É muito provável que o PP ganhe as eleições em Castilla La Mancha e na Extremadura. Tendo em conta que seria a primeira vez, não há dúvida de que é um resultado que diz muito sobre aquilo que está a acontecer hoje em Espanha. No entanto, falta saber se o PP consegue maiorias absolutas (está muito perto desse cenário em Castilla La Mancha), evitando assim possíveis coligações do PSOE com a IU que se proponham governar as duas comunidades que têm sido feudos socialistas desde a Transição. Se isso acontecer, esta derrota pesada dos socialistas transformar-se-ia numa hecatombe com resultados imprevisíveis para o futuro do partido.
Maio 22, 2011
Entre nazis e comunistas (2)
Dica política para celebridades. Por Sérgio dos Santos.
Lars von Trier já veio esclarecer mais tarde que se tratavam de meras graçolas e que a imprensa internacional não entendia o seu sentido de humor escandinavo. Aquilo que von Trier já deveria saber é que uma pessoa de bem nunca se associa ao nacional-socialismo e, caso queira fazer uma piada deste género, é melhor jogar pelo seguro e dizer que é comunista ou admiradora uma figura comunista importante. A parte mais triste é que, em vez de risos, o mais provável é mesmo receber uma salva de palmas, como se pôde ver (no vídeo abaixo, aproximadamente de 4:10 a 4:25) na forma como o actor Benicio del Toro foi ovacionado em Cannes quando dedicou o seu galardão de melhor actor ao Carnicero de La Cabaña.
Killer Chic: Hollywood’s Sick Love Affair with Che Guevara
Leitura complementar: Entre nazis e comunistas.
Resultados das eleições em Espanha
Os resultados das eleições locais e regionais em Espanha podem ser acompanhados aqui.
Esperanza Aguirre arrasa PSOE em Madrid
Para já são apenas sondagens, mas tudo aponta para que os socialistas tenham tido hoje uma das mais pesadas derrotas de sempre em Madrid, com o PP de Esperanza Aguirre a conseguir cerca do dobro dos votos do PSOE: Aguirre arrasa en Madrid
Según un sondeo de Ipsos para Telemadrid, el PP obtendría entre 72 y 74 escaños (un 52,8 por ciento de los votos). Esperanza Aguirre revalidaría así su mayoría absoluta. El PSM de Tomás Gómez se hunde: logra entre 33 y 36 escaños, con un 25,1 por ciento de los votos.
Democracia
A primeira derrota dos meninos da Puerta del Sol: as eleições de hoje tiveram maior participação do que as últimas.
Derrota histórica para os socialistas em Espanha
A confirmar-se a vitória arrasadora da direita espanhola e o esmagamento do PSOE, é de esperar que nos próximos dias se multipliquem as notícias sobre… os manifestantes acampados na Puerta del Sol de Madrid: Las encuestas a pie de urna confirman el descalabro del PSOE y consolidan la mayoría absoluta en Madrid
La encuesta a pie de urna de Ipsos publicada a las 20.00 horas por las televisiones de la Forta confirma el descalabro generalizado en España del PSOE, que no alcanzaría en muchos puntos del país el tercio de los votos.
Leitura complementar: Derrotados.
Derrotados
Por detrás do circo montado na Puerta del Sol madrilena, por detrás das máscaras da solidariedade, civismo e empenho, há um sentimento mal escondido: ressentimento. Ressentimento por mais um falhanço de um projecto socialista e progressista. Ressentimento perante a perspectiva de travessia do deserto de um socialismo conflituoso que vai deixar de ter espaço para a sua agenda. Ressentimento pela exibição cruel da inépcia da esquerda na gestão do domínio público. Essa turba ressabiada tenta agora ganhar com gritos aquilo que teme perder no jogo democrático. Típico. Mas o mais deprimente de toda esta farsa é ver que, a um passo da queda estrondosa, os auto-proclamados indignados preferem exigir mais ingredientes da receita para o desastre, propondo o programa de um partido que tem a preferência de 3% dos espanhóis; preferem isso a rever convicções ou a refugiar-se no recato da introspecção. Diante da derrota iminente optaram pela fuga em frente. Seria corajoso se não fosse simplesmente patético.
