O Insurgente

Dezembro 10, 2010

Uma questão de liberdade de educação

Filed under: Double standards,Economia,Educação,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:41

O ensino gratuito não existe. Por Helena Matos.

O que está em causa neste final de 2010, em que o Governo anuncia o fim dos contratos de associação com várias escolas privadas, é tão-só o seguinte: em Portugal existe escolaridade obrigatória ou obrigatoriedade de frequentar o ensino público?

Separação de poderes

Filed under: Justiça,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:33

O Tribunal Constitucional em Portugal é o que é: Sócrates pressiona posição do Tribunal Constitucional

Sakineh Ashtiani

Filed under: Internacional,Justiça,Media,Política — André Azevedo Alves @ 16:15

Infelizmente, parece que não se confirma a libertação de Sakineh Ashtiani: Ashtiani apenas saiu da prisão para confessar crime, diz televisão iraniana.

Da perversão da lei

Filed under: Diversos — Tiago Loureiro @ 16:03

O Luis Pedro Mateus está enganado. A lei não servem para limitar, castigar ou beneficiar. Apoiando-me na teoria de Bastiat, lembro que ela representa “a organização colectiva do direito individual de legítima defesa” servindo, em primeiro lugar, para proteger os direitos naturais de cada indivíduo – direito à vida, direito à liberdade e direito à propriedade.

Quando a lei força o seu alcance para lá destes limites que lhe dão uma forma razoável e legítima, entramos no campo da total perversão da mesma. E Bastiat resumiu bem o que a lei provocou quando foi pervertida:

“Limitou e destruiu direitos que, por missão, deveria respeitar. Colocou a força colectiva à disposição de inescrupulosos que desejavam, sem risco, explorar a pessoa, a liberdade e a propriedade alheia. Converteu a legítima defesa em crime para punir a legítima defesa.”

Foi o que acontece no exemplo dado pelo Luis Pedro Mateus. A força colectiva, baseando-se, tal como ele, na crença de que a lei deve andar ao sabor das considerações subjectivas de legisladores e burocratas, destruiu o direito de cada indivíduo a consumir determinadas substâncias que, ainda que lhe fossem prejudiciais, não causariam dano nos direitos alheios, os tais que a lei teria obrigação de defender.

10 razões que mostram a irracionalidade anti-wikileaks

Filed under: Diversos,Videos — elisabetejoaquim @ 15:11

DESCUBRA AS DIFERENÇAS COM RUI CARMO E BRUNO ALVES

Filed under: Brasil,Insurgentes nos media,Internacional,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 14:51

DESCUBRA AS DIFERENÇAS

O DEBATE POLÍTICO AVESSO AO POLITICAMENTE CORRECTO

(com um pé – e às vezes até dois – na blogosfera)

SEXTA-FEIRA, 10 de DEZEMBRO – 18H05

Domingo, 12 de Dezembro – 19H05 (REDIFUSÃO)

Esta semana, André Abrantes Amaral e Antonieta Lopes da Costa em debate com Rui Carmo e Bruno Alves .

Juntos, analisam alguns dos principais temas da actualidade:

- Apogeu socialista – Com as contas públicas num caos, o governo regional dos Açores vai compensar os funcionários públicos que vão sofrer um corte salarial. Com socialistas destes, quem é que precisa de inimigos?

- Cimeira Ibero-americana – Realizou-se mais uma cimeira Ibero-americana, a última com Lula da Silva, que já prometeu que o Brasil irá ajudar Portugal a sair da crise. Voltámos a ser o parceiro pobre?

- SNS pelo ISEG – Um estudo realizado pelo Instituto Superior de Economia e Gestão concluiu que o actual Sistema Nacional de Saúde está a degradar-se e é insustentável. O que fazer?

- Wikileaks – O fundador da Wikileaks foi preso depois da sua organização ter disponibilizado na internet uma série de segredos da diplomacia norte-americana. O que move Julian Assange?

“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.

