Março 15, 2011
Da banha da cobra
“Alguns acusam o Governo de ter apresentado, de surpresa, um PEC IV que não seria necessário. Mas isso não é verdade, nem é sério.[...]
Portanto, não confundamos as coisas. Uma coisa é capacidade de, com o Orçamento que aprovámos para 2011, alcançarmos a meta de redução do défice deste ano, para 4,6%. E isso não está em causa. Mas outra coisa, completamente diferente, é o que precisamos ainda de fazer em 2012 e 2013 para cumprir o compromisso de reduzir o défice para 3% e depois para 2%. E, isso sim, é que está em causa.
Quem pretende dizer aos portugueses que, aprovado o Orçamento para 2011, nada mais é preciso fazer e qualquer apresentação de novas medidas é uma surpresa ou uma sinal de insucesso, está apenas a iludir e a confundir os portugueses.”
José Sócrates, em comunicação ao país a 14 de Março de 2011
Face a isto, o Pedro Romano do Massa Monetária fez as contas ao que os sucessivos PECs deviam ter conseguido e chegou à seguinte conclusão:
“Ou seja, com o PEC 3 – o que serviu de base ao OE para este ano – e se o PEC se tivesse concretizado na totalidade, teríamos já um défice abaixo dos 3% do PIB em 2011. E chegaríamos a 2013 com um desequilíbrio de apenas 0,9% do PIB. Entretanto, na sexta-feira chegou um PEC 4. Com as medidas do PEC 4, e considerando todas as anteriores, o saldo orçamental passaria a positivo já em 2012.
Dá-se de barato que, sem quaisquer medidas, o défice manter-se-ia nos 9,3% atingidos em 2009. Mesmo assim o somatório dos três PEC atirava o saldo orçamental de 2013 para um excedente perto de 3% do PIB.“
Voltemos a José Sócrates:
“E estas medidas justificam-se apenas por uma razão: reforçar a confiança no cumprimento das metas orçamentais. Trata-se, no fundo, de assegurar que, em qualquer cenário macroeconómico – seja o do Governo seja o da Comissão, seja o do Banco Central Europeu – Portugal cumprirá, de facto, o défice orçamental de 4,6%.“
Ou seja, o Governo já tinha anunciado medidas que permitiriam chegar a um défice abaixo de 3% em 2011. Agora vem anunciar medidas adicionais para conseguir chegar a um défice de 4,6%. O que é que se passou entretanto?
O Pedro Romano dá umas pistas. Pistas obviamente absurdas porque o Primeiro-Ministro já nos explicou que anda há um ano e meio a perfumar a Europa com credibilidade e execuções orçamentais de primeira água. Mas leiam-nas de qualquer maneira. Nunca é demais relembrar que nós é que andamos a pagar a sobrevivência deste governo.
Obrigado
Obrigado a todos quantos votaram em José Sócrates em 2009, depois de 4 anos de governação socialista. E obrigado porque tornaram ainda mais evidente que não é, não pode ser este o caminho. Não podemos continuar a ser governados por quem sempre pensa saber o que é melhor e impõe esse ideal para todos. Acima de tudo não podemos continuar a ter como PM uma pessoa com aquele perfil, com aquele carácter. Por mim já basta.
A quem teve a “honra” de pertencer ao executivo nos últimos anos, muito obrigado pelo vosso “trabalho”, regressem à vida fora do poder (para quem a tem) e façam-nos um favor: não voltem!
Pobre Ophelia
Ophelia canta, tombada nas águas do rio, demente, alienada, com as mãos, os braços e os olhos a desenharem a postura de mártir, mas sem perceber que a morte, implacável, se aproxima.
Não caiam em tentação
Nem em juízos fáceis. O que têm em comum uma feira de livros, a tv e o cinema?
Março 14, 2011
Pedro Boucherie Mendes sobre opções políticas e Portugal
Mesmo que não se concorde com tudo, vale a pena ler esta entrevista do Pedro Boucherie Mendes: Custa-me acreditar que vivemos em crise
Consegue posicionar-se politicamente?
Sou um libertário no sentido americano do termo. Entendo que as pessoas não devem chatear-se umas às outras. Se eu não quero que o vizinho me vá bater à porta não posso pôr a música muito alta. Acho que tenho um lado conservador, sou completamente pró-capitalismo e, para irritar os outros, sou anti-esquerda.
(…)
Sendo anti-esquerda é de direita?
Pois, inevitavelmente um gajo anti-esquerda é de direita, por isso sou obrigado a dizer que sim, embora não pense em mim dessa forma. Penso em mim sendo anti-esquerda e não como sendo de direita. Mas claro que me identifico mais com as posições da chamada direita.
(…)
Simpatiza com Sócrates e com Cavaco?
Se ia jantar fora com eles?
Se acha que estão bem nos seus papéis.
Acho que Portugal tem exactamente o que merece.
Declarações de José Sócrates
Para quem não teve a oportunidade de ouvir as declarações de hoje de Jose Sócrates pode consultar o resumo aqui.
PS: Para grande pena minha o João vai ficar irremediavelmente ligado ao José. Uma grande pena.