Imigrantes em campanha pelo PS
Uma campanha verdadeiramente multicultural e também inovadora em termos de integração das políticas de imigração com o famoso Estado Social: PS paga apoio com refeições
Seguem José Sócrates para todo o lado, de norte a sul do País, em autocarros pagos pelo PS. Depois são usados para compor os comícios, agitar bandeiras, e puxar pelo partido, apesar de muitos deles não perceberem uma palavra de português e não poderem votar. Em troca têm refeições grátis.
Trata-se de imigrantes provenientes da Índia e Paquistão, trabalhadores nas lojas do Martim Moniz, Lisboa, e na construção civil. Estiveram com José Sócrates em Beja, Coimbra e no comício de ontem em Évora, onde deram nas vistas ao exibir os seus turbantes. Até à porta da RTP, no dia do debate com Passos Coelho, realizado na sexta-feira, estiveram de bandeiras em punho.
Novo director-geral do FMI
A Europa parece estar unida em redor de Christine Lagarde para o lugar de directora-geral do Fundo Monetário Internacional. Ora, sendo certo que, do ponto de vista europeu, a proposta faça sentido, parece-me que, dadas as dificuldades actuais e as suas semelhanças com o que ocorreu na América Latina durante os anos 80, e até mais recentemente na Argentina (2001) e no Uruguay (2003), um candidato latino-americano seria o ideal. E nesse caso, na minha cabeça não restam dúvidas: Henrique Meirelles, ex-Presidente do Banco Central do Brasil, seria um magnífico candidato. Quanto a Lagarde, confesso que, apesar de todos os elogios, não lhe reconheço esse brilhantismo, pelo menos enquanto Ministra das Finanças, que todos agora lhe parecem atribuir. Pelo contrário, a actual Ministra das Finanças francesa tem sido das personalidades mais activas em bloquear a evidente necessidade de reestruturar as dívidas da periferia europeia. De resto, não surpreende, pois, afinal, os bancos franceses estão entre os principais credores dessa mesma periferia. Além disso, last but not least, e apesar das acusações de foul play (teorias da conspiração), duvido que a Europa consiga demover os Estados Unidos do acordo tácito, estabelecido por alturas da nomeação de Strauss Kahn como director geral do FMI, no qual ficou definido que o próximo líder do Fundo não seria europeu nem norte-americano…Portanto, volto ao meu candidato preferido: Henrique Meirelles.
Abolir o FMI (2)
No seguimento da carta de Don Boudreaux ao Washington Post, esta análise de Sheldon Richman demonstra porque os defensores do mercado livre deviam ser os primeiros a oporem-se às intervenções (e à existência) do FMI.
“IMF loans constitute a double bailout. First, they save kleptocratic politicians from the consequences of their exploitative schemes, sparing them the necessity of the radical reform these countries badly need (…) Second, IMF loans rescue the failing country’s creditors – Wall Street banks typically – from a government default on its debts. This is surely doing well by doing good. Who pays? Aside from the taxpayers who supply the IMF with money, the tab is eventually paid by the working people of the subject countries through the higher taxes prescribed by the IMF.”
“Foreign aid has thus done much to politicize life in the Third World. And when social and economic life is extensively politicized, who has the power becomes supremely important, sometimes a matter of life and death…. In such conditions, people at large, especially those who are alert or ambitious, become much concerned with what happens in politics and in public administration, as decisions taken there come crucially to affect their livelihood…. People divert their resources and attention from productive activity into other areas, such as trying to forecast political developments, placating or bribing politicians and civil servants, operating or evading controls.”
