Um vinho e um aperitivo no Al Vino Al Vino da Via dei Serpenti — curgetes marinadas, por exemplo, ou um simples prato de queijos —; alcachofras fritas no La Carbonara, um restaurante recatado, mas extraordinário, sito na Via Panisperna, bairro Rione Monti; e a pasta fresca também do La Carbonara!, que pasta meus senhores!, que pasta; um ossobuco no Pietro Al Pantheon, lugar seguro rodeado de armadilhas para turistas; e, finalmente, uma saltimbocca perfeita no Da Nino, Via Merunala, 74, longe dos trilhos turísticos, mas suficientemente perto do Coliseu para merecer um desvio. Cada um desenha as suas rotas pelas grandes cidades como pode, evitando as emboscadas que lhe minam o caminho, usando todos os recursos assimilados noutras aventuras. No final, se as regras mais elementares forem respeitadas e se os padrões forem ajustados ao contexto, o balanço é quase sempre positivo.
Janeiro 24, 2011
Que grande surpresa!
O PPM começa a responder à dúvida que eu e certamente muito outros temos. E se se verificar que foi o governo que patrocinou as informações – como Cavaco Silva evidentemente desconfia – serão muito interessantes de acompanhar as cenas dos próximos capítulos. Porque Cavaco, agora e para pesadelo de Sócrates, só tem de fazer contas perante si próprio. Até perante a História Cavaco deve ter a mesma posição de Churchill: será benigna porque a escreverá ele. (Mais uns livros da autobiografia política nos esperam.)
Quantos votos perderam Cavaco e Alegre ?
Relativamente às eleições de 2006, Cavaco teve menos 536 mil votos. Alegre perdeu 295 mil votos.
Um bom começo
Uma perspectiva histórica das eleições presidenciais (Brancos + Nulos):
- 1976: 63.495
- 1980: 60.090
- 1986 (1ª volta): 64.043
- 1986 (2ª volta): 54.280
- 1991: 180.914
- 1996: 132. 791
- 2001: 127.901
- 2006: 102.785
- 2011: 277.702
Enquanto que na abstenção se pode usar várias – e válidas – justificações para não se ter ido votar (frio, desinteresse, problemas com o cartão do cidadão, etc), os votos em branco e nulos mostram o real descontentamento de muitos eleitores pois estes tiveram o trabalho de se dirigir às urnas para dizer que nenhum dos candidatos mereceu o seu voto. Como o jtcb já referiu: “estamos conversados quanto à dimensão e ao crescendo do protesto”.
E tendo em conta o geral desinteresse do eleitorado nas políticas defendidas pelos diferentes candidatos, estou tentado a também categorizar a votação em Fernando Nobre e Manuel Coelho como “votos de protesto”…
A sério
Assim se justificam os poderosos 19,75% e um mapinha nacional a dar para o Cavaquistão (distrito de Beja e Açores incluídos) . Vale a pena perceber as explicações dos assessores de Alegre.
Cavaco e a direita
Mais umas coisas. Por Maria João Marques.
Entre quem, à direita e ao centro e até ao centro-esquerda, não votou em Cavaco, há quem o tenha feito não por embirrância ou snobismo. Há quem o tenha feito por não suportar que Cavaco não tenha dado um pontapé constitucional neste PS. Se todos os votos de protesto contra Sócrates tivessem beneficiado Cavaco, este teria ganho por muito mais.
Cavaco não precisou de nascer uma segunda vez para derrotar os opositores
Por boas ou más razões, a verdade é que o (re)levantamento do caso BPN (tal como alguns ataques tardios disparatados a Cavaco com origem governamental) acabou por dar uma preciosa ajuda à mobilização de uma parte do eleitorado potencial de Cavaco Silva. Tivesse a estratégia sido outra e era bem possível que estivéssemos agora a discutir a 2ª volta das presidenciais: Cavaco: “A vitória da verdade sobre a calúnia”
Para Cavaco, “o povo português não se deixou enganar”: “A honra venceu a infâmia.”
Já a terminar, garantiu que será “um referencial de confiança, sem abdicar dos poderes que a Constituição” lhe garante. Assegurou que terá “uma magistratura activa” e de “influência” e prometeu ser “o Presidente do povo, que nunca vendeu ilusões aos portugueses”.
Após a declaração, Cavaco não permitiu perguntas aos jornalistas.
Leitura complementar: Quanto mais suja a campanha, mais votos terá Cavaco; O caso que poderia ser mas não é; O casamento civil entre Cavaco e Sócrates.
Janeiro 23, 2011
Cavaco e o resto
Uma vitória clara. Por Miguel Noronha.
Cavaco Silva venceu de forma clara o maior grupo de ineptos que alguma vez se candidatou contra um presidente eleito. Foram tantos os tiros no pé e as facadas nas costas nas cadidaturas adversárias era difícil não ganhar à primeira.
Tenho uma lágrima no canto do olho
Foi bonito ver Cavaco a usar a receita socrática, ou Isaltina, ou Valentina, recorrer aos votos para legitimar a sua impoluta honestidade. Estou comovido. Tenho uma lágrima no canto do olho.