Último acto
Enquanto nas ruas se recria o 25 de Abril, Sócrates discursa uma versão moderna do Orgulhosamente sós de Salazar.
O povo que se manifesta na rua, a oposição que o critica, os media que não o congratulam pelos seus espantosos feitos e capacidades de negociação, tudo isto é ingratidão, tudo isto é incompreensão pelo sentido de dever e sacrifício com que Sócrates vai conseguindo manter-nos economicamente independentes do estrangeiro.
E tudo isto é irresponsabilidade, tudo isto lesa a estabilidade de que o país tanto precisa. E é assim fatidicamente o próprio país o maior obstáculo ao interesse de Portugal. Mas é esse, invariavelmente, o trágico destino dos mártires: sofrer às mãos do povo para o salvar. Perdoai-lhes Senhor que eles não sabem o que fazem.
Já Basta
Não tenho a certeza acerca do que V Exas, os nossos (des)governantes, pensam ou até sequer se pensam. Mas apostaria que estão tão fartos de nós, Vossos súbditos, como nós Vossos servos, estamos fartos da competência de V Exas. Agradecemos o sacrifício feito por V Exas em prol do fim dessa coisa ultrapassada a que costumávamos chamar Portugal; agradecemos os Vossos trabalhos hercúleos a favor de um sistema fiscal mais justo que nos pôs a pagar tanto, que já quase não nos sobra nada para gastarmos mal gasto; agradecemos os Vossos esforços para que pelo menos algumas famílias de pessoas da Vossa agremiação melhorassem de vida; agradecemos a V Exas os negócios altruístas que proporcionastes a alguns com o nosso dinheiro, não fôssemos nós desbaratá-lo em inutilidades; agradecemos que em virtude da Vossa superior dedicação e inteligência nos tenhais salvo da crise internacional, coisa que já fizestes pelo menos cinco vezes no último ano e pouco; agradecemos que tenhais acabado com os privilégios das classe parasitas. Professores, médicos, juízes, empresários, escriturários, taxistas, pensionistas, reformados, imigrantes e emigrantes, alunos, pais, mães, crianças, avós, bisnetos e mulheres a dias. Enfim, os portugueses esses ignóbeis parasitas do esforço de V Exas; agradecemos a Vossas Exas que nos tenhais endividado até aos cabelos para as próximas décadas. Por tudo isto e por muito, muito, muito mais, muito obrigado a V Exas e que a terra vos seja pesada. Um fraga de granito pelo menos. Porque Já Basta.
Deste Vosso servo salvo por vós
P.S. O meu filho pede de o favor que diga a Vossas Exas se podem ir apanhar onde o sol não brilha, morrer longe, ter meninos pela barriga das pernas, nesse linguajar que, garanto-lhe, dito por ele soa ao Ires Dirae do Requiem de Mozart. Peço desculpa pela criança mas como com certeza compreendeis, não posso ensiná-lo a respeitar os mais velhos, não vá ele ficar traumatizado e acabar por não conseguir tornar-se um bom cidadão, contribuinte, servo da Vossa estirpe
Basta!
Estamos praticamente reféns de um governo incompetente e à deriva desde Dezembro. Reféns de uma alegada pseudo-estabilidade política que aparentemente nos concederia juros mais aceitáveis, o que não ocorreu. Reféns de um primeiro-ministro que para manter-se em funções sacrifica um país e uma geração. É preciso dizer basta!
Aprender com o modelo sueco
A Suécia, um dos países que nos últimos anos levou a cabo reformas mais profundamente liberalizadoras, é também um dos países desenvolvidos que melhor está a reagir à crise e cuja economia mais cresce: Sweden lifts 2011 GDP growth forecast as economy roars
Sweden has upgraded its economic growth forecast for 2011 after posting the strongest annual growth figures in the European Union.
Finance Minister Anders Borg on Thursday said gross domestic product is expected to grow 4.8 percent this year. The center-right government had previously forecast 3.7 percent growth in 2011.
The Swedish economy has rebounded strongly after the global recession. The EU’s statistics agency put Sweden’s growth rate in the fourth quarter at 7.2 percent, compared to a year earlier, the biggest jump in the 27-member bloc.
Já basta!

Da minha parte, desde Janeiro de 2010 que considero que este Governo não tem condições para governar. Foi este governo que nos conduziu para um estado de ilusão, atirando dinheiro para os problemas, gerindo os sucessivos défices por acréscimo da receita, escondendo sempre as dificuldades dos portugueses.
O PS e a Presidência da República foram desde essa data pressionando a oposição, em particular o PSD, para a viabilização de soluções que permitissem a “estabilidade”, como se os nossos meros “consensos” fossem suficientes para credibilizar o país. OE2010, PEC1, PEC2, OE2011, todas estas oportunidades foram desperdiçadas pelo Governo que, em vez de iniciar a austeridade quando ela devia ter sido imposta, foi ensaiando medidas avulsas que só se mostraram eficazes no que se traduziu no ataque ao bolso dos portugueses.
