O Insurgente

Maio 19, 2011

Inconformistas, mas pouco

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 02:03

(…) Hoy, Sistema es sinónimo de economía de libre mercado. Y antisistema, un modo de externalizar la frustración: la cuenta de las expectativas incumplidas se le carga a la entelequia. Qué bonita irresponsabilidad, sentirse simple engranaje de una maquinaria pérfida. (.,.)
Hay quien les ha colgado la medalla de “inconformistas”. Yo los veo muy conformes con los tópicos de la izquierda común y corriente.

Maio 18, 2011

Resta o futebol

Filed under: Cultura,Desporto,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:31

Não foi um jogo bonito nem uma grande exibição do FC Porto, mas chegou para conquistar mais um troféu europeu: O bom hábito de ganhar na Europa

A quarta honra europeia de um clube que tem sido o mais ganhador em Portugal dos últimos tempos. E os jogadores portistas também honraram a brilhante carreira do seu adversário, fazendo a guarda de honra aos jogadores do Sp. Braga enquanto estes subiam para receber o prémio de consolação – e mais uma derrota em finais europeias para Custódio e Miguel Garcia, depois de 2005, em Lisboa, enquanto jogadores do Sporting; neste aspecto, João Moutinho sai vencedor da aposta que fez com um dos seus antigos colegas.

Num país falido, desmoralizado e desorientado, resta o futebol. É pouco.

Ambíguo

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 19:25

Neste momento, a ambiguidade da mensagem só prejudica o PSD:

Passos “não gostaria” de formar Governo se PSD não ganhar
Passos Coelho não exclui “procurar consensos com PS”
“Toda a gente achava que era inconstitucional”, mas o PS cortou salários, diz líder do PSD

O debate com José Sócrates é já depois de amanhã.

Entre nazis e comunistas

Filed under: Cultura,Double standards,Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 19:14

Mais do que os disparates proferidos por Lars Von Trier, o mais curioso nesta confusa notícia do Público é que se o realizador se tivesse “autoproclamado” comunista e/ou admirador de Fidel Castro e Che Guevara, não causaria choque nenhum entre os jornalistas.

Os fascizóides da culturinha

Filed under: Cultura,Política Fiscal — Carlos Guimarães Pinto @ 17:57

Francisco José Viegas disse, em entrevista ao i, que Portugal não precisava de Ministério da Cultura. É uma evidência que só alguns não entendem. Em reacção a este comentário foi iniciado no Facebook um grupo chamado “A cutura não precisa de Francisco José Viegas”. Rapidamente, o grupo conseguiu juntar 150 pessoas. 150 heróicos  defensores da cultura em Portugal contra os alarves ignorantes como o FJV. Só houve um problema: aparentemente os organizadores deste grupo fizeram com o seus membros o mesmo que o Ministério da Cultura quer fazer com os portugueses: juntá-los à força por uma causa que não defendem. Os 150 membros foram na sua maioria incluidos no grupo sem autorização e o muro do grupo não se encheu de pessoas a criticar as declarações de FJV mas sim a pedir para serem excluídas do grupo.

Estes 150 com um simples clique lá conseguirão excluir-se do grupo que não subscreveram. Antes fosse assim tão fácil excluirmo-nos de pagar as obras que o Ministério da cultura nos obriga a co-financiar.

The Morality of Profit

Filed under: Economia,Política,Teoria,Videos — André Azevedo Alves @ 16:00

Tom Palmer – The Morality of Profit

Quem se mete com o ps, leva

Filed under: Ambiente,Blogosfera,Humor,Política,Saúde,Videos — ruicarmo @ 14:40

Literalmente. O Vader do Fraque foi agredido. O vídeo pode ser visto aqui.

Quem vai ser o líder do PS daqui a um ano ? (2)

Filed under: Política,Portugal,Sondagens — André Azevedo Alves @ 13:05

Resultados até ao momento da consulta em curso na página d’O Insurgente no Facebook:

António José Seguro: 58%
Nenhum dos anteriores: 19%
Francisco Assis: 12%
Ferro Rodrigues: 5%
José Sócrates: 5%
Luís Amado: 2%

A votação continua a decorrer aqui: Quem vai ser o líder do PS daqui a um ano ?

Indignações selectivas

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 12:48

Nesta notícia, falta explicar a razão pela qual os meninos estão acampados à porta do governo da Comunidade de Madrid, e não do governo de Espanha. Falta explicar por que é que, a uma semana de umas eleições regionais que se prevêem devastadoras para o PSOE, estes “indignados”, que dizem protestar contra o estado a que chegou o país e contra o défice de democracia, apontam as armas para um partido que não governa desde 2004. Num plano individual, é também divertido ver um tipo como Willy Toledo, conhecido defensor das causas castrista e chavista, a pedir “uma democracia e política reais”.

Pois é. Nunca, mas mesmo nunca, menosprezem a habilidade dos socialistas na velha arte de distorcer a realidade e manipular as massas. Aqui estamos, na Península Ibérica, entregues aos bichos e a aprender a lição da pior forma: com os sonhos e os projectos de uma vida. Mas o pior de tudo é ter que aguentar o descaramento impune de todos os willies que andam por aí a fazer o trabalho sujo e a tomar-nos por parvos.

