O Insurgente

Dezembro 13, 2010

Leitura recomendada

Filed under: Blogosfera,Economia,Media,Teoria — ruicarmo @ 01:01

Are Progressives Too Conservative to Accept Capitalism?

(…) Progressives are often as overwhelmed by the world economy as primitive man was by his natural environment.  Just as the primitive man was confused by and fearful of storms and earthquakes and drought and disease, progressives are befuddled by the rise and fall of industries, booms and recessions, wealth and poverty.  And just as primitive men invented gods and myths to help bring order and a sense of controllability to events they didn’t understand, progressives create governments in the hopes of imposing top-down order on a chaotic economy. (…)

  • Progressives who support the right to a person making unfettered choices in sexual partners don’t trust people to make their own choice on seat belt use.
  • Progressives who support the right of fifteen year old girls to make decisions about abortion without parental notification do not trust these same girls later in life to make their own investment choices with their Social Security funds.
  • Progressives who sympathize with  third worlders who deal with poverty by joining radical jihadist groups don’t trust these same third worlders who deal with poverty by choosing to work in the local Nike shoe plant. (…)

I am sure, if asked, most  progressives would profess to desire iPod’s and cures for cancer.  But they want these without the incentives that drive men to invent them, and the disruption to current markets and competitors and employees that their introduction entails.  They want to end poverty without wealth creation, they want jobs without employers, they want cars without unemployment for buggy whip makers.  When it comes to actual, real-world legislation, progressives will nearly always embrace predictability and egalitarianism over innovation and growth.

Wikileaks: um teste ao jornalismo cívico

Filed under: Diversos — elisabetejoaquim @ 00:54
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Até agora, o debate entre os prós e contras da wikileaks nas redes sociais e blogosfera resume-se aos prós e contras da bondade da transparência de organizações públicas.

Caricaturando, do lado dos contras há os que defendem que a política não deve ser o domínio dos cidadãos (logo que a wikileaks é ilegítima), e aqueles que não percebem sequer que a questão é política e perguntam porque é que a wikileaks não revela documentos sobre direitos humanos, etc (logo que a wikileaks não é moral). Do lado dos prós estão aqueles que defendem que a transparência é em si benéfica.

Enquanto o debate se centrar num debate teórico, a wikileaks será um projecto falhado. A transparência é por si só inútil se o conteúdo daquilo que é publicado não for moralmente interpretado pelos visados: os cidadãos.

As próprias instituições políticas (ou as pessoas que fazem directa ou indirectamente parte delas, ou almejam um dia vir a fazer), têm obviamente interesse em manter o debate num nível meramente teórico em que o conteúdo da wikileaks é posto para segundo plano (ilegal ou irrelevante). O lado do prós que se define apenas como oposição teórica aos defensores do status quo, ou apenas como defesa de Assange-herói, está na prática a ter efeito zero sobre o mesmo.

A atitude de no pasa nada só pode ser combatida com a moralização daquilo que a wikileaks traz à luz do dia, mostrando que de facto há algo de errado na maneira como os Estados gerem a vida de pessoas. Sem essa moralização, depois do choque a transparência servirá apenas para aumentar a aceitação do status quo. Ou alguém acredita, como se conta nos livros de História, que “o povo” nunca esteve consciente das atrocidades dos seus regimes?

Da liberdade de saber ou da cobiça do pensamento dos outros

Filed under: Media,Religião — Helder Ferreira @ 00:50

Wikileaks, a eterna cobiça do pensamento dos outros por Susana Toscano

Li há imensos anos um conto de que esqueci o autor e que, a propósito da tecnológica febre Wikileaks que agora nos devora, ressuscitou na vaga memória que guardei dele.
Contava a história de um homem que não suportava a incerteza sobre a sinceridade das palavras que os outros lhe dirigiam. Suspeitava de tanto entendimento, de tanta cortesia, duvidava que não houvesse muito mais maus pensamentos e maus instintos do que aqueles que eram confessados e vivia a suspirar por um mundo de franqueza e de transparência. Ele não se contentava com as aparências, queria saber se cada um dizia exactamente o que pensava, sem nenhuma espécie de ocultação, era disso, acreditava ele, que dependia a felicidade sem sombras. E vivia tão amargurado com as suas dúvidas que um dia um mago lhe deu o dom de ler os pensamentos alheios, com a condição de nunca deixar que os outros conhecessem essa sua capacidade, teria que apanhar os outros desprevenidos para lhes captar os segredos. (mais…)

Indignações e manif’s procuram-se

Filed under: Agenda,Ambiente,Comentário,Cultura,Internacional,Justiça — ruicarmo @ 00:42

Mas também elas são um recurso muito escasso.