Um governo que se limita a exigir sacrifícios aos outros, e não é capaz de atacar a despesa e o despesismo, nem reformar a máquina do Estado, merece ser sacrificado rapidamente. A bem do futuro de Portugal, e antes que seja demasiado tarde.
Tempo de mudar

A estabilidade é importante na política, mas não pode ser um fim em si mesmo. Em política, por muito mau que seja o cenário presente, não há garantias de que o futuro traga algo melhor, mas hoje é também impossível ignorar a falência do actual modelo de governação socialista.
Já Basta!
Vivemos hoje pior que há 6 anos, quando o PS de José Sócrates chegou ao poder. Mas a desgraça já nem é essa. O que mais revolta é a falta de rumo. O governo pede sacrifícios, mas não os assume. Corta na despesa, mas apenas através do corte nos salários. Não há qualquer projecto de reforma para que o Estado gaste menos.
O problema não é o vivermos pior. É vivermos hoje para sustentar o insustentável: um Estado deficiente e precário. Este governo, por mera teimosia de um homem, está a condenar-nos a anos de uma servidão insuportável.
É esse homem, o primeiro-ministro, que tem de sair. Para que voltemos a olhar em frente.
Má sorte não serem “colonos”…
… e a decapitação ser mais mediática que a pulverização à distância por peças de artilharia.
Eight children, seven women among dead in IDF shelling
Eight children and seven women were among the dead, the Palestinain Health Ministry said, adding that 17 of the victims were members of the al-Ottomana family.
Khaled Radi, a Palestinian Health Ministry official, said all of those killed were civilians. According to witnesses, the victims were sleeping when the 15-minute barrage of shells first hit.
The victims were identified as Fatma Ahmed al-Ottomana, 80, Sanaa Ahmed al-Ottomana, 35, Naima Ahmed A al-Ottomana, 55, Masoud Abdullah al-Ottomana, 55, Sabah Mohammed al-Ottomana, 45, Samir Masoud al-Ottomana, 23, Fatma Masoud al-Ottomana, 16, Arafat Sa’ad al-Ottomana, 16, Mahdi Sa’ad al-Ottomana, 13, Mohammed Sa’ad al-Ottomana, 14, Sa’ad Majdi al-Ottomana, 8, Mahmoud Ahmed al-Ottomana, 13, Malik Samir al-Ottomana, 4, Maisa Ramzi al-Ottomana, 4, Nihad Mohammed al-Ottomana, 33, Mohammed Ramadan al-Ottomana, 28, Minal Mohammed al-Ottomana, 35, Saker Mohammed Adwan, 45, and Sa’adi Abu Amsha.
Ao que parece, Samir al-Ottomana (4 anos) e Maisa Ramzi al-Ottomana (4 anos) não estavam a ser utilizados pelos seus pais como carne para canhão para proselitismo e como forças de ocupação em zonas de interposição.
João Galamba, um deputado à rasca
Há situações nas quais só mesmo a falta de vergonha na cara pode valer a um deputado eleito por via da quota pessoal do líder do Partido e actual Primeiro-Ministro: Apaga os arquivos, pá! Por João Miranda.
Bahrain: back to basics
Imperialismo sionista saudita entra Bahrain adentro. Assiste-se ao colapso da monarquia?
E se o Pingo Doce passasse para os quadros…
Imaginem que os senhores do Pingo Doce, fartos de só conseguirem vender comida quando esta tem uma relação qualidade/preço melhor do que a do Continente, resolvem inovar. Passam a dar às pessoas a hipótese de experimentarem os seus produtos durante 6 meses e, se a partir daí quiserem continuar a comprar no Pingo Doce, têm de o fazer para o resto da vida.
Para isto funcionar, este contrato entre supermercados e clientes teria de se generalizar. Por isso os senhores do Pingo Doce falam com o governo e dizem-lhe que o emprego dos seus 17.000 colaboradores está em risco se não se acabar com esta precariedade na forma como as pessoas escolhem os seus supermercados. O governo, sempre sensível a estatísticas, obriga todo o sector da distribuição alimentar a alinhar neste esquema.
Apesar de tudo, como vivemos em democracia, o governo tem de conceder algumas garantias. Se por acaso se descobrir veneno para ratos no leite em pó vendido pelo fornecedor com o qual estão vinculados, os portugueses têm a hipótese de iniciar um processo burocrático que, se se provar cientificamente que o veneno para ratos mata, será seguido por um julgamento onde podem defender o seu direito a, nestas circunstâncias, passar a comprar produtos alimentares num supermercado que não os misture com substâncias “alegadamente” mortíferas. Por outro lado, para assegurar que os supermercados não se lembram de um dia para o outro de deixar de vender comida porque esta se tornou demasiado barata para a sua estrutura de custos, passa a haver um preço mínimo para todos os produtos.
Com estas garantias, fecha-se negócio entre parceiros sociais. Está assegurado o fornecimento de comida à população e acaba-se com a precariedade na escolha de distribuidores.
As perguntas que se impõem neste cenário são simples: o que iria acontecer à relação qualidade/preço dos produtos vendidos nos supermercados? Será que os supermercados (portugueses) iriam vender mais ou menos? Será que os empregos na distribuição alimentar (em Portugal) aumentariam ou diminuiriam?
