Na terreola dele, o presidente de Mário Soares está a cair em desgraça.
Adenda: Nem pagando estímulos a mortos.
O cabelo é uma questão de polícia.
Outros penteados: Costmes liberais e fait-divers.
Joseph Sobran’s Conservative Foreign Policy
Learning of Sobran’s passing last week at the age of 64, I began to recall so many of his conservative reminders, particularly his Jeffersonian views on foreign policy and how valuable they are today. One of the beautiful things about the Tea Party is it n ow encourages conservatives to remember and reexamine what they stand for–Sobran’s specialty–a reflection that was even less in evidence under George W. Bush than it was under Clinton. Sobran had to leave his 18-year job as editor of National Review in 1993 due in part to his traditionally conservative views clashing with the neoconservatives’ agenda for the Middle East, or as he wrote in his final column before his death:
“I saw thirty years ago that we were headed for needless war with the Arabs, and I had two boys in their teens. By 1991 I hated Bush with a murderous fury. He was willing to get young men like my son Mike killed for no clear reason. I didn’t want them dying in the Middle East, where we always seem to be defending democracy and freedom these days… Nobody else at National Review seemed to have this worry.”
Today, the neoconservatives that so worried Sobran are worried themselves about a Tea Party movement hellbent on cutting spending, particularly if grassroots conservatives begin critiquing the monstrously big government program of American empire. Last week, columnists representing the American Enterprise Institute–Danielle Pletka and Thomas Donnelly–warned in the Washington Post that Tea Partiers should stay away from the likes of Ron or Rand Paul, Sen. Tom Coburn, Indiana Governor Mitch Daniels, and any other Republican who would dare question our current foreign policy. Neoconservatives Pletka and Donnelly seem to believe that America’s superpower status is what makes it great, forever spreading “freedom” and “democracy” around the world through perpetual war. Needless to say, the conservative Sobran took a more traditional view:
“[M]any Americans admire America for being strong, not for being American. For them America has to be ‘the greatest country on earth’ in order to be worthy of their devotion. If it were only the 2nd-greatest, or the 19th-greatest, or, heaven forbid, ‘a 3rd-rate power,’ it would be virtually worthless… . This is nationalism, not patriotism… . When it comes to war, the patriot realizes that the rest of the world can’t be turned into America, because his America is something specific and particular–the memories and traditions that can no more be transplanted than the mountains and the prairies… . But the nationalist, who identifies America with abstractions like freedom and democracy, may think it’s precisely America’s mission to spread those abstractions around the world–to impose them by force, if necessary. In his mind, those abstractions are universal ideals, and they can never be truly ‘safe’ until they exist, unchallenged, everywhere; the world must be made ‘safe for democracy’ by ‘a war to end all wars…’ For the nationalist, war is a welcome opportunity to change the world. This is a recipe for endless war.”
Passos Coelho não é, nem está, obrigado a viabilizar o Orçamento de Estado. Ele tem, aliás, amplos motivos de ordem política, económica e financeira, para o não aprovar. E existem outros partidos que o podem fazer (embora destes se exija um voto favorável e não, como ao PSD, uma mera abstenção). Porque considero então que, tendo esta ampla liberdade, Passos Coelho está num beco sem saída?
Porque, de forma absurdamente desnecessária, Passos Coelho se colocou na boca do lobo. Chamou a si, desde o começo, o protagonismo do destino do Orçamento. Assumiu, antes de qualquer outro, o papel de condição necessária de viabilização do Orçamento. Apagou, de forma deliberada, qualquer papel dos restantes partidos da oposição na construção de uma qualquer solução. Apareceu, desde o primeiro dia, a condicionar a discussão orçamental, antecipando votos e posições, centralizando em si o procedimento de aprovação do documento. Passos centralizou no PSD a oposição e a solução para o país.
Com esta temerária estratégia, Passos desviou o centro da discussão. Em vez de termos começado o folhetim orçamental por olhar para o Orçamento e para o Governo, olhámos, por vontade do próprio, para Passos e para o PSD. Em vez de termos começado a discutir o Orçamento num plano parlamentar, discutimo-lo, por vontade do próprio, ao sabor das posições e medidas de Passos e do PSD.
