O Insurgente

Dezembro 27, 2010

Terrorismo: fazer vista grossa e calar

“Las víctimas nunca renunciaremos a la única y mínima restitución que podemos recibir por el daño irreparable que el terrorismo ha causado a nuestras vidas: la justicia.”

No a la reinserción de terroristas, por Mikel Buesa.

Leituras complementares: Não são separatistas, são assassinos (I,II,III e IV).

Dezembro 26, 2010

O debate entre Defensor de Moura e Cavaco Silva

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:59

Armar barraca. Por Luciano Amaral.

Tão estúpido foi que não resultou: veja-se como o spin está fraquinho, se excluirmos uns profissionais (amadores?) de atiradores de lama que, vá-se lá saber porquê, se comprazem nisso, mesmo quando a lama já não acerta em ninguém.

Foi tudo tão mau, correu tudo tão mal que, ou muito me engano, ou vai funcionar ao contrário: mais pessoas decidiram-se ontem a votar Cavaco.

Deviam era ter contratado o Chico Lopes, que esteve muito bem.

Leitura complementar: Atacador de Moura.

Fw: Uma pergunta popperiana

Filed under: Diversos — António Costa Amaral (AA) @ 21:55

No seguimento de Uma pergunta popperiana, The Abiding Faith of the Warm-ongers:

Since at least 1998, however, no significant warming trend has been noticeable. Unfortunately, none of the 24 models used by the IPCC views that as possible. They are at odds with reality.

Karl Popper, the late, great philosopher of science, noted that for something to be called scientific, it must be, as he put it, “falsifiable.” That is, for something to be scientifically true, you must be able to test it to see if it’s false. That’s what scientific experimentation and observation do. That’s the essence of the scientific method.

Unfortunately, the prophets of climate doom violate this idea. No matter what happens, it always confirms their basic premise that the world is getting hotter. The weather turns cold and wet? It’s global warming, they say. Weather turns hot? Global warming. No change? Global warming. More hurricanes? Global warming. No hurricanes? You guessed it.

Nothing can disprove their thesis. Not even the extraordinarily frigid weather now creating havoc across most of the Northern Hemisphere. The Los Angeles Times, in a piece on the region’s strangely wet and cold weather, paraphrases Jet Propulsion Laboratory climatologist Bill Patzert as saying, “In general, as the globe warms, weather conditions tend to be more extreme and volatile.”

Ninguém trava o aquecimento global

Filed under: Ambiente,Double standards,Economia,Internacional,Media,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 21:00

Alltime Record Set, Highest Snow Depth Since 1893 – In Potsdam!

Estudo: Invernos estão mais frios porque faz mais calor

Letiura complementar: O mês de Dezembro mais frio desde que há registos no Reino Unido; Invernos mais quentinhos.

Liberdade religiosa

Filed under: Ambiente,Internacional,Religião — ruicarmo @ 20:46

Em 2010, é perigoso ser cristão.

Um passinho de cada vez

Filed under: Blogosfera,Cultura,Internacional,Política — ruicarmo @ 20:31

Hugo Chavez is building up his Dictatorship one step at a time.

“Change”

Filed under: Internacional,Media,Política — André Azevedo Alves @ 19:35

Obama vai voltar a falhar prazo para encerrar Guantánamo
Prisão de Guantánamo não será encerrada tão cedo, admite porta-voz da Casa Branca

Julian Assange interview with David Frost

Filed under: Internacional,Justiça,Media,Política,Videos — André Azevedo Alves @ 18:58

Frost over the World – Julian Assange

Top posts da semana

Filed under: Blogosfera,Insurgentologia — André Azevedo Alves @ 18:30

Aqui fica o ranking dos posts d’O Insurgente mais votados dos últimos 7 dias. A lista foi obtida multiplicando o número total de votos de cada post pela respectiva classificação média:

1Onde o salário mínimo não existe
2O mês de Dezembro mais frio desde que há registos no Reino Unido
3O Estado das Coisas
4Um país aprisionado pelo corporativismo
5500 milhões

Discursos e apoplexias humanitárias

Filed under: Double standards,Internacional,Médio Oriente,Media,Política — André Azevedo Alves @ 18:00

Judenrein. Por Jorge Costa.

Se um dirigente israelita sugerisse um centésimo do recíproco disto, caía-lhe o mundo inteiro em cima, em apoplexia humanitária. Como, por definição, os dirigentes palestinianos são inimputáveis (ou o que dizem, em geral, não é para levar a sério), ninguém, como de costume, ligará ao caso.