O fatalismo não existe

Filed under: Comentário,Livros,Política — André Abrantes Amaral @ 11:53

Em 1939, Ronald Syme publicou o livro “The Roman Revolution”. Para Syme, o fim da República Romana foi o desfecho de um longo processo de decadência política. As qualidades dos políticos, os vícios próprios de um sistema de mãos dadas com o populismo e ainda o crescimento desmesurado do império, não podiam ter outro resultado que não fosse a Ditadura que aguardava apenas pelo aparecimento de um homem como Augusto. Syme desenvolveu esta tese na década de 30, quando as democracias estavam desacreditadas e muitos preferiam a ordem à liberdade. Esta tinha corrompido o homem e o homem corrompido precisava de disciplina.

Mais tarde, já na década de 70, Erich S. Gruen expôs no seu livro “The Last Generation of the Roman Republic”, outra tese que acabou por ser uma resposta à de Syme. Naqueles anos de turbulência marcados pelos conflitos ideológicos, combate político, choques geracionais de natureza moral e a guerra do Vietname, em que (quase) tudo era questionável, Gruen acreditava que o que sucedeu em Roma, dois mil anos antes, podia ter sido diferente. Tanto o populismo, como os ataques truculentos entre políticos, as suspeições e as mentiras, a falta de confiança que minava a população, a soma de todos estes fenómenos, não conduziam, inevitavelmente, ao fim da democracia. Eles eram, antes de tudo o mais, a sua essência. E sem esses pequenos defeitos, falhas e pecados, a democracia não se regenera. Colocar em causa as instituições não significa querer o seu fim, mas a sua reforma. A ditadura não era inevitável e talvez bastasse que um pequeno acontecimento se desenrolasse de modo diferente da forma como se deu, e a República teria sobrevivido.

Na segunda década do século XXI assistimos a uma convulsão mundial e não sabemos como ficaremos quando terminar. Se mais, se menos livres. Se com mais ou menos Estado. Mais ou menos tolerantes. Uma coisa é certa: a resposta está no modo como encaramos os desafios e no valor que damos à liberdade e não tanto no que verdadeiramente acontece. Não existem fatalidades. Por algum motivo, ainda hoje ninguém nos diz, com toda a clareza, se a República em Roma tinha condições para continuar.

Uma boa notícia

Filed under: Cultura,Livros — ruicarmo @ 11:36

Philip Roth é o vencedor do  prémio Man Booker 2011.

Auditar as “Novas Oportunidades”

Filed under: Double standards,Educação,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 11:32

Uma forma simples, barata, eficaz e transparente de auditar a sério o programa “Novas Oportunidades”: A única auditoria necessária. Por João Miranda.

Se as Novas Oportunidades dão equivalência ao 12º anos (ou ao 9º) não é lógico que os alunos façam os exames nacionais respectivos? Sempre se ficava a saber se mereciam a equivalência. Não há que temer esta forma de avaliação. É o próprio governo que garante a qualidade dos diplomas.

Leitura complementar: Como funcionam as “Novas Oportunidades”; A caminho do “sucesso” estatístico; Malícia ou estupidez?; Os chumbos já acabaram; O corolário lógico do eduquês.

Para que servem as Novas Oportunidades

Filed under: Ambiente,Cultura,Economia,Educação,Energia,Política,Portugal — ruicarmo @ 11:25

A notícia do CM não precisa de comentários, tal o regabofe.

Estado – testemunhos de formandos pedidos para sessão de campanha
PS aproveita Novas Oportunidades

Os centros públicos de Novas Oportunidades receberam pedidos de testemunhos de formandos para serem apresentados hoje na sessão de campanha eleitoral do Partido Socialista que decorrerá em Vila Franca de Xira. Depois da troca de acusações entre PSD e PS a propósito do programa Novas Oportunidades, a Agência Nacional para a Qualificação (ANQ), sob tutela dos ministérios do Trabalho e da Solidariedade Social e da Educação, recebeu um pedido para que fossem recolhidos testemunhos abonatórios que pudessem ser utilizados na sessão do PS com José Sócrates e o cabeça-de-lista por Lisboa, Ferro Rodrigues.

O CM sabe que foram também enviados e-mails a funcionários dos centros em que se pedia para comentarem notícias relacionadas com declarações do presidente da Agência Nacional para a Qualificação, Luís Capucha, nas quais este atacava o líder do PSD, considerando “insultuosas” as suas palavras sobre as Novas Oportunidades.

Gustav Mahler

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 04:25

Foi há cem anos. No dia 18 de Maio de 1911, em Viena, caiu finalmente o pano sobre a queda física e emocional de Mahler: a morte de Maria, o diagnóstico de uma doença imparável, a traição de Alma. Todos morremos sozinhos, mas alguns morrem mais sozinhos do que outros.

Derrubado, espoliado da alegria e exuberância que deixaram marcas na Oitava, Mahler teve ainda ânimo para esboçar a Décima Sinfonia, concluída mais tarde por Cooke, Barshai, entre outros. O primeiro movimento, no entanto, estava praticamente terminado. Só por isso me atrevo a assinalar a data com este lamento ultra-romântico da incompleta, que anunciava um novo século e uma música para além do romantismo. E porque, como escreveu Bernd Feutcher,

The concept of the Tenth is as ambitious as that of the Divine Comedy, and to it belong the elementary human problems of love and death no less than the final questions of religion.