Casos da vida
As lágrimas mal derramadas. A angustiante espera das 72 virgens e um desespero em horário nobre são os temas da crónica de Alberto Gonçalves, no DN.
A análise de Manuel Maria Carrilho ao Debate entre Sócrates e Passos Coelho
“(…)Sócrates seguiu uma estratégia muito errada, a estratégia de repetir a sua cassete”(…)”
Uma análise que vale a pena ouvir na sua totalidade. Só quem está do outro lado da barricada é que pode fazer uma análise tão crua e dura do que se passou no debate entre Sócrates e Passos Coelho.
A hipocrisia da esquerda quanto às guerras de Obama (4)
Universidad Francisco Marroquín: un faro en la oscuridad
Um caso exemplar de sucesso com a marca da melhor Universidade da América Latina, a Universidad Francisco Marroquín, sediada na Guatemala: De un pueblo “perdido” a Manhattan
Hija de una madre soltera, Shirley Máriory Indyra Lemus Urrutia creció en la pobreza en una pequeña aldea en las montañas de Guatemala. Cuando quiso tomar una prueba para asistir la universidad, su madre pagó el costo con un préstamo de 300 quetzales de una vecina, porque no tenía otra opción.
Ahora, Lemus trabaja para una organización no gubernamental que otorga microcréditos a mujeres hispanas de bajos ingresos en Nueva York.
“Si la gente se entera que alguien como yo que salió de un pueblo perdido ahora trabaja en Manhattan, bueno, se pueden dar cuenta de que todo es posible”, dijo Lemus, de 25 años.
Ella y otros ex alumnos de la Universidad Francisco Marroquín en Guatemala contaron sus historias el miércoles durante un evento en Coral Gables para recaudar fondos para la universidad donde estudió relaciones internacionales. El ex gobernador de la Florida iba dar un discurso durante el evento en el Hotel Biltmore.
(…)
Lemus nació en Olopa, una aldea en el departamento de Chiquimula, al oeste de la Ciudad de Guatemala. Para estudiar en una escuela segundaria, Lemus se tuvo que mudar con una amiga de su madre a una ciudad a cinco horas de su familia.
Cuando estaba en la secundaria, Lemus empezó a conocer personas del extranjeros que trabajaban en proyectos de desarrollo económico en Guatemala. Muchos de ellos le dijeron que habían estudiado relaciones internacionales. Con esta inspiración y el deseo de ayudar a gente pobre, decidió hacer el esfuerzo para ingresar en una de las mejores universidades privadas en su país.
Sin embargo, la Universidad Francisco Morroquín no ofrecía su premiada beca Impulso al Talento Académico para estudiantes en la carrera de relaciones internacionales. Pero después de varias entrevistas con los administradores de la escuela, Lemus se convirtió en la primera estudiante con una beca en esa carrera.
Vidar Jorgensen, presidente de Grameen America, dijo que su organización apoya la universidad por el énfasis que le da a la economía clásica liberal.
“Se enfoca en el mercado libre, como una reaccion al movimiento comunista en muchas partes de América Latina”, dijo Jorgensen. “La escuela es como un faro en la oscuridad”.
A lo largo de sus estudios, Lemus trabajó de manera voluntaria “en cada proyecto y organización que se puso enfrente”. Fue a traves de su trabajo con una ONG para mujeres que descubrió la Fundación Grameen, que sigue los métodos diseñados por el ganador del Premio Nobel de la Paz, Muhammad Yunus, para otorgar servicios bancarios a mujeres pobres en Bangladesh.
Um comuna pequenino
No princípio do mês, dois pequenos partidos protestaram contra a não inclusão nos debates a dois. Garcia Pereira, a personagem habitual deste tipo de protestos foi desta vez eclipsada por José Manuel Coelho. Não haja ilusões, o senhor à direita na imagem faz parte do clube daqueles que nos querem escravizar, dos que nos querem colocar numa miséria ainda mais profunda em prol da sua ideologia. Mas não consigo deixar de sentir pena do senhor.