O vencedor, além de Cavaco: Pedro Passos Coelho
Um dos vencedores da noite foi, sem dúvida, Pedro Passos Coelho. Não apenas por ter apoiado o candidato vencedor, mas sobretudo por o ter feito na medida certa e – e ao contrário de tantos outros dossiers que conduziu – nos tempos certos e com sensatez e ponderação. Desde os tempos da candidatura das directas, quando havia quem esperasse (e desejasse) que PPC emulasse o fogo-fátuo Menezes, que anos antes havia manifestado o desagrado com Cavaco Silva, declarou o seu apoio a uma eventual recandidatura. Depois disso, apesar do incómodo de inúmeros dos mais vocais apoiantes passistas, ficou serenamente a aguardar a esperada recandidatura e, quando esta chegou, apoiou-a sem equívocos. E, para não ficar excessivamente na sombra de Cavaco e não aparentar querer associar-se a uma vitória de Cavaco Silva, compareceu com parcimónia na campanha, ainda que as estruturas do PSD e da JSD se tenham empenhado nesta candidatura, discreta mas eficazmente. Fê-lo ao arrepio de simpatias pessoais, o que só aumenta o mérito das acções, que o país não está para aguentar enfados pessoais. Muito bem - e eu que tanto tenho criticado PPC não posso deixar de o reconhecer.
Pesadelo
Primeiro pensei que com sorte o Prof. Cavaco dissolve a AR. Depois imaginei as condições impostas a Passos Coelho para o fazer.
Next!
Começará amanhã a procura de um candidato para daqui a 5 anos substituir Cavaco Silva na presidência.
Que não seja um socialista envergonhado.
Cavaco atira a toalha ao chão
Cavaco desafia a comunicação social a revelar quem orquestrou a campanha que o associou ao BPN e à SLN antes das eleições. O DN, estou certa, e dada a apetência que tem por revelar fontes alheias, certamente acederá. Já na sexta-feira, na SICN, Ricardo Costa afirmava que o caso da vivenda de Cavaco havia chegado a todas as redacções ao mesmo tempo e com os documentos todos prontinhos.
Seria, de facto, interessante sabermos quem entregou estas informações à comunicação social. Até para percebermos se estiveram fundos públicos envolvidos na preparação desta documentação.
Caro Professor
Agora vamos lá esquecer os eleitoralismos esquerdistas de sugerir aumentar os impostos em vez de diminuir os salários da função pública, ou de pretender que os privados (que pagam há alguns anos com salários congelados, redução nos prémios e nos benefícios, desemprego,…) devem ser ainda mais sacrificados agora que os funcionários públicos também foram penalizados. Tiradas destas são indignas da pessoa sensata que alertou para o crescimento d’O Monstro’, que previu que nos colocaríamos numa ‘situação explosiva’, que entende perfeitamente como o despesismo estatal sufoca os agentes económicos e que, além disto, se comprometeu a falar verdade aos portugueses.
WtF…
Primeira reacção aqui da plateia à minha beira depois do discurso de vitória do sr presidente:
um enorme bocejo…
e eu pergunto: mas quem é que escreve aqueles discursos?…
Lições para a direita para combater a reeleição de um presidente de esquerda
É inventar candidaturas presidenciais como se não houvesse amanhã. Como se viu nesta campanha, não interessa que sejam estapafúrdias, com candidatos de uma inépcia jamais vislumbrada em eleições em Portugal (sim, o Francisco Lopes, dado o resultado, também se incluiu no grupo) que sejam um vazio de ideias e que se deleitem em exclusivo em enlamear o favorito.
Brancos e Nulos duplicam o resultado!
Gostava aqui de salientar um ponto que me parece muitíssimo relevante na análise destas eleições: o da expressão dos votos Brancos e Nulos.
Em 2001, aquando de uma outra re-eleição, o número de votantes foi sensivelmente o mesmo: 4,44 milhões em 2001, 4,48 hoje.
Mais, na altura, o PR re-eleito obteve 2,4 milhões de votos. Agora, ficou-se pelos 2,2 milhões.
Até aqui, nada de muito diferente. O que é diferente é a expressão dos Brancos e Nulos.
Em 2001, tivemos 82 mil votos brancos e 45 mil nulos.
Hoje foram 191 mil Brancos e 86 mil Nulos.
Os outros dados mantêm-se estáveis. Estes duplicaram!
Estamos conversados quanto à dimensão e ao crescendo do protesto.
Sabedoria colectiva dos leitores dO Insurgente bate empresas de sondagens
A média das previsões dos 30 participantes no Grandioso Passatempo Insurgente esteve mais próxima do resultado final de todos os candidatos do que, não só todas as sondagens dos dias anteriores às eleições, mas também mais próxima do resultado final do que todas as sondagens à boca das urnas. Muitos parabéns a todos os que participaram por demonstrarem como a sabedoria política colectiva dos leitores dO Insurgente se sobrepõe aos métodos das empresas de sondagens.
