conseguir fazer metade do que defendia que deveria ser feito por um ministério da educação fará um grande trabalho. É de entender porque é que dirigentes socialistas dirigistas no limiar do fascismo lhe têm tanto asco.

The Curse of Machinery

Filed under: Economia,Teoria — dos ∫antos @ 09:54

A propósito das recentes declarações de Barack Obama sobre os supostos efeitos negativos da tecnologia na taxa de emprego, parece-me indicado recomendar a leitura de um pequeno texto de Henry Hazlitt, publicado em 1946 no seu Economics in One Lesson, o qual começa da seguinte forma:

Among the most viable of all economic delusions is the belief that machines on net balance cre­ate unemployment. Destroyed a thousand times, it has risen a thousand times out of its own ashes as hardy and vigorous as ever. Whenever there is long-con­tinued mass unemployment, ma­chines get the blame anew. This fallacy is still the basis of many labor union practices. The public tolerates these practices because it either believes at bottom that the unions are right, or is too con­fused to see just why they are wrong.

The belief that machines cause unemployment, when held with any logical consistency, leads to preposterous conclusions. Not only must we be causing unemployment with every technological improve­ment we make today, but primitive man must have started causing it with the first efforts he made to save himself from needless toil and sweat.

Junho 18, 2011

Daqui do lado

Filed under: Ambiente,Cultura,Economia,Energia,Internacional,Política — ruicarmo @ 23:54

Quase que lia dívida astronómica. Esta é a realidade que permite enquadrar o Nacionalismo regional agrícola no condomínio e os afortunados acampados.

Las comunidades autónomas españolas acumulaban una deuda de 121.420 millones de euros al cierre del primer trimestre de 2011, lo que supone un aumento del 26,4% en comparación con el mismo periodo del año anterior, cuando la cifra era de 96.042 millones. Según los datos del Banco de España publicados este viernes, el ratio de deuda sobre el PIB alcanzó el 11,4%, frente al 9,1% de hace un año y el 10,9% del trimestre anterior.

Es la primera vez de la serie histórica que ofrece el Banco de España (desde 1995) en que el ratio de deuda sobre el PIB supera el 11%. Cataluña es la comunidad autónoma más endeudada en términos absolutos, con 34.323 millones de euros, un 33% más que a cierre del primer trimestre de 2010 (25.801 millones). A continuación se encuentran la Comunidad Valenciana (17.895 millones, un 16,4% más), Madrid (14.111 millones, tras subir un 16,3%) y Andalucía (12.855, un 19% más). Cataluña, Comunidad Valenciana, Madrid y Andalucía acumulan más del 65% del total de la deuda de las comunidades autónomas.

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