Adenda (comentário do CGP): Curiosamente a notícia só aparece em certos jornais israelitas. Ou isto diz muito sobre a veracidade da notícia ou sobre a imparcialidade dos jornais internacionais.

O ano contado

Filed under: Ambiente,Media,Portugal — ruicarmo @ 13:23

De Janeiro a Dezembro mais a eleição da figura do ano, por Alberto Gonçalves.

É Natal

Filed under: Portugal — Carlos M. Fernandes @ 13:06

De visita a Portugal, aproveito, entre o bacalhau e o borrego, para folhear jornais e revistas pelos quais não passava os olhos há meses. E descubro, não sem algum espanto, que aqui já não se escreve em português, mas numa língua lusoqualquercoisa com sotaque tropical. Podia ser pior, reconheço, podíamos estar a seguir a gramática e o vocabulário do Tiririca ou a obedecer às regras de um “português técnico”. Pode ser sempre pior, e essa é uma das leis mais trágicas da vida. Mas, mesmo sem bater no fundo (?), começa a ser difícil encontrar razões para voltar a Portugal. (E mais difícil ainda quando há uma criatura desprezível que nos entra em casa na noite de Natal.)

Questões em aberto para 2011

Filed under: Internacional,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 09:00

2011, a esquerda e a direita. Por Nuno Garoupa.

(5) Se o desastre dos socialistas na Catalunha e, em breve, em Espanha (agora nas sondagens mais de quinze pontos atrás da direita) devia fazer pensar o PS, os resultados históricos da direita na Catalunha (os dois partidos da direita catalã tiveram o melhor resultado eleitoral de sempre) também merecem reflexão. Ganharam sem projecto, sem dizer o que querem fazer de diferente dos socialistas, com a demagogia do reformismo sem custos, jogando apenas com a erosão da popularidade socialista. Como dizem alguns comentadores, tiveram muito juízo, mas agora falta-lhes um mandato claro de mudança que não foi nem explicado nem pedido ao eleitorado. É evidente que a direita está contente por ganhar porque, mesmo em crise, existem “jobs for the boys”. Também é verdade que quando a direita segue exactamente as políticas actuais do PS ganha-se em coerência ideológica. Mas isso sabe a muito pouco para um Portugal que estará estagnado até 2020!

(6) 2011: não é preciso fazer sondagens para saber que o PS está de saída e o PSD de regresso ao poder. O que não se percebe muito bem é que diferença isso faz para a maioria dos portugueses que não são “boys” nem “girls” do PSD e do PS. O líder do PSD fala muito de reformismo, como aliás falava Durão Barroso em 2002. Mas quando passamos da retórica aos actos, o que se tem visto é a mesma lógica de sempre, mais do mesmo. Nas comissões para avaliar as PPP e a execução orçamental. Na nomeação para o Tribunal Constitucional. Na lei do financiamento dos partidos políticos. Aguardemos pois pelo novo ano de 2011 para ver se muda alguma coisa!

Dezembro 25, 2010

2001: A Space Odyssey – Lost footage

Filed under: Cultura — André Azevedo Alves @ 20:00

Lost footage from 2001: A Space Odyssey found

While conducting research for a now-cancelled documentary on the making of 2001: A Space Odyssey, Warner Brothers found 17 minutes of “lost footage” from the film, perfectly preserved in a Kansas salt mine. According to reports, 2001 sfx supervisor Douglas Trumbull mentioned the footage in a Toronto presentation last week. Apparently, Stanley Kubrick cut out approximately this amount of the film shortly after it was premiered.

Dezembro 24, 2010

Votos

Filed under: Agenda,Ambiente,Religião,Videos — ruicarmo @ 16:32

Um santo Natal.

O triunfo de Francisco Lopes contra Cavaco Silva

Filed under: Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:23

A noite em que Francisco Lopes ganhou as presidenciais. Por Ana Sá Lopes.

Francisco Lopes obrigou à entrada na campanha daquele que – em conjunto com a famigerada história das “escutas” – é o assunto mais incómodo para o candidato Cavaco Silva: a sua relação com o Banco Português de Negócios. E essa machadada sem piedade, logo no começo do debate, foi seguida por um indisfarçável nervosismo do Presidente durante o resto do tempo, incapaz de responder à acusação de que tinha feito “em quatro dias um acordo com o governo para cobrir uma fraude” [a nacionalização do BPN] onde estava envolvido Oliveira Costa “ex-colaborador de Cavaco Silva e financiador da primeira campanha”.

