Novembro 18, 2010
The dark side of the (Ground)force
Na história dos despedimentos na Groundforce em Faro tudo tresanda, cheira pior que um traque horas depois de se ingerir uns grelos salteados. Concluiu-se rapidamente que os trabalhadores eram uns calões cheios de regalias, trabalhavam três horas e meia por dia, eram demasiados, etc. Foi num suspiro que desapareceram das notícias. Por um lado há alguma verdade nisto, falta saber que raio de incentivos (e quem os cria) é que existem neste tipo de empresas para que as coisas sejam diferentes.
Ora bem. A estrutura accionista das duas empresas de handling – a Portway e a Groundforce - é de ir às lágrimas. No meio de um labirinto de compra daqui, vende dali, percentagem por aqui, percentagem por ali, ajeita assim, costura assado, no fim da história, são as duas detidas por esse magnífico empresário: o estado. Para início de conversa porque é que o estado, por vias travessas, quelhos e becos, detém duas empresas concorrentes? Faltam jobs for the boys?
Enquistados de marxismo requentado e estupidez, não vendo para lá da luta de classes que, vinte anos depois, suscita na melhor das hipóteses um bocejo na pior, uma raiva surda contra eles próprios, os sindicatos fartam-se de gritar pelos direitos adquiridos, contra o patronato e as administrações. Não lhes ocorre, porque ainda vivem em 1846, que o que exigem tem a consequência lógica do que acontece neste caso. Nem quero procurar saber quantos administradores existem na Groundforce por trabalhador que é para não me irritar ainda mais. Os sindicatos podiam perfeitamente estar a ganhar isto se percebessem um mínimo de concorrência e de mercado, mas não. Aquelas cabeças não vão mais longe que a interpretação do Álvaro Cunhal da Revolução de 1383-1385
Para ajudar à festa, o esquema está montado de maneira que a Autoridade da Concorrência vela para que…não haja concorrência. Os 336 trabalhadores despedidos dispõem-se a criar uma nova empresa de handling para concorrer com a Portway e a Groundforce – não esquecer que o proprietário tanto de uma como de outra é o bendito estado – em Faro mas…não podem.
Depois a culpa é do neoliberalismo, dos patrões, da Merkel, dos especuladores, dos bancos e assim. Aguentem-se.
O facebook visto pela propaganda iraniana
Aviso prévio: não vale rir que o assunto é sério.
O facebook é perigoso porque o seu fundador tem a correr nas veias sangue judeu e é um perigoso ateísta. Mas há mais: a organização está ao serviço dos serviços de informação – presumo que os portugueses estejam excluídos, dados os apertos orçamentais; só uma conta no twitter custa ao estado 20 mil euros. Para desanuviar dos efeitos da força da verdade provada no vídeo, destaco a presença de trigémeos, mesmo no final da revolucionária peça.
Novembro 17, 2010
Dúvida
Nos próximos dias, deverei estar pelos lados da Cimeira da NATO, a ouvir discursos propangadísticos de “especialistas”, políticos e de José Sócrates (que pertence a uma categoria à parte). Confesso que não sei o que temer mais: se a eventual violência dos “manifestantes”, se a confusão logística da organização. Pior que estas duas ameaças, só mesmo o facto de ter que ouvir José Sócrates in loco, uma experiência pela qual nunca passei, e que francamente dispensaria de bom grado.
Types of Libertarians
Retirado do post Classifying Libertarians:
Classical Liberals: aging ex-hippies familiar with Latin, Greek and/or the Western Canon.
Randians/Objectivists:Making the principled argument for selfishness since 1957. They believe in objective truth as told by Rand, so they are very much like fundamentalist Muslims though thankfully they’re too self-absorbed to blow themselves up.
Paulistas: A cult of personality much like the Randians but lack any cognizable sense of humor. They are best known for driving flame-traffic on websites that criticize the great and powerful Ron.
Austrian Economists: Economists who hate math.
Chicago Economists: Economists who hate English.
Anarchists: Statists who’ve never been mugged.
Minarchists: Anarchists with commitment issues.
Flamenco (2): Cante
Camarón de la Isla. Provavelmente, o melhor cantaor da História do Flamenco.
O ocaso do sentido de ridículo
“Os cigarros electrónicos mantêm a dependência e começam a ser relatados efeitos negativos na saúde de quem os consome, além de que são caríssimos. São um pequeno brinquedo de luxo para países ricos e discriminatório socialmente para os países mais pobres“, afirmou à Agência Lusa Luís Rebelo, presidente da Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo.