Leitura Complementar: A “Geração à Rasca”, os filhos de Boaventura e o Estado
Os dias em que o Ministério Público e a Polícia assobiam para o lado
Nada como ser camionista ou proprietário de empresa de camionagem para beneficiar de particular indulgência e do oportuno distanciamento do Ministério Público e das forças que supostamente zelam pela segurança de todos e pelo cumprimento da Lei:
Artigo 154.º
Coacção
1 – Quem, por meio de violência ou de ameaça com mal importante, constranger outra pessoa a uma acção ou omissão, ou a suportar uma actividade, é punido com pena de prisão até três anos ou com pena de multa.
2 – A tentativa é punível.
[...]Artigo 544.º
Conceito e proibição de lock-out
1 – Considera-se lock-out qualquer paralisação total ou parcial da empresa ou a interdição do acesso a locais de trabalho a alguns ou à totalidade dos trabalhadores e, ainda, a recusa em fornecer trabalho, condições e instrumentos de trabalho que determine ou possa determinar a paralisação de todos ou alguns sectores da empresa, desde que, em qualquer caso, vise atingir finalidades alheias à normal actividade da empresa, por decisão unilateral do empregador.
2 - É proibido o lock-out.
3 – Constitui contra-ordenação muito grave a violação do disposto no número anterior.Artigo 545.º
Responsabilidade penal em matéria de lock-out
A violação do disposto no n.º 2 do artigo 544.º é punida com pena de prisão até 2 anos ou com pena de multa até 240 dias.
Leitura adicional: Animais glorificados.
Os Dispositivos Electrónicos de Matrícula só vão servir para cobrar portagens
A introdução de portagens nas antigas auto-estradas sem custo para o utilizador (Scut) levou o Governo a aprovar cinco novos sinais de trânsito. O mais inovador é um que informa que o utente está a circular numa via sujeita a fiscalização de velocidade. O controlo é feito através de radares instalados nos pórticos de cobrança electrónica das portagens naquelas vias, que registarão a velocidade instantânea dos veículos. Estes dados, no entanto, não servirão para multar os infractores, garantiu ao PÚBLICO fonte oficial do Ministério da Administração Interna.
Tal situação não impede que, a poucos metros de distância dos pórticos ou no interior das vias actualmente com portagem, haja uma patrulha da Brigada de Trânsito da GNR a controlar excessos de velocidade. Os radares dos pórticos das Scut só servirão para punir os “aceleras” quando estiver concluído o plano nacional de radares nas auto-estradas, sistema que envolverá, além da aquisição do equipamento, a legalização da recolha e tratamento dos registos dos infractores, através da Comissão Nacional de Protecção de Dados.
Com os devidos cumprimentos do Partido Socialista e do Partido Social Democrata, que o tornaram possível, aos magotes que acorreram em massa à compra dos referidos dispositivos.
A “Geração à Rasca”, as qualificações e o mérito
Os mitras, os boys e os betos. Por Maria Filomena Mónica, no Público.
Portugal mudou muito e muito rapidamente. Numas coisas para melhor, noutras para pior. Com o 25 de Abril, deixámos de estar envolvidos numa guerra colonial, ganhámos as liberdades fundamentais e entrámos numa Europa que dantes ficava para além dos Pirenéus. Mas falhámos em muitas áreas. Continuamos a ser um país pobre, o que explica que um emprego à vida seja a ambição suprema. A meritocracia ficou para trás, o que não admira, pois quem é miserável não costuma valorizar a concorrência.
Referindo-me ao mundo que conheço melhor, o universitário, eis como as coisas se passam. Apesar de ocasionalmente sujeitos a uns concursos mal engendrados, os docentes e os investigadores do “quadro” não só têm um posto de trabalho vitalício como ganham, os bons e os maus, o mesmo salário. Vendo este exemplo, os jovens que frequentaram a universidade consideraram tal situação a ideal. Mas não o é.
Tenho pena que a minha geração – a que nasceu na década de 1940 – não tenha valorizado o trabalho, o esforço e a competência. O resultado é o que se vê: por mais inútil, ignorante e preguiçoso que um indivíduo seja, é quase impossível despedi-lo. Como se isto não fosse suficientemente negativo, à medida que os dois grandes partidos se alternavam no poder, o número de lugares para os boys foi crescendo. Até ao dia em que o Estado descobriu que não tinha dinheiro para ninguém.
Direcção Geral de Portugal, Ryder Cup 2018 e parasitagem
Governo prepara redução do IVA para o golfe
Já houve muito quem se escandalizasse com esta “preparação” do Governo. Para os esquecidos, Portugal é candidato à organização da Ryder Cup 2018. Manuel Pinho é o líder da Comissão de Candidatura que escolheu a Herdade da Comporta da família Espírito Santo como local onde se realizaria a prova, caso Portugal ganhasse a sua organização. A decisão final será tomada, julgo, no próximo mês e esta “preparação” não é alheia a esse facto.