Wikileaks, Julian Assange e realpolitik

Filed under: Internacional,Justiça,Media,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 00:27

realpolitik. Por Rui A.

De resto, e em abono da verdade, nada do que se soube até agora pode constituir uma novidade por aí além ou uma surpresa inesperada, assim como as reacções da Administração democrata norte-americana só podem surpreender os ingénuos. Quanto à questão de fundo, se a revelação destes «segredos» é legítima ou ilegítima, também aqui um pouco de realismo conservador não fará mal a ninguém. Por outras palavras: legítima até é, porque todos temos direito a saber o que fazem os governantes com o poder de que dispõem e que, em certos países, lhes é confiado; mas também ninguém se poderá espantar com a prisão de Assange e com o destino que certamente lhe estará a ser cuidadosamente preparado nas mais diversas Chancelarias.

Dezembro 12, 2010

Os 10 princípios do Socialismo Chavismo

Filed under: Diversos — elisabetejoaquim @ 23:37
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«Despite President Chavez’s professed allegiance to socialism, his political project lacks any consistent ideology», escreve a embaixada dos USA em Caracas no sumário sobre os 10 princípios do Chavismo.

A mim pareceu-me ver dissecado o habitual Estado Socialista (em fase de ingurgitação avançada). A diferença entre a ideologia de Chávez ou a nossa, por exemplo, não é de natureza, mas sim de grau. O Estado venezuelano já atrofiou completamente a economia interna de modo a inflar a máquina e alimentar os boys, já conseguiu criar um perfeito sistema legislativo de protecção do status quo, e já não se contenta em criar inimigos apenas imaginários. Chávez, ou o último passo da criação de um Líder que personifica o sistema, é apenas o pivot que permite que a máquina democrática continue a andar.

Justiça cega

Filed under: Cultura,Internacional,Justiça — ruicarmo @ 22:35

Terá transitado em julgado?

Ironias do destino

Filed under: Ambiente,Double standards,Economia — ruicarmo @ 22:01

A falta de tran$parência acontece mesmo nas melhores casas.

Wikileaks, Face Oculta e Casa Pia: descubra as diferenças

Filed under: Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 14:00

Só A Mim Cheira Muito A Hipocrisia… Por Paulo Guinote.

… quando certas e determinadas pessoas, muito éticas, que criticaram a divulgação de escutas e documentos (obtidos por ordem de juízes) sobre o processo Face Oculta (e Casa Pia), agora aparecem a aplaudir e alojar as revelações do Wikileaks que incluem documentação confidencial, de divulgação ilegal no país de origem e que também afloram aspectos privados de políticos estrangeiros?

Análise dos resultados de Portugal no PISA 2009 (3)

Filed under: Double standards,Educação,Internacional,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 12:00

Agora como não chumbam estão no 10º ano e fazem testes Pisa com muito melhores resultados. Por João José Cardoso.

Por coincidência a subida da média nacional nos testes Pisa resulta sobretudo da subida dos piores alunos. Ou do truque de terem sido substituídos por outros, correspondendo aos que em 2006 estavam no 10º ano, bastando para isso que os alunos dos CEF’s com 15 anos não tenham feito o teste.

Um caso em que uma escola básica pediu escusa porque o “grupo de estudantes a avaliar tinha uma taxa muito elevada de casos de insucesso,“ é conhecido.

Nesta remota hipótese, que não queria colocar mas já coloquei depois de esfregar os olhos na caixa de comentários do post onde esta tabela foi publicada pelo Paulo Guinote, toda a propaganda que o governo tem feito seria um enorme barrete, a enfiar por todos nós, e ainda pela OCDE a quem primeiro teria servido.

Dias contados e revelações bombásticas

Filed under: Media — ruicarmo @ 11:39

O senhor Lassange (!), Camarate, as restantes utopias e o abençoado pacifismo na crónica de Alberto Gonçalves, no DN.

Nas palavras do seu fundador, o WikiLeaks justifica-se pelo interesse público. Faltava esclarecer de que público fala o sr. Lassange. Esta semana, ficámos esclarecidos. Algumas das recentes revelações do site versam os pontos do globo estratégicos para a América, desde uma mina de cobalto no Congo até à maior petrolífera da Arábia Saudita, passando por laboratórios farmacêuticos europeus. O único público interessado nestas minudências são os sujeitos entre os 25 e os 40 anos, de classe média ou média-alta, com instrução superior, convicção muçulmana e destreza no manuseamento de explosivos. Obviamente, o público do WikiLeaks são os terroristas.