PODCAST: http://descubraasdiferencas.podomatic.com

descubraasdiferencas@radioeuropa.fm

Mario Vargas Llosa y el arte del toreo

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 14:41

(…) Que, para quien goza con una extraordinaria faena, los toros representan una forma de alimento espiritual y emotivo tan intenso y enriquecedor como un concierto de Beethoven, una comedia de Shakespeare o un poema de Vallejo. Que, para saber que esto era cierto, no era indispensable asistir a una corrida. Bastaba con leer los poemas y los textos que los toros y los toreros habían inspirado a grandes poetas, como Lorca y Alberti, y ver los cuadros en que pintores como Goya o Picasso habían inmortalizado el arte del toreo, para advertir que para muchas, muchísimas personas, la fiesta de los toros es algo más complejo y sutil que un deporte, un espectáculo que tiene algo de danza y de pintura, de teatro y poesía, en el que la valentía, la destreza, la intuición, la gracia, la elegancia y la cercanía de la muerte se combinan para representar la condición humana.

(…)  Quienes quieren prohibir la tauromaquia, en muchos casos, y es ahora el de Cataluña, suelen hacerlo por razones que tienen que ver más con la ideología y la política que con el amor a los animales. Si amaran de veras al toro bravo, al toro de lidia, no pretenderían prohibir los toros, pues la prohibición de la fiesta significaría, pura y simplemente, su desaparición. El toro de lidia existe gracias a la fiesta y sin ella se extinguiría. El toro bravo está constitutivamente formado para embestir y matar y quienes se enfrentan a él en una plaza no sólo lo saben, muchas veces lo experimentan en carne propia.

(…) Pero todas estas razones valen poco, o no valen nada, ante quienes, de entrada, proclaman su rechazo y condena de una fiesta donde corre la sangre y está presente la muerte. Es su derecho, por supuesto. Y lo es, también, el de hacer todas las campañas habidas y por haber para convencer a la gente de que desista de asistir a las corridas de modo que éstas, por ausentismo, vayan languideciendo hasta desaparecer. Podría ocurrir. Yo creo que sería una gran pérdida para el arte, la tradición y la cultura en la que nací, pero, si ocurre de esta manera -la manera más democrática, la de la libre elección de los ciudadanos que votan en contra de la fiesta dejando de ir a las corridas- habría que aceptarlo.

Lo que no es tolerable es la prohibición (…)

Mario Vargas Lllosa

Perguntar não ofende

Filed under: Diversos,Política,Portugal — Tiago Loureiro @ 11:13

Sócrates critica governo açoriano, no DN.

“Lamento a decisão do governo dos Açores”. Esta frase do primeiro-ministro foi a resposta que deu, por duas vezes, à oposição quando interpelado sobre a posição do executivo açoriano de compensar os cortes de ordenados na função pública regional. “Não concordo com a decisão”, frisou José Sócrates no debate quinzenal no Parlamento.

E agora, será que Carlos César pensa que o primeiro-ministro está a “lançar uns portugueses contra os outros”, que a sua atitude é terrível já que ele “tem por obrigação unir os portugueses” e que Sócrates deveria estar mais preocupado em “telefonar para o presidente do governo (dos Açores) a perguntar se os temporais provocaram prejuízos humanos ou materiais”?

Onde menos se espera, há um neo-liberal

Filed under: Internacional,Teoria — ruicarmo @ 10:12

O bombardeamento da ilha sul-coreana que provocou quatro mortos, acabou por prestar um excelente serviço ao neo-liberalismo: no caso entre os EUA e a Coreia do Sul, ajudou a causa do comércio livre. As negociações decorriam há três anos e depois daquele acto de guerra, demoraram apenas 15 dias para se chegar a um acordo entre as partes. Viva a Coreia do Norte!

A ver se percebo

Filed under: Cultura,Double standards,Media — ruicarmo @ 09:52

Desde quando e a que propósito é que qualquer instituição ou pessoa que seja tem que expor as suas deliberações internas, as primeiras impressões, para toda a gente, na internet?
O que se ganha em diluir e misturar o que é público e o que é privado? O princípio de abrir mails e cartas de outras pessoas é bom? Os meios para revelarem algum do mal, tudo justificam? No que é que isso se liga à liberdade de expressão e no que  torna a sociedade?

