Novembro 30, 2010
No gira-discos
Rodrigo Leão. A 5 de Fevereiro, Ave Mundi Luminar irá ouvir-se de novo no Coliseu dos Recreios. O concerto contará com a participação do Coro de Câmara da Escola Superior de Música de Lisboa, do Vox Ensemble e ainda do Cinema Ensemble.
Winston Leonard Spencer-Churchill
Estou preparado para me encontrar com o meu Criador. Se o meu Criador está preparado para a tremenda experiência de se encontrar comigo, isso já é outra coisa.
Churchill, por ocasião do seu 75º aniversário.
Imagem Wikipedia.
Obsessões
Segundo José Sócrates, a situação económica de Portugal é uma mera “obsessão dos jornalistas”. Talvez seja, mas não vejo grande mal nisso. Aliás, até me pareceria bastante positivo que o Primeiro-Ministro a partilhasse. No entanto, é compreensível que assim não aconteça: obsessões, cada um tem as suas (eu, por exemplo, sou especialmente parcial em relação a rapariguinhas em idade quase ilegal), e a de Sócrates por negar a realidade assume proporções tais que lhe é impossível ter mais alguma.
Sobre o serviço público de educação
O Fórum para a Liberdade de Educação tem disponível, desde hoje, o seu novo site.
Abaixo dos direitos dos animais
Enquanto decorre em Cancún a conferência climática das Nações Unidas, que na sessão inaugural apelou ao compromisso e à acção, cientistas indicam aos políticos algumas linhas de orientação, a serem seguidas. É tudo muito simples: os políticos dos chamados países desenvolvidos devem conduzir os seus súbditos a aderirem a um sistema de racionamento e a congelarem os objectivos desumanos de crescimento económico durante as próximas duas décadas. O objectivo é travar o aumento global das temperaturas.
Os juízes e a Justiça
Ouvi ontem Miguel Sousa Tavares dizer no noticiário da SIC que os juízes dos tribunais de trabalho tinham mentalidade de funcionários públicos e por isso, tantas vezes, decidiam contra o empregador. Embora seja de louvar a forma deslumbrada com que Sousa Tavares se referiu aos juízes, não tocou no ponto essencial. Parte dos problemas da Justiça vão além dos atrasos na decisão dos processos e ficam-se pelas más soluções tantas vezes impostas. Que o nosso sistema judicial peca por insensibilidade não é novidade para ninguém. As razões que conduzem a essa mesma insensibilidade é que são desconhecidas e nunca analisadas.
Em Portugal para se ser juiz é preciso ser-se admitido no Centro de Estudos Judiciários (CEJ), uma escola de juízes. Os critérios de entrada são elevadíssimos e são muito poucos os que o conseguem. Acrescente-se que o curso é bastante exigente e poucos terão a possibilidade de dizer que os nosso juízes não são bons técnicos. Juridicamente falando, são excelentes. Infelizmente, para se ser juiz a técnica não basta. A profissão de juiz é das mais importantes numa sociedade. Das mais nobres que uma pessoa pode seguir. Trata-se de decidir sobre a vida das pessoas. Se perdem ou não o emprego; se pagam ou não uma dívida; se recebem ou não um crédito; se são presas, ou soltas; se quem destruiu as suas vidas é condenado ou absolvido.
Parte do problema está nesta preparação meramente técnica de quem se espera um conhecimento verdadeiro só conseguido com experiência. As profissões jurídicas encontram-se bastante fragmentadas. Barricaram-se de tal forma cada uma no seu feudo que um advogado muito dificilmente pode ser juiz, ou notário, ou conservador. O resultado é uma incompreensão mútua, latente e continuada entre todos. O diálogo que poderia nascer das experiências compartilhadas, não existe. É uma conversa de surdos que afecta o sistema e, no caso concreto dos juízes, os impede de conhecer os meandros da vida cá fora, antes de se fecharem num gabinete a aplicar as leis. É assim, relativamente ao mercado do trabalho, que é preciso flexibilizar as leis laborais. Mas, antes do tudo o mais, é urgente, flexibilizar o acesso às diversas profissões jurídicas. Não as compartimentar, reduzindo em virtude disso mesmo, os poderes das respectivas associações, sindicatos e ordem profissionais, e permitindo que quem queira ser juiz, possa ter uma formação o mais complementar, madura e abrangente possível. As boas decisões surgirão naturalmente.