As revelações anteriores, sobretudo alusivas à pequena ou média intriga internacional, sempre fingiam alimentar a transparência exigida pelos cidadãos de uma democracia, ainda que na prática ameaçassem a função diplomática, a qual, como lembrou José Cutileiro, é a alternativa à guerra.

A menos que a cidadania também se exerça através do rebentamento sacrificial, as revelações presentes não fingem nada nem constituem alternativa nenhuma: trata-se de um manual de instruções para bombistas, que ameaça inocentes sem lhes trazer uma só vantagem perceptível. Isto não é liberdade de expressão ou sequer irresponsabilidade, mas um crime deliberado.

Certa imprensa teima em perguntar quem é e o que quer o sr. Lassange, questão que frequentemente precede um perfil hagiográfico e babado. Lirismos de lado, a primeira parte da pergunta fica agora respondida: o sr. Lassange é um instigador de atentados contra os EUA. A segunda parte está dependente das suas motivações. Não se sabe se ele age por dinheiro, ideologia ou, na melhor das hipóteses, pura demência. Sabe-se que, face às sucessivas proibições que o Wikileaks compreensivelmente sofre, o Bloco de Esquerda apressou–se a reproduzir o site.

Eis o essencial: o que o sr. Lassange quer é o mesmo que quer o Bloco. E não se imagina definição mais elucidativa e mais assustadora da criatura e do respectivo empenho na fuga seleccionada de informações, embora actualmente a criatura talvez preferisse fugir da cadeia.

Sócrates e a sua equipa

Filed under: Educação,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 10:00

Na educação como em outras áreas, a compreensão do notável sucesso de José Sócrates no que diz respeito a manter e consolidar o poder passa precisamente por perceber que a equipa que o rodeia é, em muitos aspectos relevantes, muito superior e melhor (ou menos mal) preparada do que a concorrência: Porque A Equipa De Combate Do Governo É Muito Mais Forte Do Que A Concorrência Em Matéria De Educação: Um Olhar. Por Paulo Guinote.

É de elementar justiça reconhecer que a equipa que prepara certas estratégias políticas deste Governo é muito superior à generalidade da concorrência. Podemos ter um PM fraquíssimo em muitas coisas, mas está por certo rodeado de quem sabe dar a volta a quase todas as situações. Em contrapartida, nas oposições parlamentares ou informais, pode existir muito boa gente, mas com uma entourage a roçar o amadorismo.

Direita e monarquia em Portugal

Filed under: Política,Portugal,Teoria — André Azevedo Alves @ 08:00

Entre o constitucionalismo e o nacional-radicalismo: uma interpretação da presença monárquica em Portugal no século XX. Por Luís Aguiar Santos.

A transição do século XIX para o século XX fez-se em Portugal pelo repúdio do liberalismo e, mais concretamente, da ordem constitucional em que aquele se fundira com a tradicional legitimidade monárquica. A ordem constitucional expressa na Carta de 1826 vinha sendo uma poliarquia permeável aos processos democráticos de governação e fiscalização, tendo sido instituída sem ruptura revolucionária – porque o acto da outorga régia garantira essa continuidade de jure, anulando a experiência revolucionária de 1820, tal como a restauração de 1842 anulara a sua reedição de 1836. A quebra da continuidade constitucional ocorreu só em 1910. Portugal entrou então num período que, inspirando-me em Leo Strauss, chamo de pós-constitucional. Ora, nos anos subsequentes a 1910 ocorreu o estranho fenómeno de a maioria esmagadora dos “monárquicos” se situar no campo adverso ao da continuidade constitucional, opção que marcaria durante todo o século XX a presença pública da chamada “ideia monárquica”. O conceito ainda presente na tentativa restauracionista de 1919 de reatar a linha de continuidade constitucional por meio da restauração da Carta foi explicitamente repudiado ou implicitamente ignorado pela generalidade dos que se afirmaram “monárquicos” – nomeadamente aqueles que, na órbita da Causa Monárquica, como tal actuaram politicamente durante o Estado Novo (1933-1974). Perceba-se que restaurar a Carta não significava só regressar a determinado figurino de direitos civis e políticos, mas que, em termos de direito público, era a recusa de introduzir uma descontinuidade (ou ruptura revolucionária) na sua história. No século XX, enquanto esta linha de demarcação os dividiu, os chamados “monárquicos” não foram, pois, um bloco, mas tiveram debaixo dos pés esta fractura, que é talvez a mais marcante e avassaladora da nossa história política.

O texto da comunicação do Luís Aguiar Santos no Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, no colóquio As Raízes Profundas Não Gelam? (Ideias e Percursos das Direitas Portuguesas), pode ser lido na íntegra aqui.

