O assunto está longe de ser encerrado, mas a confirmação de que os eleitores islandeses rejeitaram, pela segunda vez, a socialização dos prejuízos causados pelas contas Icesave é uma boa notícia: Islandeses rejeitam pagar dívida ao Reino Unido e Holanda
A conta de poupança on-line Icesave foi comercializada agressivamente no Reino Unido e na Holanda pelo banco Lansbanki – que foi o segundo maior da Islândia – prometendo juros acima de seis por cento. Cerca de 400 mil investidores depositaram lá o seu dinheiro e, em 2008, quando os três maiores bancos islandeses faliram, não conseguiram reaver o seu dinheiro.
Os bancos islandeses chegaram a ser 11 vezes maiores do que a economia do país. Por isso, quando rebentou a bolha do crédito, eram literalmente grandes demais para serem resgatados pelo Estado, que só conseguiu garantir os depósitos nacionais. A Islândia foi o primeiro país da Europa ocidental a ter de pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional na actual crise.
Os depósitos de estrangeiros foram reembolsados pelos respectivos governos – 3,9 mil milhões de euros – que agora querem os cobrar a Reiquiavique. O acordo que rejeitado permitia escalonar o pagamento da dívida até 2045, com uma taxa de juro de 3,3 por cento ao Reino Unido e de três por cento no caso da Holanda. Uma parte dessa dívida será paga com a venda dos activos do Landsbanki, mas não se sabe ainda quanto será – embora os partidários do “não” defendam que deveria chegar para o reembolso.
Em Março de 2010, um acordo muito mais desvantajoso para a Islândia tinha já sido rejeitado pelos islandeses em referendo.