O Insurgente

Janeiro 10, 2011

Carlos Castro, a “comunidade gay” e a imprensa

Filed under: Cultura,Double standards,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:32

Este é, de facto, um forte candidato a título do ano: Carlos Castro. Assassínio do cronista não abalou mundo LGBT

Os comentários homofóbicos têm disparado nos sites dos jornais, em blogues e no Facebook. Miguel Vale de Almeida, antropólogo, ex-deputado independente do PS e activista LGBT afirma ao i que “um caso dramático como este tem demasiados elementos narrativos com alguns fantasmas que as pessoas têm sobre as relações homossexuais”, nomeadamente “a diferença de idades muito grande, a diferença muito grande de nível sócio-económico e o meio social de fama e glamour”. Ora, com este contexto, o assassinato de Carlos Castro “tornou-se lenha para a fogueira das fantasias, preconceitos do passado e estereótipos em relação aos gays”, sustenta Vale de Almeida.

Eduardo Pitta lembra que “a crise da meia-idade nos heteros é um valor em si mesmo”, mas nos homossexuais e nas mulheres “esse desvio está vedado”. Para Vale de Almeida, Carlos Castro, que não pertencia ao seu universo de “referências estéticas”, “teve um papel muito importante ao assumir-se gay, fez coisas muito importantes na luta contra a Sida e não tinha papas na língua a denunciar hipocrisias”.

Fabíola Cardoso, do Clube Safo (Associação de Defesa dos Direitos das Lésbicas) desvaloriza o caso e diz ao i “que o nosso país é fértil em conseguir que pequenos incidentes se transformem em grandes problemas”. A activista não teme que todo o trabalho desenvolvido pelas associações contra a discriminação dos homossexuais seja prejudicado por este “incidente trágico” e sublinha que “a aceitação homossexual é um percurso irreversível da modernização da sociedade”.

Num outro registo, esta primeira página do JN também não fica nada atrás:


(via Aventar)

No que diz respeito à afirmação de que “a aceitação homossexual é um percurso irreversível da modernização da sociedade” vale a pena reflectir um pouco sobre o(s) enquadramento(s) construídos em torno do crime: Renato Seabra terá confessado homicídio de Carlos Castro

De acordo com o “New York Post”, Seabra, de 20 anos, justificou a mutilação dizendo que queria livrar Carlos Castro, de 65 anos, de “demónios homossexuais”. Seabra terá, contudo, negado manter qualquer relacionamento com o cronista português, corroborando a tese que a sua mãe avançou antes de partir para Nova Iorque.

Ainda assim, terá afirmado à polícia na ala psiquiátrica do Bellevue Hospital, onde foi internado depois de ter feito cortes nos pulsos, numa aparente tentativa de suicídio: “Já não sou gay”.

20 Comentários »

  1. Primeiro, quero dizer que acho este crime hediondo! Segundo, que o Carlos Castro era uma personagem que me despertava antipatia, não por ser maricas, mas sim pelo que escrevia das pessoas (chamarem aquilo jornalismo é um bocadinho demais), que eram só intrigas e maldicências, que mesmo que fossem verdade, ninguém tem nada a haver com a vida dos outros. Terceiro, que é a isto que a nossa sociedade chegou, ao sonho de atingir a fama e a riqueza sem ser pelo trabalho, mas sim pelos conhecimentos e pelos favores (não será isto uma forma de corrupção?), onde o que interessa é os objectivos e não os meios para os atingir, patrocinado pelos Media e por esta gente perversa e nojenta que são o nosso Jet-Set e figuras públicas que nunca fizeram nada de útil para a sociedade e o mundo e aparecem na televisão, a mostrar uma falsa opulência e um mundo cor-de-rosa que não existe, enganando tantos jovens e pessoas com pouca cabeça. Tenho pena e nojo do estado que chegou a nossa sociedade!

