No Reino Unido, em 1990, John Major foi escolhido para suceder Margaret Thatcher na liderança do Partido Conservador. De imediato, a Rainha nomeou-o Primeiro-Ministro. Ninguém duvidou da sua legitimidade e Major venceu ainda, com maioria absoluta, as eleições de 1992. Em 2004, Pedro Santana Lopes também substituiu um Primeiro-Ministro. Tal como no Reino Unido, o Primeiro-Ministro não é eleito, mas indicado pelo Chefe de Estado e com o apoio do Parlamento. Ao contrário, do que aconteceu com Major, poucos em Portugal, reconheceram a legitimidade de Santana Lopes. Porquê? Porque não tinha vencido eleições. 2004 não foi assim há muito tempo.
Infelizmente, e politicamente falando, Portugal não é a França, nem o Reino Unido. O nosso regime não aguenta um plano de austeridade levado a cabo por dois partidos de direita, não sendo um deles o mais votado.
Um PS, vencedor de eleições, nunca aceitará um lugar subalterno no governo. E o país não aguenta um plano de austeridade imposto por dois partidos de direita, que não venceram eleições, sem o apoio do PS.