Em dia de exultação para os ditadores da saúde e higiene, fica mais uma pérola para perceber o alcance das cabecinhas que não hesitam em subjugar a liberdade de todos em nome das suas escolhas e causas pessoais.
“Muitos não irão incomodar-se a voltar”
Bravo! Temos aqui mais um excelente motivo para elogiar o governo do “choque tecnológico” e do Simplex. Já não sabemos como descrever e enaltecer a competência (e a seriedade) destes senhores. Só nos resta mesmo imitar Jesulín de Ubrique e dizer: em duas palavras, im…pressionante!
Problema de contágio
A péssima gestão orçamental do Governo não deixou Portugal “constipado”. Afinal o problema é o contágio da “febre” orçamental da Irlanda…
O Rei vai nu (embora haja quem goste)
Uma das ideias mais patéticas que se impôs recentemente no politicamente correcto do nosso cantinho à beira-mar plantado assenta no princípio que se estivermos caladinhos cá dentro, e dermos uma sensação de normalidade, os “mercados internacionais” pode ser que não percebam a miséria em que nos encontramos. Daí que sempre que um responsável político opta por dar nota que o rei vai nu, zás! todo um coro de austeros irresponsáveis vem a terreiro apontar-lhe o dedo para de seguida o elevarem até aos lábios, sussurrando, “shiu, está lá caladinho, ninguém precisa perceber na lama em que nos rebolamos!”.
Luís Amado é um desses políticos com sentido de responsabilidade que tem a clara percepção que Portugal perdeu a sua credibilidade no exterior, precisamente porque desde 2007 nega a existência da crise, encarando-a em sentido inverso ao que era necessário: em vez de austeridade, por motivos eleitorais, em 2008 aumentou 2,9% os funcionários públicos, diminuiu o IVA; em vez de rigor e diminuição do peso do Estado, por clientelismo, recorreu a uma teoria tugo-keynesiana de desperdício de recursos que nos empurrou para o limite da insolvência.
A teoria do falso consenso, infelizmente, não convence ninguém no exterior. Em Janeiro de 2010, a nossa dívida era negociada nos 4,1%. Apesar de ver viabilizado o OE, o PEC1 e o PEC2, o governo foi incapaz de cumprir as metas a que se comprometeu, e a nossa dívida hoje, passados dez meses, bate recordes históricos, a beijar os 7%. A classe política, wishful thinking, apelou a um “novo consenso”, e ao carácter redentor de um OE2011 aprovado. Crenças que “os mercados” já se encarregar de desmistificar. Portugal está a ser castigado porque somos vistos como pouco confiáveis, porque ninguém acredita que sejamos capazes de executar o orçamento a que nos propusemos, precisamente porque ainda em 2010 e à beira do abismo passámos dez meses a assobiar para o ar, a fingir que éramos austeros; e porque tão pouco nos dão o crédito de que sejamos capazes de crescer, consistentemente, no futuro próximo.
Luis Amado o que veio dizer, sem o assumir expressamente, como é próprio dos diplomatas, anda à volta disto: precisamos de um choque de credibilidade, e uma efectiva capacidade de cumprir as metas orçamentais; no início do ano deu nota que só lá íamos com uma imposição constitucional; agora, vem defender que é necessária uma larga coligação, o que – tendo em atenção que o que não faltam são consensos – só pode ser lido de uma forma: isto só lá vai sem José Sócrates.
O recado vem de dentro do próprio Governo, de quem conhece bem a mentalidade do PM e do que desabafam os nossos parceiros europeus nos corredores de Bruxelas; já é a segunda vez que o MNE nos avisa que o Rei vai Nu. O recado de Luis Amado é mais do que evidente: por este caminho, a brincar às bonecas, mais uns tempos, e estamos fora do Euro.
O aquecimento global é um direito adquirido!
Gualter, permita-me que o trate assim, asseguro-lhe que da minha parte (e dentro desta a facção neoconliberal) não houve nenhuma campanha acordada. Aproveito a oportunidade para iniciar um diálogo frutuoso e que visa o meu esclarecimentos e o de alguns leitores: o seu caso já foi resolvido? Continuam a receber verbas do estado e a ter protecção policial nas suas acções buéda subversivas? Que valor tem da propriedade?