Bem ou mal, justa ou injustamente, o que hoje politicamente se discute são os humores do PSD quanto ao Orçamento. Isto não teria grande mal se os protagonistas fossem outros. Acontece que o país já conhece Sócrates e a sua teimosia e esperava que Passos também a conhecesse. De Sócrates, o país não espera que ceda. Já de Passos a coisa é diferente. É por isso que centralizar o Orçamento em Passos tem a dimensão que tem: é dele que se espera uma resposta, pois que de Sócrates já todos sabemos, e soubemos, que não cederá. É nas mãos de Passos que está a solução.
De nada vale agora apelar para o parlamento ou para as outras forças políticas. De nada vale agora insistir na necessidade de encontrar uma solução que ultrapasse o PSD. Politicamente o eleitorado foi conduzido, por Passos, ao ponto em que estamos: o PSD viabiliza o Orçamento? É esse o beco de Passos. Tome a decisão que tomar, é ele o responsável.
Dito isto, mantenho que considero que todos aqueles que, como eu, consideram que este Orçamento deve ser, a manter-se o que vem sendo anunciado, chumbado, estão a exigir demais de Passos com a conversa de que só é sério e capaz e de fibra se inviabilizar o Orçamento.
A boa conduta de Evo Morales ultrapassa em muito o pontapé sacana. Caberá ao governo da criatura autorizar, julgar e condenar notícias, jornalistas e proprietários de media. Existe um protesto contra o projecto de lei mas de forma surpreendente não teve eco nos media portugueses.
Joseph Sobran, R.I.P. Por Scott P. Richert.
Joe’s status as the preeminent literary defender of life in the latter half of the 20th century did not arise simply from what Joe had to say, or the number of words he wrote, but how he said it. For Joe, the most beautiful prose flowed from his fingers with incredible ease. McFadden was not exaggerating when he wrote that Sobran’s name “on anything whatever–article, review, commentary–was the guarantee of fine writing, sharp wit, and a most distinctive style which . . . made one think of nobody else so much as G.K. Chesterton.
Como o fim de semana se aproxima a passos largos, lembrei-me de vos deixar com uns pensamentos simples que fui buscar ao baú do Fábio Danesi Rossi. Espero que vos ajudem nestes tempos conturbados de negociações de orçamentos, defesas de Estados Sociais, e sei lá mais o quê:
“Você gosta de pagar impostos? Então por que diabos você é de esquerda?”
“Segundo o Houaiss, a direita é contra as classes populares. Eu também sou contra as classes populares. Gostaria que elas ganhassem dinheiro e deixassem de ser populares. A esquerda é que gosta delas. Se depender da esquerda, elas nunca deixarão de existir.”
“Se você pensar somente em você, você ganhará dinheiro, criará empregos, pagará mais impostos… ajudará todo mundo. Essa é a beleza do capitalismo.
Se você pensar somente nos outros, bem, isso não existe. Esse é o problema do socialismo.”
«Manda o Governo, pela Ministra da Educação, o seguinte:
Artigo 1º.
Criação
1 — É criado o curso profissional de instrumentista de jazz, visando a saída profissional de instrumentista de jazz.
2 — O curso criado nos termos do número anterior enquadra-se na família profissional de artes do espectáculo e integra-se na área de educação e formação de artes do espectáculo (212), de acordo com a classificação aprovada pela Portaria n.o 256/2005, de 16 de Março.
(…)
As actividades fundamentais a desempenhar por este profissional são:
1 — Interpretar e improvisar com base no repertório específico de cada instrumento, quer como solista, quer inserido em pequenas ou em grandes formações, de acordo com as várias épocas e correntes estéticas do jazz.
1.1 — Interpretar e aplicar a linguagem e taxonomia específica de cada época/corrente estética do jazz;
1.2 — Aplicar as técnicas de improvisação resultantes da análise formal e harmónica;
1.3 — Adquirir e aplicar os processos de viabilização performativa através da análise das condicionantes técnicas.
1.4 — Interagir artisticamente com os elementos das diferentes formações musicais, compreendendo a sua função dentro do próprio grupo — binómio solista/acompanhador.»
