Michael Coren with Dr. Tim Ball – part 5
Outubro 21, 2010
O problema principal não é Sócrates
O fracasso do socialismo. Por Adolfo Mesquita Nunes.
Sejamos claros: a nossa economia chegou a este ponto não tanto porque o Governo é mau e irresponsável mas sim porque o Governo é socialista e quer manter, fortalecer e robustecer o Estado Social. Não é popular, bem sei, mas é a verdade. Estaríamos mais ou menos na mesma se, pelo PS, tivéssemos um Primeiro-ministro com sentido institucional. Teríamos mais verdade, mais responsabilidade e mais transparência, mas estaríamos exactamente na mesma: falidos.
Por uma questão de coerência
Espera-se uma tomada de posição do PCP a condenar a atribuição do Prémio Sakharov deste ano.
Nota introdutória
Foi a blogosfera que me despertou seriamente uma consciência política que me tem acompanhado, bem ou mal, nos últimos anos. A divulgação de ideias e a proliferação de opiniões que ela proporcionou, enriqueceu-me sem me pedir nada em troca. Por exemplo, para lá das ideias, foi ela que me apresentou – bem antes de os conhecer pessoalmente – o Micha e o Adolfo, pessoas por quem pratico, em simultâneo e com gosto, a amizade e a admiração, e que me motivaram a dar passos que antes não imaginaria dar.
Ao longo de todo este tempo, fui de atento curioso a compulsivo autor, experimentando espaços temporais de mera observação onde colhia os mais diversos conselhos expostos nas vitrines das melhores montras blogosféricas. E houve algo que nunca mudou. O Insurgente foi uma referência de sempre, parte insubstituível nas minhas leituras diárias e instumento fundamental do meu enriquecimento pessoal.
Por isso, Adolfo, o teu sentimento de recompensa é tão justificado como o meu sentimento de realização nesta que sempre foi, afinal, a minha casa, contigo que sempre foste, como sabes, a referência.
As vozes anónimas do dono
Informação de última hora: Num gesto que visa contribuir para a “transparência do debate público”, os vários autores do Câmara Corporativa vão assumir publicamente as respectivas identidades e divulgar todas as relações laborais e contratuais existentes entre os autores do blogue e o PS e/ou o actual governo socialista.
Governo continua a contratar assessores e a aumentar ordenados
Numa altura de cortes nos salários e anunciados congelamentos na Função Pública, continuam a surgir nomeações para os gabinetes governamentais em «Diário da República». E até há um aumento de salário cinco dias antes da apresentação do OE2011.
O estado da liberdade de imprensa em Portugal
Portugal cai para 40.º no ranking da liberdade de imprensa, o lugar mais baixo desde 2004
São dez lugares mais abaixo que no ano passado: Portugal caiu em 2010 para o 40.º lugar no ranking da liberdade de imprensa elaborado pela associação internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Esta é a pior classificação nacional desde que os RSF criaram a lista, em 2002.
Cabo Verde: Governo se congratula com subida “significativa” no “ranking” da liberdade de imprensa
O governo de Cabo Verde se congratulou hoje (quinta-feira) com a subida significativa do país no ranking da liberdade de imprensa, que o torna no primeiro lusófono na tabela divulgada na quarta-feira pelos Repórteres Sem Fronteiras (RSF).
Num comunicado da Presidência do Conselho de Ministros, o Executivo de José Maria Neves destaca a subida do 44.º para o 26.º lugar na tabela, entre os 178 países analisados, afirmando que demonstra que Cabo Verde “tem uma real liberdade de imprensa”.
(…)
O contrário passou-se com Portugal, que desceu do 30.º lugar para o 40.º, Moçambique, que caiu do 82.º lugar para o 98.º, e Timor-Leste, do 72.º para o 93.º, enquanto a liberdade de imprensa em São Tomé e Príncipe, sem avaliação registada na tabela, é considerada “satisfatória”.