Uma coisa é certa, a coisa pegou. Viva a concorrência.

Mais uma derrota

Para Israel.

Adenda: E por quatro a zero.

Adenda II: Até o Cato Institute se dá à derrota.

Dezembro 9, 2010

O fim pode não ser bonito

Filed under: Comentário,Internacional — Nuno Branco @ 22:18

O aumento das propinas do ensino superior no Reino Unido está a ter uma reacção nas ruas que faz com que aqueles meninos que gostavam de mostrar o rabo a Manuela Ferreira Leite pareçam uns copinhos de leite. Os vândalos que querem os professores a trabalhar de borla (ou alguém que trabalhe de borla para pagar os professores, não interessa quem desde que não sejam os próprios) manifestaram a sua violência nos edificios do Ministério das Finanças, no Supremo Tribunal e também o Principe Carlos que estava de passagem foi alvo de “miminhos” como se pode ver pelo estado do seu carro na foto em baixo.

Do artigo: Prince Charles travels with an armed protection officer and the car windows are reputed to be bulletproof and reinforced.

Considero-me um optimista e não tendo a certeza espero que ainda haja outra forma de acabar com o Estado Social. A alternativa é esta, esperar que ele acabe por si e cada clã do Estado a ver quem bate com mais força, quem é o mais bruto, o mais animalesco para conseguir para si o que não lhe pertence.

Por Francisco D’Anconia:

- Señor d’Anconia, what do you think is going to happen to the world?

- Just exactly what it deserves.

[...]

Until and unless you discover that money is the root of all good, you ask for your own destruction. When money ceases to be the tool by which men deal with one another, men become the tools of men. Blood, whips, and guns – or dollars [in gold]. Take your choice – there is no other – and your time is running out.

Sakineh Ashtiani libertada?

Filed under: Diversos — filipeabrantes @ 21:28

A confirmar-se, é uma triste notícia para os amigos de Israel, que aproveitam todos os pretextos possíveis para diabolizarem o regime iraniano. Ficam com menos uma causa por que lutar.

 

Leitura complementar: A direita cínica e imoral.

The prognosis for Portugal

Filed under: Blogosfera,Economia,Internacional,Política,Portugal,União Europeia — André Azevedo Alves @ 19:26

Aqui fica o link para um pequeno texto sobre a situação portuguesa que escrevi para o Institute of Economic Affairs: Euro crisis: the prognosis for Portugal is dire.

Desejo-lhe toda a sorte

Filed under: Economia,Internacional — Nuno Branco @ 16:46

Representative Ron Paul, Texas Republican and author of “End the Fed,” will take control of the House subcommittee that oversees the Federal Reserve.

A majority of Americans are dissatisfied with the nation’s independent central bank, saying the U.S. Federal Reserve should either be brought under tighter political control or abolished outright, a poll shows.

Nem tudo o que o Governo faz é mau

Filed under: Economia,Portugal — Nuno Branco @ 12:00

E para o ano, com o IVA a 23% há mais.

Seja feita a sua vontade

Filed under: Comentário,Internacional,Política — João Luís Pinto @ 11:05

We are also supporting the development of new tools that enable citizens to exercise their rights of free expression by circumventing politically motivated censorship. [...] The United States has been assisting in these efforts for some time, with a focus on implementing these programs as efficiently and effectively as possible. Both the American people and nations that censor the internet should understand that our government is committed to helping promote internet freedom.

We want to put these tools in the hands of people who will use them to advance democracy and human rights, to fight climate change and epidemics, to build global support for President Obama’s goal of a world without nuclear weapons, to encourage sustainable economic development that lifts the people at the bottom up.

Hilary Clinton (com negritos meus), via BoingBoing.

O que está para vir…

Filed under: Economia,Política,Portugal,União Europeia — André Azevedo Alves @ 00:30

Que se lixe. Por Jorge Costa.