Como já escrevi há um ano, para nos poupar a mais uma estupidez de quem nos desgoverna e tendo em conta o génio do Dr Manuel Pinho que até dá aulas numa Universidade em Nova York, ele que crie um fundo de investimento para financiar isto mas que deixe os contribuintes em paz. Eu invisto o que puder e há no meio do golfe quem possa investir muito mais que eu (put your money where your mouth is), o contribuinte é que não tem nada que, mais uma vez, estar a pagar o enriquecimento e os caprichos do Director Geral de Portugal.
Cambada de parasitas.
Março 13, 2011
A “Geração à Rasca”, os filhos de Boaventura e o Estado
Subscrevo boa parte deste texto do José Manuel Fernandes, mas a crítica ao que escreveu Helena Matos parece-me injusta. Helena Matos, no seu texto engraçado, conseguiu acertar em cheio num dos alvos mais importantes para a compreensão das causas dos problemas de Portugal. Não é possível perceber o regime e o seu desvario sem compreender o importante papel dos filhos de Boaventura acantonados no respectivos centros de privilégio generosamente financiados pelo Estado enquanto se dedicam a tentar produzir as bases da próxima revolução e a mobilizar as massas para o efeito. Tanto o fenómeno Bloco de Esquerda como um certo PS (pouco significante em termos das bases do partido, mas extremamente influente na direcção das políticas) só fazem sentido se se tiver em conta a génese, propagação e reprodução (assistida pelo Estado e sempre com a conivência medrosa ou simplesmente ignorante do PSD) dos filhos de Boaventura.
Leitura complementar: Uma folha A4; O manifesto da “Geração à Rasca”; Um protesto indefensável e uma expulsão justificada; O papel dos filhos de Boaventura na “geração à rasca”; O protesto da Geração à Rasca ou o regresso à utopia; A “Geração à Rasca”, a precariedade e o futuro; As manifs. e a mudança; A manifestação da “Geração à Rasca” e as lideranças políticas da direita.
A “Geração à Rasca”, a precariedade e o futuro
«basta!» não basta. Por Rui A.
Não tenho qualquer dúvida de que a esmagadora maioria das pessoas que ontem saíram à rua o fez espontaneamente, farta que está do país em que vive e do governo que ele tem. Não enjeito chamar-lhes, a essas pessoas, como o fez o José Manuel Fernandes, o «Portugal desesperado» (sugiro que deixemos o «algo» de lado), em contraponto aos «filhos do Boaventura» com que a Helena Matos as baptizou. Mas também não tenho dúvidas, como a Helena, de que a maior parte dos jovens que ali esteve se considera com direito natural a um emprego, mais do que isso, a um emprego não «precário» (este foi, aliás, um dos temas da manifestação), isto é, um emprego para a vida, como acontecia antigamente e as lei laborais ainda dizem proteger, sem quaisquer considerações adicionais, como, por exemplo, o mérito para o manter ou a possibilidade da empresa lho continuar a garantir. Isto significa que a esmagadora maioria das pessoas que foram à manifestação e os muitos outros portugueses que, não tendo ido, partilham do mesmo sentimento de revolta, não perceberam o que lhes está a suceder e, não entendendo por que razão se encontra no estado em que está, jamais conseguirá sair dele.
(…)
Foi o estado, foram os seus sucessivos governos, a racionalidade do privilégio legal e não meritório, a voracidade com que rapinaram o nosso dinheiro e a nossa propriedade em troca de um mundo ideal que, não só nunca chegou, como é cada vez mais árduo e pior do que aquele em que vivíamos no dia anterior.
Se a «Geração à Rasca» continuar sem entender isto, se persistir em pensar que Portugal tem uma imensa riqueza escondida nos bolsos de meia-dúzia de capitalistas malfeitores, se se achar mesmo com direito a um emprego não precário, se não perceber que, por definição, tudo na vida é precário e que só o esforço e o mérito nos poderão dar melhores condições de vida, se continuar a pedir ao governo e ao estado uma vida melhor, em vez de lhes pedir que a deixem viver sem o peso asfixiante do seu paternalismo doentio e castrador, então, Portugal baterá ainda mais no fundo e o «à rasca» de hoje será um sonho de felicidade e abundância de um amanhã muito próximo.
As manifs. e a mudança
Ouvindo alguns dos que se manifestaram ontem, ficámos a saber que a sua maior preocupação é a falta de emprego. A falta das mesmas condições que tiveram os pais e avós: acesso a um mercado de trabalho seguro e certo. Sem sobressaltos. Por isso, pediram mudança.
Há um erro de base nas reivindicações de ontem, exigindo-se algo que não é possível dar. Assume-se como direito de uns, algo que implica o dever de outros. O que não existe. E mesmo existindo, já não é possível.
Atente-se no seguinte: exige-se mudança, mas nenhuma das pessoas que desceu a Avenida da Liberdade parece querer mudar. Exige-se mudança de políticas, mas ninguém parece pretender alterar o seu conceito de vida. Repensar o que pretende da vida, o que se predispõe a fazer. Exige-se uma mudança colectiva, não determinada, nem determinável, desde que não implique uma mudança individual, de cada um dos que esteve nas variadíssimas manifs. de Sábado. Os outros que mudem, eu não. Eu tenho direitos. Alguém (um ser abstracto qualquer) que fique com o dever de me servir. E já agora, de mudar.