Liberdade de Imprensa: o Index
A agência Lusa dá a notícia. Mas antes do singular e seca frase onde refere Portugal (no penúltimo de 14 parágrafos, escondida atrás de comentários sobre Timor-Leste), teve tempo para mencionar o Brasil, Angola e os PALOP em geral, os crimes noutros países e até a importância do desenvolvimento económico para a liberdade de imprensa. A nossa sorte é que os portugueses não dependem da agência Lusa para ter notícias, porque, como se vê em mais este exemplo, se esse fosse o caso estariam hoje emparelhados com tanta liberdade de imprensa como a que existe na Eritreia, Turquemenistão e Coreia do Norte.
Vale a pena ler também a contestação da “jornalista de causas” Fernanda Câncio ao relatório dos Repórteres Sem Fronteiras.
Jesus explica
Benfica: mais cantos, mas nem um remate em Lyon
O Benfica deixou o Stade Gerland sem fazer um único remate enquadrado com a baliza, na derrota com o Lyon (2-0) para a terceira jornada da Liga dos Campeões
Relação entre o PIB e a despesa pública
Peso do Estado, correlação e causalidade. Por João Miranda.
Dois senhores feudais. Nas terras do primeiro a população ganha 1000 per capita. Nas terras do segundo a população ganha 2000 per capita. O primeiro cobra 20% à população, o segundo cobra 40%. Pode-se concluir que quanto maior o saque maior a riqueza gerada pela população? Ou, pelo contrário, deve concluir-se que quanto maior o rendimento maior a tolerância da população em relação ao saque?
Novo Insurgente: Tiago Loureiro
Quem nos segue na nossa página do Facebook já saberá que a partir de hoje contamos com um novo membro n’O Insurgente, o Tiago Loureiro. Alguns conhecê-lo-ão da blogosfera já que, apesar dos 24 anos, não é propriamente um novato nestas andanças, tendo eu tido a sorte de com ele poder contar, por exemplo, no Rua Direita.
Por ser meu amigo, e só por isso, cabe-me a tarefa de o apresentar aos leitores d’O Insurgente. Mas o Tiago não entra hoje para O Insurgente por ser meu amigo, que agradeço; ou por ser um fanático de Jorge Palma, que é sinal de bom gosto; ou sequer por ser sportinguista, que lamento.
O Tiago entra hoje para O Insurgente, como espero que muitos entrem no futuro, porque, como cada um dos que aqui está, à sua maneira, tem más relações com o socialismo e preza demais a liberdade. E gosta de explicar porquê.
Cada um terá as suas razões para se afastar do socialismo e prezar a liberdade. No caso do Tiago, como ele próprio diz, sendo capitalista não praticante (ao que parece, o dinheiro não lhe sobra nos bolsos), sempre preferiu ser ele gastar mal o dinheiro. É um excelente motivo, a juntar a todos os outros que ele por aqui evidenciará.
O Tiago logo explicará, se tiver vagar, o papel que a blogosfera desempenhou na sua tomada de consciência política. Mas posso garantir-vos que a sua entrada hoje, neste blogue, me dá uma particular sensação de recompensa. E digo-o sem qualquer paternalismo. Antes pelo contrário. Terão ocasisão de perceber porquê.
Não há becos sem saída (2)
Ontem ficámos a saber que o PSD se predispõe a negociar o orçamento, acentuando os cortes na despesa e reduzindo o aumento nos impostos, como pretende o governo. Conforme já tive oportunidade de referir, Passos Coelho consegue impor esta negociação por ter afirmado, desde o início, não dar carta branca a qualquer proposta vinda de São Bento. Com isto, o PS percebe de uma vez por todas que já não tem maioria absoluta e obriga-se a emagrecer o Estado. Algo que nunca quis fazer, mas que tem de ser feito. Inevitavelmente feito.
A partir de agora e até à votação do orçamento, já em Novembro, esta é uma excelente oportunidade para o PSD aprofundar o seu discurso, com uma visão mais liberal, não socialista, mais justa e menos oportunista da sociedade em que vivemos. Daqui em diante, e porque o dinheiro acabou, governar não se reduz a investir o dinheiro dos contribuintes. Vai ser mais difícil, mas também mais compensador: permitir o surgimento de uma sociedade livre, que vê o Estado como um apoio de última instância e nunca como um conjunto de instituições que sustentam os mais fortes.