Um furacão na nossa direcção…até rima mas não tem graça (acto 1). Por António Nogueira Leite.

Dezembro 8, 2010

Ácido

Filed under: Cartoons,Videos — Helder Ferreira @ 23:39

 

O site www.adultswim.co.uk é uma mina

“Gore effect” in Cancun

Filed under: Ambiente,Internacional,Media,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 21:00

“Gore effect” strikes Cancun Climate Conference 3 days in a row

From the “weather is not climate department” – New record low temperatures set in Cancun for three straight days, and more new low temperature records are possible this week.

The Big Bank Theory: Printing money

Filed under: Economia,Internacional,Política,Videos — André Azevedo Alves @ 20:00

Daily Show: The Big Bank Theory

A dívida europeia e a dívida alemã

Filed under: Economia,Media,Política,Teoria,União Europeia — André Azevedo Alves @ 19:34

Os novos “Eurobonds” emitidos pela UE com que sonham todos os estatistas fiscalmente irresponsáveis da Europa ainda não são mais do que uma possibilidade, mas já estão a conseguir efeitos práticos: German 2 Year Auction Fails By 20% Of Notional As Rush From Government Paper Intensifies.

Consequências do frio extremo na Polónia

Filed under: Ambiente,Internacional,Media,Política — André Azevedo Alves @ 19:04

Frio deixa 53 mortos na Polônia

Um total de 53 pessoas morreram por hipotermia na Polônia nos últimos oito dias devido à onda de frio que atinge o país, segundo informou nesta quarta-feira a Polícia polonesa.

Em novembro, 15 pessoas morreram em consequência das baixas temperaturas.

Realidade e propaganda

Filed under: Educação,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 18:25

José Manuel Fernandes sobre esta entrevista de José Sócrates: Alçapões da propaganda.

O erro capital de Julian Assange e dos controladores aéreos espanhóis

Filed under: Internacional,Media,Política — André Azevedo Alves @ 18:11

Não se percebe. Por Helena Matos.

Como é que Assange cometeu o erro capital de ter feito estas revelações quando na Casa Branca não está um republicano. Igual erro de palmatória cometeram os controladores aéreos espanhóis quando avançaram para a greve quando na Moncloa não estava o PP. Estas criaturas não lêem? Não ouvem? Não vêem?

Francesinha de Natal

Filed under: Diversos — Carlos Guimarães Pinto @ 10:54

Poucos meses depois de terminar o curso na Faculdade de Economia do Porto, alguns colegas decidiram juntar-se no Natal para aquilo que haveria de tornar-se um hábito: a Francesinha de Natal. Logo nesse primeiro ano, tivemos um problema organizativo: a maioria dos meus colegas de curso (incluindo eu) já não estavam no Porto, mas sim em Lisboa. Como comer francesinha em Lisboa é o mesmo que comer cozido à Portuguesa em Dublin, tivemos que marcar o Jantar bem próximo do dia de Natal, de forma a que todos estivessem no Porto por essa altura. Foi o ano do centralismo.
Dois anos depois deparámo-nos com uma situação ainda mais complicada. Por esta altura, já metade das pessoas convidadas nos dois anos anteriores estava a trabalhar fora do país, o que ainda complicou mais a organização do jantar. Na impossibilidade de marcar o jantar muito próximo do Natal, acabamos por nos dividir em dois grupos: o grupo do Porto e o grupo de Londres, que juntou os expatriados um pouco por toda a Europa (mais um digno representante do Médio Oriente). Foi o ano da fuga.
Este ano, quando o evento se realizará pela quinta vez, o número de pessoas no estrangeiro já supera largamente aqueles que se mantêm no país (e no Porto não serão mais de 2 ou 3). Mas esse não é o único problema organizativo. Após alguns anos no estrangeiro e chegada a fase da vida em que casamentos e filhos vão acontecendo em catadupa, para muitas dessas pessoas a vida, a casa e a recém-criada família já estão longe de Portugal. E é aí que irão passar o Natal. Este foi o ano em que tudo se tornou mais claro: Portugal está a perder uma geração.

