Sobre o verdadeiro sentido da liberdade de escolha

O PSD, desde os tempos de Manuela Ferreira Leite, que tem colocado a liberdade de escolha dos cidadãos no centro do seu debate político, em particular na Educação e na Saúde. De tal forma o PSD tem dado prioridade ao tema que José Sócrates optou por atacar o PSD como sendo o “inimigo da escola pública”.

José Sócrates é incoerente, na medida em que se apresenta como o arauto da defesa da Escola Pública, não para os seus filhos, mas para os filhos dos outros. A liberdade de escolha, como o nome bem indica, significa – imagine-se! – liberdade para escolher. É isso que Pedro Passos Coelho defende. Ele optou por colocar as suas filhas no ensino público. Mas não quer fazer disso uma imposição. A sua posição é inatacável.

Vejo que pelo 31 da Armada há quem não perceba que liberdade de escolha é isso – optar entre o público e o privado, para elevar a qualidade geral do ensino, em prol de todos os cidadãos, em especial, dos mais pobres – e não uma mera forma de “sacar” ao Estado uma comparticipação nas propinas do colégio dos putos. Na Suécia, onde a liberdade de escolha tem já um lastro de 19 anos, a adopção deste tipo de políticas conduziu, sobretudo, ao fortalecimento da escola pública, e ao aparecimento de soluções de ensino que não encaixam propriamente nas dicotomias “público” e “privado”(resultam de parcerias locais entre pais, empresas e autarquias). Sem deixar de possibilitar soluções para que a opção pelo ensino privado não seja economicamente penalizada, por meras razões ideológicas.

Neste tipo de discussões fica claro algo que sempre me pareceu evidente – que o software de muita gente à direita (que se concentram sobretudo à volta do CDS) não é liberal, não entende o que é a liberdade, mas tem uma visão distorcida sobre a essência do privado e da sua relação com o Estado e os dinheiros públicos. Não é distinta daquela que encontramos no PCP ou nos sindicatos, visa apenas defender benefícios de classe.

Nota adicional: É óbvio que certas opções privadas de quem anda na vida pública são relevantes no plano político. E isso não conflitua com o direito à dignidade e à privacidade. A ideia de que devemos seguir cegamente o “olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço” tem vindo a matar o prestígio dos políticos e fere a sua dignidade. Há opções que não relevam, outras que têm de poder ser escrutinadas. Pede-se a quem quer liderar o país um mínimo sentido de coerência. O mesmo que se exige aos cidadãos, na defesa das suas ideias. Ou não?

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5 thoughts on “Sobre o verdadeiro sentido da liberdade de escolha

  1. Caro Rodrigo, é exactamente isso. Como o PM teve oportunidade de escolher, todos nós devemos ter essa mesma oportunidade. E o dinheiro deveria ir para onde cada um de nós decidisse. Tão simples quanto isso.
    Não se trata de dizer que a escola publica é melhor ou pior do que a privada. Os cidadãos que escolham. Que sejam eles a avaliar. Isso, como disseste poderá fortalecer a escola publica. Mas deixem-nos escolheu!

  2. “Ensino Publico não é escolha.”

    Exactamente. Em 5 palavras que resumem bem o que é o ensino público hoje, e o que se quer dele desde do PS que tudo quer controlar para dar e dispor, para a esquerda que apenas defende a liberdade desde que seja ela a decidir o que cada um faz com ela.

    No ensino não há liberdade. Aprende-se apenas e unicamente da maneira que o ministério quer, com quem o ministério quer, com as possibilidades que o ministério aprovar (e nunca mais, mesmo que mais barato), onde o ministério aprovar (tu, da zona desfavorecida, levas com a escola e professores que ninguém quer…).

    No ensino a esquerda é a maior inimiga da liberdade. E ainda no outro dia foi o 25 de abril.

    (e notem que nem estou a defender financiamento de escolas privadas. Apenas e só a escolha livre de escolas 100% estatais, onde os professores e quem mora no município têm a liberdade de melhor ensinar como achar os seus)

  3. “No ensino a esquerda é a maior inimiga da liberdade”

    Penso que há tendência contraditórias aí – por um lado realmente a esquerda é mais defensora de obrigar os alunos a estudarem numa determinada escola, enquanto a direita é mais defensora da liberdade de escolher a escola (seja entre várias escolas públicas, seja entre o público e o privado); mas por outro, dá-me a ideia que a direita costuma ser muito mais defensora da gestão centralizada das escolas que continuem públicas (o CDS de vez em quando é um entusiasta do “livro único”, p.ex.), enquanto a esquerda é mais defensora da tal “gestão democrática das escolas”, que poderá ter muitos defeitos, mas não o de ser centralista (se favorecia alguma coisa, era um ambiente em que cada professor ensinava como lhe apetecia e largamente o que lhe apetecia).

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