Outro ponto importante são as críticas feitas a Passos Coelho por o PSD agir da forma como que tem agido, ou seja, como partido político que é, fazendo política. Os avanços e recuos a que assistimos, os bluffs, silêncios, a gestão do tempo, etcetera e tal, não são nada mais que isso: política. Criticar um partido por esta prática é não apenas estranho, como também incongruente com as censuras feitas aos que, como o PCP e o BE, tomam posição imediata sobre um assunto tão importante para o país sem medirem nas consequências dos seus actos.
Vejamos como correm as negociações. De toda a maneira, os becos podem mesmo ter saída.
O papão do multiculturalismo
Todas as sociedades são multiculturais. O problema não é pois o multiculturalismo, mas sim algum multiculturalismo. O factor de sucesso de uma sociedade multicultural não é político, nem jurídico, como diz Henrique Raposo. Na Alemanha, os turcos vivem entre si, como em França o fazem por exemplo os imigrantes de origem magrebina ou da África negra. Não vale a pena o Henrique dizer que não há comunidades mas sim indivíduos porque a realidade fala por si. Se uma série de indivíduos com características minoritárias (religiosas, raciais, ou linguísticas) decide conviver com outros indivíduos com características semelhantes, podemos falar de uma comunidade. Distinguir multiculturalismo de cosmopolitismo, assumindo que neste a segregação não é tão forte, parece um jogo semântico porque não há forma de distinguir com rigor um e outro. Por outro lado, dentro de um mesmo país a integração/segregação dos imigrantes tem nuances. Os alemães e franceses das grandes cidades são tendencialmente mais tolerantes, havendo no entanto uma forte segregação (ou ‘guetização’, como diz a esquerda) entre os nacionais e os estrangeiros, que se concentram massivamente em bairros periféricos. Os alemães e franceses das zonas rurais são bem menos tolerantes mas, contrariamente ao contexto anterior, os imigrantes vivem no meio dos nacionais e esforçam-se mais para se integrar. Isto para dizer que falar de ‘multiculturalismo’ é um bocado fácil, devendo ser deixado esse jargão para os políticos (sempre em busca da nova moda para ganharem popularidade). Este é um ponto prévio.
Mas o problema das críticas ao multiculturalismo nem é tanto a sua falta de rigor. É sobretudo o seu lado romântico e utópico. Sendo que a extrema-direita não está sequer perto de chegar ao poder na Alemanha ou em França, é de supor que o fluxo de imigração se vá manter inalterado. E mesmo que ele seja moderado, o número de imigrantes nestes dois países é hoje suficientemente grande e as cisões culturais existentes tão fortes que é ilusório apelar ao respeito da lei e das regras por parte de todas as comunidades minoritárias. Por um lado, a pressão demográfica destas comunidades sobre os nacionais (muçulmanos e negros fazem muitos filhos) faz que dentro de poucas décadas elas se tornem relevantes e consigam competir em termos de acesso aos lugares políticos (vedar este acesso por via legal só teria efeito temporariamente, e nem se vê bem como isso poderia ser feito pois quem tem direito à nacionalidade tem automaticamente direito a votar e a ser eleito mal atinja a maioridade), e com isso que consigam mudar as próprias leis de acordo com os seus interesses. Por outro lado, não me parece que os governos francês e alemão se preparem para parar o fluxo migratório e comecem a expulsar em massa os turcos ou magrebinos para os respectivos países (única solução prática contra a pressão demográfica). Tal provocaria fortes resistências e o mais provável seria que eclodisse uma guerra civil, com possíveis atentados terroristas (afinal falamos de muçulmanos…) e ataques de membros destas comunidades contra os civis indígenas.