A história, neste caso, é gloriosa e demonstra que o Gualter é, entre outros aspectos cruciais da sua vida, contra a manipulação genética dos alimentos e flores, abomina o uso pesticidas e outros químicos de controlo de pragas nas culturas., detesta maquinaria agrícola e outra qualquer coisa ou actividade que produzam CO2. E da sua visão do mundo decorre uma acção de cruzada, de combate, conquista, destruição de propriedade privada e evangelização. Entre este modo de vida e o que a NATO representa, prefiro este último.
A maior ambição
Leio o ‘All the Pretty Horses’ de Cormac McCharthy e não vejo apenas um rapaz que nasceu demasiado tarde, já no século XX, quando devia ter acontecido 100 anos antes, quando o Oeste ainda não tinha sido descoberto e havia espaço e tempo e necessidade de sonhar com uma vida ao ar livre entre os cavalos e as criações de gado, sem carros nem tecnologia. O que mais impressiona naquelas 300 páginas é a clarividência de John Grady que apesar de tão novo vai estando à altura das diversas situações que lhe surgem: a decisão de ir embora do Texas para o México, a lealdade para com o amigo, a presteza no novo emprego num rancho cheio de cavalos para serem domados, a paixão que sente pela rapariga filha do dono do rancho e a firmeza que demonstra quando fala com a tia dela sobre ela. O que sofre e pelo que passa na prisão para onde é enviado depois de muitas peripécias nas quais não me detenho agora. Tudo sem uma lamúria. Isto não existe ou pelo menos só existe na imagem que fazemos de algumas pessoas. E há um momento na história, quando depois de saído da prisão ele a convence para se verem outra vez e a pede em casamento, ela lhe responde que não pode, apesar de querer, e ele nada diz. Apenas se afunda. He saw very clearly how all his life led only to this moment and all after led nowhere at all (p.260). Mas ele nada faz. Não a força a ficar, não lhe implora, não a culpa, nem sente qualquer ressentimento para com a ela. Não a condena. Nunca sentirá raiva. He watched her go as if he himself were in some dream (p. 261). John Grady não quer fazer coisas extraordinárias, apenas encontrar o seu lugar na vida. Uma vida simples. Sucede que este é talvez o sonho mais ambicioso que se pode ter e aquele que mais adversários cria. São muitos os que não permitem uma vida em que não se prestam contas a quem quer que seja. É demasiado humilhante para quem fica de fora. E o segredo desta personagem que McCarthy nos traz é precisamente esse saber o que procurar que lhe permite apreciar a simplicidade das coisas. (…) and in his sleep he dreamt of horses and the horses in the dream moved gravely among tilted stones like horses come upon an antique site where some ordering of the world had failed and if anything had been written on the stone the weathers had taken it away again and carrying in their blood as they did the recollection of this and other places where horses once had been and would be again. (p. 287). Procurar sabendo o mais certo ser perder. Scared money cant win and a worry man cant love (p. 253).
Párem as rotativas
Partido Socialista sai da crise e impulsiona economia. Para quê o FMI, chame-se o PS?!
Na mouche
O Conselho Português para a Paz e Cooperação é um satélite do PCP que se dedica ao combate dos inimigos ideológicos do partido: os Estados Unidos, Israel e a NATO. Como a palavra combate soa deveras mal, nada melhor do que travestir o CPPC de pacifista. Ajuda a passar melhor a mensagem da bondade comunista, associando-a a uma causa simpática – a paz – ao mesmo tempo que combate o imperialismo e o capitalismo. É um clássico entre os comunistas: disfarçar as suas reais características e propósitos com palavras simpáticas, como paz, democracia e liberdade.
No caso do CPPC o disfarce salta à vista. Basta ir ao seu site para se perceber de imediato a sua real agenda. Todos os conflitos, onde estejam os Estados Unidos ou Israel, são alvo das atenções desta organização. Assim, guerras como a do Iraque, da Jugoslávia e da Palestina, são guerras más, provocadas pela hedionda aliança nazi-fascista-sionista-capitalista. Já as ameaças vindas do Irão ou da Coreia do Norte, ou são disfarçadas de resposta a uma agressão imperialista, ou são simplesmente ignoradas. Curiosa é também a posição sobre a Guerra de 2008 na Georgia, onde todas as farpas vão para o pérfidoregime georgiano, e nem uma linha para o real agressor – a Rússia.No meio de todo este cinismo, ainda vai havendo tempo para declarações de solidariedade para com Cuba e para a divulgação das deliberações da Assembleia Mundial da Paz, reunida na Venezuela. Dois países por sinal governados por militares, mas que não parecem incomodar os que no Sábado vão desfilar pelas ruas de Lisboa a clamar por paz.