(link via Tiago Mendes)
Escreve o Nuno Gouveia, no Era uma vez na América [negritos meus]:
«Bill Clinton salvou-se optando uma estratégia simples: contratou um consultor conservador e virou ao centro durante o resto do seu mandato. Obama não irá fazer o mesmo; isso é quase certo. É um politico muito mais ideológico que Clinton. A sua salvação reside precisamente na esperança que as políticas que aprovou apresentem resultados positivos nos próximos dois anos: a economia terá de melhorar bastante, o desemprego baixar drasticamente e a reforma de saúde apresentar resultados favoráveis aos olhos dos americanos.»
Antes de Teixeira dos Santos vir pedir definições e clarificações em relação à posição e ao sentido de voto em relação ao próximo orçamento de estado, convinha se calhar fazer o trabalho de casa e contribuir ele sim para alguma da credibilidade de que está seriamente carente decidindo afinal o que é que está na proposta de orçamento que patrocina*.
Ou então assumir de uma vez por todas que o que pede é uma “clarificação” sobre um cheque em branco. Cada vez mais parece ser isso que está em cima da mesa como “oferta negocial”.
(*) Palpita-me que muitos elementos do estado terão concluído que iriam trabalhar pro bono.
Esta semana eu e a Antonieta Lopes da Costa estamos em debate com Rui Ramos e José Manuel Fernandes com apenas – e excepcionalmente – um único tema, o 5 de Outubro:
- Os objectivos propagandísticos da comemoração da instauração da I República parecem ter sido gorados por, pela primeira vez, se ter analisado aquele período com alguma imparcialidade. No meio de tanto desconhecimento, que lições podemos retirar de um regime que durou apenas 16 anos?
O “Descubra as Diferenças”, pode ser ouvido hoje às 18 horas e no Domingo, dia 10 de Outubro, às 19. Tem podcast disponível e é também transmitido pela Rádio Universitária de São Paulo, no Brasil. Com emissão também disponível através da powerbox da ZON TV Cabo.
“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.
És jovem?
És gaj@?
És LGBT (um de cada vez ou todos juntos) ou simpatizante?
Trabalhas a recibos verdes?
Tens o teu keffiyeh made in china?
Achas que a globalização é bué de má e não curtes fássistas?
Não te privas do aborto?
Achas que o Che fica mesmo fixe nas t-shirts?
Então junta-te a eles e deixa que usem a tua causa para patrocinar outra que assim de repente não te estava particularmente a ocorrer. É tudo malta fixe, vai dar para fazer barulho e para fazer frente à bófia.
Se não quiseres ou não te identificares com o perfil que procuram, não te preocupes. A associação a que aderiste para lutar pela tua causa faz isso por ti.
Será a proposta de orçamento de Estado, apresentada pelo governo, suficiente? A resposta é não. Não é. E não é por não acabar com o défice, o que seria impossível, mas porque não demonstra vontade do poder político em mudar a estrutura e as funções do Estado. Há um corte na despesa, é certo. Mas este resulta da descida dos salários, é limitado no tempo e não abre qualquer perspectiva de, no futuro, tudo voltar ao que era antes. Ou seja, agora: uma dívida colossal que os mercados sabem que não podemos pagar.
O orçamento também é negativo por aumentar os impostos. A descida que se prevê do défice das contas públicas assenta também na subida da receita. Ora, não há qualquer certeza de que tal suceda com a recessão económica que vamos sofrer em 2011. Pior: sendo totalmente impossível aumentar impostos para 2012, a proposta do governo em matéria orçamental deixa o governo encurralado. Dá fôlego político a José Sócrates. Não há dúvidas quanto a isso. Mas é o país que fica sem futuro.
Perante este cenário, qual é a atitude mais sensata?