Goste-se ou não, hoje na Europa está a criar-se o cenário para um choque cultural violento. Quem o quiser evitar, tem que defender intransigentemente a liberdade: garantindo o direito à auto-determinação de zonas maioritariamente turcas e/ou muçulmanas ou de uma determinada etnia africana por exemplo; garantindo o direito à discriminação nos serviços públicos ou no trabalho (primeiro ser atendido num serviço público não é nenhum direito, depois um empregador devia ser livre de assumir que só contratava brancos ou católicos se o quisesse – estas duas medidas iriam favorecer a concentração comunitária e a segregação, de que poderia resultar a saída voluntária do país por parte dos discriminados ou o avanço para a criação de movimentos autonomistas); permitindo as câmaras não aceitarem mais estrangeiros (ou restringindo-lhes os direitos cívicos); vedando-lhes ou dificultando-lhes o acesso à nacionalidade; ou ainda não os incluindo no sistema de segurança social (enquanto ainda são minoritários tal seria possível sem grandes tumultos, isentando-os, claro, da respectiva contribuição).
O multiculturalismo não é um problema em si, não é por isso nenhum papão, nem está em falência. Só se torna um problema quando se quer integrar à força povos com culturas demasiado diferentes sob o mesmo ordenamento jurídico e administrativo. Foi esta ideia iluminista que faliu.
Acabou
Parece que acabou. Por Luciano Amaral.
É a quebra de uma velha tradição. Ao longo dos últimos trinta e seis anos foi sempre possível montar mais um programa social, encontrar mais uma despesa para fazer, actualizar mais uns vencimentos ou pensões acima da inflação. Parece que (pelo menos por enquanto) acabou.
(…)
O fascinante espectáculo das últimas semanas a propósito do orçamento comprova isso mesmo: agora que os cortes são a sério, ninguém quer ficar com a monstruosa criancinha nos braços. O PS não quer responsabilizar-se sozinho pelas brutalidades, e parece até alimentar a secreta esperança de poder abandonar o navio já. Só precisa que o PSD o ajude a não aprovar o orçamento. O PSD não quer ter nada que ver com isto. Só não sabe qual a melhor maneira de o fazer: abster-se ou votar contra. Seja como for, fazer política em Portugal vai passar a ser bastante diferente do que foi até agora.
Ahmed, the palestinian burning-flag salesman
É um vídeo que agradará, por certo, a muita gente – desde os adoradores da rua árabe (seja lá o que isso for) aos verdadeiros liberais. Descontraíam, usufruam destes momentos lúdicos.
Nota da régie: Como já passa da meia-noite, é possível passar conteúdos menos apropriados.
Cristina Kirchner vs. liberdade de expressão
Mais uma vez, Kirchner ameaça a liberdade de imprensa. Por Magno Karl.
O espetáculo estatista de horrores parece não ter fim na Argentina. Hoje, a presidente Cristina Kirchner defendeu a “nacionalização” da imprensa. Segundo ela, faltaria “consciência nacional” à mídia argentina.
O ataque de governantes eleitos à imprensa em momentos de crise não é raro. É o óbvio movimento de culpar o mensageiro pelas notícias ruins; arte que os políticos dominam tão bem.
As ameaças de Kirchner à liberdade de imprensa argentina não começaram hoje, e devem ser levadas à sério.
Outubro 20, 2010
Em busca de um chumbo
Despesa do Estado volta a subir. Mais 2% em 9 meses
Passos Coelho: “O país inteiro sabe quem devia estar a pedir desculpa a Portugal”
Silva Pereira critica PSD mas desafia a nomear equipa negocial
O PS não aceita nada que não seja um chumbo. O Presidente da República sai gravemente afectado no seu crédito. Por Jorge Costa.
É, para mim, muito claro, para já, que o Presidente da República mediu mal o calibre das pessoas que tem no Governo. Empenhou o seu crédito numa solução negocial que jamais foi desejada pelo primeiro-ministro, que aposta tudo em fazer-se empurrado, e certamente que a sua irrelevância para evitar uma crise que sugeriu ser possível evitar com os seus bons préstimos fica eloquente no desfecho.
Objectivo conseguido
Acho que o Rui Carmo foi demasiado duro com o Benfica. É verdade que, com mais esta derrota, o Benfica iguala o modesto desempenho do Braga no final da primeira volta da fase de grupos da Champions, não aproveitando o facto de ter adversários mais acessíveis e não tendo a atenuante de ser estreante. Mas ainda assim, como salienta Jorge Jesus, foi mais uma vez atingido o objectivo de evitar uma goleada.
