O Insurgente

Dezembro 19, 2010

Um país aprisionado pelo corporativismo

Filed under: Economia,Educação,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 19:43

Discordo em muitos aspectos da acção política do actual ministro da Ciência e do Ensino Superior, mas neste caso Mariano Gago deve ser elogiado, não só pelo que afirmou, mas também pela coragem que revelou ao fazê-lo: Mariano Gago critica Parlamento e faz violento ataque às ordens profissionais

Num dos pontos mais polémicos da sua intervenção, o ministro da Ciência condenou “a tolerância do Parlamento relativamente à criação e funcionamento das ordens profissionais em Portugal”, dizendo que tal gera “um condicionamento do mercado de trabalho”.

“Com toda a franqueza, este é um dos fenómenos mais extraordinários que ocorre neste país. A complacência, a cedência corporativa a quem chateia o parlamento com o argumento de que não se pretende fechar o mercado de trabalho – que ideia! – e apenas se quer fazer deontologia, é absolutamente extraordinária”, protestou Mariano Gago. Depois, o ministro da Ciência contou o que lhe acontece no quotidiano logo a seguir, quando recebe os representantes dessas ordens profissionais no seu gabinete.

“Chegam lá ao gabinete e dizem-me: ‘Senhor ministro, desculpe lá, quer proletarizar esta profissão? Arranje uma maneira de fechar estas entradas, seja como for’”, referiu, citando o estilo de conversa dos representantes das ordens profissionais.

Para Mariano Gago, “conseguir libertar o país da tutela das ordens profissionais na entrada das profissões é um elemento fundamental, sobretudo em período de crise económica”. “O que se está a passar é uma canibalização do mercado de trabalho em torno das profissões qualificadas, em que os que estão instalados criam uma fronteira para ninguém mais entrar. Ou melhor, talvez entre o filho de um deles, pronto”, declarou o ministro da Ciência.

1 Comentário »

  1. Pois, mas agora que dê mais um passo, e que lute por “libertar o ensino superior da tutela do Ministério”. É que assim já ninguém lhe batia à porta a pedir para fechar as entradas. A descentralização complica um bocadinho a vida a esses e outros “corporativistas”.

    Comentário por Carlos M. Fernandes — Dezembro 19, 2010 @ 20:50


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