Discurso de Mario Vargas Llosa

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 04:00

(…) Al Perú yo lo llevo en las entrañas porque en él nací, crecí, me formé, y viví aquellas experiencias de niñez y juventud que modelaron mi personalidad, fraguaron mi vocación, y porque allí amé, odié, gocé, sufrí y soñé. (…)

Un compatriota mío, José María Arguedas, llamó al Perú el país de “todas las sangres”. No creo que haya fórmula que lo defina mejor. Eso somos y eso llevamos dentro todos los peruanos, nos guste o no: una suma de tradiciones, razas, creencias y culturas procedentes de los cuatro puntos cardinales. A mí me enorgullece sentirme heredero de las culturas prehispánicas que fabricaron los tejidos y mantos de plumas de Nazca y Paracas y los ceramios mochicas o incas que se exhiben en los mejores museos del mundo, de los constructores de Machu Picchu, el Gran Chimú, Chan Chan, Kuelap, Sipán, las huacas de La Bruja y del Sol y de la Luna, y de los españoles que, con sus alforjas, espadas y caballos, trajeron al Perú a Grecia, Roma, la tradición judeo-cristiana, el Renacimiento, Cervantes, Quevedo y Góngora, y la lengua recia de Castilla que los Andes dulcificaron. Y de que con España llegara también el África con su reciedumbre, su música y su efervescente imaginación a enriquecer la heterogeneidad peruana. Si escarbamos un poco descubrimos que el Perú, como el Aleph de Borges, es en pequeño formato el mundo entero. ¡Qué extraordinario privilegio el de un país que no tiene una identidad porque las tiene todas! (…)

(…) Quiero a España tanto como al Perú y mi deuda con ella es tan grande como el agradecimiento que le tengo. Si no hubiera sido por España jamás hubiera llegado a esta tribuna, ni a ser un escritor conocido, y tal vez, como tantos colegas desafortunados, andaría en el limbo de los escribidores sin suerte, sin editores, ni premios, ni lectores, cuyo talento acaso –triste consuelo– descubriría algún día la posteridad. (…)

Li o discurso completo de Mario Vargas Llosa e confesso que não encontrei qualquer sinal de auto-depreciação, nem pessoal, nem da cultura que lhe torneou a escrita e a personalidade. Nas suas obras (naquelas que conheço) também nunca reparei em passagens significativas que acusassem essa hipotética característica dos povos católicos. Não é objectivo desta nota pôr em causa a conjectura geral, mas apenas contestar a personalização de uma identidade cultural e referir que encontrar traços de auto-depreciação na vida e nos livros do homem que uma vez assentou uma valente galheta no queixo de Gabriel García Márquez é uma empresa que, para ser levada a bom porto, requer alguma imaginação. Tomar um assomo de humildade, proferido num momento único da vida de um escritor, por uma declaração de intenções, pode mesmo encaixar noutra afirmação atribuída ao escritor peruano no tal artigo: Nobel literature laureate Mario Vargas Llosa on Monday lashed out against today’s fast-paced information society, saying it limits peoples’ depth of thinking and is a major problem for culture. Em resumo, é arriscado entrar em grandes lucubrações a partir de notícias telegráficas. (Ou será isto apenas uma espécie de meta-auto-depreciação?). Quanto a Dom Quixote, tem muitas leituras, quase tantas como a sua idade, e a que o vê como uma sátira é apenas a mais antiga, e talvez a mais redutora. Para os efeitos pretendidos, o contemporâneo Francisco de Quevedo seria um argumento mais pacífico, mas tudo isto — Dom Quixote, auto-depreciação, sátira, loucura, lucidez, etc… —, na verdade, é um enredo mais complicado do que as palavras do nobel, e que até poderíamos levar por caminhos inesperados.

Os pescadores e moleiros estavam admirados, olhando aquelas duas figuras que pareciam tão diferentes dos outros homens, e não conseguiam compreender o fito das razões e perguntas que dom Quixote lhes fazia; e tomando-os por loucos deixaram-nos e recolheram-se às suas azenhas e os pescadores aos seus ranchos. Dom Quixote e Sancho voltaram a pé para junto dos seus quadrúpedes e foi este o fim da aventura do barco encantado.