Exige-se que alguém se responsabilize pelo estado do país, mas há pouca vontade para assumir a responsabilidade por si mesmo. Pela sua vida e o seu futuro. Exigem emprego, com contrato de trabalho, em vez dos recibos verdes, mas ainda não perceberam que o sentido é o inverso: menos contratos de trabalho e mais recibos verdes, o que não é mau se isso significar trabalho e dinheiro. Exige-se mudança, mas poucos parecem perceber que as coisas mudaram e o emprego seguro e para toda a vida, como tiveram os nossos pais, já não existe. O mundo mudou e muitos, não querendo mudar com ele, querem que este volte ao que era. Não vão ter sorte nenhuma.
Bem sei que a diversidade de pessoas que esteve nas manifestações não permite um discurso claro e linear. Há de tudo. Mas as manifestações de Sábado não deixaram também de ser uma demonstração de nostalgia, que não se reduziu à músicas de intervenção. Saudades de um mundo que acabou. A mudança que se precisa é individual e só com o despertar de cada um, é que o país, no seu todo, muda. E as exigências deste Sábado se concretizam.
Cameron e Zapatero: uma questão de jogging ?
Entretanto, a economia britânica ainda não está completamente destruída. Por Miguel Madeira.
Uma manifestação para pedir mais do mesmo ?
A barricada de panados no pão. Por Miguel Castelo-Branco.
Duzentos mil desceram a Avenida para pedir o que não se pode pedir. Revolta de uma geração, levantamento contra o regime, reivindicação de uma nova política e de um novo rumo ? Não, infelizmente, os portugueses querem do mesmo mais e parece não terem dado as costas aos estafados mitos de 40 anos de regime. Tudo o que ouvi limitou-se a pedir, exigir mais dinheiro, mais crédito, mais “bem-estar”, mais “modelo social europeu”, numa profissão de fé nas calamidades ideológicas que nos trouxeram a este atoleiro. Foi o albergue espanhol. Os mesmos de sempre, que nunca abandonaram a ribalta, que são cativos e se julgam, dentro ou fora dos arranjos, os donos do futuro.
“Geração à Rasca”: a mais qualificada ou a mais certificada de sempre ?
Uma não-manifestação em 6 pontos. Por Samuel de Paiva Pires.
5 – Uma manifestação em que muitos participantes repetem até à exaustão a falácia de pertencerem à “geração mais qualificada de sempre”, não é uma manifestação. É uma presunção de estatuto artificial que devia envergonhar qualquer um dos seus vociferadores. A verdade é que somos a geração mais certificada de sempre. O que não quer dizer que sejamos a mais qualificada ou competente. A geração dos nossos pais e avós teve cursos muito mais exigentes e que lhes conferiram muito mais competências do que os actuais cursos conferem. E os que nem cursos superiores tinham, possuem na generalidade mais competências do que nós. Nas últimas décadas generalizou-se e massificou-se o ensino superior, diminuindo-lhe a qualidade. Alardear uma certificação formal, que na maioria das vezes deixa adivinhar uma confrangedora capacidade de trabalho, método e competência, não é uma manifestação. É uma demonstração de snobismo pseudo-aristocrático.
A manifestação da “Geração à Rasca” e as lideranças políticas da direita
A manifestação. Por Miguel Morgado.
Na verdade, a hostilidade e ressentimento contra a maioria das instituições que constitui o sistema democrático nacional foi notória. O repúdio pelas lideranças políticas foi igualmente evidente. Da desilusão passou-se ao ódio. E esta diferença pode bem não ser de grau, mas de espécie. Havia muita gente enojada com a corrupção, com o clientelismo e com a partidarização do Estado e dos recursos nacionais. Alguém pode dizer que a razão daquela fúria é injustificada?
Porém, no essencial a manifestação uniu-se na reprovação absoluta do Governo e do Primeiro-Ministro – só não viu isto quem não quis – e num protesto contra as condições de trabalho. Este último ponto levanta alguns problemas. Um deles é o seguinte: os manifestantes supõem que o problema português – e a causa das suas próprias dificuldades particulares – é laboral. Não é. O “problema laboral” a que se convencionou chamar “precariedade” é apenas um reflexo de um duplo problema português. O problema económico, que pode ser rapidamente resumido na expressão “Portugal não cresce – há mais de 10 anos”. E o problema institucional, que corresponde à divisão da população portuguesa em duas metades: uma entricheirada atrás de um sistema de protecção laboral bastante generoso, a outra no lugar de válvula de escape do mercado de trabalho, e portanto “desprotegida”. Estas pessoas vêem-se enfiadas no meio de um sistema que é, bem vistas as coisas, gritantemente iníquo.
Pode ter sido azar meu, mas não vi nada disto ser articulado pelos manifestantes. As lideranças políticas da direita têm muito trabalho de pedagogia política por fazer. A frustração dos manifestantes e o seu capital de queixas é real e veio para ficar. Eis o resultado natural de 15 anos desta espécie de socialismo. É preciso agora liderar esta gente. Não o farão com promessas de Bloco Central. Não o farão com a manutenção do país do Bloco Central.
