Os terroristas têm a intenção de causar morte, danos graves, em pessoas, destruir propriedade pública e privada, intimidar a população.A Eta é um grupo sanguinário que espalha uma mensagem de morte e opressão há 50 anos. A 28 de Junho de 1960, a Eta faz o seu primeiro atentado terrorista. É, demasiadas vezes, por demasiada gente, referida como “grupo separatista” e os terroristas que a compõem como “separatistas”. Nesta história, como noutras, não há áreas cinzentas. Pelo contrário há vítimas e assassinos. Estes últimos oprimem, ameaçam, roubam e matam inocentes.
A vítima, de todas as cores, estratos sociais e credos, é utilitária. Isto é serve na perfeição para o objectivo maior: ferir e abalar as bases da sociedade. Mas para já os terroristas ganharam uma batalha importante: a luta da terminologia: os canalhas assassinos passaram a actores de causas. Neste ponto, relembro que em Portugal entre 1974 e 1987, houve cinquenta vítimas mortais provocadas pelas FP-25 de Abril. Recordo ainda que durante e depois da vivência terrorista daquela organização de bandidos houve associações civis e políticas que defenderam e protegeram… quem praticou os actos de terror.
O governo da Venezuela (cujo chefe é tão amigo do PM português) está a servir de santuário para os terroristas da Eta. Desfrutam de um clima sub-tropical e de forte apoio governamental. Como se não chegasse, o embaixador da Venezuela em Espanha, acusa as autoridades deste país de usar a tortura para acusarem os etarras. É positivo que se regresse a algum realismo que parece afastar-se das “causas”: não são as vítimas que são “loucas”, mas os assassinos e os seus cúmplices que roubam a vida e que matam por matar e fazer número. E quantos mais, melhor. As vítimas essas, pedem justiça, dignidade e verdade. Os assassinos tiveram liberdade de escolha entre colocar a bomba, executar a tiro ou não o fazer.
Para quem mata, não pode haver amnistia.
excepto se for Israelita…
Comentário por tric — Outubro 24, 2010 @ 23:22
Comentário por tric — Outubro 25, 2010 @ 00:33
Compreendo o seu escândalo. De facto a ETA é um grupo terrorista e há que dizê-lo sem medo, com todas as letras. No entanto, convém não esquecer que a pátria da ETA não é o País Basco, mas o comunismo. A ETA, como aliás todos os movimentos separatistas em Espanha, é de cariz marxista. E portanto, se ela mata, mata em nome do comunismo. Creio que “nesta história, como noutras, não há áreas cinzentas”. Não são separatistas, são comunistas!
Comentário por O Reaccionário — Outubro 25, 2010 @ 02:36
São separatistas, comuno-fascistas e terroristas.
Comentário por lucklucky — Outubro 25, 2010 @ 16:53
Por uma vez, o Luckylucky tem razão. São assassinos E separatistas. Dizer o contrário, num tom indignado, é mostrar falta de lógica. As duas coisas não são incompatíveis.
A legitimidade do objectivo pretendido (a independência do País Basco) não é posta em causa de forma nenhuma pela ilegitimidade dos meios que são frequentemente usados neste combate (nomeadamente, ataques contra civis), nem pela ilegitimidade de certas ideias políticas que muitos dos independentistas afeccionam (comunismo, por exemplo). Os agentes do estado espanhol não ganham de forma alguma legitimidade para fazerem o que querem no País Basco, impondo a sua soberania sobre milhões de pessoas (impostos, restrições drásticas à liberdade de expressão, aparato corporato-socialo-burocrático, etc…) pelo simples facto de certos bascos, ou até muitos bascos, cometerem crimes.
Incidentemente, há formas de violência supostamente “terrorista” que são perfeitamente legítimas. Punir os capangas da Guardia Civil que aplicam um sem fim de leis injustas não é um crime. É simplesmente resistência. Não reconhecer este direito é ser cúmplice das ditas injustiças do poder central.
E já agora, dum simples ponto de vista estratégico, para aqueles que se entristecem com o ciclo da violência policial/violência terrorista, é bem mais importante defender o direito dos bascos se tornarem independentes – e logo, de criticar Madrid e os seus tentáculos, que o impedem – do que criticar as organizações de resistência (terrorista ou não). Este terrorismo não surge do nada. É uma retaliação contra determinado sistema. É esta a causa primeira de todo este conflito, que acabará quando os bascos forem independentes.
Comentário por Pedro Bandeira — Outubro 25, 2010 @ 21:08
Exacto, é o poder central espanhol que limita a liberdade de expressão. Já um basco não poder dizer o que pensa num jornal (ou numa tasca), porque pode levar um tiro, deve ser uma forma de violência terrorista perfeitamente legítima. Tal como punir guardias que não fazem mais do que o seu trabalho.