O homem obtém sistematicamente o número de votos que os grandes partidos necessitam para eleger 2-3 deputados, sem nunca conseguir eleger um. Ele não tem a capacidade de mentir descaradamente e fazer demagogia fácil e isso já lhe valeu ter perdido a oportunidade que Louça soube agarrar e que, havendo justiça na política, deveria ter sido sua. Agora perde mais um nicho, o nicho Tiririca, ultrapassado por um senhor recém-chegado à política nacional, e mais dado às palhaçadas. Resta-lhe, pelo menos, o nicho dos votantes enganados no PCP, com que poderá contar até a CNE tomar a iniciativa de o fazer mudar o logo do seu partido.
dar esperança
Se há tema que, a dia que passa, parece ganhar adeptos, esse tema é o da renegociação da dívida pública. Pessoalmente, estou à vontade para falar do assunto, pois, ao longo do último ano e meio, bem antes da actual campanha eleitoral, tenho-a defendido, repetidamente, na blogosfera, na imprensa escrita e na televisão. Na minha opinião, a reestruturação da dívida é inevitável, na medida em que a outra reestruturação, a da economia, só será possível se acompanhada de uma perspectiva, prospectiva e positiva, coisa que, na presença de tão pesado fardo creditício, não será verossímil. Mas já lá vamos…
Primeiro, tendo em conta o actual ritmo de crescimento (negativo) da economia nacional, o bom senso mandaria suspender a emissão de nova dívida. Infelizmente, na actual situação, isso implicaria o colapso de muitos serviços públicos (veja-se o exemplo do sector dos transportes públicos que, no final de 2009, exibia um passivo agregado de quase 15 mil milhões de euros mais uma insuficiência de capitais próprios de 5 mil milhões), mediante o qual o País mergulharia no caos. Ora, como não é isso que se pretende, há que minimizar as necessidades de financiamento, ou seja, há que eliminar o défice primário, abrir os sectores regulamentados à concorrência, privatizar o que pode e deve ser privatizado (assegurando uma efectiva regulação, para que tudo não resulte em mais monopólios, ou oligopólios, privados) e fechar boa parte daquilo que, decididamente, não tem solução.
Segundo, uma vez eliminado o défice primário, dever-se-ia evitar que, enquanto a economia não estivesse a crescer a taxas próximas de 3%, tivéssemos de lidar, como primeira necessidade, com a amortização de uma dívida que, desde 2005, quase duplicou de valor. E porquê este limiar dos 3%? Porque somente uma economia robusta, e em crescendo, poderá pagar as taxas de juro que, historicamente, são exigidas a uma economia madura e que, de acordo com a literatura financeira (fonte: Millennium Book II: 101 Years of Investment Returns, London Business School), rondam os 6% na dívida de longo prazo (nota: o preço que iremos pagar pelo resgate, à luz da história financeira, ao contrário do que diz o dr. Louça, é um excelente preço).
Infelizmente, há dois problemas. Por um lado, a falta de uma liderança, que lidere através do exemplo, incentiva o boicote contra o ajustamento. São, aliás, sintomáticas as tentativas que diversos políticos portugueses têm feito no sentido de alongar as metas de correcção do défice orçamental por um período mais extenso do que aquele que foi acordado. Pelo contrário, quanto mais depressa se fizer essa correcção, quanto mais depressa o País perceber que não pode viver para além das suas possibilidades, ou seja, que é necessário regressar ao equilíbrio primário, mais eficaz e mais duradouro será esse ajustamento. Por outro lado, para além do pau, é preciso acenar com uma cenoura. E a cenoura é garantir que, alcançado o equilíbrio, não nos afundaremos novamente apenas à conta do pagamento de juros que, sendo juros normais à luz de décadas e décadas de mercados, incidem sobre uma base de endividamento excessivamente grande.