Acima dos direitos dos animais
Vandana Shiva: “This morning we filed in the constitutional court of Ecuador this lawsuit defending the rights of nature in particular the right of the Gulf of Mexico and the sea which has been violated by the BP oil spill. We see this as a test case of the rights of nature enshrined in the constitution of Ecuador—it’s about universal jurisdiction beyond the boundaries of Ecuador because nature has rights everywhere.”
Wikileaks: questões para toda a gente
Artigo de Dan Gillmor, na Salon.
For WikiLeaks and Julian Assange:
- When are you going to focus your relentless and often valuable energies on other governments, especially the ones that are even more noted for secrecy than the United States government, not to mention more repressive. Could you kindly find someone to liberate internal documents from, say, the Chinese government?
- You’re more secretive than the people you target, by far. When will you be more open about your own workings. And are you ready for the day when someone leaks your own internal records, beyond the relatively tame exposing (which you did post, to your credit) of some donor information?
- What kind(s) of deals are you making with news organizations, anyway? CNN said it refused the latest documents because it wouldn’t sign a confidentiality agreement. Then we learned that the Guardian shared the trove with the New York Times. Did the Guardian have a different agreement with you than the one CNN rejected?
- Some government is going to play you — and by extension the rest of us — for suckers, if this hasn’t already happened, by arranging a strategic leak of disinformation. How are you preparing for that?
For the U.S. government:
- Why did some 3 million people have access to much if not most of the diplomatic trove? That’s hardly keeping things confidential.
- (Update) Do you really believe WikiLeaks is better at ferreting out information than the secret services of semi-hostile powers such as Russia, Iran and China? Do you suppose they’ve long since had access to this stuff?
- Is stamping “Secret” on everything that moves helpful or detrimental to our national security?
- When it comes to invading other people’s lives, with increasingly oppressive security and surveillance, your mantra is “You have nothing to fear if you have nothing to hide.” Will you give that a little more thought in the future?
For journalists who get the documents directly from WikiLeaks:
- You are treating WikiLeaks as much as a partner as a source, no matter how much you might deny this. How comfortable are you in this bargain?
- Why does it take WikiLeaks to get the information you agree is so worthy of public exposure? Why aren’t you doing your own jobs better in the first place?
- Why aren’t you stressing, in your voluminous coverage, that these cables are not the final word on what has happened. They are often pure gossip. Do you have an obligation to provide more context for the material you’re publishing and discussing?
(Update) For Sarah Palin, who (or, perhaps, a staffer) tweeted today: ”Inexplicable: I recently won in court to stop my book “America by Heart” from being leaked,but US Govt can’t stop Wikileaks’ treasonous act?”:
- Treason is an act against one’s own country. Are you aware that WikiLeaks is not based in the United States, and that Assange is not a U.S. citizen?
- Are you saying you could have stopped Web and newspaper reports from other countries with U.S. court order? Can you find even one lawyer who agrees?
Novembro 29, 2010
Falta-lhe o sentido do ridículo

O PS está no governo, exceptuando o curto periodo de dois anos da coligação PSD/CDS, desde 1995. Quanto mais “tempo” é que esta ave rara achará que seria preciso?
O mestre do corporativismo
Ao contrário do Fernando Moreira de Sá, não fiquei espantado com a expressiva vitória de Marinho Pinto. E parece-me que a exuberância com que exerce a sua liberdade de opinião e expressão, que boa parte daqueles que nele votaram reconhecerão como pouco dignificante e séria, terá sido um factor muito pouco relevante para a sua eleição.
É bom não esquecer que qualquer ordem profissional existe, em primeiro lugar, para defender os interesses daqueles que lá estão dentro. Portanto, nada melhor do que alguém que se propõe travar o excesso de advogados continuando a dificultar o acesso à Ordem – grande marca do seu anterior mandato, de resto – deixando o poleiro para os galos que já lá estão (os mesmo que o elegem), diminuindo ainda mais, de forma imoral, a liberdade de acesso ao exercício da profissão de advogado.