O PSD tem todas as condições para afirmar que a actual proposta do governo é melhor do que ameaçou durante meses, mas não chega. Passos Coelho tem condições para apresentar as suas sugestões, dispondo-se a negociá-las. Pode fazê-lo porque o PS já não dispõe de maioria absoluta no Parlamento e não pode impor a sua visão, como fazia antes e está a tentar fazer agora. É este ponto que o PSD não deve deixar fugir. Não se deve encurralar. Na verdade, caso o governo não queira negociar com PSD, o PS pode sempre pedir a aprovação do seu orçamento ao CDS. Um partido que tem andado calado, mas que pode vir a ser chamado à arena política. Então veremos se à direita o que temos é também algo semelhante a um BE ou um PCP.
Não há becos sem saída. Pode-se sempre sair por onde se entrou.
O estado prejudica o catolicismo. Assistir a uma missa é um hediondo acto prosélito.
Joseph Sobran: God’s Satirical Soldier. Por Jack Kenny.
Like most conservatives, Joseph Sobran, enjoyed being a contrarian, flatly contradicting the conventional wisdom, which he liked to describe as “what everybody thinks everybody else thinks.” Joe Sobran wasn’t “everybody” and he was only too happy to challenge, in his own special way, many of the things that “everybody knows.”
Não foi brincadeira: Mario Vargas Llosa é mesmo o Prémio Nobel da Literatura de 2010, mas não deixa de ser um bom escritor por causa disso.
“Prosperity or egalitarianism – you have to choose. I favor freedom – you never achieve real equality anyway: you simply sacrifice prosperity for an illusion.” Mario Vargas Llosa, prémio Nobel da literatura em 2010
Já está gravado o ‘descubra as diferenças’ desta semana com Rui Ramos e José Manuel Fernandes. Começámos por falar do 5 de Outubro, das lições que podemos retirar do que foi e representou a primeira República e não houve tempo para mais. De fora ficou a crise política actual. Ou talvez, não. Quem ouça o programa, vai ver que não. Está lá tudo. Amanhã, às 18 horas, na Rádio Europa.
Se o PSD estivesse mesmo à procura de espaço para inviabilizar o Orçamento, como esta notícia do DN procura dar conta, a convicção, anunciada pelo FMI, de que as medidas de austeridade anunciadas pelo Governo vão empurrar Portugal para a recessão, seria como ouro sobre azul para Pedro Passos Coelho. Oferece-lhe, como se ela ainda fosse necessária, a confirmação de que as medidas apresentadas pelo Governo são más e insuficientes para injectar credibilidade na nossa economia.
As coisas não são, no entanto, o que parecem. A notícia do DN não retrata propriamente a vontade de o PSD encontrar espaço e fundamento para inviabilizar o Orçamento. Antes pelo contrário, ela retrata, isso sim, a recente estratégia do PSD para encontrar espaço para o viabilizar. A estratégia, que seria boa se tivesse sido posta em prática desde o começo do folhetim orçamental, passa, por um lado, por fazer crescer o peso do PSD nas negociações do Orçamento e passa, por outro lado, por criar a imagem de um partido livre (e não encurralado, como efectivamente está) nas suas opções e confiante na sua liderança.
Se assim é, toda e qualquer notícia que acentue o disparate de Orçamento a apresentar pelo Governo terá por condão a diminuição do espaço político que Passos Coelho agora tenta criar. Essas notícias, que Passos agradecerá nos meses de execução orçamental, são agora dispensáveis para quem, como ele, procura aclimatar-se às irrenunciáveis pressões para viabilizar o Orçamento, que aqui já descrevi e para onde remeto.
Se Passos Coelho estiver, como em minha opinião está, num beco sem saída, estas notícias não só lhe diminuem o espaço político como oferecem, a quem já espreita, boas oportunidades para questionar a liderança de Passos, dizendo aliás dele o que Passos disse de Manuela Ferreira Leite…
Evo Morales patea a un rival durante un partido de fútbol
Presidente da Bolívia agride adversário durante jogo de futebol
Na inauguração de um relvado sintético em La Paz, Morales, nº 10 da equipa, deu uma joelhada ao funcionário público Daniel Cartagena, que tinha cometido uma falta sobre o Presidente. A equipa que jogou contra Evo Morales era constituída por membros dos seus antigos aliados políticos do Movimiento Sin Miedo.