Enfim, seria muito bom que os nossos políticos e credores assim entendessem a situação, pois, como tenho defendido, estamos num momento em que devedores e credores têm de se sentar à mesa e perceber que todos terão de perder alguma coisa, a fim de que todos possam, a prazo, ganhar muito mais. Pelo contrário, ao querer fazer-se desta crise de dívida soberana um jogo de soma nula, em que, quer de uma e outra parte, uns pretenderão ganhar tudo aquilo que os outros poderão vir a perder, corresponderá a contribuir para a implosão do euro.
Está para nascer outro PM assim
Recomendo a leitura de Só para fanáticos, de João Pereira Coutinho.
(…) como é possível confiar um voto que seja num homem sem uma única ideia realista ou consequente na cabeça? Como é possível acreditar que o grande defensor do Estado Social foi precisamente o mesmo que o amputou e faliu? E como é possível engolir a responsabilidade dos outros na crise quando os últimos dois anos foram uma crise permanente que o governo não soube estancar? Sócrates já não é assunto racional; é para consumo exclusivo de fanáticos. Dia 5 de Junho saberemos, enfim, quantos existem em Portugal.
Maio 21, 2011
A função social dos lucros numa economia de mercado
O artigo adopta uma perspectiva quase exclusivamente kirzneriana e teria beneficiado da incorporação – complementar – de uma concepção mais hayekiana da função empresarial, mas ainda assim o autor está de parabéns e recomendo sem hesitações a leitura integral do texto: A Demonização do Lucro. Por Lourenco Vales.
factos
Desde há um ano a esta parte, desde que a Grécia deu o estouro, que a divulgação dos relatórios da Direcção Geral do Orçamento (DGO), relatando o estado da contabilidade pública, a chamada Execução Orçamental, tem merecido um escrutínio comparável à atenção fomentada pelas convocatórias da Selecção Nacional de futebol. Ainda bem. Já conhecíamos a paixão do povo pela bola. Mas é a partir da leitura e da análise de documentos como a síntese da Execução Orçamental, ou outros estudos publicados por outras e tantas entidades que em Portugal ainda vão publicando trabalhos de qualidade, que cada português melhor poderá exercer a sua obrigação, a sua responsabilidade, enquanto cidadão: uma cidadania participativa e construtiva. Enfim, como alguém um dia afirmou, todos nós temos direito às nossas opiniões, mas nenhum de nós tem direito aos seus próprios factos. Os factos, esses, são únicos. A utilização que deles se pode fazer é que é diversa. E a esta diversidade chama-se debate.
Assim, a fim de iniciar a minha participação neste blogue, regresso à Direcção Geral do Orçamento e aos números publicados por esta entidade. Segundo os dados divulgados esta semana, manteve-se o enorme crescimento das receitas, quer as receitas fiscais quer as não-fiscais, mas manteve-se, também, uma redução desequilibrada da despesa pública. Refiro-me, concretamente, à despesa primária, aquela que exclui o pagamento de juros, cuja redução está aquém do previsto (-2,3%, face ao mesmo período do ano passado, quando deveria estar a ser reduzida em 4%), como muito bem notou Passos Coelho no debate de ontem com Sócrates, e que, não sendo cumprida, garante que Portugal continuará agarrado à dependência financeira dos mercados ou dos seus parceiros europeus. Ou seja, de pouco servirá a poupança realizada neste primeiro quadrimestre do ano se essas poupanças não forem permanentes, ou, então, se essa parcimónia for apenas aparente e resultado directo de uma fiscalidade insustentável. Por exemplo, é verdade, os números assim o demonstram, que as despesas com pessoal no Estado baixaram (-7%). Mas não é verdade que isso tenha acontecido nos Serviços