É também por causa de erros básicos como este que é importante que os jornalistas possuam pelo menos conhecimentos mínimos sobre os temas relativamente aos quais escrevem (neste caso, sistemas eleitorais e respectivas implicações): Eleitores “fantasma”. Por Carlos Loureiro.
Podem discutir-se os números, podem discutir-se algumas consequências perversas (nomeadamente o número de vereadores num concelho ou a remuneração dos presidentes da Junta) ou mesmo a distribuição de mandatos por círculo eleitoral. E pode até afirmar-se que, numas eleições renhidas, a disparidade da proporção de “fantasmas” nos diferentes círculos pode conduzir a sobre-representação de uns e sub-representação de outros e, até, a possibilidade de um partido eleger mais (ou menos) deputados do que elegeria se não se verificasse aquela distorção.
No entanto, concluir, como parece concluir a Visão, que, como nos distritos alegadamente sobre-representados “a direita” tem normalmente resultados melhores do que a média nacional, é a direita que sai beneficiada é um erro.
Considerando o método de distribuição de mandatos (método de Hondt), o problema é saber quem ficaria com o último deputado eleito (que não deveria ter sido) ou quem é o primeiro deputado não eleito (e que deveria tê-lo sido). E este tanto pode ser da direita como da esquerda. Se os distritos mais à esquerda tivessem mais um deputado, poderia muito bem acontecer que esse deputado extra fosse da direita, tal como o deputado a mais de um distrito mais à direita poderia ser da esquerda.