Sinais dos tempos
De facto, vencer é normal. Roberto terá sido o melhor elemento do fofó em campo. São bons os sinais dos tempos.
Propaganda na blogosfera
O novo blogue de João Távora e Leonardo Gonçalves: propaganda.
Há uma forte contenção
A proposta do vereador do Espaço Público, José Sá Fernandes, foi aprovada hoje na assembleia municipal, com os votos favoráveis do PS, do BE e dos seis deputados independentes do movimento Cidadãos por Lisboa (eleitos nas listas do PS) e com as abstenções do PSD e do CDS. O PCP, o PEV e o MPT votaram contra.
Segundo o documento, foi realizado um concurso público de concepção das iluminações, ganho pelo agrupamento J.C. Decaux Portugal, Mobiliário Urbano e Publicidade/Castros, Iluminações Festivas, que apresentou uma proposta “com o valor de 699 125 euros, ao qual acresce o IVA à taxa legal em vigor de 21 por cento”.
Com essa soma, acrescenta a proposta, perfazem-se quase 846 mil euros, não havendo lugar a nenhum pagamento ainda este ano.
Observatório de imprensa
E estes não são tanto pela estatização dos media. A demonstração de algum desagrado, será apenas uma forma desportiva, de cariz lúdicócultural.
The studios of the privately owned media outlet Scope TV in Kuwait lay in shambles Tuesday after a mob of 150 people armed with knives and pistols stormed its offices over the weekend, smashing windows and hitting the staff shortly after the channel broadcast a show that criticized Kuwait’s ruling family, Arab media reports say.
Several members of the ruling family are suspected of having taken part in Sunday’s attack on the TV station, which reportedly resulted in more than $1 million worth of damage to its offices and spurred it to halt broadcasts.
“They forced us off the air and started smashing computers, sets, studio equipment and cameras,” Scope TV cameraman Fahad Rashed told the Associated Press.
A catequese da eco-religião
Pelos eco-profetas.
Leituras complementares: Definições científicas da eco-religião; Eco-estado novo; Eco-cartoon.
Ainda continuam públicas mas…
Na imprensa há rumores de que o custo da taxa de televisão será congelado por seis anos e que a BBC irá tomar a seu cargo o financiamento do Serviço Mundial de rádio, até agora pago pelo ministério dos Negócios Estrangeiros.
Em 2011, haverá um duplo aumento na factura mensal da electricidade. À subida de 3,8% no preço é preciso juntar o agravamento em quase 30% da contribuição audiovisual, prevista na proposta de Orçamento do Estado.
Mais uma razão porque não consigo assistir a qualquer programa da RTP: dá-me voltas ao estômago.
Deixem-nos trabalhar
Sudan has been under a comprehensive U.N. arms embargo for six years. But at a briefing this month, a U.N. panel responsible for implementing the embargo told the Security Council that Sudanese forces have used more than a dozen types of Chinese ammunition against Darfurian rebels over the past two years.
The panel also reported finding recently manufactured shell casings from Chinese ammunition at the site of numerous attacks launched by unidentified assailants against peacekeepers from the joint U.N.-African Union mission.
“These were very concrete allegations against the Chinese,” said a U.N.-based diplomat familiar with the issue. “The Chinese don’t want the report to be published.”
Leitura complementar: Nota de rodapé.
Consultadoria gratuita (3)
Uma coisa é certa, quanto mais baixo dentro da hierarquia do Estado estiver a decisão maior é o conhecimento dos potenciais desperdícios e/ou possibilidades de poupança.
Pela minha própria experiência sei que a mais eficiente inovação de procedimentos (com vista a melhorar rentabilidade de determinado departamento/empresa) tem sempre o envolvimento de quem melhor conhece a situação actual: os trabalhadores. Contratar consultores pode ajudar mas sem o real desejo de mudança por parte dos trabalhadores, a probabilidade de sucesso é radicalmente reduzida.