e Fundos Autónomos (SFA), onde se concentram muitos dos odiosos institutos públicos e onde os mesmos custos com pessoal aumentaram 12%. E quanto aos consumos intermédios? Previa-se parcimónia, mas, dos números, nem vê-la; aumentaram as aquisições de bens e serviços correntes, no Estado (+46%) e, também, nos SFA’s (+6%). Pelo contrário, nos impostos, o Estado revelou-se implacável. Os impostos directos, aqueles que mais penalizam a competitividade do País e que menos contribuem para a contracção do nosso défice externo, foram os que mais aumentaram até Abril (+33%). Ao invés, os indirectos, aqueles que reflectem o estado e a evolução da economia, revelaram um crescimento inferior (+9%), quer em relação aos directos quer em relação à média geral (+16%). E, pelo meio, as receitas não fiscais que, crescendo 23%, revelaram certas particularidades como a enorme progressão nas receitas associadas às multas do Código da Estrada (+149%)…
Em suma, a máquina do fisco estrangula, sem dó nem piedade, e ameaça provocar o knock-out técnico do sector privado. Já a máquina do Estado, faz uma suaves incursões sobre as suas próprias redundâncias e excessos. Os défices de exploração no sector público estão, pois, garantidos. O avolumar da dívida também. E assim não sairemos da cepa torta.
Sócrates confiante; Passos Coelho hesitante; Jornal de Notícias delirante
Comprei o JN e levei o Acção Socialista… Por Fernando Moreira de Sá.
O Jornal de Notícias é uma Instituição da cidade do Porto e do Norte. Em 2005 conseguia vender em banca mais de 120 mil exemplares e era o líder incontestado da imprensa diária em Portugal. Hoje, além de ter perdido a liderança dos diários (com estrondo) para o Correio da Manhã, com sorte lá consegue vender pouco mais de 70 mil exemplares.
(…)
Nem Paulo Baldaia, antigo assessor socialista e actual director da TSF, teve coragem para tanto! Até os Abrantes coraram de vergonha ao ver a capa do JN de hoje e lá para os seus botões pensaram: “não havia necessidade”.
(…)
A capa de hoje do JN foi mais papista que o Papa e ficará, provavelmente, para a fantástica história do Jornal de Notícias como o dia mais negro da sua história. Por dizer mal de Passos Coelho e tecer loas a Sócrates? Não! Por ser um frete do tamanho da Torre dos Clérigos. Por se ter transformado numa edição encapotada do Acção Socialista. Por ser um exemplo do que não é nem pode nunca ser o jornalismo: mera “voz do dono”.
Sócrates não perde. Por Nuno Gouveia.
O JN, que está numa fase de mudanças editoriais , teve a lata de colocar na primeira página o seguinte título: “Sócrates confiante; Passos hesitante”. Qualquer semelhança com a realidade é pura ilusão, mas isso não impediu os responsáveis do JN em embarcarem neste acto de pura propaganda socialista.
PS: Há muitos anos que defendo que a imprensa seria muito mais honesta se declarasse abertamente o apoio a uma ideologia ou a partido político. Assim ninguém os poderia acusar de fazer jogo político às escondidas.
Indignaditos
Recomendo a leitura deste excelente texto de Federico Jiménez Losantos sobre o circo que foi montado na Puerta del Sol e em outras praças espanholas.
Sondagem sobre o debate Sócrates – Passos Coelho
Avaliação mais positiva do desempenho de Passos Coelho, mas com Sócrates ainda assim a “segurar” mais de 30% da audiência: Sondagem telefónica dá vitória a Passos Coelho
Uma sondagem telefónica feita no fim do debate indica que Pedro Passos Coelho esteve melhor. 46,4% dos telespectadores entenderam que o líder social democrata teve melhor desempenho que José Sócrates. Ainda assim, a maioria dos inquiridos considera que este frente-a-frente não contribuiu para definir o sentido de voto.