A situação de Portugal, em Turco

Filed under: Economia,Insurgentes nos media,Internacional,Portugal — Ricardo Campelo de Magalhães @ 00:02
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Para quem entender turco, aqui fica uma entrevista que dei há alguns meses (mas só agora publicada…) sobre a situação em Portugal para o site da Organização Liberal Turca 3H.(3H vem de Hürriyet Hukuk Hoşgörü, ou seja, Liberdade, Ordem e Tolerância).

Para a minoria que não entenda Turco, têm de contentar-se em clicar aqui para uma tradução googliana em Inglês (embora eu esteja disponível para nos comentários esclarecer dúvidas que certamente surgirão).

A entrevista foi dada parte no Porto (tendo a foto sido tirada muito apropriadamente enquanto almoçavamos uma francesinha – literalmente) (e sim, adorei a escolha) e também por e-mail, onde foram respondidas questões adicionais e dados alguns esclarecimentos. O trabalho jornalístico foi da autoria de Ekin Can Genç, meu amigo no Facebook e associado da Atlas Network a viver em Bruxelas. Os temas foram os da altura: a Wikileaks, o eminente colapso Português e as suas causas, as greves e a situação do liberalismo em Portugal.

Para quem viva em Portugal, a entrevista não trará grandes novidades, mas fica aqui a referência pois esta foi incluída na revista da organização (com uma tiragem de milhares de exemplares) e será distribuída em todos os eventos da organização nos próximos meses (o que só torna o pormenor da fotografia ainda melhor).

Fica a nota de que há uma organização liberal de razoável dimensão na Turquia, o que se me tivessem dito à ano e meio eu teria duvidado.

Site da 3H. 3H na Wikipedia. Exemplo de pequeno evento (fotos).

Maio 17, 2011

E depois

Filed under: Blogosfera,Media,Nanny State Watch,Portugal — ruicarmo @ 23:13

Como bem aponta Nuno Gouveia, já vai tarde a privatização da Lusa. Para despedir o chefe de serviços comercias… por falta de confiança política, só num idílico reino socialista. No campo da esperança, segue-se a privatização da RTP,  2, RTP-N, África, Internacional, Antena 1,2 e 3. O que é que toda esta gente faz que um privado não faça… e sem custos para o contribuinte?

CDS à esquerda do PSD nas questões sociais?

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 22:23

Estive ausente do país por uma temporada, e hoje quando revia os meus emails antigos encontrei um que me conduziu a uma frase de Paulo Portas, onde este afirmava, numa visita a uma Escola de Almeirim, e cito, que o seu partido “está à esquerda do PSD em questões sociais”.

Pergunto-me porque razão o link da pesquisa do google, daqui, conduz aqui, a uma página do Portal do CDS que nos diz “file not found”.

Já agora, há algum engano na minha caixa de email ou Paulo Portas disse mesmo isso? E pergunto se os meus amigos do CDS-PP ficam confortáveis e entusiasmados com um líder que consegue posicionar-se à esquerda do PSD em matéria de questões sociais?

O cantinho do telespectador

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 21:46

Helena Garrido diz na SIC Notícias que “defender a redução do Estado é uma opção intelectualizada que não diz nada às pessoas”. Realmente, quando chegamos ao ponto de alguém poder dizer isso com ar cátedro, sem que os interlocutores tenham um ataque de riso, bem que merecemos a bancarrota.

O Luis Delgado insiste nas “narrativas”. Esta palavra, como alguém dizia, devia ser proibida. Qualquer dia a palavra “narrativa” vai ganhar uma carga “autoexplicativa” maior que o campeão do vazio, juntar a tudo e todos o rótulo “social”.

Um gajo que nunca vi – tem cara de “Abrantes” – diz que PPC foi para o debate sem se preparar, para depois dizer que o problema do debate não foi falta de preparação. Fiquei baralhado. Agora fala que Louçã “tirou coelhos da cartola”. Vale tudo…

As escolhas infelizes do PSD

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 19:00

o dilema dos fernandos. Por rui A.

Por mais qualidades pessoais que se lhe reconheçam, Fernando Nogueira não deve ser o paradigma político de um partido que se queira aberto à sociedade e independente das lógicas internas e das amarras do aparelho partidário.

Não há duvidas que, nestas eleições, Passos Coelho não acerta nos Fernandos.

Debate Passos Coelho – Francisco Louçã

Filed under: Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 18:37

Passos Coelho não pode cometer o mesmo erro que cometeu no debate com Jerónimo de Sousa.

O PSD luta com o PS por um eleitorado que é anti-comunista, que acredita no sistema misto social democrata.

Sócrates nos debates com Louçã tem feito bem o papel do baluarte contra o comunismo. Contra os papões que são as nacionalizações e as expropriações, ganhando aqui votos na esquerda caviar mas também nos indecisos que nunca votariam BE mas precisam de uma razão para ir votar.

Passos Coelho não pode cair na tentação de tratar Louçã como um aliado. Sendo que não há dúvidas que a preocupação é o PS, para ganhar votos ao PS tem de mostrar que o baluarte contra o comunismo é o PSD. São os indecisos que interessam e os indecisos são na sua enorme maioria anti-comunismo.

Ilusão vs. realidade

Filed under: Double standards,Educação,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 18:04

Nenhum tema ilustra tão bem a aposta socialista na ilusão dos eleitores como o famigerado programa “Novas Oportunidades”.