Para os advogados que o elegeram, esta personificação agressiva do espírito corporativista que constitui a essência da Ordem fez de Marinho Pinto a melhor opção e ele sabia disso. Marinho Pinto e a Ordem estão, no fundo, bem um para o outro. Esse é o grande mérito do bastonário: saber com o que conta e fazer o jogo que tem de fazer. O resto é fogo-de-artifício.
O fim do jornalismo tal como o conhecemos?
Outro desafio das novas tecnologias ao jornalismo: como lidar com a informação que, mesmo não publicada em jornais, chega por outras vias a todo o lado.
O regresso a Hayek vs. Keynes e Friedman
Contrariamente ao que muita gente pensa, em termos de política monetária as ideias de Milton Friedman estão muito mais próximas das de Keynes do que das de Hayek. Daí que a crescente relevância assumida por Hayek e pela Escola Austríaca seja um contraponto muito útil não só ao keynesianismo nas suas versões mais tradicionais mas também ao keynesianismo monetarista de Friedman: The Triumphant Return of Hayek
Last year the consensus opinion was that we are all Keynesians now. Virtually everyone in the commentariat believed that John Maynard Keynes’s solution for the Great Depression—heavy government spending to resuscitate the economy—was also the answer to today’s global downturn. The first cracks in the consensus appeared with the outbreak of the fiscal crisis in Greece earlier this year. Across the developed world, critics began to argue that government spending had reached the point of diminishing returns, and was producing an anemic recovery that mainly benefited special-interest groups. And the electorate listened. From Europe to the United States, as voters started to reward candidates focused on fiscal discipline and less government intervention, Keynesianism quickly fell out of favor.
(…)
In a sign of the times, some of the most popular videos on YouTube this year are satires on economic policy; the latest lampoons the Fed amid a growing feeling that policymakers are committing what economist Friedrich Hayek called the “fatal conceit” in micromanaging the economic cycle. Hayek hated policy intervention of any kind. Keynes, Friedman, and Hayek were leading lights of the three most influential schools of economic thought of the last century. Hayek was associated with the Austrian school, ascendant in the 19th and early 20th centuries, which argued that the private sector should be left free to carry out the task of any readjustment in a downturn.
Os arábes e o Irão
Informações interessantes reveladas via Wikileaks e que, curiosamente (ou talvez não), reforçam no essencial as principais linhas de força do que tem sido a política externa dos EUA nos últimos anos. Aliás, talvez até reforcem para além do que seria razoável esperar: Bombardeiem o Irão
Através dos documentos diplomáticos norte-americanos fica-se a saber que a Arábia Saudita terá pedido a Washington para bombardear as instalações nucleares do Irão. Outro documento fala da disposição do Reino Saudita de fornecer petróleo à China se esta potência apoiasse sanções reforçadas contra Teerão – algo que sempre negado, a nível oficial. Outras monarquias do Golfo incentivaram igualmente os EUA a bombardear as instalações nucleares iranianas.
“O rei [Abdullah] disse ao general [James] Jones [conselheiro da Segurança Nacional] que se o Irão conseguir desenvolver armas nucleares, todos na região farão o mesmo, incluindo a Arábia Saudita”, escreveu o embaixador dos EUA em Riad, James Smith, numa missiva dirigida à secretária de Estado Hillary Clinton, que preparava a sua visita à Arábia Saudita em Fevereiro deste ano.
Várias vezes Abdullah convidou os americanos a “contar a cabeça da serpente”. “Não se pode confiar nos iranianos”, observou o rei Abdallah da Arábia Saudita em Março de 2009, frente a John Brennan, conselheiro da Casa Branca para a luta contra o terrorismo. “O objectivo do Irão é causar problemas, que Deus nos preserve dos seus pecados”, lê-se num relatório que cita o rei saudita, obtido pelo Wikileaks e examinado pelos jornalistas do “Le Monde”.
O mesmo aviso fez o príncipe herdeiro do Abu Dhabi, o xeque Mohammed Bin Zayed el Nahayan, ao secretário do Tesouro, Timothy Geithner, durante um jantar de Julho do ano passado.
