Num exercício de solidariedade que me é pouco habitual, estou disposto a ajudar o TBR – que nem é mau rapaz, até tem vindo a evoluir, começou no Bloco de Esquerda, anda agora pela JS (quem sabe, não termina o seu amadurecimento ideológico perto de ideias mais liberais) – a estruturar o seu raciocínio.
Tiago: que economista/autor/colunista/crítico/pensador de origem liberal defende o bailout na Irlanda? Em que é que te fundamentas para justificar que o bailout da Irlanda é uma medida de raiz liberal, e não uma medida política, intervencionista, destinada a salvaguardar a moeda única e as instituições europeias que foram incapazes de garantir que os seus membros cumprissem, ao longo do tempo, com as metas de convergência e rigor subjacentes à União Monetária?
Se não fores capaz de responder a esta pergunta, terei de concluir que assentas num discurso demagógico, e escreves sem saber o que dizes.
O bailout da Irlanda destina-se mais a impedir o colapso bancário.
Este tipo de intervenção deve ser diferenciado do intervencionismo para “estimular” a economia ou prevenir o default de dívida soberana.
Este tipo de bailouts confirmam como o sistema monetária funciona mal e é dado (e é origem também) às bolhas e crises e falências bancárias.
Ser a favor deste tipo de bailout neste enquadramento pode ser “apenas” para impedir colapso bancário ao mesmo que se o critica e se pode advogar uma transição para um sistema de reservas de 100% sobre os depósitos à ordem.
Comentário por CN — Novembro 22, 2010 @ 15:57
Se eu arranjar um liberal a defender (nem que seja como “mal menor”) o bailout aos bancos dos EUA conta ou tem que ser mesmo uma defesa do bailout à banca irlandesa?
Comentário por Miguel Madeira — Novembro 22, 2010 @ 16:51
Caro Rodrigo Adão da Fonseca,
pergunta que economista/autor/colunista/crítico/pensador de origem liberal defende o bailout na Irlanda? Julgo, pela forma como a pergunta é colocada, que presume que nenhum economista/blá, blá, blá de origem liberal defende o bailout na Irlanda. Espero que não seja verdade, porque se assim for os economistas/blá, blá, blá de origem liberal estão completamente alheados do mundo real. O bailout à banca na Irlanda nem é uma medida de cariz socialista, nem uma medida de cariz liberal, é, tão só, uma medida do mais básico bom senso. De cariz socialista, liberal, whatever, terão sido as políticas e decisões económicas que levaram a que o governo irlandês se visse obrigado a socorrer a banca.
Um abraço.
Comentário por Mr. Brown — Novembro 22, 2010 @ 17:01
Miguel,
Percebo o que dizes: houve e há muita gente que entende que a intervenção no sistema bancário é um “mal menor”; eu tenho dúvidas, mas até posso aceitá-las a contragosto num quadro em que os bancos actuam com rácios de solvabilidade inferiores a 10%, e com capacidade de emissão de moeda pela concessão do crédito (nos EUA a bolha resultou de um perverso sistema de incentivos montado entre entidades privadas e públicas, num quadro de adormecimento total das entidades de regulação e da governação).
O que não se pode é dizer que a “intervenção no sistema bancário” tem acolhimento numa ideologia liberal, porque não tem, ou que não representa até um desvio significativo de tudo aquilo que é defendido pelos principais economistas e pensadores liberais.
Comentário por Rodrigo Adão da Fonseca — Novembro 22, 2010 @ 17:03
Caro Mr. Brown,
Julgo que a minha resposta ao Miguel Madeira responde à sua dúvida.
RAF
Comentário por Rodrigo Adão da Fonseca — Novembro 22, 2010 @ 17:05
O que os políticos europeus e irlandeses estão a salvar não é a banca nem sequer a economia, o que estão a salvar são os seus lugares e as suas carreiras políticas.
Ao impedir que os bancos e os investidores assumam os prejuízos das más decisões que tomaram, estão a salvar-se a si próprios mas a comprometer o futuro e a adiar a factura que mais tarde ou mais cedo vai ter que ser paga por toda a sociedade europeia.
Comentário por ricardo saramago — Novembro 22, 2010 @ 19:07
Aquilo que deveria ser feito e que teria um efeito saneador e definitivo sobre a economia seria a liquidação dos bancos falidos.
Desta forma os activos existentes seriam usados para reembolsar os depositantes e os outros credores e os acionistas teriam que suportar a falência.
O que se está a fazer é uma forma socialista de fazer suportar o prejuizo pela sociedade e pelas gerações futuras, na esperança vã de atirar o problema para debaixo do tapete.
Comentário por ricardo saramago — Novembro 22, 2010 @ 19:23
“Aquilo que deveria ser feito e que teria um efeito saneador e definitivo sobre a economia seria a liquidação dos bancos falidos.”
Precisamente.
Comentário por lucklucky — Novembro 22, 2010 @ 20:09
Caro ricardo saramago,
“Aquilo que deveria ser feito e que teria um efeito saneador e definitivo sobre a economia seria a liquidação dos bancos falidos.”
Mesmo que os bancos falidos sejam praticamente todos os bancos irlandeses? Imagina o BCP, a CGD, o BES e o BPI a falirem em Portugal ao mesmo tempo?
“Desta forma os activos existentes seriam usados para reembolsar os depositantes e os outros credores e os acionistas teriam que suportar a falência.”
Para começar, os activos existentes não conseguem garantir todo o capital dos depositantes e outros credores, ou seja, contrariamente ao que parece sugerir não seriam só os accionistas a suportar a falência. Em segundo lugar, a maioria dos activos existentes não podem ser convertidos em dinheiro fresco no imediato. Volto a perguntar: imagina todos os depositantes do BCP, CGD, BES e BPI a ficarem na mesma situação que os depositantes do BPP? Se o efeito “saneador e definitivo” a que se refere é o da paralisação total da economia irlandesa e de confrontação social a um nível que prefiro não imaginar, força com o que defende. Caso contrário, repito: há aqui um alheamento total do que é a realidade.
Comentário por Mr. Brown — Novembro 23, 2010 @ 00:26
Caro MrBrown
Obrigado pelo seu comentário
Por lapso meu (falta de uma virgula)não ficou claro aquilo que quiz dizer.
Deverão os activos ser utilizados para pagar aos depositantes.
Os restantes credores e accionistas deverão suportar os prejuizos na totalidade.
Num processo de liquidação atempado (e aqui entra uma supervisão eficaz e competente) isto seria sempre possível.
Quanto à questão da liquidez para pagar aos depositantes, se os activos forem de qualidade e adequadamente valorizados, não seria difícil refinanciá-los no mercado ou no BCE.
Não confundir uma liquidação feita com competência (como se faz nos EUA com os bancos de 2ª linha)com a trapalhada lamentável do BPP.
Comentário por ricardo saramago — Novembro 23, 2010 @ 12:11
Um post que roça a má educação. Nisto, nem liberal nem socialismo resolvem, só mesmo a (falta) de educação que deveria ter tido enquanto criança.
Cumprimentos
Comentário por Ricardo Ferreira — Dezembro 5, 2010 @ 20:38