De outros tempos

Filed under: Comentário,Cultura,Double standards,Internacional — ruicarmo @ 01:37

Em que a realidade não era virtuosa e transparente, chegam preciosidades como esta. Faz lembrar o Archie Bunker mas sem sequer se aproximar da sua genialidade.

Dezembro 11, 2010

Análise dos resultados de Portugal no PISA 2009 (2)

Filed under: Double standards,Educação,Internacional,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:54

PISA 2009: Um Detalhe. Por Paulo Guinote.

De um ano para o outro, aumentaram bastante (10%), os que já estão no 10º ano. Podem dizer que é sinal do maior sucesso. Mas também se pode dizer que a selecção da amostra foi mais … sei lá… atenta.

Informações da Coreia do Norte

Filed under: Blogosfera,Cultura,Educação,Internacional — ruicarmo @ 23:00

O mundo visto pelo Querido Líder. Com uma dúvida do Bruno Alves que só me atrevo a responder com uma outra questão: Kim Jong-Il é fotosensível ou é o modelo do Pedro Abrunhosa?

A metodologia das sondagens e a conversa barata

Filed under: Media,Política,Portugal,Sondagens,Teoria — André Azevedo Alves @ 23:00

As virgens e as domesticadas. Por Pedro Magalhães.

É normal que, nos meses antes das eleições, haja uma dispersão considerável nos resultados das sondagens, que tenderá a diminuir com o tempo. Pode também suceder que, por razões metodológicas e sem qualquer intencionalidade política, os estudos de uma determinada empresa tendam a subestimar os resultados deste ou daquele partido enquanto que os de outra os sobrestimam. Em Portugal, esta demonstração está por fazer, apesar de muita conversa barata. Mas claro que pode suceder que esta ou aquela opção tenda a levar à subrepresentação ou sobrerepresentação de determinados grupos populacionais que, se tiverem comportamentos eleitorais diferentes dos outros, irão levar a que os resultados variem de empresa para empresa de forma sistemática. “House effects”: isto está mais que estudado até à exaustão noutros países. E há, finalmente, erro aleatório.

Vitórrria em grande

Filed under: Desporto — ruicarmo @ 22:07

Sporting (bem) afastado da festa do futebol que é a Taça de Portugal. Parabéns ao Vitórrrria de Setúbal. Resta-me esperar vê-los no Jamor a eguer a fruteira.

PSD continua à frente nas sondagens

Filed under: Política,Portugal,Sondagens — André Azevedo Alves @ 21:27

Dados interessantes, via Margens de Erro:

Aximage, 5-7 Dezembro
PSD: 41,0%
PS: 28,0%
CDS: 9,1%
CDU: 8,7%
BE: 7,6%
PSD + CDS-PP = 50,1%
PS + BE + CDU = 44,3%

Eurosondagem, 2-7 Dezembro
PSD: 36,2%
PS: 30,3%
CDS-PP: 9,6%
BE: 9,3%
CDU: 8,4%
PSD + CDS-PP = 45,8%
PS + BE + CDU = 48%

Demagogia sem limites

Filed under: Internacional,Media,Política — André Azevedo Alves @ 21:08

Apesar da abundância de petróleo, vive-se cada vez pior na Venezuela. Resta a mais descarada demagogia populista para desviar atenções do fracasso do socialismo chavista: Chávez vai mudar-se para tenda oferecida por Khadafi

“Podemos pôr umas camas no gabinete [presidencial]. Aquilo é grande… E eu mudo-me para a khaima [a tenda beduína] que Khadafi me deu. Monta-se nos jardins”, afirmou durante uma visita, na sexta-feira, a uma das zonas de Caracas mais assoladas pelas cheias e desabamentos de terras que causaram pelo menos 38 mortos e mais de 120 mil desalojados em todo o país.

Chávez instou os membros do seu Governo e até os comandantes das Forças armadas a seguirem-lhe o exemplo. “Se virem uma casa destruída têm que mudar aquelas pessoas para os vossos gabinetes, onde há ar condicionado e casa de banho. Umas duas famílias podem ser instaladas nesses gabinetes”, avaliou.

Debates a seguir com interesse

Filed under: Blogosfera — ruicarmo @ 21:08

O que acontece no Blasfémias, entre José Manuel Fernandes e Gabriel Silva.

Análise dos resultados de Portugal no PISA 2009

Filed under: Double standards,Educação,Internacional,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 20:59

O estudo da OCDE e o futuro das nossas melhores escolas. Por José Manuel Fernandes.