Leitura complementar: Como funcionam as “Novas Oportunidades”; A caminho do “sucesso” estatístico; Malícia ou estupidez?; Os chumbos já acabaram; O corolário lógico do eduquês.

Análise do programa do CDS

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 17:51

Uma excelente análise, ainda que talvez demasiado benévola: o manifesto eleitoral do cds. Por Rui A.

Em conclusão, este Manifesto do CDS não pode considerar-se um programa global e coerente de governo, próprio de um partido que esteja a preparar-se para o liderar. Ele é mais um conjunto coerente e agradável de ideias para serem levadas para um governo de coligação, com destaque naquelas matérias onde provavelmente o CDS pretende reservar lugares e posições. Ideologicamente, é um programa conservador, com forte presença dos inevitáveis vestígios da democracia-cristã e laivos de algum liberalismo económico. Mas o resultado final é, apesar de tudo, positivo. Veremos, se o CDS chegar ao governo, se as boas intenções ficam ou saem do papel.

Para que serve o Ministério da Cultura, parte II

Filed under: Ambiente,Blogosfera,Cultura,Educação,Política,Portugal — ruicarmo @ 15:19

A máquina socialista, cultural e patriótica responde, através de um mail de um movimento (que nos reporta a algo parecido com a mocidade portuguesa), com os conteúdos produzidos pela ministra da Cultura. Via Paulo Guinote, Atenção, Voluntários.

From: natalia silva <*********************>
Date: Mon, 16 May 2011 17:42:04 +0100
Cc: <************************, Movimento Sócrates 2011 <voluntarios@defenderportugal.net>
Subject: Extinção do Ministério da Cultura e prestação de contas

Car@s Voluntári@s,

Reencaminho-vos o email da Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas.

Pedimos a todos que o divulguem! É necessário que todos saibam as consequências de algumas das medidas propostas pelo PSD.

É urgente continuarmos a Defender Portugal!

Cumprimentos

De: Gabriela Canavilhas mailto:gabriela.canavilhas@mc.gov.pt]
Enviada: segunda-feira, 16 de Maio de 2011 15:45
Para: Undisclosed recipients:
Assunto: extinção do MC e prestação de contas

Caros,

Leituras críticas sobre a acção do Ministério da Cultura à parte, saudáveis em debate democrático e quase todas em resultado da contenção financeira que se instalou com o Orçamento de Estado de 2010, julgo que a todos, em última análise, nos move o mesmo – lutar pela cultura.

Envio 2 documentos:

1 – Reflexão sobre o anúncio de ontem, feito pelo Passos Coelho, da intenção do PSD em extinguir o Ministério da Cultura e reduzi-lo a Secretaria de Estado, que revela um posicionamento ideológico de desvalorização da Cultura. Cai a máscara ao PSD, definitivamente, quanto ao desrespeito pela Cultura enquanto factor de afirmação nacional, enquanto parceiro equitativo no quadro das estratégias políticas do Estado.
Concordamos que os orçamentos reduzidos deste Ministério têm sido um entrave à sua capacidade de acção. Mas esta é que deverá ser a nossa luta e não a desvalorização do ministério em si. Trata-se de uma visão errada que não trará nenhuma vantagem financeira ao sector cultural nem qualquer capacidade de melhorar a sua intervenção no tecido cultural. Antes pelo contrário, como se analisa no texto em anexo.
Ministros falam com ministros, quer no plano interno, quer no plano internacional. Toda a Europa está alinhada com este princípio. Despromover o Ministério a Secretaria de Estado é um retrocesso civilizacional inaceitável, em total contra-ciclo com a União Europeia.
Por muito menos do que isto o sector cultural saiu à rua, em protesto pela redução de 5% e 10% dos seus subsídios à criação.
Esta é a altura para unirmos esforços na defesa do MC. Independentemente dos titulares da pasta e das suas opções políticas.

2 – Resumo da actividade do MC em 17 meses de mandato, em nome do exercício responsável de prestação de contas pelos detentores dos cargos públicos, com transparência e sentido de dever.

Com os melhores cumprimentos,

Gabriela Canavilhas


Natália Silva
Coordenadora Distrito de Lisboa do Movimento

Leitura complementar: Publicidade paga por todos nós ao ps de Sócrates.

Lembrar os clássicos (2)

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 13:46

Busy as Tocqueville and Beaumont were, June in New York was undeniably agreeable. And pleasantest of all were the long warm evenings in the countryside. Many of their acquaintaces were now leaving town for their summer places; but this customary exodus did not take them far. For the city was still so small that the country was right at hand. One had but to follow Third and Eight Avenues northward, till they dwindled into lanes. Only the southern tip of Manhattan was, in effect, densely populated. The rest of the island, including the upland centre and much of both shores, was covered with farms. To the west, and occasional village looked across the Hudson toward the green heights of Weehawken. But on the other hand, along the banks of the East River, the pleasant countryside was divided into small farms and rural estates, each with its shore frontage, its trees, and its countryside looking over the water.