    Comentário por António Ferreira — Janeiro 10, 2011 @ 17:22

  2. Concordo que a aceitação da homossexualidade constitui um avanço da sociedade moderna.Os homossexuais cada vez mais são aceites na sua dignidade plena sobretudo entre a juventude.Mas desde aí branquear a imagem de Carlos Castro só pelo facto de ser homossexual vai uma enorme distância.Trata-se de uma personagem que sempre me desagradou em termos estéticos e éticos.O jornalismo que fazia sempre o considerei repugnante e em concodância
    com a sua aparência física.Dizer que se tratou de uma história de amor que acabou mal é afirmar uma hipocrisia politicamente correcta.Para mim tratou-se de uma história de manipulação, chantagem e assedio de alguém sem escrupulos que explorou os sonhos de um jovem.Para mim ele não foi morto por ciume mas sim por um acesso de asco incontrolável. Como se costuma dizer, Renato passou-se e em poucos minutos deu cabo da sua própria vida.Se fosse mais velho e mais maduro ter-lhe-ia dado uma boa tareia e tudo tinha ficado por aí.

    Comentário por jose morais — Janeiro 10, 2011 @ 18:47

  3. Concordo plenamente! E relembro que este caso, tem todo ele, indicações de assédio, e chantagem sexual!
    De qualquer forma, a comunidade homossexual não tem a mínima razão para se sentir ofendida! Porque o que morreu não foi um gay! foi um homem velho de 65 anos de idade, que fazia a vida de mentiras e intrigas, sobre os outros, que julgou-se que poderia ser a versão homo, do dono da playboy!
    A única coisa lamentável, é que o C.C levou as coisas a um ponto, que o rapaz, retaliou, e matou-o!
    Já que tinha tara por jovens! Por que não se contentou com os serviços de prostituição?
    Quanto ao Jet-set! Por favor guardem as lágrimas de crocodilo para quem acredita! As pessoas sabem como vocês funcionam! Choram há frente das câmaras, mas por detrás, foi só abrir garrafas de champanhe para comemorar!

    Já agora! Donde é que o C.C ia buscar tanto dinheiro? 1 mês num hotel de luxo em NY! por favor!
    Na pouca verdade que ele disse! Houve uma que era bem real! O jetset em Portugal, são só figurantes que sabem bem vestir-se, mas não tem onde cair mortos! Mas esquece-se de dizer que ele próprio estava lá incluído!
    E agora eu pergunto! Donde é que ele sacava o dinheiro!? Se a profissão dele, de-se assim tanto, então tinha mos centenas de ricaços cá! O que obviamente não é verdade!
    Então? donde é que ele tirava aquele dinheiro todo?

    Comentário por Francisco — Janeiro 10, 2011 @ 18:49

  4. Com simpatia ou sem ela devo acrescentar que estes dois personagens são vitimas do seu próprio enredo mental. Um queria chegar mais rápido onde pensava ser o céu e, pelos vistos, vai encontrar o inferno. O outro desejava utilizar, quase em termos pedófilos, um corpo fresco como a alface para atingir seus êxtases sexuais.
    A sociedade que somos é responsável, de uma forma ou de outra, por alimentar este tipo de cenários.
    Uma sociedade que se alimenta de revistas “IN”, de novelas de enredo ficcional ou em directo tipo “casa não sei das quantas”, que se entretém numa masturbação continua sobre temas políticos, desportivos e catástrofes caseiras ou mundiais durante quase as 52 semanas que o ano tem, fazendo pequenos intervalos para festejar “natais” ou outras festas em que ser caridoso é uma
    moda não tem que ficar escandalizada com este tipo de cenários pois foi ela própria que os criou e até este caso é para ser consumido de forma infame até que outro apareça e que mande este para o esquecimento.
    O que temos é que mudar de “vida” como sociedade e como pessoas… se formos sérios.

    Comentário por Filipe Mafambisse — Janeiro 10, 2011 @ 22:09

  5. Enredo? Só quem desconhece o modo de funcionamento do mundo real, e da moda, principalmente poderia dizer uma babariedade dessas!
    Se dependesse só de esforço, qualquer um chegava ha fama! Mas neste mundo, para la chegar, tens de ser aceite, por quem controla esse meio! Isso na maior parte das vezes, inclui, ter de abrir as pernas, para alguém!
    Se assim não fosse, não tinhamos programas de treta apresentado por modelos, gajas giras, mas sem talento nenhum, aos fins de semana, ha hora de almoço, a dizer ais, e uis, olha que giro!
    Invés disso, teriamos programas, interessantes, com verdadeiro valor informativo!