Esta pequena reflexão diz-me também que quaisquer medidas governamentais para reduzir a despesa do Orçamento de Estado terão fraca implementação se aquelas não partirem da iniciativa “empresarial” dos próprios funcionários públicos.
Chego, pois, às seguintes sugestões:
- Iniciar um programa de inovação na Função Pública, de fácil e rápida execução (se as medidas demoram meses a serem implementadas, trabalhadores perdem o interesse) com o objectivo final de redução 15% da despesa total.
- Remunerar as melhores ideias (proporcionalmente à despesa poupada).
- No ano seguinte à realização de determinada medida com sucesso comprovado, atribuir, como prémio, parte da poupança aos trabalhadores do respectivo departamento.
- Dado que existe uma dificuldade legal em reduzir o número de funcionários públicos, conceder, durante um ano, metade do salário a quem sugerir medidas conducentes à extinção do seu posto de trabalho (optando pelo sector privado).
- No ano seguinte à redução do posto de trabalho descrito no ponto 4., atribuir aos restantes trabalhadores do respectivo departamento um prémio correspondente a metade da poupança inicial (i.e. um quarto do salário).
A queda dos muros
Merkel recentemente veio reconhecer que a Alemanha falhou na sua política de integração dos emigrantes, o que só é uma surpresa para quem tem vivido nos últimos anos como a avestruz, com a cabeça enfiada na areia. O Henrique Raposo faz uma excelente análise no expresso online sobre este tema, cuja leitura recomendo.
França e Alemanha aparecem cada vez mais alinhados na preservação da identidade europeia, como comunidade de indivíduos, assente na Rule of Law, e na defesa de um modo de vida baseado na liberdade e no pluralismo.
O mundo está a mudar a um ritmo acelerado, e pelo menos uma certa Europa começa a perceber que a última coisa que lhe falta é perder a sua identidade e os seus valores fundamentais.
Árabes ou palestinianos?
O neo-nasserismo de Helena Matos. Por Miguel Madeira.
…
Mas a deriva nasserista/baathista/pan-árabe de Helena Matos cai no erro de todos os nacionalismos que julgam que o que faz uma nação é um passado partilhado; não é – o que faz uma nação é o desejo de viver um presente e um futuro partilhado (e quando esse desejo existe, facilmente se inventa esse tal passado partilhado) – o caso mais paradigmático é mesmo o de Israel (uma nação deliberadamente criada por indivíduos que decidiram, de forma racional e voluntarista, constituir uma nova nação em vez de continuarem a pertencer às nações em que tinham vivido durante séculos), mas praticamente todas as nações surgidas no século XX andam lá perto (há uns séculos atrás, quem ouvia falar em “checos”? O que havia era “boémios”, “morávios” e talvez mais um ou outro grupo; e que moçambicanos havia no século XIX? E paquistaneses antes da partilha da Índia? E bangladeshis? E os moldavos, que só são uma nação porque viram que a Roménia estava ainda mais falida que eles? E , já agora, em 1760 qual era a diferença entre o que veio a ser os EUA e o que veio a ser o Canadá?).
A verdade é que os “palestinianos” poderiam ser tão só e apenas “árabes” durante séculos, mas a partir do momento em que, após 1948, nos campos de refugiados começaram a aparecer grupos “palestinianos”, que tiverem que lutar tanto contra Israel como contra a repressão jordana e egípcia (o primeiro morto da Fatah foi morto pelos jordanos, não pelos israelitas), surgiu uma identidade nacional palestiniana, distinta (embora não necessariamente contraditória) da identidade árabe, como das identidades tribais e clânicas pré-existentes. E a prova disso é que durante décadas o grupo palestiniano mais importante foram os “nacionalistas palestinianos” da Fatah, enquanto nunca ninguém ligou muito aos “nacionalistas árabes” da Saika ou da FLA, nem à primeira direcção da OLP, de Ahmed Shukeiri (que havia sido largamente escolhida pela Liga Árabe) – ou seja, os “palestinianos” consideram-se um povo, e é isso que os faz um povo (creio que foi Alexandre Herculano – será que os liberais do Blasfémias não o leiem?! – que disse “Nós somos portugueses porque quisemos ser portugueses”).