(…)

O desvario de Cavaco Silva foi tanto, que chegou ao ponto de, pasme-se, praticamente co-responsabilizar Francisco Lopes pela aprovação do Orçamento do Estado – na sua qualidade de “deputado”. Tendo em conta que o PCP, e naturalmente Francisco Lopes, votou contra o Orçamento, ouvir Cavaco Silva dizer que “o Orçamento é feito pelo governo e pelos deputados e Francisco Lopes é um deputado” é tão absurdo que raia o patético.

Francisco Lopes foi inteligente e extremamente hábil na forma como co-responsabilizou Cavaco Silva pela aprovação do Orçamento, recorrendo inclusivé à ironia – a contradição de um Presidente que ao mesmo tempo em que se vangloria de ter conseguido o acordo PS/PSD se esforça por se distanciar do resultado final. Enquanto isto, Cavaco Silva recitava as suas qualidades ao país: “Os portugueses não esquecem quem criou o 14º mês para os pensionistas” e, entre outras bondades, quem “trouxe a Autoeuropa para Palmela”. Mas isto foi noutro tempo, com outros poderes. Agora, a comoção só pode ser geral quando o Presidente enuncia ter escrito “dezenas de cartas” a chefes de Estado a pressionar para a eleição de Portugal para o Conselho de Segurança da ONU.

Contabilidade pública criativa no Ministério da Justiça

Filed under: Double standards,Economia,Justiça,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:01

Mesmo tratando-se de Portugal, a situação é quase inacreditável. Está de parabéns, uma vez mais, o Tribunal de Contas pela corajosa denúncia das graves irregularidades detectadas: Justiça usou 326 milhões que não eram seus para tapar buraco

O Ministério da Justiça usou em 2008 e no ano passado 326,1 milhões de euros, que estavam afectos a processos judiciais e que, por isso, não lhe pertenciam, para tapar o buraco das contas desses dois anos, sem garantir as responsabilidades perante terceiros. A situação foi detectada numa auditoria do Tribunal de Contas (TC) ao Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estruturas da Justiça (IGFIJ), que gere os recursos do ministério, divulgada recentemente.

(…)

No documento, o TC critica o facto de o IGFIJ contabilizar 160 milhões de euros em 2008 e 166,1 milhões em 2009, dos chamados depósitos autónomos – rendas, cauções e outros quantias afectas a um determinado processo judicial – como receitas extraordinárias, sem reflectir as correspondentes responsabilidades perantes terceiros. O tribunal lembra que foram violadas vários princípios da contabilidade pública e acrescenta que os membros do Conselho Directivo do IGFIJ que, em 2008 e 2009, aprovaram as contas do organismo, sem discordância das mesmas, são responsáveis por estas irregularidades, que “eventualmente configuram infracções financeiras sancionatórias”. Isso significa, que estes responsáveis podem ser multados pelo TC.

Natal todos os dias

Filed under: Cartoons,Videos — elisabetejoaquim @ 15:18

Atacador de Moura

Filed under: Diversos — filipeabrantes @ 09:30

Como tudo indicava, e ontem se confirmou no debate com Cavaco Silva, Defensor de Moura foi a carne para canhão dos socialistas nestas eleições. Foi o escolhido para os ataques mais duros contra o actual presidente. O António Balbino Caldeira explica esta jogada.

