“Carlos Castro sabia que o Renato não era homossexual”
Ou seja, o Renato não era homossexual.
Ele era a tal componente heterossexual, e este caso não foi diferente de outros que o Carlos teve: sabia que o Renato tinha namorada mas ignorava isso. Achava que o facto de ter uma mulher era uma forma de atirar poeira para os olhos. Queria muito que ele fosse homossexual. O Carlos era uma pessoa complicada.
Acha que ele estava ciente da sua orientação sexual?
Ele sabia que o rapaz não era homossexual e que nunca tinha tido uma experiência do género. Tinha a certeza disso. Sem ser muito efeminado, em termos sexuais o Carlos era uma mulher. O rapaz, sendo heterossexual, jogou com ele. Era o homem, o elemento activo, e isso não afectaria a sua masculinidade. Eu sempre lhe disse que aquilo não tinha pernas para andar e que o melhor era aproveitar enquanto durasse. Mas isso não lhe chegava. “O rapaz passa a vida a dizer que me adora, acho que isto é para o resto da vida”, dizia-me ele. “Tens de o conhecer.” E fartava-se de receber mensagens dele.
(…)
Dá a sensação de que este romance tem uma componente psicológica muito forte.
O facto de o Carlos ser muito ciumento fazia com que se descontrolasse. Ele criava fantasias: quando percebia que a paixão não era correspondida, entrava em depressão, pensava em suicídio. Era uma pessoa de extremos. Houve uma violência psicológica muito forte de ambos.
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Pelo que diz, o Carlos parecia ser uma pessoa muito instável emocionalmente, alguém que se deixa à mercê dos amores, para o bem e para o mal.
Isso aconteceu neste romance com o Renato. Não adiantava pedir-lhe calma. Quando acabou a gala dos travestis, no passado dia 1 de Dezembro, no São Luís, o público chamou por ele, que decidiu fazer ali uma declaração: “Esta foi a gala mais feliz da minha vida, porque estou a passar um momento único. Encontrei finalmente a minha alma gémea, o meu companheiro para a vida inteira”. Eu só lhe disse: “Tu crias um mundo imaginário à tua volta e depois eu sei como é o fim disto tudo, entras em depressão, queres morrer e fazes a nossa vida um inferno”. Mas ele não ligou, dizia que desta vez não ia ser assim, porque o Renato o adorava. E eu virei-me para o Cláudio Montez e ambos encolhemos os ombros.
Nestas alturas, ele nunca lhe dava ouvidos?
Não porque ele adorava aquilo. Segundo o Cláudio Montez, que nos últimos tempos andava como ele de carro para todo o lado, o Carlos, de vez em quando, gritava: “Ai, uma mensagem. Uma mensagem do Renato!” E ficava maluco. O certo é que o rapaz foi alimentado a fantasia dele, bolas!
Leitura complementar: Renato Seabra inimputável ? ; As elites LGBT e o país real; Carlos Castro, a “comunidade gay” e a imprensa; Carlos Castro, Renato Seabra e a “tese da homossexualidade”.
[...] complementar: Guilherme Melo sobre Carlos Castro e Renato Seabra; Renato Seabra inimputável ? ; As elites LGBT e o país real; Carlos Castro, a “comunidade [...]
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