A tragédia do Japão
É aproveitada por gente reles.
Leitura complementar: aconselho vivamente a leitura deste excelente texto da Standpoint, de Clive James, sobre as cheias na Austrália.
Sobre a resistência islâmica
And still western ‘liberals’ support these people, de Melanie Phillips.
The Palestinian terrorist slaughter overnight of an Israeli couple Rabbi Udi Fogel and his wife Ruth and three of their children, 11-year-old Yoav, four-year-old Elad and three-month-old Hadas who were stabbed to death in their house in Itamar in Samaria — three other children aged under 12 survived — has received scant coverage in the British and western media.
True, the Japanese tsunami is driving out much other news. But there can be little doubt that the sluggish reaction is due in no small measure to the fact that the British media and intellectual class think – and sometimes even say – that the Israeli ‘settlers’ deserve what they get. Thus Israelis living on land to which they are legally entitled are dehumanised, and even their murders are shrugged off as of little account. Thus the moral cesspool into which Britain’s intellectual elite has sunk.
We don’t yet know who perpetrated this latest atrocity. What must be emphasised however is that, quite apart from the open calls to genocide of the Jews by Hamas, as Israeli Prime Minister Netanyahu has said the ‘wild incitement’ by the Palestinian Authority against Israelis, perpetrated without remission through its educational materials, in its mosques and on PA-controlled TV, is directly to blame for creating the incendiary atmosphere of hysterical and fanatical hatred that gives rise to such savagery. Through these channels the PA indoctrinates its people into hatred of Jews and the glorification of mass murder of Israelis. (…)
The Arab incitement is simply not reported by the western media. (…)
And of course, let’s not forget the EU which has funded the PA — and therefore its genocidal incitement against Jews and Israelis — to the tune of millions of euros. But the promotion of this Nazi-style Jew-hatred and incitement through indoctrination in permanent genocidal warfare by the direct heirs of the Nazis’ Arab front – the actual reason for the Middle East conflict — is the one thing that is ignored by the Obama administration, the EU and the British government, all of whom blame Israel instead for preventing a solution to that conflict.
What price now those British and European ‘liberals’ as they weep their crocodile tears over Libya and beat their chests over democracy and human rights, while actively endorsing and promoting the Arab neo-Nazi demonisation and dehumanisation of Israelis — which results in the slaughter of a family which they then proceed to downplay or ignore?
Leitura dominical
O cruel discurso do PR, o Síndroma da Opressão Produzida Acintosamente Pelo Opressor, baseado em brutais imagens reais de Viseu, as estimulantes notícias que chegam do Egipto livre e um e-mail (infelizmente residual), passados em revista por Alberto Gonçalves, no DN.
Geração à Rasca e Status Quo
Em Lisboa, dois jovens incapazes de articular um discurso sobre o motivo da sua presença na manifestação ou sobre “a causa de como está esta sociedade” quiseram no entanto aproveitar a antena da televisão do Estado para manifestar o seu desagrado pela presença do PNR pois “ao que parece é proibido eles manifestarem-se” (vídeo no fim). “Ao que parece” as in foi o paizinho Estado que disse e eu sou um menino bem comportado, por isso é que tenho o direito de pedir ao paizinho mais mesada.
Mário Soares, por medo de perder o seu estatuto de herói de Abril e salvador da pátria, referiu-se antecipada e injustamente a esta geração como perigosos, antidemocratas, niilistas. Mas haverá mais pró status quo do que esta geração que não tolera a liberdade de pensamento nem a procura exercer? Seria bom poder concordar com José Manuel Fernandes, mas não seria também condescendente? Estamos a falar de “jovens” de 30 anos que ganhando 800€ líquidos se consideram precários e culpam o Estado por não poderem constituir família (o que é um insulto para muitos portugueses, jovens e não jovens, não licenciados). Jovens sem hábitos de poupança que lideram a taxa europeia de compra de automóveis novos. Jovens que usaram as redes sociais para combinar uma manifestação que rebentou com as ruas e os seus IPhones para a difundir, mas que não podem usar as mesmas redes para perceberem por si próprios que estão completamente errados quanto à solução que pretendem? Esses mesmos jovens que se dizem os mais educados de sempre são também aqueles que mais precisam de ser educados para a capacidade de critica intelectual? Isso não será tratá-los com o mal de que padecem – infantilização socialista aguda?
Durante a manifestação, um pequeno grupo do PNR concentrou-se na Praça dos Restauradores e gritou “Abril nunca mais!”, enquanto o carro dos Homens da Luta passava seguido pela multidão com cantigas da época, e foi por isso vaiado e olhado com desprezo, como se fossem ET’s vindos do planeta do politicamente incorrecto. Estes jovens não são niilistas, e muito menos perigosos para o status-quo. Estão simplesmente fartos de esperar ter idade suficiente para lá chegar: querem o status quo já. “Menos Estado” é para eles um retrocesso, o caminho é o Direito a mais Estado Social.