Um pouco mais de honestidade intelectual e um pouco menos de fanfarra propagandística permitiriam não só constatar que Portugal continua abaixo da média, como que as variações registadas no passado recomendam que, antes de darmos por adquirido o “grande salto em frente”, verifiquemos se os resultados de 2009 são sustentáveis no tempo. Mais: ao ler as conclusões da OCDE para os diferentes sistemas de ensino é terá de se reconhecer que, nalguns domínios, Portugal segue na direcção errada. O estuda indica, por exemplo, que “os sistemas que obtêm melhores resultados permitem às escolas escolherem os seus programas”, algo que em Portugal não é possível, a não ser e forma muito marginal, no sistema público. Mais: a OCDE indica que “é a combinação de autonomia e de uma responsabilização efectiva que parece produzir os melhores resultados”, o que contraria a norma portuguesa, onde a centralização napoleónica é dominante.

Há, mesmo assim, uma pequena parte do sistema educativo português onde há autonomia, responsabilização e adaptações locais dos programas nacionais: as escolas privadas, nomeadamente as que, em contrato de associação, integram a rede pública. Não são muitas, mas vale a pena ver o que se está a passar com elas. Comecemos por olhar para os resultados do PISA.

Sensivelmente um em cada sete alunos (14,5 por cento) que fez os testes da OCDE em Portugal estudava no ensino privado. As médias que obtiveram (517 a leitura, 514 a matemática e 517 a ciências) colocariam Portugal sempre nos dez primeiros lugares da tabela. A diferença para as médias obtidas pelos estudantes das escolas do Estado (respectivamente mais 32, mais 32 e mais 28 pontos) é até bem maior do que o milagroso salto verificado nos resultados nacionais do PISA.

Socialismo ou roubalheira?

Filed under: Diversos — filipeabrantes @ 18:34

The source elaborated on the depth of Guebuza’s
business interests, which range across the economy. He said
that Guebuza is in on almost all of the “mega-project”
multi-million dollar deals via contractual stipulations to         
work with the Mozambican private sector. One example is
Guebuza’s involvement in the 2007 purchase of Cahora Bassa
Hydroelectric Dam (HCB) from the Portuguese Government for
$950 million. $700 million of this was paid by a private
consortium of banks, which was arranged by a Guebuza proxy,
for which Guebuza received, while he was a sitting president,
an estimated commission of between $35 and $50 million. The
Portuguese bank which arranged the financing turned over its
shares in BCI Fomento, one of the largest Mozambican
commercial banks, to a Guebuza-controlled company.

Não deve surpreender ninguém que após décadas de desmontagem das falácias socialistas estas se repitam.

como cá, a conversa de político sobre a necessidade do estado na economia não passa de areia para os olhos, para eleitor ver. Na verdade, o estado assume um papel na economia porque é indispensável que a classe inútil e sanguessuga por excelência – a classe política – se sirva enquanto está no poder (há alguns que, sem se rirem, chegam mesmo a falar em “espírito de missão”). Desengane-se quem ainda pensar que os políticos têm ideais, uma ideologia (mesmo que errada) ou um mero sentido do bem público. Não têm. Estão no poder unicamente para se servirem e para perpetuarem a exploração dos cidadãos e usarem os bens ‘públicos’ para seu próprio interesse. Esta regra tem muito poucas excepções. Raros são os cidadãos que se sujam para ousarem lutar na arena política contra o poder com vistas a reduzi-lo, mais raros ainda aqueles que não se deixam corromper a meio da sua tarefa. É natural que isto suceda dada a natureza sanguessuga do estado.

Aquilo que distingue a actividade política da de uma máfia é somente a sofisticação manhosa que a primeira teve a inteligência de colar às suas práticas e métodos.

Houvesse mais Wikileaks por aí, e mais ainda se saberia do que o poder faz nas nossas costas.

A liberdade de saber

Filed under: Diversos — filipeabrantes @ 15:44

É irrelevante a motivação dos responsáveis da Wikileaks. Apenas importa saber se o que revelam é verdadeiro ou falso, e até agora nada foi desmentido.