Acções que tranquilizam
De um grande governo que visa proteger o bem-estar dos cidadãos.
When Andrew DeMarchis and Kevin Graff, two 13-year-olds from Chappaqua’s Seven Bridges Middle School, set up shop at Gedney Park on a fall weekend last month, they were expecting a tidy profit.
Instead, the two wannabe entrepreneurs selling cupcakes, cookies, brownies and Rice Krispie treats baked by them for $1 apiece got a taste of cold, hard bureaucracy .New Castle Councilman Michael Wolfensohn came upon the sale and called the cops on the kids for operating without a license. The boys’ parents are incensed and can’t believe a Town Board member would handle the situation that way.
Novembro 16, 2010
Ridículo
A toy shop has been branded “ridiculous” by mothers after it removed a pig from a children’s farm set – in case it offended Muslim and Jewish parents.
Spot the difference: one image from the ELC website shows an empty sty
The animal was missing from the Early Learning Centre’s (ELC) HappyLand Goosefeather Farm when a mother bought it as a gift for her daughter’s first birthday.
The set did contain a cow, sheep, chicken, horse and dog, but the pig sty was empty – even though there was a button that made an “oink” noise.When the mother named only as Caroline complained, she was told in an email the pig had been removed in case it upset Muslim or Jewish parents.
Every man for himself! Run for the hills!!
Espanha repete que situação do país não é igual à da Irlanda e Portugal
Portugal não precisa de ajuda e é diferente da Irlanda – Teixeira dos Santos
“Portugal não vai pedir ajuda só porque a Irlanda o faz”
Austria Witholds Funds To EU Greece Bailout Package, Says Greece Hasn’t Met Commitments To EU On Public Finances
Finland Opposes Aid To Ireland
O Tea Party, Obama e a esquerda
Dois anos é muito tempo. Por Luciano Amaral.
Como sempre acontece com as vitórias populares da direita, o Tea Party vai sendo descrito como uma colecção de lunáticos e ignorantes. Já Thatcher e Reagan, que mudaram para sempre a paisagem política do mundo (sem exagero: contribuíram para a queda da URSS), foram vistos assim; no seu tempo, também Cavaco foi entendido da mesma maneira (o “homem sem biografia”, Soares dixit), e também ele mudou para sempre a nossa democracia. Não é seguro que o Tea Party seja algo do género, mas tem potencial para isso. Ao contrário de uma narrativa cansativa, nós não vivemos no “neoliberalismo”. Vivemos em regimes de Estado-providência (mesmo nos EUA), que temperam a liberdade política e económica com uma forte intervenção estatal. Por todo o lado, estes regimes estão ameaçados, dada a dificuldade em financiá-los. O Tea Party quer ser uma alternativa, com soluções desestatizadas.
A esquerda, que se sente sempre humilhada quando perde eleições, já tratou de explicar que a vitória do Tea Party é a garantia da reeleição de Obama: com tantos maluquinhos no Congresso, toda a gente vai votar nele em 2012. É capaz de ter razão, mas por outro motivo: com um Congresso mais virado à direita, Obama também vai ser obrigado a governar mais à direita, abandonando os seus próprios projectos lunáticos.
O eco-terrorismo (também) em defesa da paz
Gualter Baptista, o camaleão ecoterrorista está de regresso.
Vá saiam da frente do menino.
Wishful thinking vindo do outro lado do Atlântico
“But there is something in the air. It almost seems as if at least a few Europeans have actually drawn some lessons from the recent recession and accompanying turbulence in the bond markets. They have realized, or are about to realize, that their state sectors are too big. They are about to discover that their public spending, which seemed justified in good economic times, has to be cut. The middle-class even knows in its heart of hearts that its subsidies, whether for mortgages, university tuition, or even health care, can’t last. Some voters even know that their pay-as-you go pension systems aren’t sustainable in the long term either.”
Anne Applebaum no Washington Post a propósito das eventuais consequências políticas da crise. O facto de nem os portugueses, nem os políticos que nos governam, fazerem parte deste grupo que aprendeu lições com a crise é capaz de ter alguma coisa a ver com o buraco em que o país está metido. Mas isto sou eu que não percebo nada de especulação a falar.