Santo Natal, rapaziada

Filed under: Diversos — Helder Ferreira @ 02:23

But there is one thing that I have never from my youth up been able to understand. I have never been able to understand where people got the idea that democracy was in some way opposed to tradition. It is obvious that tradition is only democracy extended through time. It is trusting to a consensus of common human voices rather than to some isolated or arbitrary record. The man who quotes some German historian against the tradition of the Catholic Church, for instance, is strictly appealing to aristocracy. He is appealing to the superiority of one expert against the awful authority of a mob. It is quite easy to see why a legend is treated, and ought to be treated, more respectfully than a book of history. The legend is generally made by the majority of people in the village, who are sane. The book is generally written by the one man in the village who is mad. Those who urge against tradition that men in the past were ignorant may go and urge it at the Carlton Club, along with the statement that voters in the slums are ignorant. It will not do for us. If we attach great importance to the opinion of ordinary men in great unanimity when we are dealing with daily matters, there is no reason why we should disregard it when we are dealing with history or fable. Tradition may be defined as an extension of the franchise. Tradition means giving votes to the most obscure of all classes, our ancestors. It is the democracy of the dead. Tradition refuses to submit to the small and arrogant oligarchy of those who merely happen to be walking about. All democrats object to men being disqualified by the accident of birth; tradition objects to their being disqualified by the accident of death. Democracy tells us not to neglect a good man’s opinion, even if he is our groom; tradition asks us not to neglect a good man’s opinion, even if he is our father. I, at any rate, cannot separate the two ideas of democracy and tradition; it seems evident to me that they are the same idea. We will have the dead at our councils. The ancient Greeks voted by stones; these shall vote by tombstones. It is all quite regular and official, for most tombstones, like most ballot papers, are marked with a cross.

Orthodoxy, G. K. Chesterton

Dezembro 23, 2010

Natal

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 22:59

Quem paga a conta ?

Filed under: Double standards,Economia,Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 20:38

Um pequeno exemplo das consequências do esgotamento dos recursos depois da orgia despesista dos últimos anos: Milhares de funcionários públicos excluídos da ADSE

Há uma nova classe de funcionários públicos que não pertence a ninguém. Desde o início deste mês que, ao tentarem preencher os formulários no site da ADSE para enviar os recibos com as despesas de saúde, obtêm a mesma resposta do sistema informático: “O funcionário não pertence aos serviços.” Serão cerca de 10 mil auxiliares de educação, administrativos, cozinheiros e outro pessoal não docente das escolas transferidos do Ministério da Educação para 112 autarquias. O governo quer que as câmaras passem a pagar os encargos com a ADSE; os autarcas rejeitam essa responsabilidade, acusando o outro lado de quebrar os contratos de transferência de competências a vigorar desde 2009.

É uma guerra com duas frentes, mas quem já está a perder são estes funcionários que, apesar de fazerem os seus descontos, vêem os seus recibos devolvidos pela ADSE.

(…)

O i procurou saber junto Ministério da Educação e da Direcção da ADSE porque é que os recibos estão a ser devolvidos e o que é que estes funcionários devem fazer para terem as suas despesas com a saúde comparticipadas. Até ao fecho desta edição não houve esclarecimentos.

Ler nas entrelinhas

Filed under: Política,Portugal — Tomás Belchior @ 18:23

Lake Wobegon

Hoje ficámos a saber que o salário mínimo vai aumentar de forma faseada em 2011. A ministra justifica este aumento faseado com as “dificuldades de muitas empresas de sectores mais fragilizados e mais expostos à competitividade internacional”. Há duas interpretações imediatas que se podem fazer desta explicação:

  • A ministra reconhece que aumentar o salário mínimo é uma asneira.
  • Na opinião da ministra uma asneira feita com jeitinho deixa de ser uma asneira.

Pessoalmente prefiro acreditar numa terceira interpretação: lá para Setembro de 2011, quando o salário mínimo passar para 500 euros, Portugal já não terá sectores “mais fragilizados” ou “mais expostos à competitividade internacional”. Ou seja, em Setembro de 2011 o governo está a planear levar-nos a todos num passeio ao Lago Wobegon.

Do mal o menos. Uma pessoa a ler estas notícias ainda fica a pensar que somos governados por incompetentes.

Salário mínimo e a Luta de classes

Filed under: Economia,Política,Teoria — Miguel Botelho Moniz @ 17:16

Imaginemos um país hipotético onde existe um grupo diverso de indivíduos cuja formação e produtividade específicas conduzem a que possam aspirar no máximo a ter um posto de trabalho que aufere salário mínimo. Imaginemos que esse grupo tem 1.000.000 membros e que a sua taxa interna, estrutural, de desemprego é de 25% (isto é, um em cada quatro não consegue emprego porque ninguém está disposto a pagar salário mínimo pelas respectivas formação e produtividade desses indivíduos). Além disso, existe uma dinâmica natural de rotatividade que faz com que 10% dos postos de trabalho sejam eliminados anualmente, sendo substituidos por igual número, não afectando a taxa média de desemprego. Assumamos, para efeito de cálculo que o salário mínimo é de 100 unidades por ano e que por motivos políticos sofre um aumento de 10%, passando a 110 unidades anuais. Assumamos também que durante o ano após o aumento não ocorre aumento da taxa natural de substituição de postos de trabalho; e que metade dos postos de trabalho anualmente passíveis de substituição são suprimidos por outros factores (máquinas, importação, aumento de produtividade via formação) tornados economicamente viáveis pelo aumento do custo do factor trabalho.