Num momento em que as perspectivas económicas e políticas se complicam, a oposição a Sócrates no interior do PS começa a manifestar-se abertamente através das suas principais figuras: Deputado socialista faz críticas ao Governo: António José Seguro: portugueses “estão fartos de fazerem sacrifícios sem ver resultados”
“É preciso que os sacrifícios estejam ligados aos resultados”, acrescentou o deputado, apontado dentro e fora do PS como um dos mais fortes possíveis candidatos à sucessão de José Sócrates. Seguro, numa recente entrevista ao Expresso, admitiu mesmo que está disponível para se candidatar a líder do PS quando Sócrates sair.
António José Seguro referiu ainda que “a trajectória das últimas décadas vem endividando o país”, o que vai sobrecarregar as gerações futuras “com os encargos do estilo de vida das gerações actuais”, o que considerou “inaceitável”.
(via Rui A.: facas longas – 2)
A sucessão de Sócrates. Por Nuno Gouveia.
Seguro é, desde há muitos anos, o anunciado candidato à sucessão de Sócrates. Com estas afirmações está a marcar terreno em relação a António Costa e Francisco Assis, os outros dois pretendentes mais sérios ao lugar.
(…)
Não é preciso ser um sábio para perspectivar que a era pós socrática será muito complicada para o PS. Os militantes, por enquanto, mantêm-se totalmente fiéis a Sócrates. O poder e os lugares no aparelho de Estado são factores decisivos. Mas quando isso terminar, os militantes irão escolher aquele que mais condições lhes oferecer para regressar ao poder.
Sem câmaras de televisão e flotilhas pacifistas por perto, sem a culpa aparente de Israel (não acredito que não haja uma teoria conspirativa que faça a ligação ao estado de Israel), a situação do Darfur foge ao delírio desta república, à aldrabice das contas cada vez maiores que temos que pagar pelo socialismo espertista a que temos direito e merecemos. Deixo como sugestão de leitura um artigo da Dissent Magazine. A cor continua a pesar.
The daily Al-Akhbar newspaper on Wednesday said a solution is looming for the International Tribunal crisis.
It quoted well-informed circles as saying that among the suggestions to get out of the crisis comes through an announcement by Prime Minister Saad Hariri that Israel was involved in the assassination of his father.Al-Akhbar said a meeting between Hariri and Hizbullah chief Sayyed Hassan Nasrallah would be “very important,” given Nasrallah’s charisma which affects his ability to persuade others.
Via Miguel Noronha.
Curiosamente – ou talvez não – o Washington Post é bastante mais violento do que o New York Times na abordagem que faz à vida e obra de Joseph Sobran.
No New York Times: Joseph Sobran, Writer Whom Buckley Mentored, Dies at 64
Mr. Sobran (pronounced SO-brun), one of the conservative whiz kids whom William F. Buckley draft-picked for National Review straight out of college, made his mark with witty, thoughtful essays on moral and social questions. He was an unapologetic paleoconservative, opposed to military intervention abroad, big government at home and moral permissiveness everywhere.
No Washington Post: Hard-line commentator
Motivated by a strong Catholic faith, Mr. Sobran (pronounced SOH-brun) hardened his social views and cultivated a growing belief in U.S. isolationism in international affairs. He began to clash with Buckley on foreign policy matters during the Reagan administration and developed a deep antipathy toward Israel and Jewish lobbying interests in the United States.
Mr. Sobran later objected to what he considered executive overreaching by the administration of George H.W. Bush, writing that Bush was “the sort of politician our Founding Fathers were tying to prevent.” Mr. Sobran was among the few conservatives opposed to the 1991 Persian Gulf War.
By late 1991, Buckley had had enough of his fractious protege and published a series of articles about right-wing anti-Semitism. Without overtly calling Mr. Sobran an anti-Semite, Buckley left that clear impression. Other leading thinkers on the right, including neoconservative author and editor Norman Podhoretz, didn’t mince words in condemning Mr. Sobran’s views.
After Mr. Sobran retaliated with essays critical of Buckley in 1993, he was fired from National Review in 1993.
Os mistérios da República à luz de um mínimo de conhecimento histórico. Por António Figueira.