O efeito das fugas é a sociedade ficar a saber os segredos do poder. Este, ao guerrear a sociedade com extorsão (impostos), leis e regras esmagadoras da actividade económica e da vida em geral da comunidade ou ainda a actividade policial que aplica cegamente os ataques do poder político, não pode esperar que a sociedade coopere (ou pelo menos, não toda a sociedade). É expectável que haja pelo menos uma parte desta que não aceite ser tratada como súbdita, meramente útil a pagar impostos e a respeitar tudo aquilo que os seus pretensos representantes aprovam. Neste sentido, é expectável que não haja respeito pelo que o estado considera confidencial. Além da divulgação de informação confidencial dever ser livre (ao abrigo da liberdade de expressão), é preciso dizer que essa divulgação é útil e indispensável mesmo. Por princípio (o poder tem de ser controlado e cerceado o mais possível), mas também porque não há nenhum motivo para que seja dado o benefício da dúvida a empregados ou detentores do poder, tal é o historial de tramóias ou puros actos mafiosos por parte destes (há mesmo quem argumente que são precisamente as pessoas mais imorais que se vocacionam para ocupar o poder, mas esta é outra conversa, até porque haverá sempre honrosas excepções, etc). Mais: numa sociedade de informação, livre, é utópico esperar que os cidadãos se auto-censurem, tenham bom senso e não divulguem informações sensíveis para a integridade do estado. Haverá sempre alguém a quebrar o bom senso. Querer acabar com esta divulgação é, na realidade, aprovar um ataque à oposição mais subversiva vinda da sociedade (subversiva no sentido de não ser institucionalizada, por partidos ou associativismo político). É perseguição política.

O alegado medo de uma transparência total como um perigo totalitário não tem sentido. A ideia de transparência tem sido mal vista, com alguma razão pois os abusos na busca de transparência têm sido todos por parte do estado em direcção aos cidadãos. É normal e legítimo que um cidadão não queira ser observado e escrutinado em todos os aspectos da sua vida. Essa transparência é que é negativa, pois ninguém dá o direito ao estado de invadir a liberdade de uma pessoa inocente. Já o estado, e seus membros, é à partida (e assume-no claramente) culpado, visto que detém o monopólio da força e da execução da justiça dentro da sociedade, e é normal e justo que seja escrutinado pela sociedade. Quanto mais transparência no estado, melhor.

Que a Wikileaks continue o seu trabalho, e que mais ‘Wikileaks’ apareçam.

Top posts da semana

Filed under: Blogosfera,Insurgentologia — André Azevedo Alves @ 15:42

Aqui fica o ranking dos posts d’O Insurgente mais votados dos últimos 7 dias. A lista foi obtida multiplicando o número total de votos de cada post pela respectiva classificação média:

1Francesinha de Natal
2O Futuro é Hoje II
3Sakineh Ashtiani libertada?
4O fim pode não ser bonito
5Tudo malta jovem da esquerda moderna

Cortar na gordura

Filed under: Diversos — filipeabrantes @ 15:17

Carlos César disse ontem que desviou dinheiro destinado a obras num campo de futebol para o subsídio extra aos funcionários açorianos que terão corte de salário, conseguindo com isso que este na prática se mantenha intacto.

Este tipo de práticas nada tem de inovador. Por todo o país, as câmaras e o governo em geral têm feito aquilo que se chama “cortar nas gorduras” (obras em estruturas públicas, iluminações de Natal, subsídios a festas ou a associações recreativas locais por exemplo). Pretensamente, com o ataque às ditas gorduras, mantêm-se a carne e o osso do estado. Mas sabendo-se que o grosso da despesa do estado vai para salários, o que fica saliente é que este tem cortado em tudo o que é prestação ao cidadão-pagador em prol de uma manutenção da situação dos seus funcionários. Isto evidencia a essência puramente parasitária do estado. Evidencia que os serviços prestados ao cidadão são um mero rebuçado, pondo este a pensar que o estado existe para o servir. Chegar-se-à a um ponto em que, por aperto orçamental, toda a gordura será cortada (mas com o pessoal da câmara instalado e, claro, a receber o dele).

No fundo, podemos pensar no efeito terapêutico disso. Talvez aí as pessoas acordem, vejam com clareza que são governados por meros parasitas e reajam.

Crime hediondo

They broke the law. They entered the country on tourist visas and worked as journalists.

Na íntegra

Filed under: Blogosfera — ruicarmo @ 01:21

Subscrevo (e público) o post do Carlos do Carmo Carapinha  sobre o fenómeno.

“Com o tempo e o uso, as palavras degradam-se”. Nelson Rodrigues dixit. Exemplo? A palavra “liberdade”. “Os regimes mais canalhas nascem e prosperam em nome da liberdade.” Eu acrescento: as mais finas e altruístas consciências tendem a degradar as palavras quando as tentam defender. Aquilo de que fala, e muito bem, o Nuno Miguel Guedes, permanece imperscrutável na cabeça de quem, à esquerda, gosta sempre de aparecer, por estas alturas, a exaltar a «Liberdade». Na ânsia de ganhar a corrida e levar a taça, não vêem ou percebem o óbvio: a melhor forma de prejudicar ou condicionar o que de mais nobre há na Liberdade, é escolher a via do “vale tudo menos, até tirar olhos”.