Resultados até ao momento vs média das previsões dos leitores dO Insurgente:
Cavaco Silva 53.2 vs 53.4
Manuel Alegre 19.7 vs 18.7
Fernando Nobre 14.0 vs 14.6
Francisco Lopes 7.1 vs 7.4
José Manuel Coelho 4.5 vs 4.6
Defensor Moura 1.6 vs 1.3
Mais uma vez, os parabéns a todos os leitores, em especial ao vencedor do passatempo: o leitor Ricardo Oliveira Dias!
O fim do cavaquismo
Cavaco venceu e o PSD tem todo o interesse em seguir em frente se quiser vencer as legislativas. Foi neste sentido que a direcção do PSD fez bem por não se ter envolvido em demasia nestas eleições. De ora em diante, é indispensável que Passos Coelho se consciencialize que deve chegar a São Bento vencendo eleições, não aceitando qualquer outra via. Será também essencial que o PSD apresente, nos próximos tempos, um projecto de governo reformista que acredite na propriedade privada como motor económico e não temendo a peso que Cavaco ainda possa ter naquele partido.
O fim do alegrismo
O que vai fazer Alegre com os seus votos? Para já, é interessante assistir à divisão feita por Sócrates, Louçã e Garcia Pereira(?).
Porquê Cavaco?
Cavaco podia ter perdido e a direita ganharia uma excelente oportunidade para varrer os socialistas que a povoam. O cenário era tentador, mas não bem sucedido porque os socialistas que estão no PSD e no CDS não deixam de o ser com uma derrota eleitoral.
O país precisa de inúmeras reformas. Na legislação laboral, no arrendamento, de uma redução do funcionalismo público, bem como de uma privatização do ensino. As dificuldades que tantas pessoas e famílias atravessam são demasiado graves para apostas sem retorno e não gostaria de me sentir co-responsável, por muito pouco que fosse, com uma eventual vitória do candidato do governo.
Desaparecimento dos socialistas
Se como diz Sócrates, todos os socialistas estiveram ao lado de Manuel Alegre, a avaliar pelos resultados obtidos pelo trovador de Águeda, ainda há esperança para este país.
Aprender com os outros
Manuel Alegre cometeu em 2011 o erro de Soares em 2006: a vaidade.
Mais um discurso vencedor
Fernando Nobre tem menos 240.000 votos em 2011 do que Mário Soares teve em 2006 (dados do site da RTP a esta hora). Ambos ficaram em 3º lugar.
Nobre
Depois da abstenção, da candidatura de Cavaco, o candidato independente depois de ter feito uma campanha eleitoral muito má, merece ser felicitado (tal como o fez com o presidente eleito) pelos resultados obtidos.
Brancos e Nulos (4)
Já “caçaram” o Coelho e agora vão atrás do candidato comunista.
PS: sim, sim, refiro-me ao Lopes…
Os do lado de fora do sistema
O voto de protesto é mais visível nos votos nulos e brancos do que no candidato Coelho.
A surpresa da noite: José Manuel Coelho (2)
Com 47 das 54 freguesias apuradas na Madeira, José Manuel Coelho vai com 37,8% dos votos.
Tripla vitória dos que ficaram em casa
Porque ganhámos. Somos a maioria.
Porque não vamos ter de não ir votar de novo em uma segunda volta.
Porque (parte de nós) não vai ter de ir ás urnas sujar as mãos.
PS: Louçã ao mesmo tempo que dizia uma série de coisas irrelevantes, mostrava com uma imagem de derrotado lacrimejante. Bom momento de televisão.
Frade Anacleto
Louçã dá abraço solidário e cheio de coragem a Alegre. Sussurrrra uma resposta de coragem (de novo!) e olha para o futuro do CDS e do PSD. O frade aposta em definitivo numa grande mudança.
Problemas de memória.
Lembro-me de se ter feito um referendo histórico neste país, com um resultado que não agradava nada aos iluminados progressistas militantes, e que logo toda a opinião publicada veio a terreiro dizer (formalmente com razão) que o resultado não era vinculativo, porque a abstenção tinha ficado acima dos 50%.
E agora?
Formalmente, temos um PR eleito à primeira volta.
Mas, pergunto eu: e politicamente?
Noite eleitoral
Diz-se por aí que esta foi a campanha mais desinteressante de sempre (parece que a campanha que reelegeu a nulidade política que é Jorge Sampaio, contra metade dos candidatos que se opuseram a Cavaco, foi deveras estimulante). Duvido, mas parece-me que não se pode questionar que os paineis de comentadores nas televisões, esta noite, é o mais banal de sempre. O da RTP, em versão minimalista, ainda é o mais apelativo.
A surpresa da noite: José Manuel Coelho
Com 90% das freguesias apuradas, José Manuel Coelho está nos 4,4% (mais de 130000 votos), cerca do triplo de Defensor Moura e não muito distante de Francisco Lopes.




