A musiquinha dos Deolinda (eu gosto) trouxe à ribalta o óbvio. Os jovens têm dificuldades em entrar no mercado de trabalho e que não é por estudarem mais que a situação muda.
De imediato muitos lembraram que esta geração estava mal habituada e que quem sofre a sério são os desgraçados que têm aos 50 anos se vêm desempregados.
Este não é um problema de gerações. O problema é de sistema, de um sistema que protege quem está dentro em prejuízo de quem está fora. Quem está empregado, quem tem a carteira profissional, a empresa estabelecida e por aí adiante versus os desempregados, os formados fora da ordem e os potenciais empreendedores entalados.
A proteção industrial da segunda república foi potenciada pelo colectivismo da terceira república. Quem está mal é quem está fora ou é atirado para fora do sistema. Quer tenha 20 ou 50 anos está tramado. E estará tramado enquanto não forem eliminadas as barreiras à entrada e à saída que são o garante do sistema proteccionista dos instalados em que vivemos. No emprego são as barreiras à flexibilidade contratual e a proteção da incompetência que jogam contra os jovens e menos jovens que não estão no sistema. Na inovação e empreendedorism serão outras as barreiras concretas mas o princípio é mesmo.
Fazermos disto uma guerra de gerações não é produtivo nem correcto, e é confundir algo relacionado com causa da mesma. Ser jovem está muito correlacionado com estar fora do sistema, mas a causa é estar fora do sistema, estar desempregado,não é ser jovem, o que tambem acontece a menos jovens.
Quando colectivistas defendem mais colectivismo, mais protecção dos que estão no sistema, temos que chamar a atenção aos outros que estão a tentar salvá-los de um incêndio atirando-lhes com baldes de gasolina. Temos de lembrar que é necessário que todos, tanto os que estão dentro como os que estão empregados deviam ter direitos iguais. Que deviam ser eliminadas as barreiras à entrada e à saída do sistema. Que a única forma de isto acontecer é com liberdade contratual.