Perante estes dados temos:

  1. A taxa estrutural de desemprego dentro do grupo passa para 30% (50% de 10% dos postos de trabalho não são reciclados)
  2. O rendimento colectivo do grupo aumenta de 75 milhões para 77 milhões de unidades anuais
  3. 50.000 indivíduos perdem ou deixam de ganhar o seu posto de trabalho face ao cenário anterior

A conclusão que pretendo retirar aqui não é que o desemprego aumenta. Isso é um efeito colateral da questão mais funda: Uma luta de classes onde um grupo barganha colectivamente contra outro (o capital, patronato, whatever), sendo que o que está em causa é o repartir do surplus value da actividade económica. Um colectivista vê o assunto por esse prisma; para ele, a “classe trabalhadora” sai a ganhar. Um individualista pensa primeiro nos 50.000 cujo rendimento passou a zero, sacrificando-se para o benefício da (restante) classe.

Notas:

  1. (mais…)

Souvenir multicultural

Filed under: Ambiente,Cultura,Double standards,Educação,Religião,Teoria — ruicarmo @ 16:18

A propósito deste avanço civilizacional,  parece-me muito útil reproduzir um excerto do artigo intitulado Harvard e o Ácido da Civilização, de Fernando Gabriel, na revista Nova Cidadania (não há link do artigo), escrito em 2005:

O multiculturalismo enquanto ideologia política tem origem no relativismo cultural, que retirou à cultura o seu significado tradicional de processo educativo, de desenvolvimento da razão, e lhe conferiu um sentido completamente diferente: “cultura” passou a designar o conjunto de “práticas sociais caracterizadoras” das diferentes comunidades. O relativismo cultural nega a existência de qualquer forma de superioridade cultural: todos, bárbaros ou civilizados, temos uma “cultura” que é definidora da “identidade”. Todas as “culturas” são formalmente iguais, não comparáveis entre si e igualmente legítimas. A aceitação deste juízo de valor implica a necessidade política de “reconhecimento” e de protecção da “diversidade cultural”. No entanto, o multiculturalismo não é uma variante da tolerância liberal, antes representando uma versão extrema de intolerância. O discurso político multiculturalista transpõe para o plano cultural a representação marxista da sociedade como palco de uma permanente luta de classes. No cerne do projecto político multiculturalista não está a defesa da “diversidade cultural”, nem a necessidade de “reconhecimento” das outras culturas. O objectivo é promover uma revisão crítica e radical da “cultura ocidental”, susceptível de expor a corrupção e a decadência das democracias liberais. Nas variantes menos agressivas, as sociedades liberais devem ser politicamente reprogramadas obedecendo à pós-moderníssima “celebração da diferença”. Nas variantes niilistas, há que consumar a desconstrução do “projecto iluminista”, responsável por sociedades despóticas, assentes numa cultura de “opressão e exploração do outro”. As categorias do “opressor” e do “oprimido” são portanto as novas máscaras ideológicas do determinismo historicista hegeliano. Por um lado, a representação do “opressor” é deliberadamente redutora e caricatural: não existe nenhum “projecto iluminista”, mas sim uma multiplicidade de formas concretas de organização política resultantes de processos de composição histórica, onde factores aleatórios e imprevisíveis tiveram e têm um papel essencial. Por outro lado, a representação multiculturalista do “oprimido” também assenta em noções deliberadamente equívocas. A noção de “cultura” é enganosa: na maioria dos casos, as “culturas” não têm nenhum contexto geográfico e a “partilha de identidade” não é determinada pela história do indivíduo, mas sim pela sua função puramente ideológica. O interesse pela “cultura do outro” é meramente instrumental e sugere uma falsa “diversidade”: o afro-americano, a mulher ou o gay desempenham a função circunstancialmente útil de categoria cénica do “oprimido”. Para os defensores do multiculturalismo, a acumulação de riqueza e o prodigioso aumento de bem-estar conseguido pelas democracias liberais são um mito capitalista, uma fachada ideológica sob a qual a modernidade pretende esconder a sua pecaminosa história de exploração e imperialismo, de opressão sexual e racial.