George Wilson Pierson, Tocqueville in America

Face à pandemia de anti-americanismo instalada pelo caso Strauss-Kahn, só posso aconselhar aos enfermos uns passeios por Nova Iorque em Junho, na linha do que fizeram Tocqueville e Beaumont no século XIX. É claro que já não vão encontrar quintas e animais no norte de Manhattan. Já não há trajectos bucólicos. Mas a ilha ferve de actividade em Junho, num último arrebate de civilização antes da modorra estival. Se voltarem com nada mais do que umas fotos da estátua da Liberdade e meia dúzia de hambúrgueres no bucho, não se queixem. Quem não procura, quem não estuda o terreno, não alcança. É assim. Sempre foi assim. Das montanhas às pradarias.

Publicidade paga por todos nós ao ps de Sócrates

Filed under: Blogosfera,Cultura,Política,Portugal — ruicarmo @ 11:01

Para que serve o Ministério da Cultura, por DBH.

A Tragédia do Euro – O Livro de Philipp Bagus (Parte 2)

Com a introdução do Euro, as taxas de juro que cada Estado tinha de pagar para se endividar baixaram consideravelmente pois não havia já o perigo de desvalorização unilateral da moeda e igualmente porque os investidores acreditaram desde o início que qualquer problema de liquidez estatal seria resolvido através de “ajudas” da União Europeia. Isto foi especialmente verdade para os países que estavam tradicionalmente endividados e que recorriam a desvalorizações de moeda constantes (o sul da Europa). Agora sim, era possível a estes Estados endividarem-se “ad aeternum” a baixo custo e foi isso que fizeram desde então. Alguns políticos alemães, ao anteverem este processo, pediram sanções automáticas e imediatas para países que excedessem o limite do défice anual (3% do PIB). Tal nunca foi aprovado pois nenhum Estado se queria auto-limitar na sua capacidade para contrair dívida.

Desde a introdução do euro que os governos de cada país têm a capacidade para indirectamente “imprimir” dinheiro. Isto é feito através da emissão de dívida pública, vendendo-a a bancos que aceitam comprar essa dívida. Estes últimos querem comprar dívida pública essencialmente porque o banco central europeu aceita emprestar-lhes dinheiro (imprimido) se estes tiverem títulos de dívida pública em seu poder (usando-os como colateral). Assim sendo, vender dívida pública significa em boa parte receber empréstimos da impressora monetária que é o Banco Central Europeu.

Chega-se assim à ideia central do livro de Philipp Bagus: o Euro é uma “tragédia dos comuns”.  Sabendo-se que os primeiros a receberem o dinheiro impresso pelo BCE podem gastá-lo com proveito antes da inflação os atingir, todos os Estados têm incentivos para se endividarem o mais depressa que puderem, pois se não o fizerem serão apenas os receptores da inflação causada pelos que têm acesso ao dinheiro primeiro. Naturalmente que os países com economias mais débeis (Portugal, Grécia…) foram os que mais correram para o BCE nos últimos 11 anos, sob pressão eleitoral e com a impopularidade de subir impostos, emitir dívida pública foi a única solução que os políticos destes países encontraram para vencerem eleições.

Desta forma, os políticos locais injectaram crédito no seu país e passaram a inflação para os outros. Como o último a chegar ao crédito torna-se exclusivamente num receptor de inflação, vão todos correr para obtenção desse crédito o mais depressa possível. Da mesma forma, os bancos não têm medo de emprestar a Estados falidos porque contam com a protecção dos Estados e dos bailouts da UE na defesa do Euro. Todos estes agentes políticos e económicos podem assim ser irresponsáveis à discrição e em última instância, se algo correr mal, pedem mais impressão de dinheiro ao BCE. Consequentemente, esta expansão de crédito leva a bolhas imobiliárias (Espanha, Irlanda) ou a improdutividade/destruição da estrutura produtiva (como Portugal e Grécia). O único travão para esta tragédia dos comuns é a perspectiva de hiperinflação ao nível europeu; este é um cenário que esteve já mais longe, visto que o BCE, na tentativa de salvar o euro, está já a partir de 2010 a comprar dívida pública dos Estados insolventes, numa clara demonstração que não é independente e que está ao serviço dos interesses políticos. (mais…)

A Tragédia do Euro – O Livro de Philipp Bagus

Numa fase em que se começa a tornar evidente que o Euro tem debilidades inultrapassáveis, o livro “The Tragedy of the Euro” de Philipp Bagus arrisca-se a ser uma referência central na literatura que discorre não só sobre euro em particular, mas sobre União Europeia como um todo.

Bagus é um economista alemão que foi estudar para Madrid com Jesus Huerta de Soto e de quem hoje é colega de departamento na Universidade Juan Carlos. O próprio Huerta de Soto escreve no prefácio que Bagus o desafiou na sua anterior visão positiva do Euro e que este último apontou correctamente para a superior vantagem das moedas nacionais em competição em detrimento de um banco central europeu monopolista.

O livro não se limita a uma análise económica da moeda única europeia mas debruça-se igualmente sobre o contexto histórico em que ela se desenvolveu. Consequentemente, ele optou abrir a obra abordando as duas principais forças em oposição desde que o projecto da União Europeia começou. Desde o início da ideia europeia que existem duas visões para a Europa: 1) A visão liberal clássica entende o projecto europeu simplesmente como um acordo entre países europeus que permite a liberdade de movimento de pessoas, bens e capitais, gerando uma união através do mercado livre; e 2) a visão imperialista, a que ele denomina de visão socialista, implica a centralização de poder em Bruxelas, diluição das autonomias locais, harmonização legal e fiscal e um enorme estado providência ao nível europeu.

