A tese que o Carlos Guimarães Pinto apresenta aqui até pode ser possível se Portas nos quiser surpreender. Seria, no entanto, um erro colossal que os democratas-cristãos pagariam muito caro. Há dois pontos que têm de ser analisados. O primeiro, meramente político: o CDS tem de ir para o governo, sob o risco de se tornar irrelevante. Um partido que perde para o voto útil, não se pode tornar inútil. Precisamente um dos tiros no pé que Portas deu no final da campanha terá sido quando ponderou a possibilidade de o CDS não fazer parte do novo governo. A ideia de uma oposição de direita falhou completamente durante o cavaquismo e o CDS não vai querer repetir essa travessia do deserto, principalmente quando tem 24 deputados, mais de 11% dos eleitores e é indispensável para a maioria absoluta.
O segundo ponto é ideológico: o CDS não está à direita do PSD. Detém, isso sim, um voto conservador nas denominadas matérias fracturantes que, porque ‘resolvidas’, já não são relevantes. O que resta ao CDS para fazer a diferença é manter-se fiel às políticas sociais que são caras a Portas e a muitos militantes daquele partido. É uma ilusão esperar por um CDS que exija descida de impostos e uma redução do estado. Ora, sem redução da intervenção do estado e uma dura política de privatizações (algo que o CDS não vê com bons olhos), não é possível descer impostos. Ou seja, o CDS está preso pela necessidade de ir para o governo, fazendo-se útil, e de se colocar à esquerda do PSD, bem no centro do espectro político.
os Democratas Cristãos nunca deviam entrar num governo liderado pelos Liberais Abortistas, cristãos subordinados aos abortistas!!?? é uma coligação contra-natura…mas enfim…tem que haver um partido de escape caso o proximo Governo corra mal, não é uma questão de oportunismo mas sim de sobrevivencia da direita
Comentário por jorge1972 — Junho 9, 2011 @ 11:35
“Detém, isso sim, um voto conservador nas denominadas matérias fracturantes que, porque ‘resolvidas’, já não são relevantes.”
já não são relevantes!!?? vem ai uma Revisão Constitucional, e é Imperioso que se defina ” VIDA HUMANA” e não que esta definição fique num limbo…uma Constituição em que o Conceito de VIDA HUMANA é um conceito em aberto e que pode ser alterado por leis ordinarias é uma Constituição de uma sociedade de trolarós…
Comentário por jorge1972 — Junho 9, 2011 @ 11:47
“Um partido que perde para o voto útil”
O CDS não perdeu para o voto útil. Ganhou (e muito) para o voto útil. Mesmo assim, menos do que queria, mas ganhou.
“o CDS não está à direita do PSD”
Isso é verdade porque o PSD, em bom rigor, não está em lado nenhum. Ainda me lembro quando, há menos de um ano, o Miguel Morgado resolveu dizer algumas coisas vagamente liberais numa das múltiplas aberturas à sociedade que o PSD organizou, e foi comido vivo pelos presentes. Militantes anónimos e barões.
O PSD faz o que for preciso para ganhar o poder. Incluindo seguir um tipo cujas hipotéticas convicções não lhe dizem nada.
Comentário por Tomás Belchior — Junho 10, 2011 @ 00:28
Caro AAA,
Vc. está enganado quanto às definições de direita / esquerda. A definição de direita / esquerda é acima de tudo moral e não económica. O CDS é um partido conservador e democrata-cristão. Isso torna-o um partido de direita. O ser economicamente liberal ou não é perfeitamente irrelevante para um partido “continental” (i.e. não anglo-saxão). Mais uma vez, convém “lembrar” que o liberalismo económico andou durante grande parte do séc. XIX e até à grande recessão na década de 30 do século XX associado ao liberalismo social, i.e., era uma política de esquerda. O que aconteceu é que o socialismo (de raiz marxista – “baixa” esquerda) ganhou ao liberalismo (“alta esquerda”) durante o séc. XX, pelo que este acabou por “migrar” e associar-se à direita. Tanto o liberalismo como o socialismo pretendem mudanças societais, pelo que nunca poderão ser políticas conservadoras (como, aliás, Hayek o disse).
Comentário por Carlos Duarte — Junho 10, 2011 @ 09:47