O rei do Bahrein apelou também a bombardeamentos norte-americanos, tal como o emir do Qatar. O Presidente do Egipto, Hosni Mubarak, “tem um ódio visceral pela República Islâmica”, diz um diplomata americano no Cairo, em Fevereiro de 2009. “Chama-lhes mentirosos. Na Jordânia, em Abril de 2009, diz-se que “a metáfora mais usada para falar do Irão é a de um polvo estendendo os seus tentáculos, que devem ser cortados”.
Bomb bomb bomb, bomb bomb Iran
Novembro 28, 2010
A União Europeia e o euro
O fim da União Europeia? Por Luciano Amaral.
Há cerca de duas semanas, a chanceler Angela Merkel afirmou que “se o euro falhar, falha a União Europeia”, no que foi secundada alguns dias depois pelo Presidente de todos os europeus, Herman Van Rompuy, de acordo com o qual “se não sobrevivermos com o euro, não sobreviveremos como União Europeia”. Quem sou eu para argumentar com tais sumidades continentais, mas pergunto-me se não será exactamente ao contrário: o euro é que ameaça a União Europeia.
Fronteiras (2)
Sinais dos tempos
Aprovada expulsão automática de estrangeiros condenados na Suíça
Os suíços aprovaram hoje a iniciativa da extrema-direita para a expulsão automática de estrangeiros que tenham cometido crimes, segundo a contagem dos votos dos 26 cantões.
O “sim” venceu com 52,9 por cento dos votos, tendo o “não” tido 47,1 por cento.
Uma contra-proposta apresentada pelo governo, prevendo que cada caso de deportação fosse analisado por um juíz, foi recusada por 54,2 por cento dos eleitores.
Os ciganos e os sapos
Os ciganos, os sapos, a pastoral e os antropólogos. Por Helena Matos.
Não sei o que aconteceu aos ciganos nos últimos anos mas francamente parece-me que o seu destino vai de mal a pior. E não propriamente por culpa deles mas sim daqueles que oficialmente os querem ajudar. Como os autarcas que resolveram ordenar e regularizar as feiras, e que na verdade as extinguiram comprometendo o modo de vida de muitos ciganos e não ciganos. Ou a Pastoral dos ciganos que provavelmente inquieta com a proliferação dos cultos evangélicos entre os mesmos ciganos se toma de activismos e promove a vitimização dos ciganos. E muito particularmente os antropólogos que falam da necessidade de mediadores culturais e provedores para os ciganos como se estivessem a tratar dos procedimentos para estabelecer contactos com uma tribo perdida desde o Paleolítico numa qualquer floresta.
Encontrámos mais ou menos todos estes protagonistas no último arrebatamento com mais uma manifestação da exclusão de que os ciganos serão vítimas em Portugal. Exclusão essa que se traduz, segundo essas vozes, através da proliferação dos sapos. Por enquanto em versão louça nas lojas de Beja. Mas por coerência a polémica acabará a ser extensível aos sapos-príncipes das histórias infantis, aos sapos das jarras do Bordalo Pinheiro, sem esquecer o próprio motor de busca português, sapo de seu nome, e os sapos propriamente ditos que se espera não tenham de ser erradicados dos ecossistemas por causa das superstições.
Notícias da guerra civil brasileira
Autoridades brasileiras hastearam bandeira nacional no Complexo do Alemão
“É só um primeiro passo”, comentou um porta-voz policial, horas depois de o comandante geral da Polícia Militar brasileira, coronel Mário Sérgio Duarte, ter confirmado que aquele conjunto de favelas, na parte setentrional do Rio de Janeiro, fora controlado pelas autoridades.
“Isto não significa que não teremos ainda confrontos”, acautelara aquele militar, que desencadeou a operação depois de ter expirado ontem à noite um ultimato para que os narcotraficantes se rendessem.
Leitura complementar: Guerra nas favelas: mocinhos e bandidos; A guerra contra o tráfico no Rio e o monopólio da força.
Portugal: de Império a colónia ?