O autor revela que, tradicionalmente, a visão liberal clássica foi defendida por políticos de Estados como a Grã Bretanha, a Holanda ou a Alemanha e que a visão socialista foi essencialmente defendida pelas elites políticas francesas que procuravam um novo projecto imperial depois do vazio da perda das colónias. Franceses como Jacques Delors ou Francois Mitterrand são os nomes mais representativos da visão socialista da Europa.  Isto, claro, não invalida que defensores das duas visões não possam ser encontrados em todos os países.

Desde o início da união que se tentou compatibilizar estas duas visões, aceitando-se o livre movimento de bens, capitais e pessoas mas aceitando-se igualmente as sementes centralizadoras da visão socialista como a criação de uma comissão europeia com poderes para iniciar legislação ou a política agrícola comum. Essas sementes deram origem ao voraz processo de aglutinação de poder que se verifica desde então. (mais…)

Ataques do PSD ao CDS: novo flop comunicacional

Filed under: Legislativas 2011,Política,Portugal — Maria João Marques @ 09:30

Estava em tempos de as hostes sociais democratas perderem um bocadinho de tempo antes de responderem à pergunta ’o que vamos fazer de seguida?’. É que até aqui, e desde as directas de 2010, não têm acertado uma – o que de resto agora os obriga a disparar para todos os lados. Sempre fui de opinião que partidos que admitem (e, pelos vistos, até desejam) coligar-se devem evitar o espetáculo de comadres zangadas em tempos eleitorais – porque não é uma mensagem coerente para o eleitorado e o eleitorado agora está particularmente atento. E estas picardias entre PSD e CDS, ao contrário do que se pensa no PSD, penalizam mais o PSD que o CDS – desde logo porque acrescentam incoerência a uma mensagem que tem sido (desde 2010) tudo menos consistente. Pedro Passos Coelho tem falhas sobre as quais não adianta alongar agora. Mas como (e ao contrário de tantos passistas nas europeias e legislativas de 2009) não quero que o PS vença as eleições, aqui vão algumas notas.

Quanto ao programa, já nada há a fazer se não tentar virar a atenção para os resultados da governação PS. Quanto ao líder, por favor retirem-no de situações embaraçosas, já que PPC não se poupa a si próprio. Os portugueses elegeram uma vez um líder mole e dialogante (Guterres), mas depois de dez anos de Cavaco, quando se considerava que i) Cavaco e Guterres eram próximos ideologicamente (certo) e ii) que a prosperidade estava aí para durar (errado). As circunstâncias por agora são diferentes e os eleitores querem alguém com pulso. Um diletante que aparece nas televisões a cantar (ainda há minutos vi PPC a cantarolar com uma capa de universitário posta) não é a pessoa que precisamos para chefiar um governo; agora não procuramos simpatia e cordialidade. E quem vai, qual cordeiro sacrificial, assistir a uma conferência em que o conferencista o desanca e que no fim aparece sorridente perante a humilhação sofrida e aludindo ao bom que é haver diversidade de opiniões, enfim, tem mais perfil para padre de paróquia do que para primeiro-ministro nas circunstâncias actuais.

Portanto: concentrem-se nos ataques ao PS. Em vez de explicarem isto e aquilo do programa, lembrem a taxa de desemprego; falem das contradições (tantas!) de sócrates; num tempo de crise, lembrem casos como o de Rui Pedro Soares que ganhou balúrdios só porque serviu o PS, lembrem os números do défice de sócrates, comparem a dívida pública em percentagem do PIB entre 2005 e 2011, digam quanto cada português deve ao exterior, nomeiem institutos e fundações criados pelos desgovernos sócrates, refiram quantos portugueses perderam apoios sociais, etc. etc., etc.. Enfim, portem-se como o maior partido da oposição se quiserem ser vistos – e votados – como tal.

Lembrar os clássicos

Filed under: Diversos,Portugal — Carlos M. Fernandes @ 05:31

It is a matter both of wonder and regret, that those who raise so many objections against the new Constitution should never call to mind the defects of that which is to be exchanged for it. It is not necessary that the former should be perfect; it is sufficient that the latter is more imperfect. No man would refuse to give brass for silver or gold, because the latter had some alloy in it. No man would refuse to quit a shattered and tottering habitation for a firm and commodious building, because the latter had not a porch to it, or because some of the rooms might be a little larger or smaller, or the ceilings a little higher or lower than his fancy would have planned them.

James Madison, The Federalist #38 (1788)

Uma cauta observação sobre a Constituição dos EUA que quadra com uma vasta gama de situações. E mesmo quando não nos garantem um edifício firme e cómodo, mesmo nesse cenário, só os loucos ou os fanáticos (ou aqueles que se apropriaram do abrigo anti-catástrofe da cave) recusam a hipótese de mudança para permanecer numa casa destroçada e instável.

Maio 16, 2011

Cristiada

Filed under: Cultura,Política,Religião,Videos — André Azevedo Alves @ 23:52

Cristiada Movie Trailer (HD)

Quem vai ser o líder do PS daqui a um ano ?

Filed under: Blogosfera,Política,Portugal,Sondagens — André Azevedo Alves @ 23:40

Já que os abrantes gostaram da anterior, aqui fica uma nova sondagem na página d’O Insurgente no Facebook: Quem vai ser o líder do PS daqui a um ano ?