Desemerdem-se
Andava a ruminar um post sobre a redução da despesa pública e eis que o Gabriel Silva se antecipa. Julgo no entanto que há algo a acrescentar. A proposta não é assim tão crua. Há uma razão prática para que seja exequível, aliás, não anda longe do que foi feito na Nova Zelândia quando da crise por que passou aquele país no início dos anos 90.
O Ministro das Finanças lida com grandes números, não faz ideia quanto gasta a Repartição de Finanças de Mafamude em papel higiénico ou ajudas de custo, ou a Ministra da Saúde, quanto gasta o Centro de Saúde de Alguidares do Meio em seringas, pensos, medicamentos e horas extraordinárias. Uma coisa é certa, quanto mais baixo dentro da hierarquia do Estado estiver a decisão maior é o conhecimento dos potenciais desperdícios e/ou possibilidades de poupança.
Se no topo da hierarquia for tomada a decisão que dê por onde der todo e qualquer serviço do Estado tem que cortar 15% nas suas despesas, sendo que esse corte desce pela hierarquia abaixo, nada impede a exequibilidade da decisão. Há-de chegar ao escriturário que ele próprio tem que cortar. Se no fim faltarem 5% e tiver que chegar às despesas com pessoal (já descontando ajudas de custo, horas extraordinárias, etc) a escolha é simples: ou todos levam um corte de 5% nos salários ou 10% vai para o olho da rua.
O que o Ministro das Finanças tem que dizer aos outros é: cada um leva um corte de 15% no orçamento. Desemerdem-se.
Outubro 19, 2010
Desculpe??
A Comissão Europeia veio, ao que parece, e em comunicado, sugerir a criação de um novo imposto, desta feita europeu, para aumentar os recursos próprios da União. O objectivo, segundo diz a Comissão, é reduzir as contribuições dos Estados-membros.
Não entendo.
Se o dinheiro dos Estados vem dos contribuintes, qual é a necessidade de reduzir a contribuição dos Estados-membros, já que é o mesmo contribuinte que paga?
E já agora, se o contribuinte é o mesmo, a criação deste novo imposto envolve a proporcional redução das cargas fiscais nacionais? Ou o objectivo, vai lá ver, não é tanto o de reduzir a contribuição dos Estados-membros mas, isso sim, o de agravar ainda mais a carga fiscal dos contribuintes?
“Apoios”
O PSD está neste momento reunido para decidir se irá ou não aprovar o orçamento de Estado apresentado pelo Governo ao Parlamento. Segundo a comunicação social, que aparentemente sabe os resultados da reunião antes mesmo de esta ter terminado (sempre um excelente indicador acerca da independência de espírito dos participantes na dita), o partido laranja irá apresentar uma série de condições que o PS terá de satisfazer para que o Orçamento possa ser viabilizado. Uma dessas condições impostas pelo PSD está a da inclusão de uma série de “apoios às empresas”. Ou seja: o PSD de Passos Coelho, supostamente preocupado com a excessiva despesa pública, quer que o Orçamento “apoie” as empresas, através da despesa pública. O dr. Passos Coelho, pelos vistos, não consegue meter naquela cabecinha manipulada por Ângelo Correia que as empresas que precisam de “apoio” são as que não o merecem, e que as que o merecem não precisam de apoio, precisam que não lhes ponham obstáculos à frente. Tal como não percebe que para “apoiar” as empresas que precisam de “apoio”, está necessariamente a colocar obstáculos às que dispensam o tal “apoio”. Entre os “apoios” que o eng. Sócrates oferece, e os que o dr. Passos Coelho exige, uma série de gente acabará desamparada para alimentar estes “estímulos” que os responsáveis políticos gostam de distribuir.
O Insurgente no Facebook (2)
Em menos de 24 horas, a página própria d’O Insurgente no Facebook já reuniu mais de 100 pessoas. Obrigado a todos os que se inscreveram e também a quem está a ajudar na divulgação da mesma.