Comentário por Carlos M. Fernandes — Outubro 25, 2010 @ 23:37
As FP-25 apareceram em 1980… e o nº de mortes imputada a essa organização não chega a metade dos 50 referidos… Alguma verdade história precisa-se…
Comentário por Rui Sousa — Outubro 26, 2010 @ 00:04
“Tal como punir guardias que não fazem mais do que o seu trabalho.”
Também os “capangas” da mafia apenas fazem “o seu trabalho”; e se a ETA passasse a usar mercenários pagos? Poderíamos aí dizer que os terroristas não fariam “mais do que o seu trabalho”?
Por outro lado, nesta discussão sobre a ETA serem separatistas, e serem assassinos, etc., está-se a deixar de lado um aspecto (que eu acho) importante – a ETA é também imperialista e, à sua maneira, anti-separatista: a ETA recusa a Alava e a Navarra o direito à auto-determinação, querendo integrá-las à força num “Euskal Herria” com base num passado histórico qualquer; nesse ponto vê-se a profunda semelhança entre os Estados-existentes e os Estados-que-querem-existir (o argumento da ETA para querer integrar Navarra no Euskal Herria não é muito diferente do argumento do Estado Espanhol para integrar Guipozcoa em Espanha – qualquer coisa que aconteceu há uns séculos atrás…).
Comentário por miguelmadeira — Outubro 26, 2010 @ 00:10
Pelo que sei, os guardias não são funcionários de um estado fora-da-lei. Mas tudo bem, se há gente que acha normal um tipo de Salamanca ter um comissão no país basco e levar com uma bomba ou um tiro…
Comentário por Carlos M. Fernandes — Outubro 26, 2010 @ 00:14
Carlos, bem no alvo.
Comentário por ruicarmo — Outubro 26, 2010 @ 01:21
A teoria constitucional deve incorporar métodos para despoletar processos pacíficos de secessão, mas isso os constitucionalistas não fazem. Esta é a via possível para de-legitimar (ainda mais) o uso da violência.
Outra reflexão genérica é que, nota-se bem que as mesmas sensibilidades que com puritanismo julgam os actos de terrorismo costumam ser muito tolerantes com as acções por parte do Estado que matam em muitíssima mais intensidade que todos os actos de terrorismo juntos. É uma espécie de moral para não-estados e outra para Estados, como se o facto de um decisão resultar de um governo democrático por exemplo, em alguma coisa minore alguma coisa, pessoalmente até piora para ser franco. Suponho que aquilo que faz de alguém anarquista é precisamente reivindicar que todas as leis morais se aplicam universalmente. Não existe uma lei para funcionários públicos que praticam um dado acto com impostos (e completamente protegido nos seus actos, como mandar bombas de bombardeiros bem protegido) e outra lei para quem com muita mais dificuldade, com morte quase certa, pratica os mesmos actos equivalentes (a diferença é que estes actos são muito menos intensos, afinal o Iraque tem já oficialmente mais de 100 000 mortes…fico à espera de ouvir que a intenção era “boa”… assim tipo o Mao na China, também a tinha).
Dito isto, a ETA de facto, tem contribuído da pior maneira para o mau nome que o separatismo já tem. Eu recomendaria sempre o pacifismo (embora não seja pacifista) e desobediência civil e reivindicar o direito (democrático?) a uma comunidade a separar-se.
Comentário por CN — Outubro 26, 2010 @ 08:51
O Carlos Fernandes, muito provávelmente, nem com um tipo de Salamanca a fazer uma comissão em Lisboa se irritava. Onde está o mal? Viva El Rei!
De resto, o Fernandes é mais um que tem problemas com a lógica (sem contar que também é daqueles que tem princípios por eclipses, aplicáveis a uns mas não a outros). Tanto os agentes do estado espanhol como os separatistas violam a liberdade de expressão de muita gente. Em ambos os casos é condenável.
É assim tão difícil constatá-lo? Admiti-lo? Um português não consegue ter um pouco de distanciamento relativamente a esta questão que afecta principalmente bascos e espanhóis? É preciso ser um incondicional de quem quer que seja, nesta questão?!
Comentário por Pedro Bandeira — Outubro 26, 2010 @ 17:29
Rui Sousa,
agradeço o reparo. O número que escrevi foi afirmado recentemente numa conferência, por um oficial de uma das forças de segurança nacional. Antes das fp-25 Abril outros grupos terrorista existiram. Não deve ler este post como um documento científico mas como opinativo. Uma morte ou ferido seria suficiente.
Comentário por ruicarmo — Outubro 26, 2010 @ 22:46
Pedro Bandeira, para si bastará um curso de boa educação no novas oportunidades. Não tem o seu blogue para exorcizar os seus carimbos sumários e expor as suas verdades absolutas?
Comentário por ruicarmo — Outubro 26, 2010 @ 22:49