Quem vai ser o líder do PSD daqui a um ano ? (3)

Filed under: Blogosfera,Política,Portugal,Sondagens — André Azevedo Alves @ 23:28

Resultados da consulta efectuada na página d’O Insurgente no Facebook:

Pedro Passos Coelho: 54%
Rui Rio: 24%

Nenhum dos anteriores: 12%
Paulo Portas: 4%
José Pedro Aguiar Branco: 2%
Pedro Santana Lopes: 2%
Luís Filipe Menezes: 1%

Debate Sócrates – Passos Coelho

Filed under: Media,Política,Portugal,Sondagens — André Azevedo Alves @ 23:24

Isto anda tudo um pouco trocado. Por Carlos do Carmo Carapinha.

O que eu vaticino é simples e claro como a melhor água potável: ou o rapaz Passos Coelho prega um murro na mesa, faz voz grossa ao «grande líder» com nome de filósofo (à moda de Louçã) e explica de forma clara aos portugueses o que pretende, ou está l-i-x-a-d-i-n-h-o. E não é para começar amanhã. É ontem.

Direito a Cuidados de Saúde Implica Escravatura (3)

Filed under: Diversos — António Costa Amaral (AA) @ 21:14

No seguimento de Direito a Cuidados de Saúde Implica Escravatura (2),

Jobs, food, clothing, recreation(!), homes, medical care, education, etc., do not grow in nature. These are man-made values—goods and services produced by men. Who is to provide them?

If some men are entitled by right to the products of the work of others, it means that those others are deprived of rights and condemned to slave labor.

Any alleged “right” of one man, which necessitates the violation of the rights of another, is not and cannot be a right.

No man can have a right to impose an unchosen obligation, an unrewarded duty or an involuntary servitude on another man. There can be no such thing as “the right to enslave.”

A right does not include the material implementation of that right by other men; it includes only the freedom to earn that implementation by one’s own effort.

Ayn Rand, Man’s Rights

DSK: vítima ou falso socialista ?

Filed under: Comentário,Internacional,Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 20:40

O José Manuel Fernandes não percebeu que das duas uma: ou Dominique Strauss-Kahn foi vítima de uma terrível conspiração (orquestrada pela direita francesa, claro) ou é culpado mas não é de esquerda nem socialista.

Que DSK possa ser simultaneamente de esquerda, uma grande figura socialista e culpado é simplesmente inconcebível. Especialmente em Portugal.

Persiste o empate técnico

Filed under: Política,Portugal,Sondagens — André Azevedo Alves @ 20:31

PSD recupera liderança mas não desfaz empate técnico

Depois de na passada sexta-feira ter sido ultrapassado pelo PS, que conseguira uma vantagem de 2,9% sobre o PSD (36,8%, contra 33,9%), os sociais-democratas somam agora 36,1% contra 35,4% dos socialistas.

PSD: 36,1%
PS: 35,4%
CDS-PP: 12,6%
CDU: 7,5%
BE: 6,2%

PSD + CDS = 48,7%
PS + CDU + BE = 49,1%

Leitura complementar: Responsabilizar José Sócrates; Os erros do PSD e as sondagens; O PSD é o principal inimigo do PSD.

Critérios flutuantes

Filed under: Internacional,Justiça,Media,Política — André Azevedo Alves @ 20:28

Dominique Strauss-Kahn vai ficar na prisão até julgamento por tentativa de violação

Strauss-Khan chegou algemado ao tribunal de Manhattan e esperou a sua vez de ser ouvido. A acusação, que primeiro defendeu que DSK (como é conhecido no seu país, a França) deveria ficar sob custódia, acabaria a pedir uma fiança de um milhão de dólares. Mas a juiza Jackson recusou, depois de na sala do tribunal terem sido mencionados outros episódios de cariz sexual envolvendo Strauss-Kahn, e de ter ponderado o risco – quando foi acusado o ex-director do FMI encontrava-se dentro de um avião com destino a Paris, tendo deixado alguns objectos pessoais no quarto de hotel onde, supostamente, atacou a empregada que fez a queixa que o levaria até ao tribunal e á prisão.

A ter em conta. Por Helena Matos.

DSK é socialista. Não é padre católico nem de direita. Logo não se vão exigir pedidos de desculpa aos socialistas franceses nem se vão fazer manifestações de intelectuais envergonhados com a imagem que DSK dá do seu país. Apesar de tudo DSK foi detido nos EUA coisa que altera muito as regras deste jogo com regras diferentes consoante a filiação política dos envolvidos.

Um erro táctico e estratégico

Filed under: Política,Portugal,Sondagens — André Azevedo Alves @ 20:23

o campeonato do segundo lugar. Por Rui A.

O PSD faz pessimamente em centrar os seus ataques de final de campanha no CDS e em Paulo Portas (na verdade, mais em Portas do que no CDS, o que revela sintomas de uma traumatologia cavaquista de que Passos Coelho não tinha de ser portador). Se é verdade que, como lembra Passos, Portas não tem, pelo menos por enquanto, condições para poder vir a ser primeiro-ministro, também o seu PSD não tem qualquer hipótese de ir para o governo sem o CDS. Para além do mais, ao fazer de Paulo Portas o «inimigo principal», o PSD revela medo e fraqueza, e dá espaço ao Partido Socialista para conquistar o centro, o que lhe poderá ser fatal.