O cantinho do telespectador (VII)
As iniciativas do Vader do Fraque são o que de melhorzinho esta campanha eleitoral nos tem oferecido. A entrega da factura do aeroporto de Beja, então, foi fabulosa. Vale a pena ver.
Pergunta
A partir de que restrição das liberdades individuais podemos chamar ditadura a uma democracia iliberal?
Top posts da semana
Aqui fica o ranking dos posts d’O Insurgente mais votados dos últimos 7 dias. A lista foi obtida multiplicando o número total de votos de cada post pela respectiva classificação média:
1 – Os fascizóides da culturinha
2 – Há muito que estou convencida que há muita enfermidade mental por diagnosticar no mundo
3 – Eu tenho uma proposta que vai trazer grandes poupanças de custos: em vez de se gastar tempo e recursos julgando alguém, simplesmente pergunta-se se o suspeito é de esquerda ou de direita
4 – Os fascizóides da culturinha (2)
5 – Instituto Ludwig von Mises Portugal
Análise do debate Sócrates – Passos Coelho, segundo os abrantes nas caixas de comentários d’O Insurgente
Já há muito que os abrantes rosas são (ou tentam ser) presença habitual nas caixas de comentários dos posts d’O Insurgente, por razões aliás inteiramente compreensíveis. Recentemente, no entanto, há sinais de que começam a aparecer (aspirantes a?) abrantes laranjas.
Agora, pela primeira vez (pelo menos que me tenha apercebido), dá a coexistência de abrantes rosas e abrantes laranjas na mesma caixa de comentários de um post d’O Insurgente.
Primeiro, o Manuel laranja, um reincidente:
Depois, a Mónica Meneses rosa:
Com tamanha partilha de métodos operacionais, parecem estar definitivamente lançadas as sementes para um novo Bloco Central.
Leitura complementar: Os erros do PSD e os abrantes laranjas; Responsabilizar José Sócrates; Os erros do PSD e as sondagens; O PSD é o principal inimigo do PSD.
Análise do debate Sócrates – Passos Coelho, segundo o Expresso
Sócrates não vive neste mundo, mas ganhou este debate. Por Martim Silva, editor de política do Expresso.
Não há vencedores do debate. Por Henrique Monteiro.
Os exames na era do eduquês
Tal como acontece com o programa “Novas Oportunidades”, ninguém pode acusar a política de educação socialista de falta de coerência: Paixão pela Educação. Por JCD.
Veja-se a complexidade das questões com que os alunos do 9º ano se confrontam em testes nacionais. Esta pergunta é absolutamente impossível – para responder seria necessário que os jovens possuam a capacidade de contar pelos dedos:.
“O sistema solar é constituído pelo Sol e pelos corpos celestes que orbitam à sua volta. Actualmente, considera-se que os planetas que fazem parte do sistema solar são Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno. Em 2006, Plutão deixou de ser classificado como um planeta, embora continue a fazer parte do sistema solar.
1. Actualmente, considera-se que o sistema solar é constituído por quantos planetas?”
Leitura complementar: Como funcionam as “Novas Oportunidades”; A caminho do “sucesso” estatístico; Malícia ou estupidez?; Os chumbos já acabaram; O corolário lógico do eduquês.
Brincadeiras mortais
Para além do trágico caso em si mesmo – um provável homicídio por negligência que dadas as circunstâncias corre o risco de passar impune – o que aconteceu deveria levar a repensar toda a política de recrutamento das Forças Armadas e a acabar com a bizarra obrigatoriedade de comparência numa unidade militar no Dia da Defesa Nacional, que viola de forma clara e injustificada a liberdade individual dos cidadãos coagidos para esse efeito.