(Via Jorge Costa).

Há algum tempo

Filed under: Blogosfera,Media — ruicarmo @ 14:31

O adeus da fernanda câncio ao jornalismo.

Onde o salário mínimo não existe

Filed under: Double standards,Economia,Política,Portugal — Tiago Loureiro @ 12:57

Salário mínimo é coisa que não existe em países como a Áustria, a Suécia, a Dinamarca, a Finlândia e a Noruega. Que mais têm esses países em comum? Três coisas: têm mercados de trabalho mais flexíveis do que o nosso, apresentam menos desigualdades sociais do que o nosso e, como consequência, desmontam as falácias e as demagogias dos nossos medíocres do poder político e sindical.

Referendos e regras de quórum

Filed under: Agenda,Economia,Educação,Internacional,Política,Portugal,Teoria — André Azevedo Alves @ 09:00

Ainda que com algum atraso, não quero deixar de dar os parabéns ao Luís Aguiar-Conraria e ao Pedro Magalhães pelo Prémio Gulbenkian para a Internacionalização das Ciências Sociais que distinguiu o artigo “Referendum design, quorum rules and turnout”, publicado na Public Choice.

Já que o tema é escolha pública, vale a pena também marcar na agenda o dia 15 de Janeiro, altura em que o LA-C vai estar em Gaia para falar de REFERENDOS, TEORIA DOS JOGOS E O TEOREMA DA IMPOSSIBILIDADE DE ARROW

15 de Janeiro, 15h30
Local: Fnac GaiaShopping, Vila Nova de Gaia

Resumo: Como todos sabem, em Portugal para que um referendo seja vinculativo é necessário que a taxa de abstenção seja inferior a 50%. Vários países têm requisitos semelhantes ou variações do mesmo. Chamam-se a estes requisitos regras de quórum. Recorrendo à Teoria de Jogos demonstra-se que estas regras têm vários efeitos perversos: estimulam a abstenção, podem favorecer minorias fanáticas e põem em causa o segredo de voto.

Dezembro 22, 2010

Manuel Alegre, Francisco Louçã e José Sócrates

Filed under: Política,Portugal,Presidenciais 2011 — André Azevedo Alves @ 23:58

Presidenciais 2011 (17). Por Tomás Vasques.

Para Francisco Louçã, a partir da vitória eleitoral do PS nas legislativas 2009, a ambição política mudou de rumo. Em Janeiro, no dia a seguir a Manuel Alegre ter apresentado a sua «disponibilidade» para ser candidato, Louçã apressou-se a declarar o apoio do BE à candidatura, «amarrando-o» a esse apoio. O objectivo do BE, nesse momento, passou a ser mais reduzido: esperava que o PS apresentasse um candidato presidencial e, por essa via, derrotar, com o seu candidato – Manuel Alegre, o candidato do PS. Isso conferia ao Bloco uma vitória eleitoral sobre os socialistas – um velho sonho de Louçã. O secretário-geral do PS não lhe fez a vontade e deu-lhes (a Louçã e a Alegre) o golpe fatal: apoiou o candidato do BE. Agora, Louçã (já percebeu que foi derrotado) esconde que está, lado a lado, na Comissão de Honra da candidatura de Alegre, com José Sócrates. Como se apagar Trotsky da fotografia adiantasse alguma coisa.

O que é a Escola Austríaca ?

Filed under: Economia,Educação,Media,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 22:00

Um texto extremamente importante: What Austrian Economics IS and What It Is NOT. Por Steve Horwitz.

If we really want to understand the world for the purpose of improving it, we need the ideas of Austrian economics and we do not need to be pushing people away by creating the impression that Austrian economics requires that one believe things (some of which may be perceived as “nutty,” rightly or wrongly) that are not part of that analytical framework.

I would argue that the blame for this situation is two-fold. First, many journalists and commentators either don’t take the time to understand what Austrian economics is really about despite the abundance of high-quality information on the web and/or have their own biases that lead them to accept whatever caricature of Austrians they can find or invent. Second, self-described Austrians bear blame for this situation too by not making clear the distinctions among “Austrian economics,” “libertarianism,” and their particular views on historical or policy issues. The irony is that Austrians historically, and particularly Mises, were very clear about the idea of “value freedom” and the differences between theory and historical application or understanding.