Entender a resiliência do PS de Sócrates

Filed under: Comentário,Diversos,Política,Portugal,Teoria — Ricardo G. Francisco @ 17:36

É fácil cair na tentação de menosprezar a capacidade dos eleitores e justificar a força do PS nas sondagens apenas com a sua capacidade de comunicação e a falta desta no PSD.
Existem pelo menos duas justificações para os resultados das sondagens perfeitamente compatíveis com a hipótese de que os eleitores entendem perfeitamente o que é Sócrates e que estejam a preparar-se para votar de forma perfeitamente consciente:

(1) Sócrates representa o líder que vai defender os interesses dos espertalhões “Tugas” contra o FMI. Vai enganar, vai esconder, vai mentir e vai “sacar” o máximo. Vai ser o expoente máximo do espertalhão “Tuga”. Um digno representante de tantos Tugas que por cá andam, frutos de um sistema que pelo menos serve para isso, para criar pulhas. O que consegue as coisas não pelo trabalho e esforço mas pelo expediente e pela burla. É um pulha, mas é o nosso pulha, pensarão tantos. Contra os espanhóis marchar, marchar e contra a Alemanha, roubar, roubar.

(2) Sócrates entende onde está a base de eleitores do PS. A base de eleitores do PS vive do Estado. Vive do Estado como empregado, como subsidiado, como fornecedor. E os empregados, subsidiados e fornecedores sabem que ele o sabe e que não se esquece deles. Portugal pode ir à falência, mas mais vale um pássaro na mão que dois a voar, e depois sempre há o FMI e a Europa (ver o ponto 1)

Se acrescentarmos os últimos aos que colocam a cruz no punho fechado mesmo que o secretário geral fosse Hitler e aqueles que votam na melhor defesa do Socialismo, mesmo que esta seja Sócrates, temos um PS pujante e pronto para discutir as eleições legislativas.

Entendendo estas motivações dos eleitores será mais fácil de fazer contra-campanha. O que tem que ser dito aos pulhas (1) é que a Alemanha já não acredita em Sócrates, que com ele vão fazer mau negócio. Tem que dividir os que vivem do Estado (2) para captar uma parte relevante destes votos, tem que dizer que os subsídios e os salários vão acabar para que o PS faça o TGV e a décima autoestrada Lisboa-Braga.

Sobre o momento de euforia do CDS-PP

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 13:22

O Rua Direita é um excelente blogue, onde escrevem vários Insurgentes e muitos – e bons – amigos. Tal não significa, porém, que concorde com tudo o que lá se escreve.

O CDS-PP tem vindo a fazer um excelente trabalho de renovação, e surge com uma equipa interessante, na senda do que já havia ocorrido nas eleições anteriores. Poucas pessoas fora do CDS-PP apreciam tanto o que aí se tem feito como eu.

Recomendo, porém, que se arrefeça um pouco a euforia, porque a história demonstra que o caminho é duro e cheio de vicissitudes e dificuldades.

  1. Desde logo, há quem ainda não tenha percebido, ou faça um esforço enorme para ignorar – e este post é sintomático – que Paulo Portas representa, para uma fatia significativa do eleitorado, e na relação com o PSD e PS, um handicap significativo para o CDS-PP. Se as razões são “justas” ou “injustas”, é discussão que tem pano para mangas. Em qualquer caso, as boas performances de Paulo Portas, para muitos, são irrelevantes: mesmo que ele faça um “duplo mortal encarpado”, nota 10, boa parte do eleitorado de direita tem-lhe uma resistência absoluta, e ponto final. Paulo Portas separa objectivamente muita gente do CDS-PP. É um líder carismático, que desperta amores mas também imensos ódios e resistências. Ignorar este dado objectivo, é partir para a contenda com uma visão distorcida da realidade. Até que ponto Paulo Portas e o CDS-PP estão a conseguir ultrapassar estas limitações, é o que veremos no dia 5 de Junho, na hora do voto.
  2. Discordo ainda da interpretação que o Francisco Mendes da Silva faz dos cenários pós-eleitorais, e das encruzilhadas que se colocam ao PS, PSD e CDS-PP em termos de coligação. O futuro governo nascerá não dos afectos dos líderes, mas da aritmética dos votos. Realpolitik, serão razões de ordem prática e de mero pragmatismo que irão impor a futura solução governativa, num jogo onde há múltiplos participantes, muito para lá dos vários partidos e da própria Presidência. A nossa Constituição abre múltiplas possibilidades. O que se tem dito e escrito cria ruído, mas acabará por ser letra mora, a força da realidade, da pressão que existe hoje sobre os agentes políticos, das mais diversas proveniências, e dos resultados eleitorais, será bem mais forte na imposição da solução a seguir. Não vou dizer se gosto ou não da forma como as coisas estão a desenrolar-se, mas não adianta, mais uma vez, ignorar que o nosso “ecosistema” actual é demasiado complexo, com grande parte do poder concentrado muito para lá dos actores políticos e dos partidos.
  3. Finalmente, chamo a atenção para a tendência centrífuga que o nosso sistema político e eleitoral apresenta neste tipo de eleições, e que beneficia historicamente os partidos do centro. O CDS e o Bloco de Esquerda têm de trabalhar o triplo para conseguirem bons scores nas urnas.
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