    E TODOS gostariamos de ter

    Comentário por Francisco — Janeiro 10, 2011 @ 23:54

  6. Isso não é uma história de amor e sexo com final trágico. Ânus não é órgão sexual. Órgãos sexuais são pênis e vagina. É a história de um colunista social idoso, pervertido, tarado e sem limites para as suas orgias sexuais, usando sexualmente um garoto que se vendeu para tentar alcançar riqueza e fama.
    Lastimável, mas o homossexualismo parece já estar dominando o mundo. Isso significa a extinção da raça humana, pois ânus não é órgão sexual e não tem como reproduzir outro ser nas relações entre homossexuais. As leis civis já flexibiizam que eles adotem filhos, mas quando a raça humana for extinta quem vai produzir óvulos e gametas para gerar os filhos adotivos deles?

    Comentário por norma silva — Janeiro 11, 2011 @ 06:13

  7. Isto não tem nada que ver com lavar a Fobia com OMO. !!!!

    O paneleirote era intragável, um pouco menos histérico que Castelo Branco, mas dentro do mesmo nível de repugnância. Alem de passar a vida a falar mal de tudo e todos queria “ajudar” o jovem rapazola a subir na vida !

    Teve azar, apanhou com um ainda mais atrofiado das ideias pela frente, e olha foi uma desgraça….

    Agora mandem lá umas piadolas, e parem de falar nisso.

    Comentário por Antonio Cunha — Janeiro 11, 2011 @ 09:46

  8. O que é isso gays?
    É Paneleiros?
    Falem Português para que todos percebam.

    Comentário por L.O. — Janeiro 11, 2011 @ 18:50

  9. Pá queimem essa merda e deitem ao aterro. E nada de deitar cinzas nas ruas, deitar lixo no chão para além de ser porco pode ser crime.

    Comentário por ze — Janeiro 12, 2011 @ 12:12

  10. Neste país dão protagonismo a qualquer um que apareça algumas vezes numa revista ou na TV,e a mania de dizer maravilhas de uma pessoa só pq morreu,tb é tipico.O CC morreu como toda a gente um dia morre,sem poder escolher a forma como acontece,e sempre ouvi dizer cada um deita-se na cama que fez…Quanto ao Renato Seabra é o resultado da sociedade em que vivemos,”se não podes vencê-los,junta-te a eles”,e falando apenas do que tenho visto nos meios de comunicação social parecia-me um jovem comum,oriundo de uma família dita normal,com amigos,namorada, e que para cometer um acto desta brutalidade só pode ter sido provocado por uma situação extrema,e em que não estaria na sua perfeita lucidez…Pergunto-me quantos casos parecidos com este,mas sem este desfeixe trágico o CC teve durante estes anos todos,quantos jovens foram eludidos nesta “chantagem”,e que se calhar meteram o rabinho entre as pernas e voltaram á sua vida??Pois é,mas desta vez a coisa correu mal…O Karma é lixado!!Coitado é do puto,mas lá está cada um deita-se na cama que faz,o pior é que aos 20 anos ás vezes não temos descernimento se os “lençois são de seda ou de arame farpado”,só depois de nos deitarmos neles é que vimos como fica a pele!!!

    Comentário por jorge pereira — Janeiro 12, 2011 @ 16:35

  11. [...] Leitura complementar: Carlos Castro, a “comunidade gay” e a imprensa. [...]

    Pingback por Carlos Castro, Renato Seabra e a “tese da homossexualidade” « O Insurgente — Janeiro 12, 2011 @ 17:06

  12. [...] tratamento noticioso do homicídio de Carlos Castro continua em alta: Maya acrescenta que, em Novembro, Carlos Castro lhe terá perguntado pela compatibilidade [...]

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    Pingback por As elites LGBT e o país real « O Insurgente — Janeiro 14, 2011 @ 01:06

  14. Agora o rapaz era “produto da sociedade”. Essa fez lembrar os esquerdistas que tanto criticam.

    Desejos pedófilos? Por alguém com 21 anos? Haverá noção do ridículo?

    Vá lá, o trolling do norma silva deu para rir.