Uma visão marcadamente pessimista – mas não necessariamente irrealista – sobre a situação presente de Portugal e as perspectivas futuras: Portugal used to be an empire. Now it’s about to become a colony
It’s not just a matter of debt and continued overspending. The economy is structurally weak — unproductive and strewn with thick red tape that kills jobs. Only a miracle could help, and Europe is running out of those. And even a spendthrift like U.S. President Barack Obama couldn’t get away with bailing out Portugal’s banks.
But there is someone ready to help: The People’s Republic of China.
China doesn’t have a debt. It has a surplus. It has $2.6 trillion in cash that’s burning a hole in its pocket. And it’s out shopping for power.
Earlier this month, China’s president visited Lisbon and met with the Portuguese prime minister, Jose Socrates. That in itself is surprising. Portugal is a small country — just 11 million people, and an economy of just $250 billion — smaller than Alberta’s.
But that’s the point. China’s hobby is collecting small, weak countries. You collect enough of them, and you’ve got yourself a little sphere of influence. You’re not just an economic and military superpower. You’re a geopolitical superpower, too.
“We are willing to take concrete measures to help Portugal cope with the global financial crisis,” said China’s President Hu Jintao. All of a sudden, Portugal has a new patron, and it’s not Germany or the U.S.
In addition to loans, China is talking about buying a stake in Portugal’s power utility and telephone company.
Giving Portugal $100 billion is unthinkable for America. After Greece and Ireland, it might not even be possible for the EU to do. But that’s just a rounding error for China.
What a nice trinket Portugal will make on China’s mantle, right next to its other beneficiaries, like Sudan.
Os dias contados
A crónica de Alberto Gonçalves, no DN.
A acção da extrema-esquerda contra a rede de interesses instalados não se faz apenas na rua e mediante greves sonantes. É também nas pequenas e médias questões do dia-a-dia que a resistência ao capital se exerce.
Veja-se a resposta pronta do comunismo parlamentar à proposta do CDS para suspender em 2011 as grandes obras públicas, incluindo TGV, aeroporto de Lisboa e terceira travessia do Tejo. Nem vale a pena inventariar os poderes dissimulados que a direita salazarenta pretende servir. Vale a pena notar que PCP e Bloco votaram ao lado do PS e disseram “Não” à proposta (o PSD, no que ameaça tornar-se um tique nervoso, absteve-se).
Em tempos de neoliberalismo selvagem, há que celebrar cada derrota dos ricos e poderosos, leia-se o melífluo contribuinte, em prol dos objectivos dos verdadeiros trabalhadores, leia-se as oprimidas administrações da Soares da Costa, da Mota-Engil e de construtoras afins. Fascismo nunca mais, etc.
Nigel Farage: The Euro Game Is Up
Não concordo com tudo o que Nigel Farage disse, mas recomendo vivamente o visionamento atento desta sua intervenção no Parlamento Europeu.
‘The Euro Game Is Up! Who the hell do you think you are?’ – Nigel Farage MEP
Fronteiras
Coreia do Sul, zona desmilitarizada, 2001
Un surcoreano gana 14 veces más, mide 7 centímetros más y vive 13 años más
Coreia do Norte
Pequena amostra das consequências do aprofundamento do comunismo.
Leitura complementar: Pacifismo vermelho.
Novembro 27, 2010
Se dúvidas existissem
Com o empate em casa do Sporting, os estrunfes mantém os 13 (!) pontos de distância e dão um passo seguro em relação à conquista do título de campeão nacional. Como adepto, exijo muito mais do Sporting, especialmente de Paulo Sérgio e de Maniche.
As Revoluções da Era da Internet

Duvido que tenha como efeito “acabar com a pobreza mundial”, mas é capaz de ter um efeito interessante.
A “Revolução Cantona”, que apelava a que cada francês retirasse o seu dinheiro do banco para que o sistema financeiro colapsasse, está a alastrar pela Europa graças às redes sociais e já há dia marcado para a corrida aos bancos: 7 de Dezembro.
A página italiana tem perto de 40 000 fãs (parecendo o país com um movimento mais organizado e que ultrapassa fenómeno Cantona), a página francesa 20 000, e em Portugal 1350. A julgar pelo facto de que a cada manifestação nascida das redes sociais portuguesas comparecem na realidade menos de 10% dos inscritos, o fenómeno não fará muita mossa por aqui.