Cabe aos Estados zelar pelos seus segredos e resguardar, do domínio público, as informações de carácter confidencial que, directa ou indirectamente, interferem com segurança do respectivo país? Obviamente, sim. O jornalismo (partindo do princípio de que Assange pratica jornalismo e não se rege por uma agenda política…ah ah ah) deve prosseguir, indomável, o seu papel (essencial) de escrutínio das sociedades e do poder (incluindo o democrático)? É óbvio que sim. Daí a achar que a divulgação de documentos ‘top secret’ (‘top secret’, antigamente, era uma coisa respeitável, que não era para divulgar, e que só interessava aos inimigos) com informações de segurança vitais ou, no outro extremo, de conversas de lana-caprina ou de chinelo – as quais, dizem os mais impressionáveis ingénuos, põem a nu a hipocrisia da diplomacia e dos dirigentes mundiais (terão nascido ontem?) -, constitui um serviço inestimável à causa da liberdade de expressão, parece-me anedótico, senão fosse perigoso.

Em primeiro lugar, porque se banaliza o valor da Liberdade, levando-a para terrenos pouco dignificantes. Não há limites? O que nos impede, então, de reclamar a publicação das mensagens que o Dr. Louçã trocou, nos últimos anos, com outros líderes partidários ou com os seus mais directos assessores, para, em nome da liberdade de expressão, escrutinarmos os eventuais níveis de hipocrisia do seu discurso? Se um dia o Dr. Miguel Portas chegasse a Ministro da Defesa de Portugal, estaria na disposição de expor a céu aberto toda a correspondência que trocasse com os seus homólogos, ou a publicitar a localização dos edifícios e instalações de importância estratégica para a segurança do país, em nome da transparência e da liberdade de informação?

Em segundo lugar, são estas bravatas aparentemente heróicas e sob a capa da «liberdade de expressão» que despoletam, por parte dos Estados, legislação e comportamentos que, em defesa dos tais limites, vão paulatinamente coarctando a própria liberdade de expressão. Em nome de um pecador, pagam por vezes os justos.

Se o ataque que está a ser feito a Julian Assange é estúpido (torná-lo-ão num herói num abrir e fechar de olhos), não sejamos nós idiotas na defesa cega da Wikileaks. Até porque ser crítico ou céptico em relação à utilidade ou à importância do que tem sido publicado, não significa que estejamos a querer bater no mensageiro. Muito menos a liquidá-lo. O escrutínio é recíproco.

Dezembro 10, 2010

O assassino de flores

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 23:17

Keith Richards acusado… de matar una orquídea con el humo de su cigarro

Nos tempos que correm, Keith Richards arrisca-se a ficar em prisão preventiva.

Em defesa dos direitos naturais

Filed under: Agenda,Ambiente,Educação,Justiça — ruicarmo @ 22:58

Algumas pistas.

What if a trimmed tree could sue as an amputee or a shucked clam could claim wrongful eviction? (…)  How can I rest beneath a tree if it may soon be suing me? Or enjoy the playful porpoise while it’s seeking habeas corpus?

Um dia as árvores irão poder casar-se, adoptar, convocar manif’s pacíficas e as mais humanizadas iniciarem a inevitável exploração da árvore pela árvore. Entretanto, a antropologia deixou de ser mera ciência.

Nanny state em formato europeu

Filed under: Agenda,Ambiente,Cultura,Educação,Nanny State Watch — ruicarmo @ 22:02

O tabaco, esse mau hábito burguês, vai matar-nos a todos. Por essa razão, a Comissão Europeia está a trabalhar numa nova lei do tabaco. O direito ao ar puro da Comissão não tem fim e um dia seremos imortais.

Darfur

Longe da vista, longe dos media, longe da wikileaks, longe de tudo.

Leitura complementar: Nota de rodapé e Hábitos culturais que importa manter.

Refrescante

Filed under: Cartoons,Cultura,Educação,Nanny State Watch — ruicarmo @ 20:56

A abençoada teocracia explica o estado da arte e o que (não) serve para elevar a alma. Porreiro, pá.