Se eu escrevesse posts sobre física ou química, também eram capazes de ficar assim, coxinhos. Mas eu não escrevo posts sobre física nem química, e se calhar a estimável Palmira Silva também não devia escrever posts sobre história, que têm um certo ar de redacções do ciclo preparatório.
Y el crepúsculo se difundia sobre la ciudad. Todo el cielo era una gran llama de oro. Un vaporcito blanco, procedente de la isla de Santa Margarita, se acercaba a la orilla del río surcando rápidamente las aguas. Súbitamente, lanzó un agudo silbido semejante a un grito de muerte. El silbido del vaporcito blanco repercutió en las rocas del monte Gerardo y, describiendo un invisible arco, voló hacia el cielo, en el que se dispersó por completo.
Lajos Zilahy, Primavera Mortal
Estávamos no final de Agosto. Descia a Huertas, em Madrid, e ia direitinho para o Los Rotos. Havia acabado de pousar as malas no hotel e caminhava com uma fome psicótica, mas pelo caminho não podia deixar de tentar encontrar uma alternativa válida a um alfarrabista onde sempre parava, e que estava nessa zona nobre, entre a taberna Los Gatos, a galeria La Fabrica e o novíssimo CaixaForum. Fechou, já há duas ou três peregrinações à cidade de Quevedo, da Las Ventas e das sandes de calamares. Devido à crise, por opção, para estar num melhor bairro, não sei. Mas fechou, deixando-me sem poiso livresco, já que, não sei por quê, mas há muito que não consigo arranjar forma (ou pretexto) de ficar mais de dois dias em Madrid e as livrarias para a vida não se encontram com atitudes levianas. Mas ali estava uma candidata, numa Huertas já muito batida — ou nem tanto —, no número 49: a Libreria el Renacimiento. Andava a esquivar-se.
(imagem via jugular)
Artigo 328.º
Ofensa à honra do Presidente da República
1 – Quem injuriar ou difamar o Presidente da República, ou quem constitucionalmente o substituir é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa.
2 – Se a injúria ou a difamação forem feitas por meio de palavras proferidas publicamente, de publicação de escrito ou de desenho, ou por qualquer meio técnico de comunicação com o público, o agente é punido com pena de prisão de 6 meses a 3 anos ou com pena de multa não inferior a 60 dias.
3 – O procedimento criminal cessa se o Presidente da República expressamente declarar que dele desiste.Artigo 332.º
Ultraje de símbolos nacionais e regionais
1 – Quem publicamente, por palavras, gestos ou divulgação de escrito, ou por outro meio de comunicação com o público, ultrajar a República, a bandeira ou o hino nacionais, as armas ou emblemas da soberania portuguesa, ou faltar ao respeito que lhes é devido, é punido com pena de prisão até 2 anos ou com pena de multa até 240 dias.
Eu poderia ter expresso mais exuberantemente o que me passou pela alma no dia de ontem, mas a pitoresca noção de igualdade – a começar pela igualdade perante a lei – da nossa república (vislumbrada aliás também no acesso igualitário às cerimónias), a sua curiosa noção de liberdade de expressão e a sua tolerância à crítica, bem como a sua protecção arreigada dos têxteis e da música não me deixaram grande margem de manobra.
Com a morte de Joseph Sobran, o conservadorismo norte-americano perde um dos seus mais brilhantes e incisivos escribas.
À medida que os anos foram passando, Sobran tornou-se gradualmente mais radical – aproximando-se das posições de Murray N. Rothbard e Hans Hermann Hoppe – o que o levou a ganhar novos e poderosos inimigos, especialmente entre os neoconservadores pelas suas posições anti-intervencionistas no âmbito da política externa e, em particular, pela sua feroz oposição às acções militares dos EUA no Médio Oriente.
Para além de ter um imenso talento para a escrita, Sobran pronunciava-se de forma corajosa, descomprometida e apaixonada, de tal forma que, mesmo quando enquanto leitor discordava dos seus argumentos, era difícil não ficar com pelo menos alguma simpatia pela posição dele depois de ler um dos seus artigos.
Num panorama mediático e de opinião onde imperam os lugares-comuns e a mediocridade, Sobran destacou-se pela sua capacidade para gerar polémica, mas também pela superior qualidade dos seus textos. Que descanse em paz.