“It’s become harder to have confidence that legislators can successfully enact the brilliant policies that liberal technicians come up with. Far from entering the age of macroeconomic mastery and social science triumph, we seem to be entering an age in which statecraft is, once again, an art, not a science. When you look around the world at the countries that have come through the recession best, it’s not the countries with the brilliant and aggressive stimulus models. It’s the ones like Germany that had the best economic fundamentals beforehand.
It all makes one doubt the wizardry of the economic surgeons and appreciate the old wisdom of common sense: simple regulations, low debt, high savings, hard work, few distortions. You don’t have to be a genius to come up with an economic policy like that.”
David Brooks no NY Times a propósito dos limites da socialismo social-democracia como solução para o Estado a que isto chegou. Por cá, em vez de falarmos em liberdade, falamos em “substituir modelos de desenvolvimento”, “apostas na exportação” e sei lá mais o quê…
Flamenco: Guitarra
O Flamenco é desde hoje aquilo que era já há muito tempo sem o selo da UNESCO: património da humanidade. Celebramos com o passado e o presente, Juan Habichuela avô e neto, o primeiro já com um merecido lugar de destaque na galeria dos melhores guitarristas de flamenco, o segundo a tornar-se, a cada dia que passa, num caso sério (aqueles pequenos e descontraídos recitais com que anima a La Buleria de Antonio Habichuela, seu pai, ali no Camino de Sacromonte, são já famosos). Uma linhagem de sangue granadino, nascida e criada no Sacromonte, tal como Estrella Morente, que acompanha Juan (avô) no vídeo em baixo, e Enrique Morente, que acompanha o neto no segundo vídeo, filhos do célebre (e um pouco sobrevalorizado, na minha opinião) cantaor Enrique Morente.
Galamba e os euros
Um oportuno artigo de Rui Moreira. Faltou só assinalar que, em algumas circunstâncias, um Galamba pode valer muitos euros: Trocar euros por Galambas.
Ora, o que verdadeiramente me preocupa é que, ao que se diz, Galamba é uma das vozes que José Sócrates escuta com atenção. E, pelos vistos, ainda acredita que se o BCE fizer girar as rotativas, e começar a produzir euros para valer aos estados mais vulneráveis, como é o caso de Portugal, o desemprego se resolve à custa, apenas, de um aumento na inflação.
Desde logo, e quer Galamba queira quer não queira, Portugal optou por ser um dos parceiros menores da Zona Euro. Por isso, nunca terá influência suficiente para comandar as rotativas do BCE. Quem manda nelas são os franceses e, principalmente, os alemães, que sempre temeram a inflação desde os dias da República de Weimar, que abriu a porta do poder a Adolfo Hitler e que, para além do mais, se apressaram a fazer os sacrifícios necessários para porem as suas contas públicas em dia.
E, se não fosse o facto de Portugal estar inserido nessa Zona Euro, o dinheiro seria ainda mais escasso do que tem sido. Provavelmente, ninguém estaria interessado em emprestar-nos dinheiro e comprar a nossa dívida pública. Com a nossa balança de pagamentos, já se teriam esgotado as reservas de ouro e de divisas, e o dinheiro que pudéssemos então emitir apenas serviria para jogarmos ao Monopólio, porque não permitiria que fizéssemos pagamentos ao estrangeiro para pagar as nossas importações.
Ficamos a saber que ‘esconder-se’, para Fernanda Câncio, significa ‘não estar aos saltos em frente a uma câmara de televisão com um cartaz dizendo Eu Sou o Fernando Lima’
A senhorita Câncio, nos seus esforços bem sucedidos para nos entreter (rindo dos seus disparates, pois claro), escreveu que Fernando Lima não esteve em nenhum de ’todas os momentos públicos da recandidatura de cavaco’, concluindo com a sua lógica infalível (mas não acessível a quem possua mais de três neurónios ou, em alternativa, um resquício de bom-senso) que este desaparecimento de Lima é ‘a mais eloquente das confissões do presidente-candidato no que à intentona das escutas respeita’. Logo houve quem constatasse o facto de Lima não ter desaparecido e ter, ao invés, comparecido, mas isso não tirou fervor à opinião de Câncio: se Lima não estar é confissão de culpa, Lima afinal estar é confissão de culpa na mesma, porque se Lima esteve, ‘esteve muito discreto e disfarçado — não dei por q um único órgão d comunicação social tivesse assinalado a sua presença — e só visível para quem lá se deslocou, o q não inclui, naturalmente, a maioria das pessoas. é inegável q lima se esconde e é escondido’ . (O bold é meu – e, apesar de Lima ter sido avistado, e de tal facto irritante, ainda que não destruidor implacável de teorias da conspiração quando as pessoas são muito, mas mesmo muito sectárias, ter chegado ao conhecimento da senhorita Cãncio, o post inicial continua enganando os leitores).