Akbar Ganji

Filed under: Justiça,Política,Videos — André Azevedo Alves @ 20:00

Iranian Journalist Akbar Ganji Receives 2010 Milton Friedman Prize

Lisboa, 10-16 de Abril de 2011- IAPSS ACGA

Filed under: Agenda,Diversos — Bruno Alves @ 19:39

Nos dias 10 a 16 de Abril, terá lugar em Lisboa a Academic Conference and General Assembly of the International Association for Political Science Students (14ª edição). A organização deste evento está nas mãos dos meus amigos Pedro Costa e Michelle D’Souza, que me pediram (ou melhor, me obrigaram a fazer sob ameaça de severas represálias caso não o fizesse) para aqui divulgar a coisa a eventuais interessados. Aparentemente, todos os anos a International Association for Political Science Students realiza a sua Conferência Académica e Assembleia Geral, e graças aos esforços e ambições megalómanas do Pedro e da Michelle, a deste ano terá lugar em Lisboa, dedicada ao tema “World Leadership” (ou seja, suficientemente vago para que toda a gente possa falar do que muito bem quiser). Para além das actividades da conferência propriamente dita, esta gente arranjou passeios e festas para entreter os participantes. No site da conferência, os eventuais interessados poderão encontrar toda a informação acerca da dita, e os contactos dos organizadores para que possam ver esclarecidas quaisquer eventuais dúvidas, e claro, o formulário de inscrição. Se o caro leitor estiver interessado, peço-lhe que não hesite em inscrever-se (terá até dia 25 de Janeiro para o fazer, mas quanto mais cedo melhor), quanto mais não seja por solidariedade com estes meus dois pobres amigos: gente que passa horas a trabalhar na organização disto (e ainda mais horas a fingir que trabalham), e que para piorar as coisas, têm de me aturar no pouco tempo livre que têm. Nem que seja só por esta última razão, estas pessoas merecem que o seu esforço seja compensado por um número infindável de inscritos.

Solidariedade e espírito da época

Filed under: Blogosfera — ruicarmo @ 19:38

Vamos apoiar o Renato Teixeira e os amigos “obscurantistas.

Onde é que se vai buscar a senha?

Filed under: Diversos — elisabetejoaquim @ 17:15

A Sonae, que detém as marcas Modelo e Continente, impôs como limite a compra de três quilos de açúcar por cliente, avançou ao Diário Económico fonte oficial da empresa.

Já o grupo Dia – detentor dos supermercados Minipreço – foi mais austero, ao permitir apenas a compra de duas unidades de açucar por cada cliente.

Votação para melhor blog do ano – Combate de Blogs

Filed under: Blogosfera,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 17:09

O Insurgente é um dos nomeados na categoria de “Melhor Blog do Ano” na votação promovida pelo programa Combate de Blogs. No momento em que escrevo, o Corta-Fitas lidera a votação – o que acontece praticamente desde o início da mesma – com 325 votos e O Insurgente totaliza 226. Mesmo tendo sérias reservas em relação ao método de votação escolhido, agradeço em nome do Colectivo Insurgente a nomeação e sugiro a todos os leitores com inclinação para este tipo de exercício que votem pelo menos uma vez aqui.

Adenda: Desde a publicação do post (17:09) até agora (17:15) o Corta-Fitas passou de 325 para 346 votos. O Insurgente continua com 226.

Adenda (ii): (17:22) O Corta-Fitas já vai nos 361 votos. Neste curto intervalo de tempo, O Insurgente continua com 226 e o Blasfémias continua com 265.

Adenda (iii): (17:37) O Corta-Fitas abrandou o ritmo de aumento da votação estabilizando nos 365 votos. Neste curto intervalo de tempo, O Insurgente continua com 226 e o Blasfémias aumentou um voto para 266. Ainda faltam 21 dias para terminar a votação, mas a menos que haja entusiastas de outros blogues com igual grau de empenho, acho que é possível dar desde já os parabéns ao Corta-Fitas pela folgada vitória.

Rumo ao abismo

Filed under: Economia,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 17:00

Sócrates “lamenta” decisão de César sobre compensações salariais nos Açores

Já há tribunais sem telefones por falta de pagamento

A medida que faltava ao Estado Social

Ministério do Ambiente dá parecer “favorável condicionado” a plano director do novo aeroporto

Infelizmente, parece confirmar-se cada vez mais o cenário pessimista que tracei aqui:

Worse still, even though the country is on the verge of bankruptcy, plans to conduct major new public works projects have not been abandoned and seem to be constrained only by the current lack of financing capability.

Uma boa medida

Filed under: Economia,Justiça,Política,Portugal,Teoria — André Azevedo Alves @ 16:51

Uma boa medida que vai no sentido correcto – o da descentralização – num dos países mais centralizados do mundo e onde o centralismo é um pesadíssimo factor de atraso: Divisões de trânsito da PSP em Lisboa e Porto passam em “breve” para as polícias municipais

O presidente da câmara do Porto, Rui Rio, anunciou hoje que o protocolo que estabelece a transferência das divisões de trânsito do Porto e Lisboa da PSP para as polícias municipais está “numa fase adiantadíssima” e será assinado em breve.

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