Miguel de Cervantes, Dom Quixote (livro II)

Dezembro 7, 2010

Os piores

Navi Pillay, China, Rússia, Cazaquistão, Colômbia, Tunísia, Arábia Saudta, Paquistão, Sérvia, Iraque, Irão, Vietname, Afganistão, Venezuela, Filipinas, Egipto, Sudão, Ucrânia, Cuba e Marrocos.

Fotografia: El Mundo.

O melhor

Filed under: Cultura — ruicarmo @ 23:02

Mario Vargas Llosa.

Fotografia: Wikipedia.

Vamos lá saber

O que Cantona fez ao dinheiro que hoje levantou das contas bancárias.

Fófó

Filed under: Desporto — ruicarmo @ 21:38

Equipa  campeã europeia em número de pontapés de canto, perde em casa. Registo a solidariedade humanista da equipa francesa do Lyon que empata em casa com o Hapoel Telaviv.

Pensamentos aleatórios (ou nem por isso)

Filed under: Comentário,Economia,Internacional,Política — Nuno Branco @ 17:16

1) Estava a ouvir o debate no parlamento irlandês sobre o orçamento e havia dois lados da barricada bastante distintos. De um lado queria salvar-se os credores  para evitar o regresso da idade das trevas. Do outro queria salvar-se os devedores (uma sugestão avançada foi “apoiar”  quem comprou casa entre 2004 e 2008) para que houvesse “justiça social”.

Não houve ninguém que sugerisse responsabilizar as pessoas pelas suas acções, sejam elas credoras ou devedoras.

2) O mês passado um qualquer eurocrata anunciou reformas laborais para Portugal ao lado de um apático e silencioso Teixeira dos Santos. A Ministra do Trabalho veio um dia depois afirmar que a lei é flexível o suficiente e que simplesmente os “parceiros sociais” não a estão a aplicar em toda a sua extensão.

Hoje, José Sócrates admitiu rever a lei.

3) Um cidadão australiano foi acusado de traição pelos EUA, viu a sua conta congelada na Suíça e foi finalmente preso no Reino Unido por alegados crimes cometidos na Suécia.

A globalização não é isto.

Inquisições

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 14:24

Episódios da História europeia resumidos por uma personagem de ficção.

(…) Creo haber hablado antes a vuestras mercedes de la Inquisición. Lo cierto es que no fue aquí peor que en otros países de Europa; aunque holandeses, ingleses, franceses y luteranos, que eran entonces nuestros enemigos naturales, la incluyeran en esa infame Leyenda Negra con la que justificaron el saqueo del imperio español en la hora de su decadencia. Verdad es que el Santo Oficio, creado para velar por la ortodoxia de la fe, en España fue más rigoroso que en Italia y Portugal, por ejemplo, y aún peor en las Indias Occidentales. Pero Inquisición hubo también en otros sitios. Y además, con su pretexto o sin él, tudescos, franceses e ingleses chamuscaron más heterodoxos, brujas y pobres desgraciados que los quemados en España; donde, merced a la puntosa burocracia de la monarquía austríaca, todos y cada uno de los chicharrones que hubo, muchos pero no tanto, figuran debidamente registrados con procesos, nombres y apellidos. Cosa de la que no pueden presumir, por cierto, los gabachos del rey cristianísimo de Francia, los malditos herejes de más arriba o la Inglaterra siempre falsa, miserable y pirata; que cuando quemaban ellos lo hacían alegremente y a montón, sin orden ni concierto y según les venía en ganas o en intereses, condenado hatajo de hipócritas. Además, en aquel tiempo la justicia seglar era tan cruel como la eclesiástica, y las gentes también lo eran, por incultura y por afición natural del vulgo a ver descuartizar el prójimo. De cualquier modo, la verdad es que a menudo la Inquisición fue un arma de gobierno en poder de reyes como nuestro cuarto Felipe, que dejó en sus manos el control de cristianos nuevos y judaizantes, la persecución de brujos, bígamos y sodomitas, e incluso la potestad de censurar libros y combatir el contrabando de armas y caballos, y el de la moneda y su falsificación. Esto, con el argumento de que contrabandistas y monederos falsos perjudicaban grandemente los intereses de la monarquía; y quien era enemigo de ésta, defensora de la fe, lo era también de Dios, en corto y en derecho.