Fazendo o ponto de situação: Lima, apesar de se apresentar publicamente numa cerimónia pública, esconde-se e é escondido (e, claro, a confissão mantém-se).
Ora sucede que eu, tal como a Isabel Goulão, o Manuel Pinheiro e o João Gonçalves, estive também na inauguração da sede de candidatura de Cavaco Silva e, lamentando desiludir quem já esperava confissões de culpa assinadas por Cavaco Silva, vi Fernando Lima. Mais. Não tendo estado sempre seguindo os movimentos de Fernando Lima e ter olhado sobretudo para outras pessoas, apesar de tudo parece-me que estou em posição de garantir: Fernando Lima não se apresentou na inauguração da sede de candidatura sob uma mascarilha de Zorro, não escolheu como indumentária um disfarce à Dupondt ou à Peter Sellers na Pantera Cor-de-Rosa, não se sentou num cantinho cabisbaixo e virado para a parede, nem largava a correr Avenida da Liberdade abaixo (ou acima), com mãos e braços e casaco a cobrir-lhe a cara de cada vez que um jornalista ou uma câmara de televisão se aproximavam. Pensando bem, se calhar foi por não fazer nada disto que a srta Câncio considera que Lima foi muito discreto. Contudo, lá está, se os jornalistas (incluindo o do DN?) escolheram não referir Fernando Lima e as televisões decidiram não mostrar imagens de Lima isso é, sem qualquer dúvida, culpa de Lima (e de Cavaco, pois claro); se nos esforçarmos, ainda se consegue argumentar que estas decisões dos órgãos de comunicação social são também evidência cristalina da confissão de culpa de Cavaco Silva.
Sobretudo, interessa levantar pó para não repararmos na duplicidade de critérios da mais séria jornalista portuguesa. Ao senhor Sócrates, nas sucessivas novelas políticas que ele invariavelmente protagoniza, só se podem, segundo a excelsa jornalista, pedir esclarecimentos políticos se estes estiverem alicerçados em factos que levem, pelo menos, a uma acusação pelo ministério público. A licenciatura manhosa, o preço da casa, as casinhas beirãs, o Freeport, o plano para a comunicação social – nada disto pode ser assacado ao pm e quem o fizer é um pulha ou um filho disto e daquilo (ou outro adjectivo querido dos jugulares), está a caluniar, afinal nada disto foi provado em tribunal, blablablá. Quanto a Cavaco Silva, a exigência para os críticos diminui substancialmente. Escutas de telefonemas onde o primeiro-ministro se compromete em coisas dúbias são atentados ao estado de direito, mas para o PR dá-se como provadíssimo algo que se conta num e-mail roubado e que refere as conversas do autor do e-mail com alguém que trabalha para Cavaco Silva (não, não há nada de Cavaco nem de Lima). E, de regresso ao assunto do post, a ausência de Lima é evidência de culpa, a presença de Lima é evidência de culpa. Na verdade, a existência de Lima é evidência de culpa. Daquelas, claro, que um tribunal jugular certificaria. E seguiria para condenação e execução, tudo num total de uns sete minutos.
Novembro 15, 2010
Nacionalismo e liberalismo em Espanha
Nacionalismo espanhol “liberal”. Por António Costa Amaral
Contra a Alemanha, marchar, marchar ?
O Adolfo Mesquita Nunes já o linkou aqui, mas este texto do Michael Seufert merece um destaque autónomo: Agora, viremo-nos contra a Alemanha!
Compreende-se o desespero socialista. Aliás só um grande desespero poderia levar a que tantos responsáveis perdessem a cabeça desta forma. É que com o Orçamento do Estado em vias de ser aprovado, e sem que se veja subsequente tranquilidade da parte dos nossos credores, é preciso arranjar mais um bode expiatório. Claro que o facto de a Alemanha ser o maior contribuinte líquido para o orçamento da UE e para o Fundo de Estabilização Financeira, é um pormenor de somenos importância. Felizmente – perdoem-me o sarcasmo – o governo dá sinais de que percebeu o problema de imagem que estamos a dar aos nossos parceiros europeus. O avanço hoje anunciado pelo ministro das Obras Públicas do TGV, do Novo Aeroporto de Lisboa e da Terceira Travessia sobre o Tejo, só demonstra que é o governo que não está à altura da situação portuguesa.