Sítios dos países que aderiram à iniciativa através das redes sociais.
Um bastonário à medida do país
Marinho e Pinto aconselha estudantes: “Aprendam Direito”
Reeleito, por maioria absoluta, para a Ordem dos Advogados (OA), António Marinho e Pinto deixa um conselho aos estudantes que se manifestaram à frente da Ordem contra o exame de acesso ao estágio: “Que aprendam Direito”, afirma, em declarações ao PÚBLICO.
a lição. Por Rui A.
Por mim, tanto se me dá como se me deu que Marinho Pinto tenha apoiado José Sócrates e utilizado a Ordem dos Advogados Portugueses para esse fim. É assunto que – verdadeiro ou falso – diz exclusivo respeito aos advogados, que sabem como e por quem se querem ver representados. Coisa distinta é a forma como o reeleito bastonário utilizou e pretende continuar a utilizar a Ordem profissional a que preside para limitar e reduzir o acesso a uma profissão, neste caso, à advocacia. Isto já é assunto que diz respeito a todos.
Top posts da semana
Aqui fica o ranking dos posts d’O Insurgente mais votados dos últimos 7 dias. A lista foi obtida multiplicando o número total de votos de cada post pela respectiva classificação média:
1 – Costume domingueiro
2 – Jugular School of Economics
3 – A confiança que faz falta ao país
4 – Calimero ganha asas, mas esquece-se que pintainho não sabe voar
5 – Doente com Sida espera que Vaticano peça desculpa pela “negligência”
Resistência
Sinagoga El Ghriba, Djerba, Tunísia, 2010
Em 2002, um camião com explosivos foi detonado à entrada da sinagoga El Ghriba, matando catorze alemães, cinco tunisinos e dois franceses. O ataque foi reivindicado pela Al-Qaeda, ou, para os amigos, “resistência islâmica”. Neste caso não percebe muito bem contra quem tentavam resistir. Contra a pequena comunidade judaica que vive na ilha, em paz, há mais de dois mil anos, e que acorre, para a sua liturgia, a esta sinagoga importantíssima, mas perdida numa ilha discreta do Mediterrâneo? Contra o turismo alemão? Talvez contra os habitantes da região, pois após o atentado não se avistaram turistas em Djerba durante alguns anos. Para uma ilha que vive da pesca e do turismo, o acto selvagem e cobarde de 11 de Abril de 2002 deve ter tido consequências que foram muito para além desse dia.
Novembro 26, 2010
A alegre decadência de uma ilusão
Manuel Alegre foi protagonista de uma chata e (demasiado) longa estadia à sombra do jogo democrático, ao longo da qual foi alimentando a sua bonomia de senador da esquerda e guardião das virtudes inquestionáveis da ética republicana, refastelado em inércia e inconsequência. Quando, há cinco anos, decidiu sair do obscurantismo da sua cadeira de deputado para se lançar numa cruzada contra o seu próprio partido, motivada por uma sobranceria bacoca e uma postura revanchista, própria de menino mimado a quem o pai não oferece o rebuçado prometido, Manuel Alegre lançava as bases para a sua morte política definitiva.
Deixando que os resultados dessa campanha, misturados com a sua inefável arrogância, o colocassem como centro do mundo e o convencessem de que era a última réstia de esperança presidencial para a esquerda, o poeta voltou à carga cinco anos depois, acompanhado por cínicos e ingénuos, alimentando-se num prato em que outrora cuspiu e onde agora procura alimentar-se com os poucos restos que por lá escasseiam.
À medida que o tempo vai passando, as intenções de voto em Alegre caminham inexoravelmente de encontro a uma escassez de dar pena. O poeta definha alegremente ao encontro da desilusão e do falhanço, destinos naturais daquilo que sempre representou: uma ilusão cheia de coisa nenhuma. A partir de Janeiro, acabou-se o poeta. Alegremo-nos.
A falência do discurso socialista da vontade e da confiança
O triunfo da vontade? Por Luciano Amaral.