Y sin embargo, a pesar de las calumnias extranjeras, y a pesar de que no todos los procesos se resolvieron en la hoguera y hubo numerosos ejemplos de piedad y de justicia, la Inquisición, como todo poder excesivo en manos de los hombres, resultó nefasta. Y la decadencia que sufrimos los españoles en el siglo —polvos que trajeron y traerán todavía muchos lodos — puede explicarse, ante todo, por la supresión de la libertad, el aislamiento cultural, la desconfianza y el oscurantismo religiosos creados por el Santo Oficio. (…) Así, cuando el dedo implacable del Santo Oficio apuntaba a algún infeliz, éste se veía abandonado en el acto de valedores, amigos y parientes. Y de ese modo acusaba el hijo al padre, la mujer al marido, y el preso necesitaba delatar a cómplices, o inventarlos, para escapar a la tortura y a la muerte. (…)

Arturo Pérez-Reverte, Limpieza de Sangre

Esta notícia não é da wikileaks

Filed under: Agenda,Ambiente,Cultura,Educação,Internacional,Saúde,Teoria — ruicarmo @ 13:17

Mas revela que a Mossad investe bastante no conhecimento científico, na biologia.

‘Mossad may be behind Red Sea shark attacks’
Egyptian authorities leaving no stone unturned in bid to discover mysterious shark attacks which left German tourist dead. ‘Mossad plot not out of the question,’ says South Sinai governor

Bom senso em estado puro

Filed under: Ambiente,Internacional,Media,Política — ruicarmo @ 12:46

WikiLeaks: the correct response is not anger, but openness, por Daniel Hannan.

Não precisa de confirmação

Filed under: Ambiente,Double standards,Internacional,Justiça,Media,Religião — ruicarmo @ 11:46

Esta notícia não é, nem pode ser da Wikileaks.

E vai chamar-se Câmara Corporativa?

Filed under: Política,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 11:32

Um novo semanário ligado ao socialista Rui Pedro Soares e tendo como director Emídio Rangel, fundador da TSF e ex-director da SIC e da RTP, deverá avançar no primeiro trimestre do próximo ano.

Truques

Filed under: Blogosfera,Comentário,Política — André Abrantes Amaral @ 11:00

Li alguns textos e comentários na blogosfera sobre o aumento da salário mínimo e deparo-me com frases como esta: nota: espero q nunca tenha de viver com menos de 600 euros. Esta tendência para moralizar a nossa opinião em contraponto com a do outro que se torna imoral, é antiga e muito utilizada para ‘fortalecer’ posições ideológicas sem necessidade de temer o contraditório. Quem contradiz o óbvio que é ninguém se sentir bem com o sofrimento, a fome, os parcos salários e o desemprego? A discussão é imediatamente transferida para uma zona onde uma parte justifica as suas boas intenções mas não explica o seu ponto de vista. Torna-se lixo, porque inútil, e desnecessária porque sem resultados que não seja uma ideia que se mantém sem ser testada.

Dezembro 6, 2010

FUBAR

Filed under: Economia — Nuno Branco @ 21:25

Tinha colocado este gráfico hoje no meu blog pessoal sobre o movimento da prata nas últimas semanas.

Prata / USD - 1 ano

Escrevi eu que não conseguia compreender muito bem o que significava este movimento. Poderia ser uma bolha especulativa a entrar em parabólica e a culminar brevemente num blow-off top à semelhança do petróleo em 2008 ou poderia ser a morte silenciosa (ou nem por isso) do nosso sistema monetário a aproximar-se do fim – o que separa um gráfico de petróleo de um de ISK (a moeda Islandesa) é apenas o aftermath e na falta de Nostradamus a prata poderia estar a fazer tanto uma coisa como outra.