As boas intenções não chegam: old habits never die… Por António Nogueira Leite.
Ao contrário do que as ‘autoridades’ nos vão fazer crer, o 5 de Outubro e a República que atabalhoadamente se implantou nesse dia, não foi algo que mereça comemoração. Uma data triste, não pelo fim da Monarquia e o exílio do rei, mas pelo terror que começou naquele dia em 1910 e se estendeu durante anos a fio. A instabilidade política, a corrupção, a chantagem, as fraudes eleitorais, os assassinatos e os atentados bombistas, cirúrgicos e não só, ao calhas, para matar quem passasse. A tentativa de destruir e apagar as crenças pessoais de milhares de pessoas; o objectivo de criação de uma sociedade nova, a partir de formulas já na altura ultrapassadas. Um regime atrasado, carregado de ódios que só podia ter acabado numa ditadura republicana que impôs a ordem.
Cem anos passados, esse horror, infelizmente, já não é o mais doloroso. O que choca, um século depois, foi a falta de alternativa dos portugueses na altura. A Monarquia, tal como era não servia, nem teve força para regressar; a República não tinha respostas, mas ficou. Apesar da violência e das inúmeras asneiras cometidas, lá se aguentou à falta de melhor.
Não há muito para comemorar em 2010. Também agora há dificuldade na escolha de uma alternativa. O que queremos? Que caminho seguir? Cem anos mais tarde e tanto sofrimento depois, parece que aprendemos pouco. Comemorar o quê?
Não se poderá descomemorar a I República e celebrar a democracia? Por José Manuel Fernandes.
A I República não acabou a 28 de Maio de 1926 – terminou a 19 de Outubro de 1921, na “Noite Sangrenta”. Morreu moralmente quando mataram o seu herói fundador, Machado Santos. O marinheiro que, na Rotunda, salvou a revolução republicana ao não desertar – como a generalidade dos oficiais que o acompanhavam – nem se suicidar – como o almirante Cândido dos Reis, o líder formal da revolta – acabaria por morrer às mãos de uma trupe descontrolada que, após mais um golpe de Estado, tomou por uma noite conta de Lisboa. Foi uma noite em que a “fera a fera que todos nós, e eu, açulámos” andou “à solta, matando porque era preciso matar”, como na época disse Cunha Leal, e “os actos revolucionários que visam a conquista do poder tiveram a condenação suprema”, como acrescentou Jaime Cortesão.
Depois do 19 de Outubro ainda houve I República – tal como houvera Monarquia depois do assassinato do Rei D. Carlos. Mas era um regime ferido e irreformável, sucedendo-se os governos e os escândalos sem renovação ou remissão possível. Depois dessa noite de Outubro de 1921 não houve mais ilusões: a República nunca seria como Machado Santos a tinha sonhado – uma “república para todos os portugueses” –, antes continuaria a ser “a república para os republicanos” tal como João Chagas a definira. Sendo que por republicanos se deviam entender os membros do partido radical de Afonso Costa, o Partido Republicano Português (PRP).
Não deixa por isso de ser estranha a forma como, 100 anos depois, se está a comemorar a I República. Primeiro, porque isso está a ser feito de uma forma que reduz a realidade complexa de então a uma falsa dicotomia entre uma Monarquia corrupta e uma República redentora. Depois porque, de forma chocantemente manipulatória, se pretende fazer radicar tudo o que hoje associamos à democracia em que vivemos no espúrio regime de então. Só encontro uma explicação para isso, e não é entusiasmante: a existência de angustiantes paralelos entre o regime que saiu do 5 de Outubro e certas práticas políticas dos dias que correm.
Comunicado da Plataforma Resistência Nacional: Educação sexual nas escolas…
Coube-nos em sorte viver num tempo em que o óbvio deixou de o ser. Fomos apanhados de surpresa? Em parte. Na parte exacta em que às coisas que o nosso “instinto moral” tem como boas e duradouras falta, por vezes, o apoio de um discurso mais convincente para todos.
Também por isso, este tempo é um tempo bom.
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