Para ler na íntegra aqui.
TGV a qualquer custo
O TGV está suspenso??? Por Manuel Castelo-Branco.
Enquanto o país se afunda… Por Nuno Gouveia.
Em nome dos interesses de quem?
Oeiras
Depois de ver que em Portugal ainda há autarcas financeiramente responsáveis, virei a atenção para os ajustes directos da Câmara Municipal de Oeiras:
- Vamos assumir que o contrato em 2009 com a Repsol respeita a um custo de 1,25 euros/litro (ou seja, um milhão de litros de gasolina e gasóleo) e que cada veículo camarário consume 20 litros/100km. Tratar-se-ia, portanto, de 5.000.000 km viajados nos 365 dias do prazo adjudicado.
- As comemorações dos 250 anos do município “arrancaram” em 2009, apesar de em Abril de 2010 ter sido adjudicado 1,25 milhões de euros a Pedro Manuel Rodrigues Cabrita dos Reis para a “concepção e execução da intervenção plástica comemorativa do 250 aniversário do Municipio de Oeiras e da escultura de homenagem ao escritor António Feliciano Castilho”, com o prazo de execução de… 300 dias.
- Já agora, será que todos os funcionários necessitam de usar o Word e Excel? É que 1 milhão de euros é muita licença!
- 200 mil euros para um MITO que, se perguntarem aos municípes sobre a sua existência, poder-se-ia pensar que era mesmo um mito. Ou um FIDO.
- O Natal de 2009 deve ter sido bem alegre. Só pode, tendo em conta os quase 200 mil euros de vinho a granel. (as duas mil garrafas não deviam chegar). É muita pipa!
- Geiseres naturais custam dinheiro para manter.
- AmoréFogo… É mesmo.
- Oeiras ainda vai ser famosapelassuasrotundas!!!
- Zonas deprimidas precisam de acompanhamento.
- Não imprimir os emails não só poupa papel mas também toners e tinteiros.
- Oeiras gasta milhares na limpeza de graffitis apesar de ter uma política pró-graffiti.
- E como isto de contabilizar números cansa bastante, que tal – depois de jantar – escolher um retiro no Brasil, Madeira ou qualquer outro destino?
Uma pequena amostra.
Tresloucadas justificações
Só a histórica complacência com que a opinião pública e publicada brinda o PS permite que as recentes e tresloucadas derivas socialistas (o Michael Seufert faz aqui um bom apanhado) na tentativa de justificar o estado a que a sua governação desde 1995 nos trouxe passem, nos dias que correm, por declarações políticas aceitáveis ou sequer normais.
Apostado em beneficiar da mesma complacência que o autorizou a multiplicar-se em nomeações políticas de fim de festa ou que o autorizou a manter na vice-presidência da bancada socialista, por desejo do moderado Francisco Assis, um ladrão de gravadores de jornalistas, o PS acha-se agora no direito de inventar as mais absurdas desculpas para fugir às suas responsabilidades. E nesse jogo vale tudo, até mesmo comparar a Alemanha de Merkel à Alemanha de Hitler.
O problema do PS, enquanto actor de soluções para os problemas do país, não é apenas, embora bastasse já, o apoio e a manutenção de Sócrates no Governo. O problema do PS está, acima de tudo, na sua insuportável tentação para se sentir dono e herdeiro do regime, a quem os portugueses devem, em nome de glórias passadas, prestar vassalagem. As tresloucadas justificações são um mero retrato disso mesmo.
Leer con luz de luna
Con un libro electrónico, sea El Gatopardo o El perro de los Baskerville, no puedo anotar en sus márgenes, subrayar a lápiz, sobarlo con el uso, hacerlo envejecer a mi lado y entre mis manos, al ritmo de mi propia vida. No hay cuestas de Moyano, ni buquinistas del Sena, ni librerías como las de Luis Bardón, Guillermo Blázquez o Michele Polak donde los libros electrónicos puedan ocupar sus venerables estantes y cajones. Nada decora como un buen y viejo libro una casa, o una vida. Ninguna pantalla táctil huele como un Tofiño, un Laborde o un Quijote de la Academia, ni tampoco como un Tintín, un Astérix o un Corto Maltés al abrirlos por primera vez. Ninguna conserva la arena de la playa o la mancha de sangre que permiten evocar, años después, un momento de felicidad o un momento de horror que jalonaron tu vida. Y déjenme añadir algo. Si los libros de papel, bolsillo incluido, han de acabar siendo patrimonio exclusivo de una casta lectora mal vista por elitista y bibliófila, reivindico sin complejos el privilegio de pertenecer a ella. Que se mueran los feos. Y los tontos. Tengo casi treinta mil libros en casa; suficientes para resistir hasta la última bala. Quien crea que esa trinchera extraordinaria, su confortable compañía, la felicidad inmensa de acariciar lomos de piel o cartoné y hojear páginas de papel, pueden sustituirse por un chisme de plástico con un millón de libros electrónicos dentro, no tiene ni puta idea. Ni de qué es un lector, ni de qué es un libro.