    Comentário por P — Janeiro 14, 2011 @ 08:08

  15. [...] complementar: As elites LGBT e o país real; Carlos Castro, a “comunidade gay” e a imprensa; Carlos Castro, Renato Seabra e a “tese da [...]

    Pingback por Renato Seabra inimputável ? « O Insurgente — Janeiro 14, 2011 @ 16:48

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    Pingback por Guilherme Melo sobre Carlos Castro e Renato Seabra « O Insurgente — Janeiro 15, 2011 @ 15:01

  18. Olhem lá, mas está tudo louco?
    O que aconteceu foi trágico seja qual for o ângulo pelo qual se olhe. Interessa alguma coisa para o caso se era gay o CC, se o R. também ou se não era?
    Foi um CRIME, senhores, e particularmente violento. Se começamos a arranjar desculpas +ara os crimes vamos por mau caminho…
    Isto seria à mesma odioso se fosse entre um casal heterossexual. E se vamos a culpas, CC não devia andar atrás de jovemzinhos mas R também não devia fingir o que não era para obter dinheiro e fama a todo o custo.
    O que aconteceu só pode ter uma de três justificações e mais nenhuma:
    1- Renato é cruel, mau, psicopata. Nese caso deve ter a pena máxima. Mas não parece ser esse o caso, dados todos os antecedentes de serenidade e bom senso.
    2- Sempre foi doente e só agora a doença se revelou. Nesse caso de ve ser tratado e merece compaixão. Só os médicos podem responder a isso.
    3- Teve um momento temporário de loucura e nem percebeu bem o que fazia. Uma vez mais, só os médicos poderão dizê-lo e, nesse caso, deve cumprir apenas a pena relativa à responsabilidade que teve, ou não cumprir caso tenha estado mesmo louco. Nenhum de nós tem competência para o saber.
    Mas o que não é possível é estar a endeusar o CC só porque foi vítima nem a desculpar o R. só porque é jovem e bonito. Crimes destes não podem ser desculpáveis a não ser com a loucura. E há que ter respeito pelas famílias: a da vítima que está a sofrer e perdeu um ente querido de uma forma horrível e a de Renato que está angustiada, foi apanhada de surpresa com tal gesto e teme pelo futuro de Renato. Haja respeito, francamente…

    Comentário por Clara — Janeiro 16, 2011 @ 20:03

  19. [...] sobre Carlos Castro e Renato Seabra; Renato Seabra inimputável ? ; As elites LGBT e o país real; Carlos Castro, a “comunidade gay” e a imprensa; Carlos Castro, Renato Seabra e a “tese da [...]

    Pingback por Ilusões fatais « O Insurgente — Janeiro 17, 2011 @ 14:41

  20. Quem são vocês para julgarem um jovem sonhador, que embalado pela fama fácil das televisões, dos programas onde aparecem jovens, que depois caem nas armadilhas dos predadores. Se há alguem que conhecia bem Carlos Castro é esse homem exceptional, grande jornalista que se chama Guilherme de Melo. Este Senhor poderia em Nova York relatar casos semelhantes a este mas que felizmente não tiveram este desfecho trágico. Faço um apelo ao Grande Guilherme de Melo, para dentro da sua verdade dizer quantos casos de coação com jovens semelhantes a este ele conhece e ajude uma mãe que sofre por ver o seu filho um jovem desportista e bom estudante, que caiu na armadilha de acreditar que seria modelo de Armani, quando o seu corpo musculado não tem caracteristicas para issi e Fátima Lopes que o aceitou apenas por ele ter ficado em 3º lugar no concurso sabia muito bem e nos planos que Carlos Castro dizia ter para o Jovem ela nunca colaborou pois sabia que era uma miragem e um engano que o levou a viajar com tal pessoa, que não passava de um farsante. As carpideiras (poucas) como Lili Caneças que fazem a apologia do cronista que se limitava a dizer “qualquer dia eu conto” Paz à sua alma mas a sobrinha e o irmão estão cheios de razão. Faço um apelo a Guilherme de Melo pois não sei o seu contacto nem tenho o atrevimento para o incomodar, mas cumprimento-o com grande saudade dos tempos do DN

    Comentário por lidia sousa — Fevereiro 10, 2011 @ 16:42


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