(aos 5 min.)
Vencedores da manifestação de 12 de Março
Os precários grandes vencedores da tarde kiri-ki-ki. Por Nuno Castelo-Branco.
O grande vencedor da tarde?
Aqui está ele. Transpirando-se anti-capitalismo por todos os poros, o precário retempero de forças foi feito na estação McDonald’s do Rossio. “Ele” era batatas fritas, “ele” era sundays aos quilos, “ele” era Coca-Cola small, medium ou maxi, “ele” era “maxbârgueres” com/sem queijo, com/sem cebola, com/sem “beicõ”, “ele” era “chizequeiques”, ou para desenfastiar, “méquechiquenes” quentinhas e dois saquinhos de “quét-châpe”. Uma precária carrada de notas de dez Euros despejadas nas caixas registadoras. A Prosegur terá hoje mais trabalho de recolha. É tudo.
Uma precária tarde anti-capitalista bem passada. As precárias bases do PC, PS, CDS, BE e PSD vieram à rua e no próximo sábado, o Expresso lá dirá quantos pontos terão subido ou descido Pedro Passos Coelho e José Sócrates. O Marcelo dos olhinhos brilhantes babar-se-á amanhã à noite, na TVI.
O Bairro Alto já está cheio como numa noite de santos populares. A Trindade já viu piores noites, o Chimarrão-Chiado abarrota de gulosos, o Haagen Dazs serve umas cassatas, as docas servem pratos por foto e a Portugália mais umas dúzias de bifes com molho. Mais daqui a uma hora, lá para a meia noite, lá começa a peregrinação ao Purex, esquina da Fátima Lopes, Rua do Diário de Notícias, Portas Largas e para uns poucos extenuados manifestantes, uma precária ceiazinha junto à vidraça do Bica do Sapato. Segue-se o Lux e o Kremlin.
E daí?
Apenas isto: kiri-ki,kikikikiki, kiri-ki, kikikik!
Leitura complementar: Uma folha A4; O manifesto da “Geração à Rasca”; Um protesto indefensável e uma expulsão justificada; O papel dos filhos de Boaventura na “geração à rasca”; O protesto da Geração à Rasca ou o regresso à utopia.
Março 12, 2011
Sabem aqueles momentos em que perante mastodôntica insanidade só conseguimos reagir com incredulidade mas em que, vindo a insanidade de onde vem, simultaneamente temos a certeza de que é real e que, na verdade, até deveríamos esperar a insanidade?
Este é um daqueles momentos. Conta o Francisco José Viegas que José Sócrates, perante os anunciados protestos dos jovens zangados com o desemprego e a precariedade, acena com leis da paridade, do divórcio litigioso, do casamento entre pessoas do mesmo sexo e do aborto. É assim, segundo o nosso preclaro pm, ‘que se constrói uma política de modernidade e uma política para o futuro’.
De facto não se entendem estes jovens ingratos. Como protestam por minudências como estarem desempregados se podem abortar à borla nas maternidades estatais? Por que se indignam com insignificâncias do calibre de ganharem mal quando, mesmo sendo heterossexuais, têm a possibilidade de oficializar uma união gay? Em todo o caso Sócrates deveria agradecer: parece que essa nova categoria que são ‘os jovens’ não se apercebe que bons empregos (ou, pelo menos, empregos) só com crescimento económico e que crescimento económico, por estes dias, só com flexibilidade laboral.
O protesto da Geração à Rasca ou o regresso à utopia
O melhor: a atitude em relação ao poder político. As redes sociais provaram ser uma plataforma de participação política directa, e os nossos políticos foram satirizados e descredibilizados quanto à sua representatividade. Atingiu-se o ponto de saturação.
O pior: a utopia das soluções. O saudosismo da revolução dos cravos esteve omnipresente. Em Lisboa, estivemos em certos momentos até perto da recriação histórica: num carro alegórico, os Homens da Luta vestidos a rigor (70′s) cantam Grândola Vila Morena e o povo responde com os cânticos que aprendeu de Abril. A maioria dos cartazes tinha em si a aura de perda de privilégios, como se desde Abril até agora houvesse um caminho traçado, o do progresso social, do qual nos afastámos devido à ganância de quem foi subindo ao poder (e não porque o Estado Social que Abril prometeu foi precisamente a causa do estado em que estamos). Propôs-se o regresso a uma utopia, a uma revolução no sentido literal do termo. A representatividade vai nua, querem voltar a vestí-la com as promessas de Abril.
Da reportagem fotográfica fica apenas o melhor:
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Leitura complementar: Sobre a canção dos Deolinda poder ser transformada num Hino; Uma folha A4.
Top posts da semana
Aqui fica o ranking dos posts d’O Insurgente mais votados dos últimos 7 dias. A lista foi obtida multiplicando o número total de votos de cada post pela respectiva classificação média:
1 – Vergonha
2 – O que aconteceria se as notícias do resto do Mundo fossem reportadas da mesma forma que as notícias dos países árabes
3 – Perguntas e Respostas
4 – Censos
5 – Em qualquer dia da semana