O cantinho do telespectador (VI)

Devo estar a ter um pesadelo! Ligo a televisão e vejo um gajo a mijar contra uma parede, com umas cuecas de gaja. Depois, um outro a tentar pôr um Mimo a falar. A certa altura, alguém diz, “o Mimo apanhou um escaldão“, e a Luciana Abreu comenta, “e eu a pensar que os Mimos eram como o meu chocolatinho, não apanhavam escaldões“. Entretanto, esclarece que o “chocolatinho” é o Djaló (como é que o Sporting algum dia há-de ser campeão, com as mulheres dos jogadores a desmoralizarem assim em público as vedetas?). Ouve-se alguém a dizer, frase perdida, “apanhaste um escaldão no tomate?”, pergunta que ficou sem resposta porque uma voz omnipresente dita a sentença: “como não conseguiram pôr o Mimo a falar, de castigo vão ter de ouvir o Roberto Leal a cantar uma versão acústica do Arrebita“.
O nome do programa não é “Twiglight Zone”, mas “O Último a Sair”. E passa na RTP1. Ou seja, toda esta javardice é patrocinada com os meus impostos. No último OGE, consta que receberam tipo 300 milhões. “Serviço Público“, brama a Esquerda. “Fascistas, querem acabar com a Cultura!“, gritam outros. Depois, não espanta que seja necessário pedir ajuda ao FMI. A deitar dinheiro assim pela janela, é caso para dizer, “O último a sair, apague a luz“.
PS: Dizem os “experts” que o “Último a Sair” é uma sátira aos “reality shows“, onde o produtor, Bruno Nogueira, usa de um “humor inteligente“, que tem cativado audiências face aos programas da concorrência do mesmo estilo. Admito que sim, realmente tudo aquilo tem a sua graça, mas privatizem então a RTP. Desculpem-me, mas o nosso dinheiro não deve servir para este tipo de experiências sociológicas.
PS2. Tirem o Batatinha dali. Há crianças que correm o risco de ficar traumatizadas. Com o andar da carruagem, ainda vamos ver o Diácono Remédios em fio dental…
PS3: O Partido Socialista bem que podia meter uma cunha para que o próximo elemento da casa fosse o Strauss-Kahn. Sempre podiam alegar que o homem estava em prisão domiciliária, e havia de ser curioso – isto sim, uma verdadeira experiência sociológica radical – ver se o kamikaze DSK aguentava um mês sem violar a Luciana Abreu ou o Roberto Leal. Se conseguisse, ficava provado que afinal foi mesmo vítima de uma cabala. Cheira-me, porém, que ao fim de dois dias, nem se safava o Roberto Leal, nem a Luciana Abreu, nem sequer o Mimo e o Batatinha.
Maio 20, 2011
Debate Passos Coelho – Sócrates: síntese e implicações para 5 de Junho
Pedro Passos Coelho resistiu razoavelmente bem às investidas de um animal feroz experiente mas desgastado.
José Sócrates levou o país à bancarrota.
Dia 5 de Junho saldam-se as contas eleitorais. Já as restantes contas, infelizmente, não são passíveis de resolução por via eleitoral nem a curto prazo.
O cantinho do telespectador (V)
João Marcelino considera que Passos Coelho fez o seu melhor debate de sempre, e que por isso “não perdeu com José Sócrates”. Custa assim tanto dizer que ganhou? Esta mania de usarem eufemismos…
O cantinho do telespectador (IV)
Emídio Rangel sentiu o debate confuso, não percebeu muito bem o que lá se passou, viu-o muito “macroeconómico”. Chegou a acha-lo tortuoso. Percebo. Se eu estivesse na pelo do Emídio Rangel, em certos momentos também ficava com vontade de desligar a televisão.
Sócrates versus Passos
Em jeito de conclusão do debate: as ganas de Sócrates, não derrotaram Passos Coelho. Se isso resulta em votos para o PSD e para o CDS, dia 5 de Junho, veremos.
Sócrates é o melhor exemplo
Sobre o tema maioria, Sócrates é propenso ao diálogo, ao compromisso e ao entendimento. Curiosamente, não se referia a Armando Vara.