So as a help to those who want a clearer understanding of what Austrian economics IS so as to also help understand what it is NOT, I would suggest a reading of co-blogger Pete Boettke’s entry on “Austrian Economics” at the Concise Encyclopedia of Economics, which is precisely the sort of source that responsible journalists could look at. There, he offers 10 propositions that define Austrian economics. I will list them below, then offer a few comments afterward.

1. Only individuals choose.
2. The study of the market order is fundamentally about exchange behavior and the institutions within which exchanges take place.
3. The “facts” of the social sciences are what people believe and think.
4. Utility and costs are subjective.
5. The price system economizes on the information that people need to process in making their decisions.
6. Private property in the means of production is a necessary condition for rational economic calculation.
7. The competitive market is a process of entrepreneurial discovery.
8. Money is nonneutral.
9. The capital structure consists of heterogeneous goods that have multispecific uses that must be aligned.
10. Social institutions often are the result of human action, but not of human design.

Pete does a terrific job in explicating these propositions in the linked article, and there’s no need for me to repeat what he has to say. Instead, I just want to point out how each of these is a statement about the nature of the socio-economic world and/or how we should be analyzing it. Not one of them offers a policy conclusion on economic issues or anything else. To repeat: Austrian economics is a set of ideas useful for analyzing and understanding the world; it is not a set of policy conclusions. There are plenty of non-Austrian economists who hold strongly libertarian policy views (e.g., Bryan Caplan) and there are economists who would accept most if not all of the propositions above, but who are not self-described libertarians (e.g., Roger Koppl). And there are plenty of people who believe Lincoln was a tyrant and US foreign policy is an imperialist nighmare who are not Austrians (and there are Austrians who would disagree with both of those claims).

Paul Krugman vs. Ron Paul

Filed under: Economia,Media,Política,Teoria,Videos — André Azevedo Alves @ 21:00

Paul Krugman – que na sua versão colunista é profundamente demagógico mas não é estúpido – já percebeu de onde vem a principal ameaça ao verdadeiro “pensamento único” intervencionista dominante na esfera do Estado. Por entre distorções várias, Krugman lá vai dando mostras de compreender de onde vem o real perigo para o consenso keynesiano que conduziu aos resultados que estão à vista. A preocupação de Krugman não garante – obviamente – nada, mas é sem dúvida um bom sinal: When Zombies Win. Por Paul Krugman.

When historians look back at 2008-10, what will puzzle them most, I believe, is the strange triumph of failed ideas. Free-market fundamentalists have been wrong about everything — yet they now dominate the political scene more thoroughly than ever.

How did that happen? How, after runaway banks brought the economy to its knees, did we end up with Ron Paul, who says “I don’t think we need regulators,” about to take over a key House panel overseeing the Fed? How, after the experiences of the Clinton and Bush administrations — the first raised taxes and presided over spectacular job growth; the second cut taxes and presided over anemic growth even before the crisis — did we end up with bipartisan agreement on even more tax cuts?

Ron Paul On Congressional Oversight Of The Federal Reserve

Uma pergunta popperiana

Filed under: Ambiente,Religião,Teoria — Miguel Botelho Moniz @ 20:49

Agradecia que algum fiel elemento do consenso sobre o aquecimento global antropogénico me indicasse que factos empíricos, se observados, permitiriam invalidar a sua teoria.

O Público e a mentalidade bloquista

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 19:35

Reproduzo de seguida um texto enviado pelo leitor Fernando Gomes da Costa:

Uma imagem vale mais que mil palavras…

Metade da página 36 do Público de hoje, dia 22/12, é ocupada pela publicidade da aplicação do dito jornal para o iPad. Sob o signo a inovação e o pretexto de que o Público “tem uma palavra a dizer” no mundo de hoje, aparece uma fotografia de George Bush (sim, o ex-presidente dos EU que já deixou o cargo há quase dois anos) com os lábios cerrados, e uma mão (não sei se da directora do Público) a tapar-lhe implacavelmente a boca com um gesto do indicador.

Trata-se de uma demonstração quase freudiana daquilo em que o Público se tornou em pouco tempo: um refúgio para um jornalismo faccioso, quase totalmente alinhado com a mentalidade bloquista e da esquerda revolucionária chic, muito mais empenhado em formatar do que informar, mais interessado no impacto da notícia pela sua forma do que pelo conteúdo, censório e manipulador.