Já há muito que vivemos nisto: José Sócrates foi eleito pela primeira vez explicando que o crescimento económico era apenas uma questão de “confiança”. Lembra aquelas tribos a quem tudo o que acontece resulta de fenómenos sobrenaturais. Se alguém introduz uma nota de realismo passa logo à categoria inclassificável de “pessimista” (se não mesmo, supremo horror, de “bota-abaixista”), para não dizer “inimigo” (sabe-se lá do quê: da pátria, do euro, do Estado social, da faiança das Caldas…).
(…)
Persistir apenas na “vontade”, na “coragem”, no “ir à luta” e em “não dar tréguas” é tomar sucessivamente balanço e atirar-se contra a mesma parede uma e outra vez. Como aqueles bonequinhos dos jogos de computador que correm muito contra o mesmo obstáculo, quando o que é necessário é parar, pensar um bocado, encontrar o caminho escondido e chegar ao nível seguinte.
Estamos a rapar o fundo ao tacho de décadas de uma ideologia de transformação do país que entrou num beco sem saída. E acabámos num mau livro de auto-ajuda e motivação pessoal. É verdade que se trata da linguagem da época, mas talvez fosse altura de sair da adolescência e perceber que as escolhas que tomámos nos conduziram a um ponto em que nenhuma solução é boa, podendo nós apenas escolher de entre as menos más. E quanto mais tarde pior.
Por que devemos estar agradecidos à Alemanha
Um bem haja à Alemanha por nos impedir de continuarmos neste haraquiri. Por Jorge Costa.
Guerra nas favelas: mocinhos e bandidos
Tendências deste Outono-Inverno. Por Helena Matos.
Graças à Virgem Maria que dona Dilma e o PT ganharam as eleições. Assim os blindados entram na favela mais os militares e é apenas perseguição aos bandidos. Se o presidente fosse outro estávamos perante a revolta das favelas perante o desfazer do sonho de um Brasil de todos. E o presidente, claro, era fascista. Assim os bandidos que se cuidem!
A via do “diálogo social”…
Tardou, mas foi. Está finalmente encontrada a saída para grave crise estrutural em que o país se encontra: sairemos da crise dialogando…
O pesado custo da subsidiação das energias renováveis
Saberão o que andam a fazer? Por João Miranda.
Como é evidente, comparar, como faz Carlos Zorrinho, o sobrecusto das renováveis com o que eventualmente se poupará em importações não faz qualquer sentido. O sobrecusto é já a diferença entre o que se gasta em renováveis e o que se poupa em combustíveis. A redução de importações de combustíveis não contitui um ganho para a economia nacional se essa redução for conseguida à custa de energia mais cara para o consumidor. Por detrás desse aumento de custos está um aumento do endividamento e da importação de equipamentos para construir eólicas.
Hoje, Paulo Pinto Mascarenhas e Adolfo Mesquita Nunes
DESCUBRA AS DIFERENÇAS
O DEBATE POLÍTICO AVESSO AO POLITICAMENTE CORRECTO
(com um pé – e às vezes até dois – na blogosfera)
SEXTA-FEIRA, 26 de NOVEMBRO – 18H05
Domingo, 28 de Novembro – 19H05 (REDIFUSÃO)
Esta semana, André Abrantes Amaral e Antonieta Lopes da Costa em debate com Paulo Pinto Mascarenhas e Adolfo Mesquita Nunes .
Juntos, analisam alguns dos principais temas da actualidade:
- FMI na Irlanda – A Irlanda rendeu-se à evidência e aguarda ajuda internacional para salvar a sua banca. Para quando vai Portugal pedir ajuda para salvar a sua economia?
- Contas lisboetas – O presidente da Câmara de Lisboa garantiu que, ao contrário do que foi inicialmente noticiado, o passivo da Câmara de Lisboa não vai aumentar, mas diminuir. O arrumar da casa vai ser o legado de António Costa?
- Presidenciais e remodelações – Com as eleições presidenciais praticamente decididas, as atenções centram-se numa possível remodelação ministerial que dê fôlego ao governo. Mas ainda há quem queira ser ministro de Sócrates?
- Bento XVI – Num livro de entrevistas lançado esta semana, o Papa afirma que o uso de preservativos pode ser justificado em certos casos, principalmente se para reduzir o risco de contaminação pelo vírus do HIV. Mudança ou nuance?
“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.