Foi apenas agora que fechou o mercado que me apercebi realmente o que era este movimento. É simplesmente o mecanismo de preços completamente FUBAR.

O Futuro é Hoje II

Filed under: Blogosfera,Economia,Política,Portugal,União Europeia — Miguel Botelho Moniz @ 17:37

João,

Acho que esperava um bocadinho melhor de ti. É que lendo a tua resposta fico com a dúvida que, das duas, uma: Ou estás a omitir parte da minha posição, o que havemos de convir é pouco rigoroso, mesmo que não deliberado, ou estás a descobrir intenções no meu subconsciente que me têm iludido como se tivessem uma vontade própria, o que não é muito provável. Além disso limitas-te a salientar as diferenças que nos separam, sem explicar porque razões o teu ponto de vista será presumivelmente mais válido que o meu. (Se calhar não achas que seja, daí a omissão.)

Como sabes, ou devias saber, tanto eu como vários dos meus colegas insurgentes alinhamos por uma explicação “austríaca” da crise. Assim sendo, a deflação não é o problema em si. É a consequência do problema original: Uma expansão de crédito insustentável, acompanhada de investimentos improdutivos e consumos excessivos potenciados por taxas de juro artificialmente baixas, que por via do seu colapso leva à redução de toda a massa monetária criada pelos bancos. A deflação é apenas a consequência da implosão da massa monetária. Por definição. A única forma de evitar esta deflação seria através de uma brutal injecção de fundos (dado o efeito multiplicador dos bancos). Mas esta injecção é inverosímil pois por mais cooperação que houvesse entre credores e devedores, não creio que quem já esteja a arder muitos milhões esteja na disponibilidade de dar mais a quem geriu tão miseravelmente os primeiros. Mesmo que estivessem, não seria mais do que adiar o problema, além de provavelmente levar à hiperinflação, o que creio até tu estarás de acordo. O próprio Keynes era veemente na sua oposição à inflação. Por isso não me parece que os argumentos que usou há 70 anos, numa altura em que o endividamento não tinha a dimensão agora vulgar, possam justificar no presente uma maciça injecção monetária que resultaria inevitavelmente na diluição da moeda que tanto censurava.

Por outro lado, não gosto desta conversa de “problemas nacionais”. Quem tem problemas são os vários agentes; em particular, o maior deles todos, o estado. O nosso problema só se torna “nacional” porque o estado é tão grande, pesado e irreformável perante a mentalidade indígena. E, ao contrário do que julgas, acho lindamente que os credores também vejam os seus “cabelos cortados”. Defaults e reestruturações de dívidas são processos normais e desejáveis, pois responsabilizam tanto os devedores perdulários como os credores irresponsáveis. Muitos dos problemas actuais advém justamente dos bailouts mal-pensados que, diga-se de passagem, o partido que representas aplaudiu e cujo líder se regojizou publicamente. O problema em Portugal é muito mais do que uma questão de equilíbrio entre credores e devedores. É também o desequilíbrio entre estado e economia produtiva. O primeiro encroaching na segunda. Se Portugal não cresceu nos últimos dez anos isso deve-se ao peso (tipicamente inútil ou ineficiente) do estado e à sua ingerência constante nos processos normais de concorrência e decisões de investimento. Há uma necessidade de austeridade, mas não a que foi aprovada. Precisávamos era de austeridade no estado, por via de redução da despesa; não de austeridade imposta aos cidadãos e empresas através de maiores impostos.

Por fim, acho curioso que refiras a possível conversão do problema de dívida num problema de equity. É que isso tem implicações que são complicadas: Cedência de activos ou perda de soberania. Quanto à primeira nada a opôr. As coisas são assim mesmo e o estado português tem muita coisa para vender para pagar a credores. Já isto da perda de soberania tem que se lhe diga. Irrita-me um bocado pensar que a irresponsabilidade de sucessivos governos leve a que o país se torne uma espécie de protectorado da União.

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