Um jornalismo que sabe que para manter a chama militante acesa, há que apagar o presente (se inconveniente) e manter os fantasmas do passado bem acesos. Afinal, o ódio é o fermento do militantismo, tal como a manipulação da informação é o viveiro dos fanáticos.
Assim se compreende que para publicitar uma realização de “último grito”, se utilize a imagem de um ícone que até há dois anos atrás foi a coqueluche para unir ódios e rancores de uma comunidade que hoje continua a destilar os mesmos impulsos, e por isso a necessitar do mesmo tónico. Mesmo que já desaparecido há dois anos, mesmo que o seu sucessor (ícone intocável) mantenha inalterados os piores atoleiros de que acusavam o seu antecessor.

Haja paciência…

Leitura complementar: Todo um programa…; O legado de José Manuel Fernandes e o futuro do Público; O Público e o Bloco de Esquerda.

Aula prática de socialismo

Aprender com quem sabe. É um grande amigo de Portugal.

Nota: A internet não precisa de ser salva.

Os melhores livros liberais de 2010

Filed under: Economia,Educação,Livros,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 17:17

Aqui fica a lista dos 5 melhores livros liberais de 2010, a qual resulta das escolhas de um painel internacional de 16 académicos que integrei com muito gosto:

1Bourgeois Dignity: Why Economics Can’t Explain the Modern World. Por Deirdre McCloskey.

2The Rational Optimist: How Prosperity Evolves. Por Matt Ridley.

3The Enlightened Economy: An Economic History of Britain, 1700-1850. Por Joel Mokyr.

4A Brief History of Liberty. Por David Schmidtz e Jason Brennan.

5Libertarianism, from A to Z. Por Jeffrey Miron.

Como muito bem realça o Diogo Costa, o principal tema entre os vencedores deste ano é, sem dúvida, a história económica e social.

A constituição do júri foi a seguinte:

Alberto Mingardi, Instituto Bruno Leoni
André Azevedo Alves, Universidade de Aveiro, OrdemLivre.org
Donald Boudreaux, George Mason University
Edward Crane, Cato Institute
Fred Smith, Competitive Enterprise Institute
Jason Kuznicki, Cato Institute
John Blundell, Institute for Economic Affairs
Jude Blanchette, Atlas Network
Marius Gustavson, Civitas
Matt Zwolinski, University of California, San Diego
Michael Munger, Duke University
Nouh El Harmouzi, Minbaralhurriyya.org
Pedro Albuquerque, Euromed Management, OrdemLivre.org
Peter Boettke, George Mason, University
Tom Palmer, Atlas Network
Virginia Postrel, The Atlantic

O salário mínimo e a destruição de emprego (3)

Filed under: Economia,Política,Teoria,Videos — André Azevedo Alves @ 17:00

The Job-Killing Impact of Minimum Wage Laws

(via Cachimbo de Magritte)

Salário mínimo (2)

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 16:21

Interactive Voice Response.

Onde fica o inferno?

Filed under: Comentário,Nanny State Watch,Religião — André Abrantes Amaral @ 15:35

Quercus elege o consumo em excesso como o maior “pecado ambiental” do Natal.

Novas instituições; novas crenças; novos pecados; novas penas.

Isto está porreiro, pá!

Filed under: Economia,Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 15:30

Medidas anti-crise agravaram défice de 2009 em 22,4%

Assembleia dos Açores confirmou compensação remuneratória aos funcionários regionais

Salário mínimo aumenta 10 euros em Janeiro e chega aos 500 em 2011

Tribunal de Contas não conseguiu confirmar receita do Estado em 2009

Inquéritos relativos a criminalidade complexa ou violenta quase duplicaram o ano passado

Há 53 abortos legais todos os dias em Portugal

Está mais frio por causa do Aquecimento Global…

Filed under: Ambiente,Double standards,Economia,Media,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 15:24

Invernos menos frios “provam” o Aquecimento Global exactamente da mesma forma que Invernos mais frios também “provam” o Aquecimento Global: Invernos mais quentinhos

Antes que tenha começado, já se pode dizer que este Inverno é frio. Lá fora, para variar, a explicação para este frio é a do Aquecimento Global! Das previsões dos Invernos quentes, no passado, os tretas internacionais agora querem-nos enfiar o argumento de que o Aquecimento Global é o que explica estes Invernos frios? Não é díficil provar que eles nos andam a enganar…

Desde que continue a jorrar generosamente o financiamento dos Estados para sustentar a poderosa indústria do Aquecimento Global, tudo se “prova”

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