Chico Buarque toca o pandeiro para a candidata do PT
“Vim reiterar meu apoio a essa mulher de fibra, que já passou por tudo, e não tem medo de nada. Vai herdar um governo que não corteja os poderosos de sempre. O Brasil é um país que é ouvido em toda parte porque fala de igual para igual com todos. Não fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai”.
Assim falou o compositor brasileiro Chico Buarque num ato de apoio à candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, ontem no Rio de Janeiro. O apoio, obviamente, não espanta. Ele preserva a biografia esquerdista do compositor. Mas o que interessa são os atributos atribuídos à candidata.
Segundo Buarque, Dilma não tem medo de nada. Isso é bom? O medo é um mecanismo de defesa que nos alerta contra os perigos de nossas acções ou as de terceiros. Se a candidata não tem medo de nada nos coloca sob um risco institucional tremendo. Significa que vai adoptar posições políticas e agir sem levar em consideração os perigos de suas decisões. Já pensaram no tamanho do problema causado por um presidente da República que decida apoiar os regimes de Cuba e do Irã?
Nosso grande compositor depois afirma com a propriedade que lhe é peculiar que a Dilma não só vai ganhar a eleição como “vai herdar um governo que não corteja os poderosos de sempre”. Fico bastante mais tranquilo ao ler isso. Mas vamos lá ver o significado dessas palavras. O governo Lula tem o apoio de políticos como José Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor de Melo et caterva. Também tem o apoio daquela parcela dos empresários que apoiam quem está no poder. Não porque o capitalismo esteja livre das amarras ideológicas, mas porque os incentivos criados pelo Estado excitam aqueles donos de empresas ávidos por uma licitação especialmente elaborada de forma a respeitar a antecipada escolha dos vencedores. É o capitalismo de Estado na versão vintage, mas sem a dignidade e o sabor do vinho do Porto.
Consideremos, no entanto, que o nosso mestre do samba tenha esquecido esses pormenores e que Lula, de facto, não tenha cortejado os poderosos de sempre. A frase deixa em aberto o cortejar a outros poderosos. Quem seriam? Os companheiros de PT? Os sindicalistas? A burguesia do capital alheio (copyright Reinaldo Azevedo)?
Tem mais? Como não? Buarque nos garante que o Brasil agora tem voz na sociedade internacional porque fala de igual para igual com todos. Considerando que o nosso presidente orgulha-se de só saber rudimentos do português com os quais consegue comunicar-se (de forma bastante eficiente, diga-se) fico a imaginar o que representa esse falar de igual para igual. E considerando os insucessos da diplomacia brasileira na esfera internacional é o caso de pensar se falar de igual é melhor do que ser compreendido e respeitado.
Quanto à última frase, trata-se de um primor de sofisticação ziriguidum: “Não fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai”. Fala, portanto, naquele estilo vocal indefinido próprio de adolescentes. E sabemos bem quão irritante é a voz e o, digamos, pensamento na adolescência.
É, realmente, o apoiante perfeito para a candidata adequada.
Garantir a redução do défice
Tendo em conta o não cumprimento do segundo Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC2), o Orçamento de Estado [OE] para 2011, do Governo de Sócrates, não tem grande credibilidade. Fala-se do próximo OE mas pouca informação foi dada sobre a corrente execução orçamental (o que correu mal?).
A melhor garantia da redução do défice é o chumbo do OE. Como explica o PMF, o regime da execução orçamental por duodécimos implica que, enquanto não for aprovado o OE2011, o Governo terá à sua disposição uma dotação máxima [mensal] correspondente a 1/12 do anterior OE. Isso significa, logo à partida, uma descida real da despesa pública em 2,2% (a taxa de inflação prevista). E, sendo o duodécimo apenas um valor indicativo do montante de despesa que não pode ser ultrapassado, nada proíbe o Governo de implementar quaisquer outras medidas para gastar menos.
Sucessão real
Depois da dinastia norte-coreana, a dinastia chinesa prepara-se para mudar de imperador.
Efeitos secundários da crise
De acordo com os entendidos na matéria, o sexo é mais uma vítima da crise. É claro, não podia faltar a proibiçãozinha da ordem.Não esquecer: proibe-se… desaparece.