Fim de Festa
Jorge y las mujeres habían ido a recogerle en el Dofín y subí al Antro a abrazar a Miguel. Las lágrimas le corrían por la cara brillantes e incontenibles. Su rostro había recobrado la expresión huérfana de la niñez y, con una acuidad que me sorprendió a mí mismo, medí los límites de nuestro desamparo — de Miguel y mío y de Mara — frente a las ofensas de la vida.
— Bueno — dijo —. Habrá que buscar otro pretexto.
Miguel hablaba muy paso y alumbró calmosamente un cigarrillo.
— Hoy por hoy, la fiesta ha terminado.
Juan Goytisolo, Fin de Fiesta
Explicações originais
Pensavam que os eventuais incidentes a verificar no próximo fim-de-semana em Lisboa seriam culpa dessa gente que se junta aos milhares para ladrar contra a opressão do imperialismo e do mundo capitalista por ocasião de cimeiras semelhantes, e que ostenta orgulhosamente antecedentes como ruas sitiadas, destruição da propriedade alheia e propagação do caos gratuita e abundantemente?
No fundo, o que o Tiago Mota Saraiva tenta fazer é aquilo de que acusa os outros: inverter o problema e redireccionar o ónus da culpa para que caia em cima de quem ele quer. Mas a realidade que qualquer um vê, por mais míope que seja, entrega o estatuto de inocente a outros. Por muito que ele não queira.
Novembro 14, 2010
O fabuloso contrato do Twitter do INPI (3)
Do que o Contrato não é, obviamente.
Leitura complementar: As explicações de quem acha que não tem nada a explicar.
GENEPSD
O Bloco de Esquerda é isto
Ridículos inflexíveis. Por Miguel Noronha.
Os inconsequentes do costume em mais uma acção de promoção do desemprego perante a passividade dos pseudo-explorados. Uma pequena nota para o aparente laxismo dos “esclavagistas” que (como se pode ver nas imagens) se esqueceram de colocar as grilhetas.
Leitura complementar: Falar é tão fácil…
Top posts da semana
Aqui fica o ranking dos posts d’O Insurgente mais votados dos últimos 7 dias. A lista foi obtida multiplicando o número total de votos de cada post pela respectiva classificação média:
1 – A confissão de um vil estatista desmascarado
2 – Podiam ter sido mais…
3 – Não há nada como o futuro*
4 – Smaug
5 – Adivinha
Neo-socialismo
O governo de Zapatero, pondo em prática a peculiar noção de liberdade dos progressistas, tem vindo a erguer um cerco (literal: El Valle está perfectamente delimitado por vallas, vigilado las 24 hora…) ao Vale do Caídos, o célebre conjunto de monumentos que durante muitos anos serviu de palco para a propaganda franquista. Essa perseguição teve o seu último episódio há duas semanas, quando a missa de domingo foi proibida e os fiéis impedidos de entrar no recinto, obrigando os monges beneditinos a celebrá-la no bosque que envolve o lugar de culto. Tudo por razões de segurança, diz o governo, tentando disfarçar, com o estado dos edifícios e as “necessárias” obras, as razões políticas por trás do encerramento do Vale dos Caídos e o anti-clericalismo feroz do presidente (que fugiu quando o Papa visitou Santiago e Barcelona, mas que há poucos meses aceitou rezar com Barack Obama, talvez por este último ser hoje o papa do neo-socialismo). Essas razões de segurança desapareceram misteriosamente hoje de manhã, quando milhares de fiéis, alertados pelas notícias que nas últimas semanas foram aparecendo na comunicação social, se dirigiram ao Vale dos Caídos para assistir à missa. E assim ficamos a saber que Zapatero, para além de preconceituoso e intolerante, é também cobarde.


